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Paul McCartney, 80 anos, a façanha de se tornar eterno

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Por Fabian Chacur

Fazer sucesso não é fácil. Manter esse sucesso, mais difícil ainda. Tornar-se eterno, no entanto, é coisa para os muito fortes e muito talentosos. E é nesse panteão que se colocou um certo James Paul McCartney, que neste sábado (18) completa 80 anos mais ativo e relevante do que nunca. Tudo bem que o cidadão que está escrevendo este texto não é suspeito, é culpado, pois fala aqui sobre o seu maior ídolo. Mas tem horas que o melhor é mandar a isenção pra longe. Viva Paul McCartney!

Não faltam argumentos para sustentar a minha teoria, de que Paul McCartney é eterno. Logo de cara: quem conseguiria sobreviver ao fim da maior banda de todos os tempos e permanecer nas paradas de sucesso e lotando estádios, agora sozinho? Macca já começa goleando logo aqui. Coube a ele carregar o estandarte dos Beatles mundo afora sem seus companheiros, e essa missão está sendo cumprida com galhardia.

Lógico que este brilhante cantor, compositor e músico britânico continua cantando músicas de sua célebre ex-banda em seus shows, sempre arrancando aplausos, emoções e singalongs por parte dos milhões de fãs. Mas não custa lembrar que, nos anos 1970, ele tocava um número bem pequeno de hits dos Fab Four nos shows de sua banda de então, os Wings, e mesmo assim vendeu milhões de cópias de seus discos e atraiu multidões enormes nas turnês que fez então.

Eis uma frase polêmica que irei escrever, mas lá vai: mesmo se não tivesse sido um beatle, McCartney teria seu lugar garantido como megastar, levando-se em conta apenas a sua produção com os Wings nos anos 1970 e na carreira-solo posterior. Os hits desse período são vários e enormes: Another Day, My Love, Band on the Run, Silly Love Songs, Mull Of Kintyre, Ebony And Ivory, The World Tonight… A lista é longa e vai longe.

O talento deste Sir é imenso, e em várias frentes. Excelente cantor, baixista tido como um dos melhores do rock em todos os tempos, bom também com outros instrumentos musicais (guitarra, violão, teclados, bateria etc), compositor de mão cheia, absurdamente carismático nos shows… Teve um parceiro máximo nas composições, o saudoso John Lennon, mas soube se virar muito bem sozinho e também escrevendo com Elvis Costello, Eric Stewart, Denny Layne e sua também saudosa Linda, entre outros.

Durante muito tempo, alguns críticos ridículos rotulavam o Macca como um “baladeiro incorrigível”, como se ele só fizesse canções românticas. Faixas como Helen Wheels, Let Me Roll It, Old Siam Sir, Jet, Give Ireland Back To The Irish, Angry e Girls School são apenas algumas belas provas de o quanto tal teoria é ridícula. Paul rock and rolla como poucos!

Outro ponto nem sempre muito fácil para um artista é conseguir ir além da sua própria geração, e eis outra grande virtude do autor de Yesterday. Mr. McCartney tem fãs das mais diversas faixas etárias, desde gente com idade acima da sua até a molecada da era Tik Tok. Cada um curtindo facetas específicas, ou o todo de sua obra, mas todos felizes ao ouvir suas canções.

Tive a honra de ver quatro shows de meu ídolo. Dois em 1990, no Maracanã, quando de sua primeira visita ao Brasl. Um em 1993 no estádio do Pacaembu, em São Paulo (o meu favorito), e o quarto em 2010, no estádio do Morumbi. Todos maravilhosos. E participei de duas entrevistas coletivas, a de 1990 e a de 1993, sendo que nesta última tive a honra de fazer a última pergunta. Um dos momentos mais incríveis da minha vida, com o meu ídolo respondendo e olhando para mim! Sonhos podem se concretizar!

E o legal é que em momento algum de sua trajetória Paul McCartney se acomodou. Sempre se manteve atento às novidades, trocando figurinhas com outros artistas e lançando álbuns bacanas e muito relevantes, como os recentes e ótimos Egypt Station (2018) e McCartney III (2020). E o cidadão está em meio a mais uma turnê. Que Deus o abençoe e o mantenha entre nós por muitos e muitos anos mais.

E vale lembrar que, em 1967, quando tinha meros 25 anos de idade, ele imaginava como seria quando tivesse 64 anos (When I’m 64), em faixa do mitológico Sgt Pepper’s Lonely Hearts Club Band. Mal sabia ele… Que chegue aos 100 com saúde e lúcido é o meu desejo!

Good Times Coming/ Feel The Sun– Paul McCartney:

Simples Minds divulga Vision Thing e lançará um novo álbum

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Por Fabian Chacur

Um novo álbum do Simple Minds acaba de ser anunciado. O trabalho, cujo título será Direction Of The Heart, começa a ser divulgado com um single matador. Trata-se de Vision Thing, um rock contagiante que traz as marcas registradas da banda: teclados à frente, guitarra recortando com muito estilo e um vocal dando formato a um refrão impecável. A nova obra da consagrada banda britânica sairá em vários formatos no dia 21 de outubro pela BMG.

Além de seus integrantes e fundadores, o vocalista Jim Kerr e o tecladista e guitarrista Charlie Burchill, a atuação formação do Simple Minds inclui Gordy Goudie (violão), Ged Grimes (baixo), Cherisse Osei (bateria), Berenice Scott (teclados) e Sarah Brown (vocais). Um time que se mostra muito bem entrosado neste novo single e nos shows que tem feito atualmente.

A pré-produção de Direction Of The Heart foi feita na Sicília (Itália) e as gravações na Alemanha, produzidas por Kerr e Burchill com o apoio dos experientes Andy Wright (que trabalhou com o Massive Attack e Echo & The Bunnymen) e Gavin Goldberg (de trabalhos com o Simply Red e a cantora KT Tunstall). Este disco será o sucessor de Walk Between Worlds (2018).

Com mais de 40 anos de estrada, o Simple Minds invadiu com força as paradas de sucesso de todo mundo em 1985, quando (Don’t You) Forget About Me, tema do filme O Clube dos Cinco (The Breakfast Club) tornou-se um dos hinos do pop-rock. A banda de Jim Kerr nos visitou pela primeira vez em janeiro de 1988, sendo uma das principais atrações do Hollywood Rock em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Vision Thing (video)- Simple Minds:

The Waterboys divulgam single psicodélico Here We Go Again

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Por Fabian Chacur

Uma das bandas mais marcantes do rock alternativo dos anos 1980, The Waterboys andam em uma fase bem produtiva. Após lançar o elogiado álbum Good Luck Seeker (2020), o time liderado pelo cantor, compositor e músico britânico Mike Scott anuncia para o dia 6 de maio um novo álbum, All Souls Hills, que sairá pelo selo Cooking Vinyl. Para atiçar o ouvido dos fãs, acaba de sair o delicioso e hipnótico single Here We Go Again, divulgado por um clipe psicodélico no qual Scott lembra vagamente o saudoso Paul Kantner, do Jefferson Airplane.

Em texto enviado à imprensa, Mike Scott fala sobre seu novo single: “É a ideia de que estamos vivendo um Dia da Marmota comunal. Estamos todos olhando para as manchetes, mas ninguém parece aprender as lições. Como cultura, continuamos cometendo os mesmos erros. É um olhar irônico sobre os humanos não serem tão inteligentes. E, ainda assim, eu me divirto sendo um.”

Com uma sonoridade que mistura rock, folk, country e psicodelia com muita habilidade, e ecos dos trabalhos de John Lennon, Bob Dylan e outros desse mesmo gabarito, The Waterboys marcaram o rock oitentista com álbuns do naipe de This Is The Sea (1985) e Fisherman’s Blues (1988). Entre suas músicas mais icônicas, vale lembrar de The Whole Of The Moon (ouça aqui), Medicine Bow (ouça aqui) e Fisherman’s Blues (ouça aqui)

Here We Go Again(clipe)- The Waterboys:

Johnny Marr divulga seu novo álbum com o single Ghoster

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Por Fabian Chacur

Após o fim dos Smiths, grupo que o lançou na cena musical nos anos 1980, Johnny Marr mergulhou em uma série de colaborações com outros artistas, incluindo novas bandas próprias, como a célebre Electronic. Foi apenas em 2013, com The Messenger, que ele resolveu investir em uma efetiva carreira-solo. E parece que gostou, pois ele acaba de lançar seu quarto trabalho individual pela gravadora Warner Music, Fever Dreams Pts. 1-4, que no exterior saiu em CD, LP duplo de vinil em várias cores e também em fita-cassete.

Para impulsionar a divulgação do álbum, o cantor, compositor e guitarrista britânico escolheu divulgar a faixa Ghoster, rock com pegada dance que traz ecos de seus tempos de Electronic nos anos 1990, banda que criou ao lado de Bernard Sumner (New Order) e que contou com participação especial de Neil Tennant (Pet Shop Boys). Um baita de um single, desde já uma das grandes faixas lançadas neste conturbado 2022. Marr fala sobre a inspiração da mesma:

“A canção é a história das crianças do futuro que causam uma revolução usando filosofias orientais e Situacionistas”.

Marr conta, no álbum. com o apoio dos músicos que andam participando de forma constante de suas turnês :Doviak (guitarra e coprodução), Iwan Gronow (baixo) e Jack Mitchell (bateria), com backing vocals (vocais de apoio) do cantor e compositor baseado em Massachusetts Meredith Sheldon, além de três faixas com participação especial no baixo de Simone Marie, do grupo Primal Scream.

Eis as faixas de Fever Dreams Pts 1-4:

1. Spirit Power and Soul
2. Receiver
3. All These Days
4. Ariel
5. Lightning People
6. Hideaway Girl
7. Sensory Street
8. Tenement Time
9. The Speed of Love
10. Night and Day
11. Counter Clock World
12. Rubicon
13. God’s Gift
14. Ghoster
15. The Whirl
16. Human

Ghoster– Johnny Marr:

Sting volta a investir em canções inéditas em seu próximo álbum

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Por Fabian Chacur

Quem aguardava por um novo disco solo de inéditas de Sting pode se preparar. Está programado para o dia 19 de novembro o lançamento de The Bridge, 1º disco nesse formato desde 57th & 9th (2016). Nesses últimos cinco anos, ele lançou um álbum em parceria com o jamaicano Shaggy (44/876-2018), um de releituras de seus hits (My Songs– 2019) e uma coletânea com duetos (Duets– 2021).

O 1º single de The Bridge acaba de ser disponibilizado nas plataformas digitais. Trata-se de If It’s Love, canção que tem na descoberta do amor e suas contra-indicações a sua inspiração e com um perfil pop daqueles grudentos. O assovio, a marca registrada dessa faixa, entra no cérebro do ouvinte e não sai mais. Muito boa! Ele falou um pouco sobre a motivação para escrever mais esse possível hit em entrevista ao jornal Los Angeles Times:

“Certamente não sou o primeiro compositor a comparar o amor ou o desapaixonar-se a uma doença incurável, nem serei o último. A canção If It’s Love é minha adição a esse cânone onde os metafóricos sintomas, diagnóstico e incapacidade absoluta são familiares o suficiente para fazer cada um de nós sorrir com tristeza”.

If It’s Love– Sting:

Gary Numan divulga single e vai lançar um novo álbum em maio

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Por Fabian Chacur

Gary Numan celebrou 63 anos no dia 8 deste mês. E quem ganhou um presente foram seus fãs mundo afora. O cantor, compositor e músico britânico acaba de disponibilizar nas plataformas digitais a canção I Am Screaming, que mescla climas hipnóticos a boa agitação. Trata-se da segunda faixa a ser divulgada do álbum Intruder, que a gravadora BMG (distribuída pela Warner Music) promete lançar no dia 21 de maio. A vigorosa canção que dá nome ao disco já tem clipe (veja aqui).

Intruder será o 21º álbum de estúdio desse seminal artista britânico, um dos pioneiros do synthpop e que levou essa fusão de música eletrônica, rock e pop ao topo da parada britânica, inicialmente com o grupo Tubeway Army e depois em carreira-solo iniciada com o hoje clássico álbum The Pleasure Principle (1979), que inclui o grande hit Cars, uma das músicas mais icônicas dessa praia sonora.

O rocker inglês, que já emplacou três álbuns e dois singles no topo da parada do Reino Unido, vem de um álbum de ótima repercussão, Savage (Songs From a Broken World) (2017), que atingiu o 2º posto nos charts britânicos, e tem se mantido bastante ativo nesses anos todos.

I Am Streaming– Gary Numan:

Phil Collins lança série de podcasts falando sobre sua carreira

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Por Fabian Chacur

Se você é fã de Phil Collins e consegue se virar bem no idioma inglês, este lançamento é especialmente para você. Já está disponível nas plataformas digitais o episódio inicial de uma série de seis podcasts protagonizado pelo cantor, compositor e músico britânico intitulado The A-Z Of Phil Collins. O projeto surge para celebrar os 40 anos do lançamento de seu 1º álbum solo, Face Value, que saiu em 13 de fevereiro de 1981 e atingiu o 1º posto na parada britânica e o 7º nos EUA.

O programa inicial tem aproximadamente 22 minutos de duração, e sua concepção é simples. Trata-se de uma entrevista conduzida pelo jornalista britânico Matt Everitt, da produtora de conteúdo Cup & Nuzzle, que aborda fatos importantes na carreira do astro pop sempre partindo de uma letra do alfabeto. Tipo D, de Disney, que nos leva à trilha de Tarzan (1999), cuja canção You’ll Be In My Heart rendeu um Oscar ao ex-integrante do Genesis.

Ouça o primeiro episódio de The AZ Of Phil Collins:

New Order lançará gravação ao vivo de 2018 em vários formatos

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Por Fabian Chacur

Em 9 de novembro de 2018, o New Order fez um show no Alexandra Palace, em Londres, com casa cheia e público simplesmente ensandecido. O espetáculo teve registro de áudio e de vídeo. No dia 7 de maio, a gravadora Warner promete lançar esta gravação, com o título Education Entertainment Recreation. Além de entrar nas gloriosas plataformas digitais, teremos também CD duplo (o único formato físico que sairá por aqui), CD duplo + blu-ray, LP de vinil triplo e uma caixa de edição limitada com os três formatos + livro e impressões de arte.

Além dos integrantes da formação original Bernard Sumner (vocal e guitarra), Stephen Morris (bateria) e Gillian Gilbert (teclados), o New Order atualmente também conta com Tom Chapman (baixo) e Phil Cunningham (guitarra). No repertório do show, boa parte dos maiores clássicos do grupo britânico, algo do então mais recente álbum de estúdio deles, Music Complete (lançado em 2015), e mais algumas faixas do Joy Divison.

Eis o repertório de Education Entertainment Recreation:

1. Das Rheingold: Vorspiel (this is the introduction music)
2. Singularity
3. Regret
4. Love Vigilantes
5. Ultraviolence
6. Disorder
7. Crystal
8. Academic
9. Your Silent Face
10. Tutti Frutti
11. Sub-Culture
12. BLT
13. Vanishing Point
14. Waiting for the Sirens Call
15. Plastic
16. The Perfect Kiss
17. True Faith
18. Blue Monday
19. Temptation
20. Atmosphere
21. Decades
22. Love Will Tear Us Apart

Veja Sub-culture (live), extraída do Blu-ray:

Lloyd Cole, grande nome do rock britânico, completa 60 anos

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Por Fabian Chacur

Hoje é dia de celebrar o aniversário de 60 anos de Lloyd Cole. O grande cantor, compositor e músico britânico, nobre integrante da “classe de 1961” a qual tenho a honra de pertencer, continua na ativa, sendo seu mais recente álbum Guesswork, lançado em 2019. No entanto, ele é mais lembrado por seu trabalho com a banda Lloyd Cole And Commotions, com a qual lançou três deliciosos álbuns de estúdio entre 1984 e 1989. Como forma de homenageá-lo, eis aqui uma breve bio desse talentosíssimo artista que marcou época.

Lloyd Cole nasceu em Derbyshire, Inglaterra, em 31 de janeiro de 1961. Interessado desde sempre em música, literatura e poesia, ele se mudou para Glasgow (Escócia) em 1982 para estudar filosofia e língua inglesa na universidade local. E foi por lá que iniciou a banda que o tornou famoso internacionalmente, ao lado de Stephen Irvine (bateria), Neil Clark (guitarra e violão), Lawrence Donegan (baixo) e Blair Cowan (teclados), com ele se dedicando ao vocal principal, guitarra, violão e composições.

Em plena era do tecno pop e do pós punk, Cole e seus amigos propunham um retorno a sonoridades mais próximas do folk rock, country e rock básico, com forte dedicação a boas melodias e a letras filosóficas e poéticas enfocando o amor em todos os seus ângulos, especialmente as idas e vindas dos relacionamentos. Isso, com um tempero político, levando-se em conta a militância socialista dos cinco músicos, mas sem nunca cair no panfletarismo.

Em 1984, eles estreiam em disco com Rattlesnakes. E que estreia! Atrevo-me a colocar este como um dos melhores álbuns de estreia de todos os tempos, pois nos apresenta uma banda absolutamente pronta, madura e inspiradíssima, desenvolvendo sua proposta musical com desenvoltura rara. São dez faixas absurdamente boas e diversificadas entre si, e contando com os inspirados arranjos de cordas de Anne Dudley, integrante do grupo Art Of Noise e autora de trilhas incidentais para cinema, entre elas a vencedora do Oscar na categoria feita para o filme Ou Tudo Ou Nada (The Full Monty-1997).

Rattlesnakes é perfeito a partir de sua envolvente faixa-título, com sua mistura de folk e música oriental e vigorosas passagens de cordas. Rock melódico em Perfect Skin, country sacudido em Four Flights Up, lirismo dolorido em Are You Ready To Be Heartbroken, nostalgia em Charlotte Street (que tocava em rádios rock no Brasil), doçura em Forest Fire… Quantas belas músicas juntas!

A repercussão de Rattlesnakes em termos de vendagem foi respeitável, com um 13º posto na parada do Reino Unido. Graças também a suas ótimas performances ao vivo, o grupo criou uma boa expectativa em torno de seu segundo álbum, e Easy Pieces (1985) não decepcionou, atingindo o 5º posto no Reino Unido e vendendo mais rapidamente do que o trabalho anterior.

Tendo um objetivo claro e assumido de atingir um público maior, Easy Pieces traz algumas canções deliciosas, entre as quais a contagiante Lost Weekend, a balançada e otimista Brand New Friend (o momento mais pop da banda, provavelmente), a tocante Cut Me Down e a ótima Perfect Blue. A expectativa era de que o quinteto logo atingisse o primeiro escalão do pop-rock.

A missão de Mainstream (1987) já se mostrava logo no título, e de certa forma cumpriu o seu objetivo. Digo de certa forma porque foi durante as suas gravações, que duraram bem mais do que os trabalhos anteriores, que as coisas se deterioraram entre eles. Blair Cowan saiu da banda antes mesmo que o grupo iniciasse a turnê de divulgação do álbum, que acabaria sendo a última da banda.

A qualidade de Mainstream, que chegou ao 9º lugar no Reino Unido, é das melhores, trazendo faixas poderosas como My Bag, Jennifer She Said e Mr. Malcontent. A cantora Tracey Thorn, integrante de outro grupo icônico daquela época, o Everything But The Girl, marca presença em Big Snake. Uma bela despedida para uma banda que, curiosamente, pouco conseguiu no mercado americano, onde seus discos passaram meio batidos, sendo consumidos apenas pelo público do chamado “college rock”.

O próximo passo de Lloyd Cole foi se mudar de mala e cuia para Nova York. Enquanto participava de uma banda cover de Bob Dylan, preparou o material de seu primeiro disco solo, autointitulado e lançado em 1990. Ao seu lado, novos parceiros, como o guitarrista Robert Quine, conhecido por seu trabalho ao lado de Lou Reed, e Matthew Sweet, figura bem cotado no rock alternativo norte-americano. O resultado foi ótimo, com destaque para a faixa No Blue Skies.

Durante os anos 1990, Cole viu sua popularidade se esvair, embora continuasse ativo e lançando bons trabalhos, entre os quais os álbuns Don’t Get Weird On Me Babe (1991), Bad Vibes (1993) e Love Story (1995), indo desde o folk voz e violão até um rock mais ardido com ecos de Velvet Underground. Nesse período, contou em alguns trabalhos com as participações dos ex-colegas de Commotions Neil Clark e Blair Cowan (este último também em parcerias em novas canções). Cole tocou no Brasil em 1998, sendo o show em São Paulo no extinto Palace.

Em 2001, Lloyd Cole marcou um trabalho de três anos com um novo time de músicos com o lançamento do álbum The Negatives. Trata-se de um CD que completa 20 anos totalmente ignorado pelo grande público, e de forma absurdamente injusta. Nele, o artista retoma a sonoridade do Lloyd Cole And The Commotions com uma inspiração incrível, oferecendo-nos 11 canções comparáveis aos seus clássicos de outrora.

Past Imperfect, Impossible Girl, No More Love Songs, Negative Attitude e a iluminada What’s Wrong With This Picture? mereciam ter entrado com força nas paradas de sucesso de todo o mundo, mas nem passaram perto. Quer fazer um favor a si mesmo? Ouça AGORA este álbum aqui.

Em 2004, como forma de celebrar os 20 anos do lançamento de Rattlesnakes, Lloyd Cole And The Commotions se reuniram para uma curta turnê pelo Reino Unido. Recentemente, foi lançada no exterior a caixa Lloyd Cole And The Commotions- Collected Recordings 1983-1989, trazendo cinco CDs e um DVD com todas as faixas lançadas oficialmente pela banda, mais raridades e material inédito e participações do grupo em programas de TV.

Enquanto Neil Clark e Blair Cowan continuaram eventualmente participando de trabalhos de Lloyd Cole paralelamente a trabalhos próprios, o baterista Stephen Irvine tocou bateria com outros grupos e também foi manager de outros artistas, enquanto Lawrence Donegan virou jornalista e escritor, especializado em golfe.

Ouça o álbum Rattlesnakes em streaming:

Iron Maiden lança duas versões remasterizadas de álbuns ao vivo

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Por Fabian Chacur

Dando prosseguimento à série de relançamentos físicos de álbuns do Iron Maiden em versões originalmente remasterizadas em 2015 para o projeto Mastered For iTunes, o selo Parlophone (hoje distribuído pela gravadora Warner) acaba de lançar no Brasil em CDs com embalagens digipack dois dos mais emblemáticos álbuns ao vivo da carreira do icônico grupo britânico, um dos mais bem-sucedidos e influentes da história do heavy metal.

Live After Death (1985) flagra o grupo liderada pelo baixista Steve Harris no auge de sua popularidade. Trata-se do registro de shows realizados nos EUA durante a World Slavery Tour, que teve início em agosto de 1984 na Polônia e contou com 187 apresentações, inclusive trazendo-os ao Brasil pela primeira vez, na edição inicial do Rock in Rio, em janeiro de 1985. Temos faixas adicionais gravadas no Hammersmith Apollo, em Londres. Muitos críticos incluem esse entre os melhores álbuns ao vivo de heavy rock já lançados.

Rock in Rio flagra a banda do carismático vocalista Bruce Dickinson em outro momento alucinante de seus 40 anos de estrada, em show perante mais de 100 mil fãs entusiáticos em 19 de janeiro de 2001 durante a edição daquele ano do Rock in Rio. A formação já incluía três guitarristas, o que aumentou ainda mais o peso do time. O show encerrou a Brave New World Tour, outra turnê marcante dos consagrados headbangers britânicos.

Ouça Live After Death, do Iron Maiden, em streaming:

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