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Crimson/Red é Prefab Sprout a duas mãos

Por Fabian Chacur

Paddy McAloon é um dos mais talentosos nomes surgidos no rock britânico na década de 1980. Liderando a banda Prefab Sprout, ele nos proporcionou algumas das melhores canções pop de todos os tempos, conciliando inteligência, poesia, belas melodias e acessibilidade. Merecia muito mais sucesso comercial do que teve, como prova seu novo álbum, Crimson/Red (Icebreaker Records), só disponível via importação por aqui.

Na verdade, o que hoje chamamos de Prefab Sprout é há algum tempo um “exército de um homem só”. Desde o excepcional Let’s Change The World With Music (2009), Paddy faz tudo sozinho, tocando todos os instrumentos e se incumbindo também dos vocais. Lógico que isso tem um preço, dando à sonoridade geral um clima um pouco mais linear do que trabalhos anteriores, mas mesmo assim o resultado continua sendo bastante consistente e digno de nota.

A voz de Paddy não tem o mesmo brilho dos tempos de seu álbum mais famoso, Steve McQueen (1985, intitulado Two Wheel’s Good nos EUA), mas o cantor, compositor e músico a utiliza com muita inteligência e sensibilidade, aproveitando bem as belas melodias que são sua marca registrada. Aquele clima levemente melancólico, irônico e evocativo se mantém firme e forte, com o vigor substituído pelo jogo de cintura.

A sonoridade de Crimson/Red equivale a uma mistura do pop intrincado e sinfônico a la Pet Sounds (clássico máximo dos Beach Boys) do álbum Andromeda Heights (2007) com o flerte com o country-rock contido em The Gunman And Other Stories (2001), dois trabalhos menos badalados mas bem bacanas da banda britânica. Melodias bacanas, ritmos não tão dançantes e ênfase nas letras.

As dez canções são bem interessantes e crescem a cada nova audição. Como de praxe, McAloon mostra sua categoria e criatividade ao se valer de temas como o melhor ladrão de joias de todos os tempos (The Best Jewel Thief In The World), as incoerências e incertezas da adolescência (Adolescence), um papo barra pesada com o capeta (Devil Came A Calling) e o lirismo de um eterno sonhador (The Dreamer).

The Old Magician é de uma fina ironia ao narrar o momento de decadência vivido por um “velho mágico”, algo que poderia ser interpretado como o compositor falando sobre ele próprio. Só que de profissional decadente ele não tem é nada, vide outras maravilhas contidas neste seu novo álbum, como List Of Impossible Things, Grief Built The Taj Mahal, The Songs Of Danny Galway e a saltitante Mysterious, que encerra o CD.

A obra de Paddy McAloon é a prova concreta de que dá para se fazer música pop boa de se ouvir com profundidade poética, musicalidade criativa e assinatura própria. Sabe-se lá a razão pela qual seus trabalhos nunca obtiveram a popularidade que mereciam, mas você pode dar um presente a si próprio e mergulhar nessa discografia fantástica cujo Crimson/Red é o fruto mais recente. Jogo ganho!

Já escrevi bastante aqui em Mondo Pop sobre o Prefab Sprout. Eis alguns links:

http://www.mondopop.net/2009/01/porque-eu-adoro-o-prefab-sprout-parte-1/

http://www.mondopop.net/2011/01/cinco-musicas-sensacionais-do-prefab-sprout/

http://www.mondopop.net/2010/12/appetite-um-dos-classicos-do-prefab-sprout/

http://www.mondopop.net/2009/01/porque-eu-adoro-o-prefab-sprout-parte-2/

http://www.mondopop.net/2009/11/prefab-sprout-e-jogo-ganho-para-os-fas-do-pop-perfeito/

Ouça em streaming Crimson/Red, do Prefab Sprout:

Cinco músicas sensacionais do Prefab Sprout

Por Fabian Chacur

Já escrevi tanto sobre o grupo britânico Prefab Sprout por aqui que logo vai ter neguinho achando que o Paddy McAloon me paga para fazer isso.

Na verdade, se eu conseguir tornar ao menos mais uma pessoa fã incondicional desse trabalho maravilhoso, já estarei bem pago.

Continuando minha missão, vou apresentar mais cinco músicas maravilhosas dos caras. Ouçam, vejam e tirem suas próprias conclusões.

A Life Of Surprises – clipe (1989)

Lançada no álbum Protest Songs (1989), virou faixa título da primeira coletânea de hits da banda, de 1992. Dançante, otimista, contagiante.

Faron Young ao vivo em 1985:

Esse agitado rockabilly de refrão inesperado abre o clássico álbum Steve McQueen (1985). O refrão cita a música Four In The Morning, do cantor country americano Faron Young.

Electric Guitars – clipe 1997:

Homenagem aos roqueiros sonhadores, esse rock melódico tem um clipe repleto de bem-humorados clichês do visual rock and roll. Um clássico!

Cars And Girls ao vivo 1988:

Pop até a medula, esse rock melódico mostra a vertente mais acessível do PS, sem no entanto cair no vulgar ou no brega. Uma delícia de roquinho básico.

Wild Horses (só áudio) – 1991:

Por quê ninguém tocou essa música nas rádios? Teria sido um hit instantâneo. Balada soul matadora, com uma pitada de Culture Club.

Ouça When Love Breaks Down, o maior sucesso do grupo britânico Prefab Sprout no Brasil

Por Fabian Chacur

When Love Breaks Down é faixa de Steve McQueen (1985, lançado no Brasil e EUA como Two Wheels Good), terceiro álbum da banda britânica Prefab Sprout, uma das preferidas de Mondo Pop.

Essa canção pop/soul é de longe a mais conhecida da banda no Brasil, sendo tocada até hoje em rádios especializadas em flash back como a Antena 1, por exemplo.

Canção repleta de classe, com direito a melodia maravilhosa e uma letra que toca no assunto “fim de romance” com absurda profundidade para uma simples criação pop.

Veja e ouça a banda tocando When Love Breaks Down ao vivo, na época:

Appetite, um dos clássicos do Prefab Sprout

Por Fabian Chacur

Appetite é dessas músicas completas, pois consegue integrar melodia perfeita, arranjo preciso e letra original e excepcional.

Paddy McAloon, cantor, compositor, guitarrista e líder da banda Prefab Sprout, lançou este clássico em 1985, no álbum Steve McQueen, que no Brasil saiu com o título Two Wheels Good.

A letra fala sobre a relação entre um casal ocasional que gera, digamos assim, uma “faixa bônus”, aquele bebê que ninguém previa.

Com a cara de pau masculina, que no entanto é real, ele atribui ao desejo sexual o surgimento do pimpolho, e de a pior parte acabar ficando com a fêmea.

Descrita dessa forma, a canção pode parecer um ode ao machismo, mas não é por aí, não. O tema é mais próximo da realidade do dia a dia, do que acontece na vida real, quer desejemos assim, quer não.

Chega de papo. Veja o clipe e aprecie essa maravilha.

Coisas boas e ruins de 2009 em análise rápida

por Fabian Chacur

Não vou perder meu tempo com a culionésima retrospectiva 2009 no mundo da música. Entre em algum portal e mergulhe nas já existentes.

Minha despretensão aqui é total. Vou apenas relembrar algumas coisas deste ano que se vai para não mais voltar, como todos os anteriores.

A morte de Michael Jackson fica como grande momento negativo. Um artista genial, que nos deixou como herança um legado musical de grande qualidade e influência.

Na verdade, não morrerá nunca em nossos corações. E o documentário This Is It serve como bela despedida de cena do primeiro e único Rei do Pop.

Les Paul também se foi. Só o fato de ter criado a guitarra que leva o seu nome, e que protagonizou grandes momentos da história do rock e da música em geral já vale o registro dele por aqui.

O melhor álbum do ano na opinião deste que vos tecla é Let’s Change The World With Music, do sublime Prefab Sprout, hoje banda de um homem só, o genial Paddy McAloon. Melhor música do ano: Ride, do mesmo álbum.

A nova geração se firmou com Tonight Franz Ferdinand, excepcional terceiro álbum do grupo escocês que vai tocar novamente por aqui em 2010. Espero, desta vez, poder conferi-los ao vivo. Grande banda. Rock básico, dançante, vibrante, como deve ser.

O DVD/CD gravado em dupla Steve Winwood e Eric Clapton não só nos relembrou dos velhos e bons anos 60 e 70 como mostrou como esses dois gênios da música, hoje sessentões, continuam em ótima forma.

Se Michael Jackson nos deixou, George Benson provou que continua inspiradíssimo no cenário da black music com tempero jazzístico.

Songs And Stories é seu melhor CD em anos, uma pintura. Ouça as faixas Nuthin’ But a Party, Exotica e Living In High Definition e diga se não estou certo. Ou a releitura certeira de Rainy Night In Georgia. Coisa fina!

Enfim os maravilhosos CDs dos Beatles receberam versões a altura de sua qualidade e influência. Em termos sonoros e, principalmente, de embalagem, com os discos agora contando com capas triplas, encartes coloridos repletos de informações, fotos lindas… É assim que se tratam obras primas!

AC/DC lotando o Morumbi é a prova de que o velho, básico e vibrante rock and roll nunca morrerá. É por isso que considero “pós-rock” o rótulo mais imbecil de todos os tempos. Criado por “pós-idiotas”, por certo!

No Brasil, tivemos discos bacanas, como o novo de Lulu Santos, os relançamentos de trabalhos do genial Wilson Simonal (1938-2000), as estreias de Veronica Ferriani e Aline Calixto, o trio de rock instrumental Macaco Bong fazendo shows sensacionais…

Enfim, a música continua viva, graças a Deus. E certamente continuará em 2010. Obrigado a todos os meus leitores, a quem desejo um ano novo repleto de saúde, paz, felicidade, realizações e, é lógico, música de qualidade!

Mais sobre Let's Change The World With Music

Prefab_Sprout_LCTWWMpor Fabian Chacur

Não consigo parar de ouvir Let’s Change The World With Music. E a explicação é simples: trata-se de um disco maravilhoso.

Uma explicação cabível surge na letra de I Love Music:  she’s richer than money and bigger than fame, and love is the reason I’m playing this game (ela é mais rica do que dinheiro e maior do que a fama, e amor é a razão pela qual eu jogo este jogo).

Paddy McAloon faz música porque ama isso. Eis a melhor razão para se fazer alguma coisa, seja ela qual for, contando que seja lícita, obviamente. Ou será que você apoiaria um criminoso que mata porque ama fazer isso?

Voltemos à música. A capacidade que Paddy tem de partir de uma batida dançante e fazer uma música que pode agradar tanto o ouvinte casual como o mais atento é a prova de quem possui talento acima da média.

As letras das músicas desse CD são um caso a parte. Ride, por exemplo, respeita quem é religioso e quem é agnóstico, tudo apoiado por uma melodia cativante e uma batida hipnótica e dançante. Que refrão, meu Deus!

Quando, em Music Is a Princess, ele define a música como uma princesa e ele apenas um garoto em trapos, registra a humildade com que se coloca em relação à canção. Ele não perde tempo em se exibir como músico, e põe a canção em primeiro lugar. Quem se dá bem somos nós, seus ouvintes.

Em I Love Music, ele nos dá conta da amplitude daquilo que ouve, colocando em uma mesma estrofe os americanos Nile and Nard (Nile Rodgers e Bernard Edwards, do grupo disco-funk Chic) e Pierre Boulez, que ele define (com razão) como o “guru da vanguarda”.

E tem também God Watch Over You, sobre as dúvidas sobre se Deus olha por nós. Ou ainda a belíssima Last Of The Great Romantics, sobre sua índole romântica e idealista.

Paddy McAloon admira gênios como Paul McCartney e Brian Wilson, e pode ser considerado gênio, também. Não quero compará-lo aos dois nomes citados, mas ouvir suas músicas me dá prazer equivalente.

E música, meus caros, existe para nos dar prazer. Aliás, é a viagem da letra de Let There Be Music, na qual ele define música como a voz de Deus. E aí, enfim consegui te animar a ouvir Let’s Change The World With Music? Faça esse bem a seus ouvidos!

Novo CD do Prefab Sprout é mais busca pelo pop perfeito

paddy-mcaloon-1Por Fabian Chacur

Todos os que me leem sabe que em Mondo Pop o Prefab Sprout é top 5. Toda oportunidade de escrever sobre a banda eu considero bem vinda. E nada melhor do que ter em mãos Let’s Change The World With Music, o novo álbum da banda britânica.

Ou melhor, da atualmente banda de um cara só. No caso, o cantor, compositor e guitarrista Paddy McAloon. E sua busca pelo pop perfeito continua nos proporcionando maravilhas.

Da formação clássica da banda, só sobrou o seu líder. O irmão baixista Martin McAloon, a ex-namorada e vocalista de apoio Wendy Smith e o baterista Neil Conti já não estão mais aqui. Nem o produtor Thomas Dolby.

Então, cabe a pergunta: porque não denominá-lo um disco solo? Afinal, Paddy já lançou um em 2003, o experimental e belíssimo I Trawl The Megahertz. Mas existe uma explicação justa.

As onze canções de Let’s Change The World With Music foram concebidas para um disco com a banda original. O CD começou a ser gravado em 1992, mas em meados do ano seguinte, Paddy achou não se sentiu satisfeito com os resultados obtidos e arquivou tudo.

Agora, ele resolveu pegar as músicas e gravar tudo ele próprio. Mas como se trata de um material concebido para o Prefab Sprout, ele achou mais lógico creditar o trabalho à banda.

Os temas básicos do novo CD de uma das melhores bandas da história da música pop britânica são a relação com a música, o amor e as questões espirituais e transcendentais. Tudo de uma forma clara, poética e que não cai em análises do tipo “como é lindo o meu umbigo”.

E o melhor, tudo acompanhado por melodias raras, inspiradas, vocalizações deliciosas, e um instrumental dos mais eficientes. Ficaria melhor com a banda? Pode ser. Mas quem garante? E o resultado aqui é excelente.

Se eu tivesse de escolher um single, seria a vibrante e contagiante Ride, com batida dançante e uma letra que procura entender as várias visões referentes às questões da espiritualidade de forma bem matura e pluralista. Pop com conteúdo filosófico sem ser chato.

Let There Be Music, com sua batida funkeada, I Love Music (puro pop) e Music Is a Princess falam da relação apaixonada entre McAloon e a música, temática com que qualquer tarado por música como eu se identifica logo nos primeiros versos.

Let’s Change The World With Music é uma delícia de album. Dá para se ouvir de ponta a ponta. Respeita o ouvinte, investindo em sofisticação, em apelo pop e provando mais uma vez que Paddy McAloon persegue o pop perfeito.

Na verdade, ele já o encontrou várias vezes em sua brilhante carreira. Essa é só mais uma vez. Já ouviu Steve McQueen hoje? Ou qualquer outros dos álbuns dessa banda? Faça isso agoooooora!

Sai novo velho álbum do Prefab Sprout

Prefab-sproutPor Fabian Chacur

Sai na próxima segunda-feira, dia sete de setembro, o novo CD do Prefab Sprout, uma das bandas queridinhas de Mondo Pop. Trata-se de uma espécie de “novo velho álbum”. A explicação é simples. Embora o disco seja composto por onze músicas novas e inéditas, as mesmas foram gravadas na primeira metade dos anos 90, provavelmente na mesma época em que as duas inéditas incluídas na coletânea de 1992 The Best Of Prefab Sprout – A Life Of Surprises, as ótimas The Sound Of Crying e If You Don’t Love Me. As faixas foram completadas há pouco por Paddy McAloon, cantor, compositor, guitarrista e líder dessa maravilhosa banda britânica, que sabe como poucas fazer aquilo que alguns apelidaram de pop perfeito. Ou seja, música pop ao mesmo tempo acessível, boa de se ouvir e sofisticada.

Let’s Change The World With Music é o primeiro trabalho de inéditas do Prefab Sprout desde 2001, quando The Gunman And Other Stories chegou às lojas. Tivemos, nesse período, o primeiro trabalho solo de McAloon, I Trawl The Megahertz (2003) e o relançamento do melhor álbum da banda, Steve McQueen (1985), que trouxe como bônus um segundo CD incluindo oito regravações acústicas feitas em 2007 pelo artista. Nem é preciso dizer que irei encomendar esse CD esta semana, e logo que o tiver em mãos, o comentarei aqui. Ouvi trechos de trinta segundos de cada faixa em streaming, e adorei. Meus ouvidos estão coçando para ouvir o resto. Se quiser também ouvir essa amostra grátis, confira o link abaixo.

Trechos das músicas de Let’s Change The World With Music:

http://www.amazon.co.uk/Change-World-Music-Prefab-Sprout/dp/B002KWLUU0/

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