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Paul McCartney relançará álbum Flaming Pie em diversos formatos

Collector's Edition 1-400x

Por Fabian Chacur

Se há um artista sempre disposto a oferecer material inédito aos fãs mais endinheirados, ele atende pelo nome de Paul McCartney. Ele já fazia isso desde o início de sua carreira-solo, com o lançamento de singles com faixas não incluídas em álbuns, mas radicalizou esse procedimento a partir de Flowers In The Dirt (1989), que virou um álbum duplo em sua edição japonesa, algo que também ocorreu com Off The Ground (1993). De lá para cá, a coisa só se expandiu, especialmente com a série Archive Collection.

O novo álbum a ser incluído nesse projeto, para ser mais preciso o 13º a receber tal tratamento, é Flaming Pie (1997). A versão mais luxuosa, intitulada Collection’s Edition e limitada a 3 mil cópias numeradas, traz 5 CDs, 4 LPs de vinil e 2 DVDs, além de um livro com 128 páginas, seis fotos em tamanho grande, reprodução das letras escritas a mão pelo ex-beatle e outros atrativos, acomodados em uma caixa. Veja vídeo apresentando essa edição luxuosa aqui.

Além dessa, temos também a Deluxe Edition, trazendo 5 CDs e 2 DVDs, e outras com 3 LPs de vinil, 2 LPs de vinil e 2 CDs. O álbum original aparece em versão remasterizada, e as faixas-bônus se dividem entre lados B de singles lançados na época, demo-tapes das músicas incluídas no álbum, versões alternativas e as seis partes do programa de rádio Oobu Joobu gravado pelo artista naquela época.

Nem é preciso dizer que os preços não são exatamente acessíveis, o que torna hoje praticamente impossível para um colecionador com renda média se meter a completar o seu acervo. Saiba mais sobre as novas versões de Flaming Pie aqui, com direito a comentários de fãs bravos com os “precinhos camaradas”.

Flaming Pie foi o primeiro álbum-solo lançado por Paul após o projeto Anthology, dos Beatles, e de certa forma pegou uma bela carona no mega-sucesso deste fantástico documentário sobre a carreira dos Beatles. O CD atingiu o 2º lugar nas paradas dos EUA e Reino Unido, algo que o astro do rock não conseguia desde a década de 1980 em sua trajetória individual.

O trabalho foi coproduzido por Jeff Lynne e George Martin e traz participações especiais de Ringo Starr, Steve Miller, Lynne e também da esposa Linda e do filho James. No entanto, ele se incumbiu da maior parte dos instrumentos e vocais. As faixas mais legais são Young Boy, The World Toninght e Calico Skies.

Young Boy (clipe dirigido por Alistair Donald):

Young Boy (clipe dirigido por Geoff Wondor)- veja aqui.

McCartney (1970) e McCartney II (1980), discos iguais e diferentes

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Por Fabian Chacur

Neste ano, dois álbuns de Paul McCartney celebram datas redondas. McCartney (1970) é agora um cinquentão, enquanto McCartney II (1980) festeja 40 velinhas de seu lançamento. Pode parecer paradoxal (e é mesmo), mas são trabalhos ao mesmo tempo iguais e diferentes. Muito iguais e muito diferentes, só para reforçar o conceito. E é essa ideia que será desenvolvida durante esse longo texto.

Primeiro, apresentaremos as semelhanças, para depois nos atermos às peculiaridades de cada lançamento. Para início de conversa, são discos-solo radicais, no sentido de que temos Paul McCartney se incumbindo de todos os instrumentos musicais, produção e tudo o mais, exceto alguns vocais proporcionados por Linda McCartney. Ambos se originaram de gravações feitas em estúdios caseiros, algo ainda incipiente naqueles tempos.

Os dois tiveram como origem o ponto final de duas bandas. No caso do primeiro, os Beatles, cujo marco da separação é exatamente o dia 10 de abril de 1970, quando McCartney foi distribuído à imprensa. Junto com ele, veio um questionário respondido pelo artista no qual, se não de forma escancarada, ficava claro que os Fab Four eram passado para seu baixista e cantor. A repercussão na mídia apenas apressou os acontecimentos.

McCartney II foi o primeiro álbum de Paul após a dissolução dos Wings, que de certa forma estava no ar desde o final de 1979, mas que acabou impulsionada pelo desastrado e inesperado cancelamento da turnê japonesa do artista, com direito a uns bons dias de prisão naquele país por posse de maconha. Traumatizado, o roqueiro só voltaria às tours em 1989, e preferiu assumir novamente o caminho individual, ladeado por músicos de apoio.

A partir daqui, vamos para as histórias de cada um deles. Em setembro de 1969, mesmo mês em que Abbey Road chegava às lojas, John Lennon, em meio a uma tensa reunião, anunciou que desejava sair dos Beatles. O então contador e manager do grupo, Allen Klein, pediu para que ele ao menos segurasse a decisão por algum tempo, por razões estratégicas e comerciais. E foi o que ocorreu.

Canções, temas instrumentais e muito sucesso

Ciente de que a banda estava com os dias contados, Macca comprou um gravador e instalou um estúdio caseiro de quatro canais em Londres com o intuito de fazer gravações despretensiosas. Esse processo gerou o LP. O repertório mesclava músicas como Junk, composta durante a viagem à Índia com os Beatles em 1968, e Teddy Boy, gravada com o grupo mas que só entraria em um disco deles em 1996 (Anthology 3), com outras novíssimas.

O resultado é um disco básico, no qual o artista se mostra bastante versátil, conseguindo boa qualidade de execução até mesmo como baterista. Outra semelhança entre ele e o futuro McCartney II é o fato de ambos incluírem diversos temas instrumentais. Aqui, são eles a deliciosa Hot As Sun/Glasses e as simpáticas Valentine Day, Singalong Junk e Momma Miss America.

Outra instrumental, Kreen-Akrore, é de longe o momento mais experimental do álbum, e não por acaso foi incluída para encerrá-lo. Trata-se de uma faixa com vocalizações hipnóticas e solos de bateria, cuja inspiração veio de um documentário que Paul viu na TV sobre os indígenas brasileiros. Ou seja, a primeira ligação direta do genial músico inglês com o nosso país.

Iniciado com a sucinta The Lovely Linda, com meros 42 segundos, o álbum nos traz diversas daquelas canções melódicas e delicadas que são uma das marcas registradas do Macca. Entre elas, a iluminada Every Night, a deliciosa Man We Was Lonely e a quase valsa Junk. Teddy Boy soa como uma canção nostálgica, enquanto That Would Be Something tem pitadas de blues.

Os momentos mais roqueiros são a ardida Oo You, que abre o lado B do vinil, e a visceral balada rock Maybe I’m Amazed, com direito a um conciso e incandescente solo de guitarra. Curiosamente, esta música, um dos pontos altos do songbook do astro de Liverpool, só sairia no formato single em 1976, e numa versão ao vivo extraída do álbum Wings Over America.

A repercussão do álbum em termos comerciais não poderia ter sido melhor, com direito a atingir o topo da parada americana em 23 de maio de 1970, permanecendo lá durante três semanas. Um começo auspicioso para uma carreira pós-beatles que se mostraria no decorrer das décadas seguintes uma das mais consistentes da história da música pop.

Macca no mundo da música eletrônica dançante

Em janeiro de 1980, antes de chegar ao Japão para alguns shows com os Wings, Paul McCartney passou pelos EUA, e ganhou de um amigo uma quantidade significativa de maconha. Não se sabe onde ele estava com a cabeça quando resolveu colocar o pacote com o presente inusitado e valioso (para ele) em sua mala. Afinal, se a legislação antidrogas é rigorosa em toda a parte, vai ainda mais longe em território japonês. E não deu outra.

Ao ter sua bagagem revistada, Macca foi pego com a mão na massa, digo, na erva, e ficou durante dez dias detido em uma prisão japonesa, correndo o risco até de ter de cumprir uma longa pena por lá. Felizmente, a punição ficou por aí. Ao voltar para sua terra natal, o artista provavelmente ficou traumatizado, e resolveu dar prosseguimento a uma série de gravações caseiras que havia iniciado ainda em 1979, desta vez com um gravador de 16 canais.

Dez anos haviam se passado desde o primeiro álbum ‘exército de um homem só’ do astro britânico. Desde então, ganhou adeptos um estilo musical pontuado por sintetizadores e outros tipos de teclados, e Paul não se mostrou alheio a isso. Ao se ver sozinho novamente, resolveu investir nesses novos recursos para criar o repertório do que viria a ser McCartney II.

A primeira música a emergir da nova safra foi Coming Up, que entrou no repertório dos shows que o músico britânico fez no final de 1979. Ao vivo, mostrava uma pegada um pouco mais roqueira, mas na versão de estúdio, tornou-se totalmente dançante, com um leve tempero de disco music. E foi graças à essa música, disponibilizada previamente em single, que McCartney II teve uma ótima largada em termos comerciais.

Lançada em abril de 1980, Coming Up trazia em seu lado B uma versão ao vivo desta música gravada em Glasgow, Escócia com os Wings em 17 de dezembro de 1979 e também Luchbox/Odd Sox, out-take das gravações do álbum Venus And Mars (1975). Graças à forte execução da versão ao vivo, o single atingiu o topo da parada americana em 28 de junho de 1980, mantendo-se lá por três semanas.

Quando o álbum completo chegou às lojas de todo o mundo, teve vendagens iniciais muito boas, mas logo viu esse desempenho despencar ladeira abaixo. E a razão era simples: o conteúdo era muito diferente do que o ex-beatle habitualmente oferecia ao seu público, exceto por algumas faixas estrategicamente colocadas aqui e ali.

Após a abertura com Coming Up, o álbum traz Temporary Secretary, canção totalmente eletrônica com ecos de Kraftwerk e Devo com um refrão de sotaque irritante. On The Way é provavelmente a incursão pelo blues menos inspirada da carreira do músico. A coisa melhora a seguir com a balada Waterfalls, com ambiência erudita na melhor tradição de She’s Leaving Home e Winter Roses. Maravilhosa, chegou ao 9ª lugar na parada britânica, mas fracassou nos EUA.

Nobody Knows tenta adicionar uma pegada roqueira ao álbum, mas é muito abaixo do que o artista fez de melhor nessa praia. Front Parlour inicia a safra instrumental com elementos do som de Giorgio Moroder, e é passável. O clima etéreo volta em Summer Day Song, com sua letra concisa.

Frozen Jap, mais agitada, é provavelmente o momento mais legal da ala instrumental do álbum. Bogey Music, inspirada no livro Fungus The Bogeyman (1977), de Hamish Hamilton, que fala de um fantasioso povo que vive no subterrâneo, é quase tão constrangedora como Temporary Secretary.

Dark Room passa meio batida, sem deixar grande impressão no ouvinte. O álbum se encerra com One Of These Days, uma bela balada violonística que caberia em McCartney, com sua bela melodia, embora tenha sido gravada de uma forma meio fria e com muito eco, quem sabe.

Curiosamente, faixas gravadas durante as sessões de McCartney II e ou deixadas de lado, ou lançadas como meros lados B de singles, se mostram bem melhores do que várias do álbum, entre as quais podemos citar Secret Friend e Check My Machine (sobre a qual falaremos mais em breve).

No fim das contas, apesar dos pesares, McCartney II liderou a parada britânica e chegou ao terceiro lugar da americana, mesmo tendo vendido bem menos do que trabalhos mais recentes do ex-beatle. Esse álbum ganhou muitos fãs no meio musical com o decorrer dos anos, e é citado como influência por alguns deles, tornando-se possivelmente um dos trabalhos mais cult da carreira do artista.

Curiosidades sobre McCartney e McCartney II

*** A capa de McCartney traz cerejas registradas em cima de uma bancada preparada para pássaros se alimentarem. Na contracapa, temos o ex-beatle vestindo uma jaqueta e exibindo, dentro dela, a cabecinha de sua primeira filha com Linda, Mary. Curiosidade: Mary, nascida em 1969, é quem entrevista o pai no maravilhoso documentário Wingspam (2001), que conta a história dos Wings, a segunda banda de sucesso do Macca.

*** Linda Eastman McCartney foi fotógrafa profissional antes de se casar com Paul, tendo feito registros históricos de artistas como Jimi Hendrix. São delas as diversas fotos incluídas na capa, contracapa e encarte do álbum, que flagram o casal, Heather (filha do casamento anterior dela) e a célebre e encantadora cachorra sheepdog Martha, que inspirou a maravilhosa canção Martha My Dear, do álbum The Beatles (1968- o álbum branco).

*** A sequência harmônica que inicia Man We Was Lonely (ouça aqui) apareceu novamente em outra canção de McCartney, No Words (1973, faixa do álbum Band On The Run, ouça aqui). Confira as duas em seguida e perceba a semelhança. Seria intencional? O curioso é que a segunda é uma parceria de Macca com Denny Layne, dos Wings.

*** Logo após o final da faixa Hot As Sun/Glasses e pouco antes da faixa Junk, é possível ouvir um pequeno trecho do que parece ser outra canção. Só em 2011 essa música foi lançada na íntegra. Trata-se de Suicide, com direito a piano e estilo anos 1920.

*** Em 2011 foi lançada no Brasil uma reedição de McCartney no formato CD duplo. O segundo disco traz sete faixas. São elas Suicide (já comentada anteriormente), Don’t Cry Baby (na verdade, uma versão instrumental de Oo You) e Women Kind, todas deixadas de lado do álbum original, mais versões gravadas ao vivo em Glasgow em 1979 de Every Night, Hot As Sun e Maybe I’m Amazed. O encarte traz as letras das músicas e belas fotos feitas por Linda.

*** Ironia das ironias: após permanecer por três semanas na liderança da parada americana, McCartney perdeu a ponta para ele mesmo. Lançado pouco tempo depois da estreia solo de seu baixista, Let It Be, dos Beatles, assumiu a liderança no dia 13 de junho de 1970, ficando por lá por quatro semanas, ou seja, uma a mais do que o LP do Macca.

*** A edição de McCartney II lançada nos EUA no formato LP de vinil pela gravadora Columbia (que então distribuía os discos do ex-beatle por lá) trouxe como brinde um compacto simples com um único lado registrado trazendo a versão ao vivo de Coming Up gravada em Glasgow.

*** Uma das faixas mais legais de McCartney II é uma instrumental de nome pitoresco: Frozen Jap (japonês congelado, em tradução livre). Seria uma alfinetada em relação à sua prisão no Japão em janeiro de 1980? Ele nunca se estendeu nesse tema…

*** Se na contracapa do primeiro álbum solo Paul incluiu uma foto dele com Mary, em McCartney II, no encarte, a estrela da vez é seu filho James Louis, então com três anos, que aparece puxando a camiseta do pai no estúdio caseiro onde foi gravado o álbum.

*** Check My Machine, lançada originalmente como lado B do compacto cujo lado A é Waterfalls, foi descoberta na época pelas equipes de bailes black de São Paulo e Rio de Janeiro e se tornou um grande hit das pistas de dança. O sucesso foi tanto que a EMI lançou no Brasil essa música em dois formatos, o compacto simples tradicional e um maxi-single (no tamanho de um LP), este último mais utilizado pelos DJs. O DJ Cuca gravou uma versão, Check My Mix, no histórico LP O Som Das Ruas (1988), um dos primeiros do rap nacional (ouça aqui).

*** Em 2011, saiu por aqui uma versão remasterizada de McCartney II no formato CD duplo. O segundo CD traz as faixas inéditas Blue Sway (with Richard Niles Orchestration), Bogey Wobble, Mr. H Atom/You Know I’ll Get You Baby e All You Horse Riders/Blue Sway. Temos também as já lançadas anteriormente e raras no formato CD e em vinil Coming Up (Live At Glasgow 1979), Check My Machine, Wonderful Christmastime e Secret Friend.

*** McCartney atingiu o topo da parada americana e emplacou o 2º lugar no Reino Unido. Por sua vez, McCartney II se deu melhor no Reino Unido, liderando a parada de lá, enquanto nos EUA chegou ao 3º lugar.

Ouça McCartney II aqui .

Ouça McCartney (1970) em streaming:

Yellow Submarine será exibido em Sampa com entrada gratuita

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Por Fabian Chacur

Se você é beatlemaníaco ou fã de cultura pop (ou as duas coisas) e mora em São Paulo, uma ótima notícia. Neste sábado (8), às 17h, será exibido o filme Yellow Submarine (1968), de George Dunning e estrelado por aquele célebre grupo de Liverpool. Detalhe: com resolução digital 4K e trilha remixada em surround 5.1 stereo. E melhor: com entrada gratuita. O local será o Cine Olido (avenida São João, nª 473- República- fone 0xx11-2899-7370).

Lançado em plena era psicodélica, esta animação em longa-metragem tem como cenário Pepperland, uma cidade repleta de cores, música e muito amor. Até que são invadidos pelos abomináveis blue meanies. Como salvar a pátria? Simples: chamando John, Paul, George e Ringo, que, viajando em um adorável submarino amarelo, incumbem-se de vencer os inimigos e restaurar a felicidade antes reinante. Detalhe: com muita música boa na trilha sonora, tipo All Together Now, It’s Only a Northern Song, It’s All Too Much e Yellow Submarine, entre outras. Diversão garantida em 90 viajantes minutos.

Na abertura, será exibido o curta-metragem Make It Soul (2018), ambientado em Chicago em 1965, no Teatro Regal, tendo como mestres de cerimônia e apresentadores ninguém menos do que James Brown e Solomon Burke, dois mestres da black music. São apenas 15 minutos, mas certamente muita coisa boa vai rolar, especialmente em termos musicais.

Essa adorável e bem-vinda exibição gratuita será promovida pelo Animage- Festival Internacional de Animação de Pernambuco, cuja mais recente edição, a 9ª de sua existência, foi realizada em Recife no último mês de outubro, e no qual essa edição incrementada em termos técnicos de Yellow Submarine foi exibida.

Veja o trailer de Yellow Submarine:

Paul McCartney mostra belas novidades para todos os fãs

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Por Fabian Chacur

Dois dias após completar 76 anos de idade, Paul McCartney mostra que dormir nos louros das glórias passadas não faz parte do seu modo de viver. Ele não só anunciou que lançará no dia 7 de setembro Egypt Station, seu primeiro álbum de inéditas desde New (2013), como também disponibilizou para audição duas das 14 músicas que estarão nesse trabalho, a balada I Don’t Know (ouça aqui) e o rock na veia Come On To Me.

Uma primeira curiosidade surge na capa do álbum, que também foi divulgada. Criada a partir de desenho feito pelo próprio artista, ela lembra um pouco a de Gone Troppo, lançada em 1982 por um certo George Harrison. Será mera coincidência? Tire suas próprias conclusões.

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Voltando ao mais importante que é o conteúdo artístico, o ex-Beatle explicou, em declaração divulgada pela gravadora na qual lança atualmente seus trabalhos, a Universal Music, como concebeu o novo trabalho:

“Gostei das palavras Egypt Station. Elas me lembram dos discos em vinis que costumávamos fazer… Egypt Station começa em uma estação na primeira música e a cada nova faixa visitamos uma nova estação. Foi essa a ideia que seguimos para criar cada faixa do disco a partir disso. Acho que ela veio de um sonho, mesmo lugar de onde as músicas surgem”.

Macca gravou seu novo disco em estúdios localizados em Londres, Los Angeles e Sussex. A produção ficou a cargo do badalado Greg Kurstin, que assinou trabalhos de Adele, Beck e Foo Fighters, sendo que uma faixa ficou a cargo de Ryan Tedder, líder da banda One Republic. Come On To Me é um rockão contagiante e muito inspirado, enquanto I Don’t Know é uma deliciosa balada com pitada roqueira. Belas amostras.

Também foram divulgados os títulos de mais três canções: a acústica Happy With You, a pacifista People Want Peace e uma que promete e muito, com seus quase sete minutos de duração, Despite Repeated Warnings, que parece seguir uma pegada mais experimental. McCartney fez um show surpresa no dia 9 de junho em um pequeno pub de Liverpool, o Philharmonic Pub, no qual tocou uma das inéditas e mais alguns hits. Que chegue logo o sete de setembro!

Come On To Me– Paul McCartney:

The Beatles in India: filme vai ser lançado ainda este ano

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Por Fabian Chacur

Em fevereiro de 1968, os Beatles viajaram para Rishikesh, na Índia, com o intuito de estudar meditação transcendental com o guru local Maharishi Mahesh Yogi, que eles haviam conhecido em uma viagem do indiano pela Inglaterra no ano anterior. Essa curiosa passagem da trajetória da banda britânica é o tema do documentário The Beatles in India, que segundo informações da revista britânica Uncut, deve ser lançada mundialmente por volta de outubro.

Paul Saltzman é um fotógrafo e cineasta canadense que tinha 23 anos quando teve a oportunidade de conhecer os Beatles na Índia, por absoluta coincidência. Convidado a conviver com eles naquela experiência, fez fotos e filmagens que registaram aquele momento de redescoberta do quarteto britânico. Seu documentário dá uma geral na viagem, e mostra os registros e também as músicas que, compostas lá, acabariam integrando o célebre Álbum Branco (cujo título de fato é simplesmente The Beatles), lançado naquele mesmo 1968.

Com mais de 300 filmes no currículo, entre documentários e dramas, Paul Saltzman tem em seu currículo o badalado Prom Night In Mississipi (2008), e também integra projetos humanitários. Uma exposição permanente de suas fotos dos Beatles na Índia tem como local um espaço no John Lennon Airport, em Liverpool, Inglaterra. Ele lançou dois livros com reproduções de suas célebres fotos, The Beatles in Rishikesh (2000) e The Beatles in India (2006), este último em edição limitada.

Dear Prudence (c/cenas do grupo na Índia)- The Beatles:

Novo CD de Ringo Starr chega às lojas brasileiras em breve

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Por Fabian Chacur

Para os fãs do formato físico, mais precisamente do CD, e de Ringo Starr, neste caso, uma boa notícia. Está chegando às lojas brasileiras nos próximos dias o novo álbum do ex-Beatle, Give More Love, que também está sendo disponibilizado para download pago e nas diversas plataformas de streaming. A edição será a mesma que já saiu no exterior.

Give More Love é o sucessor de Postcards From Paradise (2015), e não está indo muito bem das pernas em termos comerciais. Nos EUA, atingiu apenas a posição de número 128, ainda pior do que a de seu antecessor, que chegou ao posto de nº 99. Curiosamente, até o momento a melhor performance do álbum foi na República Tcheca, na qual o trabalho do baterista mais famoso do mundo chegou ao nº18 dos charts locais.

O novo álbum do astro britânico traz um elenco repleto de amigos célebres no cenário musical, como tem sido praxe em sua carreira solo. O maior deles, Paul McCartney, marca presença em We’re On The Road Again e Show Me The Way. Aliás, o título da primeira (estamos na estrada novamente) tem tudo a ver, pois McCartney tocará no Brasil em outubro, e Ringo tem oito datas para cumprir em Las Vegas.

Além do velho e bom Macca, Mr. Starkey tem a seu lado em Give More Love os craques Steve Lukather, Peter Frampton, Richard Marx, Dave Stewart, Joe Walsh, Glen Ballard, Timothy B. Schmit e Edgar Winter, entre outros. O álbum traz 10 composições inéditas de Ringo escritas com diversos parceiros. Como bônus, releituras de Back Off Boogaloo, Photograph, You Can’t Fight Lightining e Don’t Pass Me By.

O projeto inicial de Ringo era gravar um álbum totalmente country, mas essa ideia acabou sendo deixada de lado, sendo que a única faixa que se encaixa bem nessa praia é a bela So Wrong For So Long. De resto, temos rock básico, baladas e um pouco de pop, com destaque para We’re On The Road Again, Show Me The Way e Standing Still. Um trabalho despretensioso, básico e divertido de se ouvir.

We’re On The Road Again– Ringo Starr:

Simplesmente Paul chega ao RJ no Teatro Bradesco Rio

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Por Fabian Chacur

Paul McCartney voltará ao Brasil em outubro. Quem quiser já ir entrando no clima e mora no Rio de Janeiro tem uma boa pedida neste sábado, às 21h, no Teatro Bradesco Rio (avenida das Américas, nº3.900- loja 160- Shopping Village Mall- Barra da Tijuca- call center 4003-1212). Trata-se do show Simplesmente Paul, dedicado a um repertório de grandes sucessos do inigualável astro do rock. Os ingressos custam de R$ 40,00 a R$ 160,00.

O espetáculo é estrelado por Celso Anieri, que no início da década de 1980 fundou em São Paulo o grupo Beatles 4 Ever, um dos mais criativos e minuciosos na reprodução ao vivo das músicas do seminal grupo de Liverpool. Ele saiu da banda há algum tempo, mas após uma canja com a atual formação, em 2015, ficou com vontade de investir em um projeto semelhante, e aí surgiu a ideia de fazer um show em homenagem ao autor da eterna Yesterday e de tantos outros hits.

Anieri canta e toca baixo, teclados, violão, ukulele e bandolim. Com ele, um grupo formado por Ana Cristina Santos (violão e voz), Bia Honda (vocais), Edson Yokoo (teclados e arranjos), Edu Perez (baixo, violão e vocal), Paula Altran (vocais), Paulo Yuzo (bateria e percussão), Renato Molina (guitarra) e Vitor da Mata (guitarra, teclados e vocais).

O show inclui canções dos Beatles, dos Wings e da carreira solo de McCartney, entre elas Can’t Buy Me Love, Live And Let Die, Here Today, My Love e Silly Love Songs, além de se valer de recursos audiovisuais como telão e coreografias, algo que por sinal fez o diferencial do Beatles 4 Ever. O espetáculo já passou por diversas cidades brasileiras, sempre com boa repercussão por parte do público.

Simplesmente Paul- trechos do show:

Filme Eight Days a Week nos promete mais do que cumpre

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Por Fabian Chacur

Depois do lançamento do maxi-documentário Anthology (1995), com mais de onze horas de duração e apresentando de forma profunda e repleta de material essencial a história dos Beatles, ficou difícil para alguém pensar em um projeto audiovisual que possa superá-lo ou ao menos chegar perto de tal excelência. O filme-documentário Eight Days a Week- The Touring Years, lançado em setembro de 2016 nos cinemas e agora saindo no formato DVD, chegou com essa pretensão, vide seu lema: “The Band You Know, The Story You Don’t” (a banda que você conhece, a história que não conhece).

Para completar a expectativa, o mentor de tal projeto era ninguém menos do que Ron Howard, conhecido por filmes como Apollo 13 (1995), Cocoon (1985) e Uma Mente Brilhante (2001), tendo ganho o Oscar de melhor diretor com este último. Diante de tanta expectativa, a pergunta é óbvia: o produto final atinge seu objetivo? A resposta é não, mas merece uma explicação minuciosa, para não soar como uma daquelas análises gratuitas só para atrair cliques ou irritar os fãs.

O documentário tem como objetivo mostrar a fase em que os Beatles se tornaram um fenômeno mundial em termos de popularidade, entre 1963 e 1966, e no qual as turnês pelo mundo afora foram uma ferramenta fundamental. Os anos da Beatlemania, para ser mais preciso. Como forma de nos apresentar esse incrível fenômeno comportamental e cultural, Howard se valeu de vasto material de arquivo já utilizado anteriormente, com apenas uma ou outra cena menos conhecida.

As entrevistas recentes feitas com Paul McCartney e Ringo Starr também são bastante redundantes, inferiores às feitas para o Anthology. Dessa forma, essa coisa de “a história que você não conhece” soa arrogante demais. Novidades ou possíveis revelações passam bem longe dos 106 minutos de duração do filme. Nem precisa ser um especialista daqueles realmente viciados em Beatles para ter tido conhecimento de tudo o que é contado aqui.

Lógico que um profissional do calibre de Ron Howard não faria um produto ruim em termos de apresentação, e nesse aspecto, Eight Days a Week é muito bem realizado, fluindo bem e encaixando os registros de forma bem ordenada. Os depoimentos do jornalista americano Larry Kane, o único que acompanhou todos os shows das turnês dos Fab Four pelos EUA em 1964 e 1965 também são pontos importantes.

Merecem um belo destaque os deliciosos testemunhos da atriz Whoopi Goldberg sobre sua idolatria em relação ao grupo britânico e da emoção de ter visto o mitológico show no Shea Stadium em 1965, e também o relato do show realizado em Jacksonville, Florida, em 1964, no qual eles se recusam a tocar para uma plateia segregada, resultando em um raro momento em que brancos e negros conviveram em um show dessas proporções naqueles lados dos EUA.

A qualidade das imagens é impecável, assim como o áudio. A narrativa vai até o último show oficial da banda, em agosto de 1966 no Candlestick Park, San Francisco (EUA), e o documentário acaba com cenas da última apresentação de fato do quarteto de Liverpool, realizado em janeiro de 1969 no teto do prédio onde estava os escritórios da gravadora deles, a Apple.

Muitas cenas de histeria do público ao redor do mundo foram usadas, e de forma bem eficiente para ressaltar o quanto o som do grupo inglês atiçava a libido do público, especialmente o adolescente, e também de como os adultos e boa parte da imprensa ficavam abismados com aquilo tudo, sem entender absolutamente nada.

Como os Beatles são um daqueles fenômenos de popularidade que desafiam o tempo, existem fãs que os conheceram há pouco, e para os quais até mesmo as carreiras solo de John Lennon e George Harrison podem parecer algo totalmente fora de seus radares. Para eles, Eight Days a Week funciona como uma boa introdução em termos audiovisuais. Mas para quem os curte há mais tempo, é um filme com cheiro de “já conheço bem essa história, e melhor contada”.

obs.: e o DVD não traz nenhum extra. Nada, nadinha. Eita muquiranice!!!

Eight Days a Week-trailer do filme:

A magia dos Beatles ao vivo e seu registro remasterizado

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Por Fabian Chacur

Em 1977, foi lançado de forma póstuma o primeiro álbum totalmente gravado ao vivo dos Beatles, intitulado The Beatles At The Hollywood Bowl. Fora de catálogo há décadas, esse trabalho histórico enfim chega ao formato CD, com o título Live At The Hollywood Bowl e agora funcionando como uma espécie de trilha sonora do documentário Eight Days a Week- The Touring Years, documentário de Ron Howard sobre as turnês dos Fab Four.

O lançamento original tinha como marca a qualidade de som não muito boa. Gravado em apenas três canais e de forma absolutamente precária em shows realizados pela seminal banda inglesa no Hollywood Bowl, em Hollywood, EUA, em 23 de agosto de 1964 e 29 de agosto de 1965, o que tínhamos era muita gritaria das fãs enlouquecidas e o som dos Beatles tentando sobreviver no meio dessa barulheira toda. Mas, ainda assim, era um álbum incrível por sua energia e conteúdo histórico.

Se o mítico George Martin fez milagres com os parcos recursos que tinha em 1977 para trabalhar com essas fitas, seu filho Giles Martin teve bem mais sorte. Suando a camisa para tirar o melhor daquele material histórico, ele nos proporciona um resultado técnico que, se não é perfeito (e não teria mesmo como ser), ressalta muito melhor a performance da banda, especialmente em termos de vocais. O baixo continua lá atrás, mas dá para aguentar numa boa.

Live At The Hollywood Bowl serve como uma prova concreta da potência e virilidade do trabalho dos Beatles nos palcos. Perante quase 18 mil pessoas por apresentação nesses dois shows nos EUA, o quarteto esbanja garra, afinação (na medida do possível para quem tocava sem retorno, algo impensável nos dias de hoje) e um carisma simplesmente imbatível. Superando as dificuldades técnicas com categoria, eles simplesmente detonam, enlouquecendo os fãs.

O repertório mistura hits fulminantes como Twist And Shout, Ticket To Ride, Can’t Buy Me Love, Help!, A Hard Day’s Night e She Loves You com outras também fortes, tipo She’s a Woman, Boys e Things We Said Today. São nove gravações realizadas no show de 1964 e oito no de 1965, provavelmente selecionadas devido a razões técnicas e de performance. A edição tem alguns brancos, mas no geral dá para se imaginar como se fosse uma única apresentação contínua.

A nova edição traz como marcas uma nova capa, desta vez digipack plastificada, dupla e com direito a encarte colorido repleto de fotos e dois textos, um inédito do jornalista David Fricke e outro presente na edição original do álbum e escrito por George Martin. De quebra, quatro faixas bônus não presentes no LP original: You Can’t Do That, I Want To Hold Your Hand, Everybody’s Trying To Be My Baby e Baby’s In Black.

Ouvir os Beatles ao vivo nesses registros feitos nos anos heroicos do rock and roll é a prova de que o talento e a garra são capazes de superar todas as barreiras, mesmo as técnicas. Chega a ser inacreditável pensar como esses caras conseguiam tocar tão bem um repertório desse altíssimo nível em condições tão precárias. O mais legal é que dá para se ouvir Live At The Hollywood Bowl para curtir, e não só como curiosidade de uma era de ouro do rock. Que ótimo!

The Beatles Live At The Hollywood Bowl show de 1964:

Pure McCartney: bela viagem pela obra de um gênio musical

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Por Fabian Chacur

Coletâneas costumam ser encaradas de forma não muito positiva por críticos e fãs mais radicais de música. O argumento é sempre o mesmo: seria uma forma de apresentar uma obra de forma fatiada, com escolhas nem sempre justificáveis e frequentemente mostrando um retrato nada fiel do artista enfocado. Questão de opinião. Para mim, coletâneas são, quando bem feitas e bem planejadas, belas obras de entrada para obras musicais. Eis a função que Pure McCartney, álbum duplo que acaba de sair no Brasil, pode cumprir em relação ao trabalho de Paul McCartney.

Pure McCartney pode ser encontrado no exterior em três formatos: o mesmo CD duplo com 39 faixas, uma caixa com 4 CDs (contendo 67 faixas) e vinil quádruplo com 41 faixas. Todas essas alternativas seguem o mesmo conceito, conforme explica texto escrito pelo próprio Macca no encarte que acompanha os lançamentos: “uma coleção de minhas gravações tendo em mente nada além de ser algo divertido para se ouvir, ou talvez para ser ouvida em uma longa viagem de carro, ou em um evento em casa ou ainda uma festa com amigos”. Simples assim.

Dessa forma, fica fácil entender o porque vários sucessos marcantes ficaram de fora, preteridos em alguns casos por músicas não tão conhecidas. O repertório cobre toda a carreira solo do ex-beatle, indo desde 1970 até 2014. Para aquele fã que tem tudo do artista, só cinco itens mais interessantes: os remixes de Ebony And Ivory, Say Say Say, Here Today e Wanderlust, e a belíssima Hope For The Future, lançada em 2014 para a trilha do vídeo game Destiny e disponível anteriormente apenas no exterior em um single de 12 polegadas de vinil.

O repertório não foi ordenado de forma cronológica, o que nos proporciona saborosas idas e vidas por fases bem distintas do trabalho do artista. A curiosidade fica por conta de a primeira e a última faixa em todos os formatos serem as mesmas e oriundas do primeiro álbum solo do astro britânico, McCartney (1970), respectivamente Maybe I’m Amazed e Junk. Isso não deve ser obra do acaso…

As músicas contidas nesta compilação reforçam um sonho que muitos fãs do autor de Yesterday gostariam de realizar: ter a chance de ver um de seus shows só com material da carreira-solo, sem canções dos Beatles. Nada contra o repertório maravilhoso dos Fab Four, mas é que McCartney tem tantas músicas boas de 1970 para cá que seria bem bacana poder ouvir ao vivo uma Heart Of The Country, por exemplo, ao invés da milésima interpretação de Hey Jude.

Ouvir Pure McCartney é uma bela oportunidade de se curtir a incrível versatilidade de um grande talento. Power ballad em Maybe I’m Amazed, disco music em Coming Up, soul-jazz em Arrow Through Me, folk puro em Junk, pop delicioso em Listen To What The Man Said, rock na veia em Jet, rock eletrônico em Save Us, lirismo puro em Here Today

A variedade de estilos é incrível, sempre com grande qualidade técnica e artística. E acredite: com o material que sobrou, mesmo se levarmos em conta a caixa com quatro CDs, ainda restou material bom o suficiente para justificar pelo menos umas quatro compilações do mesmo gênero, sem repetir faixas e com a mesma força.

O único problema para o neófito que se meter a ouvir Pure McCartney é acabar se viciando no som do cara, e por tabela sair atrás de toda a sua obra. É disco pra burro!!! Mas pode ter certeza de que vale a pena colecionar. Tipo do vício sem contraindicações. E reforço o ponto: ótimo para desancar quem acha que o trabalho solo de Paul McCartney não está a altura do que ele fez nos Beatles. Não? Pense outra vez!

Arrow Through Me– Wings:

Dear Boy– Paul McCartney:

Hope For The Future– Paul McCartney:

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