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Para Ivete Sangalo, o que importa é o momento

Por Fabian Chacur

Ivete Sangalo concedeu uma entrevista coletiva à imprensa em um hotel de luxo em São Paulo na tarde desta terça-feira (9) para falar de seu novo álbum, Real Fantasia, lançado pela Universal Music. A bordo de um estiloso vestido rosa assinado pelo badalado Alexandre Herchcovitch e muito bem-humorada, ela encarou a sala cheia de jornalistas e fãs no melhor astral possível.

De cara, brincou com o uso da palavra híbrido por um dos jornalistas em uma pergunta, e a repetiu por diversas vezes durante o papo descontraído, que durou por volta de uma hora. Ao falar sobre como concebeu o novo disco, revelou que nunca sabe como cada álbum irá ficar, e que não os concebe previamente, ao contrário de outros artistas.

“Eu encontro os compositores que frequentam minha casa, ouço discos que me mandam, vou compondo e só aí eu seleciono as músicas. Nunca planejo nada antes, só mesmo depois de o disco ficar pronto é que eu sei como ele ficará. Nada é planejado anteriormente, tipo vou fazer um dsco mais latino, ou mais romântico, nunca é assim”.

Ela encara essa forma de trabalhar como a habitual em sua carreira, e se diz livre das pressões das gravadoras em termos de concepção artística, mesmo sendo uma das artistas que mais vende discos e lota shows no país há 13 anos como artista solo.

“O meu negócio é felicidade, é como eu me sinto confortável. Todo dia a gente tem uma história diferente, assim é a vida, e é assim que eu faço os meus projetos. Não sou uma pessoa movida a pressão, sou uma pessoa do momento. Gosto do improviso, de viver tudo na hora”.

Real Fantasia foi gravado no estúdio que Ivete montou em sua casa, em Salvador, entre março e setembro, sendo que as fotos sensuais usadas na capa, encarte e divulgação do trabalho ficaram para o final, sendo, como ela definiu, o laço final do produto.

O fato de simultaneamente ter gravado como atriz sua participação no remake global de Gabriela não atrapalhou nada, segundo ela, e com total controle do processo.

“Sou cantora, entro no estúdio na hora que for e mando bala. Presume-se que eu tenha um bom envolvimento na produção e gravação de meus discos, pois são os meus discos. Todos os arranjos passam pelo meu crivo. O CD foi gravado em casa de forma tranquila, no meu ritmo e do meu jeito”.

O CD chegou às lojas com uma tiragem inicial de 80 mil cópias, número que atualmente equivale a disco de platina no mercado, mas que significa quase um terço do valor que essa premiação exigia há pouco mais de dez anos (250 mil discos). Ivete avalia essa queda na indústria fonográfica brasileira de forma serena.

“Não dá para negar que essa redução nas vendas pode afetar um pouco as vaidades dos artistas, mas acho que o importante é o fato de o acesso das pessoas à música ter se democratizado. Já cheguei a vender 2.8 milhões de cópias de um único disco. Acho que é preciso educar as pessoas não em termos de gosto musical, que cada um tem o seu, mas no sentido de que baixar as músicas de forma ilegal é crime, mostrar o caminho certo para elas”.

Ivete vai além, nessa análise do momento pelo qual passa o mercado musical no Brasil.

“Muita gente boa perdeu seus empregos nesses últimos anos graças a essa queda da indústria fonográfica por aqui. Mas é preciso respirar e seguir em frente, superar as crises. Procuro ver o melhor de cada situação e comemorar a democratização do acesso à música por parte das pessoas. E agradeço por ter fãs fiéis que me acompanham sempre”.

Embora tenha tido experiências anteriores como atriz, Ivete Sangalo considera sua participação em Gabriela vivendo o papel de Maria Machadão como o ponto alto dessa trajetória paralela à música no mundo da arte dramática.

“Tive a oportunidade agora de aprender muito mais, vivendo um personagem baiano e forte e que ficou mais tempo no ar. Procurei criar momentos diferentes, fui instruída para atuar melhor, a me concentrar, e generosidade foi a palavra de ordem de todos em relação a mim. Quero ter uma nova experiência como atriz, mas não agora.”

O álbum só teve um problema: o dueto gravado por ela com a estrela Shakira na faixa Dançando teve de ficar de fora por problemas burocráticos, e será comercializado apenas como bônus da versão deluxe virtual vendida no site iTunes. O CD inclui uma versão da mesma música só com Ivete nos vocais.

“Shakira é uma queridaça, quem é fã dela tem de continuar sendo, e quem não é precisa conhecê-la rapidinho. A gente se conheceu em festivais, ela ama o Brasil. Gravamos o dueto antes de acertamos a liberação das gravadoras, e isso acabou demorando um pouco. Mas ficou lindo, adorei!”

O canal a cabo Multishow mostrará entre 22 a 26 de outubro um especial com cinco partes sobre as gravações de Real Fantasia, cujo título Ivete acredita dar margem a muita poesia por conta da interpretação de cada um à frase. Eis a dela:

“Minha vida é uma real fantasia. Misturo a fantasia de ser artista com as minhas obrigações, sou uma mulher muito real, muito prática, do tipo que vai buscar o filho na escola sem maquiagem. Essa mulher, entre quatro paredes, realiza tudo quanto é fantasia”, diz, arrancando risos de todos.

Shakira não fará show no Rio agora. Por que?

Por Fabian Chacur

Shakira voltou a cantar ao vivo no Brasil nesta terça-feira (15), levando o público de Porto Alegre à loucura.

A estrela colombiana ainda se apresentará por aqui nesta quinta (17) em Brasília e no sábado (19) em São Paulo.

Na capital paulistana, a intérprete de Sale el Sol terá a companhia luxuosa de Ziggy Marley e da banda americana Train, entre outros, em festival pop que será realizado no estádio do Morumbi.

Aí, alguém pode perguntar: porque não teremos show no Rio, um dos lugares mais badalados do país?

Seria um problema de falta de espaço adequado para um espetáculo das proporções do de Shakira?

Ou seria mesmo alguma dúvida quanto à capacidade de o público carioca lotar um show da moçoila?

Nada disso. A explicação é bem simples.

No Rio, Shakira foi confirmada nesta terça (15) como uma das atrações, no dia 30 de setembro, da noite pop do Rock in Rio, que após dez anos voltará a ser realizado no Brasil.

A noitada terá também Lenny Kravitz, Ivete Sangalo (a Grande Irmã, sempre ela…), Jota Quest e Marcelo D2, entre outros.

Como normalmente esse tipo de festival assina contratos com os artistas que os impedem de tocar na mesma praça seis meses antes e seis meses depois da data programada, está explicado o porque, agora, Shakira não irá à Cidade Maravilhosa.

Os cariocas terão de esperar mais seis meses, da mesma forma que devem ver só em maio Paul McCartney, que os paulistanos e gaúchos tiveram a honra de presenciar em novembro de 2010. Coisas do show business.

Veja Shakira fazendo ótimo cover de Back in Black, do AC/DC:

Ouça Hey Soul Sister, da banda americana Train

Por Fabian Chacur

Há 16 anos na estrada, a banda Train surgiu em San Francisco, California, e lançou em 2009 seu quinto álbum, o bom Save Me San Francisco.

O grupo deve tocar no Brasil em março de 2011, em festival que será encabeçado pela cantora colombiana Shakira.

Já comentei o CD por aqui.

Para quem ainda tem dúvidas de que se lançam ótimas músicas inéditas em pleno século XXI no mundo do rock, confira abaixo a maravilhosa Hey Soul Sister, uma das faixas do mais recente trabalho do Train.

Shakira engole concorrência com Sale El Sol

Por Fabian Chacur

Sou daqueles que se recusa a acreditar em “certezas” do tipo “música boa é a música de antigamente, hoje só se faz porcaria”. Podem ter certeza de que, mesmo nos anos 60, muita gente falava isso, em plena era dos Beatles.

Lógico que não sou louco de dizer que na primeira década do século 21 o que se faz no cenário musical é melhor do que em períodos fantásticos como os anos 60, 70 e 80.

Mas basta um pouco de boa vontade para descobrir coisas bacanas na música atual. Mesmo no chamado mainstream, ou seja, onde ficam os artistas mais populares, disputando os primeiros lugares das paradas.

Shakira é um exemplo bem claro de como é possível encontrar gente muito talentosa e criativa mesmo em uma área em que o comercialismo e as fórmulas pré-estabelecidas costumam dar as cartas.

Desde o início de seu sucesso na metade dos anos 90, com Piez Descalzo, a cantora e compositora colombiana só evoluiu.

Hoje, a gatíssima estrela pode se gabar de ser uma artista diferenciada.

Seu novo álbum, Sale el Sol, é uma verdadeira aula de pop latino dançante, com fortes elementos de folk, rock e rhythm and blues no meio.

Sua voz é poderosa, daquelas de arrasar quarteirão. Quem já ouviu a moça interpretar Back in Black, do AC/DC, sabe do que estou falando. Dinamite pura!

Além disso, ela sabe se cercar de ótimos músicos e produtores, e não cai na tentação de só trabalhar com os profissionais da moda, como fazem as Britney Spears da vida.

De forma geral, Sale el Sol é um álbum de pop latino turbinado, para incendiar pistas de dança e também cativar corações apaixonados com classe e sem apelar.

Loca, a faixa de trabalho que conta com a participação do rapper Dizzee Rascal, é um coquetel dançante contagiante, o que também pode ser dito de Gordita, Rabiosa e a contagiante Waka Waka, tema da Copa da África.

A faixa-título é um belo folk rock na linha de Pies Descalzos. Mariposas cativa pela beleza. E por aí vai, e vai bem.

Shakira sabe como poucas da sua geração (completou 33 anos em fevereiro, embora aparente uns 20 e poucos) conciliar forte apelo comercial e criatividade artística.

No palco, a moça, que deve cantar novamente no Brasil em 2011, é um verdadeiro furacão.

Sale el Sol prova que em pleno 2011 ainda se produz música comercial de qualidade que é ao mesmo tempo instigante e contagiante. Que bom!

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