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Meu Tio e o Joelho de Porco na programação do Canal Brasil

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Por Fabian Chacur

Em 1988, um certo Rafael perdeu precocemente seu pai, o empresário Sérgio Terpins, vítima de um infarto. A presença de seu tio Tico o ajudou bastante a lidar com uma perda tão terrível e repentina. Dez anos depois, é Tico que se vai, também antes do que se imaginaria. Em 2018, agora cineasta, Rafa nos oferece um delicado relato sobre esse parente tão peculiar, que para o público em geral tem relevância como o criador da incrível banda Joelho de Porco. Trata-se de Meu Tio e o Joelho de Porco, delicioso documentário que o Canal Brasil exibe nesta quinta (30) às 18h45, sexta (31) às 15h45 e domingo (2-6) às 10h55.

É importante ter em mente essa dualidade de intenções do documentário para apreciá-lo melhor. Não se trata de um filme exclusivamente sobre o grupo paulistano surgido em 1972 e criado pelo cantor, compositor e baixista Tico Terpins em parceria com o vocalista Próspero Albanese, que ele conheceu nos tempos de colégio. Ou seja, análises um pouco mais detalhadas dos álbuns lançados pela banda, suas influências musicais, algumas contradições em sua trajetória e mesmo opiniões de críticos ficaram de fora, mostrando que um segundo filme só sobre o grupo em si seria mais do que bem-vindo.

Mas a relação entre Rafael e seu tio famoso, explicitada na tela, nos ajuda muito a conhecer melhor esse personagem peculiar. Um cara genial em termos artísticos, que soube encaminhar o bom humor existente no trabalho dos Mutantes rumo a estâncias ainda mais extremas, em uma união rock-sátira que iria inspirar Língua de Trapo, Premeditando o Breque e diversos outros artistas dessa praia, até mesmo os Mamonas Assassinas, como ilustra depoimento de Zé Rodrix, integrante do grupo nos anos 1980.

Fugindo de uma abordagem mais convencional, Rafael é uma espécie de mestre de cerimônias do filme, amarrando as cenas com suas participações guiando o LTD do tio e conversando com um boneco que representa o músico, em diálogos deliciosos. O material de arquivo teve excelente utilização, permitindo conferir a trajetória da banda e suas performances em apresentações na TV e em shows, além de algumas entrevistas resgatadas. Depoimentos atuais de ex-integrantes como Próspero e de parentes de Tico nos permitem descobrir peculiaridades desse personagem incomum.

Se era um músico de primeira, Tico tinha um bom-humor do tipo “perco o amigo, mas não perco a piada”. Vários desses momentos absurdos gerados por seu temperamento irrequieto são relatados no filme, incluindo “causos” bizarros ocorridos durante shows e programas de TV. O legal é que Rafael não tenta esconder esse lado inconsequente do tio, uma das possíveis razões pelas quais o Joelho de Porco não conseguiu o sucesso que merecia ter atingido.

Outro problema que Rafael conseguiu superar do jeito que deu foi o fato de Billy Bond, vocalista da banda durante a sua “fase punk”, que gerou o álbum Joelho de Porco (1978), lançado pela gravadora global Som Livre, ter saído do time de forma nada amigável. No filme, o bonequinho Tico afirma que aquele álbum, o com mais visibilidade dentre os quatro que gravaram, com direito a comerciais na Globo e tudo, não passava de “um disco sem alma”.

E Rafa lê o SMS enviado por Billy justificando o porque não aceitou o convite para dar a sua versão para o fim de sua participação no Joelho de Porco. O curioso fica por conta da apresentação dos registros de TV e shows dessa fase, nas quais as imagens de Bond são distorcidas. Ficou estranho, mas acabou sendo melhor do que excluí-las, pois são em quantidade bastante expressiva.

A parceria com Arnaldo Baptista em seu primeiro compacto simples, de 1973, o incrível álbum de estreia São Paulo 1554-Hoje (1975), um dos melhores da história do rock brasileiro, o polêmico “disco punk” de 1978 e os dois dos anos 1980, já na fase com Zé Rodrix, Saqueando a Cidade (1983) e 18 Anos Sem Sucesso (1988) são abordados, assim como a atuação de Tico Terpins no mercado publicitário e como dono de estúdio de gravação.

Meu Tio e o Joelho de Porco equivale a uma deliciosa viagem pela vida de um cara do tipo malucão que nos deixou um legado musical que merece ser mais reverenciado, e sua principal virtude é exatamente essa: incentivar quem o vê a ir atrás dos quatro álbuns do grupo, todos repletos de maravilhas do porte de Boing 723897, México Lindo, Mardito Fiapo de Manga, São Paulo By Day, O Rapé, Vai Fundo, A Última Voz do Brasil e tantas outras.

Ouça São Paulo 1554-Hoje, do Joelho de Porco:

Morrissey relê clássico de Laura Nyro com Billie Joe Armstrong

Por Fabian Chacur

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Em seus mais de 35 anos de carreira, Morrissey já releu algumas canções alheias. Desta vez, no entanto, ele resolveu dedicar um álbum inteiro a esse tipo de repertório. Trata-se de California Son, lançamento de seu selo próprio, o Etienne, que no Brasil é distribuído pela Warner Music nas plataformas digitais, sem lançamento físico ainda previsto por aqui. A grande surpresa fica por conta de um dueto improvável dele com Billie Joe Armstrong.

Sim. O ex-cantor dos Smiths e há 31 anos como artista solo gravou ao lado do cantor, compositor e guitarrista do Green Day, banda que nos anos 1990 ajudou a revitalizar o punk rock. O mais legal é a música que eles escolheram para interpretar juntos. Trata-se de Wedding Bell Blues, composição da genial Laura Nyro que fez sucesso nos anos 1960 com a autora e também com o grupo The Fifth Dimension, uma deliciosa balada soul pop que já teve diversas regravações. A dessa dupla ficou muito simpática e é o ponto alto deste trabalho.

Com produção de Joe Chiccarelli, conhecido por seus trabalhos com U2, Elton John, Aerosmith e Jason Mraz, o trabalho também conta com as participações especiais nos vocais de Petra Haden, Ed Droste, Ariel Engle, Lydia Night e Sameer Gadhia. It’s Over, clássico de Roy Orbison, contou com o aval do filho do autor de Oh Pretty Woman, Roy Junior, que declarou:

“Nós amamos Morrissey! O cabelo de Morrissey e suas letras melancólicas e poéticas sempre me lembravam do meu pai. Sua versão de It’s Over é ótima”.

Eis as faixas de California Son e quem as popularizou (entre parênteses):

1. Morning Starship (Jobriath)
2. Don’t Interrupt The Sorrow (Joni Mitchell)
3. Only a Pawn In Their Game (Bob Dylan)
4. Suffer the Little Children (Buffy St Marie)
5. Days of Decision (Phil Ochs)
6. It’s Over (Roy Orbison)
7. Wedding Bell Blues (The Fifth Dimension)
8. Loneliness Remembers What Happiness Forgets (Dionne Warwick)
9. Lady Willpower (Gary Puckett)
10. When You Close Your Eyes (Carly Simon)
11. Lenny’s Tune (Tim Hardin)
12. Some Say I Got Devil (Melanie)

Wedding Bell Blues– Morrissey e Billie Joe Armstrong:

ZZ Top celebra 50 anos de estrada com uma coletânea

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Por Fabian Chacur

Há 50 anos, caía na estrada uma banda oriunda da cidade de Houston, Texas (EUA), com o intuito de investir no blues e nas variações mais básicas e viscerais do rock. Surgia o ZZ Top, grupo que permanece na ativa e celebra este cinquentenário com Goin’ 50, coletânea que a Warner Music lançará em junho em duas configurações, no Brasil. Uma, física, trará 18 faixas, enquanto a outra, para as plataformas digitais, inclui um total de 50 faixas. Trata-se de uma celebração mais do que merecida.

No início, o cantor, compositor e guitarrista Billy Gibbons tinha a seu lado Lanier Greig (baixo e teclados) e Dan Mitchell (bateria). Após o lançamento do single com as músicas Salt Lick e Miller Farm, no entanto, esse dois músicos sairiam fora, substituídos ainda naquele 1969 por Dusty Hill (baixo) e Frank Beard (bateria). Felizmente, os novos parceiros permaneceriam firmes e fortes ao lado de Gibbons durante as décadas que se seguiriam.

O primeiro álbum do trio saiu em 1971, intitulado ZZ Top’s First Album. O sucesso em termos comerciais veio a partir do terceiro trabalho, Tres Hombres (1973), que atingiu o 8º posto na parada americana. Graças a shows sempre energéticos e ao carisma de seus músicos, especialmente do guitarrista Billy Gibbons, logo frequentador assíduo das listas de melhores no instrumento, a banda aos poucos foi ganhando fãs entusiásticos.

Nos anos 1980, passaram a lotar estádios, graças ao estouro de álbuns como Eliminator (1983), que vendeu mais de 10 milhões de cópias nos EUA. Eles acrescentaram teclados eletrônicos, mas sem descaracterizar sua sonoridade clássica, uma mistura de blues, rock, hard rock e boogie. A entrada da música Doubleback, faixa do álbum Recycler (1990), na trilha do filme De Volta Para o Futuro 3 também ajudou bastante em sua popularidade.

O bacana do ZZ Top é a sua postura desencanada, com dois de seus integrantes (Gibbons e Hill) usando longas barbas e todos eles vestindo roupas esporte bem avacalhadas. O que conquistou o grande público foi mesmo a música, pois os shows também não ficam se valendo de recursos cênicos exagerados.

A seleção de músicas de Goin’ 50 dá uma geral em toda a carreira, sendo que a digital inclui ao menos uma faixa de cada um de seus álbuns de estúdio, do primeiro até o mais recente, La Futura (2012), com direito ao raro primeiro single. A versão física faz um apanhado mais resumido, porém muito bacana da carreira toda, e serve como uma boa amostra da bela trajetória do trio texano, que já se apresentou no Brasil lá pelos idos de 2010 e está iniciando uma turnê americana para festejar essas bodas de ouro roqueiras.

Confira o repertório do álbum físico:

La Grange
Sharp Dressed Man
Gimmie All Your Lovin’
Tush
Cheap Sunglasses
I’m Bad, I’m Nationwide
Legs
Got Me Under Pressure
Rough Boy
Sleeping Bag
Velcro Fly
Doubleback
Viva Las Vegas
Pincushion
What’s Up With That
Fearless Boogie
Piece
I Gotsta Get Paid

Confira o repertório do álbum digital:

La Grange
Sharp Dressed Man
Gimmie All Your Lovin’
Tush
Legs
Rough Boy
I’m Bad, I’m Nationwide
Cheap Sunglasses
Got Me Under Pressure
Sleeping Bag
Velcro Fly
Doubleback
Viva Las Vegas
Salt Lick
Miller’s Farm
(Somebody Else Been) Shaking Your Tree
Francine
Beer Drinkers & Hell Raisers
Waitin’ For The Bus
Jesus Just Left Chicago
Heard It On The X
Back Door Medley (Live)
It’s Only Love
Arrested Whilst Driving Blind
Enjoy and Get It On
I Thank You
Leila
Tube Snake Boogie
Pearl Necklace
TV Dinners
Can’t Stop Rockin’
Stages
Delirious
Woke Up With Wood
Concrete And Steel
My Head’s In Mississippi
Give It Up
Decision Or Collision
Gun Love
Pincushion
Breakaway
Girl In A T-Shirt
Fuzzbox Voodoo
She’s Just Killing Me
What’s Up With That
Bang Bang
Rhythmeen
Fearless Boogie
36-22-36
Piece

Doubleback (clipe)- ZZ Top:

The Waterboys de Mike Scott lançam single; álbum a caminho

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Por Fabian Chacur

Além de bandas que lotaram estádios pelo mundo afora, como U2, R.E.M. e Bon Jovi, a década de 1980 também foi pródiga em revelar grupos que, se não tiveram tanto êxito comercial, cativaram corações suficientes para mantê-los relevantes. Este é o caso do The Waterboys, um time rocker escocês daquela safra que anuncia para o dia 24 de maio o lançamento de seu 12º álbum de estúdio. Trata-se de Where The Action is, estréia deles no badalado selo indie britânico Cooking Vinyl. Para ir saciando a sede de seus fãs, programaram o lançamento de dois singles, ambos ótimos.

O primeiro, Right Side Of Heartbreak (Wrong Side Of Love) (ouça aqui), possui uma levada dançante com ecos de Sympathy For The Devil, dos Rolling Stones. O outro, recém-lançado, é Where The Action Is, a faixa-título do novo trabalho e um rock bem bacana com tempero soul (especialmente nos vocais de apoio de Jess e Zeenie) e solos rapidinhos de guitarra a la hard-heavy metal.

Criado em Edimburgo, Escócia, em 1983, The Waterboys é na verdade uma banda com dono. No caso, o cantor, compositor e músico Mike Scott. Não por acaso, o grupo já teve, em seus 36 anos de existência, a participação de mais de setenta músicos, entre colaborações em shows e gravações de seus discos.

Alguns deles marcaram época, como o cantor, compositor e tecladista Karl Walinger, que ficou de 1983 a 1986, saindo depois para montar outra banda alternativa bacana (World Party), Anthony Thistlethwaite (sax e mandolim) e Steve Wickham (mandolim e violino elétrico).

Com um som que mistura de forma impactante rock, folk britânico, soul e pop, o grupo ficou marcado por singles poderosos como The Whole Of The Moon, Don’t Bang The Drum, Medicine Ball e Fisherman’s Blues, e álbuns ótimos do calibre de This Is The Sea (1985), Fisherman’s Blues (1988) e Room To Roam (1990). O grupo saiu de cena em 1993, após o lançamento de Dream Harder.

Após um período durante o qual lançou dois discos solo, Mike Scott resolveu reativar a marca The Waterboys, e o marco desse retorno é o álbum A Rock In The Weary Land (2000). Desde então, o time se mantém ativo, lançando novos trabalhos com certa regularidade e fazendo shows.

O fiel escudeiro de Scott e segundo mais antigo integrante do grupo é Steve Wickham, que saiu em 1990, voltou em 2001 e permanece firme e forte desde então. Where The Action Is será disponibilizado no exterior nos formatos CD simples, CD duplo, LP de vinil, download digital e nas plataformas digitais.

Eis as faixas de Where The Action Is:

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1. Where The Action Is
2. London Mick
3. Out Of All This Blue
4. Right Side Of Heartbreak (Wrong Side Of Love)
5. In My Time On Earth
6. Ladbroke Grove Symphony
7. Take Me There I Will Follow You
8. And There’s Love
9. Then She Made The Lasses-O
10. Piper At The Gates Of Dawn

CD 2 – Where The Action Is… Mashed

1. Where The Action Is (Mash)
2. London Mick (Jess’n’Zeenie Mix)
3. Out Of All This Blue (Soul Choir)
4. Right Side Of Heartbreak (Box & Vox)
5. In My Time On Earth (Scott & Wickham Mix)
6. Ladbroke Grove Coda
7. I Will Follow You Take Me There
8. And There’s Love (Mashtrumental)
9. Then She Made The Lasses (Mash)
10. Where The Action Is (Reprise)
11. Piper At The Gates of Dawn (Instrumental)

Where The Action Is (clipe)- The Waterboys:

Brian Setzer, dos Stray Cats, um dos grandes estilistas do rock

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Por Fabian Chacur

No dia 3 de fevereiro de 1959, Buddy Holly, Ritchie Valens e The Big Bopper nos deixaram, vítimas de um acidente de avião que seria definido como “o dia em que a música morreu” em 1971 pelo cantor e compositor Dave McLean (leia mais sobre esse tema aqui). Mas a vida é mesmo feita de Encontros e Despedidas, como diriam Milton Nascimento e Fernando Brant. Pois no dia 10 de abril daquele mesmo 1959, nasceu um cara que, anos depois, ajudou a resgatar com brilho esse rock and roll inicial, o incrível cantor, compositor e musico americano Brian Setzer. Ele completa 60 anos nesta quarta (10).

Setzer vira sessentão a mil por hora. Aliás, é irônico pensar que ele chega a uma idade que seus principais ídolos nem sequer chegaram perto de atingir, vide Elvis Presley (morto aos 42), Eddie Cochran (morto aos 21 anos), Gene Vincent (morto aos 36 anos) e o próprio Buddy Holly (morto aos 22 anos). Para felicidade dos fãs, chegará às lojas físicas e virtuais no dia 24 de maio 40, primeiro álbum inédito de estúdio dos Stray Cats (que celebram 40 anos do início de sua carreira) desde 1992, quando saiu Choo Choo Hot Fish.

Com produção a cargo de Peter Collins (que já trabalhou com Rush, Bon Jovi e a Brian Setzer Orchestra) e gravado no fim de 2018 em Nashville, 40 traz faixas como Cat Fight (Over a Dog Like Me), Rock It Off e Cry Danger. O álbum será divulgado como uma turnê comemorativa das quatro décadas do trio roqueiro cujo início está marcado para o dia 21 de junho na Espanha e previsto para acabar (pelo menos, inicialmente) em 31 de agosto nos EUA, passando por vários países europeus e estados americanos. Tipo do show imperdível.

E qual seria a razão para Mondo Pop dar tanta moral para esse cara, diria você? Pois vamos lá. Logo de cara, vale dizer que no início dos anos 1980, quando predominavam a new wave, o tecnopop, o heavy metal e outros estilos do gênero, Brian Setzer, ao lado dos amigos Lee Rocker (baixo) e Slim Jim Phantom (bateria) ousaram investir no mais puro rockabilly, unindo releituras de clássicos da era inicial do rock a composições próprias, com uma energia absurda.

Não foi fácil, no início, pois o público americano não aceitou logo de cara o estilo retrô do trio. Eles se mudaram para a Inglaterra, e foi por lá que conseguiram dar o pontapé inicial na conquista do planeta rock com os ótimos álbuns Stray Cats e Gonna Ball, ambos lançados em 1981. O sucesso chegaria aos EUA e ao resto do mundo em 1982 com o lançamento de Build For Speed, coletânea com faixas extraídas dos dois discos anteriores e que chegou aos primeiros lugares das paradas, impulsionado pelos petardos Stray Cat Strut, Rock This Town e Runaway Boys, só para citar três delas.

Qual o diferencial dos Stray Cats para outros grupos e artistas que tentaram reler o rock cinquentista sem o mesmo êxito? Simples: o imenso talento de Brian Setzer, que além de ser um cantor excepcional é um guitarrista que soube não só incorporar as convenções do rockabilly como elevou-as a um patamar de arte, colocando ali a sua assinatura própria. Atrevo-me a dizer que suas performances em discos e shows são comparáveis, se não até melhores, do que a dos artistas que o inspiraram, uma façanha absurda.

Além do trabalho com os Stray Cats, que se mantiveram entre separações e retornos nesses anos todos, Setzer lançou discos solo nos quais ampliou seus horizontes estéticos, indo do rock instrumental ao rock a la Bruce Springsteen. De quebra, ainda montou a Brian Setzer Orchestra, mesclando rock and roll e jazz estilo big bands de forma primorosa.

Tive a graça divina de ver um show dos Stray Cats no Brasil, mais precisamente no extinto Projeto SP, que ficava em sua segunda fase no bairro da Barra Funda, em 1990. Foram três shows em São Paulo, nos dias 9,10 e 11 de março, e um no Rio, no dia 13 de março. Quem viu, certamente não se esquecerá jamais!

Classifico a performance do grupo naquele dia 9 de março como selvagem, bárbara, adrenalina pura, proporcionada por apenas três músicos, sendo que Slim Jim Phantom tocou de pé e com um kit básico de bateria. O carisma de Brian Setzer é algo absurdo, e o repertório de quebra ainda trouxe a demencial releitura de Summertime Blues, de Eddie Cochran, que considero melhor do que a já maravilhosa versão original de Eddie Cochran. Sinta o drama ao ver o set list:

Rumble in Brighton

Let’s Go Faster

Too Hip, Gotta Go

(She’s) Sexy + 17

That Someone Just Like You

Something’s Wrong With My Radio

Stray Cat Strut

Foggy Mountain Breakdown (Lester Flatt & Earl Scruggs & The Foggy Mountain Boys cover)

Runaway Boys

Summertime Blues(Eddie Cochran cover)

Rock This Town

Bis 1:

Gina

Bring It Back Again

Fishnet Stockings

I Fought the Law (The Crickets cover)

bis 2:

Oh, Boy!(Sonny West cover)

Be-Bop-A-Lula (Gene Vincent & His Blue Caps cover)

Somethin’ Else (Eddie Cochran cover)

Se em 1959 tivemos as tristes despedidas de Buddy Holly, Ritchie Valens e The Big Bopper, o mesmo ano nos ofereceu o nascimento desse magnífico Brian Setzer, que ajudou a manter a tocha olímpica do rock and roll acesa, firme e forte. Tomara que essa turnê dos Stray Cats possa abrir uma brecha para o Brasil. Que tal, heim, Rock in Rio?

How Long You Wanna Live Anyway?– The Stray Cats:

Banda Kurandeiros lança seu novo single, Andando na Praia

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Por Fabian Chacur

Kim Kehl e sua banda Kurandeiros estão com um single novo disponível nos canais digitais. Trata-se de Andando na Praia, um furioso e envolvente rock com tempero de psicodelia divulgado por um audioclipe cujo visual evoca exatamente o desenvolvido pelas bandas de rock da segunda metade dos anos 1960. A música é uma parceria de Kehl com o baixista do grupo, Luiz Domingues. Carlinhos Machado (bateria) completa o time, e participam da gravação Nelson Ferraresso (teclados) e Marcos “Pepito” Soledade (percussão).

Nascida de uma ideia musical de Domingues que foi desenvolvida junto com o grupo e chegou a ser um tema instrumental tocado com sucesso em alguns shows da banda, Andando na Praia tem uma letra bem simples e uma interpretação vibrante por parte da banda, com vocal ardido e solos de guitarra e teclados simplesmente viscerais, tendo de quebra uma cozinha rítmica impecável dando a base a tudo.

Na estrada há 40 anos, Kim Kehl integrou bandas como Made In Brazil, Mixto Quente e Nazi e os Irmãos do Blues. Este guitarrista, cantor e compositor criou os Kurandeiros em 1991, e lançou três CDs (Kim Kehl e os Kurandeiros-2004, Mambo Jambo-2008 e 7 Anos-2012) e um EP desde então. Luiz Domingues, baixista e também compositor, é uma figura marcante da música paulistana, tendo feito parte de grupos bacanas como Língua de Trapo e A Chave do Sol.

Andando na Praia (audioclipe)- Os Kurandeiros:

Bento Araújo e crowdfunding para lançar seu segundo livro

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Por Fabian Chacur

Em 2016, o jornalista, crítico musical, pesquisador e colecionador de discos Bento Araújo conseguiu concretizar um sonho, ao lançar o excepcional livro Lindo Sonho Delirante- 100 Discos Psicodélicos do Brasil (leia a resenha de Mondo Pop aqui).

A repercussão não poderia ter sido melhor, com direito a ótimas vendas em mais de 40 países, cotação máxima (cinco estrelas) na seminal revista britânica Record Collector, ser considerado um dos dez melhores livros sobre música lançados em 2016 pelo conceituado site Vinyl Factory e inúmeras entrevistas e resenhas mundo afora. Seria lógico imaginar o lançamento de um segundo volume, e é exatamente isso o que Bento está batalhando para concretizar.

Ele novamente se vale do crowdfunding, também conhecido como financiamento coletivo, estratégia criada para viabilizar projetos importantes sem a necessidade de envolver grandes editoras no processo. E mais uma vez a coisa começa bem. Em apenas três dias no site Catarse, Bento conseguiu atingir 50 % da meta mínima capaz de viabilizar o projeto. O prazo para atingir tal objetivo é o dia 14 de junho, e o interessado pode colaborar de várias maneiras (saiba mais aqui).

Intitulado Lindo Sonho Delirante Vol.2- 100 Discos Audaciosos do Brasil (1976-1985), a nova obra do jornalista trará resenhas de álbuns de artistas como Tom Zé, Odair José, Belchior, Lula Côrtes, Arnaldo Baptista, Zé Ramalho, Cátia de França, Luli & Lucina, Papa Poluição, Itamar Assumpção, Aguilar e Banda Performática, A Barca do Sol e outros. Uma das opções do financiamento coletivo permite ao colaborador que investir R$ 95,00 conseguir um exemplar do livro com frete grátis, sendo que o preço pós-campanha será de R$ 120,00.

Veja o vídeo com Bento falando sobre o livro:

George Michael se revela por completo em documentário

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Por Fabian Chacur

Muitas pessoas questionam a idoneidade de documentários sobre artistas que contam com a autorização dos mesmos para serem realizados, pois teoricamente permitiriam a eles ocultar fatos de suas vidas que achassem convenientes serem escondidos. No caso de George Michael, fica difícil contestar Freedom, que ele codirigiu e criou em parceria com o diretor David Austin. Lançado na Inglaterra em outubro de 2017, ele será exibido nesta sexta (6) às 7h e neste sábado (7) às 11h50 no canal a cabo Bis (saiba mais aqui).

O documentário estava praticamente concluído quando o cantor, compositor e músico britânico nos deixou, no dia de natal de 2016. Esse fato é revelado em seus primeiros minutos, pela modelo Kate Moss. Acabou se tornando uma espécie de despedida do astro, e de uma forma franca, aberta e abrangente. Temos entrevistas antigas e outras feitas especialmente para a atração por ele, além de depoimentos de celebridades como Elton John, Stevie Wonder, Ricky Gervais, Liam Gallagher, Nile Rodgers, Clive Davis, Mary J. Blige e diversos outros.

Valendo-se de vasto material de arquivo, o filme mostra George desde seus tempos de Wham!, duo criado com o amigo de infância/adolescência Andrew Ridgeley que o emplacou no primeiro escalão da música pop na primeira metade dos anos 1980, passando pelo megaestouro na carreira solo logo com seu primeiro álbum nessa fase, Faith (1987), que vendeu mais de 20 milhões de cópias em todo o planeta e permitiu a ele encarar Madonna, Michael Jackson e Prince na época, em termos de popularidade e prestígio.

Sem papas na língua, o autor de Father Figure admite que após os dez meses de duração da turnê que divulgou Faith, em 1988, ficou no “limite da sanidade”, e que, por isso, resolveu tomar uma opção radical para seu próximo álbum, Listen Without Prejudice Vol.1 (1990): não teria sua foto na capa do disco, não apareceria em seus videoclipes e também não promoveria o álbum com entrevistas.

O escritório americano da gravadora Sony, com a qual ele tinha contrato, não aceitou a proposta, e passou de forma velada a sabotar a divulgação do trabalho. Isso gerou uma extensa briga jurídica que levou o astro e a gravadora aos tribunais, em um processo que durou anos e se encerrou de forma desvantajosa para Michael. Esse embate é ilustrado com depoimentos do cantor e também de integrantes da sua equipe e da direção da gravadora naquele período, dando uma visão bem abrangente das posições dos lados envolvidos. Bem democrático.

Se depois conseguiu dar continuidade à sua carreira, esse lado profissional conturbado teve outro ponto a agravar a vida do artista na primeira metade da década de 1990: seu breve, porém marcante relacionamento com o brasileiro Anselmo Feleppa (1956-1993), que conheceu quando se apresentou no Rock in Rio, em janeiro de 1991. “Fui feliz com ele como nunca havia sido antes na minha vida”, afirma. Ele dedicou a música Jesus To a Child e o álbum Older (1996) ao ex-companheiro, além de definir esse CD como sobre luto (sua mãe morreu na mesma época, outro duro golpe sofrido por ele) e recomeço.

Bem franco ao falar sobre sua vida pessoal e profissional, Michael também é bem descrito por seus amigos e parceiros. Uma boa surpresa é saber o quanto o sempre ácido e irreverente Liam Gallagher, ex-vocalista do Oasis, era fã dele, elogiando-o de forma entusiástica. Stevie Wonder comenta sobre a química existente entre ele e George, que regravou e cantou em shows diversas músicas do autor de You Are The Sunshine Of My Life: “é algo que não dá para fingir”.

Um ponto bacana da personalidade de George Michael descrita pelo ator Ricky Gervais é a sua capacidade de nunca fugir de um assunto, mesmo os mais constrangedores ou polêmicos, como sua homossexualidade ou escândalos protagonizados por ele. O videoclipe da sensacional Freedom 90, protagonizado pelas cinco supermodelos mais badaladas da época, também é destrinchado de forma minuciosa, com depoimentos das beldades envolvidas.

Lógico que, em meio a tudo isso, a obra do astro pop aparece com destaque, ficando claro o como esse cara nos deixou um legado muito precioso em termos musicais, passando por pop, rock, black music, jazz etc, sempre com uma voz poderosa e recheada de alma. Compositor talentoso, ele também sabia como poucos interpretar material alheio, como suas expressivas e vibrantes releituras de Somebody To Love (Queen) e As (Stevie Wonder) deixam bem claro.

Franco, direto e sem maquiar incoerências e fraquezas, Freedom (o documentário) nos mostra um ser humano contraditório, mas repleto de pontos positivos, e que merece ser relembrado por tudo o que fez de bom durante seus 53 anos de vida. Um filme que nos faz rir, refletir, chorar e principalmente querer ouvir cada vez mais os ótimos trabalhos que George Michael nos deixou, um legado mais do que precioso.

Freedom ainda não foi lançado em DVD/Blu-ray, só estando disponível na programação de canais a cabo ou de streaming por demanda. Se sair em formato físico, compre na hora, se for fã do artista, pois valerá cada centavo que você pagar por ele. E uma dica: prepare o lenço na parte final de seus 95 minutos de duração, pois fica difícil não verter lágrimas, muitas lágrimas, nesses instantes finais.

Veja trechos do documentário Freedom:

Cazuza 60 é na verdade 100, mil, mais do que dois mil e um

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Por Fabian Chacur

Nesta quarta-feira (4), Cazuza comemoraria 60 anos de idade. Infelizmente, o roqueiro carioca se foi naquele triste sete de julho de 1990, com apenas 32 anos bem vividos, e deixou um vazio não só no rock, como na música e cultura brasileira como um todo.

Tive a honra de entrevistá-lo duas vezes, e de ver um dos shows mais emblemáticos de sua brilhante e breve carreira solo. Vou relembrar alguns momentos desses três contatos de forma aleatória, sem querer ser detalhista demais. O que me vier à mente.

Em 1987, vivi o início de minha carreira jornalística em tempo integral, após dois anos de frilas conciliados com um emprego, digamos, convencional. E em abril daquele ano, participei da entrevista coletiva que Cazuza concedeu em São Paulo para divulgar Só Se For a Dois, seu segundo trabalho solo.

A coletiva ocorreu no bairro do Paraíso, onde ficava na época a sede paulistana da gravadora Polygram, hoje Universal Music. Era a estreia dele pelo selo, após ter lançado o LP que inclui Exagerado em 1985 na Som Livre, meses depois de sair do Barão Vermelho.

Gravei a entrevista no meu heroico gravador grandão, grande parceiro. Tenho essa fita até hoje, e um dia (quando a encontrar, obviamente; mas ela está comigo, tenho certeza) a transcreverei na íntegra para os leitores de Mondo Pop. Por enquanto, ofereço recordações superficiais. Ele foi extremamente simpático com todos.

Ele respondeu todas as nossas perguntas, sem frescuras, e após o final, tirou fotos e deu autógrafos a todos que os solicitaram, eu incluso. Também tirei fotos com ele. Uma saiu meio ruim por causa do flash, e infelizmente é a única que me sobrou, pois a outra foi roubada por uma sobrinha. Que ódio! E tenho fotos da entrevista coletiva, essas bem legais. Preciso escaneá-las, também.

Naquele mesmo dia de 1987, tive a oportunidade de conhecer um de meus ídolos na área do jornalismo musical, o inimitável Ezequiel Neves, com quem também tirei foto, junto com o amigo Humberto Finatti.

Na época, trabalhava na editora Imprima, coordenando as revistas de textos de lá, que se notabilizou pelas revistinhas com cifras para violão e guitarra. Um tempo bom, de aprendizado e que me proporcionou a chance de conhecer muita gente boa.

Em 1988, quando começava no Diário Popular (hoje Diário de S. Paulo), pude rever Cazuza quando ele veio a São Paulo divulgar, com show no extinto (e então badaladíssimo) Aeroanta, no largo da Batata, em Pinheiros, o seu então novo álbum, o incrível Ideologia.

Lembro que tomei um susto (que disfarcei) ao vê-lo bem mais magro do que no encontro anterior. Mas a energia, a simpatia e as ideias bacanas continuavam ali, firmes. O fato de ele portar o vírus HIV ainda não havia se tornado público. Pena que vacilei e não vi aquele show.

Para minha sorte, no final de 1988 Cazuza voltou a São Paulo, desta vez para tocar no antigo Palace (hoje CitiBank Hall) e fazer o show que acabaria gerando, ao ser gravado no Rio, o emblemático álbum ao vivo O Tempo Não Para- Cazuza Ao Vivo. Um show inesquecível.

No início, apesar da energia do roqueiro e de sua banda, a plateia reagiu de forma um pouco fria. Isso, mesmo com o início arrepiante, com o cover de Vida Louca Vida, de Lobão, que no entanto a interpretação apaixonada do autor de Exagerado tornou sua para sempre.

Mesmo irritado, ele tocou o barco. Aos poucos, o público foi entrando no espírito anárquico do artista e se soltou, dançando, pulando, cantando junto e transformando o emepebístico Palace em uma arena rocker.

Aí, Cazuza se soltou, agradecendo o apoio, dizendo que queria fazer shows para pessoas bem loucas e descontraídas, sem frescuras, e proporcionando aos presente um show de maravilhoso rock and roll.

Exagerado, Faz Parte do Meu Show, a então inédita O Tempo Não Para (que Simone regravou de forma canhestra), Brasil (idem com Gal Costa) e Codinome Beija-Flor, só para citar alguns dos clássicos tocados por ele, fizeram a minha noite e a dos milhares de fãs presentes inesquecível.

No Diário Popular, no extinto caderno cultural intitulado Revista, coisa inédita para a publicação: duas críticas. Uma de minha autoria elogiando o show e a atitude de Cazuza em pedir a participação de todos.

Outra do editor (e meu mestre) Osvaldo Faustino criticando o cantor pelo fato de ele ter intimado os presentes a participar. Belo exercício de democracia. E as duas opiniões faziam total sentido, eram pontos de vista que se completavam muito bem, modéstia à parte.

E então, meses de sofrimento de vê-lo doente, da campanha idiota da revista Veja contra ele, o lançamento do inconsistente e duplo Burguesia em 1989 (na verdade uma desculpa para alguém muito doente ter motivação para conseguir se manter vivo, sem sombra de dúvidas) e, em 1990, a morte precoce aos 32 anos.

Duas curiosidades, uma engraçada, outra mórbida. A primeira: no lançamento de Burguesia, a Polygram realizou uma festa na qual todos recebiam o LP. Seis deles vieram com cupons, incluindo o meu. Dois desses seis foram sorteados e ganharam viagens para os Estados Unidos. Eu perdi. Foi o mais perto que fiquei, até hoje, de ir ao exterior…

A outra é quase macabra. No início de 1989, a morte do roqueiro do bem parecia iminente. Então, meu editor na época, Danilo Angrimani Sobrinho, pediu-me uma matéria sobra a carreira de Cazuza, para ficar na gaveta e ser publicada rapidamente no caso da morte do artista. Fiz a contragosto, rezando para que nunca fosse publicada.

Se a morte acabou sendo inevitável, ao menos demorou um ano e meio para que aquela matéria “mortuária” chegasse às páginas do jornal. Mas uma ironia: na época, a redação ainda era na base das máquinas de escrever, laudas de papel, edição na raça etc. E a matéria havia sido feita quando ainda não se sabia como seria Burguesia.

Nem o seu título, que durante meses foi divulgado como A Volta do Barão. Eu estava de folga, e quem publicou a matéria não se preocupou em revisar isso. Ou seja, o leitor do finado Dipo “ganhou” um álbum inexistente de Cazuza…

Cazuza foi um roqueiro perfeito. Voz cheia de energia que superava defeitos técnicos do tipo língua presa, letras maravilhosas e melodias sempre trazidas por parceiros inspirados. Quantas coisas boas a mais ele não teria feito, se não tivesse saído de cena em 1990… Ele só viveu 32 anos, que, no entanto, equivaleram a 60, 100, mais do que 2001… Saudades, exagerado, você faz muita falta!

Ritual– Cazuza:

Ritchie mostra duas facetas e faz shows com o trio Blacktie

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Por Fabian Chacur

Ritchie demonstra a sua versatilidade com dois shows diferentes em São Paulo, ambos no Tupi Or Not Tupi (rua Fidalga, nº 360- Vila Madalena- fone 011-3813-7404). Nesta sexta (16) às 21h30, ele se dedica a músicas do genial cantor, compositor e músico americano Paul Simon (ingressos a R$ 100,00). Já o sábado (17, a partir das 20h) será dedicado a releituras diferenciadas de seus clássicos hits dos anos 1980, em espetáculo englobando jantar e show com início a partir das 20h (ao preço de R$ 180,00).

A performance do primeiro show terá como base o repertório do álbum Old Friends: The Songs Of Paul Simon, no qual o cantor e compositor britânico radicado há décadas no Brasil releu de forma acústica alguns clássicos do repertório do autor de The Boxer, incluindo esta canção e também The Boy In The Bubble, April Come She Will, The Only Living Boy In New York, 50 Ways To Leave Your Lover e The Sound Of Silence.

No espetáculo de sábado, intitulado Ritz- Os Hits do Ritchie, o prato principal fica por conta de versões desplugadas dos maiores sucessos do pop-rocker, entre as quais Menina Veneno, Pelo Interfone, Casanova, Transas e Voo de Coração, só para citar algumas das mais celebradas pelo público, que os adquiriu em quantidades enormes nos anos 1980.

O elemento que amarra as duas apresentações fica por conta dos músicos participantes. Teremos em cena o trio Blacktie, formato pelos experientes multi-instrumentistas Mario Manga (do Premê), Fabio Tagliaferri e Swami Jr., feras que se dividem entre instrumentos acústicos os mais diversos. Completa a turma outro cara que se vira bem com vários instrumentos, Tuco Marcondes. Eles participaram do CD com músicas de Paul Simon, e dão um tratamento luxuoso e sofisticado às canções, sem cair em exageros tolos. É música de primeira.

Old Friends: The Songs Of Paul Simon- Ritchie (em streaming):

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