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Reedição de Some Girls, dos Stones, é sublime

Por Fabian Chacur

Quando o álbum Some Girls chegou às lojas, em 1978, muitos céticos acreditavam que o melhor da carreira dos Rolling Stones já havia passado. De certa forma, não dá para condená-los.

Desde o lançamento do mitológico Exile On Main St. (1972), Jagger & Richards lançaram trabalhos repletos de altos e baixos, embora esses “altos” fossem sempre ótimos, como It’s Only Rock N’ Roll, Hot Stuff, Angie e Heartbreaker, só para citar algumas faixas matadoras do período.

De quebra, o guitarrista Mick Taylor, um dos grandes estilistas do rock, caiu fora, sendo substituído pelo raçudo, mas não tão sutil, Ron Wood. Havia até quem dissesse que a banda não tinha como abrigar dois Keith Richards, pois o estilo desses guitarristas é bem semelhante.

De quebra, vivíamos a era da disco music e do punk rock, e é óbvio que o grupo britânico começava a ser considerado um dinossauro fora de época e decadente pelos cínicos de plantão, sempre prontos a atirar sem dó nem piedade nas vacas sagradas.

Estariam as pedras rolando rumo ao abismo, diriam alguns? Felizmente isso não ocorreu, e nada melhor do que ouvir a reedição luxuosa de Some Girls que a Universal Music acaba de lançar no Brasil.

Trata-se de um álbum “nervoso”, repleto de garra, pique e canções inspiradas, além de uma releitura espetacular de Just My Imagination (Running Away With Me), dos Temptations, que de doce e sensual balada virou uma pauleira vigorosa e intensa.

Gravado na França e notadamente inspirada na então decadente Nova York, o álbum tem letras debochadas, guitarras nervosas, rocks energéticos, baladas certeiras e até, pasmem, disco music. Uma dose revigorante de rock na veia para detonar os detratores.

O momento discoteque fica por conta de Miss You, um dos maiores sucessos da carreira da banda e na qual fica claro que legítimos roqueiros podiam viajar pelas pistas de dança sem entregar a alma ao diabo do comercialismo barato.

Os rockões When The Whip Comes Down, Shattered e Lies, a sublime e ardida balada Beast Of Burden, a avacalhada e politicamente incorretíssima Some Girls, a balada country Faraway Eyes.. Meu Deus, que disco de rock!

A nova edição deste clássico traz embalagem digipack belíssima, encarte luxuoso com informações e ficha técnica e um CD bônus com 12 faixas inéditas gravadas na época, algumas com overdubs feitas recentemente.

Some Girls acabou se tornando uma espécie de espinha dorsal que ajudou a moldar os discos que Jagger & Richards lançariam juntos nas décadas seguintes, e continua soando urgente, sacudido, vibrante e cheio de boas ideias bem resolvidas, como todo álbum clássico de rock deve ser.

Ouça Beast Of Burden, do álbum Some Girls:

Flashpoint registra momento decisivo dos Stones

flashpointpor Fabian Chacur

As turnês Steel Wheels (1989) e Urban Jungle (1990), a primeira pelos Estados Unidos, a segunda pela Europa, marcaram a carreira dos Rolling Stones de forma positiva. Podem ser consideradas marcos positivos.

Não é difícil entender o porque. A banda voltava aos palcos depois de oito anos durante os quais lançou dois discos de estúdio irregulares e esteve a beira da separação definitiva.

Quando lançaram o ótimo CD Steel Wheels e voltaram às boas (leia-se a dupla Mick Jagger e Keith Richards), nada melhor do que as pedras voltarem a rolar nas estradas da vida. E foi o que eles fizeram.

Lançado originalmente em 1991, Flashpoint é o registro para a posteridade desse momento importante da seminal banda britânica. A gravadora Universal recoloca esse título de novo nas lojas.

São 17 faixas, sendo 15 ao vivo e duas de estúdio, que encerram o CD.

Highwire é um rock básico típico da banda que passa na média, e o funk sensual Sex Drive vai na linha de Slave e Miss You, mesmo sem ser tão boa como as citadas. Mas também não é de se jogar fora.

De resto, é um clássico atrás do outro, com direito a momentos importantes de Steel Wheels, entre eles as ótimas Sad Sad Sad e Rock And a Hard Place.

Do começo com Start Me Up ao final do show com Satisfaction, temos Ruby Tuesday, Miss You, You Can’t Always Get What You Want, Brown Sugar, Sympathy For The Devil e Paint It Black, só para citar alguns hits.

Surpresas ficam por conta do resgate de Factory Girl (do clássico CD Beggars Banquet, de 1968) e o blues clássico de Willie Dixon Little Red Rooster, este com participação especial de Eric Clapton em performance arrasadora.

A banda aparece já na configuração que se tornou padrão até hoje, ou seja, recheada de músicos de apoio. Entre outros, feras como Chuck Leavell (teclados) e Bobby Keys (sax).

Vale lembrar que o baixista Bill Wyman se despediu da banda um ano depois do lançamento deste CD.

Flashpoint não é o melhor álbum ao vivo dos Rolling Stones, mas é muito bom, e serve como bom retrato polaroid desse período marcante da carreira das Pedras Rolantes.

Agora, que a versão em vinil, que eu tenho em casa, é muito mais bonita, especialmente o encarte, lá isso é…..

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