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Ian McLagan e Bobby Keys, as novas perdas do rock ‘n’ roll

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Por Fabian Chacur

O mundo do rock and roll tomou duas pauladas daquelas nos últimos dias, com a perda de grandes músicos relacionados aos Rolling Stones. Nesta terça (2), deixou-nos o saxofonista americano Bobby Keys. Quando ainda não havíamos nos recuperado do baque, eis que surge a notícia nesta quarta (3) da morte do tecladista britânico Ian McLagan. Um luto daquele tamanho.

Bobby Keys tinha 70 anos de idade, e nasceu na cidade americana de Lubbock, Texas, no dia 18 de dezembro de 1943, mesmo dia, mês e ano do britânico Keith Richards. Ainda adolescente, tocou em shows com o mais famoso músico surgido em sua cidade natal, o genial Buddy Holly e sua banda The Crickets. E foi uma canção dessa banda que o fez conhecer os Rolling Stones.

Lá pelos idos de 1965, ele ouviu o emergente grupo de Mick Jagger tocando Not Fade Away, clássico de Buddy Holly. Em um primeiro momento, achou que os caras estavam querendo faturar em cima da obra do seu saudoso amigo. Ao prestar mais atenção, sacou que a banda era boa, e que realmente curtia de coração o rock americano.

No fim dos anos 60, ele já havia ficado amigo de Jagger e especialmente de Richards, que logo percebeu que Key não era apenas um colega de data de nascimento, e sim uma espécie de irmão espiritual. O saxofonista participou de inúmeras turnês dos Stones, com quem tocou até o início de 2014, quando teve de parar por problemas de saúde.

O músico participou de álbuns seminais da discografia das Pedras Rolantes, entre os quais Let It Bleed (1969), Sticky Fingers (1971) e Exile On Main Street (1972). É dele um dos solos mais marcantes de sax de todos os tempos, o de Brown Sugar, que segundo Keith Richards foi gravado em apenas um take. Ele também gravou o solo de Whatever Gets You Through The Night, sucesso de John Lennon e Elton John lançado em 1974 no álbum Walls And Bridges, do ex-beatle.

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Também é bastante elogiado, embora não tenha feito sucesso comercial, o álbum solo que Bobby Keys lançou em 1972 que contou com as participações especiais de George Harrison, Jack Bruce, Leslie West, Dave Mason e Ringo Starr, entre outros. Curiosidade: a faixa Bootleg pode ter inspirado Tim Maia a compor Sossego, anos depois, pois a melodia é praticamente a mesma (valeu pelo toque, Zeca Azevedo!).

Por sua vez, o britânico Ian McLagan nasceu em 12 de maio de 1945, e ficou conhecido por integrar os Small Faces, de hits como Itchycoo Park. Quando o cantor e líder do grupo, Steve Marriott, saiu fora para montar o Humble Pie com o cantor e guitarrista Peter Frampton, McLagan e seus colegas Kenney Jones e Ronny Lane se uniram a Rod Stewart e Ron Wood para fundar os Faces.

A nova banda ajudou Rod Stewart a se tornar um dos grandes astros do rock, e nos proporcionou grandes momentos de um rock energético, básico e repleto de grandes momentos. No entanto, Rod The Mod ficou maior do que a banda, saiu fora para se dedicar em tempo integral a uma carreira solo, e os Faces acabaram ficando pelo caminho em 1975.

É aí que Ian McLagan entra no caminho dos Rolling Stones, participando de alguns shows e também de discos do grupo. O meu favorito com ele nos teclados é provavelmente o genial Some Girls, no qual tem participação de destaque tocando piano elétrico no grande hit Miss You. Ele também tocou com Chuck Berry, Bruce Springsteen e Bob Dylan, entre inúmeros outros de mesma envergadura. O cara trabalhava muito.

Ian lançou em 2000 uma autobiografia contando suas histórias roqueiras, intitulada All The Rage: A Riotous Romp Through Rock & Roll History, enquanto Bobby nos apresentou seu livro de memórias mais recentemente, em 2012, o elogiado Every Night’s a Saturday Night, cujo prefácio foi assinado por Keith Richards, que por sinal o cita com destaque em sua própria autobiografia, Life.

Bootleg – Bobby Keys:

Miss You- The Rolling Stones:

Brown Sugar – The Rolling Stones:

2 Comments

  1. vladimir rizzetto

    December 4, 2014 at 10:20 pm

    Que pena, Fabian.
    Que geração fenomenal de músicos é essa! Essa turma que nasceu na década de 1940 e início dos anos de 1950 representam o que há de melhor no rock e no pop. São imbativeís, mas são mortais…
    Foram-se os autores e protagonistas, mas ficaram suas obras.

    Grande abraço, Fabian!

  2. admin

    December 5, 2014 at 7:29 pm

    Concordo com você, Vladimir. É uma geração impressionante em termos de talentos musicais. Ele são mortais como nós, mas suas obras permanecerão aí, perenes e relevantes, para nossa alegria. Grande abraço para você também, e muito obrigado pela visita qualificada!!!

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