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Tony Babalu apresenta sua visão deste ano estranho em Lockdown

lockdown tony babalu 400x

Por Fabian Chacur

Tony Babalu é presença constante em Mondo Pop, como todos que acompanham este humilde espaço virtual dedicado à boa música sabem (leiam mais sobre ele aqui). Como todos os milhões de seres humanos espalhados por esse mundo imenso, ele também foi impactado pela pandemia do novo coronavírus. Com seu talento exponencial, este grande guitarrista, compositor e produtor nos oferece uma tradução sonora, Lockdown, já disponível em todas as plataformas digitais via Amelis Records-Tratore.

Desta vez, Babalu investe no melhor esquema “banda do eu sozinho”, incumbindo-se dos violões e da programação de baixo, bateria e percussão, com mixagem e masterização feitas no Carbonos Studio a cargo de Marcelo Carezzato, oriundo da célebre família Carezzato que nos proporcionou o célebre grupo Os Carbonos, com tantos bons serviços prestados à nossa música.

Instrumental e com ritmo hipnótico, Lockdown nos envolve com sua melodia precisa e intervenções certeiras em termos de acordes, harmonia e solos sempre concisos e sem firulas desnecessárias. Em menos de 3 minutos de duração, o músico nos mostra sua sensibilidade e criatividade para transformar sensações interiores em música boa de se ouvir.

O excelente clipe que divulga a música teve seleção e edição de imagens a cargo de Karen Holtz, que soube selecionar flagrantes que dialogam com o que passamos nesses momentos tão confusos e inseguros que vivemos atualmente, indo de cenas caseiras típicas da quarentena a outras exteriores que contrastam entre si, como que mostrando a situação de confinamento mesclada ao desejo de ver o por do sol, a orla marítima, as ruas etc.

Lockdown (clipe)- Tony Babalu:

Paulinho, 68 anos, grande cantor e membro de um grupo seminal

paulinho roupa nova

Por Fabian Chacur

Os Três Mosqueteiros, de Alexandre Dumas, eram, na verdade, quatro. E os equivalentes brasileiros do mundo na música eram seis. Sim, infelizmente sou obrigado a colocar o verbo no passado, pois um deles se foi nesta segunda-feira (14) aos 68 anos. Estou me referindo ao Roupa Nova, e seu mosqueteiro que infelizmente se retira de cena é Paulo Cesar Santos, o Paulinho, vocalista e percussionista que nos deixa aos 68 anos, vítima de covid-19, ele que há três meses havia feito um transplante de medula óssea.

E porque a comparação com os personagens da literatura baseados de certa forma na vida real? Simples: em seus exatos 40 anos de carreira, sempre com a mesma formação, Paulinho e seus fiéis parceiros, Cleberson Horst, Ricardo Feghali, Kiko, Serginho Herval e Nando sempre foram adeptos da máxima “um por todos, todos por um”. Não é de se estranhar que essa formação única só se quebre agora por causa de um problema de saúde.

Tudo começou nos anos 1970, quando o grupo Famks foi criando fama na cena dos bailes cariocas. Eles chegaram a gravar discos, mas faltava alguma coisa. Até que Paulinho, Nando, Kiko e Cleberson convidaram para entrar no time dois novos mosqueteiros, Feghali e Serginho. Com a nova escalação, faltava um nome mais bacana, que veio de uma música composta por Milton Nascimento e Fernando Brant de encomenda pra eles. Roupa Nova!

O disco de estreia saiu há exatos 40 anos, e nos mostrou logo de cara que não se tratava de qualquer grupo. Ou você encontra todo dia uma formação em que todos cantem e toquem muito bem, além de serem versáteis e criativos? Logo naquele álbum, intitulado Roupa Nova, emplacaram seus primeiros hits, maravilhas do naipe de Sapato Velho, Bem Simples, Canção de Verão e o presentão de Milton, padrinho da banda.

Apesar da cara amarrada de boa parte da crítica especializada (sempre eles…), o Roupa Nova logo se mostrou não só um grupo com luz própria, emplacando hit em cima de hit, como também se tornaram reis dos estúdios, gravando com artistas como Roberto Carlos, Gal Costa, Tim Maia e quem você imaginar, sempre dando seu auxílio luxuoso a artistas dos mais diferentes estilos. Até a música-tema do Rock in Rio em 1985 eles fizeram!

Em 1986, em uma das primeira entrevistas coletivas de que participei como jornalista, tive a honra de ter meu primeiro contato com o sexteto, e foi paixão à primeira vista, tal a simpatia deles. Embora todos participassem das vocalizações, os cantores que se incumbiam dos solos vocais eram Paulinho, que também se virava bem na percussão, e Serginho Herval, um de nossos melhores bateristas. Aliás, todos nessa banda são cobras criadas.

Um dos grandes méritos do Roupa Nova reside em seus incríveis arranjos vocais, ao mesmo tempo elaborados e extremamente bons de se ouvir. Quem ouviu o que eles fizeram com Yesterday, dos Beatles, sabe bem do que estou falando. Populares, sim, mas bem longe de popularescos, mesmo nas canções mais escancaradamente românticas que gravaram nesses anos todos.

Serginho era o cara das baladas mais doces, como Anjo e Bem Simples, enquanto Paulinho sempre esbanjou potência vocal e agito na hora dos rocks mais dançantes, do tipo Whisky a Go-go e Show de Rock And Roll, ou nas power balladas do tipo Volta Pra Mim e Linda Demais.

Com todos esses atributos, aliados a uma união invejável, o Roupa Nova conseguiu atravessar quatro décadas lotando os shows, frequentando as programações de rádios e mantendo um fã-clube fiel, sempre com um trabalho consistente e capaz de cativas os mais diferentes tipos de público. E bem-humorados, como em uma entrevista para mim nos anos 1990, na qual se autodenominaram os “dinossauros do brega”. Brega? Tá bom…

Linda Demais– Roupa Nova:

Sapato Velho (clipe)- Roupa Nova:

Zé Brasil esbanja categoria em seu novo EP, o estiloso 2020

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Por Fabian Chacur

Zé Brasil celebrou seus 70 anos de vida em março, em um dos últimos shows realizados em São Paulo antes da paralisação por causa da pandemia do novo coronavírus (leia mais sobre ele e o show aqui). Dando provas de que energia é o que não lhe falta, o roqueiro paulistano nos oferece um novo EP, 2020, lançado pelo selo Natural Records em parceria com a Tratore e já disponível nas plataformas digitais.

O trabalho traz para a era digital o formato do compacto duplo, disco de vinil do tamanho do compacto simples e que habitualmente nos oferecia quatro músicas. Aqui, o cantor, compositor e músico mantém esse padrão. Duas das músicas são parcerias com o jornalista Nico Queiroz, o ótimo rock básico com ecos de Creedence Clearwater Revival e Beatles de 1963 intitulado Povo Brasileiro e a quase psicodélica Beautiful People.

Festim do Fim, que Zé compôs sozinho, mescla a levada do reggae com vigorosos riffs de guitarra executados por Marcello Schevano. Aqui, como nas outras faixas, destaca-se o vocal sussurrado, quase declamado do artista, que sua parceira musical e de vida Silvia Helena harmoniza com um registro ao mesmo tempo delicado e potente, em uma combinação charmosa e envolvente.

O grande momento do EP é Desterrado no Cerrado, parceria de Zé com o lendário Rolando Castello Jr., da banda Patrulha do Espaço, que aqui também se incumbe (com maestria, como de praxe) da bateria. São quase seis minutos de uma balada hard, intensa, com bela presença dos músicos.

Aliás, além de Rolando, temos também participações de feras do calibre de André Christovam, Gerson Tatini, Tuca Camargo e o escocês Dylan Webster. 2020 é rock brazuca de primeira linha, para conhecedores e não conhecedores, com letras certeiras que equivalem a um jato de esperança em um dos anos mais difíceis vividos pela humanidade em tempos recentes.

Desterrado no Cerrado– Zé Brasil:

Titãs lançam um novo clipe de Sonífera Ilha com celebridades

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Por Fabian Chacur

Com nove integrantes logo no seu início e oito em sua fase clássica, os Titãs foram diminuindo até chegarem ao formato atual, com Sergio Britto, Branco Mello e Toni Bellotto. Após uma turnê bem-sucedida com essa formação, eles anunciam que lançarão em breve o álbum Titãs Trio Acústico, relendo seus hits. A primeira amostra saiu hoje. Trata-se de Sonífera Ilha, seu primeiro hit, que está sendo divulgada com um clipe ótimo e repleto de convidados especiais.

Cenas da banda feitas em estúdio são intercaladas com registros de Rita Lee e Roberto de Carvalho, Fernanda Montenegro, Lulu Santos, Elza Soares, Os Paralamas do Sucesso, Casagrande, Andreas Kisser, Edi Rock, Fábio Assunção, Cyz Mendes, Alice Fromer e Érika Martins, que dublam os versos da canção.

Embora intitulado Trio Acústico, vemos no clipe o grupo se valendo de instrumentos elétricos como guitarra e baixo, além de piano, este, sim, acústico de fato. Cantada por Paulo Miklos na versão original de 1984, desta vez Sonífera Ilha contou com o vocal principal de Branco Mello.

Sonífera Ilha (clipe)- Titãs:

Ney Matogrosso continua um craque da música brasileira

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Por Fabian Chacur

Se há um artista que personifica com perfeição o pop à brasileira, ele sem sombra de quaisquer dúvidas é Ney Matogrosso. Em seus quase 50 anos de trajetória musical, ele nos oferece uma mistura dos mais diversos elementos sonoros, propondo-nos, dessa forma, um som ao mesmo tempo universal, pelo acréscimo de fortes elementos da música originada no exterior, e essencialmente brasileiro, pela forma como tempera essa obra. Eis o que podemos conferir em Bloco na Rua, seu mais recente trabalho, disponível desde o fim do anos passado no formato digital e agora também em CD duplo e, em breve, em DVD físico.

Bloco na Rua é o registro do show que estreou no Rio de Janeiro em 11 de janeiro de 2019 e que, desde então, passou por diversos palcos brasileiros. A gravação ocorreu em julho do ano passado, no palco do Teatro Bradesco (SP), totalmente ao vivo, mas sem a presença de público. Chega a ser irônico se pensarmos na atual situação do show business mundial, uma atitude quase premonitória do que viria adiante.

O repertório nos oferece 20 músicas, sendo nove já gravadas anteriormente pelo artista na carreira-solo e com os Secos & Molhados, e 11 estreando em seu set list e discografia. Uma única dessas músicas é totalmente inédita, a sensacional Inominável, do compositor paulistano Dan Nakagawa. No entanto, a forma como Ney abordou cada canção dá a elas um molho de ineditismo que só quem é muito do ramo consegue fazer.

Para isso, ele contou com uma banda de apoio incrível que o acompanha há cinco anos, liderada pelo diretor musical, arranjador e tecladista Sacha Amback e que traz também os excelentes Marcos Suzano e Felipe Roseno (percussão), Maurício Negão (guitarra e violão), Dunga (baixo), Everson Moraes (trombone) e Aquiles Moraes (trompete e flugelhorn). Na faixa Postal de Amor, foi acrescentada a participação da Orquestra de Cordas de São Petesburgo.

O entrosamento entre o cantor e os músicos é impecável, fruto das diversas apresentações anteriores à gravação, e o registro da performance é padrão Ney Matogrosso, com iluminação esplêndida e detalhes cênicos que variam de canção a canção, sempre com o bom gosto e a ousadia habituais. Ney entra no palco usando uma máscara meio assustadora, que acabou sendo registrada na capa do CD duplo e que ele tira durante a primeira música.

Aliás, a apresentação visual do disco é maravilhosa, com direita a capa digipack luxuosa trazendo encarte com todas as letras das canções, fichas técnicas e fotos, além de dez deliciosos depoimentos de fãs referentes às performances do artista selecionados nas redes sociais.

Pode parecer redundante dizer isso, mas nada dessa produção toda valeria alguma coisa se a estrela da companhia não tivesse um desempenho à altura, e o ex-vocalista dos Secos & Molhados brilha com muita, mas muita intensidade mesmo. Aos 78 anos, ele se mostra mais apaixonado do que nunca por seu ofício, e mergulha com paixão e rigor técnico no repertório, tornando-o seu, mesmo que não tenha escrito nenhuma dessas músicas.

O set list de Bloco na Rua traz composições lançadas desde os tempos dos Secos & Molhados até esta década, mas elas soam com uma unidade, repletas de odes à liberdade, à coragem, à irreverência e ao lirismo (aqui e ali). O título, extraído da clássica Eu Quero é Botar Meu Bloco da Rua, de Sérgio Sampaio, reflete mesmo essa atitude de ir à luta, mesmo em tempos tão cinzas como os atuais.

Embora o show seja bom como um todo, vale destacar alguns de seus pontos altos, como a psicodélica Álcool (Bolero Filosófico), lançada em 2003 pelo autor, o DJ Dolores, a já citada Inominável, a sempre contundente Pavão Mysteriozo, hit máximo do cearense Ednardo, os clássicos de Tia Rita Lee Jardins da Babilônia e Corista de Rock, a tocante A Maçã, de Raul Seixas, e a envolvente Já Sei, de Itamar Assumpção. Sangue Latino e Mulher Barriguda, hits dos Secos & Molhados, surgem com novos e vibrantes arranjos roqueiros.

Bloco na Rua é a prova contundente de que Ney Matogrosso continua mais relevante do que nunca, mostrando que, como poucos, pode cantar os versos do grande Ednardo “não tenha minha donzela nossa sorte nessa guerra, eles são muitos mas não podem voar” sem medo de ser retrucado. Ele, pode, pelo menos em termos musicais e artísticos em geral.

Álcool (Bolero Filosófico)– Ney Matogrosso:

Arnaldo Brandão relembra seus tempos de Londres em videoclipe

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Por Fabian Chacur

Um clipe e uma canção podem nos levar para recantos distantes de nossas capacidades sensoriais habituais. Esse é o dom evidente de Luciana In The Sky, nova gravação solo do lendário Arnaldo Brandão, canção escrita em parceria com o feríssima Tavinho Paes na qual eles recriam de maneira divertida e evocativa tempos vividos na Londres de 1973, mesclando cenas atuais do roqueiro em estúdio com registros da época em super 8 nos quais ele aparece com Claudia O’Reilly e outros amigos.

Incumbindo-se com a classe habitual de vocal, violão, guitarra e piano, Arnaldo é acompanhado nesta gravação por Lourenço Monteiro (bateria), Flavia Couri (baixo), Alberto Mattos (piano e acordeon) e Robson Riva (percussões). O clima é de psicodelia pura, com bem digeridos ecos da criação dos Beatles na fase 1966/1967. As cenas trazem até uma rápida passagem da capa do icônico Aladdin Sane, clássico LP de David Bowie lançado naquele 1973.

Com 68 anos de idade e nascido no Rio de Janeiro em 2 de dezembro de 1951, Arnaldo Brandão começou a se tornar conhecido na cena musical integrando o grupo The Bubbles, que depois virou A Bolha. Após alguns anos morando em Londres, ele tocou (só para citar dois nomes básicos) com Raul Seixas e Caetano Veloso em momentos seminais de suas trajetórias nos anos 1970 e 1980.

Depois, alçou voos autorais em projetos como o Brylho (do megahit Noite do Prazer, da qual é um dos autores) e o Hanói-Hanói, de sucessos como Totalmente Demais e tantos outros. Cantor, compositor, multiinstrumentista, é além disso tudo uma figura de uma simpatia adorável. Que essa faixa seja a amostra de muitas coisas boas a surgirem com a sua assinatura nos próximos tempos.

Luciana In The Sky (clipe)- Arnaldo Brandão:

Ira! apresenta uma amostra do conteúdo de seu novo trabalho

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Por Fabian Chacur

Já está disponível nas plataformas digitais, com distribuição a cargo da Ditto Music, o novo single do Ira!, intitulado O Amor Também Faz Errar. A faixa é a primeira prévia de Ira (isso mesmo, sem ponto de exclamação), primeiro álbum de inéditas da consagrada banda paulistana desde Invisível DJ (2007) e com previsão de lançamento para maio, ainda sem a divulgação dos formatos em que estará disponível. A produção ficou a cargo do badalado Apollo 9, e foi registrado no estúdio A9, em São Paulo, eterna sede desse grupo criado nos idos de 1981 na Vila Mariana.

O grupo voltou à cena em maio de 2014 após anos de brigas na justiça e muitas desavenças. O retorno ocorreu mantendo a penas a essência do time, com os fundadores Nasi (vocal) e Edgard Scandurra (guitarra e vocal). Ricardo Gaspa e André Jung, os outros parceiros da formação clássica, deram suas vagas a, respectivamente, Johnny Boy (baixo) e Evaristo Pádua, que, no entanto, não aparecem nas fotos de divulgação da nova fase dos caras.

O single, com mais de quatro minutos de duração, flagra Nasi e Edgard (este, o autor da canção) em ótima forma, com uma levada clássica da banda e aquele sabor de rock balada com temática afetiva e existencial que sempre marcou seus trabalhos de maior sucesso. Ira será o 15º álbum do Ira!, englobando gravações ao vivo, e vem após o projeto Ira! Folk (2016-2017), no qual o grupo releu seus hits em formato centrado em vozes e violões.

O Amor Também Faz Errar– Ira!:

Ana Cañas celebra 12 anos de carreira com show em São Paulo

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Por Fabian Chacur

Em 2007, Ana Cañas lançou seu álbum de estreia, Amor e Caos, e rapidamente viu seu nome ser comentado como uma das grandes revelações da música brasileira naquele período. Desde então, a cantora e compositora conseguiu se firmar, com direito a um público fiel e muito respeito por parte dos colegas. Ela celebra 12 anos desse lançamento (que logo serão 13, por sinal) com shows nos dias 10 e 11 (sexta e sábado) às 21h na Comedoria (antiga Chopperia) do Sesc Pompeia (rua Clélia, nª 93- Pompéia- fone 0xx11-3871-7700), com ingressos de R$ 9,00 a R$ 30,00.

A ideia é dar uma geral no repertório de seus seis álbuns de estúdio, incluindo algumas do mais recente, intitulado Todxs (2018). Entre outras canções, teremos Pra Você Guardei o Amor (que ela gravou em parceria com seu autor, Nando Reis), Esconderijo, Será Que Você Me Ama?, Tô na Vida e Luz Antiga.

“Também cantarei músicas da militância que fizeram parte da história do país, celebrando a resistência nesse momento difícil que vivemos para arte e cultura. É um show pra todo mundo cantar junto, com muita emoção e canções especiais que marcaram a minha vida”, garante a intérprete.

Ana Cañas terá a seu lado nesses dois shows em São Paulo uma banda composta por Monica Agena (guitarra), Dj Nato PK (beats), Estevan Sinkovitz (baixo), Marco da Costa (bateria) e André Lima (teclados).

Pra Você Guardei o Amor– Ana Cañas e Nando Reis:

Barão Vermelho mostra álbum Viva e seus hits em show no RJ

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Por Fabian Chacur

Se muita gente já jogou a toalha para o trabalho em 2019 e está curtindo suas férias, o Barão Vermelho dá uma de Muricy Ramalho, o ex-treinador de futebol e criador da célebre frase “aqui é trabalho”. A banda carioca irá suar a camisa mais uma vez este ano neste sábado (28) no Rio de Janeiro a partir das 22h no mítico Circo Voador (rua dos Arcos, s-nº- Lapa- fone 0xx21-2533-0354), com ingressos de R$ 60,00 a R$ 120,00.

O agora quarteto dá mostras de que merece ser considerado uma espécie de Jason Vorhees do rock tupiniquim. Afinal de contas, eles encaram a terceira mudança de vocalista, e não demonstram sinais de enfraquecimento. Rodrigo Suricato, que também toca guitarra, entrou no time e se encaixou feito uma luva, mostrando-se um frontman de primeira ao lado de Guto Goffi (bateria), Maurício Barros (teclados) e Fernando Magalhães (guitarra).

O mote deste show é o repertório de Viva, mais recente álbum da banda, disponível nas plataformas digitais e a estreia em gravações de estúdio do novo line up dos rapazes. Além do single matador lançado no final de 2018, a encapetada A Solidão Te Engole Vivo, o trabalho traz outras composições bacanas do time, entre as quais Eu Nunca Estou Só, Um Dia Igual ao Outro e Por Onde Eu For.

Lógico que, além das novidades, o show também trará uma seleção dos grandes sucessos desses mais de 30 anos de trajetória da banda que já teve Cazuza e Roberto Frejat em suas fileiras, petardos do porte de Maior Abandonado, Bete Balanço, Por Você e tantos outros.

Leia mais sobre o Barão Vermelho em Mondo Pop aqui.

Para Onde Eu For – Barão Vermelho:

Ayrton Mugnaini Jr. e seu jogo de cintura em Sujeito Determinado

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Por Fabian Chacur

Um certo Ayrton Mugnaini Jr. investe em sua carreira-solo há 35 anos, desde que nos proporcionou o seu primeiro lançamento, a fita-cassete Brega’s Banquet. Em seu currículo, integrou os célebres grupos Língua de Trapo e Magazine, além de ter músicas gravadas por muita gente boa (leia mais sobre ele e seu álbum anterior aqui). Agora, o cantor, compositor, jornalista e uma lista telefônica de outras coisas mais nos oferece um novo lançamento, Sujeito Determinado. E bota determinado nisso!

Certa vez, Mugnaini se definiu como um “pasteleiro de canções”. A comparação, típica de seu humor ácido, faz todo o sentido do mundo para quem acompanha sua trajetória há 37 anos. Sua capacidade de compor é similar ao de um pasteleiro em seu ofício, e até a questão dos sabores se encaixa feito luva. Não temos pastéis com os mais diferentes recheios? Pois esse cara também é capaz de escrever sobre qualquer tema, e valendo-se dos mais distintos ritmos musicais. E em quantidades industriais!

Querem um bom exemplo? A divertida Sou Lixeiro saiu da crítica publicada em um jornal mineiro sobre o ótimo álbum Na Honestidade (2002), do Magazine. O autor do texto ironizou a faixa Sou Flanelinha como se fosse uma medíocre (que não é, creiam) sucessora de Sou Boy, o maior hit da banda liderada pelo saudoso Kid Vinil. E aí, lá pelas tantas, o escriba soltou a pérola: “O Magazine agora vai falar de todos os subempregos. Qual vai ser o próximo? Sou Lixeiro?”.

Não deu outra. O Mug anotou a sugestão e agora nos oferece uma canção com o tema sugerido de forma irônica pelo cri-crítico mineiro. Provavelmente esse cara não irá saber, mas a música ficou sensacional, um retrato irônico e ácido sobre a relação entre nós e os lixeiros, importantes profissionais que deveriam ganhar muito mais e serem muito mais respeitados do que na verdade são.

O repertório de 18 músicas traz outros bons exemplos desses temas inesperados e improváveis que Mr. Mug, com sua alma pasteleira, transforma em biscoitos, digo, pasteis finos para quem curte música boa e inventiva. Eu Sei Que Vou Estar Lá, por exemplo, com uma levada no melhor estilo jovem guarda, tem como inspiração os discos ao vivo, mais especificamente o público que participa como plateia e as maracutaias feitas durante suas gravações.

O rock-balada Amor no Metrô flagra seu personagem em meio ao encontro com sua namorada. Aliás, já que falamos em parceira, Eu Fui Pego Pela Loira do Banheiro, outro rock-balada matador, usa como mote a lenda urbana da loira do banheiro para homenagear de forma delicada a atual companheira de Ayrton, Martha Maria Zimbarg, que é a autora de encantadora capa do CD e de quebra ainda é coautora e intérprete de A Mila, adorável homenagem a uma cachorrinha.

Se há uma canção neste álbum que tem cara de hit instantâneo, ela atende pelo título Você é o Zé Mané. Trata-se de um rock básico de tempero sessentista que gruda no seu ouvido e te leva a repetir o refrão ad infinitum. Se o saudoso Kid Vinil ainda estivesse entre nós, entraria como luva em seu repertório.

O cordel musical Peleja da Feminista Mal-humorada com o Galanteador é um registro sensacional de uma situação recorrente em redes sociais: o cara tentando ser gentil e a moça pé na porta encarando aquilo como assédio. Nem todo homem é assediador e nem toda mulher é gentil, sabemos todos nós.

E temos também a sensacional Palhaça, na qual Mug aparece acompanhado por seus parceiros Carlinhos Machado (bateria) e Marcos Mamuth (guitarra) no trio Los Interesantes Hombres Sin Nombre (que merecem seu próprio álbum, por sinal) e mais Chico Mar na flauta, gerando uma espécie de híbrido de Stray Cats com Jethro Tull que ficou uma delícia sonora.

Mas o momento mais surpreendente fica por conta de uma mistura mais do que improvável: Queen com Demônios da Garoa. Acha possível? Pois o Mugão, com ajuda do seu filho Ivo, conseguiu ao versionar Another One Bites The Dust (John Deacon) com um arranjo no qual o riff de baixo chupado de Good Times pela banda britânica virou um quás-quás-quás nas mãos dessa figura aqui.

Sujeito Determinado é divertido, inventivo e repleto de surpresas, e altamente recomendável para quem gosta de música feita com conhecimento de causa. Para conferir letras e texto do Ayrton sobre o álbum entre aqui. Saiba como conseguir sua cópia em CD via e-mail: [email protected] .

Namoro no Metrô (ao vivo)- Ayrton Mugnaini Jr.:

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