Mondo Pop

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Uganga ousa e consolida a sua sonoridade com o álbum Servus

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Por Fabian Chacur

Não é fácil desenvolver uma sonoridade original e consistente na seara do rock pesado. Um dos problemas é o fato de esse gênero exigir virulência e massa sonora, o que às vezes leva algumas bandas a caírem em uma armadilha que as prendem a clichês que sempre dão certo em termos gerais, em detrimento de uma personalidade mais apurada. O grupo mineiro Uganga, em seus mais de 25 anos de trajetória, nunca despencou nesse perigoso alçapão, e dessa forma cresce a cada ano. Servus, o seu novo álbum, mostra mais uma vez o poder criativo e energético dessa turma do barulho, no melhor sentido do termo.

A história do Uganga (leia mais sobre eles aqui) teve início no Triângulo Mineiro, mais precisamente na bela cidade de Uberlândia (MG). Possuem no currículo cinco álbuns de estúdio, um ao vivo gravado na Alemanha, um DVD incluindo documentário sobre sua trajetória e show ao vivo e turnês por Brasil e Europa.

A maturidade adquirida nessa trajetória se mostra muito evidente em Servus, a partir dos apoios obtidos para a sua realização. A Waken Foundation, por exemplo, é uma organização alemã sem fins lucrativos criada em 2008 pelos produtores do festival Waken Open Air, considerado o maior de heavy metal do planeta, e que apoia projetos consistentes de hard e heavy metal de todo o mundo. Outro parceiro importante para a realização deste álbum é o Programa Municipal de Incentivo À Cultura (PMIC) de Uberlândia, que soube reconhecer o quanto a banda divulga e eleva o nome da cidade pelo mundo afora.

O retorno desses investimentos você percebe logo ao manusear o CD físico, com direito a capa digipack dupla e um encarte luxuoso com letras, fotos e ficha técnica completa. As impactantes artes de capa e contracapa ficaram a cargo do artista pernambucano Wendell Araújo, que já trabalhou com grupos como Ratos de Porão e Cólera. A qualidade técnica de gravação, mixagem e masterização tem padrão internacional, e foi feita em nosso país, basicamente no estúdio Rock Lab, em Goiânia (GO), com produção a cargo do vocalista da banda, Manu Joker, em parceria com Gustavo Vazquez.

Se tudo isso relatado até aqui já seria suficiente para ficar bem impressionado com o Uganga, o que de fato os torna dignos de muitos elogios é o conteúdo musical de Servus. Mesmo com tanto tempo de estrada, o time continua com aquela fúria energética típica de bandas iniciantes. No entanto, essa adrenalina toda é filtrada de modo a gerar um resultado tecnicamente impecável, fugindo da mera barulheira insana rumo a uma estrutura na qual você consegue ouvir cada detalhe, incluindo as tramas das guitarra, a sólida cozinha rítmica e os penduricalhos adicionais incluídos em cada uma das 13 faixas.

Capitaneando essa estrutura bem azeitada, Manu Joker se mostra um dos melhores cantores de rock pesado do Brasil. Sua voz tonitroante é controlada de forma quase cirúrgica, e com uma dicção impecável (algo não tão frequente em vocalistas dessa praia), que nos permite entender e mergulhar nas letras em português, o que valoriza ainda mais as conquistas deles no exterior, onde o inglês é quase obrigatório para quem quiser ver sua música valorizada.

O conteúdo poético contido nas letras do álbum traz um forte protesto contra o sofrimento da maior parte da população nas mãos dos poderosos de plantão, sem cair em panfletarismos ou ideologias restritivas. O refrão da alucinada faixa título exemplifica bem essa linha de pensamento: “escravos somos nós, escravos coniventes de loucos genocidas insanos, errados somos nós, massa de manobra, não mais do que servos”. A esperança de tempos melhores, no entanto, sempre aparece, com elementos espiritualistas sendo utilizados.

Manu tem a seu lado neste álbum Christian Franco (guitarra), Thiago Soraggi (guitarra), Maurício “Murcego” Pergentino (guitarra), Raphael “Ras” Franco (baixo e vocais) e Marcelo Henriques (bateria e vocal). Pergentino saiu do time após a gravação do álbum, substituído por Lucas “Carcaça”. Um time coeso, vibrante e tecnicamente impecável, que viabiliza a sonoridade thrascore, uma mistura de thrash metal com o punk hardcore, de forma plena e muito criativa.

Também temos as participações especiais da cantora e dançarina pernambucana Flaira Ferro, que com Manu e Luiz Salgado divide os vocais da incrível faixa E.L.A., do grupo chileno de rap Lexico na vigorosa Hienas, e também de Renato BT (do John No Arms), DJ Eremita, Marco Melo (sax), Fábio Marreco (do Totem) e o espiritualista Sr. Waldir, este último na enigmática Depois de Hoje…, que traz sampler de um discurso do líder pacifista indiano Mahatma Ghandi.

Servus nos mostra uma inquietude e inconformismo com os rumos atuais vividos pela humanidade, mas sempre com um olho no futuro que pode ser melhor, se as pessoas do bem se unirem para modificar essa situação. Com este álbum, o Uganga mostra que quem considera o heavy metal um antro de gente que só sabe fazer barulho insano e abordar temas satânicos precisa urgentemente atualizar os seus conceitos. Aqui, estamos diante de rockers do melhor calibre, lutando por um mundo melhor em todos os sentidos, tanto musicais como de convivência entre os seres humanos.

Servus (videoclipe)- Uganga:

Old Chevy lança seu CD autoral e fará shows por Bélgica e Holanda

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Por Fabian Chacur

Vintage rock ‘n roll. É dessa forma que a banda Old Chevy define o seu som. Com nove anos de estrada e oriunda de Campinas (SP), traz em suas fileiras Simon Lira (vocal e guitarra), Bruno Ienne (bateria stand up e backing vocals) e Eliezer Bellotto (baixo acústico). O som dos caras é uma envenenada mistura de rock and roll cinquentista, smooth jazz e swing jazz. Eles, no momento, celebram duas vitórias bem bacanas: o lançamento do álbum autoral On The Run, disponível em breve no formato físico e também nas plataformas digitais e a iminência de uma turnê por Bélgica e Holanda.

A maratona de shows da Old Chevy terá início no dia 9 de maio, uma quinta-feira, com apresentação em Lille, na Bélgica, e comportará em torno de 28 datas em sua primeira parte, com mais 35 entre julho e agosto (veja a programação completa abaixo). Serão performances em bares, cafés e festivais.

On The Run traz nove faixas de autoria dos integrantes da banda, uma do amigo Yves Apsy e a releitura de Santeria, hit na década de 1990 com a banda americana Sublime. Gravação, mixagem e masterização do álbum ficaram por conta de Bruno Ienne no Estúdio 51, situado em Jundiaí (SP). Os trabalhos foram realizados entre fevereiro e março deste ano, a toque de caixa, com o objetivo de ter o álbum pronto a tempo de divulgá-lo na turnê europeia.

Conheça o roteiro da turnê internacional do Old Chevy:

09/05 Lille – BE Crawaet
10/05 Brugge – BE Charlie Rockets City Hostel
11/05 Merksem – BE Roadhouse Barbershop
11/05 Dinteloord – NL Kaffee de Bonnefooi
12/05 Antwerpen – BE @Pictures of Lilly
12/05 Schoonbroek – BE Schoonbroek Leeft
13/05 Herenthout – BE Muziekkafee Titanic
14/05 Mol – BE Jazzoet
15/05 Brussel – BE @Archipel
16/05 Vorselaar – BE Den Tip
17/05 Vlissingen – NL De Piek
18/05 Alphen aan de Rijn – NL Hendrick’s pub Alphen
18/05 Roosendaal – NL Time Out Roosendaal
19/05 Rumst – BE Ace Cafe Rumst (Belgium)
20/05 Webbekom – BE Stamineeke Webbekom

22/05 Brielle – NL Cafehonkytonk
23/05 Essen – BE Café Heuvelzicht
24/05 Tilburg – NL Kaffee lambiek
25/05 Deurne – BE Cafe In den Sleutel
26/05 Wintelre – NL Amerikanenmeeting.nl
26/05 Roermond – NL Den Heilige Cornelius
27/05 Gent – BE Missy Sippy

29/05 Herentals – BE Café Den Brigand
30/05 Waarland – NL Cars ‘n Bands, Stars & Stripes
30/05 Hingene – BE Café De Blauwe Koe
31/05 Westerhaar – NL Cafe holthuis – Westerhaar
01/06 Breskens – NL eet- en muziekcafé the bounty
02/06 Gilze – NL Irish Pub The Banner & Eetcafé

PARTE 2
04/07 – Essen (Bel) – Café Heuvelzicht
05/07 – Scherpenheuvel (Bel) – Café Boots
05/07 – Vorselaar (B) – Na Fir Bolg 2019
06/07 – Tinte (Hol) – Zomerfeest 2019
07/07 – Diest (Bel) – Retro Jardin

09/07 – Mol (Bel) – Jazzoet
10/07 – A SER ANUNCIADO
11/07 – Herentals (Bel) – t Haveke
12/07 – Overijse (Bel) – Taverne De Met
13/07 – Zoetermeer (Hol) – Sweetlake Rock ‘n Roll Revival
13/07 – Giethoorn (Hol) – TBA
14/07 – Izegem (Bel) – Chrome Sweet Chrome
14/07 – Wervershoof (Hol) – Hèt Café van Wervershoof

16/07 – Herentals (Bel) – Café ‘t Theater
17/07 – Roosendaal (Hol) – Time Out Roosendaal
18/07 – Herentals (Bel) – De Lentehei
19/07 – Nijmegen (Hol) – De Kaai
20/07 – Wellen (Bel)
20/07 – Eindhoven (Hol) – Rock ‘n Roll Meeting (Jose Verspaget)
20/07 – Emblem (Bel) – Café de Tramstatie
21/07 – Elsloo (Hol) – Café De Dikke Stein

23/07 – Asten Heusden (Hol) – Cafe ‘t Spektakel
24/07 – A SER ANUNCIADO
25/07 – Turnhout (Bel) – Café Chaos
26/07 – Lebbeke (Bel) – Café Bruce ‘n Blues
27/07 – Zeewolde (Hol) – NatuPop Festival – zaterdag 27 juli 2019
27/07 – Leeuwarden (Hol) – Cafe Scooters Leeuwarden
28/07 – Ranst (Bel) – Golden Driver
28/07 – Brielle (Hol) – Brielle Blues 2019

30/07 – Mol (Bel) – Jazzoet
31/07 – Halle (Bel) – Blue Note Pub
01/08 – Hoegaarden (Bel) – Den Venetiaen
02/08 – Laarne (Hol) – Rockin’ Bar
03/08 – Retie (Bel) – Harley Davidson Rally
04/08 – Lille (Bel) – Staminee De Crawaett-Lille

Billy Biker (clipe)- Old Chevy:

Duca Belintani mescla blues e folclore e grava CD espetacular

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Por Fabian Chacur

Com mais de 35 anos de carreira, Duca Belintani é cantor, compositor, guitarrista, educador, produtor e escritor. No currículo, seis CDs, participação no grupo Verminose e coautoria (ao lado de Ricardo Gozzi) do livro Kid Vinil Um Herói do Brasil, biografia do saudoso vocalista do Magazine e do Verminose. Agora, chegou a vez do sétimo álbum, e o mote para o mesmo não podia ter sido mais interessante: uma fusão entre as várias vertentes do blues, seu estilo musical de coração, e o folclore brasileiro. Desta forma, nasceu Blues Na Floresta, sem exageros um dos grandes lançamentos de 2019 até o momento.

Como forma de viabilizar o seu projeto, Duca se associou ao letrista Osmar Santos Jr. . Juntos, escolheram personagens icônicos do folclore brasileiro, adaptando para a nossa cultura uma das características mais peculiares das origens do blues americano. O resultado não poderia ter ficado melhor, trazendo para a brincadeira o lobisomem, o saci pererê, o bicho papão, o boitatá, o curupira e outros. O bacana é que as letras conseguem ao mesmo tempo dialogar com o público infantil e o adulto, sem cair em abordagens infantilistas que por vezes tornam esse tipo de trabalho um desrespeito à inteligência dos petizes.

Duca, que canta bem e toca uma guitarra incisiva e personalizada, conta com o apoio de Benigno Sobral (baixo), Ulisses da Hora (bateria), Ricardo Scaff (gaita), Vinas Peixoto (percussão), Adriano Grineberg (teclados) e Mateus Schanoski (teclados). Esse time dá uma consistência musical impecável às 11 gravações, com direito a muita energia, qualidade técnica e tesão, elementos sem os quais o blues não tem como se tornar relevante, em face de sua aparente simplicidade estilística. Tocar blues é simples, mas tocar blues BEM não é para qualquer um, e Duca e sua gang dão um show nesse requisito.

Além desse timaço, o disco também traz convidados especiais de primeira: Andreas Kisser, Graça Cunha, Paulo Freire, Suzana Salles, Theo Werneck e Vange Milliet, que ajudam a dar aquele retoque final e perfeito a algumas das faixas. A musicalidade mergulha em diversas variações do blues, com direito a elementos de jazz, rockabilly e rhythm and blues.

O lado mais pesado, próximo do hard rock, aparece nas faixas Cuca e Blues Na Floresta. O divertido rockabilly Assombrou a Festa traz os vocais irreverentes de Suzana Salles e Vange Milliet, enquanto o clima rhythm and blues suave permeia a bela Iara, com vocal de Graça Cunha. Matita Pereira tem uma deliciosa levada jazzy com uma pitada de Moondance, de Van Morrison, enquanto Lobisomem vai na linha do blues rock compassado. Um álbum espetacular!

Blues Na Floresta mostra que um dos ritmos mais influentes e seminais da música pode ser explorado com uma abordagem brasileira sem sair de seus cânones tradicionais. E vale ressaltar a belíssima apresentação do CD, com direito a capa digipack, encarte colorido e belíssimas ilustrações individualizadas para cada personagem (incluindo o próprio Duca) feito por feras como Tim Ernani, Marco China, Ennio Nascimento, Kel Cerruti, Thiago Martins, Gabi Barbosa, Edison Vieira Pinto, Marcos Madalena, Luiz Gabriel, Nando Sobral e Milton de Souza (o Trinkão Watts, baterista do Magazine e do Verminose).

Ouça trechos das canções do álbum Blues Na Floresta:

Rolling Stones lançam registro de show de 1997 em vários formatos

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Por Fabian Chacur

E prossegue a série de lançamentos de registros de shows dos Rolling Stones durante sua extensa e bem-sucedida carreira com quase 60 anos de estrada. Desta vez, teremos Bridges To Bremen, que a Universal Music, em parceria com a Eagle Music, promete colocar no mercado mundial de áudio e vídeo no próximo dia 21 de junho. No Brasil, o produto será disponibilizado apenas em DVD e digital (áudio e vídeo), mas no exterior teremos também Blu-ray, DVD+2 CDs, Blu-ray+2 CDs e vinil triplo.

Bridges To Bremen flagra a banda de Mick Jagger e Keith Richards em Bremen, na Alemanha, em show da turnê durante a qual o grupo britânico divulgava o seu então mais recente álbum, Bridges To Babylon (1997). Foi a primeira turnê deles a incluir o recurso de um pequeno palco no meio da plateia, no qual, durante uma pequena parte do espetáculo, os músicos apresentavam algumas músicas em clima mais intimista (obviamente para quem estivesse lá perto, pois os shows eram sempre realizados em estádios e ginásios). Por volta de 40 mil pessoas estavam naquele show, em particular.

Entre 1997 e 1998, os Stones fizeram 97 shows em quatro continentes, atraindo mais de 4.5 milhões de fãs. No repertório, seus grandes clássicos e também algumas faixas de Bridges To Babylon, como Flip The Switch, Anybody Seen My Baby? e Thief In The Night. Em cada apresentação, era feita uma consulta prévia via internet para que o público escolhesse uma faixa exclusiva a ser adicionada no show. Memory Motel venceu, no caso de Bremen. Nos bônus de DVD e Blu-ray, foram incluídas quatro performances de um show em Chicago (EUA).

O conteúdo de vídeo e áudio de Bridges To Bremen foi restaurado, remixado e remasterizado. Antes desse lançamento, a Universal Music promete para o dia 19 deste mês Honk, nova coletânea com 36 faixas lançadas originalmente entre 1971 e 2010, e uma Deluxe Edition do CD Blue & Lonesome, trazendo como bônus 10 faixas gravadas ao vivo em estádios ao redor do planeta.

CONTEÚDO De BRIDGES TO BREMEN

DVD e Blu Ray

(I Can’t Get No) Satisfaction
Let’s Spend The Night Together
Flip The Switch
Gimme Shelter
Anybody Seen My Baby?
Paint It Black
Saint Of Me
Out Of Control
Memory Motel
Miss You
Thief In The Night
Wanna Hold You
It’s Only Rock ‘n’ Roll (But I Like It)
You Got Me Rocking
Like A Rolling Stone
Sympathy For The Devil
Tumbling Dice
Honky Tonk Women
Start Me Up
Jumpin’ Jack Flash
You Can’t Always Get What You Want
Brown Sugar

BRIDGES TO CHICAGO

BONUS PERFORMANCES

Rock And A Hard Place
Under My Thumb
All About You
Let It Bleed

CD DUPLO E LP DE VINIL TRIPLO

(I Can’t Get No) Satisfaction

Let’s Spend The Night Together

Flip The Switch

Gimme Shelter

Anybody Seen My Baby?

Paint It Black

Saint Of Me

Out Of Control

Memory Motel

Miss You

Thief In The Night

Wanna Hold You

It’s Only Rock ‘n’ Roll (But I Like It)

You Got Me Rocking

Like A Rolling Stone

Sympathy For The Devil

Tumbling Dice

Honky Tonk Women

Start Me Up

Jumpin’ Jack Flash

You Can’t Always Get What You Want

Brown Sugar

Veja o trailer de Bridges To Bremen:

Mart’nália faz deliciosa viagem pela obra de Vinicius de Moraes

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Por Fabian Chacur

Há artistas que possuem uma forte assinatura autoral naquilo que fazem. Mart’nália integra esse restrito grupo a partir de sua voz, que consegue conciliar um registro mais áspero com uma doçura que você reconhece logo nos primeiros segundos de suas interpretações. Versátil, ela é cantora, compositora, musicista, produtora… Com 32 anos de carreira discográfica, ela dedica o seu novo álbum a um dos repertórios mais nobres da música brasileira. O título entrega o conteúdo: Mart’nália Canta Vinícius de Moraes, lançamento da Biscoito Fino que já está disponível em CD e nas plataformas digitais.

Este novo trabalho de Mart’nália começou bem logo na escolha de seus produtores, o saudoso baixista Arthur Maia e o guitarrista Celso Fonseca. Essa dupla talentosíssima soube arregimentar músicos que, junto com eles, foram capazes de dar conta de uma sonoridade centrada na música brasileira, mas com uma fluência jazzística e apego às sutilezas elegantes.

A escolha do repertório equivale a uma significativa amostra do que melhor o nosso amado Poetinha fez em sua carreira no mundo da música popular, trazendo exemplares de suas parcerias com Tom Jobim, Toquinho, Baden Powell, Carlos Lyra e Hermano Silva. De quebra, temos a voz do próprio abrindo e fechando o CD, com seu tom agradável e mais afinado do que quem não conhece a sua história pode imaginar. Poeta, sim, e dos bons, mas um vocalista bastante respeitável, sem ser um Pavarotti, obviamente.

Com seu estilo próprio e descontraído, Mart’nália aproveita essa roupagem bacana imprimida às músicas de Vinícius para dar a elas releituras elegantes, reverentes e respeitosas, mas sem cair na mera repetição, armadilha em que alguns intérpretes caem quando ficam diante de canções tão clássicas e tão icônicas como essas contidas neste trabalho.

Além do homenageado, temos as participações de Maria Bethânia recitando o Soneto do Corifeu, interpolado em Eu Sei Que Vou Te Amar, a cantora italiana radicada na França Carla Bruni em versão bilíngue de Insensatez, e de Toquinho na sua parceria com Vinícius Tarde em Itapoã. A irreverência de A Tonga da Mironga do Kabuletê e Maria Vai Com As Outras, o ode à saudade de Onde Anda Você, o lirismo de Minha Namorada, é um clássico atrás do outro.

Mart’nália Canta Vinícius de Moraes é o tipo do tributo que esse grande nome da cultura brasileira merece, um verdadeiro banho de sensibilidade, talento e respeito. Difícil ser mais elegante e swingada do que Mart’nália foi com essas canções tão maravilhosas, que refletem o melhor de um país que a gente ama e respeita mais do que nunca. Cultura é isso!

Onde Anda Você– Mart’nália:

Zé Guilherme apresenta o seu Alumia com show em São Paulo

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Por Fabian Chacur

Ao conceber em termos artísticos o seu quarto álbum em 20 anos de trajetória artística, o cearense radicado em São Paulo Zé Guilherme resolveu dar vasão ao seu lado compositor. Eis a semente que gerou o ótimo Alumia, álbum disponibilizado em CD e nas plataformas digitais. Ele mostrará o repertório desse trabalho com um show em São Paulo que será realizado nesta sexta (29) às 21h no Teatro do Sesc Belenzinho (Rua Padre Adelino, nº 1.000- fone 0xx11-2076-9700, com ingressos custando de R$ 6,00 a R$ 20,00.

Das 13 faixas incluídas em Alumia (lançamento independente em CD com distribuição da Tratore), oito levam a assinatura de Zé Guilherme, sendo três sozinho e cinco com parceiros como Marcelo Quintanilha, Cezinha Oliveira, Cris Aflalo e Luis Felipe Gama. Os arranjos, direção e produção musical ficaram a cargo de Cezinha Oliveira, que também se incumbiu de violões, guitarra e vocais.

Com uma voz de timbre bastante agradável, Zé Guilherme também se mostra um ótimo letrista. Sua musicalidade investiga com categoria várias vertentes da nossa música, com um tempero jazzístico no meio e elementos de bossa nova, samba, ritmos nordestinos etc. O resultado: canções bem construídas por ele e bem selecionadas (no caso das de outros autores). São vários os momentos a serem destacadas, entre os quais a bela faixa-titulo, A Voz do Rio, Paixão Elétrica, Teus Passos, Ave Solitária e Cesta Básica.

A carreira discográfica de Zé Guilherme teve início em 2000 com o lançamento de Recipiente. Em 2006, tivemos Tempo ao Tempo. Em 2015, ele homenageou um de seus grandes ídolos com o álbum-tributo Abre a Janela- Zé Guilherme Canta Orlando Silva, com produção do mesmo Cezinha Oliveira de Alumia e relendo clássicos do repertório do inesquecível intérprete.

Alumia– Zé Guilherme:

Nós do Rock Rural é a celebração a uma musicalidade belíssima

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Por Fabian Chacur

No início dos anos 1970, surgiu no Brasil uma nova sonoridade, misturando de forma sensível e criativa folk, country, rock, música caipira-rural e MPB, que passou a ser definida como rock rural. Dessa seara sonora, saíram nomes que se eternizaram na história da nossa música, e cujas obras prosseguem sendo apreciadas e inspirando novos talentos. É exatamente uma reunião de seminais representantes desse estilo que é flagrada no CD Encontro de Gerações, apropriadamente creditado a um grupo singelamente intitulado Nós do Rock Rural. Um lançamento da gravadora Kuarup que merece a denominação histórico, sem exagero.

Afinal, marcam presença neste álbum, gravado ao vivo no Sesc Vila Mariana (SP) em fevereiro de 2018, representantes seminais do rock rural. Guarabyra, do trio pioneiro Sá, Rodrix & Guarabyra e há 50 anos na estrada; Tavito, que após integrar o mítico grupo Som Imaginário investiu em carreira-solo nessa praia; e os excelentes discípulos Tuia Lencioni, ex-integrante do grupo Dotô Jeka que há quase 20 anos mostra grande talento em carreira individual, e o violeiro Ricardo Vignini, um músico absurdamente bom que além de trajetória individual também investe em projetos como o grupo Matuto Moderno e o duo Moda de Rock.

Se a reunião dos quatro já seria sensacional, a cereja do bolo foi a participação especial de Zé Geraldo, nosso trovador tupiniquim do mais nobre escalão. Não tinha como dar errado, e deu certíssimo. O formato é totalmente acústico, com violões e violas envenenadas (com alguma percussão aqui e ali) dando o tom para vocalizações arrepiantes. São 17 músicas, sendo cinco de Tuia, quatro de Guarabyra, quatro de Guarabyra, duas de Zé Geraldo e duas de Vignini. Todas escolhidas a dedo, e apresentadas de forma quente, despojada e com aquele clima de amigos tocando em volta de uma fogueira, em uma “casa no campo”.

Os artistas variam as formações, indo de momentos individuais a outros com os cinco no palco. Chega a ser covardia ver no set list maravilhas do porte de Senhorita, Casa no Campo, Dona, Rua Ramalhete, Sobradinho e Espanhola, notáveis cavalos de batalha do cancioneiro rock rural brazuca. E que se faça justiça: as músicas de Tuia, especialmente a magnífica Flor, só não viraram megahits em nível nacional porque, infelizmente, as rádios não dão mais os espaços que davam para esse tipo de canção nos anos 1970 e 1980. E temos também duas tour de force de Vignini na viola solo, Capuxeta e Alvorada.

As canções fluem de forma deliciosa, e o alto astral entre os participantes aparece nítido em cada uma delas. Um dos momentos mais bacanas é proporcionado por Tavito, quando erra a introdução de Começo, Meio e Fim, dá a volta por cima, começa tudo de novo e arrepia a todos no melhor estilo voz e violão solo. As vocalizações, o som das cordas, as melodias, temos aqui um verdadeiro banho de sensibilidade, provenientes dessa musicalidade tão bonita.

A parte triste fica por conta de ter sido provavelmente a última gravação de Tavito, que nos deixou há pouco. Mas não poderia sair de cena de forma mais digna. A reunião de amigos intitulada Nós do Rock Rural mostra nesse Encontro de Gerações que o rock rural continua mais vivo do que nunca, e pedindo passagem para amealhar ainda mais fãs por esse mundo afora. Um disco perfeito para espantar os maus fluidos de um tempo tão difícil como o que estamos vivendo atualmente. “Ah, coração, se apronta pra recomeçar…”

Rua Ramalhete (ao vivo)- Nós do Rock Rural:

Ayrton Montarroyos esbanja sua elegância em CD gravado ao vivo

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Por Fabian Chacur

Se fosse necessário definir o segundo CD de Ayrton Montarroyos, Um Mergulho no Nada (lançado pela gravadora Kuarup) com apenas uma palavra, eu escolheria esta aqui: elegante. O intérprete pernambucano de 23 anos esbanja tal qualidade durante os aproximadamente 35 minutos de duração deste belo álbum, gravado ao vivo ironicamente no dia 1º de abril de 2018 no Teatro Itália, em São Paulo. Pois se há uma coisa que a performance do moço não emana, é mentira. A verdade marca presença por aqui de ponta a ponta.

Ayrton ficou conhecido nacionalmente ao ser um dos finalistas em 2015 do reality show musical The Voice Brasil. Em 2017, lançou o primeiro álbum, gravado em estúdio e autointitulado. Desta vez, ele nos oferece sua alma desnuda. Afinal de contas, trata-se de um trabalho ao vivo e no qual ele conta com o apoio de apenas um instrumento, no caso o violão de 7 cordas tocado magistralmente por Edmilson Capelupi, literalmente professor nessa área e conhecido por participar das trilhas dos filmes Dois Córregos (1999) e Cidade de Deus (2002) e gravar com gente do gabarito de Jane Duboc, Zizi Possi, Patricia Marx, Eliete Negreiros e muitos outros.

Nesse formato, a interação entre cantor e músico precisa ser absurda. Afinal, qualquer eventual falha fica exposta de forma constrangedora. Neste caso, a dobradinha Montarroyos-Capelupi envolve o ouvinte de forma poderosa, pois temos um vibrante diálogo entre os acordes, baixos e dedilhados do violão com a voz ao mesmo tempo doce e mais próxima das regiões graves do cantor. Os vazios são sempre aproveitados de forma estilística, não ocasional, e são poucos, pois o preenchimento de espaços feito por eles é cirúrgico.

As dez faixas selecionadas por Ayrton para Um Mergulho no Nada vão desde obras de compositores jovens até pérolas obscuras pinçadas de eras distantes e nobres da nossa música, passando por alguns clássicos, também. Na verdade, temos a impressão de que o principal critério seguido por ele deve ter sido o mais simples, e ao mesmo tempo mais coerente: aquelas canções que melhor se encaixam em sua musicalidade, que falam mais para ele, e que ele sente mais prazer em interpretar. E como deu certo!

Com um timbre belíssimo de voz, Ayrton Montarroyos procura trabalhá-lo de forma precisa, sem se permitir arroubos operísticos ou exagerados. As sutilezas são esmiuçadas no melhor estilo bossa nova, com inspiração provavelmente de gente do gabarito de Caetano Veloso e João Gilberto. Cada palavra é dita com conhecimento de causa de quem entende seu significado e procurando transmitir o sentido de cada poesia ao ouvinte, como que o convidando a sonhar, sofrer, amar e imaginar cada contexto criativo proposto por seus autores.

Alguns poderiam contestar as releituras de músicas com versões originais tão marcantes como Açaí (Djavan) e Cálice (Chico Buarque-Gilberto Gil), mas vale lembrar a justificativa que os integrantes do grupo Roupa Nova deram em 1999 às releituras que fizeram de seus sucessos no álbum meio eletrônico Agora Sim!: essas regravações não invalidam as anteriores e podem conviver pacificamente. E neste caso específico, Ayrton soube se apropriar das duas e dar a elas uma cara nova e própria. Não supera as originais, mas quem disse que isso seria necessário? O legal é que dá prazer ouvir as duas com ele, e isso basta.

Um Mergulho No Nada (título extraído de versos da canção Sem Pressa de Chegar, de Capiba e Delcio Carvalho e um dos pontos altos do CD) alterna samba, bossa-nova, latinidades, samba-canção e até pop com uma fluência que vai ligando de forma natural uma faixa à outra. Como a duração do álbum equivale a um daqueles discos de vinil de antigamente, dá vontade de ouvir novamente. E aí você ouve, e ouve, e ouve, descobrindo novas sutilezas, novos encadeamentos, novas surpresas. E a paixão se concretiza! Se a ideia era mergulhar no nada, Ayrton na verdade nos fez mergulhar no tudo. Tudo de bom!

Cálice– Ayrton Montarroyos:

Linda Ronstadt brilha em álbum ao vivo inédito gravado em 1980

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Por Fabian Chacur

Com mais de 35 álbuns lançados em seus 50 anos de carreira discográfica, Linda Ronstadt nunca havia nos ofertado um disco gravado ao vivo. Pois essa lacuna acaba de ser preenchida de forma brilhante com Live In Hollywood, que a Warner Music lançou nos formatos CD e vinil no exterior, e também nas plataformas digitais de todo o mundo. Eis um registro sensacional de uma cantora considerada uma das grandes da história do country rock, e não só dele, por sinal.

Infelizmente, esta icônica artista se afastou do cenário musical em 2011. Em agosto de 2013, revelou a razão: é portadora do mal de Parkinson, que a impede de desempenhar o dom que a tornou capaz de emplacar três álbuns no topo da parada americana, de ganhar 13 troféus Grammy, vender mais de 30 milhões de discos em todo o mundo, entrar no Rock And Roll Hall Of Fame e ser considerada a pioneira entre as roqueiras solo a lotar grandes arenas, na década de 1970.

Live In Hollywood foi gravado ao vivo em um show registrado para exibição no canal a cabo HBO em 24 de abril de 1980 no Television Center Studios, em Hollywood. Aos 33 anos (completaria 34 no dia 15 de julho daquele mesmo ano), a moça vivia o auge em termos de popularidade, estando no início da turnê que divulgou o álbum Mad Love, lançado dois meses antes e que atingiu o terceiro lugar na parada ianque graças a hits como I Can’t Let Go e How Do I Make To You, que por sinal fazem parte do set list do show que gerou este trabalho ao vivo.

O elenco de músicos que a acompanha no show é uma verdadeira seleção de craques da cena de Los Angeles, mais precisamente do bittersweet rock e do country rock. O saudoso Kenny Edwards (guitarra), que esteve a seu lado no efêmero (porém influente) grupo The Stone Poneys em 1967-1968 e depois se tornou seu braço direito, Danny Kortchmar (guitarra), Dan Dugmore (pedal steel), Russell Kunkel (bateria), Bob Glaub (baixo), Bill Payne (do grupo Little Feat, teclados), Wendy Waldman (vocais de apoio) e Peter Asher (seu produtor, percussão e vocais de apoio). Um timaço, nomes que você encontra em discos das feras dessa praia, tipo James Taylor, Jackson Browne e tantos outros.

Além das músicas do álbum mais recente, ela também nos mostra hits bacanas do seu repertório, entre os quais uma explosiva releitura de You’re No Good com direito a belas performances dos músicos, incluindo um solo de guitarra espetacular de Kenny Edwards. Outras canções matadoras são Just One Look, Back In The U.S.A. e Desperado. Aliás, vale recordar que esta última foi composta e gravada originalmente por uma banda que em 1971, por alguns meses, foi sua banda de apoio, e deixou a função para se aventurar no voraz mundo do rock. Seu nome: The Eagles, ninguém menos do que eles.

Coincidência ou não, Live In Hollywood sai no ano em que a carreira-solo de Linda Ronstadt completa 50 anos, ela que anteriormente havia gravado três álbuns com os Stone Poneys. Em 1969, a cantora lançou Hand Sown…Home Grown, e se criou no cenário do clube Troubadour (West Hollywood, California), que revelou ela, os Eagles, Jackson Browne, James Taylor, Carole King (como cantora) e até mesmo o britânico Elton John (que iniciou sua conquista do mercado americano com um show lá em 1970).

Com forte veia roqueira, Linda no entanto não se limitou a esse estilo musical em sua carreira. Quando criança e adolescente, ouviu literalmente de tudo na casa dos pais, e a partir da década de 1980, deu vasão a essa veia eclética gravando standards do jazz, música mexicana, gospel, ópera e até new age. Entre esses trabalho, destacam-se os gravados com direção do célebre arranjador e maestro Nelson Riddle (que trabalhou com Frank Sinatra) e o grupo Trio, que integrou ao lado das amigas Dolly Parton e Emmylou Harris. Vale recordar que ela foi uma das primeiras a gravar músicas de Elvis Costello.

Eis as músicas de Live In Hollywood:

1. I Can’t Let Go
2. It’s So Easy
3. “Willin’
4. Just One Look
5. Blue Bayou
6. Faithless Love
7. Hurt So Bad
8. Poor Poor Pitiful Me
9. You’re No Good
10. How Do I Make You
11. Back In The U.S.A.
12. Desperado”

You’re No Good (ao vivo)– do álbum Live In Hollywood:

Michel Freidenson e Teco Cardoso releem Luiz Millan e Moacyr Zwarg em DVD e CD

Michel Freidenson, Anna Setton, Luiz Millan e Teco Cardoso - Foto Priscila Prade-400x

Por Fabian Chacur

Formado em medicina com especialização em psiquiatria, Luiz Millan também desenvolveu sua veia musical, estudando piano e violão. Após ver um show do pianista Moacyr Zwarg, não só procurou o músico para elogiá-lo como também quis ter aulas com ele. O aprendizado formal não foi lá essas maravilhas, mas rendeu coisa melhor: uma parceria musical. Nascia ali uma semente que rendeu quase 40 músicas, um CD de estúdio e, agora, um DVD-CD, Dois Por Dois Ao Vivo. Trata-se de um trabalho inusitado, e cuja história é deliciosa, envolvendo fortes amizades e muito talento e emoção. O resultado merece bons elogios.

Pois vamos acrescentar mais informações sobre os eventos que geraram este trabalho. Millan viu que o número de obras compostas por ele e Zwarg era bastante significativo. Aí, surgiu a ideia de registrar uma parte delas, 14, para ser mais preciso, em um CD. Mas o conceito em torno desse trabalho seria diferente. Ao invés de os autores as gravarem, eles convidariam dois outros músicos para interpretá-las. E Millan resolveu convidar um amigo que já havia trabalhado com ele, o pianista, compositor e arranjador Michel Freidenson.

Na estrada desde os anos 1980 com muito destaque, integrante de bandas como a ZonaZul e acompanhando nomes do porte de Hermeto Pascoal, Djavan, Milton Nascimento e outros, além de trabalhos próprios, Freidenson aceitou de imediato o convite do velho amigo, e logo em seguida outro parceiro dele de muitos anos, o flautista e saxofonista Teco Cardoso, entrou no time. Teco integrou o ZonaZul junto com Freidenson, e tocou com Edu Lobo, Hermeto Pascoal, Dori Caymmi, Ivan Lins e Toots Thielemans. Mesmo sem tocar junto há algum tempo, o duo logo viu que continuava entrosado.

O CD Dois Por Dois saiu em 2016, e no dia 25 de agosto daquele mesmo ano foi realizado em São Paulo, no Teatro Espaço Promon, um show de lançamento. O espetáculo traria no palco Freidenson, Cardoso e também a cantora Anna Setton, que participou do álbum na única faixa com vocais do mesmo, a delicada balada Janeiro de 76. Millan apresentou as músicas e tocou piano em um único momento, para acompanhar no piano a leitura do poema Depois de Ouvir o Millan (de autoria de Márcia Salomão) por Marília Pereira Bueno Millan.

Felizmente, surgiu a ideia de gravar, com quatro câmeras e direção do jovem Thales Menezes, a apresentação, mas com o intuito apenas de registrar o evento. O resultado, no fim das contas, ficou tão bom que o lançamento se mostrou inevitável, e é exatamente o que acaba de acontecer, em luxuosa embalagem digipack com direito a encarte caprichado e englobando DVD e CD em um único produto, distribuído pela Tratore e com preço médio de R$ 30,00.

O repertório traz as 14 faixas do CD de estúdio mais o já citado poema e também três canções de Millan compostas com outros parceiros: E O Palhaço Chorou (com Mozar Terra), Entre Nuvens (com Plinio Cutait) e Montparnasse (também com Plinio Cutait). As três, e também Janeiro de 76, são interpretadas em um único bloco no show por Anna Setton, que se mostra à vontade na função, ressaltando as boas melodias e letras de cada faixa.

As músicas da dupla Millan & Zwarg possuem uma delicadeza muito grande, valendo-se de elementos de várias vertentes da música brasileira e com um tempero erudito. A seleção, segundo conta Millan no ótimo making of de 16 minutos contido no DVD, procurou optar por uma diversidade de estilos, com direito a canções, bossa nova e até frevo. O Passar das Horas, Frevo Para Léa (bela homenagem a Lea Freire), Dois Por Dois e Primeiro Amor são destaques de um repertório que flui sem dificuldade.

A parte triste ficou para o fim. No dia 22 de junho de 2017, durante a fase de produção do DVD, Moacyr Zwarg nos deixou, aos 72 anos de idade. Ele aparece tanto no making of (gravado em 2016, após o lançamento do CD de estúdio) como na plateia do show, e este lançamento equivale a uma bela e merecida homenagem a ele, oriundo de uma família de vários músicos (incluindo o pai, Antonio Bruno Zwarg) e com trabalhos ao lado de nomes como Hermeto Pascoal, Fagner, Ednardo, Leny Andrade e Peri Ribeiro, entre outros.

Janeiro de 76 (ao vivo)- Michel Freidenson e Teco Cardoso, com Anna Setton:

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