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Tag: rock americano anos 1970 (page 1 of 2)

James Seals, 80 anos, da dupla de soft rock Seals & Crofts

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Por Fabian Chacur

Das inúmeras músicas de que gosto, Summer Breeze ocupa um lugar muito especial, pois me traz belas recordações de meus tempos de criança. Essa gravação estourou há exatos 50 anos com a dupla Seals & Crofts (leia mais sobre eles aqui). Pois nesta segunda-feira (6), foi anunciada a morte, aos 80 anos de idade, de James Seals, um dos integrantes do duo. Ele estava afastado do show business desde 2017, após ter sofrido um derrame.

A notícia foi tornada pública, através de uma rede social, pelo cantor, compositor e músico Brady Seals, ex-integrante da bem-sucedida banda country Little Texas, artista-solo de boa repercussão e primo de James.

James Seals nasceu em 17 de outubro de 1941, e começou a se tornar conhecido no cenário musical no finalzinho dos anos 1950, quando entrou no grupo The Champs, logo após esta banda americana estourar com Tequila. Foi ali que ele começou a sua amizade e parceria musical com Dash Crofts, que iria gerar, em 1970, a dupla Seals & Crofts.

O duo lançou dois álbuns independentes e um pela Warner sem grande repercussão, embora ficasse clara a qualidade de sua música, uma mistura de country, folk e rock que posteriormente ganharias os rótulos soft rock e bittersweet rock. A coisa pegou no breu pra eles em 1972 quando Summer Breeze, faixa-título de seu 4º álbum, tornou-se um grande sucesso, atingindo o top 10 nos EUA e estourando no mundo todo.

Com vocalizações impecáveis (com Jim no vocal líder) e composições encantadoras, Seals & Crofts emplacaram hits marcantes até o final dos anos 1970. Entre outras, Diamond Girl (ouça aqui), We May Never Pass This Way Again (ouça aqui), Get Closer (ouça aqui) e até mesmo a influenciada pela disco music You’re The Love (ouça aqui).

Com o fim do contrato com a Warner, no comecinho dos anos 1980, a dupla resolveu se desfazer, voltando em dois curtos períodos apenas, em 1991 e 2004. James chegou a fazer shows com o seu irmão Dan Seals, integrante de outra dupla de sucesso daqueles anos 1970, England Dan & John Ford Coley, que estourou com canções maravilhosas como I’d Really Love To See You Tonight (ouça aqui) e Love Is The Answer (ouça aqui). Dan se foi em 2009.

Summer Breeze– Seals & Crofts:

ZZ Top divulga Brown Sugar e lançará álbum ao vivo em julho

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Por Fabian Chacur

O ZZ Top acaba de divulgar seu novo single. Trata-se de uma versão ao vivo de Brown Sugar, composição do cantor e guitarrista Billy Gibbons que foi lançada originalmente por eles em 1971 no álbum ZZ Top’s First Album. A faixa faz parte do álbum RAW, que a BMG lançará em 22 de julho, seis dias antes do aniversário de um ano da morte do baixista da banda, o saudoso Dusty Hill. Gibbons e o baterista Frank Beard seguirão em frente com Elwood Francis no baixo, que trabalhava com Hill.

Brown Sugar (que, curiosamente, foi lançada na mesma época do célebre hit homônimo dos Rolling Stones) é um blues rock poderoso, que o trio releu com a categoria que sempre os marcou. O álbum foi gravado ao vivo em 2018 no Gruene Hall, no Texas, e equivale à trilha sonora do documentário That Little Ol’ Band From Texas (2019), que mostra os músicos contando sua história e tocando seus clássicos em um ambiente intimista.

Billy Gibbons explica o porque essa música em especial foi escolhida como a primeira faixa a ser divulgada do álbum RAW: “Brown Sugar é uma parte especial dos nossos shows há muitas décadas e acho que é maneira certa de começar o RAW. Essas gravações no Gruene Hall foram um satisfatório retorno às raízes e estamos felizes de dividir com todos que nos acompanham há tanto tempo”.

Brown Sugar (live from Gruene Hall)- ZZ Top:

The Doobie Brothers lançam Liberté e iniciam uma turnê

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Por Fabian Chacur

Boas novidades para os fãs dos Doobie Brothers. A excelente banda americana celebra seus 50 anos de carreira e oferece três belos presentes aos fãs. Um é a turnê 50th Anniversary Tour, com shows pelos EUA que terão início em Las Vegas em maio e que contarão com a presença do cantor, compositor e tecladista Michael McDonald. Outra é o lançamento do livro Long Train Runnin’- The Story Of The Doobie Brothers, escrito por Chris Epting em parceria com os fundadores do grupo. E o terceiro é o lançamento do álbum Liberté.

Já disponível nas plataformas digitais e, no exterior, em CD e LP de vinil, Liberté é o 1º álbum de inéditas dos Doobies desde World Gone Crazy (2010), e marca a colaboração da banda com o consagrado produtor e compositor John Shanks, conhecido por seus trabalhos com Sheryl Crow, Bon Jovi e Miley Cyrus, entre outros. Ele produziu o álbum e também foi parceiro de seis músicas com Tom Johnston e de cinco com Patrick Simmons.

Liberté é um trabalho maduro e consistente, no qual os Doobies atuam com muita categoria em sua zona de conforto, investindo em rock, folk, country e soul com a categoria habitual. O repertório agrada em cheio, com direito a rocks bacanas como Oh Mexico, a quase hard rock Don’t Ya Mess With Me, o rock pra cima The American Dream e a mais folk Good Thang. Um belo disco dos agora setentões, que exalam garra e inspiração.

Da formação original dos Doobie Brothers, ficaram em cena exatamente os seus fundadores, o cantor, compositor e guitarrista Tom Johnston, uma das vozes mais poderosas do rock e rei dos riffs de guitarra, e o cantor, compositor e guitarrista/violonista Patrick Simmons, craque nas harmonias vocais, no dedilhado de violão e nas canções folk.

Completa o núcleo atual dos Doobies o multi-instrumentista John McFee, que esteve no time entre 1978 e 1983 e voltou para não mais sair em meados dos anos 1990. Baita músico, ele toca guitarra, pedal steel, rabeca, dobro, violão e o que mais pintar à sua frente. Ao vivo, completam o time quatro músicos de apoio, entre os quais o tecladista Bill Payne, que participou de vários álbuns dos Doobies e é conhecido por seu trabalho com a banda Little Feat.

Vale ressaltar que os Doobie Brothers, embora tenham feito muito sucesso no Brasil nos anos 1970 e 1980, nunca fizeram shows por aqui. O mais perto que estiveram foi quando chegaram a ser cogitados para o Rock in Rio de 1991, mas ficou só na promessa. Ainda dá tempo, Medina e companhia. Seria um belíssimo acréscimo ao elenco do festival, sendo que os shows deles continuam energéticos e repleto de hits. Que tal?

Eis as faixas de LIBERTÉ:

Oh Mexico

Better Days

Don’t Ya Mess With Me

Cannonball

Wherever We Go

The American Dream

Shine

We Are More Than Love

Easy

Just Can’t Do This Alone

Good Thang

Amen Old Friend

Oh Mexico– The Doobie Brothers:

Aerosmith lança nas plataformas digitais álbum com registros raros

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Por Fabian Chacur

O Aerosmith anda fuçando os seus arquivos em busca de raridades. E encontrou uma das boas. Trata-se do registro de um ensaio do mitológico quinteto americano de 1971. Inicialmente lançado em tiragem limitada no fim do ano passado nos formatos LP de vinil e fita cassete, esse álbum, intitulado Aerosmith 1971: The Road Starts Hear, já tem data para chegar às plataformas digitais: 8 de abril, através da Universal Music.

O álbum traz sete faixas. Cinco delas seriam regravadas e lançadas em 1973 no autointitulado álbum de estreia do grupo de Stephen Tyler. São elas Somebody, Walkin’ The Dog, Movin’ Out, Dream On e Mama Kin. Reefer Head Woman só sairia em nova gravação no álbum Night In The Ruts (1979), enquanto a faixa restante, Reefer Head Woman, sairia no álbum Classics Live (1986).

As versões físicas trazem, além do conteúdo musical, fotos inéditas e uma entrevista feita por David Fricke, conhecido por seu trabalho na versão americana da revista Rolling Stone, com Stephen Tyler e seus colegas de banda que contextualizam e dão informações sobre essas gravações históricas feitas na fase inicial do Aerosmith.

Eis as faixas de Aerosmith – 1971: The Road Starts Hear:

-Intro/Somebody

-Reefer Head Woman

-Walkin’ The Dog

-Movin’ Out

-Major Barbara

-Dream On

-Mama Kin

Somebody (áudio)- Aerosmith:

Real Estate celebra aniversário de CD com releitura do Television

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Por Fabian Chacur

Em 2011, o Real State buscava um nome para o que seria o seu 2º CD. Aí, um de seus integrantes leu um livro sobre o álbum Marquee Moon (1977), do seminal grupo americano Television, e viu na sua introdução o autor, Bryan Waterman, comentar sobre uma faixa que saiu no disco posterior, Adventures (1978). A faixa era Days, e foi esse o batismo para o disco, que celebra dez anos de seu lançamento com duas ações bem legais. Mas vale um pouco mais de explicação nos dois próximos parágrafos.

Waterman definiu Days, a música, como “a faixa que forneceu uma identidade para todo o indie rock baseado em guitarra melódica que logo seguiria o seu rastro”. Ele se referia a R.E.M., The Smiths etc. E os integrantes do Real Estate se encaram como seguidores dessa linha musical. Embora tenha dado nome ao disco, só agora a música do Television foi gravada por seus seguidores, em uma releitura muito boa que segue os passos da impecável versão original.

Para completar a efeméride, o grupo americano fará shows em breve nos quais tocará o conteúdo completo do CD Days, certamente incluindo a releitura da música escrita por Tom Verlaine e Richard Lloyd. Com 13 anos na estrada, o Real Estate lançou em março o EP Half a Human, sendo que seu álbum mais recente, o 5º em sua discografia, The Main Thing, é de 2020.

Days (single)- Real Estate:

Lindsey Buckingham lança singles e promete álbum para setembro

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Por Fabian Chacur

Após dar um grande susto nos fãs em 2019, com direito a ter de fazer uma cirurgia cardíaca, Lindsey Buckingham felizmente está saudável novamente. Melhor ainda: ele anunciou que lançará no dia 17 de setembro seu 1º álbum solo em 10 anos, o 1º desde que saiu do Fleetwood Mac. Autointitulado, o trabalho sairá pelo selo Reprise (da Warner Music) e acaba de ter mais uma faixa divulgada, On The Wrong Side. Anteriormente, a introspectiva e levemente psicodélica I Don’t Mind (ouça aqui) já havia criado boas expectativas em torno do álbum.

O novo trabalho sai exatamente uma década após o anterior, o ótimo Seeds We Sow (2011), e de certa forma celebra os 40 anos do lançamento de seu 1º álbum solo, o marcante Law And Order (1981), do qual faz parte seu maior hit fora do Fleetwood Mac, Trouble. Em comunicado à imprensa, ele falou sobre o que gira em torno de On The Wrong Side em termos criativos:

On the Wrong Side trata dos altos e baixos da vida na estrada com o Fleetwood Mac e mostra uma das letras mais reflexivas do álbum: “we were young, now we’re old / Who can tell me which is worse?” (em tradução livre: “éramos jovens, agora somos velhos / Quem pode dizer qual o pior?”). A música evoca Go Your Own Way, no sentido de que não é uma música feliz, no que diz respeito ao assunto, mas foi efervescente musicalmente”.

Como forma de divulgar seu sétimo álbum de estúdio, Buckingham fará uma turnê pelos EUA a partir do início de setembro que tem até agora 30 datas confirmadas. O cantor, compositor e guitarrista americano, aos 71 anos (completará 72 em 3 de outubro) felizmente parece pronto para encarar esses novos projetos com força total.

Eis as faixas do álbum Lindsey Buckingham:

1. Scream
2. I Don’t Mind
3. On The Wrong Side
4. Swan Song
5. Blind Love
6. Time
7. Blue Light
8. Power Down
9. Santa Rosa
10. Dancing

On The Wrong Side– Lindsey Buckingham:

Blondie lança trilha de doc que registra visita a Cuba em 2019

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Por Fabian Chacur

Em 2019, o grupo americano Blondie foi à Cuba para um intercâmbio cultural planejado pelo Ministério da Cultura daquele país. A visita gerou uma apresentação ao vivo para o público local, que foi devidamente registrada. Vivir En La Habana, o curta-metragem dirigido por Rob Roth que equivale à parte audiovisual do projeto, estreou em junho nos festivais Sheffield Doc (Reino Unido) e Tribeca Film (EUA). Agora, chega a vez da trilha sonora, que já está disponível nas plataformas digitais e sairá no dia 15 de agosto, no exterior, em edição limitada em vinil azul.

A apresentação ocorreu no Teatro Mella, e contou com as participações dos músicos cubanos Carlos Alfonso, Ele Valdés, María del Carmen Ávila, Alejandro Delgado, Juan Carlos Marin, Jamil Schery, Degnis Bofill e Adel González, alguns deles integrantes do grupo Sintesis. O repertório traz os hits clássicos The Tide is High (1980), Heart of Glass (1978), Rapture (1980) e Dreaming (1979), e duas canções mais recentes, Wipe Off My Sweat (do álbum Panic Of Girls, de 2011) e Long Time (do álbum Pollinator, de 2017).

As versões ao vivo ficaram muito boas e quentes. The Tide Is High, por exemplo, ganhou vocais de apoio deliciosos de Ele Valdés e Maria Dal Carmen, além de incluir trechos de Groove Is In The Heart, hit de 1990 do trio americano Deee-Lite. Sua latinidade ficou ainda mais explícita, o que também ocorreu com Wipe Off My Sweat, que conta com letra em castelhano e inglês.

Por sua vez, a turbinada releitura de Heart Of Glass traz em sua parte final citações de I Feel Love, composição de Giorgio Moroder, Donna Summer e Pete Bellote que fez imenso sucesso na voz de Miss Summer em 1977. E A surpresa no finalzinho da longa releitura de Rapture (com quase 10 minutos de duração) nos oferece a citação energética de Fight For Your Right To Party, hitaço dos Beastie Boys em 1986-87.

Tide Is Hide (live in Cuba)- Blondie:

Wildflowers, de Tom Petty, tem versão alternativa lançada em CD

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Por Fabian Chacur

Boa notícia para os fãs brasileiros de Tom Petty que curtem formatos físicos de música. Já está disponível a versão nacional em CD de Finding Wildflowers (Alternative Versions). O álbum traz versões alternativas, estendidas e jam sessions do material extraído das sessões de gravação de Wildflowers (1994), álbum-solo do saudoso cantor, compositor e músico americano que marcou a sua estreia na Warner e considerado um dos pontos altos de sua brilhante carreira.

Este álbum equivale a uma versão “melhores momentos” da luxuosa box set Wildflowers & All The Rest, que saiu em outubro de 2020 em versões com 5 CDs, 9 LPs de vinil e também nas plataformas digitais. O trabalho de remasterização, remixagem e reordenamento das faixas foi coordenado por Ryan Ulyate, sendo que a produção na época coube a Petty em parceria com seu parceiro nos Heartbreakers Mike Campbell e o premiado Rick Rubin.

E vem mais coisa por aí. A Warner promete para o dia 2 de julho (no exterior) o lançamento de Angel Dream (Songs And Music From The Motion Picture She’s The One), trilha lançada originalmente em 1996 e que agora aparece concebida como se fosse um álbum de carreira de Tom Petty And The Heartbreakers. O filme, estrelado por Jennifer Aniston (Friends) foi exibido no Brasil com o título Nosso Tipo de Mulher.

Além das faixas já lançadas anteriormente, agora em versões remasterizadas, o disco trará quatro gravações bônus. Três são composições de Petty- One Of Life’s Little Mysteries, 105 Degrees e French Disconnection– e a releitura de Thirteen Days, do grande e saudoso JJ Cale. Uma versão ampliada da faixa Supernatural Radio é outra novidade presente neste lançamento.

Eis as faixas de Finding Wildflowers (Alternate Versions):

A Higher Place
Hard on Me
Cabin Down Below
Crawling Back to You
Only a Broken Heart
Drivin’ Down to Georgia
You Wreck Me
It’s Good to Be King
House in the Woods
Honey Bee
Girl on LSD
Cabin Down Below (Acoustic Version)
Wildflowers
Don’t Fade on Me
Wake Up Time
You Saw Me Comin’

Ouça Finding Wildflowers (Alternate Versions) em streaming:

Cheap Trick faz releitura de um grande clássico de John Lennon

Cheap Trick por David McClister

Por Fabian Chacur

Uma das faixas mais ácidas do maravilhoso álbum Imagine (1971), de John Lennon, é Gimme Some Truth. Trata-se de um rock vigoroso, cuja letra sem papas na língua detona os políticos e a sua capacidade de mentir o tempo todo. Como permanece mais atual do que nunca, ela acaba de ser regravada pelo grupo americano Cheap Trick, que a lançará no dia 9 de abril como parte de In Another World, seu novo álbum de estúdio, o 22º de uma discografia que teve início em 1977.

O arranjo é bem próximo da gravação do ex-beatle, embora um pouco mais pesada, e mostra que o quarteto ianque permanece com um pique dos mais elogiáveis. A atual formação da banda traz seus integrantes originais Robin Zander (vocal e guitarra-base), Rick Nielsen (guitarra) e Tom Peterson (baixo), tendo atualmente na bateria Daxx Nielsen (filho de Rick) na vaga que foi durante décadas de Bun E. Carlos.

Em comunicado enviado à imprensa, a banda integrante do Rock And Roll Hall Of Fame comenta sobre o espírito reinante neste novo trabalho: “Esse disco em especial reflete o mundo atual e o que estamos passando”, conta Zander. “Sempre fomos uma banda com um olhar positivo, esperançoso, mesmo quando éramos irônicos. Mas agora que estamos ficando mais velhos, vemos que não temos muito o que comemorar ao nosso redor”.

Eis as faixas de In Another World:

1-The Summer Looks Good On You

2- Quit Waking Me Up

3- Another World

4- Boys & Girls & Rock N Roll

5- The Party

6- Final Days

7- So It Goes

8- Light Up the Fire

9- Passing Through

10-Here’s Looking At You

11-Another World reprise

12-I’ll See You Again

13-Gimme Some Truth

Gimme Some Truth– Cheap Trick:

If I Could Only Remember My Name…- David Crosby (1971)

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Por Fabian Chacur

Quando o álbum If I Could Only Remember My Name… chegou às lojas de discos, mais precisamente no dia 22 de fevereiro de 1971, David Crosby já era um nome consagrado no cenário do rock. Primeiro, integrando de 1965 a 1968 os Byrds, banda que não só consolidou o folk rock como foi muito além, psicodelia e country rock afora. Em seguida, fazendo parte do supergrupo Crosby, Stills & Nash, que ganharia um Young adicional pouco após lançar o seu disco de estreia, em 1969.

A semente deste trabalho surgiu em julho de 1970, após o fim da turnê que o Crosby, Stills, Nash & Young realizou para divulgar seu álbum Déja Vú. O clima beligerante entre ele, Stephen Stills, Graham Nash e Neil Young colocou a banda no freezer por tempo indeterminado, com cada um deles tentando capitalizar para si próprios o imenso sucesso que a banda havia feito naqueles poucos, porém intensos e produtivos meses de existência.

Se o sucesso de sua banda certamente alimentava seu ego e sua alma, Crosby também administrava a imensa tristeza de ter perdido, no dia 30 de setembro de 1969, sua namorada, Christine Gail Hinton (1948-1969), em um fatal acidente automobilístico. Essa dor o levou a intensificar seu contato com o mar, a ponto de morar em seu barco, ancorado no porto de Sausalito, em Marin County.

Uma forma informal de definir o DNA do primeiro álbum individual do cantor, compositor e músico norte-americano nascido em 14 de agosto de 1941 é “solo, porém bem acompanhado”. E a explicação para tal definição vem do local onde o trabalho foi gravado e o clima reinante por aquelas plagas. Estamos falando do Wally Heider Studios, situado em San Francisco, Califórnia, um dos grandes polos do rock americano naquele período.

Com três salas de gravação disponíveis, o local era frequentado pelos mais badalados roqueiros da época. Naquele mesmo período, além do disco de Crosby, estavam sendo registrados outros dois trabalhos, o 1º disco solo de Paul Kantner, do Jefferson Airplane (Blows Against The Empire-1970), e um LP da genial banda psicodélica Grateful Dead (American Beauty-1970).

A informalidade e o bom relacionamento entre os músicos geravam colaborações espontâneas. Quando uma das sessões de gravação era interrompida para algum procedimento técnico, por exemplo, os músicos envolvidos nela de repente se viam no estúdio ao lado, e sem que nada fosse previamente combinado, surgia uma vocalização ali, uma slide guitar acolá, e, pronto, uma faixa clássica tomava forma de um jeito imprevisível.

Stephen Barncard, que se incumbiu da gravação e da mixagem de If I Could Only Remember My Name…, conta que vinha para cada dia de trabalho preparado para tudo o que pudesse rolar, pois os formatos variavam desde Crosby sozinho até um time com dez craques do rock ali, do nada, lado a lado. O legal é que, mesmo com esse clima de improviso constante, o resultado final conseguiu concisão suficiente para gerar um resultado antológico.

O braço direito de Crosby acabou sendo Jerry Garcia, o líder do Grateful Dead, que deu a várias faixas do LP um tempero todo especial com sua guitarra e especialmente com sua slide guitar. Além de integrantes do Dead, do Airplane, do Santana e do Quicksilver Messenger Service, o disco também trouxe os parceiros Graham Nash e Neil Young. Apenas Stephen Stills não marcou presença, dos craques do CSN&Y.

O repertório, selecionado entre canções compostas de 1968 a 1970, vai do clima hard rock da potente Cowboy Movie e da ardida What Are Their Names até a espiritualidade envolvente de Song With No Words (Tree With No Leaves). O álbum conseguiu bom resultado comercial, atingindo o posto de nº 12 na parada americana e vendendo mais de 500 mil cópias por lá, e a mesma posição na parada britânica.

As canções são tão boas que merecem serem detalhadas uma a uma, incluindo a escalação de músicos e cada uma delas, algo que você não encontra nos créditos do álbum, por sinal. Essas informações foram garimpadas de várias fontes, entre as quais os livretos das caixas Voyage– David Crosby (2006) e CSN– Crosby Stills & Nash (1991) e do livro Crosby Stills & Nash- The Biography (2000- Dave Zinner e Henry Diltz).

Music Is Love (David Crosby)- Vocais: David Crosby, Graham Nash e Neil Young. Violões: David Crosby e Neil Young. Congas: Graham Nash.
Esta foi a única faixa do disco gravada no A&M Studios em Los Angeles, California, e também a única produzida por Nash e Young. A gravação foi feita de improviso, e Crosby não pensava em incluí-la no disco, mas seus amigos gostaram tanto do resultado que levaram a fita, acrescentaram outros elementos e a devolveram a Crosby, que, ao conferir o resultado, viu que não poderia deixá-la de fora. O clima é de mantra, envolvendo o ouvinte logo nos primeiros acordes. Um belo pontapé inicial para o LP.

Cowboy Movie (David Crosby)-David Crosby (vocal, guitarra e palmas)- Jerry Garcia (guitarra)- Neil Young (guitarra), Phil Lesh (baixo)- Mickey Hart (bateria, percussão, palmas).
Neste rockão, belo sucessor de Almost Cut My Hair (do álbum Dèja Vú), Crosby conta de forma bem humorada, como se fosse o enredo de um faroeste, a história da separação do CSN&Y. Cada integrante mereceu um codinome. Crosby é o Old Weird Harold, Neil Young, o Young Billy, Stephen Stills, o Eli, Graham Nash, The Dynamiter, e a cantora Rita Coolidge, que gerou uma briga amorosa entre Stills e Nash (ganha por este último) é a Indian Girl. O clima de bangue-bangue também remete à capa de Dèja Vú, na qual os integrantes do CSN&Y aparecem trajados com roupas daquela época. O vocal vibrante de Crosby e o duelo de guitarras entre Young e Garcia são marcantes.

Tamalpais Hight (At About 3) (David Crosby)- David Crosby (guitarra, vocal)- Jerry Garcia (guitarra)- Jorma Kaukonen (guitarra)- Phil Lesh (baixo)- Bill Kreutzmann (bateria).
Sem letra, esta faixa se vale das envolventes vocalizações de Crosby para te levar a um clima contemplativo. A guitarra de timbre e inspiração jazzística é de Kaukonen, do Jefferson Airplane, em uma combinação de músicos que poderíamos apelidar de Jefferson Dead ou Grateful Airplane.

Laughing (David Crosby)- David Crosby (vocal, violão 12 cordas e guitarra)- Jerry Garcia (guitarra e pedal steel)- Phil Lesh (baixo)- Bill Kreutzmann (bateria)- Joni Mitchell (vocais).
Foi Crosby quem apresentou George Harrison ao trabalho de Ravi Shankar, e por tabela, à cultura oriental. Ele de certa forma se preocupava com a obcessão do amigo em descobrir a “verdade sobre a vida”, o que levou o músico britânico a se envolver com o célebre Maharishi. Daí surgiu a inspiração para a letra desta belíssima balada swingada, na qual podemos ouvir uma das grandes performances de steel guitar da história, pilotada pelo saudoso Jerry Garcia. Nos versos, Crosby diz ao amigo que, na verdade, a resposta que ele tanto procurava podia estar no sorriso inocente de uma criança tomando sol.

What Are Their Names (David Crosby-Neil Young-Jerry Garcia-Phil Lesh-Michael Shrieve)- David Crosby (violão e guitarra, vocais)- Jerry Garcia (guitarra)- Neil Young (guitarra)- Michael Shrieve (bateria)- David Frieberg, Jerry Garcia, Paul Kantner, Phil Lesh, Joni Mitchell, Graham Nash, Grace Slick (vocais).
Uma espécie de “quem é quem” no universo do rock americano de então, especialmente o de San Francisco. Balada climática, ardida, com letra cutucando a hipocrisia dos políticos, sempre tentando ocultar seus nomes na execução de fatos escusos e com objetivos corruptos e asquerosos.

Traction In The Rain (David Crosby)- David Crosby (vocal e violão)- Laura Allen (autoharp). Graham Nash (violão e vocais).
Canção acústica e doce, nas quais os acordes jazzísticos típicos da obra de Crosby prevalecem de forma cristalina, além da sutileza das intervenções de Laura Allen. Encantadora é pouco!

Song With No Words (Tree With No Leaves) (David Crosby)- David Crosby (guitarra, violão de 12 cordas e vocal)- Jerry Garcia (guitarra)- Jorma Kaukonen (guitarra)- Gregg Rolie (piano)- Jack Casady (baixo)- Michael Shrieve (bateria).
Em uma combinação que poderia ser apelidada de Jefferson Santana por mesclar músicos de duas bandas seminais do rock americano, Crosby nos encanta com outra faixa sem palavras, na qual a melodia melancólica e introspectiva é ressaltada por vocalizações simplesmente arrepiantes por parte do dono da festa.

Orleans (tradicional, adaptação David Crosby)- David Crosby (violões e vocais).
Doce canção folclórica bem adaptada pelo ex-integrante dos Byrds, na qual ele mais uma vez mostra sua incrível capacidade de fazer arranjos vocais com assinatura própria.

I’d Swear There Was Somebody Here (David Crosby)- David Crosby (vocais).
O título que esta peça com seis partes vocais, todas executadas pelo próprio artista, acabou ganhando (eu juro que tinha alguém aqui, em tradução livre) tem a ver com a impressão que Crosby afirma ter tido na hora em que a gravação estava sendo feita de que o espírito da amada Christine estava no estúdio. O resultado final reflete essa descrição, arrancando arrepios do ouvinte.

Obs.: em 2006, uma edição especial deste álbum trouxe uma faixa-bônus inédita, feita durante as gravações do álbum.
Kids And Dogs (David Crosby)- David Crosby (violão e voz)
Outro desses momentos maravilhosos de que Crosby é capaz se valendo apenas de violão e vocais.

A capa do álbum é uma foto de Robert Hammer registrando um frame de um filme de 16 mm que mescla de forma mágica o rosto de David Crosby e um pôr do sol em pleno mar, captando de forma lírica o espírito de navegador do roqueiro americano. Vale lembrar que David é filho de um cineasta premiado, Floyd Crosby, que ganhou o Oscar de melhor direção de fotografia em 1931 pelo filme Tabu: A History Of The South Seas.

Ouça If I Could Only Remember My Name em streaming:

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