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Júpiter Maçã volta à tona em uma biografia detalhada e cativante

jupiter maça capa livro 400x

Por Fabian Chacur

Durante seus curtos 47 anos de vida, Flávio Basso (1968-2015) desenvolveu uma carreira como cantor, compositor e músico de rock que lhe trouxe bons frutos. Não se tornou um astro, nem mesmo uma unanimidade no segmento em que atuou (o chamado rock alternativo), mas cativou fãs fiéis que continuam cultuando seu legado com os grupos TNT e Cascavelletes e na carreira-solo com os codinomes Júpiter Maça e Júpiter Apple. Após ter sido lançada em 2018, sua biografia Júpiter Maçã- A Efervescente Vida e Obra, é relançada em uma nova e turbinada edição, com 500 páginas,opção de cinco capas diferentes, conteúdo ampliado e um novo projeto gráfico assinado pelo designer gráfico Rafael Conny.

Os autores são o gaúcho Cristiano Bastos, que tem no currículo os livros Gauleses Irredutíveis-Causos & Atitudes do Rock Gaúcho, Júlio Reny- Histórias de Amor & Morte e Nelson Gonçalves- O Rei da Boemia, e o brasiliense Pedro Brandt. Ambos são jornalistas, e isso se reflete no espírito da bio, uma extensa e detalhada reportagem sobre o artista valendo-se de entrevistas feitas especialmente para este fim e uma vasta pesquisa em cima de material impresso, de áudio e de vídeo publicado em jornais, revistas e sites.

Se há uma grande qualidade a ser ressaltada em uma biografia é quando a mesma é tão bem escrita e concatenada a ponto de cativar até mesmo aquele leitor que por ventura pouco ou nada conheça sobre a obra do biografado em questão. E o livro de Bastos e Brandt se encaixa feito luva nessa descrição, pois nos apresenta não só a trajetória de Basso-Júpiter, como também o situa muito bem no período em que atuou, de meados dos anos 1980 até 2015, quando nos deixou prematuramente, dando um bom panorama do rock brasileiro nesse período.

Flávio Basso teve como uma de suas marcas a eterna inquietude. Iniciou a careira como músico ainda adolescente, com a banda TNT. Saiu dela em 1986 quando o quarteto iria gravar seu primeiro álbum por uma grande gravadora, fato comparado por um colega como “rasgar um bilhete premiado e entrar na lotérica para comprar outro”. Montou os Cascavelletes e teve seu momento de maior exposição na mídia quando a música Nega Bombom entrou com destaque na trilha sonora da novela global Top Model em 1989-1990.

Depois de atuar com essas duas bandas, nas quais investia em um rock básico repleto de letras irreverentes e invariavelmente ligadas a conteúdos sexuais politicamente incorretos, partiu para uma carreira solo que, de cara, rendeu o álbum A Sétima Efervescência (1996), tido por alguns como verdadeiro clássico do psicodelismo brasileiro e mundial e incluindo seu maior hit individual, a sacudida Um Lugar do Caralho, já se valendo de um novo codinome, Júpiter Maçâ, que virou Júpiter Apple quando gravou em inglês.

A marca registrada de Apple-Maçâ era a total inquietude, mudando radicalmente de álbum para álbum e inspirado em rock alternativo, bossa nova, música eletrônica, jovem guarda e o que mais viesse, e em ícones internacionais como Beatles, Rolling Stones, Kinks e o mais alternativo Stereolab. Desconcertar os fãs e os críticos sempre foi a sua marca registrada, e dessa forma conquistou admiradores no Brasil e no mundo, mesmo que em quantidades limitadas.

Sua tendência de se auto-sabotar, aliada a paranoia e também a um alcoolismo que lhe rendeu inúmeros problemas de saúde e internações certamente ajudaram a abreviar a sua vida em muitos anos. Flávio Basso também teve relacionamentos instáveis com diversas mulheres, perdeu o filho Glenn (que morreu com apenas 11 anos) e não soube gerenciar da melhor forma possível a sua carreira, com um prejuízo dos maiores.

Além de contar essa trajetória com muitos detalhes e sem cair no maniqueísmo, apresentando um personagem com suas virtudes e defeitos, Júpiter Maçã- A Efervescente Vida e Obra nos apresenta uma análise faixa a faixa de todos os seus lançamentos, incluindo desde os LPs e CDs até aquelas canções disponíveis apenas em formato digital, ou até mesmo aquelas apresentadas em poucos shows ou nunca lançadas de forma oficial.

É muito bom ver quando autores como Cristiano Bastos e Pedro Brandt fogem da tentação de biografar artistas mais populares e/ou comerciais, sejam eles nacionais ou internacionais, para mergulhar em nomes que poderiam se tornar apenas notas de rodapé da história. Difícil ler esse livro e não ficar com o ouvindo coçando para investigar essa obra ao mesmo tempo obscura, polêmica e tão longe do mainstream na sua quase totalidade. O lançamento é da Nova Carne Livros, que promete novos lançamentos com este mesmo padrão para breve.

Modern Kid (clipe)- Júpiter Maçã:

Humberto Gessinger lança álbum de canções inéditas em outubro

Humberto Gessinger - Não Vejo a Hora (capa)-400x

Por Fabian Chacur

No dia 11 de outubro, a gravadora Deck lançará, nos formatos CD, vinil, fita-cassete e digital, o álbum Não Vejo a Hora. Trata-se do primeiro trabalho de inéditas do ex-líder dos Engenheiros do Hawaii, o cantor, compositor e músico gaúcho Humberto Gessinger desde Insular (2013). Nesse meio-tempo, ele fez shows para divulgar aquele lançamento e também investiu em reler ao vivo o álbum mais famoso de sua ex-banda, A Revolta dos Dândis (1987).

Não Vejo a Hora conta com 11 faixas, compostas por Gessinger em parceria com Bebeto Alves, Duca Leindecker, Felipe Rotta, Nando Peters e Esteban Tavares, sendo que todas as letras são de sua autoria. A capa e contracapa traz desenhos do artista gaúcho Felipe Constant.

As gravações se dividem entre duas formações. Oito canções foram registradas com pegada power-elétrica, e trazem HG (vocal e baixo de seis cordas), Felipe Rotta (guitarra) e Rafa Bisogna (bateria). As três restantes tem HG (voz e viola caipira), Nando Peters (baixo acústico) e Paulinho Goulart (acordeon).

Em declaração incluída no press-release que anuncia o novo lançamento, Humberto explica a abordagem que escolheu para as novas canções: “Desde o início, saquei que o material pedia uma produção ágil, rápida, pra que a força das composições não se perdesse em firulas no estúdio… foi o que a gente fez. É um disco mais linear, mais focado na simplicidade dos trios”.

Infinita /Até o Fim (ao vivo)-Humberto Gessinger:

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