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Santana retoma parceria com Rob Thomas após 22 anos

Santana – Move-400x

Por Fabian Chacur

Há 22 anos, Carlos Santana voltou com força total às paradas de sucesso graças a Smooth, parceria dele com o cantor e compositor Rob Thomas (Matchbox 20) que impulsionou o álbum Supernatural (1999) a se tornar o mais bem-sucedido em termos comerciais de sua brilhante carreira. Pois a parceria Santana-Thomas volta após esse tempo todo. Eles colaboraram na faixa Move, já disponível nas plataformas digitais e com cara de novo hit.

Em press-release enviado à imprensa, o genial músico mexicano explica como surgiu essa nova colaboração entre ele e o líder do Matchbox 20: “Move surgiu de maneira muito parecida com a forma como Smooth aconteceu. Foi como se surgisse uma intervenção divina e eu sabia que tinha que gravar com Rob. A música é sobre o despertar de tudo em seu ser. Acenda e ative a si mesmo – você sabe… se mova. Quando Rob e eu trabalhamos juntos, temos um som incrível”.

Move, que traz elementos latinos mas apresenta uma pegada um pouco mais roqueira do que Smooth, também conta com os vocais de apoio do grupo de rock alternativo American Authors. A faixa integrará o novo álbum de Santana, Blessings And Miracles, que a gravadora BMG promete lançar mundialmente no dia 15 de outubro. Outras participações ilustres no disco serão as de Chick Corea, Chris Stapleton, G-Eazy, Diane Warren, Steve Winwood, Rick Rubin, Corey Glover (Living Colour) e Kirk Hammett (Metallica), entre outros.

Move– Santana, Rob Thomas e American Authors:

Dusty Hill, 72 anos, o baixista barbudo do lendário ZZ Top

dusty hill

Por Fabian Chacur

Nenhuma banda parecia mais inadequada para estourar na MTV do que o ZZ Top nos anos 1980. Três músicos feiosos, tocando rock básico e sem nenhum apelo visual em plena era do tecnopop, da new wave, do r&b eletrônico? Sem chances! No entanto, graças especialmente a seus clipes envenenados, o trio texano conseguiu vender milhões de discos e virar queridinho da emissora musical. Seu baixista, Dusty Hill, infelizmente nos deixou nesta quarta-feira (28) aos 72 anos, segundo informações de seus agora ex-colegas de banda.

O grupo, por sinal, fez há três dias o seu 1º show sem Dusty, que havia alegado problemas nos quadris para não participar da performance na cidade de New Lennox, Illinois (EUA), substituído pelo técnico de guitarras da banda há muitos anos, Elwood Francis. A causa de sua morte não foi revelada, mas ele teria feito a passagem dormindo, segundo o mesmo comunicado oficial da banda.

O grupo iniciou sua trajetória em 1969 em Houston, Texas, e consolidou sua formação clássica no ano seguinte, com Billy F. Gibbons (guitarra e vocal), Dusty Hill (baixo) e Frank Beard (bateria). Seu álbum de estreia, ZZ Top’s First Album, saiu em 1971. O sucesso veio a partir do 3º trabalho, Tres Hombres (1973), que atingiu o 3º lugar na parada americana.

Sua sonoridade, um blues rock com pegada dançante apelidada de boogie, foi aos poucos lhes valendo um público fiel, sempre presentes aos shows energéticos e pra cima. Como marcas registradas, as imensas barbas de Hill e Gibbons, os óculos escuros e os chapéus modelo Stetson.

Nos anos 1980, o trio deu uma renovada no som acrescentando teclados eletrônicos, mas sem deixar de lados as raízes texanas de seu rock. A grande sacada para encarar a “geração MTV” foi a gravação de clipes para divulgar músicas como Legs e Sleeping Bag repletos de mulheres bonitas, motos envenenadas e carrões, além dos cactos típicos do Texas. Dessa forma, o álbum Eliminator (1983) vendeu mais de 10 milhões nos EUA. Afterburner (1985) passou dos 5 milhões de cópias nos EUA.

O grupo marcou presença no filme De Volta Para o Futuro III com a música Doubleback em 1990. A partir daí, passou a gravar de forma mais espaçada, embora seus shows continuassem a atrair grandes plateias. Eles fizeram shows no Brasil em 2010, e seu disco mais recente de estúdio, La Futura, saiu em 2012, e atingiu o 6º posto na parada ianque. Houve uma perspectiva de eles voltarem ao nosso país em 2020 para shows em parceria com o Def Leppard, mas a turnê foi cancelada por causa da pandemia do novo coronavírus.

Legs (clipe)- ZZ Top:

The Doobie Brothers mostram vídeo de Takin’ It To The Streets

the doobie brothers 2021

Por Fabian Chacur

A turnê que celebrará os 50 anos de carreira de uma das melhores bandas da história do rock americano, The Doobie Brothers, já tem data para ser iniciada. Será no dia 22 de agosto, e terá por enquanto duas fases, uma nos EUA e Canadá até outubro e outra na Europa em 20222. A abertura das performances ficará a cargo da ótima The Dirty Dozen Brass Band. A novidade será a participação de Michael McDonald, que integrou a banda entre 1975 e 1982 e que não se apresentava com eles desde 1996. E eles estão se preparando a todo vapor para esses compromissos.

Mesmo durante a quarentena, a atual formação da banda, que tem como integrantes oficiais Tom Johnston (vocal e guitarra), Patrick Simmons (vocal e guitarra) e John McFee (vocal e guitarra), se manteve fazendo gravações por via remota. A mais recente acaba de ser disponibilizada, e inclui McDonald. Trata-se de uma releitura de Takin’ It To The Streets, faixa-título do álbum que marcou a estreia do cantor e tecladista da banda, em 1976. A releitura segue a estrutura original, mas com alguns improvisos bem bacanas.

Desde 2020, o grupo também divulgou outros vídeos registrando versões repaginadas de hits próprios como Listen To The Music (veja aqui) e também um cover de Let It Rain, composição de Eric Clapton, esta última com participação especial de Peter Frampton (veja aqui).

Takin’ It To The Streets (vídeo)- The Doobie Brothers:

David Crosby divulga faixas de For Free, que lançará em julho

david crosby for free cover

Por Fabian Chacur

O intervalo entre os lançamentos de If I Could Only Remember My Name (1971) e Oh Yes I Can (1989), respectivamente o 1º e o 2º álbum-solo de David Crosby é de longos 18 anos. De uns tempos para cá, no entanto, o cantor, compositor e músico americano engatou uma terceira no seu ritmo de gravações. No dia 23 de julho, ele lançará pela gravadora BMG For Free, que será o seu 5º álbum em apenas sete aninhos. E olha que ele completará 80 anos no dia 14 de agosto!

Com produção a cargo de seu filho, o tecladista James Raymond, o álbum traz algumas colaborações bacanas logo a partir de sua capa, um retrato do astro do rock pintado por ninguém menos do que Joan Baez. A faixa-título é um cover de composição lançada pela autora, Joni Mitchell, em 1970, e também registrada em 1973 por um dos grupos de Crosby, os Byrds. Aqui, a canção foi relida em dueto com a cantora e compositora Sara Jarosz (ouça aqui).

Para quem ouvir a deliciosa Rodriguez For a Night e sentir um forte clima do Steely Dan, banda que Crosby considera uma de suas favoritas, não é por acaso. A canção leva a assinatura de Donald Fagen, um dos líderes do icônico grupo americano. Outra participação bacana é de Michael McDonald (ex-The Doobie Brothers) no ótimo country-rock balançado River Rise (ouça aqui). Pela amostra até agora divulgada, o álbum promete.

Rodriguez For a Night– David Crosby:

All Things Must Pass será relançado em versões luxuosas

all things must pass capa 400x

Por Fabian Chacur

Como forma de celebrar os 50 anos de All Things Must Pass, um dos álbuns mais importantes e mais bem-sucedidos em termos comerciais da carreira de George Harrison, a Universal Music lançará no dia 6 de agosto novas versões deste trabalho, com produção executiva e coordenação da remasterização a cargo do filho do ex-beatle, Dhani Harrison. Serão disponibilizados diversos formatos físicos e digitais (conheça todos aqui). Também temos um vídeo informativo (veja aqui).

De todos os formatos, o mais completo é intitulado Uber Deluxe Edition, que traz todo o conteúdo, com direito a 5 CDs, 8 LPs de vinil 180 gramas, um livreto com 96 páginas e outro com 44 páginas repletos de fotos, textos e informações detalhadas sobre as gravações e também memorabilia. São 70 faixas no total, sendo 42 delas nunca antes lançadas, entre demos, versões alternativas e quetais. Essa versão tem uma caixa de madeira como embalagem e também traz um blu-ray de áudio com mixagem em surround Atmos hi-res.

Em comunicado enviado à imprensa, Dhani fala sobre essa versão do álbum:

“Trazer maior clareza sonora a este álbum sempre foi um dos desejos do meu pai, e era algo em que estávamos trabalhando juntos até ele falecer, em 2001. Agora, 20 anos depois, com a ajuda de novas tecnologias e o extenso trabalho de mixagem de Paul Hicks, realizamos esse desejo e apresentamos a vocês este lançamento muito especial do 50º aniversário de talvez sua maior obra de arte. Todos os desejos foram atendidos”.

Eis as faixas da versão em 5 CDs de All Things Must Passs:

Disc 1 (Main Album)
1. I’d Have You Anytime
2. My Sweet Lord
3. Wah-Wah
4. Isn’t It A Pity (Version One)
5. What Is Life
6. If Not For You
7. Behind That Locked Door
8. Let It Down
9. Run Of The Mill

Disc 2 (Main Album)
1. Beware Of Darkness
2. Apple Scruffs
3. Ballad Of Sir Frankie Crisp (Let It Roll)
4. Awaiting On You All
5. All Things Must Pass
6. I Dig Love
7. Art Of Dying
8. Isn’t It A Pity (Version Two)
9. Hear Me Lord
10. Out Of The Blue *
11. It’s Johnny’s Birthday *
12. Plug Me In *
13. I Remember Jeep *
14. Thanks For The Pepperoni *

* Newly Remastered/Original Mix

Disc 3 (Day 1 Demos – Tuesday 26 May 1970)
1. All Things Must Pass (Take 1) †
2. Behind That Locked Door (Take 2)
3. I Live For You (Take 1)
4. Apple Scruffs (Take 1)
5. What Is Life (Take 3)
6. Awaiting On You All (Take 1) †
7. Isn’t It A Pity (Take 2)
8. I’d Have You Anytime (Take 1)
9. I Dig Love (Take 1)
10. Going Down To Golders Green (Take 1)
11. Dehra Dun (Take 2)
12. Om Hare Om (Gopala Krishna) (Take 1)
13. Ballad Of Sir Frankie Crisp (Let It Roll) (Take 2)
14. My Sweet Lord (Take 1) †
15. Sour Milk Sea (Take 1)

Disc 4 (Day 2 Demos – Wednesday 27 May 1970)
1. Run Of The Mill (Take 1) †
2. Art Of Dying (Take 1)
3. Everybody/Nobody (Take 1)
4. Wah-Wah (Take 1)
5. Window Window (Take 1)
6. Beautiful Girl (Take 1)
7. Beware Of Darkness (Take 1)
8. Let It Down (Take 1)
9. Tell Me What Has Happened To You (Take 1)
10. Hear Me Lord (Take 1)
11. Nowhere To Go (Take 1)
12. Cosmic Empire (Take 1)
13. Mother Divine (Take 1)
14. I Don’t Want To Do It (Take 1)
15. If Not For You (Take 1)

† Previously Released

Disc 5 (Session Outtakes and Jams)
1. Isn’t It A Pity (Take 14)
2. Wah-Wah (Take 1)
3. I’d Have You Anytime (Take 5)
4. Art Of Dying (Take 1)
5. Isn’t It A Pity (Take 27)
6. If Not For You (Take 2)
7. Wedding Bells (Are Breaking Up That Old Gang Of Mine) (Take 1)
8. What Is Life (Take 1)
9. Beware Of Darkness (Take 8)
10. Hear Me Lord (Take 5)
11. Let It Down (Take 1)
12. Run Of The Mill (Take 36)
13. Down To the River (Rocking Chair Jam) (Take 1)
14. Get Back (Take 1)
15. Almost 12 Bar Honky Tonk (Take 1)
16. It’s Johnny’s Birthday (Take 1)
17. Woman Don’t You Cry For Me (Take 5)

Run Of The Mill (Take 36) (clipe)- George Harrison:

Bob Dylan celebra 80 anos ainda muito relevante e bastante ativo

bob dylan

Por Fabian Chacur

No dia 19 de novembro de 1995, Bob Dylan participou de um show que celebrou os 80 anos de vida de Frank Sinatra. Ele interpretou a canção Restless Farewell no palco do The Shrine Auditorium, de Los Angeles. Posteriormente, regravaria algumas das canções que consagraram The Voice no álbum Shadows In The Night (2015). Agora, chega a vez dele, autor de clássicos como Blowin’ In the Wind, comemorar oito décadas de vida nesta segunda-feira (24) ainda se mantendo bastante relevante e produtivo.

O termo lenda vida (living legend, em inglês) de certa forma se banalizou nas últimas décadas, mas cabe feito luva se nos referirmos a Bob Dylan. Afinal de contas, não faltam elementos para se justificar chamá-lo dessa forma. Para começo de conversa, trata-se da única pessoa a ter em sua estante de troféus ao menos um exemplar de Grammy, Oscar, Globo de Ouro, Pulitzer e Nobel. E isso não ocorreu por acaso ou protecionismo.

Nascido em 24 de maio de 1941, Robert Allen Zimmerman tinha como ídolos Little Richard e Woody Guthrie, dois artistas teoricamente incompatíveis em termos de estilos musicais. Coube a ele ser um dos pioneiros na mistura desses dois caminhos musicais, e ajudou de forma decisiva o rock a ganhar respeitabilidade cultural, graças a letras profundas e com forte conteúdo social.

Inicialmente, Dylan tornou-se conhecido graças a canções folk de temática social como Blowin’ In The Wind e The Times They Are-a-Changing. Em seu 5º álbum, Bringing It All Back Home, surpreendeu os fãs ao injetar fortes doses de rock and roll naquela sonoridade, caminho aprofundado no seminal álbum seguinte, Highway 61 Revisited, lançado naquele mesmo 1965 e incluindo um dos hinos máximos da música popular, a fantástica Like a Rolling Stone.

Nos shows que realizou entre o final de 1965 e a primeira metade de 1966, explicitou essa adesão ao rock, embora sem abandonar sua veia folk. Parte dos fãs, especialmente os seguidores xiitas do folk, passaram a vaiá-lo, com alguns o chamando de Judas, como se estivesse traindo um movimento. Radicalismo purista. Na verdade, Dylan nunca traiu seus princípios, e nem a si mesmo.

Nesses shows, foi acompanhado por um time de músicos que, oriundos do Canadá, ficariam conhecido mundialmente a partir de 1968 como The Band, um dos melhores e mais importantes grupos de rock de todos os tempos. Em 1967, quando o músico americano se recuperava de um grave acidente de moto sofrido no ano anterior, ele gravaria com os amigos um repertório de músicas que só seria lançado em 1975 com o título The Basement Tapes.

A partir deste momento, a trajetória de Bob Dylan se mostra sempre repleta de elementos imprevisíveis. Lançou discos com pegada country. Investiu em sonoridade próxima do gospel. Quando era tido como decadente, voltou em 1974 com Planet Waves, álbum que o colocou no 1º lugar da parada americana pela primeira vez. A turnê que realizou para divulgá-lo, novamente acompanhado pelo The Band, rendeu um dos melhores álbuns ao vivo de todos os tempos, o sublime Before The Flood, lançado naquele mesmo 1974 e atingindo o 3º lugar nos charts.

Daí pra frente, o autor de Like a Rolling Stone sempre surpreendeu. Lançou uma polêmica trilogia de discos para celebrar sua adesão ao cristianismo. Voltou às paradas de sucesso com mais força com Infidels (1983). Nos anos 1980, fez concorridos shows ao lado do Grateful Dead e também com Tom Petty And The Heartbreakers.

Em 1988, integrou um verdadeiro super grupo, The Traveling Wilburys, ao lado de Roy Orbison, George Harrison, Tom Petty e Jeff Lynne, com o qual lançou dois festejados álbuns. Nos anos 1990, foi um dos vários artistas a lançar um álbum Unplugged em parceria com a MTV. O público brasileiro teve, enfim, a chance de vê-lo em shows, que ocorreram no Hollywood Rock em 1990 e abrindo para os Rolling Stones em 1998, entre outras ocasiões, sempre festejadas pelo público e crítica especializada.

Em 2006, mais uma façanha para seu currículo: conseguiu novamente atingir o primeiro lugar na parada americana, desta vez com o álbum Modern Times, 30 anos após ter obtido tal posicionamento com Desire (1976). E seus discos continuam atraindo ótimas vendagens, vide o mais recente, Rough And Rowdy Days (2020), que atingiu o 2º posto nos charts americanos.

E vale lembrar que, nesses anos todos, Dylan se manteve permanentemente na estrada, cantando pelos quatro cantos do mundo. Um artista que nunca se dobrou ao comercialismo, que sempre impôs o seu modo de cantar, tocar e compor às gravadoras e aos contratantes de shows, e que permanece um modelo a ser seguido por quem pensa em fazer um trabalho que possa ser relevante. Ah, ele também celebra neste ano 60 anos do lançamento de seu primeiro álbum. Ou seja, há muito a se comemorar, por ele e por seus milhões de fãs.

Ouça Highway 61 Revisited na íntegra em streaming:

Mud Slide Slim And The Blue Horizon (Warner-1970), o álbum que consagrou James Taylor

james taylor mud slide slim capa

Por Fabian Chacur

Em 1º de março de 1971, a revista americana Time, uma das mais importantes e influentes do mundo, estampou em sua capa um músico, algo não muito comum. O personagem em questão era James Taylor, que com seu álbum Sweet Baby James (1970, leia sobre o mesmo aqui) tornou-se o nome de ponta de um novo estilo musical rotulado por alguns como bittersweet rock (rock agridoce). O título dava bem o tom de como o cantor, compositor e musico era encarado naquele momento: “The Face Of New Rock”.

Logo a seguir, no dia 16 do mesmo mês, Taylor concorreu pela primeira vez ao Grammy, o Oscar da música, e logo em duas categorias, Record Of The Year e Album Of The Year, respectivamente com Fire And Rain e Sweet Baby James, perdendo em ambas para Simon & Garfunkel e seu Bridge Over Trouble Water (single e álbum). Como a dupla havia se separado há pouco, era como se fosse um prêmio de despedida para eles, pois no ano seguinte, seria a vez do perdedor dessa ocasião levar os louros.

Era em torno de uma grande expectativa, portanto, que o mundo musical aguardava pelo 3º álbum de James Taylor. Conseguiria ele confirmar toda essa badalação em torno de suas belas canções de tom melancólico, confessional e ao mesmo tempo encantadoras? Ou estaríamos mais uma vez diante de um artista com pouco fôlego para dar sequência a um sucesso tão contundente nos EUA e no resto do mundo?

A resposta começou a ser dada em abril, quando chegou às lojas Mud Slide Slim And The Blue Horizon. Trata-se de um trabalho que percorre basicamente os mesmos caminhos musicais do anterior, mas investindo em sutilezas, consolidação das sonoridades e uma inspiração no mesmo alto padrão de Sweet Baby James. Há fatores que auxiliaram nesse amadurecimento musical, nessa verdadeira lapidação do diamante que Taylor aparentava ser desde suas primeiras gravações, em 1966-67.

Tudo começa com o elenco de músicos escalados para este disco. Além do velho amigo Danny Kortchmar na guitarra e do extremamente consistente Russel Kunkel na bateria, e também da amiga Carole King no piano e vocais, foi acrescido ao time o baixista Lelank Sklar, que com suas linhas de baixo flutuantes e elegantes deu ao time a peça que lhe faltava. O entrosamento deles deu à voz deliciosa, às composições impecáveis e ao violão dedilhado de forma marcante de Taylor um acompanhamento simplesmente perfeito, sem excessos ou buracos.

Com essa roupagem, as 13 canções incluídas no álbum foram apresentadas ao público da maneira mais atrativa possível. E os fãs que compraram o trabalho anterior passaram imediatamente a consumir com avidez este novo, especialmente impulsionados por um single que é curiosamente uma das únicas duas faixas a não levar a assinatura de Taylor, You’ve Got a Friend, uma das obras-primas dessa incrível e icônica Carole King.

Atraído por essa música logo na primeira vez que a ouviu, ele pediu autorização à amiga para gravá-la também, já que Carole também a havia separado para seu próximo trabalho. Generosa, a moça não criou obstáculos, e obviamente se deu bem, pois deve ganhar uma boa grana até hoje com os direitos autorais provenientes da versão de Taylor. Uma curiosidade: ele toca na gravação dela, mas ela não participa da dele, que não inclui teclados.

Essa bela ode à amizade é um oásis de positividade em um universo de canções que evocam amores não concretizados, paixões sendo encerradas com dor e a constatação de que o mundo do sucesso não é esse doce todo que muitos pensam ser. As melodias encantadores mascaram versos que, por vezes, invocam ironia, amargura e uma nostalgia curiosa para alguém que completou apenas 23 anos no dia 12 de março daquele 1971.

O álbum abre com a incisiva Love Has Brought Me Around, na qual o autor dá a entender que não aguenta mais a pessoa com quem está tendo um relacionamento afetivo e resolve que chegou a hora de o amor o levar para algum outro lugar. Há uma curiosidade em torno dessa canção, pois ela parece uma mensagem quase direta à cantora canadense Joni Mitchell, com quem ele tinha tido um tórrido caso de amor que à época do lançamento deste álbum já havia se desfeito, e de forma não muito agradável, gerando uma inimizade que durou uma década, até que os dois voltassem a ser bons amigos.

Ele, inclusive, refere-se à personagem da canção como “Miss November”, e Mitchell nasceu nesse mês, no dia 7. No entanto, ela participa desta faixa, fazendo vocais de apoio. Será que Taylor seria indelicado a ponto de convidar a musa dessa verdadeira canção de “passa, moleca!” para marcar presença na mesma? Fica o ponto de interrogação. Outro destaque fica por conta da participação do Memphis Horns, uma das mais quentes sessões de metais de todos os tempos, capitaneada por Wayne Jackson e Andrew Love.

You’ve Got a Friend, também com Mitchell nos vocais de apoio, vem a seguir para amainar um pouco o clima, com seu arranjo acústico calcado em violões (Taylor e Kortchmar), percussão e baixo. Uma delícia sonora!

Com Taylor curiosamente no piano, Places In My Past relembra de forma evocativa antigas paixões que, se não geraram uma esposa (como ele mesmo diz na letra), deixaram marcas que às vezes até geram lágrimas pelas saudades geradas pelos dias preguiçosos com aquelas belas garotas, naqueles “lugares do meu passado”.

Riding On A Railroad é a primeira profissão de fé deste álbum na missão estradeira de um cantor e compositor, levando as canções de cidade a cidade, dia após dia. O clima é de puro country, com destaque para o acompanhamento de fiddle (rabeca) de Richard Greene.

Soldiers registra momentos que Taylor presenciou quando era criança-adolescente, vendo o retorno de soldados (da Guerra da Coreia ou do Vietnã), vários deles feridos, comentando que de um destacamento de 20, por volta de 11 não retornaram, “com 11 tristes histórias a serem contadas”.

Mud Slide Slim (a música tem nome reduzido em relação ao título do álbum) soa como uma curiosa visão do mundo, que ele encara como se fosse uma espécie de cowboy, um “Magrelo Enlameado e Escorregadio”, tendo como pano de fundo uma sonoridade com dna latino e dando mais espaços para os músicos mostrarem suas habilidades, sem no entanto cair em improvisações excessivas ou coisa que o valha. A curiosidade fica por conta dos vocais de apoio de sua irmã Kate, que anos depois lançaria um álbum produzido por ele.

Hey Mister That’s Me Up On The Jukebox, uma vigorosa balada rock, reveste-se de fina ironia e equivale ao uso de metalinguagem, pois fala do próprio ato de cantar para ganhar a vida. “Ei, senhor, sou eu quem você ouve cantando lá naquela jukebox, sou eu quem está cantando essa canção triste, vou chorar toda vez que você colocar outra moeda na máquina”. Certamente Fire And Rain

Valendo-se só de sua voz e violão, Taylor nos oferece uma bela canção de despedida, You Can Close Your Eyes, na qual ele afirma que “não conheço mais canções de amor, e não posso mais cantar blues, mas posso cantar esta canção, e você pode cantar essa canção quando eu for”. Um belo ode a um momento que ficará na memória, um tempo que não será tirado do casal, e durará para sempre na memória. Poesia pura!

Machine Gun Kelly, a outra canção do disco não escrita por Taylor (é de Danny Kortchmar), é um country rock vigoroso (dentro do contexto dele, obviamente) que novamente flerta com o espírito do velho oeste, seus bandoleiros e seus tristes destinos. Aqui, temos vocais de apoio do grande Peter Asher, produtor do álbum e figura decisiva na carreira de James Taylor, sem o qual provavelmente não teríamos o sucesso de nosso trovador pop.

Long Ago And Far Away é outra daquelas canções que casais brasileiros seriam tentados a dançar juntos, coladinhos, tal a beleza de sua melodia. Se soubessem o conteúdo de sua letra, no entanto, talvez pensassem melhor. Outra música de despedida, com versos cortantes como “porque seus arco-íris dourados acabam, porque essa canção que eu canto é tão triste?” E, ironia suprema, adivinhe quem faz vocais de apoio (belíssimos, por sinal) nesta maravilha? Ela, Joni Mitchell.

O momento soul-blues do álbum fica por conta de Let Me Ride, que traz ecos de canções do disco de estreia de Taylor, com direito a vocais de apoio de Kate Taylor e os matadores Memphis Horns. Mais uma profissão de fé na estrada como a grande necessidade dele. E logo a seguir vem outra canção com esta temática, Highway Song, com Kate e Peter Asher nos vocais. Mas as contradições ditam seus versos.

Se por um lado James se diz fascinado e de certa forma hipnotizado pela estrada, ao mesmo tempo deixa no ar uma vontade de que “um dia essa canção da estrada perca o encanto para mim”. E o álbum fecha com a curta, quase vinheta, Isn’t It Nice To Be Home Again, na qual não fica claro se o lar a que ele se refere é de fato um lar ou apenas mais um quarto de hotel da vida. Um fim aberto, como só poderia ser para alguém com tantas dúvidas e carências naquela época como esse genial James Taylor.

Com o apoio dos shows e também das execuções das músicas em rádios e TVs, o single You’ve Got a Friend atingiu o 1º lugar na parada americana, enquanto Mud Slide Slim And The Blue Horizonchegou ao 2º lugar. E aí entrar uma grande ironia: o LP não conseguiu atingir o topo por causa do estouro do álbum lançado na mesma época pela “sua” pianista. Tapestry, de Carole King, esteve durante 15 longas semanas no 1º lugar nos EUA, enquanto seu single It’s Too LateI Feel The Earth Move liderou entre os singles por 5 semanas.

Na edição do Grammy referente a 1971 cujos prêmios foram entregues em março de 1972, Taylor venceu na categoria melhor performance pop vocal com You’ve Got a Friend, enquanto Carole King faturou outros quatro. Curiosidade: a eleita como artista revelação foi Carly Simon, que há alguns meses havia iniciado uma relação afetiva com James Taylor. Eles se casaram naquele mesmo ano, tiveram dois filhos e se separaram em 1983.

Duas curiosidades finais: o elo entre James Taylor e Carole King foi Danny Kortchmar, que após ter integrado o primeiro grupo de James Taylor, o Flying Machine, criou com a cantora e compositora a banda The City, que também contava com o baixista Charles Larkey, então marido dela. Eles lançaram um álbum em 1968, o ótimo Now That Everything’s Been Said, com pouca repercussão, e em seguida Carole resolveu seguir carreira-solo, mas com os dois a acompanhando.

E, não, James e Carole nunca foram namorados. Eles desde sempre foram grande amigos, sendo que, nessa época decisiva de sua vida (1970 a 1971), King foi uma espécie de confidente dele, ajudando-o a superar suas dificuldades emocionais. E, não também, You’ve Got a Friend não foi composta para ele.

Na entrevista coletiva concedida por Carole King em 1990 em São Paulo quando esteve por aqui para fazer shows, um reporter desinformado perguntou a ela sobre seu “casamento” com James Taylor, e ela, bem-humorada, disse que “Carly Simon chegou primeiro”.

Ouça Mud Slide Slim And The Blue Horizon em streaming:

John Lennon/Plastic Ono Band (1970) volta em edição de luxo

john p o band 400x

Por Fabian Chacur

Lançado em 1970, meses após o fim dos Beatles, John Lennon/Plastic Ono Band é um álbum que aparece em praticamente todas as listas dos melhores trabalhos de todos os tempos. Para celebrar os 50 anos desse disco icônico, sairá no exterior John Lennon/Plastic Ono Band- The Ultimate Collection, que em sua versão super deluxe traz 2 CDs, 2 Blu-rays de áudio, dois cartões postais, um pôster e um livro com capa dura e 132 páginas repletas de fotos, informações e as letras das músicas.

O material, que totaliza 159 faixas, foi trabalhado pelos engenheiros de som Paul Hicks, Rob Stevens e Sean Gannon, e se divide entre demos, ensaios, out-takes, jam sessions e conversas entre os músicos. Um ponto interessante são as evolutionary documentary, montagens que mostram o desenvolvimento de cada uma das faixas do álbum original, desde a fase demo até a gravação final (master).

Um momento que certamente empolgará os fãs é o que traz jam sessions realizadas pelos músicos participantes das gravações (entre eles Ringo Starr) nas quais eles se divertem relendo clássicos do rock como Johnny B. Goode (Chuck Berry), Ain’t That a Shame (Fats Domino) e Send Me Some Lovin’ (Little Richard), sendo que Lennon imita Elvis Presley em um dos momentos mais marcantes.

No Blu-ray, também foram incluídas as versões longas das faixas do álbum Yoko Ono/Plastic Ono Band, que a artista japonesa gravou paralelamente ao álbum do marido. Aliás, o projeto, que também inclui versões em CD simples, CD duplo e LP duplo de vinil, contou com a supervisão dela.

Conheça mais detalhes sobre a box set aqui.

Veja o vídeo de apresentação do projeto John Lennon/Plastic Ono Band:

Can lançará gravações inéditas feitas em shows nos anos 1970

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Por Fabian Chacur

A partir do final dos anos 1960, surgiram na Alemanha uma série de bandas com sonoridades bem peculiares e que expandiam as possibilidades do rock, com um sotaque local próprio acrescido ao que já havia sido feito até então especialmente nos EUA e Inglaterra. Essa espécie de movimento foi rotulado pela imprensa especializada na época como Krautrock. Uma das bandas seminais daquele período, a extinta Can, terá uma série de álbuns inéditos ao vivo lançados nos próximos meses. O primeiro será Live In Stuttgart 1975.

O item inicial deste projeto chegará ao mercado internacional no dias 28 de maio nos formatos CD duplo, LP de vinil triplo e também nas plataformas digitais. A supervisão dos lançamentos ficou a cargo do produtor e engenheiro Rene Tinner e também do único integrante da formação original do Can ainda vivo, o tecladista Irmin Schmidt.

Criado em 1968 na cidade alemã de Colonia por Irmin, Holger Czukay (baixo e efeitos eletrônicos), Michael Karoli (guitarra) e Jaki Liebezeit (bateria), o grupo se manteve na ativa até o fim dos anos 1970. Com entradas e saídas de vários outros músicos, incluindo dois ex-integrantes da banda britânica Traffic- Roscoe Gee (baixo e vocais) e Rebop Kwaku Baah (percussão), eles nunca tiveram grande sucesso comercial, mas influenciaram inúmeras bandas e artistas, como Happy Mondays, Brian Eno e The Fall.

Ouça um trecho de Live In Stuttgart 1975:

Fleetwood Mac relança LP ao vivo de 1980 com faixas-bônus

fleetwood mac live 400x

Por Fabian Chacur

Está prevista para o dia 9 de abril o lançamento pela Warner Music da Super Deluxe Edition referente ao álbum Fleetwood Mac Live (1980). Trata-se de um relançamento luxuoso que no Brasil chegará apenas nas plataformas digitais. No exterior, teremos um CD triplo, um LP duplo de vinil e um single bônus de 7 polegadas com demos das faixas Fireflies e One More Night.

Lançado originalmente em dezembro de 1980, o álbum ao vivo flagra a seminal banda no auge de sua popularidade. Além de energéticas versões de canções de sucesso, o disco original também trazia como novidades três faixas até então inéditas na interpretação do quinteto. São elas One More Night (Christine McVie), Fireflies (Stevie Nicks) e The Farmer’s Daughter (Brian Wilson e Mike Love), esta última gravada originalmente pelos Beach Boys em 1963 no álbum Surfin’ USA.

O grande atrativo para os colecionadores é o terceiro CD, que conta com gravações ao vivo realizadas entre os anos de 1977 e 1982. Uma dessas faixas, The Chain, já está disponível nas plataformas digitais, e foi gravada em um show realizado em Cleveland no dia 20 de maio de 1980. O álbum original atingiu o 14º posto na parada dos EUA.

Disco 1: Album Original Remasterizado

Monday Morning
Say You Love Me
Dreams
Oh Well
Over & Over
Sara
Not That Funny
Never Going Back Again
Landslide

Disco 2: Álbum Original Remasterizado

Fireflies
Over My Head
Rhiannon
Don’t Let Me Down Again
One More Night
Go Your Own Way
Don’t Stop
I’m So Afraid
The Farmer’s Daughter

Disco 3 (gravações inéditas)

Second Hand News
The Chain
Think About Me
What Makes You Think You’re The One
Gold Dust Woman
Brown Eyes
The Green Manalishi (With The Two-Pronged Crown)
Angel
Hold Me
Tusk
You Make Loving Fun
Sisters Of The Moon
Songbird
Blue Letter
Fireflies – Remix – Long Version

Ouça The Chain (live 1980- Cleveland)- Fleetwood Mac:

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