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Tag: rock anos 1970 (page 1 of 2)

James Taylor lança “Teach Me Tonight”, de American Standard

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Por Fabian Chacur

No próximo dia 12 de março, James Taylor completará 72 anos, mas quem vai ganhar o presente serão os seus inúmeros fãs, e com antecedência. Alguns dias antes, em 28 de fevereiro, o selo Fantasy, ligado ao conglomerado da Universal Music, colocará no mercado musical American Standard, álbum de estúdio que sucede Before This World (2015), o primeiro do grande cantor, compositor e músico americano a atingir o topo da parada americana.

Coincidência ou não, em fevereiro completará 50 anos de lançamento Sweet Baby James(1970), segundo álbum da carreira do astro americano e aquele que o elevou ao estrelato mundial, com hits do porte de Fire And Rain, Country Road e a faixa-título. Este trabalho atingiu o 3º posto na parada americana e o de número 6 no Reino Unido, na época.

Como forma de atiçar a curiosidade do público, já está disponível o primeiro single do álbum, a deliciosa Teach Me Tonight. Trata-se da releitura de hit de 1954 da cantora de jazz e r&b Dinah Washington, e que ganhou uma roupagem minimalista, delicada e com a cara do trabalho de Taylor. A versão da saudosa diva da música faz parte do Grammy Hall Of Fame de canções, com toda a justiça.

Como o título do álbum já dá a dica, American Standard traz o grande nome do bittersweet rock e um dos criadores dessa vertente do rock revisitando clássicos da música americana, canções extraídas de musicais da Broadway, filmes e fontes similares, entre as quais podemos citar Moon River.

A produção foi dividida por James com Dave O’Donnell (produtor e engenheiro de som que já trabalhou com ele e artistas como Eric Clapton, John Mayer, Keith Richards e Ray Charles) e John Pizzarelli. Este último, conhecido por sua brilhante carreira como jazzista, também divide os violões com Taylor, em duetos que são o alicerce dos arranjos do álbum, elegantes e investindo em uma sonoridade delicada e intimista.

Ouça Teach Me Tonight, de James Taylor:

Neil Peart, do Rush, uma espécie de baterista dos bateristas

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Por Fabian Chacur

Em suas mais de quatro décadas de existência, o Rush foi uma banda polêmica. Não tanto pela atitude de seus integrantes, mas pela forma como era encarada por fãs e detratores, quase que em um espírito de “ame ou odeie”. Um ponto, no entanto, não costumava gerar tanta confusão: a enorme e reconhecida qualidade técnica de seu baterista, Neil Peart. Infelizmente, o icônico músico canadense nos deixou na última terça (7), embora sua morte só tenha sido divulgada nesta sexta (10) por seus familiares e amigos.

O músico, de 67 anos, foi vítima de um câncer no cérebro, contra o qual lutou durante quase quatro anos. Ele estava longe dos palcos desde 2015, desde o fim da então divulgada como última turnê do Rush, fato agora infelizmente definitivo, pelo menos com a formação que consagrou o trio canadense. Como consolo, aquela turnê teve grande repercussão, e o mostrou em plena forma, saindo de cena de forma digna.

Nascido em 12 de setembro de 1952, Neil entrou no Rush em 1974 para substituir o baterista fundador do time, John Rutsey (1952-2008), que saiu após o autointitulado álbum de estreia da banda. O novo integrante entrou com tudo, tornando-se logo o principal letrista e se encaixando feito luva ao lado de Geddy Lee (baixo, teclados e vocal) e Alex Lifeson (guitarra), estreando em disco no segundo LP do grupo, Fly By Night (1975).

Fã de bateristas como Keith Moon e Ginger Baker, Neil Peart desenvolveu um apuro técnico e uma energia inesgotáveis, que abriram espaços enormes para que o grupo canadense desenvolvesse sua original e consistente sonoridade, que trafegou entre o hard rock puro, o rock progressivo mais intrincado, um rock mais sutil e com elementos eletrônicos nos anos 1980 e diversos outros desdobramento com o decorrer dos anos.

A crítica especializada frequentemente os hostilizou, especialmente nas décadas de 1970 e 1980, mas isso não os impediu de cultivar um fã-clube imenso pelos quatro cantos do mundo, que permitiu ao grupo fazer turnês massivas, sempre com estádios e ginásios lotados de admiradores entusiásticos e fanáticos.

O Rush esteve no Brasil em 2002 e 2010, e o show realizado no estádio do Maracanã em 2002 foi eternizado no DVD Rush In Rio (2003). As apresentações geraram forte comoção perante os fãs brasileiros, que celebraram a presença de seus ídolos por aqui com muita vibração e demonstrações de fidelidade.

Neil Peart sempre foi o mais inacessível integrante da banda, raramente participando de entrevistas coletivas, por exemplo, ao contrário da simpatia e acessibilidade de seus colegas de Rush. Isso, no entanto, nunca atrapalhou o respeito que seus fãs sempre tiveram por ele.

Time Stand Still (clipe)- Rush:

Zé Geraldo faz nova profissão de fé no seu estilo com o CD Hey, Zé!

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Por Fabian Chacur

Zé Geraldo é um artista autêntico. Desde o lançamento de seu primeiro álbum, em 1979, tem como marca a fidelidade a um estilo musical que funde rock, country e música rural brasileira, sempre com uma assinatura própria. Lógico que essa autenticidade pouco valeria se esse cantor, compositor e músico mineiro de 75 anos não tivesse talento, e isso ele tem de sobra. Hey, Zé!, seu novo CD, lançado pelo selo Sol do Meio Dia com distribuição da gravadora Kuarup, é mais uma prova concreta da força de sua criação.

Mesmo sem contar com a simpatia da grande mídia, o intérprete de hits como Cidadão e Milho aos Pombos conquistou um legião enorme de fãs pelo Brasil afora no melhor estilo boca-a-boca, em uma época (décadas de 1970, 1980 e 1990) que facilidades como internet e redes sociais ainda não eram sequer cogitadas por aqui. Ele consolidou sua fama na estrada, shows após show, canção após canção, superando as dificuldades com muita garra e fé.

Em seu novo trabalho, Zé não abre espaço para novas sonoridades, nem experimenta rumos diferentes dos habituais em sua longa e bem-sucedida trajetória. E isso não se mostra um problema, pois o universo ao qual se presta a desenvolver é uma estrada praticamente infinita, se o cara tiver talento, sensibilidade, inspiração e disposição, como é o caso do cidadão em questão.

Com sua voz rouca de timbre gostoso e cativante, esse trovador urbano-rural nos proporciona belas reflexões a respeito da vida, louvando o amor, a amizade e mostrando um eterno pé atrás em relação aos políticos, aos falsos pregadores e a quem só pensa em nos explorar e nos enganar. Não tem jabá que o compre, como ele próprio diz. E também demonstra uma fé inabalável nas novas gerações e em seu poder de transformar o mundo.

O bacana é que ele canta isso tudo de forma apaixonada, sim, mas também muito bem humorada, como, por exemplo, nas deliciosas Bicho Grilo Artesão, Roqueiro da Roça e Hippie Véio Sonhador, nas quais dá de ombros em relação a quem ironiza esse perfil de ser humano e mostrando que boas ideias e bons conceitos continuam tão atuais como sempre foram e sempre serão. Sonhar é preciso!

A faixa que dá nome ao álbum é uma inspirada versão em português de Hey Joe, que se tornou famosa mundialmente na gravação de Jimi Hendrix nos anos 1960. A Canção Que Vem do Céu é uma tocante homenagem a seu neto Gael, enquanto O Chão do Nosso Chão segue uma linha ecológica.

Enquanto Há Tempo propõe entregar o comando do Brasil a diversos tipos de pessoas de bem, cujas atitudes inspiram esperança em tempos melhores do que os atuais, mas com a advertência: “enquanto há tempo”. Afinal de contas, o relógio não para e as coisas se deterioram. Esperança, mas com foco!

E quem tem cães sabe o quanto esses seres encantadores ajudam a fazer nossas vidas mais saudáveis, encantadoras e até mesmo suportáveis. Zé Geraldo faz uma bela homenagem à sua encantadora cachorra na música Tina, um country rock delicioso com direito a latidos adoráveis em seu final.

Se as canções e as ideias são de primeira linha, os músicos que estão com Zé Geraldo nessa viagem musical são da melhor qualidade, todos mergulhando de cabeça no projeto. Feras do porte do Duofel, Folk na Kombi, Jean Trad, Hamilton Mica, Zeca Loureiro, Carneiro Sândalo e Aroldo Santarosa, por exemplo.

A faixa que encerra o álbum é Zé Geraldo (O Poeta do Bem), escrita por João Carreiro e Chico Teixeira, que por sinal participam nos vocais e violões. Uma homenagem tão bonita e merecida que não poderia ter ficado de fora do disco.

Hey, Zé! (o álbum) flagra um artista ainda inquieto, ativo e inspirado aos 75 anos de idade, capaz de nos oferecer canções belas, vigorosas e inspiradoras, que se mostram essenciais para suportar e tentar superar tempos tão difíceis como os que vivemos atualmente. A força de sua mensagem continua superando todos os desafios. Como diria outro artista do mesmo gabarito dele, o incrível Ednardo, “não tema sinhá donzela nossa sorte nessa guerra, eles são muitos, mas não podem voar”. Zé Geraldo pode! Voemos com ele!

Veja o clipe de Bicho Grilo Artesão, de Zé Geraldo:

Van Morrison: produtividade e inspiração em seu novo álbum

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Por Fabian Chacur

Em seus mais de 50 anos de carreira, o genial cantor e compositor irlandês Van Morrison sempre primou pela produtividade, com novos trabalhos surgindo com elogiável frequência. Desde que completou 70 anos de idade, no dia 31 de agosto de 2015, o cara parece que engatou uma velocidade ainda maior do que se poderia imaginar. Nesse período, o icônico artista caminha para o seu sexto álbum com o lançamento pelo selo Exile/Caroline International de Three Chords & The Truth, que no Brasil infelizmente só estará disponível nas plataformas digitais.

O trabalho conta com produção a cargo do próprio artista, que também assina todas as 14 canções incluídas nele, sendo 13 só dele e uma única em parceria com Don Black. O disco conta com as participações do badalado guitarrista Jay Berliner e do consagrado cantor Bill Medley (ex-integrante do duo The Righteous Brothers), este último em dueto na faixa Fame Will Eat The Soul.

A primeira canção divulgada do álbum, Dark Night Of The Soul, é daquelas que já nascem clássicas, tal a qualidade artística e acessibilidade que possui. O mais legal é que a voz de Van The Man, uma das mais expressivas do rock-soul-jazz, aparece em excelente forma, o que torna este álbum mais um item bacana para ser apreciados pelos fãs desse mestre da canção pop.

Eis as faixas de Three Chords And The Truth:

1. March Winds In February
2. Fame Will Eat The Soul
3. Dark Night Of The Soul
4. In Search Of Grace
5. Nobody In Charge
6. You Don’t Understand
7. Read Between The Lines
8. Does Love Conquer All?
9. Early Days
10. If We Wait For Mountains
11. Up On Broadway
12. Three Chords And The Truth
13. Bags Under My Eyes
14. Days Gone By

Dark Night Of The Soul– Van Morrison:

Raul Seixas dentro do caixão na capa do extinto Diario Popular

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Por Fabian Chacur

Naquele 21 de agosto de 1989, estava me preparando para ir embora para casa, por volta das 17h, depois de um dia de trabalho puxado. Quando já me direcionava para abrir a porta da recepção do Diário Popular, a recepcionista me chamou para atender o telefone. Era o Danilo Angrimani, meu editor na época. “Fabian, preciso de você, o Raul Seixas morreu; estou mandando o Carlos Macena no velório, enquanto você escreve uma biografia dele”.

Mal refeito do susto, em função da morte de um dos meus ídolos na área musical, toca eu subir de novo para o quinto andar, onde ficava a redação do Dipo, pesquisar e redigir, ainda em máquina de escrever, um resumo da carreira desse artista maravilhoso que não soube cuidar direito de sua saúde, deixando-nos com apenas 44 anos de idade.

Três meses antes, eu havia tido a primeira e única oportunidade de entrevistá-lo, em coletiva realizada no escritório da Warner em São Paulo que começou com mais de três horas de atraso e na qual ele veio de pijama de bolinhas. Ao saber da origem do meu nome, até cantou para mim um trecho de Turn To Loose, grande hit do cantor americano Fabian lá pelos idos de 1960.

Estavam por lá ele e Marcelo Nova, com quem havia acabado de gravar o álbum A Panela do Diabo, que só sairia mais tarde, e com quem ele faria shows naquele final de semana de 1989. Nunca vou me esquecer do momento em que citaram nomes de sucesso do rock Brasil de então. “Lulu Santos não dá pra encarar”, disparou, referindo-se ao autor de Como Uma Onda.

Vi o primeiro dos três shows que ele fez no hoje extinto Olympia com Marcelo Nova, e cravei na crítica, que foi publicada no dia em que o terceiro seria realizado: “não perca, pois pode ser o último”. Escrevi isso por ter ficado chocado com o estado de saúde do cara, e infelizmente, acertei.

Outra lembrança é de ter visto na mesma época, junto com um fotógrafo com o qual estava trabalhando, na região da avenida Paulista, o mesmo Raul Seixas, novamente de pijamas, provavelmente próximo do apartamento onde ele morava. Uma cena meio bizarra e inesquecível. Eu e meu colega ficamos constrangidos em abordá-lo.

Voltando ao episódio do obiturário, vale lembrar que cumpri a minha missão com toda a dignidade possível, embora estivesse chocado com aquela perda. Escrevi o texto e me mandei para casa, umas quatro horas depois do que pretendia.

No dia seguinte, pego o Diário e fico horrorizado: na capa do jornal, uma foto do Maluco Beleza dentro do caixão, grosseria que nem mesmo o frequentemente sem noção e grotesco Notícias Populares se permitiu. Comentei com o Danilo, que por sua vez foi comentar com o Jorge Miranda Jordão, então diretor de redação daquele extinto órgão de imprensa.

“Pô, Miranda, você pegou pesado, que foto de mau gosto!”. A resposta do Miranda, segundo o Danilo, foi antológica: “Como, mau gosto? Tinha de pôr essa foto, sim! Afinal de contas, as pessoas querem saber se o Maluco Beleza morreu ou não, e o único jeito de provar isso é mostrando ele dentro do caixão!”.

Meu editor, então, me disse o óbvio: “como iria discutir com esse doido?” E daí em diante, todo fotógrafo do Diário que saía para cobrir velório de famoso ia com essa missão fúnebre: a foto do famoso dentro do caixão. Argh!

Leia texto dando uma geral na carreira de Raul Seixas aqui.

Leia resenha do antológico álbum Krig-ha, Bandolo! aqui.

Ouça Krig-ha, Bandolo! de Raul Seixas, em streaming:

Yes lança álbum duplo 50 Live em formatos físico e digital no Brasil

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Por Fabian Chacur

Como forma de celebrar seus 50 anos de carreira, o Yes está lançando nesta sexta (2) no Brasil via Warner Music, em CD duplo e nas plataformas digitais, o álbum Yes 50 Live. Gravado ao vivo basicamente durante show realizado na Filadélfia (EUA), o trabalho inclui faixas de dez de seus álbuns de estúdio, com ênfase na fase mais progressiva de sua trajetória, deixando de lado o repertório desenvolvido nos anos 1980 e 1990 ao lado do guitarrista sul-africano Trevor Rabin.

A atual formação do Yes inclui Steve Howe (guitarra), Geoff Downes (teclados), Alan White (bateria), Billy Sherwood (baixo), Jon Davison (vocal) e Jay Schellen (bateria). O álbum traz as participações especiais de ex-integrantes como os tecladistas Tony Kaye (em Yours Is No Disgrace, Roundabout e Starship Trooper) e Patrick Moraz (em Soon) e também Tom Brislin (teclados) e Trevor Horn (vocal).

O set list traz a versão completa da longa e maravilhosa Close To The Edge, faixa-título do fantástico álbum da banda lançado em 1972 e um de seus melhores, e também clássicos como Roundabout, Soon e Yours Is No Disgrace.

Com capa mais uma vez trazendo desenho do genial Roger Dean, o álbum é bem interessante, mas não dá para negar que é no mínimo esquisito ouvir um disco do Yes sem a presença do cantor Jon Anderson, fora desde 2008, e, principalmente, do saudoso baixista e fundador do grupo, Chris Squire (1948-2015).

Vale lembrar que, repetindo situação já ocorrida em outros períodos da história dessa seminal banda de rock progressivo, há desde 2016 uma outra formação na ativa com ex-integrantes do time. Trata-se de Anderson, Rabin And Wakeman, que reúne Jon Anderson, Trevor Rabin e Rick Wakeman, sendo que este último prometeu novos shows do trio para 2020.

Eis as faixas de Yes 50 Live:

Disco um

Close To The Edge
-The Solid Time Of Change
-Total Mass Retain
-I Get Up I Get Down
-Seasons Of Man

Nine Voices (Longwalker)
Sweet Dreams
Madrigal
We Can Fly From Here, Part 1
Soon
Awaken

Disco dois

Parallels
Excerpt From The Ancient
Yours Is No Disgrace
Excerpt From Georgia’s Song And Mood For A Day
Roundabout
Starship Trooper
a. Life Seeker
b. Disillusion
c. Wurm

Ouça Yes 50 Live em streaming:

Foreigner lança álbum ao vivo gravado em Londres em 1978

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Por Fabian Chacur

Em 27 de abril de 1978, o grupo Foreigner subiu ao palco do lendário Rainbow Theatre em Londres para encarar uma casa cheia. E não era para menos. Seu autointitulado álbum de estreia, lançado em março de 1977, atingiu o 3º lugar na parada americana e rapidamente os impulsionou na cena do hard rock melódico mundial. Naquele dia, os caras fizeram um show repleto de energia e competência, que só agora pode ser conferido em registro oficial. Trata-se de Live At The Rainbow ’78, que a Warner Music está lançando no Brasil em CD e também disponibilizando nas plataformas digitais.

Tudo começou em 1976, quando o experiente músico inglês Mick Jones (guitarra, teclados, backing vocals), ex-integrante do Spooky Tooth e da banda de apoio de Leslie West (ex-Mountain) se viu desempregado. Incentivado por um empresário, resolveu montar um novo time, com os conterrâneos Ian McDonald (guitarras, teclados, sax, flauta, backing vocals, ex-integrante do King Crimson) e Dennis Elliott (bateria, backing vocals).

Logo a seguir, entraram no time os americanos Al Greenwood (teclados, sintetizador) e Ed Gagliardi (baixo, backing vocals). Só faltava o vocalista, que quase foi o ótimo Ian Lloyd, ex-Stories (do hit Brother Louie). Depois de dezenas de testes, Mick Jones se lembrou do LP da banda ianque Black Sheep que ganhou de seu cantor, um certo Lou Gramm anos antes. Finalmente ele o pôs na vitrola, e gostou do que ouviu. Resultado: outro americano na banda.

A química deu tão certo que o Foreigner (forasteiro em inglês, nome bem adequado para os britânicos do time) arrebentou em termos comerciais logo com seu primeiro álbum. E foi para divulgar este trabalho que o então sexteto foi a Londres. Tanto que o repertório do show e incluído em Live At The Rainbow ’78 traz as dez faixas desse LP, além de duas do álbum que eles lançariam em junho de 1978, Hot Blooded e Double Vision (esta, a faixa-título).

O repertório é uma verdadeira aula de hard rock melódico, com direito a teclados com pitadas progressivas, backing vocals impecáveis e alguma coisinha de Free, Bad Company e Beatles. A partir dali, o Foreigner teve algumas mudanças em sua escalação e atingiu seu auge em termos de popularidade na metade dos anos 1980, com hits românticos como Waiting For a Girl Like You e I Want To Know What Love Is, vendendo em torno de 80 milhões de discos.

Eis as faixas de Live At The Rainbow ‘78:

Long, Long Way From Home
I Need You
Woman Oh Woman
Hot Blooded
The Damage Is Done
Cold As Ice
Starrider
Double Vision
Feels Like The First Time
Fool For You Anyway
At War With The World
Headknocker

Cold As Ice (live)- Foreigner:

America celebra 50 anos de carreira com coletânea de hits

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Por Fabian Chacur

Em 2020, o grupo America completará 50 anos de carreira. Como forma de antecipar a celebração desta data tão significativa, ainda mais se levarmos em conta que esta banda continua na estrada, a Warner Music está lançando uma nova coletânea com os hits dos caras. O título é America 50th Anniversary Golden Hits, e o bacana fica por conta de que teremos uma edição em CD no Brasil, além da habitual disponibilização nas plataformas digitais que marcam a atual era da música.

O repertório desta compilação inclui 15 faixas, sendo 12 delas as mesmas que integram a mais clássica compilação de hits do grupo formado na Inglaterra em 1970, entre os quais as maravilhosas A Horse With No Name, I Need You, Ventura Highway, Tin Man e Sister Golden Hair. Este álbum, intitulado History: America’s Greatest Hits, saiu em 1975 e vendeu milhões de cópias no mundo todo, inclusive no Brasil, onde já fizeram diversos shows.

As três faixas adicionais são o único hit da banda na década de 1980, a deliciosa You Can Do Magic (lançada na época pela Capitol Records), e duas outras que, embora não tenham sido propriamente sucessos, são muito legais: Amber Cascades, do CD Hideaway (1976) e God Of The Sun, do álbum Harbor (1977).

O America, apesar do nome, foi criado na Inglaterra por três filhos de militares americanos servindo por lá: os americanos Gerry Beckley e Dan Peek e o inglês Dewey Bunnel. Eles estouraram logo com o seu álbum de estreia, autointitulado (de 1971), que atingiu o primeiro lugar na parada americana e lhes rendeu um Grammy na categoria de artista revelação.

No currículo, o trio teve vários álbuns produzidos por ninguém menos do que George Martin, o mesmo dos Beatles, e uma inspirada fusão de rock, country, folk e pop. Em 1977, com a saída de Dan Peek (que investiu a partir daí em uma carreira-solo e nos deixou em 2011), o grupo prosseguiu como um duo e, se não teve muito sucesso em termos comerciais, continuou lançando discos de forma mais espaçada e fazendo turnês pelos quatro cantos do planeta.

Eis as faixas de 50th Anniversary: The Collection:

– A Horse With No Name
– I Need You
– Sandman
– Don’t Cross The River
– Ventura Highway
– Only In Your Heart
– Muskrat Love
– Tin Man
– Lonely People
– Daisy Jane
– Woman Tonight
– Sister Golden Hair
– Amber Cascades
– God Of The Sun
– You Can Do Magic

God Of The Sun– America:

The Doobie Brothers lançam histórico disco duplo ao vivo

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Por Fabian Chacur

The Doobie Brothers é uma das bandas mais consistentes e bem-sucedidas da história do rock americano. Em vias de completar 50 anos de estrada, os caras já venderam mais de 48 milhões de cópias de seus álbuns, sendo que um deles, a coletânea Best Of The Doobies (1976), atingiu a marca de mais de 12 milhões de cópias vendidas nos EUA. Mais ativos do que nunca, eles estão lançando um novo trabalho. E não é qualquer um. Trata-se de Live From The Beacon Theater, disponibilizado pela Warner Music no Brasil em CD duplo e nas plataformas digitais e no exterior também em Blu-ray e em dobradinha DVD+CD duplo.

Gravado ao vivo no lendário Beacon Theatre de Nova York, onde o grupo não tocava há 25 anos, o álbum registra um momento único na trajetória da banda criada e ainda hoje liderada pelos incríveis Tom Johnston (vocal e guitarra) e Patrick Simmons (vocal e guitarra). Trata-se da primeira vez em que eles tocaram, na íntegra, faixa a faixa e na ordem original em que foram lançadas, as músicas de seus dois melhores LPs, Toulouse Street (1972) e The Captain And Me (1973).

Esses dois trabalhos, que venderam muito na época e emplacaram hits do porte de Listen To The Music, Rockin’ Down The Highway, Jesus Is Just Alright, Long Train Runnin’ e China Grove, mostram uma original e turbinada mistura de rock and roll, folk, soul, blues e hard rock, tendo como marca registrada o contraponto entre o vozeirão e a guitarra agressiva de Johnston e o dedilhado na guitarra e violão e a voz mais doce de Simmons. Uma combinação perfeita.

Um dos atrativos desse já bem interessante álbum é o fato de termos aqui registros ao vivo de músicas que a banda nunca havia tocado em shows, como as ótimas Mamaloi, Ukiah e The Captain And Me. O segundo disco traz em sua parte final três faixas adicionais incluídas no bis do show: Take Me Your Arms, Black Water e uma segunda versão de Listen To The Music.

Além de Tom Johnston e Patrick Simmons, a atual escalação dos Doobies traz outro cara importante na história da banda, o cantor, compositor e multi-instrumentista John McFee, que entrou no time no final dos anos 1970 e é de uma versatilidade impressionante como músico. Completam o afiadíssimo time Bill Payne (teclados, ex-integrante do grupo Little Feat, de muito sucesso nos anos 1970), Marc Russo (sax) e Ed Toth (bateria), John Cowan (baixo e vocais).

Leia mais textos sobre os Doobies em Mondo Pop aqui

Eis as faixas de Live From The Beacon Theatre:

Disco 1: Toulouse Street

– Listen To The Music
– Rockin’ Down The Highway
– Mamaloi
– Toulouse Street
– Cotton Mouth
– Don’t Start Me To Talkin’
– Jesus Is Just Alright
– White Sun
– Disciple
– Snake Man

Disco dois: The Captain And Me:

– Natural Thing
– Band Intros (apresentação dos músicos)
– Long Train Runnin’
– China Grove
– Dark Eyed Cajun Woman
– Clear As The Driven Snow
– Without You
– South City Midnight Lady
– Evil Woman
– Busted Down Around O’Connelly Corners
– Ukiah
– The Captain And Me
Encore (bis)
Take Me In Your Arms (Rock Me)
Black Water
Listen To The Music (Reprise)

Long Train Runnin’ (live at the Beacon Theatre):

Meu Tio e o Joelho de Porco na programação do Canal Brasil

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Por Fabian Chacur

Em 1988, um certo Rafael perdeu precocemente seu pai, o empresário Sérgio Terpins, vítima de um infarto. A presença de seu tio Tico o ajudou bastante a lidar com uma perda tão terrível e repentina. Dez anos depois, é Tico que se vai, também antes do que se imaginaria. Em 2018, agora cineasta, Rafa nos oferece um delicado relato sobre esse parente tão peculiar, que para o público em geral tem relevância como o criador da incrível banda Joelho de Porco. Trata-se de Meu Tio e o Joelho de Porco, delicioso documentário que o Canal Brasil exibe nesta quinta (30) às 18h45, sexta (31) às 15h45 e domingo (2-6) às 10h55.

É importante ter em mente essa dualidade de intenções do documentário para apreciá-lo melhor. Não se trata de um filme exclusivamente sobre o grupo paulistano surgido em 1972 e criado pelo cantor, compositor e baixista Tico Terpins em parceria com o vocalista Próspero Albanese, que ele conheceu nos tempos de colégio. Ou seja, análises um pouco mais detalhadas dos álbuns lançados pela banda, suas influências musicais, algumas contradições em sua trajetória e mesmo opiniões de críticos ficaram de fora, mostrando que um segundo filme só sobre o grupo em si seria mais do que bem-vindo.

Mas a relação entre Rafael e seu tio famoso, explicitada na tela, nos ajuda muito a conhecer melhor esse personagem peculiar. Um cara genial em termos artísticos, que soube encaminhar o bom humor existente no trabalho dos Mutantes rumo a estâncias ainda mais extremas, em uma união rock-sátira que iria inspirar Língua de Trapo, Premeditando o Breque e diversos outros artistas dessa praia, até mesmo os Mamonas Assassinas, como ilustra depoimento de Zé Rodrix, integrante do grupo nos anos 1980.

Fugindo de uma abordagem mais convencional, Rafael é uma espécie de mestre de cerimônias do filme, amarrando as cenas com suas participações guiando o LTD do tio e conversando com um boneco que representa o músico, em diálogos deliciosos. O material de arquivo teve excelente utilização, permitindo conferir a trajetória da banda e suas performances em apresentações na TV e em shows, além de algumas entrevistas resgatadas. Depoimentos atuais de ex-integrantes como Próspero e de parentes de Tico nos permitem descobrir peculiaridades desse personagem incomum.

Se era um músico de primeira, Tico tinha um bom-humor do tipo “perco o amigo, mas não perco a piada”. Vários desses momentos absurdos gerados por seu temperamento irrequieto são relatados no filme, incluindo “causos” bizarros ocorridos durante shows e programas de TV. O legal é que Rafael não tenta esconder esse lado inconsequente do tio, uma das possíveis razões pelas quais o Joelho de Porco não conseguiu o sucesso que merecia ter atingido.

Outro problema que Rafael conseguiu superar do jeito que deu foi o fato de Billy Bond, vocalista da banda durante a sua “fase punk”, que gerou o álbum Joelho de Porco (1978), lançado pela gravadora global Som Livre, ter saído do time de forma nada amigável. No filme, o bonequinho Tico afirma que aquele álbum, o com mais visibilidade dentre os quatro que gravaram, com direito a comerciais na Globo e tudo, não passava de “um disco sem alma”.

E Rafa lê o SMS enviado por Billy justificando o porque não aceitou o convite para dar a sua versão para o fim de sua participação no Joelho de Porco. O curioso fica por conta da apresentação dos registros de TV e shows dessa fase, nas quais as imagens de Bond são distorcidas. Ficou estranho, mas acabou sendo melhor do que excluí-las, pois são em quantidade bastante expressiva.

A parceria com Arnaldo Baptista em seu primeiro compacto simples, de 1973, o incrível álbum de estreia São Paulo 1554-Hoje (1975), um dos melhores da história do rock brasileiro, o polêmico “disco punk” de 1978 e os dois dos anos 1980, já na fase com Zé Rodrix, Saqueando a Cidade (1983) e 18 Anos Sem Sucesso (1988) são abordados, assim como a atuação de Tico Terpins no mercado publicitário e como dono de estúdio de gravação.

Meu Tio e o Joelho de Porco equivale a uma deliciosa viagem pela vida de um cara do tipo malucão que nos deixou um legado musical que merece ser mais reverenciado, e sua principal virtude é exatamente essa: incentivar quem o vê a ir atrás dos quatro álbuns do grupo, todos repletos de maravilhas do porte de Boing 723897, México Lindo, Mardito Fiapo de Manga, São Paulo By Day, O Rapé, Vai Fundo, A Última Voz do Brasil e tantas outras.

Ouça São Paulo 1554-Hoje, do Joelho de Porco:

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