Mondo Pop

O pop de ontem, hoje, e amanhã...

Category: Resenhas (page 1 of 53)

Placebo lança Beautiful James, primeiro single após cinco anos

placebo single 400x

Por Fabian Chacur

Foram cinco anos sem material inédito do Placebo. Esse período se encerrou nesta sexta (17) com a divulgação nas plataformas digitais de Beautiful James, um rock melódico com tempero eletrônico no qual Brian Molko (vocal e guitarra) e Stefan Olsdal (baixo e guitarra) se mostram mais afiados do que nunca. Ainda não se sabe se teremos um novo álbum em breve ou coisa que o valha, mas o duo britânico nos deixa animados.

Inspirado nos tempos atuais sem cair na tentação de comentar temas mais específicos, o novo single do duo britânico é explicado por Molko em declaração divulgada em press release endereçado à imprensa: “Se a música serve para irritar os quadrados e os tensos, que seja alegre. Mas continua sendo imperativo para mim que cada ouvinte descubra sua própria história pessoal dentro dela – eu realmente não quero dizer a você como se sentir. ”

Com mais de 25 anos de estrada, o Placebo se firmou como um dos mais consistentes grupos do rock britânico dito alternativo, emplacando cinco de seus álbuns no Top 10 da parada britânica e fazendo shows nos quatro cantos do mundo, Brasil incluso. Isso, além de colaborações bacanas com nomes do porte de David Bowie, Robert Smith (The Cure), Alison Mosshart e Michael Stipe (R.E.M.), sempre com uma sonoridade vigorosa, soturna e com elementos pop.

Beautiful James– Placebo:

Antonio Adolfo mergulha em Jobim de um jeito todo seu

antonio adolfo jobim forever

Por Fabian Chacur

Antonio Adolfo teve o privilégio de iniciar a sua brilhante carreira como músico nos anos 1960, quando o Brasil vivia uma efervescência musical acompanhada com muito prazer por seu próprio povo e também no exterior. Nesse contexto, a bossa nova era um dos principais caminhos, e nele, havia um Maestro Soberano, um certo Tom Jobim. Que não só o inspirou como também se tornou um amigo querido. E agora chega a vez de homenagear esse grande craque. Aliás, caso típico de um craque homenageando o outro: Jobim Forever (AAM Music), já disponível nas plataformas digitais e em CD.

Antes de iniciar a análise do trabalho em si, valem algumas palavrinhas introdutórias. Já li e ouvi por aí muitas restrições em relação a novas releituras da obra de Tom Jobim, especialmente quando engloba momentos mais conhecidos de seu maravilhoso songbook. Sim, muita gente já bebeu nessa fonte. E daí? Cada novo trabalho lançado com este repertório merece ser analisado de forma individual, deixando de lado preconceitos. E, neste caso aqui, estamos a anos luz de uma abordagem conservadora, diluída ou mesmo conformista-comercial. O sarrafo é bem alto.

Aos bem vividos 74 anos de idade (vale lembrar que Jobim nos deixou em 1994, aos 67 anos), Antonio Adolfo esbanja vitalidade, criatividade e produtividade, lançando novos trabalhos em períodos relativamente curtos e sempre buscando oferecer ao seu ouvinte um produto artístico de primeiríssima qualidade. E não seria justo com músicas de um dos artistas que mais o influenciaram que ele deixaria essa peteca ir ao chão.

Novamente acompanhado por uma banda integrada por craques do gabarito de Lula Galvão (guitarra), Jorge Helder (contrabaixo), Paulo Braga (bateria), Rafael Barata (bateria), Jessé Sadoc (trumpete e flugelhorn), Danilo Sinna (sax alto), Marcelo Martins (sax tenor e soprano e flauta), Rafael Rocha (trombone), Dada Costa (percussão) e Zé Renato (vocais em A Felicidade), Antonio pilota seu piano com a fluência habitual, com direito àqueles timbres maravilhosos que o caracterizam e um swing que só quem tem muito talento e ama o que faz pode nos oferecer com tanta categoria.

Os arranjos são de uma inspiração ímpar, e seguem um padrão com cara jazzística, pois nos apresentam as melodias originais com muita categoria e depois abrem espaços para que os diversos instrumentos envolvidos deem seus recados, em uma coesão perfeita e explorando elementos presentes nas composições e os expandido com uma fluência simplesmente impressionante. Toda essa criatividade, vale registrar, a serviço dos nossos ouvidos, pois Jobim Forever é daqueles discos que fluem deliciosamente a cada nova audição.

O repertório traz nove faixas, sendo oito delas composições lançadas dos anos 1960 e uma nos 1950. Certamente Antonio Adolfo mergulha nos seus anos formativos, relendo músicas que provavelmente tocou nos bares da vida e com suas bandas daqueles mágicos anos 1960 e 1970. Entre outras, temos aqui The Girl From Ipanema, Wave, A Felicidade e Estrada do Sol, tocadas com uma excelência e inspiração incomparáveis.

Tom Jobim foi certamente um dos grandes nomes da história da música brasileira e mundial, e uma das suas marcas era uma generosidade e humildade impressionantes. Consigo imaginar o sorriso que ele abriria ao ouvir esse álbum, uma obra-prima que está liderando há semanas a parada da revista americana JazzWeek. Certamente iria render um bom papo entre esses dois gênios, regado a belas reminiscências, uisquinho e chopes. O título deste álbum é simples, e diz tudo. Mas vou além: Antonio Adolfo Forever!

Garota de Ipanema (clipe)- Antonio Adolfo:

Fickle Friends mergulha no som de Prince em seu novo single

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Por Fabian Chacur

Dá para seguir o som de um determinado artista como inspiração e fugir de uma cópia diluída ou meramente caricata? Pois o grupo britânico Fickle Friends se meteu a encarar esse desafio, valendo-se de elementos sonoros imediatamente ligados ao trabalho do grande e saudoso Prince nos anos 1980. E não é que eles se deram bem? Love You To Death, o single criado pelo quarteto sob esses parâmetros, é uma delícia. Ele fará parte do 2º álbum deles, Are We Gonna Be Alright?, que será lançado no dia 14 de janeiro de 2022.

Na estrada desde 2013, o Fickle Friends é integrado por Natassja Shiner (vocal, teclados), Jack Wilson (teclados, guitarra, vocais, samples e programações), Jack Harry Herring (baixo e vocais) e Sam Morris (bateria). Eles fizeram inúmeros shows no Reino Unido e Europa antes de lançar seu álbum de estreia, You Are Someone Else (2018), que atingiu o 9º lugar na parada britânica. Sobre o novo single, Natassja nos dá alguns detalhes:

Love You To Death é pura diversão. Foi tão maneiro explorar esse novo lado Prince dos Fickle Friends! A música é tão simples e nos deu muito espaço para enlouquecer um pouco com a guitarra e os vocais de apoio. Acho que todo membro da família e seu vizinho canta isso! É uma música sobre amar tanto alguém que você pode até matá-lo. Estou muito impressionada com o quanto posso sentir às vezes, como se fosse demais na maior parte do tempo. É daí que vem essa música.”

Love Yo To Death– Fickle Friends:

Roberta Campos esbanja classe no belo álbum O Amor Liberta

Roberta Campos - O Amor Liberta- 400x

Por Fabian Chacur

Antes do início da pandemia do novo coronavírus, Roberta Campos tinha como projeto gravar um álbum com a produção do badalado produtor britânico radicado no Brasil Paul Ralphes. Com tudo o que ocorreu, ela preferiu adiar um pouco esse projeto e lançou o EP Só Conheço o Mar (leia mais sobre esse lançamento e sobre Roberta aqui), com 5 músicas inspiradas nesse momento. Mas seu plano não foi engavetado, e agora chega a hora de lançá-lo, em CD e nas plataformas digitais, com o título O Amor Liberta (Deck).

Trata-se de seu quinto álbum de estúdio (também lançou um DVD gravado ao vivo) em 13 anos de trajetória discográfica na qual se firmou como um dos grandes expoentes do chamado folk à brasileira. Temos aqui 11 composições inéditas, sendo sete só dela e outras quatro assinadas com nomes representativos de quatro gerações diferentes: Hyldon, Humberto Gessinger, Luiz Caldas e De Maria. O resultado não poderia ser melhor.

Valendo-se de sua bela e delicada voz com a categoria habitual, Roberta aposta em uma sonoridade no geral que nos remete a três influências básicas, os trabalhos de Lô Borges, Beto Guedes e Lulu Santos. Também temos elementos de soul, em uma mistura que soa extremamente pop mas sem cair em momento algum na vala comum daqueles que só pensam em música como uma forma pragmática de se ganhar dinheiro e nada mais.

No geral, as letras de Roberta apostam em um romantismo que vai além do simples afeto entre duas pessoas e fala do amor pelos outros, pela vida e pelo que se pode fazer para ser feliz. O momento mais pop fica por conta de Miragem (R.C.), surpreendente utilização da cantora da levada do reggaeton com uma participação especial certeira do cantor Alexandre Carlo, do grupo Natiruts.

O pop rock com elementos folk aparece com muita inspiração em Pro Mundo Que Virá (R.C.) e É Natural (R.C.- Luiz Caldas), enquanto Se a Saudade Apertar (R.C.- Hyldon) equivale a uma balada soul envolvente. O country é o mote de Começa Tudo Outra Vez (R.C.- Humberto Gessinger), que mostra o cantor dos Engenheiros do Hawaii explorando um registro vocal bem diferente ao qual estamos habituados, e com sucesso.

O clima balada soul pontua O Futuro nos Aguarda (R.C.), enquanto Floresço na Sua Vida (R.C.) mergulha no pop com desenvoltura. Aquário (R.C.) traz elementos de latinidade, enquanto O Vento Que Leva (R.C.) remete a bossa nova revista. Pop rock ensolarado é uma possível definição para a ótima Chegou o Meu Verão (R.C.- De Maria). Rosária (R.C.), bela homenagem de Roberta à sua avó, é o momento agridoce que encerra um álbum maduro, artisticamente impecável e que mostra como fazer música doce que não seja terminantemente proibida para diabéticos.

Miragem (clipe)- Roberta Campos e Natiruts:

Pocket Full Of Kryptonite (1991), o álbum da vida dos Spin Doctors

pocket full of kryptonite cover 400x

Por Fabian Chacur

No fim dos anos 1980, surgiu na região de Nova York uma cena de grupos de rock apelidada de jam bands. Eram formações claramente inspiradas no rock psicodélico dos idos de 1967, tipo Grateful Dead, Jimi Hendrix e Jefferson Airplane, com uma pegada um pouco mais pop, mas ainda assim investindo nos improvisos ao vivo. Desse universo musical, aflorou como ponta de lança o Spin Doctors, cujo álbum Pocket Full Of Kryptonite (1991) completa 30 anos de lançamento neste mês de agosto. Um grande sucesso que surgiu graças a muito talento, garra e persistência.

Tudo começou em 1988 quando Chris Barron (vocal) resolveu montar uma banda com dois colegas da New School College de Nova York, Erik Schenkman (guitarra, único canadense deste grupo americano) e Aaron Comess (baixo). Pouco depois, Mark White (baixo) completou o time. Enquanto faziam shows em bares, o grupo gravou duas fitas-demo que vendiam nos shows, e através delas atraíram a atenção do produtor Frankie La Rocka (1954-2005), que os levou para a Epic Records, selo do conglomerado Sony Music.
Inicialmente, foi lançado em janeiro de 1991 o EP Up For Grabs. O álbum completo viria em agosto daquele ano. O material foi selecionado a partir do vasto repertório autoral que a banda tocava em seus shows, com versões mais bem concisas (em termos de arranjos) de músicas que já eram bem legais nos formatos demo, como podemos conferir na edição comemorativa dos 20 anos de Pocket Full Of Kryptonite lançada em 2011, que traz em um CD bônus essas faixas em suas gravações prévias.

Quando chegou às lojas, o álbum de estreia do quarteto veio no melhor esquema “devagar e sempre”. Foram longos meses durante os quais as vendas não entusiasmavam a ninguém. No entanto, Chris Barron e sua turma não desanimavam, e seus shows foram aos poucos ganhando mais e mais público. Em setembro de 1992, enfim atingiram o disco de ouro nos EUA, com mais de 500 mil cópias vendidas. Em 10 de outubro, participaram do mitológico programa de TV Saturday Night Live, e a partir daí a porteira abriu de vez.

Provavelmente, a Sony estava se fartando de ganhar dinheiro com os álbuns de estreia dos grupos Pearl Jam e Alice In Chains, lançados na mesma época, e não deu muita bola para os Spin Doctors. Quando percebeu o erro, reagiu e lançou em outubro de 1992 no formato single Little Miss Can’t Be Wrong, que atingiu o 17º lugar nos EUA e o 23º lugar no Reino Unido. A seguir, foi a vez de Two Princes, com resultados ainda melhores, nº 7 nos EUA e nº 3 no Reino Unido. As duas com videoclipes bem legais. Dessa forma, a Spin mania tornava-se real.

O disco de platina para Pocket…, marca de mais de um milhão de cópias comercializadas nos EUA, veio em janeiro de 1993. Em junho, essa marca já havia triplicado. No fim das contas, o álbum ultrapassou os 10 milhões de álbuns comercializados em todo o mundo, sendo metade deles em território americano.

Tudo bem, falei muito de números e mais números. Mas e a qualidade musical? Ai é que a coisa melhora. Trata-se de um disco de rock simples e sensacional, daqueles bons de se ouvir de ponta a ponta, e que vai além de seus hits matadores. A forma melódica e quase falada do canto de Barron se encaixou feito luva nos riffs de guitarra potentes, bases ritmadas e solos ora virulentos, ora a la George Harrison de Schenkman, enquanto a cozinha rítmica de White e Comess encarava todas as curvas e retas do som deles.

Mas creio que aqui caiba uma análise faixa a faixa. Vamos a ela

Jimmy Olsen’s Blues (Spin Doctors)
Com um riff de abertura matador, a música tem uma letra divertidíssima, na qual Jimmy Olsen, o repórter pobretão do Planeta Diário, tenta xavecar Lois Lane, a eterna namorada do Super Homem, dizendo que ele não só é melhor do que o fortão, como de quebra ainda tem o “bolso cheio de kriptonita”, a única substância capaz de deter o cara. Aliás, eis a origem do título do álbum. A capa do CD mostra uma cabine de telefone do tipo em que o Super Man trocava de roupa e saía com o seu uniforme de super herói. Uma faixa vibrante, swingada, perfeita para abrir um disco. Vale citar sutis passagens rítmicas aqui e ali típicas da música pop africana.

What Time Is It? (Spin Doctors)
Essa saiu de um improviso feito pelo grupo às 4h30 da madrugada em um show em uma irmandade universitária. Funkeada, envolvente e viajandona, aumenta bastante de duração nos shows. Vale sempre destacar o entrosamento da cozinha rítmica, sempre precisa e repleta de jogo de cintura e grooves.

Little Miss Can’t Be Wrong (Spin Doctors)
Rock desencanado e dançante que soa como uma espécie de mescla entre os estilos de Huey Lewis & The News e Steve Miller. A faixa que desencadeou o estouro deste álbum. Houve quem considerasse na época a letra sexista, mas creio que seja um excesso de zelo exagerado, pois a banda nem tem esse perfil.

Forty Or Fifty (Spin Doctors)
Chega o momento de respirar um pouco. Com elementos de blues, r&b e até de bossa nova, cria um clima gostoso e envolvente, com uma letra meio hippie e romântica a la anos 1960.

Refrigerator Car (Spin Doctors)
Depois da respirada, outra porrada das boas. Rockão pesado, hard mesmo, um dos vários momentos dos quais a influência de Jimi Hendrix, uma das mais importantes no som dos Doctors, vem à tona neste álbum. Pra chacoalhar a cabeça sem dó!

More Than She Knows (E.Schenkman- S.Lambert-G.Clark-J.Fitting)
Rock acelerado e pra cima, com um belo solo de harmônica de John Popper, líder da banda Blues Traveller, outra da cena jam bands que se deu bem. Por sinal, ele, Barron e Schenkman tiveram uma banda paralela, a Trucking Company, que acabou quando o Blues Traveller começou a decolar.

Two Princes (Spin Doctors)
Com sua batida irresistível e concisão absurda, Two Princes se tornou o cartão definitivo de visitas dos Spin Doctors, prova cabal de que uma autêntica banda de rock pode ser pop ser perder sua verdadeira essência.

Off My Line (Erik Schenkman- J.Bell- Spin Doctors)
Aqui, no momento mais hendrixiano do álbum, Erik Schenkman assume o vocal principal, em um rock pesado com um riff poderoso e energia suficiente para sacudir a todos.

How Could You Want Him (When You Know You Could Have Me?) (Spin Doctors)
Rock funkeado com influências da música africana, em cuja letra surge aquele questionamento clássico em todo cara apaixonado por uma mulher e não correspondido: “por que você quer ele se você pode ter a mim?” Respostas para a redação!

Shinbone Alley (Spin Doctors)/ Hard To Exist (C.Barron- E.Schenkman-John Popper-A.Comess)
Como forma de trazer para o disco ao menos uma faixa com o clima dos shows, o grupo optou por reunir essas duas composições em pot-pourry e sem medo de improvisar, passando, dessa forma, dos 10 minutos de duração. Baita de uma jam, com direito a muito groove, energia e solos bacanas. Um fim perfeito para um álbum marcante.

Ouça Pocket Full Of Kryptonite em streaming:

Jazzmeia Horn divulga 2º single de seu álbum com orquestra

Jazzmeia Horn - Let Us (Take Our Time) 5 (1)

Por Fabian Chacur

A cantora, compositora e arranjadora americana Jazzmeia Horn parece ser aquele tipo de talento raro que se dá o direito de ir se desenvolvendo aos poucos, sem pressa, com total foco na excelência. Após lançar dois álbuns elogiados pelos críticos e que lhe valeram duas indicações ao Grammy, A Social Call (2017) e Love & Liberation (2019), essa belíssima afro-americana de voz suave e sensual nos oferece duas amostras do que será Dear Love, seu 3º trabalho, a ser lançado ainda este ano.

Além das indicações ao Grammy, Jazzmeia faturou os importantes prêmios Sarah Vaughan International Jazz Competition, Thelonious Monk Institute International Jazz Competition, NAACP Image Award e quatro da icônica revista Downbeat. O seu trabalho mescla releituras de standards do jazz com composições próprias, e elementos de r&b e hip hop aparecem aqui e ali.

A principal novidade estampada no novo álbum é o fato de ela ser acompanhada por uma big band, intitulada Jazzmeia Horn And Her Noble Force, sendo que os arranjos e produção ficaram a cargo dela própria. Em press release enviado à imprensa, a nativa de Dallas, Texas, nascida em 16 de abril de 1991 e radicada em Nova York desde 2009 dá as dimensões desse seu novo disco:

Dear Love é um álbum inteiro de poemas e músicas que são canções de amor para todos os aspectos amorosos na minha vida, e esta em particular se dirige ao meu amor e amante. Digo para ele ‘vamos manter o ritmo com o que sabemos sobre o passado, não precisamos ir muito rápido’. Isso significa ‘vamos construir algo espetacular baseado no que sabemos da nossa história e o que os nossos antepassados nos deixaram. Devagar e sempre levam à vitória”.

Lover Come Back To Me (ouça aqui) equivale a um tema de jazz delicioso, com direito a scat singing e tudo. Por sua vez, (Let Us) Take Our Time investe em sensualidade sofisticada, que Jazzmeia define de forma bem-humorada como “música para fazer bebês”. O clipe, gravado em uma estação de metrô (dentro e fora de um trêm) é perfeito para ilustrar toda essa sensualidade musical. Se o álbum for todo nesse alto nível, vem clássico por ai.

Let Us (Take Our Time)– Jazzmeia Horn:

Olivia Vedder, filha de Eddie, lança música em trilha de filme

flag day trilha sonora 400x

Por Fabian Chacur

Confesso que pus para rolar o clipe de My Fater’s Daughter com um certo ceticismo. Afinal de contas, essa música é interpretada por mais uma “filha de”, no caso, Olivia Vedder, a “menininha do papai” Eddie Vedder, cantor e líder do Pearl Jam. Aí, coube a mesma atitude que todos temos de tomar nessas circunstâncias: dê sempre que possível o benefício da dúvida à pessoa em questão. Nesse caso, deu match. Voz linda, canção linda, clipe lindo, tudo lindo. A história em torno dessa gravação só torna tudo ainda melhor.

Essa bela balada de tom atmosférico e doçura na dose certa faz parte da trilha do filme Flag Day, que tem como personagens principais o ator e diretor Sean Penn e sua filha, a atriz e modelo Dylan Penn. Trata-se da 2ª colaboração entre Penn e Vedder. a 1ª ocorreu no filme Into The Wild, cuja trilha assinada pelo roqueiro rendeu a ele um Globo de Ouro de melhor música.

O álbum com as músicas de Flag Day traz oito composições de Eddie Vedder e também músicas da sempre badalada Cat Power. Ele escreveu as canções com outro cara bacanérrimo, o cantor, compositor, músico e ator irlandês Glen Hansard, que se tornou inicialmente conhecido como ator e músico no icônico filme The Commitments (1991) e depois ganhou um Oscar de melhor música original com Falling Slowly, faixa incluída na trilha sonora de sua autoria do filme Once (2007), que ele próprio estrelou.

Em press release enviado à imprensa, Sean Penn comenta sobre como encarou My Father’s Daughter quando a ouviu pela vez inicial: “Após todas essas músicas incríveis de Cat Power, Glen Hansard e Eddie Vedder, estávamos prontos para finalizar a trilha quando o Ed me mandou a Olivia cantando My Father’s Daughter. Foi a cereja do bolo!”

My Father’s Daughter (clipe)- Olivia Vedder:

Zeca Baleiro e Chico Cesar nos encantam com a canção Respira

chico e zeca_respira

Por Fabian Chacur

Embora amigos próximos há três décadas, Zeca Baleiro e Chico Cesar não tinham feito muitas músicas em parceria. O isolamento social causado pela pandemia do novo coronavírus acabou incentivando os dois a retomar e intensificar essa dobradinha, mesmo que de forma virtual. O resultado gerou muita coisa, que vai aos poucos aflorando. Agora, chega a vez da deliciosa balada com tempero jazzístico Respira, cujo elegante e inspirado clipe com roteiro, direção e montagem a cargo da fotógrafa Silvia Zamboni acaba de ser disponibilizado nas plataformas digitais.

Respira surgiu da seguinte forma, conforme relata Chico em press release enviado à imprensa: “Respira nasceu comigo. Veio do meu violão e é uma canção bem da pandemia. Mas veio quando uma seguidora de Zeca escreveu que estava se sentindo mal e ele respondeu ‘respira, tenha paciência’. Eu li e aquilo me estimulou, comecei a escrever a música num espírito Sergio Sampaio, de quem nós dois somos admiradores. Depois ele escreveu a segunda parte da letra e criou musicalmente a terceira parte”.

Respira (clipe)- Zeca Baleiro e Chico Cesar:

Tony Babalu, o sujeito que nos faz viajar com seu som inspiradíssimo

tony babalu no quarto de som

Por Fabian Chacur

Bom dia, boa tarde, boa noite, caro leitor. Como vai você? O astral não anda dos melhores? Precisa de uma droga lícita que dê uma melhorada no seu momento? Pois Mondo Pop vai te dar uma dica que você certamente agradecerá por muito tempo. É simples. Ouça agora, no volume que for mais conveniente para sua audição, o EP No Quarto de Som…, já disponibilizado nas plataformas digitais pelo grande, genial, encantador e uns mil adjetivos mais Tony Babalu, um dos grandes músicos do rock brasileiro (leia mais sobre ele aqui). São 15 minutos de puro êxtase sonoro. Sem exagero!

Se sempre teve como marca a extrema habilidade e sensibilidade como guitarrista nessas suas quase cinco décadas na ativa como músico profissional, Babalu tem se mostrado absurdamente inspirado em sua maturidade. No Quarto de Som… nos oferece cinco faixas inéditas nas quais ele prova mais uma vez que rock instrumental é não só uma vertente musical viável como também pode te cativar sem cair em exageros tecnicistas ou masturbação sonora à luz da lua. Não, meu amigo. Aqui, quem manda é a música.

Tony Babalu se mostra um servo do som, das melodias, dos timbres, colocando todo o seu extenso ferramental técnico à serviço de cada uma dessas composições. Aqui, ele equivale ao “exército de um homem só”, pilotando não só a sua icônica guitarra como também violões e diversos outros instrumentos. A ajuda ficou por conta da mixagem e masterização, a cargo dos craques Marcelo e Beto Carezzato, do célebre Carbonos Studio, em Sampa City. De resto, é só ele mesmo, se virando nos 30 como poucos seriam capazes de fazer.

A festa começa com a energética Recomeço, uma espécie de tecnobossa com um arranjo simplesmente espetacular. Impressionante como Babalu é cirúrgico na entrada em cena de cada sonoridade que desenvolve nessa e nas outras faixas. São pinceladas de um Picasso, um Rembrandt, um Van Gogh, espalhando sua inspiração em doses certeiras, e gerando dessa forma um todo inseparável, perfeito e deliciosamente digerível pelo ouvinte.

A bela balada soft rock a la James Taylor Lara é dedicada àqueles que já tiveram a triste experiência de perder um animal de estimação. Por sua vez, Tropical Mood vem com um molho saleroso de pura latinidade e ecos do poderoso Carlos Santana, só que no melhor Babalu style, sem cópias ou diluições.

Reflexo incorpora elementos de r&b eletrônico e rock com direito a swing e energia compassada. A faixa que encerra o EP, Francisca, teve como inspiração a saudosa mãe do músico, e tem no baião o seu DNA, inserido em um contexto roqueiro e delicado com rara felicidade pelo guitarrista.

Em um momento no qual passamos a maior parte do tempo em nossos lares, nada melhor do que ouvir músicas que nos levam a viajar, a sonhar com dias melhores, a recordar momentos importantes e de, simplesmente, ter aquele prazer incontrolável e delicioso. No Quarto de Som… equivale a um energético envolvente com sabor de quero mais. Para ouvir, ouvir, ouvir…

Recomeço– Tony Babalu:

Givin’ It Back- The Isley Brothers (1971-T Neck-Buddah Records)

givin it back the isley brothers

Por Fabian Chacur

Como reler músicas alheias e ser autoral ao mesmo tempo? Eis uma bela questão que só artistas com muito talento conseguem responder a contento. E é essa a marca registrada de Givin’ It Back (1971), álbum lançado pelo grupo americano The Isley Brothers há 50 anos no qual eles mergulham em canções de Neil Young, Jimi Hendrix, James Taylor, Stephen Stills, Bill Withers, Bob Dylan e do grupo War de forma tão sensível e original que parecem ter sido os seus compositores. Um marco em sua brilhante trajetória de mais de 60 anos.

Para situar melhor o leitor em relação à importância deste álbum na carreira do grupo, vale uma pequena viagem na trajetória deles até então. Em 17 de abril de 1956, os irmãos Ronald, Rudolph e O’Kelly Isley saíram de sua cidade natal, Cincinnati, Ohio (EUA) rumo a Nova York, com respectivamente 15, 17 e 18 anos de idade. A ideia era ampliar seus horizontes profissionais, eles que começaram cantando em igrejas acompanhados pela mãe Sally Bernice e ao lado do irmão Vernon, morto em um acidente de carro em 1954.

Após lançamentos de pouco impacto por selos sem expressão, eles conseguiram assinar com a RCA, e por lá lançaram em 1959 seu primeiro hit, Shout, composta por eles a partir de um impolgante improviso que faziam em seus shows na parte final de sua interpretação de Lonely Teardrops, hit na voz do cantor Jackie Wilson. O single, produzido por Hugo Peretti e Luigi Creatore (que trabalharam com Elvis Presley e The Stylistics, entre outros), atingiu a posição de número 47 na parada americana de single.

Logo a seguir, uma curta passagem pela Atlantic Records não lhes rendeu grandes frutos. Eles voltaram aos charts em 1962 ao gravar Twist And Shout, composição de Bert Berns que havia passado batida na gravação original dos Top Notes no ano anterior. Com os irmãos Isley e produzido por Berns para o selo Wand, essa canção atingiu o 17º posto na parada pop e os levou para os quatro cantos do mundo, ao ponto de ser regravada com muita energia pelos Beatles em seu álbum de estreia, Please Please Me (1963).

Em 1964, os Isley Brothers resolveram tentar a sorte por conta própria, lançando o selo T Neck, com distribuição a cargo da Atlantic. O single de estreia, Testify Pts. 1 & 2, teve a participação de um jovem guitarrista que integrava a banda de apoio deles, um certo Jimi Hendrix. A fraca repercussão os levou a novamente arriscar na própria Atlantic, mais uma vez sem sucesso. Até que conseguiram realizar um sonho.

Em 1965, a maior parte dos músicos negros almejava gravar na Motown Records, casa de astros como The Temptations, The Four Tops, The Supremes, The Miracles e tantos outros. No fim daquele ano, os irmãos de Ohio assinaram com aquela gravadora, e viram a sorte brilhar novamente para eles com o matador single This Old Heart Of Mine (Is Weak For You), do consagrado trio de compositores Holland-Dozier-Holland, que os levou ao 12º posto entre os mais vendidos nos EUA. Agora, vai, diriam você. Bem…

Mais uma vez, Ronald e seus manos tiveram de engolir uma grande decepção, pois a gravadora de Berry Gordy não os encarou como prioritários, e, mesmo gravando por lá até meados de 1968, não mais obteve êxitos. Ao sentir que o sonho estava virando pesadelo, o trio resolveu dar uma espécie de cartada final, e reativaram o selo T Neck, com o espírito “antes prioridade no selo próprio do que ser do segundo escalão em uma gravadora major”.

Aposta alta, retorno alto. Em 1969, It’s Your Thing, uma faixa efervescente com ecos do que viria a ser a funk music nos anos 1970, virou um verdadeiro rastilho de pólvora nas programações de rádios e em vendas, atingindo o 2º lugar na parada pop de singles ianque. Essa música traz um marco dos mais importantes: a eletrizante linha de baixo foi executada com maestria por um irmão mais novo, Ernie, de apenas 19 anos.

Ernie já era figurinha carimbada nos ensaios e gravações do grupo, conferindo e aprendendo os macetes, tal qual um verdadeiro estagiário. Ele até trocou figurinhas com Jimi Hendrix nos meses em que o genial músico esteve como músico de apoio da banda. Depois dessa estreia promissora, ele aos poucos foi marcando presença em gravações e shows como guitarrista (ele também toca, e bem, bateria), e abrindo espaços para outro irmão, o baixista Marvin, e um primo, o tecladista Chris Jasper, todos da mesma geração.

Isso foi mudando a estrutura dos Isley, que no início eram um grupo vocal que se valia de músicos de estúdio nas gravações e bandas de apoio que iam mudando de tempos em tempos, nos shows. Com os três garotos se mostrando aptos para novos voos, Ronald, Rudolph e O’Kelly foram abrindo espaços para eles. E o grande marco dessa alteração no coração da banda tem como marco fundamental exatamente o álbum Givin’ It Back.

O time escalado para atuar no álbum reunia os seis irmãos e o baterista e percussionista George Moreland, com participações em algumas faixas de Buck Clarke e Gary Jones (congas), John Mosley (flauta) e Chester Woodward (guitarra base). A produção foi assinada pelos irmãos mais velhos, com os arranjos musicais ficando a cargo do grupo como um todo em parceria com o produtor e multi-instrumentista George Patterson.

A grande sacada de Givin’It Back foi a escolha de repertório. Os Isleys sempre se dividiram entre canções autorais e releituras alheias. Aqui, no entanto, resolveram se concentrar apenas em composições de outros artistas, todas bem recentes (de 1969 a 1971), e de autores que ninguém associaria de imediato a eles, como James Taylor, Neil Young, Bob Dylan e Stephen Stills (duas). O velho amigo Jimi Hendrix, que havia morrido há pouco, o então emergente Bill Withers e o grupo Eric Burdon & War completaram a lista.

Embora grupos e artistas negros regravassem na época canções de compositores brancos, como Lennon & McCartney, por exemplo, uma seleção como essa feita pelos Isleys soou como absolutamente inovadora, pois trazia como objetivo não só quebrar barreiras raciais, como também apostar na integração entre as pessoas e abordar temas importantes. A intenção aqui não era só “regravar sucessos para também fazer sucesso e ganhar um bom dinheiro”, mas divulgar mensagens relevantes de uma forma criativa em termos artísticos.

Com performances brilhantes dos músicos, o disco ganha ares de conceitual em termos de refletir de forma inspirada a época em que foi feito, com a Guerra do Vietnã comendo solta, a violência dando as suas cartas, o sonho hippie de paz, amor e música e as incertezas do dia-a-dia. Essas característica ficarão mais claras em uma análise detalhada de cada uma das faixas de Givin’ It Back.

Givin’ It Back faixa a faixa

Ohio (Neil Young)/ Machine Gun (Jimi Hendrix)Ohio foi lançada pelo grupo Crosby, Stills, Nash & Young em 1970 em um compacto simples, enquanto Machine Gun saiu em 1970 no álbum Band Of Gypsys.

O álbum não poderia ser aberto de forma mais impactante do que com esse brilhante pot-pourry incluindo duas músicas que, sob ângulos diferentes, equivalem a polaroids da violência reinante naquele momento e que tinha os jovens como principais vítimas. A composição de Neil Young foi escrita, gravada e lançada a toque de caixa, dias após tropas governamentais matarem a sangue frio quatro estudantes em Ken State, Ohio (estado natal dos Isleys).

Por sua vez, a canção de Hendrix colocava a metralhadora como protagonista, a terrível arma que estava matando a rodo naquele momento os inexperientes soldados a troco de nada no distante Vietnã.

A forma como os Isleys uniram as duas músicas foi absolutamente genial, pois incorpora elementos musicais de ambas, incluindo a batida marcial que evoca o militarismo, e gera uma unidade avassaladora. Também interessante é a abordagem de Ronald para esse material. Enquanto Neil Young e Jimi Hendrix cantam com nítida raiva seus versos, o cantor do grupo americano investe na compaixão e na empatia. Toda vez que ele solta um “don’t shot!” (não atire em tradução livre) a gente sente na alma a dor desses mortos sem razão.

A curiosidade fica por conta de uma sutil alteração na letra de Ohio que não costuma ser muito comentada. Enquanto o autor vai de “Tin soldiers and Nixon’s comin'” (soldados de lata e Nixon estão chegando), Ronald canta “Tin soldiers, I hear them coming” (soldados de lata, eu os ouço chegando) e também “Tin soldiers with guns are coming” (soldados de lata com armas estão chegando).

Fica a pergunta no ar: teriam os Isley Brothers ficado com medo de confrontar diretamente Richard Nixon, o presidente americano naquele momento e ainda com bastante popularidade? Seja como for, temos aqui um belíssimo libelo contra a violência sem sentido, contra a violência das guerra, e também a favor da paz. Calma, violência!

Também vale destacar a sólida linha de baixo desenvolvida por Marvin, e a bela adaptação feita por Ernie do solo de Neil Young na gravação original do CSN&Y.

Fire And Rain (James Taylor)– Lançada pelo autor no LP Sweet Baby James (1970).

Uma das canções mais impactantes e pessoais da carreira de James Taylor, Fire And Rain fala sobre drogas e problemas mentais, e aqui aparece com um arranjo genial e swingado na melhor tradição das baladas soul-funk. Alguns trechos remetem à psicodelia da fase Norman Whitfield dos Temptations, bela sacada pela costumeira associação do som psicodélico com as drogas. A versão do autor é definitiva, mas esta aqui fica bem próxima. A performance de Chris Jasper nos teclados também merece destaque.

Lay Lady Lay (Bob Dylan)– Lançada pelo autor no álbum Nashville Syline (1969).

A canção romântica estradeira de Dylan ganha aqui contornos de latinidade, envolvendo o ouvinte de forma hipnótica em seus mais de dez minutos de duração, e com direito a vocalizações encantadoras. Sim, Ronald é o líder vocal, mas as intervenções dos irmãos Rudolph e O’Kelly são sempre certeiras. O momento mais slow jam do álbum, aquelas canções black que gostamos de ouvir com o nosso parceiro-parceira ao lado para curtir junto, seja como for.

Spill The Wine (War)– Lançada por Eric Burdon & War em seu álbum de estreia, Eric Burdon Declares War (1970).
O ex-cantor dos Animal (o britânico Eric Burdon), o dinamarquês Lee Oskar e seis geniais músicos negros norte-americanos criaram no final dos anos 1960 Eric Burdon & War, banda integrando raças sem medo de ser feliz e com muita criatividade musical. A versão dos Isley Brothers de seu maior hit é bem semelhante à gravação original, com direito a muita percussão, ritmo envolvente e “salerosidade” latina.

Nothing To Do But Today (Stephen Stills)– Lançada pelo autor no álbum Stephen Stills 2 (1971).
O segundo álbum-solo do integrante do Buffalo Springfield e do Crosby, Stills, Nash & Young havia saído há pouco, e a escolha de uma de suas faixas pelos Isleys demonstra sua ousadia e atenção ao que estava ocorrendo na cena musical naquele momento. Um rock com pegada percussiva cuja letra enfoca a natureza incerta da trajetória dos músicos, sempre enfatizando em seu refrão que “não temos nada para com que nos preocuparmos além do hoje”.

Cold Bologna (Bill Withers)– Canção até então inédita, que o autor só gravaria em 1973 no álbum duplo ao vivo Live At The Carnegie Hall, em pot-pourry com outra canção e o título Harlem/ Cold Baloney.
Bill Withers estava em vias de estourar com canções como Ain’t No Sunshine e Lean On Me, e viu essa sua composição inédita ser gravada pelos Isleys, com ele se incumbindo da guitarra-solo. Com uma levada balançada e percussiva, Cold Bologna traz o relato de uma criança cuja mãe trabalha na casa de uma família rica, mas que ao chegar em casa só tem a oferecer ao filho e família sanduíches frios de mortadela com maionese para o jantar. O filho, em sua ingenuidade, nem reclama, e até comenta que “se os patrões da minha mãe não comessem toda os bifes, ela certamente traria um pouco para nós”. Tocante, uma canção agridoce do mais alto gabarito.

Love The One You’re With (Stephen Stills)– Lançada pelo autor no seu álbum Stephen Stills (1970).
O maior hit do 1º disco-solo do integrante do CSN&Y mantém a sua levada latina-percussiva e a ênfase em um refrão contagiante. A letra é de um pragmatismo absoluto, tendo como mote “se você não está com quem você ama, ame a pessoa com quem você está”. Lançada em single, trouxe de novo os Isley Brothers às posições mais proeminentes dos charts, atingindo o 18º lugar na parada pop americana. Belo final para um álbum impecável.

Lançado em 25 de setembro de 1971 (data de meu aniversário de 10 anos, por sinal), Givin’ It Back atingiu a 71ª posição na parada pop e a de nº 13 na de r&b. A partir deste trabalho, o grupo passaria a mesclar composições próprias com releituras do pop rock daquele momento (Seals & Crofts, Todd Rundgren, The Doobie Brothers) sempre com os seis irmãos no time. Com a mudança da distribuição de seus discos passando da pequena Buddah para a major CBS em 1973, eles invadiriam de vez as paradas de sucesso e enfim viveriam seus anos de ouro em termos comerciais e também artísticos.

Ouça Givin’ It Back na íntegra em streaming:

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