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Cássia Eller em bela versão inédita de Espírito do Som

cássia eller capa single 400x

Por Fabian Chacur

No próximo dia 29, completaremos 20 longos anos sem Cássia Eller. A incrível cantora, que teria soprado 59 velinhas no último dia 10, nos deixou uma discografia das mais respeitáveis. Como forma de celebrar essa artista de assinatura personalizada, chegou às plataformas digitais uma versão inédita de Espírito do Som, composição de Péricles Cavalcanti e Chico Evangelista que fez sucesso na voz de Rosa Marya Colin e integrou o álbum Vagando (1980), relançado em 2018 como material bônus do CD de inéditas Rosa pela Gravadora Eldorado/Nova Estação (leia a resenha aqui).

O registro de Cássia interpretando esse efervescente blues rock foi feito em 1985 em uma fita-cassete, no melhor estilo voz e violão. Como forma de dar à gravação uma roupagem mais caprichada, Chico Chico (filho da intérprete), Rodrigo Garcia e Pedro Fonseca produziram um novo acompanhamento instrumental. Participaram dele Rodrigo Garcia (violão), Pedro Fonseca (piano e órgão), Cesinha (bateria), Marfa Kurakina (baixo) e Kadu Mota (guitarra).

O engenheiro de som Bruno Giorgi fez o possível para dar ao vocal e violão de Cássia a melhor condição técnica possível. Se o resultado não ficou perfeito, tendo às vezes um clima meio fantasmagórico, especialmente no início, a performance visceral e potente da intérprete compensa tais problemas, assim como o ótimo acompanhamento instrumental da banda. E o lançamento exclusivamente nas plataformas digitais também justifica esse resultado não 100% perfeito em termos técnicos. O clipe foi dirigido por Rafael Saar.

Espírito do Som (clipe)- Cássia Eller:

Rosa Marya Colin hipnotiza o ouvinte em CD com dois álbuns

rosa marya colin capa cd-400x

Por Fabian Chacur

Rosa Marya Colin parece ter sido a cantora que inspirou aquela célebre frase “capaz de extrair emoção até de um catálogo telefônico”, coisa que não existe há muito, vale dizer. Mas se existisse, não tenham dúvidas, você se emocionaria ao ouvi-la interpretando suas linhas burocráticas. Gravou muito pouco, mas sempre bem. E agora nos oferece Rosa (Gravadora Eldorado-Nova Estação), um trabalho à altura de seu imenso talento, e que merece ser apreciado e divulgado com a mesma intensidade e profissionalismo que ela teve ao conceber este belíssimo CD.

Nessas mais de duas décadas que ficou longe da gravação de discos, Rosa se manteve atuando como atriz em novelas e séries globais como Deus Salve o Rei (2018) e Fina Estampa (2011). Mas essas “férias” musicais felizmente acabaram.

Coproduzido por ela em parceria com o talentoso LC Varella e produção executiva a cargo de Thiago Marques Luiz (sempre ele!), Rosa equivale a um banho de vitalidade, maturidade e sensibilidade dessa cantora mineira radicada no Rio de Janeiro que completará 73 anos no próximo dia 27 de fevereiro.

Com dez faixas, o novo trabalho de Rosa Marya Colin traz o blues e o jazz no seu DNA, em algumas de forma direta, como Um Blues Para Rosa (Lula Barbosa-Celso Prudente), Depois das Seis (Sylvia Patricia), Man (Alzira Espindola-Itamar Assumpção) e Eu Canto Esse Blues (Arlindo Cruz-Rogê Cury-Gabriel Moura), em outras no tempero, como em Giz (Renato Russo-Marcelo Bonfá-Dado Villa-Lobos), Mas Até Lá (Roney Giah) e É Por Você Que Vivo (Rosa Maria e Tim Maia).

General da Banda (José Alcides-Satiro de Melo-Tancredo Silva), maior sucesso do grande e saudoso Blecaute, é relido com grande impacto. Tema de Eva (Taiguaira) prima pela delicadeza. E o final fica com Alma Cigana (Edu Rocha e Orlando) na qual a intérprete, a capella, se incumbe de todas as vozes de forma magistral.

Os arranjos são precisos, sem excessos ou ausências sonoras, no ponto certo. E Rosa demonstra um domínio pleno de sua potência vocal, sem arroubos exagerados ou contenção excessiva, dando a cada nota e a cada palavra o que elas pedem. Ela mostra que conhece todos os atalhos, proporcionando ao ouvinte maciças doses de prazer auditivo. Blues, jazz, folk, rock, MPB, tudo aqui soa às mil maravilhas, vindos de uma profissional que respeita cada canção que escolhe com muito bom gosto para seu repertório.

Em uma boa sacada que acaba valorizando a versão física do álbum, Rosa traz como bônus nada menos do que a íntegra de outro álbum da intérprete, Vagando, lançado pela Gravadora Eldorado em 1980 e há algum tempo fora de catálogo. Trata-se de um disco mais próximo da estética da MPB, no qual a intérprete encanta com Dancing Cassino (Fátima Guedes), Vagando (Paulinho Pedra Azul), Coração de Strass (Paulinho Nogueira e Zezinha Nogueira), Romeiros (Djavan) e Espírito do Som (Chico Evangelista e Pericles Cavalcante). Discaço!

É um exercício de apreciação bem interessante ouvir as 10 faixas de Rosa e logo a seguir as 10 de Vagando, comparando as nuances da intérprete aos 34 anos de idade e em sua fase atual. Mas posso adiantar que ambas as versões são maravilhosas. Essa cantora encantadora, cujo maior hit foi a releitura de California Dreamin’ (dos The Mamas And The Papas) em 1988, merece a sua atenção. Aliás, na verdade, você merece, mesmo, é ser encantado, hipnotizado e cativado por essa voz maravilhosa. Um bálsamo para tempos difíceis!

Ouça Rosa e Vagando em streaming:

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