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Lucila Novaes dá banho de doçura em É

Por Fabian Chacur

Lucila Novaes selecionou para seu quarto álbum, É (lançado pela Lua Music), um repertório com músicas compostas dos anos 1920 até hoje. “Quis mostrar que música boa não tem tempo nem idade”, afirmou. E acertou em cheio. Foi além, na verdade: mostrou que bom gosto, doçura e swing fazem parte do seu sofisticado DNA musical.

Quando digo doçura, leia-se uma voz gostosa, acolhedora, boa de se ouvir, com aquele timbre equivalente ao prazer que sentimos quando damos uma boa dentada naquela sobremesa favorita. Só que sem correr o risco de engordar alguns quilinhos, ou de ter de evitá-la por causa de diabetes ou algo do gênero. Prazer sem culpa.

A voz de Lucila lembra um pouco a de antecessoras como Elis Regina e Leila Pinheiro, por exemplo, mas sem soar como algum tipo de cópia diluída. Muito pelo contrário. A moça aproveita bem as influências citadas para seguir um caminho próprio, no qual respeita as letras, as linhas melódicas e os arranjos musicais de cada canção que interpreta.

Aliás, os arranjos das onze faixas de É, a cargo de feras do naipe de Marcelo Mariano e Keko Brandão, nunca pecam nem pelo excesso, nem pela falta de algo mais. São sempre na medida, oferecendo a cada canção o que elas precisam, dando ao vocal delicado e tecnicamente impecável de Lucila o apoio necessário e de bom gosto.

A sonoridade do álbum mergulha na MPB, com direito a muita bossa nova, samba, canções românticas, pop e até elementos clássicos e jazzísticos. A abertura com É, do genial e saudoso Gonzaguinha, e o encerramento, com Homenagem Ao Malandro, de Chico Buarque, mostram como pegar canções bem conhecidas e não cair na mera repetição de gravações anteriores.

O clima vai do mais leve ao mais denso, mergulhando nos muito mais do que 50 tons de delícia auditiva existentes na escala musical. Quem Viver, Verá (Juca Novaes e Rafael Altério), com sua levada contagiante, Ao Ligar a TV (Dani Black), momento mais pop do trabalho, e a nova roupagem dada a Linda Flor (Ai, Yoyô), resgatada dos anos 20 e de autoria de Henrique Vogeler, Luiz Peixoto e Marques Porto, outro belo achado.

Contrato de Separação (Dominguinhos e Anastácia) é o momento mais introspectivo do álbum, que também inclui a clássica Por Toda a Minha Vida (Tom Jobim, Vinícius de Moraes e Alfredo Buongusto), em interpretação inspirada.

Na verdade, É merece ser ouvido da primeira à última nota, pois traz em sua essência elementos do que de melhor a nossa amada MPB realizou nesses anos todos. Não cai na chatice, não se perde em arranjos repetitivos ou rebuscados demais e nem em preciosismos vocais desnecessários. Tudo aqui é na medida exata.

Vejo cantoras por aí que não tem 10% do talento de Lucila Novaes sendo incensadas como a salvação da MPB. Lamentável, no mínimo. Mas uma coisa é certa: quem ouvir este seu novo álbum certamente concordará comigo: ela merece muito mais holofotes apontados em sua direção. Afinal, como diz a letra direta e reta da maravilhosa É, “a gente não tem cara de panaca, a gente não tem jeito de babaca”…

Veja o clipe de É, com Lucila Novaes:

Belas homenagens a Maysa e Nelson Cavaquinho chegam às lojas e agradam

Por Fabian Chacur

Homenagens a grandes nomes da história da nossa música popular sempre serão benvindas.

A gravadora Lua Music, nos últimos anos, tem se tornado um dos principais canais para o lançamento de obras louvando artistas fundamentais da MPB, sempre com classe e bom gosto.

O mentor desses ótimos projetos tem sido o produtor Thiago Marques Luiz, que se vale de seu profundo conhecimento musical para montar trabalhos de primeira linha.

Os dois mais recentes acabam de chegar às lojas físicas e virtuais, e mantém o alto nível de homenagens anteriores.

Uma Noite Para Maysa Ao Vivo traz 11 clássicos do repertório da saudosa Maysa (1936-1977), que sabia como poucas enveredar pelas sinuosidades e intempéries geradas pelo amor, tendo ajudado a criar um estilo musical denominado como “canções de fossa”.

Rótulos a parte, ela gravou canções fantásticas, de sua autoria e também de outros compositores.

Marcam presença neste CD-tributo, gravado ao vivo em abril de 2008 no Sesc Vila Mariana (SP), Célia, Cauby Peixoto, Cláudya, Cida Moreira, Arnaldo Antunes, Claudette Soares e Alaíde Costa.

Destaco as brilhantes interpretações de Célia para Ouça e Demais, nas quais a cantora esbanja classe, bom gosto e um maravilhoso timbre de voz.

Uma Flor Para Nelson Cavaquinho – 100 Anos reúne 20 gravações feitas em estúdio, com direção artística a cargo de Thiago e direção musical de Rovilson Pascoal e André Bedurê.

Se vivo, o cantor, compositor e violonista Nelson Cavaquinho (1911-1986) completaria 100 anos em 2011, e seus sambas inesquecíveis receberam novas e belas roupagens e releituras.

O diversificado e abrangente elenco traz, entre outros, Alcione, Beth Carvalho (a maior intérprete da obra de Nelson). Luiz Melodia, Verônica Ferriani, Ângela Ro Ro, Diogo Nogueira, Marcos Sacramento e Zeca Baleiro.

Quando Eu Me Chamar Saudade, com Alcione, A Mangueira Me Chama, com Beth Carvalho, Degraus da Vida, com Luiz Melodia, A Flor e o Espinho, com Ângela Ro Ro, Se Você Me Ouvisse, com Verônica Ferriani, Dona Carola, com Marcos Sacramento, e Duas Horas da Manhã, com Filipe Cato, são destaques de um álbum impecável como um todo.

Se vivos, Maysa e Nelson Cavaquinho certamente se sentiriam envaidecidos ao ouvir homenagens tão expressivas como as feitas nos CDs Uma Noite Para Maysa Ao Vivo e Uma Flor Para Nelson Cavaquinho 100 Anos.

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