Mondo Pop

O pop de ontem, hoje, e amanhã...

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Maurice White deixa de luto o contagiante mundo do groove

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Por Fabian Chacur

Festa sem os grooves e as melodias do Earth, Wind & Fire não costuma prestar. Pois o criador dessa banda maravilhosa nos deixou nesta quinta-feira (4) aos 74 anos. Maurice White sofria de Mal de Parkinson, que o impediu a partir de 1994 de se apresentar ao vivo com a banda, embora tenha continuado a participar, na medida do possível, de suas gravações. Uma daquelas perdas tão dolorosas, mas tão dolorosas, que só mesmo dançando ao som da sua música para suportar.

Maurice White nasceu em 19 de dezembro de 1941, e teve várias experiências musicais bacanas antes de montar a banda que o tornou conhecido mundialmente, entre elas integrar como baterista o The Ramsey Lewis Trio, de hits instrumentais bacanas como The In Crowd. Não demorou para ele sentir que seu negócio era partir para um trabalho próprio, no qual desenvolveria uma sonoridade nova e repleta de energia e criatividade musical.

A fase inicial rendeu dois discos pela Warner no início dos anos 70, sem grande repercussão, mas já com um trabalho interessante. Foi a partir de uma mudança na formação e da entrada na Columbia Records, ocorrida em 1972, que o grupo começou a pegar forma. White era o cantor, compositor e percussionista, e tinha na kalimba, raro instrumento africano, sua marca registrada. O irmão Verdine White segurava todas no baixo, e Phillip Bailey, com seus vocais em falsete, completou a trinca básica do time, ao lado de outras feras.

Em 1975, o single Shining Star atingiu o topo da parada de singles americana, mesma façanha atingida pelos álbuns That’s The Way Of The World (1975) e o ao vivo Gratitude (1976). A receita: uma mistura de funk, soul, música latina em geral (até a brasileira), rock, jazz e pop, com direito a muita energia positiva, temas transcendentais nas letras e romantismo também, que ninguém é de ferro.

Até o início dos anos 80, o Earth, Wind & Fire ganhou admiradores no mundo todo graças a sua combinação de discos repletos de boas canções e shows energéticos com direito a recursos audiovisuais até então não muito comuns em shows de grupos de black music. Devotion (uma das melhores baladas soul de todos os tempos), September, Boogie Wonderland, Can’t Let Go, Serpentine Fire, Let’s Groove, Let Me Talk, a lista é interminável. E simplesmente irresistível.

A liderança de Maurice White sempre foi positiva, pois ele tinha seu espaço na banda, mas sempre abria as oportunidades para que os outros integrantes brilhassem, além de chamar gente de fora para trabalhar com eles, como o então iniciante tecladista, compositor e músico David Foster, cuja presença no álbum I Am (1979) foi decisiva em faixas como After The Love Is Gone, da qual Foster é um dos autores.

Em 1980, a primeira visita da banda ao Brasil rendeu shows marcantes, como no Maracanãzinho, no Rio, tornando os caras ainda mais populares por aqui. Vale lembrar que eles gravaram Brazilian Rhyme no álbum All ‘N’ All (1977), assinada por Milton Nascimento. O grupo deu uma pequena parada na metade dos anos 1980, mas voltou a partir de 1987, embora sem o mesmo sucesso comercial com novos trabalhos.

Os shows, no entanto, continuaram contagiantes e populares, como vimos aqui no Brasil em 2008 (leia resenha de um dos shows aqui). Mesmo os discos lançados por eles a partir dos anos 90 são interessantes, e neles Maurice White continuava a mostrar seu talento. O Mal de Parkinson, no entanto, o afastou dos palcos, para tristeza dos fãs, embora a banda se mantenha até hoje na estrada, com Verdine e Bailey fazendo as honras da casa com classe.

No excelente documentário Shining Stars: The Official Story of Earth, Wind, & Fire (2001- saiba mais sobre ele aqui), lançado no Brasil pela extinta gravadora ST2, Maurice deu depoimentos nos quais era nítida sua dificuldade em se movimentar e mesmo falar. Uma pena. Esse cara vai deixar muita, mas muita saudade mesmo. E vale lembrar: ele nasceu no mesmo ano (1941) de Martin Balin e Signe Toly Anderson, do Jefferson Airplane. Xô, dona morte!

Devotion (live)- Earth Wind & Fire:

Boogie Wonderland– Earth Wind & Fire e The Emotions:

September– Earth Wind & Fire:

Serpentine Fire– Earth Wind & Fire:

Can’t Let Go– Earth Wind & Fire:

B.B. King, Lemmy e os outros astros que partiram em 2015

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Por Fabian Chacur

Em 2015, perdemos um verdadeiro festival de grandes nomes da música, em todas as áreas. O seminal embaixador do blues B.B.King (foto) é um dos mais expressivos, mas inúmeros outros nomes bacanas, também das mais variadas épocas, nos deixaram rumo à eternidade. Na medida do possível, Mondo Pop procurou homenagear essa turma da pesada nesse ano tão difícil.

Abaixo, fizemos uma lista com um número significativo desses grandes artistas que fizeram nossa alegria com suas canções, acordes, poesias etc. Quando for o caso de existir um texto de Mondo Pop sobre o artista em questão, o link aparece logo na sequência. Que a boa música feita por eles continue nos inspirando dia após dia, até o tal do “fim dos tempos”.

É uma lista bem abrangente, mas obviamente não é completa.

MÚSICOS QUE MORRERAM EM 2015:

– Dallas Taylor (baterista Crosby Stills Nash & Young)- 7/4/1948- 18/1/2015

– Edgar Froese (Tangerine Dream)- 6/6/1944- 20/1/2015

– Demis Roussos (cantor- ex-Aphrodite’s Child) – 15/6/1946- 25/1/2015

http://www.mondopop.net/2015/01/morre-aos-68-anos-na-grecia-o-cantor-egipcio-demis-roussos/

– Sam Andrew (guitarra- Big Brother & The Holding Company)- 18/12/1941- 12/2/2015

http://www.mondopop.net/2015/02/morre-sam-andrew-o-eterno-guitarrista-da-diva-janis-joplin/


– Lesley Gore (cantora pop)- 2/5/1946- 16/2/2015

– Daevid Allen (Soft Machine)- 13/1/1938- 13/3/2015

– Mike Porcaro (baixo- Toto)- 29/5/1955- 15/3/2015

http://www.mondopop.net/2015/03/morre-mike-porcaro-59-anos-ex-baixista-da-banda-pop-toto/

– A.J. Pero(bateria- Twisted Sister)- 14/10/1959- 20/3/2015

– Kim Fowley (produtor Runaways etc)- 21/7/1939- 15/1/2015

– Pino Danielle (cantor e compositor italiano)- 19/3/1955- 4/1/2015

– Andy Fraser (baixista- Free)- 3/7/1952-16/3/2015

– Steve Strange (cantor- Visage)- 28/5/1959- 12/2/2015

– Jimmy Greenspoon (teclados- Three Dog Night)- 7/2/1948- 11/3/2015

– Percy Sledge (cantor)- 25/11/1940- 14/4/2015

– Ben E. King (cantor)- 28/9/1938- 30/4/2015

http://www.mondopop.net/2015/05/ben-e-king-de-stand-by-me-morre-nos-eua-aos-76-anos/

– Jack Ely (vocal e guitarra- The Kingsmen)- 11/9/1943- 28/4/2015

– Erroll Brown (cantor- Hot Chocolate- 11/12/1943- 6/5/2015

http://www.mondopop.net/2015/05/morre-errol-brown-vocalista-da-banda-pop-hot-chocolate/

– B.B. King (rei do blues)- 16/9/1925- 14/5/2015

http://www.mondopop.net/2015/05/b-b-king-o-rei-e-embaixador-que-deixa-um-legado-dourado/

– Louis Johnson (baixista- Brother Johnson)- 13/4/1955- 21/5/2015

http://www.mondopop.net/2015/05/morre-louis-johnson-um-dos-melhores-baixistas-do-mundo/

– James Horner (compositor e maestro)- 14/8/1953- 22/6/2015

– Chris Squire (baixista- Yes)- 4/3/1948- 27/6/2015

http://www.mondopop.net/2015/06/chris-squire-fundador-do-yes-sai-da-cena-rock-com-67-anos/

– Lynn Anderson (cantora country)- 26/9/1947- 30/7/2015

– Bryn Merrick (baixo- The Damned)- 12/10/1958- 12/9/2015

– Gary Richrath (guitarrista- Reo Speedwagon)- 18/10/1949- 13/9/2015

– Lemmy Kilmister (baixo e vocal- Motorhead)- 24/12/1945- 28/12/2015

http://www.mondopop.net/2015/12/lemmy-no-brasil-seus-filmes-e-mais-sobre-o-lendario-rocker/

– Phillip Philty Animal Taylor (baterista Motorhead)- 21/9/1954- 11/11/2015

– Scott Weiland (vocal- Stone Temple Pilots e Velvet Revolver)- 27/10/1967- 4/12/2015

http://www.mondopop.net/2015/12/morre-cantor-scott-weiland-do-velvet-revolver-e-do-stp/

– Cynthia Robinson (trompete- Sly & The Family Stone)- 12/1/1946- 23/11/2015

– Allen Toussaint (músico)- 14/1/1938- 10/11/2015

– Andy White (baterista)- 27/7/1930- 9/11/2015

– Cory Wells (cantor- Three Dog Night)- 2/2/1941- 20/10/2015

– Phil Woods (sax alto-jazz e pop)- 2/11/1931- 1/10/2015

– Natalie Cole (cantora)- 6/2/1950- 31/12/2015

http://www.mondopop.net/2016/01/morre-aos-65-anos-de-idade-a-otima-cantora-natalie-cole/

– Lincoln Olivetti (músico e produtor)- 17/4/1954- 13/1/2015

http://www.mondopop.net/2015/01/musico-lincoln-olivetti-morre-aos-60-anos-e-deixa-saudade/

– Renato Rocha (baixo- Legião Urbana)- 27/5/1961- 22/2/2015

– José Rico (cantor sertanejo)- 29/6/1946- 3/3/2015

– Inezita Barroso (cantora etc)- 4/3/1925- 8/3/2015

http://www.mondopop.net/2015/03/inezita-barroso-foi-a-hebe-da-musica-rural-e-fara-muita-falta/

– Percy Weiss (cantor- Made In Brazil)- 1/3/1955- 14/4/2015

– Mangabinha (Trio Parada Dura)- 16/3/1942- 23/4/2015

– Fernando Brant (compositor)- 9/10/1946- 12/6/2015

http://www.mondopop.net/2015/06/fernando-brant-faz-travessia-e-nos-deixa-com-pura-saudade/

– Wilma Bentivegna (cantora)- 17/7/1929- 2/7/2015

– Claudia Barroso (cantora)- 23/4/1932- 9/10/2015

– Luis Carlos Miele (produtor)- 31/5/1938- 14/10/2015

– Marilia Pera (atriz e cantora)- 22/1/1943- 5/12/2015

– Flávio Basso-Júpiter Maçã (cantor)- 26/1/1968- 21/12/2015

– Cristiano Araújo (cantor)- 24/1/1986- 24/6/2015

Uma homenagem a todos esses nomes da música que se foram:

Morre aos 65 anos de idade a ótima cantora Natalie Cole

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Por Fabian Chacur

No último dia do ano em que foram completados 50 anos da morte de seu pai, o ícone da música Nat King Cole, foi a vez de Natalie Cole dar adeus ao cenário pop. No dia 31 de dezembro de 2015, mais um nome de grande calibre musical nos deixa, em um período repleto de grandes perdas no setor. Ela tinha 65 anos, estava internada no hospital Cedar Sinai em Los Angeles e foi vítima de problemas com uma hepatite C que a infernizava há pelo menos sete anos.

A doença, que ela admite ter sido contraída devido a consumo de drogas, lhe custou um transplante de rim em 2009. O vício em heroína, crack, cocaína em álcool levaram a cantora a passar por seis meses em uma clínica de reabilitação em 1983, problemas que ela contou de forma franca em sua autobiografia, Angel On My Shoulder, lançada em 2000. A intérprete continuou fazendo shows e gravando, apesar de tudo.

Nascida em Los Angeles em 6 de fevereiro de 1950, Natalie iniciou a carreira aos 11 anos, cantando ao lado do pai, Nat King Cole. Apesar da morte precoce de Nat em 1965 aos 45 anos, vítima de câncer, ela manteve firme o sonho de também se tornar uma estrela, e isso se concretizou em 1975 com o sucesso de seu álbum de estreia, Inseparable, que lhe rendeu hits como a faixa título e também o Grammy de melhor artista novo daquele ano.

A carreira se manteve bem até o fim dos anos 70 no cenário do pop e da soul music, com direito a sucessos como This Will Be (An Everlasting Love) e I’ve Got You On My Mind, até que as drogas começaram a cobrar o seu preço. Após passar pela reabilitação, aos poucos retomou o pique, emplacando em 1988 nas paradas uma ótima releitura de Pink Cadillac, de ninguém menos do que Bruce Springsteen.

Em 1991, lançou seu projeto mais ambicioso: Unforgettable With Love, álbum dedicado ao repertório do pai e no qual fez um dueto tecnológico com ele em Unforgettable. O CD surpreendeu a todos, ficando por cinco semanas no primeiro lugar da parada americana, faturando sete troféus Grammy (incluindo as três categorias mais importantes) e vendendo mais de 13 milhões de cópias. O pop tradicional encarou com garra o grunge, o rap e os outros ritmos então na moda.

A cantora conseguiu se manter na ativa com bons discos e shows nos anos que se seguiram, incluindo outro dueto tecnológico com o pai, When I Fall In Love, em 1996, que lhe rendeu mais um Grammy, e uma segunda parte do álbum de sucesso, Still Unforgettable, em 2008. Natalie procurou mesclar momentos mais próximos do pop e da soul music com o jazz pop tradicional, e se deu bem, com uma voz sempre muito boa de se ouvir.

I’ve Got You On My Mind– Natalie Cole (1977):

Inseparable– Natalie Cole (1975):

This Will Be (An Everlasting Love)– Natalie Cole (1975):

Pink Cadillac– Natalie Cole (1988):

Unforgetabble– Natalie e Nat King Cole (1991):

William Guest, cantor de soul, morre nos EUA aos 74 anos

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Por Fabian Chacur

O universo da soul music está de luto. Morreu no dia 24 de dezembro aos 74 anos o cantor e produtor musical William Guest. Ele ficou conhecido no mundo da música como um dos integrantes do célebre grupo Gladys Knight And The Pips, um dos mais bem-sucedidos da história da black music americana e responsável por hits bacanas nos anos 60, 70 e 80.

Na foto que ilustra esse post, temos, da esquerda para a direita: Edward Patten, Bubba Knight, Gladys Knight e William Guest. Essa é a formação clássica do grupo, formado em 1953 e reunindo parentes. Gladys e Bubba são irmãos, enquanto Patten e Guest são seus primos. A cantora fazia as vezes de líder vocal, enquanto os três garotos esbanjavam categorias em vocais de apoio e coreografias simplesmente marcantes.

O primeiro grande hit do quarteto foi Every Beat Of My Heart, lançada por eles em 1961 e atingindo o sexto lugar na parada pop e o primeiro na de rhythm and blues. Era só o início de uma carreira repleta de êxitos. Gladys saiu do time entre 1962 e 1964, quando se casou e teve dois filhos, mas o retorno veio com força total. Em 1966, o quarteto foi contratado pela Motown.

Na gravadora de Berry Gordy, Gladys Knight And The Pips nunca foram uma prioridade. Mesmo assim, emplacaram hits como I Heard It Through The Grapevine (1967) e Neither One Of Us (Wants To Be The First To Say Goodbye-1973). Foi Gladys quem chamou a atenção de Barry Gordy para um grupo novo que surgia no cenário musical americano, um tal de Jackson Five, mas a fama de “descobridora” ficou com Diana Ross.

Quando ganharam o Grammy por Neither One Of Us, Gladys e seu grupo já estavam em outra gravadora, a Buddah Records, onde permaneceram até 1968 e emplacaram seus maiores sucessos, entre os quais Midnight Train To Georgia (número 1 na parada pop em 1973), I’ve Got To Use Your Imagination, You And Me Against The World, So Sad The Song e Baby Don’t Change Your Mind, só para citar alguns.

Problemas legais com a Buddah levaram a cantora a se separar provisoriamente do grupo, com ambos lançando dois álbuns cada em 1978 e 1979. De contrato com a CBS-Epic, lançaram em 1980 o sublime About Love, com produção e repertório a cargo dos magos do soul pop Nicholas Ashford e Valerie Simpson. Taste Of Bitter Love é um dos clássicos desse álbum bom de ponta a ponta.

A banda se manteria na ativa até 1989, conseguindo seu último hit, a ótima Love Overboard (ganhadora de um Grammy) em 1987. Enquanto Gladys Knight se dedicou a uma honrosa carreira solo, Bubba saiu de cena e William e Edward criaram uma empresa de produção artística a Patten And Guest, que durou até a morte de Patten, ocorrida em 2005. Guest lançou em 2013 a autobiografia Midnight Train FROM Georgia: A Pip’s Journey, em parceria com Dame Dhyana Ziegler.

Midnight Train To Georgia– Gladys Knight And The Pips:

Baby Don’t Change Your Mind– Gladys Knight And The Pips:

You And Me Against The World– Gladys Knight And The Pips:

Taste Of Bitter Love– Gladys Knight And The Pips:

Love Overboard– Gladys Knight And The Pips:

Ben E. King, de Stand By Me, morre nos EUA aos 76 anos

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Por Fabian Chacur

Embora sempre lembrado pela canção Stand By Me (1961), Ben E. King está muito longe de ser um one hit wonder, aquele tipo de artista que só teve um sucesso na carreira. O grande cantor americano nos deixou aos 76 anos segundo informação do site da revista americana Billboard. A causa não foi revelada. Uma grande perda para os fãs de soul music e da música pop em geral.

Benjamim Earl Nelson nasceu em Henderson, Carolina do Norte, em 23 de setembro de 1938. Ele começou a se tornar conhecido no cenário musical americano ao entrar em 1958 no The Crowns, que naquele mesmo ano, por razões empresariais, acabou se tornando uma nova encarnação do então já estabelecido grupo vocal The Drifters.

King ficou menos de dois anos nos Drifters, mas teve tempo de emplacar por lá os hits There Goes My Baby, Dance With Me e especialmente Save The Last Dance For Me. A carreira solo teve um início marcante, com o estouro de Spanish Harlem, com produção do então ainda iniciante Phil Spector. E o melhor viria logo a seguir.

O cantor resolveu adaptar uma canção spiritual intitulada Lord Stand By Me. Com nova letra escrita por ele, a música virou Stand By Me, e atingiu o quarto lugar na parada pop americana em 1961. A canção voltaria ao top 10 americano em 1986 ao integrar com destaque a trilha do filme Conta Comigo (cujo título original é exatamente Stand By Me).

Stand By Me logo se tornou um standard pop, regravada por diversos artistas no decorrer dos anos seguinte. A releitura mais famosa ficou por conta de John Lennon, que frequentou os charts de todo o mundo em 1975 com sua gravação, incluída no álbum de covers Rock ‘N’ Roll, totalmente dedicado a recriação de hits dos anos 1950 e 1960.

Amor (1961), seu primeiro álbum solo, obteve êxito, e até 1969, ele lançou outros hits pela Atlantic Records, pela qual gravou desde os tempos dos Drifters. Entre outras, emplacou nessa fase sucessos como I(Who Have Nothing) (relida no auge da disco music por Sylvester), Don’t Play That Song (regravada por Aretha Franklin) e outras.

Curiosamente, Ben saiu da Atlantic Records em 1969 e só voltou às paradas de sucesso em 1975, ano no qual retornou à gravadora criada no fim da década de 1940 pelos irmãos Ertegun. O hit que o trouxe de volta aos charts foi a sensacional Supernatural Thing, com uma levada soul-funk simplesmente marcante. Tipo da música certa na hora certa.

Em 1978, gravou um álbum antológico, Benny And Us, em parceria com a banda britânica de soul e funk Average White Band. O álbum traz maravilhas como o hit Get It Up For Love, as excelentes The Message, A Star In The Ghetto e Keepin’ It To Myself e uma boa releitura de Imagine, de John Lennon. Vale lembrar: o guitarrista Hamish Stuart, da AWB, é aquele mesmo que tocou com Paul McCartney do fim dos anos 1980 até meados dos anos 1990.

Embora sem emplacar novos hits, Ben E. King permaneceu na ativa, fazendo shows e gravando eventuais novos álbuns, sendo o mais recente I’ve Been Around, de 2006. Com sua voz maravilhosa e uma presença de palco repleta de sutileza e classe, ele nos deixa um legado que, como vocês puderam ver acima, vai muito além da maravilhosa Stand By Me.

Supernatural Thing Parts 1 & 2– Ben E. King:

Give It Up For Love– Ben E. King & The Average White Band:

Stand By Me – Ben E. King:

Spanish Harlem– Ben E. King:

Cantora Martha Reeves fará show grátis em SP, diz jornal

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Por Fabian Chacur

Para tristeza geral dos fãs da soul music e da música pop como um todo, a lendária cantora americana Martha Reeves foi obrigada a cancelar o show que faria em maio durante a Virada Cultural em São Paulo devido a uma chuva terrível. Um horror. Pois agora temos uma boa notícia: ela voltará à cidade ainda este ano, segundo nota publicada na coluna de Mônica Bergamo na Folha de S.Paulo desta terça-feira (14).

O primeiro show no Brasil desta verdadeira diva da música pop, hoje com 73 anos, está marcado para o dia 16 de novembro no Ibirapuera, como parte do programa Circuito SP, da prefeitura da cidade. A entrada será gratuita, sem horário do show ainda confirmado. Eis uma bela forma de se conferir uma das mais importantes cantoras da geração dos anos 60 que ainda se mantém na ativa.

Martha Reeves nasceu em 18 de julho de 1941 e batalhou muito até conseguir uma oportunidade no meio musical. As coisas começaram a clarear para ela quando foi contratada para ser secretária do departamento artístico da gravadora Motown. Quando o diretor Mickey Stevenson viu o quanto ela cantava bem, começou a usá-la para gravar demos de canções para outros contratados da gravadora.

Em 1962, ela apresentou o grupo vocal que havia criado com duas outras amigas, Martha Reeves And The Vandellas, e inicialmente participaram de singles de Marvin Gaye, entre eles Stubborn Kind Of Fellow e Hitch Hike. Naquele mesmo ano, gravaram seu primeiro single, com pouca repercussão. Mas as coisas mudariam logo.

Come And Get These Memories chegou ao top 30 nos EUA em junho de 1963, criando uma expectativa de que coisas maiores viriam para Martha e sua turma. E isso se confirmou com (Love Is Like a) Heat Wave, que em setembro daquele ano atingiria o quarto lugar na parada ianque. Seria o primeiro de uma série de sucessos.

Com uma sonoridade pra cima e bem dançante, Martha Reeves And The Vandellas emplacariam hits até 1971 na Motown Records, entre eles as estupendas Nowhere To Run, Dancing In The Streets e Jimmy Mack. O grupo parou por uns tempos nos anos 70, quando Martha Reeves dedicou-se a uma carreira solo sem grande repercussão.

Se os discos solo não venderam tanto, embora conquistassem elogios por parte de alguns críticos e fãs, o grupo acabou voltando à tona anos depois, entrando no circuito nostálgico de shows pelo mundo afora. Afinal, quem não quer ouvir essas músicas tão marcantes? E Martha as canta, seja nas eventuais reuniões do grupo, seja sozinha.

Ela teve alguns problemas de saúde em sua trajetória pós-sucesso, mas felizmente os superou, e atualmente se encontra em plena turnê comemorativa dos 50 anos de lançamento do single Dancing In The Streets, denominada “Calling Out Around The World Tour 2014”.

Dancing In The Street– Martha Reeves And The Vandellas:

Nowhere To Run – Martha Reeves ANd The Vandellas:

Morre Bobby Womack, gênio da música negra internacional

bobby womack-400xPor Fabian Chacur

Morreu nesta sexta (27) de causas não reveladas um dos grandes nomes da soul music. Trata-se de Bobby Womack, cantor, compositor e músico americano que completou 70 anos de idade no último dia 4 de abril. O astro sofria de vários problemas de saúde, entre eles um câncer de cólon e diabetes, embora se mantivesse na ativa nos últimos anos. Uma grande perda.

Womack iniciou sua carreira na década de 60, e é de sua autoria um dos primeiros sucessos dos Rolling Stones, It’s All Over Now, música que também seria gravada por Rod Stewart, o grupo brasileiro Barão Vermelho e inúmeros outros artistas. Ele trabalhou com Sam Cooke em seus anos iniciais como profissional, e durante sua carreira participou de várias gravações dos Rolling Stones.

Na década de 70, virou um dos astros da black music americana, emplacando hits marcantes como Woman’s Gotta Have It (regravada posteriormente com muita categoria por James Taylor no álbum In The Pocket, de 1976) e Across 110th Street. Seu som balançado trazia como diferencial letras bastante consistentes, que o tornaram um dos grandes poetas desse universo musical.

Problemas familiares e com drogas atrapalharam sua trajetória durante algum tempo. Na década de 90, a inclusão de Across 110th Street da trilha do filme Jackie Brown (1997), de Quentin Tarantino, o ajudou a ser apreciado pelas novas gerações, e aos poucos o artista soube se aproveitar dessa nova fase positiva.

Womack participou de dois CDs do grupo/projeto Gorillaz, Plastic Beach (2010) e The Fall (2011). O líder do Gorillaz, Damon Albarn (do grupo Blur), de quebra produziu o álbum que trouxe o astro de volta aos estúdios após 20 anos, o elogiado The Bravest Man Of The Universe (2012, leia mais sobre esse CD aqui).

Em 2013, Bobby Womack tocou no Brasil pela primeira vez, como um dos destaques da programação do festival Back2Black, e conseguiu boa repercussão. O astro da soul music também esteve entre os destaques da edição 2014 do festival de jazz de Nova Orleans nos EUA em 2014. Ele também participou de várias faixas de I Feel Like Playing (2010), mais recente álbum solo de Ronnie Wood, guitarrista dos Rolling Stones.

Across 110th Street– Bobby Womack:

Woman’s Gotta Have It – Bobby Womack:

It’s All Over Now– Bobby Womack:

Marvin Gaye faria 75 anos nesta quarta (2)

Por Fabian Chacur

Marvin Gaye, um dos grandes gênios da música pop, faria 75 anos de idade nesta quarta-feira (2). Infelizmente ele não está mais entre nós para comemorar essa data. Aliás, foi na véspera de completar 45 anos, em um trágico 1º de abril de 1984, que o cantor, compositor e músico americano nos deixou, assassinado pelo próprio pai, um pastor evangélico. Triste demais para ser verdade.

A morte violenta de Marvin soa ainda mais lamentável se levarmos em conta que, na época, ele curtia uma bela volta por cima, tendo superado sérios problemas com drogas e um período longe das paradas de sucesso. O álbum Midnight Love (1982), com seu excepcional single Sexual Healing, tinham dado a ele uma segunda chance de brilhar, momento iluminado que o pai abreviou de forma dramática.

Nascido em uma família religiosa e musical, Marvin Gaye não demorou a se dedicar à música. Após integrar vários grupos, foi convidado pelo cantor, compositor e produtor Harvey Fuqua a integrar uma das últimas formações do célebre grupo vocal The Moonglows, na segunda metade dos anos 50. Fuqua apresentou o protegido a Berry Gordy, presidente da então ainda iniciante Motown Records, e não demorou para que mais um nome fosse integrado ao time.

Durante a década de 60, Marvin Gaye foi quase um curinga na Motown, pois tocou bateria e fez vocais de apoio em gravações de outros artistas, compôs músicas para os astros da casa, gravou duetos com as cantoras Mary Wells, Kim Weston e Tammy Terrell e também gravou seus próprio sucessos, entre os quais I Heard It Through The Grapevine, Hitch Hike e How Sweet It Is (To Be Loved By You).

Em 1970, o artista de temperamento forte não aguentava mais ser tutelado pela linha de montagem da Motown, e mostrou a Berry Gordy uma canção que pretendia gravar, com forte conteúdo social, chamada What’s Going On. O chefão não queria saber daquilo, mas Gaye bateu o pé e ameaçou sair fora da gravadora se não passasse a ter total liberdade artística. Ele ganhou a queda de braço e mudou a Motown Records.

Foi bom para todos. What’s Going On, o single e o álbum, saíram em 1971 rumo ao topo das paradas de sucesso, vendendo muito e arrancando elogios da crítica especializada. Logo a seguir, Let’s Get It On (1973), repleto de sensualidade, consolidou de vez esse período positivo de sua carreira, com a canção título tomando conta dos charts de todo o mundo.

Um certeiro álbum gravado em dupla com Diana Ross (Diana & Marvin-1973) e a estupenda trilha para o filme Trouble Man (1972- incluindo o matador single Don’t Mess With Mr.’T’) davam provas de que o céu parecia ser o limite para a criatividade e popularidade do astro. No entanto, os anos seguintes iriam encaminhá-lo rumo a uma crise cujo auge foi a separação de Anna Gordy, que gerou um dos álbuns baseado em separação mais tristes de todos os tempos, o pungente Here My Dear (1978).

Após um exílio na Europa, problemas de saúde gerados pelo consumo excessivo de drogas e outras encrencas do gênero, ele saiu da Motown e parecia jogado para escanteio pela indústria musical. Até que os executivos da Columbia Records resolveram apostar em Marvin, e se deram bem. Pena que sua morte prematura tenha reduzido esse retorno triunfal proporcionado pela estimulante Sexual Healing.

Marvin Gaye foi um artista completo. Cantor de incríveis recursos técnicos, compositor refinado e sempre ladeado por parceiros do primeiro time, músico dos bons, ótimo performer em shows, ele continua sendo influência para as novas gerações, pois sua discografia é certamente uma das mais consistentes da música pop como um todo. Feliz aniversário!

Don’t Mess With Mr.’T’, com Marvin Gaye:

Smokey Robinson grava com Randy Jackson

Por Fabian Chacur

Após deixar a bancada de jurados do reality show musical American Idol, Randy Jackson retomará a carreira de produtor em grande estilo. Segundo notícia veiculada pelo site americano da Billboard, ele irá o produzir o próximo álbum de ninguém menos do que Smokey Robinson, um dos grandes gênios da história da música pop.

E não será um álbum qualquer. O trabalho marcará a estreia de Robinson no selo Verve, da Universal Music, e tem como conceito a reunião do cantor com grandes nomes da música pop da atualidade e de outras gerações. A contratação ocorreu em março via David Foster, atual presidente do selo e também experiente produtor musical.

Os nomes que irão cantar com Smokey no álbum ainda não foram divulgados, mas a expectativa é de que o trabalho seja lançado ainda em 2013. O repertório terá composições do astro gravadas anteriormente por ele mesmo e também por The Miracles, Temptations e Marvin Gaye. Só clássicos do pop.

Nascido em 19 de fevereiro de 1940, Smokey Robinson foi o braço direito de Berry Gordy quando da fundação da Motown Records, e integrou o grupo vocal The Miracles até a metade dos anos 70, gravando com eles hits inesquecíveis como The Track Of My Tears, I Second That Emotion e Going To a Go-Go, entre inúmeros outros.

Ao sair do grupo, mergulhou em uma bem sucedida carreira solo que rendeu sucessos certeiros do naipe de Quiet Storm, Cruisin’, Just To See Her e One Heartbeat. Além de ter um dos falsetes mais belos da história da música, ele também é um grande compositor, tendo como fãs gente do gabarito de Bob Dylan.

Ouça One Heartbeat, com Smokey Robinson, hit de 1987:

Coletânea traz James Brown no Apollo Theater

Por Fabian Chacur

Há artistas que ficam ligados eternamente a determinados locais onde se apresentaram ao vivo. A parceria entre James Brown (1933-2006) e o lendário Apollo Theater, situado no Harlem, Manhattan, Nova York, é o caso mais explícito dessa verdadeira comunhão. A coletânea Best Of Live At The Apollo: 50th Anniversary, que acaba de sair no Brasil em CD, celebra um dos marcos da rica e intensa relação entre eles.

Em sua extensa carreira, o cantor, compositor e músico americano se apresentou mais de 600 vezes no teatro Apollo. Em 24 de outubro de 1962, um desses shows foi registrado e lançado em maio de 1963 no formato LP de vinil com o título Live At The Apollo. O trabalho é considerado um dos melhores álbuns ao vivo de todos os tempos, e vendeu muito, tornando-se um dos itens mais badalados de sua extensa e rica discografia.

Em 1968, chegou às lojas Live At The Apollo Vol II, enquanto um terceiro volume, com o título Revolution Of The Mind: Recorded Live At The Apollo Vol III saiu em 1971. O quarto volume deveria ter chegado às lojas em 1972 com o nome Get Down At The Apollo With The J.B.’s, mas acabou sendo cancelado e infelizmente permanece inédito até hoje.

Best Of Live At The Apollo: 50 Anniversary é uma coletânea que comemora os 50 anos do lançamento do primeiro álbum da série, e traz quatro faixas dele, três do volume II, três do volume III e duas do inédito IV, com direito a um belíssimo encarte colorido com informações técnicas, texto informativo e lindas fotos.

A compilação funciona como uma pequena amostra da evolução da carreira do Mister Dinamyte. Em 1962, ele era ainda “apenas” um grande cantor de soul music e rhythm and blues, como comprovam Try Me e I’ll Go Crazy. Talentoso e vigoroso, mas não muito distante da média dos papas daqueles estilos musicais.

No volume 2, as sensacionais There Was a Time e Cold Sweat apresentam um artista absolutamente original criando a funk music, com direito a muita sensualidade nos vocais, metais certeiros, cozinha rítmica compassada e guitarras totalmente dedicadas ao balanço. Aquele som energético e poderoso para suar até cair de tanto dançar.

A parte final do álbum, com as gravações referentes a 1971 e 1972, apresentam a consolidação desse funk de verdade, com direito às empolgantes Sex Machine, Get Up Get Into It Get Involved, Soul Power e There It Is. Uma massa sonora absolutamente espetacular, dançante e que influenciou todo mundo na área, de Michael Jackson e Prince a quem você imaginar.

A única queixa a ser feita em relação a Best Of Live At The Apollo é a sua duração. São só 40 minutos de música. Daria para encaixar pelo menos mais 30 minutos sem qualquer tipo de problema. Mas como se trata de um aperitivo, tenha a duração que tiver, acho que este CD possui a mesma função: fazer você ficar a fim de mergulhar na discografia desse mestre.

Ouça There Was a Time, com James Brown:

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