Mondo Pop

O pop de ontem, hoje, e amanhã...

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Tony Babalu, o sujeito que nos faz viajar com seu som inspiradíssimo

tony babalu no quarto de som

Por Fabian Chacur

Bom dia, boa tarde, boa noite, caro leitor. Como vai você? O astral não anda dos melhores? Precisa de uma droga lícita que dê uma melhorada no seu momento? Pois Mondo Pop vai te dar uma dica que você certamente agradecerá por muito tempo. É simples. Ouça agora, no volume que for mais conveniente para sua audição, o EP No Quarto de Som…, já disponibilizado nas plataformas digitais pelo grande, genial, encantador e uns mil adjetivos mais Tony Babalu, um dos grandes músicos do rock brasileiro (leia mais sobre ele aqui). São 15 minutos de puro êxtase sonoro. Sem exagero!

Se sempre teve como marca a extrema habilidade e sensibilidade como guitarrista nessas suas quase cinco décadas na ativa como músico profissional, Babalu tem se mostrado absurdamente inspirado em sua maturidade. No Quarto de Som… nos oferece cinco faixas inéditas nas quais ele prova mais uma vez que rock instrumental é não só uma vertente musical viável como também pode te cativar sem cair em exageros tecnicistas ou masturbação sonora à luz da lua. Não, meu amigo. Aqui, quem manda é a música.

Tony Babalu se mostra um servo do som, das melodias, dos timbres, colocando todo o seu extenso ferramental técnico à serviço de cada uma dessas composições. Aqui, ele equivale ao “exército de um homem só”, pilotando não só a sua icônica guitarra como também violões e diversos outros instrumentos. A ajuda ficou por conta da mixagem e masterização, a cargo dos craques Marcelo e Beto Carezzato, do célebre Carbonos Studio, em Sampa City. De resto, é só ele mesmo, se virando nos 30 como poucos seriam capazes de fazer.

A festa começa com a energética Recomeço, uma espécie de tecnobossa com um arranjo simplesmente espetacular. Impressionante como Babalu é cirúrgico na entrada em cena de cada sonoridade que desenvolve nessa e nas outras faixas. São pinceladas de um Picasso, um Rembrandt, um Van Gogh, espalhando sua inspiração em doses certeiras, e gerando dessa forma um todo inseparável, perfeito e deliciosamente digerível pelo ouvinte.

A bela balada soft rock a la James Taylor Lara é dedicada àqueles que já tiveram a triste experiência de perder um animal de estimação. Por sua vez, Tropical Mood vem com um molho saleroso de pura latinidade e ecos do poderoso Carlos Santana, só que no melhor Babalu style, sem cópias ou diluições.

Reflexo incorpora elementos de r&b eletrônico e rock com direito a swing e energia compassada. A faixa que encerra o EP, Francisca, teve como inspiração a saudosa mãe do músico, e tem no baião o seu DNA, inserido em um contexto roqueiro e delicado com rara felicidade pelo guitarrista.

Em um momento no qual passamos a maior parte do tempo em nossos lares, nada melhor do que ouvir músicas que nos levam a viajar, a sonhar com dias melhores, a recordar momentos importantes e de, simplesmente, ter aquele prazer incontrolável e delicioso. No Quarto de Som… equivale a um energético envolvente com sabor de quero mais. Para ouvir, ouvir, ouvir…

Recomeço– Tony Babalu:

Gibson Records inicia atividades e lançará discos de Slash e outros

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Por Fabian Chacur

Durante décadas, a marca Gibson foi imediatamente associada às guitarras elétricas, instrumento que ajudou a desenvolver e cujos modelos Les Paul e SG se encontram entre os mais icônicos do setor. A partir de agora, a empresa americana situada na Music City em Nashville, Tennessee (EUA) pretende também entrar com força na área das gravações com a Gibson Records, selo que está criando em parceria com a gravadora BMG. O 1º artista que fará lançamentos pela empresa será ninguém menos do que Slash, do Guns N’ Roses.

“É uma honra ser o primeiro lançamento na nova Gibson Records”, afirma Slash. “É certamente um auge na nossa parceria e, tendo trabalhado diretamente com eles por tanto tempo, eu sei que eles, como gravadora, vão genuinamente apoiar seus artistas. Não só a mim, mas qualquer artista com os quais eles venham a trabalhar. É perfeito”. Slash também lançou há pouco uma releitura de Rocket Man, clássico setentista de Elton John e Bernie Taupin, para a trilha do filme Stuntman, da Disney, disponível na plataforma Disney+.

O projeto do selo amadureceu nos últimos dois anos e meio, e deverá envolver músicos patrocinados pela Gibson, os chamados “endorsers”, cujos nomes serão divulgados oportunamente. Além de guitarras, a Gibson também ficou famosa por seus violões, baixos, mandolins e outros instrumentos. Slash e Angus Young (AC/DC) são alguns dos inúmeros músicos que se valeram e ainda se valem de instrumentos dessa marca com sucesso.

Rocket Man– Slash + Myles Kennedy & The Conspirators:

Givin’ It Back- The Isley Brothers (1971-T Neck-Buddah Records)

givin it back the isley brothers

Por Fabian Chacur

Como reler músicas alheias e ser autoral ao mesmo tempo? Eis uma bela questão que só artistas com muito talento conseguem responder a contento. E é essa a marca registrada de Givin’ It Back (1971), álbum lançado pelo grupo americano The Isley Brothers há 50 anos no qual eles mergulham em canções de Neil Young, Jimi Hendrix, James Taylor, Stephen Stills, Bill Withers, Bob Dylan e do grupo War de forma tão sensível e original que parecem ter sido os seus compositores. Um marco em sua brilhante trajetória de mais de 60 anos.

Para situar melhor o leitor em relação à importância deste álbum na carreira do grupo, vale uma pequena viagem na trajetória deles até então. Em 17 de abril de 1956, os irmãos Ronald, Rudolph e O’Kelly Isley saíram de sua cidade natal, Cincinnati, Ohio (EUA) rumo a Nova York, com respectivamente 15, 17 e 18 anos de idade. A ideia era ampliar seus horizontes profissionais, eles que começaram cantando em igrejas acompanhados pela mãe Sally Bernice e ao lado do irmão Vernon, morto em um acidente de carro em 1954.

Após lançamentos de pouco impacto por selos sem expressão, eles conseguiram assinar com a RCA, e por lá lançaram em 1959 seu primeiro hit, Shout, composta por eles a partir de um impolgante improviso que faziam em seus shows na parte final de sua interpretação de Lonely Teardrops, hit na voz do cantor Jackie Wilson. O single, produzido por Hugo Peretti e Luigi Creatore (que trabalharam com Elvis Presley e The Stylistics, entre outros), atingiu a posição de número 47 na parada americana de single.

Logo a seguir, uma curta passagem pela Atlantic Records não lhes rendeu grandes frutos. Eles voltaram aos charts em 1962 ao gravar Twist And Shout, composição de Bert Berns que havia passado batida na gravação original dos Top Notes no ano anterior. Com os irmãos Isley e produzido por Berns para o selo Wand, essa canção atingiu o 17º posto na parada pop e os levou para os quatro cantos do mundo, ao ponto de ser regravada com muita energia pelos Beatles em seu álbum de estreia, Please Please Me (1963).

Em 1964, os Isley Brothers resolveram tentar a sorte por conta própria, lançando o selo T Neck, com distribuição a cargo da Atlantic. O single de estreia, Testify Pts. 1 & 2, teve a participação de um jovem guitarrista que integrava a banda de apoio deles, um certo Jimi Hendrix. A fraca repercussão os levou a novamente arriscar na própria Atlantic, mais uma vez sem sucesso. Até que conseguiram realizar um sonho.

Em 1965, a maior parte dos músicos negros almejava gravar na Motown Records, casa de astros como The Temptations, The Four Tops, The Supremes, The Miracles e tantos outros. No fim daquele ano, os irmãos de Ohio assinaram com aquela gravadora, e viram a sorte brilhar novamente para eles com o matador single This Old Heart Of Mine (Is Weak For You), do consagrado trio de compositores Holland-Dozier-Holland, que os levou ao 12º posto entre os mais vendidos nos EUA. Agora, vai, diriam você. Bem…

Mais uma vez, Ronald e seus manos tiveram de engolir uma grande decepção, pois a gravadora de Berry Gordy não os encarou como prioritários, e, mesmo gravando por lá até meados de 1968, não mais obteve êxitos. Ao sentir que o sonho estava virando pesadelo, o trio resolveu dar uma espécie de cartada final, e reativaram o selo T Neck, com o espírito “antes prioridade no selo próprio do que ser do segundo escalão em uma gravadora major”.

Aposta alta, retorno alto. Em 1969, It’s Your Thing, uma faixa efervescente com ecos do que viria a ser a funk music nos anos 1970, virou um verdadeiro rastilho de pólvora nas programações de rádios e em vendas, atingindo o 2º lugar na parada pop de singles ianque. Essa música traz um marco dos mais importantes: a eletrizante linha de baixo foi executada com maestria por um irmão mais novo, Ernie, de apenas 19 anos.

Ernie já era figurinha carimbada nos ensaios e gravações do grupo, conferindo e aprendendo os macetes, tal qual um verdadeiro estagiário. Ele até trocou figurinhas com Jimi Hendrix nos meses em que o genial músico esteve como músico de apoio da banda. Depois dessa estreia promissora, ele aos poucos foi marcando presença em gravações e shows como guitarrista (ele também toca, e bem, bateria), e abrindo espaços para outro irmão, o baixista Marvin, e um primo, o tecladista Chris Jasper, todos da mesma geração.

Isso foi mudando a estrutura dos Isley, que no início eram um grupo vocal que se valia de músicos de estúdio nas gravações e bandas de apoio que iam mudando de tempos em tempos, nos shows. Com os três garotos se mostrando aptos para novos voos, Ronald, Rudolph e O’Kelly foram abrindo espaços para eles. E o grande marco dessa alteração no coração da banda tem como marco fundamental exatamente o álbum Givin’ It Back.

O time escalado para atuar no álbum reunia os seis irmãos e o baterista e percussionista George Moreland, com participações em algumas faixas de Buck Clarke e Gary Jones (congas), John Mosley (flauta) e Chester Woodward (guitarra base). A produção foi assinada pelos irmãos mais velhos, com os arranjos musicais ficando a cargo do grupo como um todo em parceria com o produtor e multi-instrumentista George Patterson.

A grande sacada de Givin’It Back foi a escolha de repertório. Os Isleys sempre se dividiram entre canções autorais e releituras alheias. Aqui, no entanto, resolveram se concentrar apenas em composições de outros artistas, todas bem recentes (de 1969 a 1971), e de autores que ninguém associaria de imediato a eles, como James Taylor, Neil Young, Bob Dylan e Stephen Stills (duas). O velho amigo Jimi Hendrix, que havia morrido há pouco, o então emergente Bill Withers e o grupo Eric Burdon & War completaram a lista.

Embora grupos e artistas negros regravassem na época canções de compositores brancos, como Lennon & McCartney, por exemplo, uma seleção como essa feita pelos Isleys soou como absolutamente inovadora, pois trazia como objetivo não só quebrar barreiras raciais, como também apostar na integração entre as pessoas e abordar temas importantes. A intenção aqui não era só “regravar sucessos para também fazer sucesso e ganhar um bom dinheiro”, mas divulgar mensagens relevantes de uma forma criativa em termos artísticos.

Com performances brilhantes dos músicos, o disco ganha ares de conceitual em termos de refletir de forma inspirada a época em que foi feito, com a Guerra do Vietnã comendo solta, a violência dando as suas cartas, o sonho hippie de paz, amor e música e as incertezas do dia-a-dia. Essas característica ficarão mais claras em uma análise detalhada de cada uma das faixas de Givin’ It Back.

Givin’ It Back faixa a faixa

Ohio (Neil Young)/ Machine Gun (Jimi Hendrix)Ohio foi lançada pelo grupo Crosby, Stills, Nash & Young em 1970 em um compacto simples, enquanto Machine Gun saiu em 1970 no álbum Band Of Gypsys.

O álbum não poderia ser aberto de forma mais impactante do que com esse brilhante pot-pourry incluindo duas músicas que, sob ângulos diferentes, equivalem a polaroids da violência reinante naquele momento e que tinha os jovens como principais vítimas. A composição de Neil Young foi escrita, gravada e lançada a toque de caixa, dias após tropas governamentais matarem a sangue frio quatro estudantes em Ken State, Ohio (estado natal dos Isleys).

Por sua vez, a canção de Hendrix colocava a metralhadora como protagonista, a terrível arma que estava matando a rodo naquele momento os inexperientes soldados a troco de nada no distante Vietnã.

A forma como os Isleys uniram as duas músicas foi absolutamente genial, pois incorpora elementos musicais de ambas, incluindo a batida marcial que evoca o militarismo, e gera uma unidade avassaladora. Também interessante é a abordagem de Ronald para esse material. Enquanto Neil Young e Jimi Hendrix cantam com nítida raiva seus versos, o cantor do grupo americano investe na compaixão e na empatia. Toda vez que ele solta um “don’t shot!” (não atire em tradução livre) a gente sente na alma a dor desses mortos sem razão.

A curiosidade fica por conta de uma sutil alteração na letra de Ohio que não costuma ser muito comentada. Enquanto o autor vai de “Tin soldiers and Nixon’s comin'” (soldados de lata e Nixon estão chegando), Ronald canta “Tin soldiers, I hear them coming” (soldados de lata, eu os ouço chegando) e também “Tin soldiers with guns are coming” (soldados de lata com armas estão chegando).

Fica a pergunta no ar: teriam os Isley Brothers ficado com medo de confrontar diretamente Richard Nixon, o presidente americano naquele momento e ainda com bastante popularidade? Seja como for, temos aqui um belíssimo libelo contra a violência sem sentido, contra a violência das guerra, e também a favor da paz. Calma, violência!

Também vale destacar a sólida linha de baixo desenvolvida por Marvin, e a bela adaptação feita por Ernie do solo de Neil Young na gravação original do CSN&Y.

Fire And Rain (James Taylor)– Lançada pelo autor no LP Sweet Baby James (1970).

Uma das canções mais impactantes e pessoais da carreira de James Taylor, Fire And Rain fala sobre drogas e problemas mentais, e aqui aparece com um arranjo genial e swingado na melhor tradição das baladas soul-funk. Alguns trechos remetem à psicodelia da fase Norman Whitfield dos Temptations, bela sacada pela costumeira associação do som psicodélico com as drogas. A versão do autor é definitiva, mas esta aqui fica bem próxima. A performance de Chris Jasper nos teclados também merece destaque.

Lay Lady Lay (Bob Dylan)– Lançada pelo autor no álbum Nashville Syline (1969).

A canção romântica estradeira de Dylan ganha aqui contornos de latinidade, envolvendo o ouvinte de forma hipnótica em seus mais de dez minutos de duração, e com direito a vocalizações encantadoras. Sim, Ronald é o líder vocal, mas as intervenções dos irmãos Rudolph e O’Kelly são sempre certeiras. O momento mais slow jam do álbum, aquelas canções black que gostamos de ouvir com o nosso parceiro-parceira ao lado para curtir junto, seja como for.

Spill The Wine (War)– Lançada por Eric Burdon & War em seu álbum de estreia, Eric Burdon Declares War (1970).
O ex-cantor dos Animal (o britânico Eric Burdon), o dinamarquês Lee Oskar e seis geniais músicos negros norte-americanos criaram no final dos anos 1960 Eric Burdon & War, banda integrando raças sem medo de ser feliz e com muita criatividade musical. A versão dos Isley Brothers de seu maior hit é bem semelhante à gravação original, com direito a muita percussão, ritmo envolvente e “salerosidade” latina.

Nothing To Do But Today (Stephen Stills)– Lançada pelo autor no álbum Stephen Stills 2 (1971).
O segundo álbum-solo do integrante do Buffalo Springfield e do Crosby, Stills, Nash & Young havia saído há pouco, e a escolha de uma de suas faixas pelos Isleys demonstra sua ousadia e atenção ao que estava ocorrendo na cena musical naquele momento. Um rock com pegada percussiva cuja letra enfoca a natureza incerta da trajetória dos músicos, sempre enfatizando em seu refrão que “não temos nada para com que nos preocuparmos além do hoje”.

Cold Bologna (Bill Withers)– Canção até então inédita, que o autor só gravaria em 1973 no álbum duplo ao vivo Live At The Carnegie Hall, em pot-pourry com outra canção e o título Harlem/ Cold Baloney.
Bill Withers estava em vias de estourar com canções como Ain’t No Sunshine e Lean On Me, e viu essa sua composição inédita ser gravada pelos Isleys, com ele se incumbindo da guitarra-solo. Com uma levada balançada e percussiva, Cold Bologna traz o relato de uma criança cuja mãe trabalha na casa de uma família rica, mas que ao chegar em casa só tem a oferecer ao filho e família sanduíches frios de mortadela com maionese para o jantar. O filho, em sua ingenuidade, nem reclama, e até comenta que “se os patrões da minha mãe não comessem toda os bifes, ela certamente traria um pouco para nós”. Tocante, uma canção agridoce do mais alto gabarito.

Love The One You’re With (Stephen Stills)– Lançada pelo autor no seu álbum Stephen Stills (1970).
O maior hit do 1º disco-solo do integrante do CSN&Y mantém a sua levada latina-percussiva e a ênfase em um refrão contagiante. A letra é de um pragmatismo absoluto, tendo como mote “se você não está com quem você ama, ame a pessoa com quem você está”. Lançada em single, trouxe de novo os Isley Brothers às posições mais proeminentes dos charts, atingindo o 18º lugar na parada pop americana. Belo final para um álbum impecável.

Lançado em 25 de setembro de 1971 (data de meu aniversário de 10 anos, por sinal), Givin’ It Back atingiu a 71ª posição na parada pop e a de nº 13 na de r&b. A partir deste trabalho, o grupo passaria a mesclar composições próprias com releituras do pop rock daquele momento (Seals & Crofts, Todd Rundgren, The Doobie Brothers) sempre com os seis irmãos no time. Com a mudança da distribuição de seus discos passando da pequena Buddah para a major CBS em 1973, eles invadiriam de vez as paradas de sucesso e enfim viveriam seus anos de ouro em termos comerciais e também artísticos.

Ouça Givin’ It Back na íntegra em streaming:

Dusty Hill, 72 anos, o baixista barbudo do lendário ZZ Top

dusty hill

Por Fabian Chacur

Nenhuma banda parecia mais inadequada para estourar na MTV do que o ZZ Top nos anos 1980. Três músicos feiosos, tocando rock básico e sem nenhum apelo visual em plena era do tecnopop, da new wave, do r&b eletrônico? Sem chances! No entanto, graças especialmente a seus clipes envenenados, o trio texano conseguiu vender milhões de discos e virar queridinho da emissora musical. Seu baixista, Dusty Hill, infelizmente nos deixou nesta quarta-feira (28) aos 72 anos, segundo informações de seus agora ex-colegas de banda.

O grupo, por sinal, fez há três dias o seu 1º show sem Dusty, que havia alegado problemas nos quadris para não participar da performance na cidade de New Lennox, Illinois (EUA), substituído pelo técnico de guitarras da banda há muitos anos, Elwood Francis. A causa de sua morte não foi revelada, mas ele teria feito a passagem dormindo, segundo o mesmo comunicado oficial da banda.

O grupo iniciou sua trajetória em 1969 em Houston, Texas, e consolidou sua formação clássica no ano seguinte, com Billy F. Gibbons (guitarra e vocal), Dusty Hill (baixo) e Frank Beard (bateria). Seu álbum de estreia, ZZ Top’s First Album, saiu em 1971. O sucesso veio a partir do 3º trabalho, Tres Hombres (1973), que atingiu o 3º lugar na parada americana.

Sua sonoridade, um blues rock com pegada dançante apelidada de boogie, foi aos poucos lhes valendo um público fiel, sempre presentes aos shows energéticos e pra cima. Como marcas registradas, as imensas barbas de Hill e Gibbons, os óculos escuros e os chapéus modelo Stetson.

Nos anos 1980, o trio deu uma renovada no som acrescentando teclados eletrônicos, mas sem deixar de lados as raízes texanas de seu rock. A grande sacada para encarar a “geração MTV” foi a gravação de clipes para divulgar músicas como Legs e Sleeping Bag repletos de mulheres bonitas, motos envenenadas e carrões, além dos cactos típicos do Texas. Dessa forma, o álbum Eliminator (1983) vendeu mais de 10 milhões nos EUA. Afterburner (1985) passou dos 5 milhões de cópias nos EUA.

O grupo marcou presença no filme De Volta Para o Futuro III com a música Doubleback em 1990. A partir daí, passou a gravar de forma mais espaçada, embora seus shows continuassem a atrair grandes plateias. Eles fizeram shows no Brasil em 2010, e seu disco mais recente de estúdio, La Futura, saiu em 2012, e atingiu o 6º posto na parada ianque. Houve uma perspectiva de eles voltarem ao nosso país em 2020 para shows em parceria com o Def Leppard, mas a turnê foi cancelada por causa da pandemia do novo coronavírus.

Legs (clipe)- ZZ Top:

Os Incríveis mostram seus hits em show no Teatro Eva Wilma (SP)

Os-Incríveis-foto-Mila-Maluhy

Por Fabian Chacur

O meio artístico foi um dos mais prejudicados pela pandemia do novo coronavírus, especialmente pela paralisação dos shows presenciais. Embora ainda em meio a muitas dúvidas e insegurança por parte de público e autoridades sanitárias, aos poucos vemos tímidas tentativas de retomada no setor. Uma delas ocorre no dia 7 de agosto (sábado) às 22h em São Paulo e terá como protagonista o grupo Os Incríveis. O local será o Teatro Eva Wilma (rua Antonio de Lucena, nº 146- Tatuapé- whatsApp (0xx11)93238-6758), com ingressos a R$ 60,00 (meia) e R$ 120,00 (meia).

A produção do evento promete seguir todos os protocolos sanitários exigidos, como a exigência do uso de máscaras por todos, a medição de temperatura antes da entrada no teatro e também a disponibilização do álcool em gel. Os ingressos só serão vendidos online, e não ocorrerá o tradicional encontro entre o grupo e os fãs após o final da apresentação, que deve durar em torno de 1h30.

A cautela se faz necessária, como bem sabe o único integrante da formação original da banda, o baterista Netinho, que nos últimos anos tem a seu lado o filho Sandro Haick (guitarra), Leandro Weingaertner (baixo e vocal) e Rubinho Ribeiro (guitarra e vocal). Em depoimento enviado à imprensa, ele comenta sobre o fato de ter contraído essa terrível doença: “Não só é muito emocionante voltar aos palcos após esse ano e meio de confinamento, mas principalmente pela grande benção recebida de Deus por ter me recuperado totalmente do grave quadro de Covid que passei em julho do ano passado”.

Na estrada desde a década de 1960, Os Incríveis se consagraram perante o grande público graças ao talento de seus músicos e da versatilidade musical, tendo sempre o rock como a base de tudo. No repertório deste show, eles farão uma viagem por esses anos todos, com direito a hits como Era Um Garoto Que Como Eu Amava Os Beatles e os Rolling Stones, O Vendedor de Bananas, O Milionário e Marcas do Que Se Foi, entre outros.

Vendedor de Bananas (ao vivo)- Os Incríveis:

Amy Winehouse partiu há 10 anos e deixou uma bela herança

amy winehouse

Por Fabian Chacur

Quando trabalhei no canal de música do portal R7, entre julho de 2009 e junho de 2011, lembro muito bem que uma de nossas principais fontes de notícias era uma certa Amy Winehouse. Eu brincava comigo mesmo de que tínhamos por volta de umas cinco ocorrências diárias envolvendo essa cantora, compositora e musicista britânica. Quando ela fez shows no Brasil, no início de 2011, isso aumentou ainda mais. Parece irônico pensar que meu fim naquela empresa ocorreria tão próximo ao da vida dela. Dia 1º de julho, adeus R7. No dia 23 de julho, Amy se foi. Triste, nos dois casos, pelas circunstâncias. Vamos às da cantora de Rehab, que é o que interessa aqui.

Sejamos francos logo de cara: a morte prematura de uma das grandes estrelas da música mundial não surpreendeu a ninguém. Chocou, emocionou, tocou, mas não surpreendeu. Afinal de contas, estava claro que o sucesso e o assédio de público e principalmente de mídia não eram devidamente administrados por ela. Parece óbvio que, se pudesse escolher, Amy teria preferido cantar em bares, para poucos sortudos, sem se expor. Mas como seria isso possível, com tanto talento e carisma? E tem aquela coisa da “artista certa na hora certa”.

Quando Amy Winehouse estourou mundialmente com seu segundo álbum, Back To Black (2006), ela deu um verdadeiro chega pra lá nas cantoras pop mais certinhas e de eventual rebeldia fabricada, mergulhando fundo em uma sonoridade resgatada dos anos 1960 de grupos vocais como The Shangri-las, Shirelles e no qual era preciso saber cantar, como bem sabia Ronnie Spector, uma de suas principais influências.

O coquetel soul-jazz-pop proposto por Winehouse não tinha ninguém da nova geração com acesso às grandes gravadoras passível de competir com ela. Graças ao apoio que encontrou nos produtores Mark Ronson e Salaam Remi, pôs para fora um trabalho impactante que conseguia ser acessível ao grande público e também ao mais sofisticado. Frank (2003) equivaleu a uma boa estreia, mas Back to Black foi muito além, entupindo a artista de prêmios, milhões de cópias vendidas mundo afora e do holofote da mídia.

Não por acaso, Amy Winehouse nos deixou aos 27 anos, mesma idade de saída de cena de Jimi Hendrix, Janis Joplin, Jim Morrison, Brian Jones e Kurt Cobain, só para citar alguns integrantes notórios desse clube macabro. Qual seria a explicação? Vale lembrar que existem vários livros sobre o tema, e uma das explicações defendidas é a do fato de esses artistas serem expostos de forma muito intensa ao trinômio sexo-drogas-rock ‘n roll acrescido de muito dinheiro também, o que os afastou de uma vida minimamente regrada que fosse.

Muitos artistas expostos a esses excessos que eram cotados como possíveis vítimas precoces ultrapassaram de longe essa idade fatal, como Keith Richards, Mick Jagger, Lou Reed, David Bowie e tantos outros. Cada um sabe onde dói o seu calo, como diriam os antigos. Mas o fato é que tanta adulação e tanto abuso de limites impõem preços que podem ser cobrados muito antes do que seria de se esperar. Especialmente se as suas companhias não forem das melhores…

Amy Winehouse nos deixou uma obra pequena, que tem mais itens póstumos do que os lançados enquanto ela ainda estava entre nós. No entanto, esse trabalho dificilmente será esquecido, embora seja difícil imaginar o surgimento de uma continuadora. Fica a lição de o quanto a vida pode ser breve e de o quanto precisamos nos cuidar para podermos viver mais e melhor. Mas o que vale mais, viver 27 anos no limite ou 80 de forma bovina e pastosa? Melhor não julgar ninguém, e curtir o legado de uma artista realmente maravilhosa.

Back To Black (live)- Amy Winehouse:

Lindsey Buckingham lança singles e promete álbum para setembro

lindsey buckingham 400x

Por Fabian Chacur

Após dar um grande susto nos fãs em 2019, com direito a ter de fazer uma cirurgia cardíaca, Lindsey Buckingham felizmente está saudável novamente. Melhor ainda: ele anunciou que lançará no dia 17 de setembro seu 1º álbum solo em 10 anos, o 1º desde que saiu do Fleetwood Mac. Autointitulado, o trabalho sairá pelo selo Reprise (da Warner Music) e acaba de ter mais uma faixa divulgada, On The Wrong Side. Anteriormente, a introspectiva e levemente psicodélica I Don’t Mind (ouça aqui) já havia criado boas expectativas em torno do álbum.

O novo trabalho sai exatamente uma década após o anterior, o ótimo Seeds We Sow (2011), e de certa forma celebra os 40 anos do lançamento de seu 1º álbum solo, o marcante Law And Order (1981), do qual faz parte seu maior hit fora do Fleetwood Mac, Trouble. Em comunicado à imprensa, ele falou sobre o que gira em torno de On The Wrong Side em termos criativos:

On the Wrong Side trata dos altos e baixos da vida na estrada com o Fleetwood Mac e mostra uma das letras mais reflexivas do álbum: “we were young, now we’re old / Who can tell me which is worse?” (em tradução livre: “éramos jovens, agora somos velhos / Quem pode dizer qual o pior?”). A música evoca Go Your Own Way, no sentido de que não é uma música feliz, no que diz respeito ao assunto, mas foi efervescente musicalmente”.

Como forma de divulgar seu sétimo álbum de estúdio, Buckingham fará uma turnê pelos EUA a partir do início de setembro que tem até agora 30 datas confirmadas. O cantor, compositor e guitarrista americano, aos 71 anos (completará 72 em 3 de outubro) felizmente parece pronto para encarar esses novos projetos com força total.

Eis as faixas do álbum Lindsey Buckingham:

1. Scream
2. I Don’t Mind
3. On The Wrong Side
4. Swan Song
5. Blind Love
6. Time
7. Blue Light
8. Power Down
9. Santa Rosa
10. Dancing

On The Wrong Side– Lindsey Buckingham:

Santana e G-Eazy participam do novo single de Diane Warren

Diana Warren por Nick Spanos-400x

Por Fabian Chacur

Os números em torno da trajetória profissional de quase 40 anos de Diane Warren são impressionantes. A compositora americana que irá completar 65 anos em 7 de setembro deste ano teve 32 músicas de sua autoria no top 10 da parada de seu país, sendo 9 delas no primeiro posto. Tem no currículo os prêmios Grammy, Emmy e Globo de Ouro, foi indicada em 12 ocasiões ao Oscar, liderou as paradas de sucesso do mundo todo e ainda ganhou o Ivor Novello, mais importante prêmio para um compositor no Reino Unido. Só faltava um disco solo. Não faltará mais, em breve.

The Cave Sessions Vol.1, que a gravadora BMG lançará em data ainda não divulgada, equivale a uma espécie de “disco de compositora”, pois reúne canções inéditas de Diane interpretada por grandes nomes do pop. Como amostra para o público em geral, acaba de ser lançada She’s Fire, deliciosa canção swingada com pegada hip-hip que traz como convidados o rapper G-Easy e o lendário guitarrista Carlos Santana. A colaboração deu muito certo, e deixa boas expectativas em torno do que virá por aí.

Entre outros hits, esta talentosa compositora ianque tem no currículo I Don’t Want To Miss a Thing (Aerosmith), Because You Loved Me (Céline Dion), Un-break My Heart (Toni Braxton), Rhythm Of The Night (DeBarge) e Nothing Gonna Stop Us Now (Starship). Músicas de sua autoria foram incluídas em mais de 60 trilhas de filmes. Em uma determinada semana dos anos 1980, ela chegou a ter sete composições suas, interpretadas por diferentes intérpretes, ao mesmo tempo no top 10 americano. Boa de números essa moça, heim?

She’s Fire (lyric video)- Diane Warren, Santana e G-Easy:

The War On Drugs lança clipe e promete álbum para outubro

the war on drugs capa 400x

Por Fabian Chacur

Em uma era na qual os artistas parecem surgir do dia para a noite, não deixa de ser legal ver alguém que está galgando aos poucos e de forma mais segura os degraus da fama. O alguém em questão é o cantor, compositor e guitarrista norte-americano Adam Granduciel. Ele, ao lado de alguns amigos, criou em 2005 na mítica Filadélfia a banda The War On Drugs. E foram bons anos até o sucesso chegar. Celebrando os frutos desses tempos de luz, ele, aos 42 anos, lança novo single, Living Proof, e anuncia que seu 5º álbum de inéditas sairá em 29 de outubro.

Fascinado por Bob Dylan e um assumido seguidor do autor de Like a Rolling Stone, Granduciel e seus asseclas lançaram três álbuns pelo selo independente Secretly Canadian- Wagonwheel Blues (2008), Slave Ambient (2011) e Lost In The Dream (2014), cativando aos poucos os fãs do rock alternativo com uma sonoridade mesclando folk, rock e country com um quê de psicodelia no meio.

Um convite da Atlantic Records os levou à gravadora multinacional, que lançou seu 4º álbum, A Deeper Understanding (2017). E esse trabalho os alçou ao estrelato, atingindo o 10º posto na parada americana e faturando, em 2018, o Grammy na categoria melhor álbum de rock. Com singles como a extensa e densa Thinking Of a Place (ouça aqui), o álbum enfim os trouxe ao grande público.

Foram quase três anos desde então, com passagens por sete estúdios diferentes, entre os quais o mitológico Electric Lady, até Granduciel enfim surgir com um novo trabalho. I Don’t Live Here Anymore trará 10 faixas, sendo que a primeira delas acaba de ser divulgada. Living Proof, com seu clima introspectivo e clipe com forte tom solitário, poderia estar em Oh Mercy, álbum de 1989 de Bob Dylan. Sim, a influência do bardo é grande, mas não temos aqui o caso de um copiador barato. Não mesmo!

Além do álbum, o The War On Drugs também anuncia uma extensa turnê pela América do Norte e Europa prevista para durar de novembro deste ano a abril de 2022, com direito até a um show no dia 29 de janeiro no lendário Madison Square Garden. Fica a torcida para que a pandemia do novo coronavírus não atrapalhe essa programação. Mas o álbum certamente sairá, um dos discos de rock mais aguardados do ano.

Living Proof (clipe)- The War On Drugs:

The Time tem álbum de estreia relançado com faixas-bônus

the time album 1981-400x

Por Fabian Chacur

Uma das marcas de Prince enquanto artista era a sua inquietude. Além de lançar inúmeros discos solo, ele também produziu e participou de discos de diversos grupos e cantores em seus mais de 40 anos de trajetória profissional. Um dos mais significativos foi a banda The Time, que revelou o cantor Morris Day e a dupla de produtores e compositores Jimmy Jam & Terry Lewis. O álbum de estreia deles, The Time, completa 40 anos de lançamento este mês, e está sendo reeditado em versão expandida nas plataformas digitais e (no exterior) em álbum duplo de vinil.

A nova edição do trabalho de estreia do grupo de Minneapolis inclui as seis faixas originais e mais quatro versões editadas para o formato single e uma versão expandida do hit Cool dividida em duas partes como bônus. Embora tivesse ótimos músicos, o grupo permitiu que Prince (com o pseudônimo Jamie Starr) não só tocasse praticamente todos os instrumentos como também assinasse quatro das seis músicas sozinho e uma em parceria com Dez Dickerson (autor, sozinho, da faixa restante), da banda Revolution.

Emplacando hits como Cool, Get It Up e Girl, o disco de estreia do The Time ajudou a difundir a sonoridade funk eletrônica criada por Prince, e se tornou um dos mais influentes no r&b dos anos 1980. Morris Day, por sinal, participou com destaque do filme Purple Rain (1984), vivendo o papel do líder da banda rival de Prince (que, no filme, valia-se do nome The Kid).

Eis as faixas de The Time (Versão estendida):

1. Get It Up
2. Girl
3. After Hi School
4. Cool
5. Oh, Baby
6. The Stick
7. Get It Up (Single Edit)
8. Girl (Edit)
9. Cool (Parte I)
10. Cool (Parte II)
11. After Hi School (Single Edit)
12. The Stick (Single Edit)

Cool (clipe)- The Time:

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