Mondo Pop

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Yusuf Islam (ex-Cat Stevens) cantará no Brasil

Por Fabian Chacur

Nos anos 70, ele chegou a morar por aqui, mas nunca fez shows oficiais, apenas canjas informais. Desta vez, no entanto, o cara não só voltará a nos visitar como irá nos proporcionar três apresentações no Brasil. Estou falando de Yusuf Islam, que se tornou mundialmente conhecido com o nome artístico Cat Stevens.

O cantor, compositor e músico britânico cantará em São Paulo nos dias 16 (ás 22h) e 17 (às 20h) de novembro no Credicard Hall, enquanto no Rio, onde morou, no dia 20 de novembro, no Citibank Hall. Os ingressos começam a ser vendidos entre 24 e 30 de julho em pré-venda, e a partir do dia 31 de julho para o público em geral.

O preço dos ingressos vai de R$ 90 a R$ 950 em São Paulo, enquanto no Rio ficarão entre R$ 240 e R$ 920. Mais informações poderão ser obtidas através do fone 4003-5588 (de alcance nacional) ou então pelo site www.ticketsforfun.com.br .

Cat Stevens nasceu na Inglaterra no dia 21 de julho de 1948, ou seja, vai completar 65 anos de idade na próxima segunda-feira (21). Ele se tornou conhecido inicialmente em 1967 com as músicas I Love My Dog e Matthew And Son, com uma sonoridade folk levemente psicodélica e com arranjos de cordas.

Em 1968, a tuberculose o tirou de cena durante bons meses, durante os quais ele aprofundou sua espiritualidade e compôs mais de 40 músicas. Quando voltou, em 1970, seu trabalho se aproximou do então ascendente bittersweet rock, com ênfase em violões, letras confessionais e no tom grave e inconfundível de sua bela voz.

Durante os anos 70, emplacou hits como Father & Son, Wild World, Moonshadow, Oh Very Young, Peace Train e Morning Has Broken, assim como álbuns do naipe de Tea For The Tillerman (1970), Teaser And The Firecat (1971) e Catch Bull At Four (1972) que o tornaram um dos mais populares cantores/compositores daquele período.

Ao converter-se ao islamismo em 1977, ele gradualmente foi se afastando da música, até lançar em 1978 o álbum Back To Earth, saindo de cena musical em 1979 para se dedicar integralmente à nova fé. Esse estado de coisas iria perdurar até os anos 2000, quando, incentivado pelo filho, retomou aos poucos o gosto pela arte.

Em 1996, 28 longos anos após Back To Earth, ele lançou An Other Cup, agora se valendo do nome Yusuf, que adotou após a conversão. A sonoridade se mantinha fiel ao folk-pop-rock dos anos 70, assim como sua voz permanecia inconfundível, em hits como a bela Heaven/Where True Love Goes, comparável a seus antigos clássicos.

Após inúmeros shows e turnês, Yusuf mostrou que o retorno era mesmo para valer com um novo e também ótimo álbum, Roadsinger (2009), novamente bem recebido por público e críticos. Ótimos DVDs gravados ao vivo nos anos 70 e na nova fase ressaltaram a consistência artística desse retorno, misturando bem hits novos e antigos.

Ouça Where Do The Children Play, com Cat Stevens:

Ouça Heaven/Where True Love Goes, com Yusuf:

Priscilla Pach mostra talento em CD Blue

Por Fabian Chacur

Boa voz, composições interessantes e um estilo que mostra influências de artistas como Taylor Swift, Jewel e Shania Twain. Tudo isso com apenas 17 anos. Essa é Priscilla Pach, que está estreando no meio fonográfico com o CD Blue, álbum produzido por Ronaldo Rayol que soa como eficiente cartão de apresentações.

Um bom exemplo do repertório do disco de estreia dessa jovem cantora e compositora de cabelos longos é Get Over You, canção com levada country moderna, melodia delicada e letra direta na qual a voz funciona como a cereja do bolo, afinada e colocada com bom gosto.

Priscilla morou nos EUA e estudou em escolas de lá desde os 11 anos, o que a ajudou a desenvolver de forma muito boa a pronúncia da língua inglesa, idioma que usa para escrever suas letras. Ela afirma ter por volta de 40 composições próprias em seu acervo, e revela ser também fã das brasileiras Rita Lee e Cássia Eller.

O álbum Blue traz 12 faixas e foge das traquitanas eletrônicas que às vezes só servem para disfarçar a falta de talento de algumas artistas. Aqui, temos guitarras, violões, baixo, teclados, bateria e percussão, com arranjos de cordas em três faixas. O foco fica na voz de Priscilla.

Se em alguns momentos o noviciado cobra o seu preço, algo bastante natural para quem está começando, no todo a estreia de Priscilla Pach mostra que o cenário country pop brasileiro (e, porque não, mundial) está ganhando mais um nome com um potencial bastante grande a ser desenvolvido. Vale ficar de olho nessa garota!

Saiba mais sobre ela em www.priscillapach.com

Ouça Get Over You (versão acústica) com Priscilla Pach:

Herbie Hancock voltará ao Brasil em agosto

Por Fabian Chacur

Herbie Hancock, um dos nomes mais importantes da história do jazz, voltará ao Brasil em breve. O tecladista, maestro e arranjador americano vai tocar no Credicard Hall (SP) no dia 22/8 e no dia 24/8 no Citibank Hall (RJ). Também está prevista uma apresentação do artista no Festival MIMO, em Paraty (RJ).

Nascido em 12 de abril de 1940 nos EUA, Herbie Hancock traz como marca registrada a amplitude de sua visão musical, nunca se restringindo a um único estilo musical, embora sempre tenha tido como embasamento o jazz e a música erudita. Ele se tornou conhecido do grande público em meados dos anos 60.

De um lado, gravou discos solo que tornaram conhecidas na época músicas como Cantaloupe Island (relida com muito sucesso em 1993 com o título Cantaloup-Flip Fantasia pelo grupo US3) e Watermelon Man (sucesso também na gravação de Mongo Santamaria). Do outro, integrou o segundo quinteto de Miles Davis, que também incluía gênios como Ron Carter (baixo), Tony Williams (bateria) e Wayne Shorter (sax).

Nos anos 70, investiu com categoria em uma fusão de jazz e funk music no álbum The Headhunters (1973), que fez sucesso comercial e influenciou inúmeros músicos dos quatro cantos do mundo. Em 1983, lançou o álbum Future Shock, cuja faixa Rockit estourou nas paradas e marcou uma pioneira fusão de jazz, funk e rap, divulgada por um clipe sensacional.

Em sua estante de premiações, o músico americano ostenta 14 troféus Grammy, sendo um deles vencido na categoria álbum do ano com River: The Joni Letters, gravado em homenagem à cantora, compositora e musicista canadense Joni Mitchell. Seu álbum The Imagine Project (2010) contou com participações especiais de Jeff Beck, Seal, Dave Matthews, Chaka Khan e a brasileira Céu.

Hancock nos visitou várias vezes e sempre teceu grandes elogios à música brasileira, tendo tocado com Milton Nascimento e Céu, entre outros. Os ingressos para os shows em São Paulo custam de R$ 30a R$ 450, enquanto no Rio os preços variam de R$ 70 a R$ 400. Mais informações: 4003-5588 e www.ticketsforfun.com.br .

Veja o inovador clipe de Rockit, com Herbie Hancock:

Agnetha Faltskog, ex-Abba, lançará disco solo

Por Fabian Chacur

Agnetha Faltskog, ex-integrante do grupo Abba, está de volta ao cenário pop. A cantora sueca acabou de lançar o single When You Really Loved Someone. A canção é a primeira a ser divulgada de seu novo álbum solo, intitulado A, que está previsto para chegar ao mercado musical no próximo dia 13.

Considerada a mais reclusa dos ex-integrantes do grupo sueco que conquistou as paradas de sucesso de todo o mundo nos anos 70 e 80 com hits como Dancing Queen, Fernando, Knowing Me Knowing You e tantos outros, a loirinha e mais jovem componente do quarteto (nasceu em 5 de abril de 1950) rejeitou o rótulo de eremita em entrevista concedida a uma TV australiana neste sábado (4).

Ela afirma que o fato de ter ficado muito exposta nos tempos de Abba a levou a desejar um maior afastamento da mídia, impulsionada principalmente por sua timidez. As comparações com a atriz hollywoodiana Greta Garbo não a agradam. A entrevista foi concedida a Rahni Sadler, no programa Sunday Night, da rede de TV Seven Network.

Na mesma entrevista, Agnetha respondeu pela milésima vez a inevitável pergunta: é possível um retorno do Abba, que nunca mais voltou à cena desde sua separação, ocorrida em 1982? Ao ouvir a questão, ela balançou a cabeça e deu a resposta que os integrantes do extinto quarteto sueco costumam dar, só que à sua moda.

“Não acho que o Abba deva voltar. Deveríamos deixar o Abba descansar, e apenas ouvir as suas canções”. O programa também trouxe uma entrevista, feita separadamente, com Bjorn Ulvaeus, não só ex-Abba como também ex-marido de Agnetha. As informações sobre essas entrevistas foram divulgadas no site americano da revista Billboard.

A marca o retorno da cantora sueca após nove anos longe do mercado fonográfico. Seu disco mais recente, My Colouring Book, é de 2004. O novo trabalho conta com a produção de Jorgen Elofsson, que já trabalhou com Britney Spears, Kelly Clarkson, Celine Dion e o grupo Weslife, e do arranjador e produtor Peter Nordahl.

Veja o clipe de When You Really Loved Someone, com Agnetha Faltskog:

Cantora das Dixie Chicks lançará CD solo

Por Fabian Chacur

Natalie Maines, cantora do trio country americano Dixie Chicks, anunciou em seu site oficial que lançará seu primeiro disco solo no dia 7 de maio. Mother, o álbum em questão, foi bancado pelo selo Columbia da Sony Music, e não significa o fim da banda ou a saída da badalada vocalista do time.

Coproduzido pelo astro do rock Ben Harper, a estreia de Maines na carreira individual inclui 10 músicas, entre elas Mother (do Pink Floyd), Lover You Should’ve Come Over (Jeff Buckley) e Come Cryin’ To Me (parceria de Maines com suas colegas de Dixie Chicks, as irmãos Martie Maguire e Emily Robinson).

Natalie afirma que procurou fazer um disco bem diferente dos trabalhos que registrou anteriormente com sua banda, até como forma de justificar essa incursão solo, o que explica a produção a cargo de Ben Harper e a inclusão de Mother, música que o Pink Floyd lançou em seu clássico álbum The Wall (1979).

Para quem se preocupa com uma possível saída de Natalie Maines do grupo Dixie Chicks, vale lembrar que o trio oriundo do estado americano do Texas já marcou três apresentações para julho em festivais no Canadá. A cantora, no entanto, promete divulgar sua estreia individual de forma bastante efetiva nos próximos meses.

Com mais de 20 anos de estrada, as Dixie Chicks estouraram em 1998 com o excelente CD Wide Open Spaces, cuja maravilhosa faixa título tocou nos quatro cantos do mundo. Sua mistura de country de raiz com elementos de rock, pop e blues rendeu mais de 27 milhões de cópias vendidas, 13 troféus Grammy e três álbuns que atingiram o número 1 em seu país natal.

São eles Fly (1999), Home (2002) e Taking The Long Way (2006). O trio também ganhou fama por razões extra-musicais. Em 2003, Natalie criticou abertamente George W.Bush pela guerra contra o Iraque, o que gerou diversos ataques dos conservadores contra as meninas.

Ouça Mother (ao vivo), com Natalie Maines e Ben Harper:

Ouça Wide Open Spaces (ao vivo), com as Dixie Chicks:

Justin Bieber quebra recorde com novo álbum

Por Fabian Chacur

Pelo visto, não adianta mesmo torcer contra Justin Bieber. Ao contrário do que imaginavam alguns críticos, o fenômeno canadense está se mantendo no topo das paradas de sucessos nos últimos três anos, e 2013 não será exceção na até aqui consagradora carreira do cantor e compositor.

Believe Acoustic, seu novo álbum, estreou na parada dos EUA no primeiro posto, com 211 mil cópias comercializadas em sua primeira semana de vendas. Para que se possa ter uma ideia da excelente largada do novo disco de Fever Bieber, o segundo posto ficou com Passione, do consagrado tenor italiano Andrea Bocelli, que vendeu 94 mil cópias no mesmo período, ou seja, menos da metade.

E a coisa avança. Trata-se da quinta vez que ele atinge o topo da parada ianque, o que o torna o único artista a conseguir tal façanha antes de completar 19 anos de idade, o que irá ocorrer no dia 1º de março. Ele estava empatado com Miley Cyrus, com quatro pole positions. Detalhe: são quatro number one albums em quatro anos consecutivos.

My World 2.0 (2010), Never Say Never The Remixes (2011), Under The Mistletoe (2011) e Believe (2012) foram os trabalhos anteriores do astro pop adolescente a conseguir o topo nos EUA. Believe Acoustic inclui oito versões acústicas de faixas de Believe e as inéditas Yellow Raincoat, I Would e Nothing Like Us.

Um dado interessante: 75% das vendas de Believe Acoustic vieram de downloads legalizados, sendo que, deste número, de 20 a 25% foram obtidos na pré-venda, quando os fãs nem sabiam ao certo o que iriam ouvir. Uma prova de fidelidade que mostra a força de Justin Bieber entre os concorrentes no meio pop.

Vale registrar o álbum que largou no quarto lugar nesta semana na terra de Barack Obama, com 44 mil cópias comercializadas, a maior parte delas no formato físico. Trata-se de Love, Charlie, de Charlie Wilson. Ele ficou conhecido no final dos anos 70 e meados dos anos 80 como vocalista e líder da Gap Band, que emplacou hits funk-dance como Burn Rubber On Me, Ooops! Upside Your Head, You Dropped a Bomb On Me e Steppin’ Out.

Beauty And A Beat– Justin Bieber:

Ooops! Upside Your Head – The Gap Band:

Móbile mostra swing de Rogério Rochlitz

Por Fabian Chacur

Muitas vezes se questiona qual a razão de a música instrumental normalmente não alcançar a popularidade das canções com letras e refrão. Com uma certa frequência, a resposta mais simples costuma atribuir a esse tipo de trabalho musical uma preocupação maior com o virtuosismo e a sofisticação, deixando às vezes a fluência e o swing em segundo plano.

Felizmente, o músico, arranjador, compositor e produtor Rogério Rochlitz não sofre desse problema. Em seu quarto álbum solo, Móbile, o ex-integrante do grupo Jambêndola dá uma verdadeira aula de como se fazer música sem palavras ou vocais sem cair no exibicionismo ou na chamada “música para músicos”. Para curti-lo, basta sensibilidade.

Em suas 15 faixas, Móbile traz uma sonoridade quente e diversificada que inclui diversas vertentes da música brasileira, como forró, samba, chorinho e bossa nova, fundidas com jazz, funk de verdade, rock, pop e o que mais vier, tendo sempre como âncora boas melodias e arranjos que fogem do óbvio e nos proporcionam agradáveis surpresas a cada compasso, tudo construído com muito swing e consistência.

Rogério se divide entre teclados, baixo, samples, violão e outros instrumentos, e conta com o apoio de ótimos músicos, entre os quais Gileno Foinquinos (guitarras), João Parahyba (percussão), Guga Stroeter (vibrafone), Bina Coquet (violão de 7 cordas), Guilherme Held (guitarra), Bocato (trombone) e Tião Carvalho (berimbau), só para citar alguns.

Cada tema instrumental equivale a um novo e diferenciado roteiro sonoro, impedindo que o ouvinte caia na monotonia ou na mesmice um instante sequer. Prince no Sambão, por exemplo, mistura samba, funk e urbanidade/urgência pop, enquanto Berimboca adiciona latinidade a um tempero soul bastante envolvente.

O trombone inconfundível de Bocato dá o norte à swingada Bocato No País das Maravilhas, enquanto a cuíca é o eixo da misteriosa e envolvente Prótons, que ganha elementos minimalistas e por vezes soa como uma possível versão século XXI do som instrumental exótico dos anos 50 do músico americano Martin Denny. A delicada Amor Amora equivale a uma versão levemente sinfônica da música gaúcha de raiz.

Momento máximo do álbum, Paralao soa como uma espécie de bossa nova com cobertura soul psicodélica, guardando parentesco com o trabalho do genial maestro brasileiro Arthur Verocai. Mas Móbile revela novos segredos a cada nova audição.

Poderia ganhar as programções das rádios, caso elas tivessem abertura suficiente para isso. Mas pode tocar na sua própria emissora pessoal, se você quiser. Experimente e mergulhe de cabeça na deliciosa música de Rogério Rochlitz.

Prince no Sambão (clipe) – Rogério Rochlitz:

No Doubt volta com álbum pop exemplar

Por Fabian Chacur

Foram longos 11 anos fora de cena, período durante o qual só tivemos uma canção nova incluída na coletânea The Singles 1992-2003, a releitura de It’s My Life, sucesso oitentista do Talk Talk. Mas o vazio acabou, e finalmente temos um novo álbum do No Doubt para curtir, Push And Shove, que a Universal Music acaba de lançar no Brasil. Felizmente, valeu a espera.

A expectativa criada em torno do novo álbum do grupo integrado por Gwen Stefani (vocal), Tony Kanal (baixo), Tom Dumont (guitarra) e Adriam Young (bateria e percussão) aumentou ainda mais quando o matador single Settle Down começou a tocar nas rádios e nas MTVs da vida, com sua levada ultra-dançante na linha raggamuffin eletrônica.

Do início como banda de ska há longos 26 anos, o grupo californiano evoluiu e estourou em 1996 com Tragic Kingdom, álbum no qual passou a apostar em uma sonoridade mais abrangente, com direito a ska, mas também a raggamuffin, pop eletrônico, rock, dance music e black music, além de baladas aqui e ali.

O novo álbum mantém essa pegada, desta vez sem se valer de vários produtores da moda e concentrando o trabalho na mão de Mark “Spike” Stent, que já habia trabalhado antes com o quarteto, mas não com esse espaço todo. E valeu a pena a aposta no “prata da casa”, pois o álbum soa diversificado e sem ficar repetindo fórmulas o tempo todo.

A sonoridade de Push And Shove tem um forte sabor do pop dos anos 80 filtrado para a musicalidade de agora, com ecos de New Order, Madonna, Kylie Minogue e UB 40, sem no entanto cair numa repetição de clichês. Pelo contrário. As 11 canções se pautam por boas melodias, batidas bacanas e timbres instrumentais bem escolhidos.

A ala mais afeita ao raggamuffin eletrônico do CD inclui, além de Settle Down, a energética Looking Hot, a quase reggae Sparkle e a faixa título, essa com um tempero meio Black Eyed Peas. Com timbragem que lembra o New Order, especialmente nas guitarras, Heaven é simplesmente um eletro-rock delicioso.

Para quem virou fã do grupo da loirinha Gwen Stefani graças a Don’t Speak, temos aqui duas baladas diferentes entre si, mas mortais, daquelas de cortar os pulsos. Easy, apaixonamente e com aquele timbre de guitarra do hit It Must Have Been Love, do Roxette, deixará qualquer apaixonado longe do ser amado à beira das lágrimas.

E para se emocionar no melhor clima de rock balada daqueles de fazer todos em um estádio acenderem os celulares (antes eram os isqueiros…) temos Undone, aquele tipo de balada romântica que, se entrar em uma trilha de novela, vira mania nos quatro cantos do país e entra nas paradas de sucesso a mil por hora.

One More Summer e um roquinho bacana que equivale ao que seria o New Order com Madonna anos 80 nos vocais, enquanto Gravity é pop rock eletrônico puro, Kyle Minogue style. Undercover, com mais teclados, vai pelo mesmo caminho, e bem, também.

Dreaming The Same Dream encerra a festa a festa como se estivesse saindo do True Love (1986), da Madonna, ou coisa assim. Mas justiça se faça: as influências são essas, mas o No Doubt soa como No Doubt, sem xerocopiar na cara dura.

Se vivêssemos outros tempos, Push And Shove seria daqueles discos que se manteriam durante meses entre os mais vendidos e emplacando single atrás de single. Como hoje tudo mudou, o álbum estreou na terceira posição da Billboard e já despencou para abaixo do número 70. Tomara que esse álbum consiga uma reviravolta, pois é um belo exemplo de música pop bem feita, diversificada e que não apela para tentar conquistar os fãs.

Ouça Easy, com o No Doubt:

Ouça Heaven, com o No Doubt:

Ouça Undone, com o No Doubt:

Vídeo flagra Phil Collins em bela despedida

Por Fabian Chacur

Phil Collins é um dos grandes talentos da história da música pop. Grande baterista, excelente vocalista e compositor talentoso, ele brilhou tanto no Genesis, grupo no qual entrou em 1970, como em produtiva carreira solo.

Em 2004, o astro britânico resolveu dar um fim às turnês solo para ficar mais tempo ao lado da família. O DVD duplo (e Blu-ray simples) Live At Montreux 2004, lançado (s) no Brasil pela ST2, é o registro de um dos shows dessa última tour de Collins, realizado no mitológico festival de jazz de Montreux, na Suíça, em 7 de julho daquele ano.

Acompanhado por uma banda excelente com direito a metais e tudo, da qual se destacam o baixista Leland Sklar (que tocou durante anos com James Taylor), Daryl Stuermer (guitarrista, tocou com o Genesis e na carreira solo de Collins) e Chester Thompson (baterista que tocou com ele na carreira solo e também nos shows do Genesis), Collins dá boa geral em seus sucessos como astro solo.

Ele toca bateria apenas em algumas músicas, mas dá um show de vocais e carisma em canções como Something Happened On The Way To Heaven, Against All Odds, In The Air Tonight (provavelmente a melhor versão ao vivo já registrada dessa canção), Take Me Home, Easy Lover, Sussudio e Another Day In Paradise.

O espetáculo é a prova da expressividade da obra de Phil Collins como artista pop, pois oferece a seus fãs qualidade musical, um trabalho acessível e longe da banalidade. Todo crítico isento deveria valorizar o trabalho desse artista, independente do alto teor pop de sua produção musical. Nem sempre vanguarda é sinônimo de qualidade e sucesso é sinônimo de porcaria.

Como extra, temos aqui uma bela surpresa. Trata-se do registro feito em 1996, em outra edição do festival de Montreux, da apresentação da Phil Collins Big Band, na qual ele passa a maior parte do espetáculo tocando bateria e no qual conta com a regência de ninguém menos do que Quincy Jones, além de ter músicos como Nathan East, David Sanborn, Ralph Sharon e a participação especialíssima de Tony Bennett.

O repertório mistura músicas da carreira solo de Collins e também alguns clássicos do Genesis, com espaços para standards do jazz. Os arranjos são fluentes e bem distintos das gravações originais, e o desempenho do músico inglês como baterista é impecável.

Em um contexto basicamente instrumental e jazzístico, músicas como Two Hearts, That’s All, Invisible Touch e Hand In Hand ganharam novas e surpreendentes roupagens. Temos também o belo standard de jazz There’ll Be Some Changes Made, na qual Tony Bennett mostra o porque é uma das lendas vivas do jazz.

Live At Montreux 2004 é uma bela amostra do enorme talento de Phil Collins, e merece ser visto não só por seus milhões de fãs, como também por aqueles que torcem o nariz ao ouvir falar seu nome por puro preconceito.

In The Air Tonight, ao vivo em Montreux, com Phil Collins:

Another Day In Paradise, ao vivo em Montreux, com Phil Collins:

Morten Harket mostra força sem o A-ha

Por Fabian Chacur

No fim de 2010, o A-ha fez o último show do que denominaram sua turnê de despedida. Com milhões de cópias vendidas de seus álbuns e shows lotados pelo mundo afora, o grupo encerrou a carreira em alta, após quase 30 anos de estrada.

O vocalista do consagrado trio norueguês, Morten Harket, já havia lançado trabalhos solo em inglês anteriormente, respectivamente Wild Seed (1995) e Letter From Egypt (2008). Agora, chega a vez de Out Of My Hands, que a Universal Music acaba de lançar por aqui.

O repertório de 10 músicas certamente agradará ao fã de sua ex-banda, pois Morten investe de forma bastante competente no pop eletrônico repleto de teclados e boas melodias que marcou o A-ha. Além disso, sua voz continua ótima, algo que se torna bem claro durante cada nova canção, quando procurou explorar novos nuances e linhas melódicas.

O álbum inclui vários momentos elogiáveis. When I Reached The Moon, por exemplo, é um pop rock energético que soa como inevitável hit, com vigor e ótimo refrão daqueles que te cativam logo de cara. O single Lightning também equivale a um bom exemplo de como se fazer pop eletrõnico acessível sem cair na vala comum da música descartável.

A sacudida Scared Of Heights, do cantor e compositor norueguês Espen Lind e a ótima faixa título também agradam em cheio. A surpresa fica por conta de Listening, canção assinada por Neil Tennant e Chris Lowe, dos Pet Shop Boys, contemporâneos de anos 80. Essa bela balada conta com Tennant nos backing vocals e também tem cara de sucesso.

Honesto, bem gravado e com ótima seleção de músicas, Out Of My Hands é a prova concreta de que Morten Harket tem tudo para sobreviver com categoria em termos artísticos e comerciais ao fim do A-ha. Ele, por sinal, fará shows no Brasil em setembro, com datas agendadas para o Rio (22), São Paulo (26) e Belo Horizonte (23).

Ouça Listening, de Morten Harket:

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