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Chicago Transit Authority é relançado em versão remix

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Por Fabian Chacur

Na segunda metade dos anos 1960, o rock ganhou várias ramificações, graças a uma intensa dose de criatividade presente em diversos grupos, duplas e artistas-solo nos quatro cantos do mundo. Uma dessas tendências foi trazer para o universo roqueiro naipes de metal, permitindo às bandas que fizessem tal opção investirem em fusões com jazz, soul music e pop. Um dos pioneiros e mais criativos grupos nessa praia, ao lado do também americano Blood, Sweat And Tears, foi o Chicago.

Seu álbum de estreia, Chicago Transit Authority (1969), é considerado um dos marcos dessa ramificação “rock com metais”. Como forma de celebrar os 50 anos de seu lançamento, a Warner Music está lançando no Brasil em CD simples e nas plataformas digitais uma versão comemorativa, Chicago Transit Authority (50th Anniversary Remix), que traz uma nova mixagem para este trabalho clássico, pilotada pelo consagrado engenheiro de som Tim Jessup.

Criada em Chicago em 1967, esta banda americana tinha na época como seus integrantes principais Robert Lamm (teclados e vocais), Peter Cetera (baixo e vocais), Terry Kath (guitarra e vocais) e a sessão versátil de metais composta pelos multi-instrumentistas James Pankow, Lee Louhghlane e Walter Parazaider.

O nome do grupo na época em que lançaram o álbum de estreia era Chicago Transit Authority, mas para evitar problemas legais com a empresa de mesmo nome, reduziram para Chicago a partir do segundo LP.

A fama do CTA tornou-se enorme a partir do momento em que eles abriram shows para duas das grandes estrelas do rock daquele momento, Janis Joplin e Jimi Hendrix. Este último se declarou fã deles, elogiando tanto o naipe de metais como especialmente o guitarrista Terry Kath, que “toca melhor do que eu”.

O álbum teve um excelente desempenho comercial, ainda mais se levarmos em conta que, no formato LP de vinil, era duplo, algo raro para um trabalho de estreia. Mesmo assim, vendeu mais de 2 milhões de cópias nos EUA, atingiu o 17º na parada da Billboard e rendeu singles marcantes como Beginnings, Does Anybody Really Know What Time It Is e Questions 67 And 68 e a releitura de I’m a Man, dos britânicos do Spencer Davies Group.

O disco permaneceu por aproximadamente três anos, ou mais precisamente 171 semanas consecutivas na parada americana, e rendeu a eles uma indicação para o Grammy de Banda Revelação, vencida por Crosby, Stills & Nash e que tinha como outros concorrentes Led Zeppelin, Oliver e The Neon Philharmonic.

Embora já mostre os elementos pop que nos anos 1970 e 1980 tornaram a banda uma das campeãs de vendagens em todo o mundo, Chicago Transit Authority oferece uma sonoridade bem mais experimental e jazzística, com direito a faixas com longas passagens instrumentais nas quais o saudoso guitarrista Terry Kath (1946-1978) dá mostras de seu incrível talento, como Free Form Guitar. Um álbum que faz parte do elenco de várias listas dos melhores de todos os tempos, e que entrou no Hall da Fama do Grammy em 2014.

Faixas de Chicago Transit Authority (50th Anniversary Remix):

Introduction
Does Anybody Really Know What Time It Is?
Beginnings
Questions 67 And 68
Listen
Poem 58
Free Form Guitar
South California Purples
I’m A Man
Prologue, August 29, 1968
Someday (August 29, 1968)
Liberation

Ouça Chicago Transit Authority em streaming:

Humberto Gessinger lança álbum de canções inéditas em outubro

Humberto Gessinger - Não Vejo a Hora (capa)-400x

Por Fabian Chacur

No dia 11 de outubro, a gravadora Deck lançará, nos formatos CD, vinil, fita-cassete e digital, o álbum Não Vejo a Hora. Trata-se do primeiro trabalho de inéditas do ex-líder dos Engenheiros do Hawaii, o cantor, compositor e músico gaúcho Humberto Gessinger desde Insular (2013). Nesse meio-tempo, ele fez shows para divulgar aquele lançamento e também investiu em reler ao vivo o álbum mais famoso de sua ex-banda, A Revolta dos Dândis (1987).

Não Vejo a Hora conta com 11 faixas, compostas por Gessinger em parceria com Bebeto Alves, Duca Leindecker, Felipe Rotta, Nando Peters e Esteban Tavares, sendo que todas as letras são de sua autoria. A capa e contracapa traz desenhos do artista gaúcho Felipe Constant.

As gravações se dividem entre duas formações. Oito canções foram registradas com pegada power-elétrica, e trazem HG (vocal e baixo de seis cordas), Felipe Rotta (guitarra) e Rafa Bisogna (bateria). As três restantes tem HG (voz e viola caipira), Nando Peters (baixo acústico) e Paulinho Goulart (acordeon).

Em declaração incluída no press-release que anuncia o novo lançamento, Humberto explica a abordagem que escolheu para as novas canções: “Desde o início, saquei que o material pedia uma produção ágil, rápida, pra que a força das composições não se perdesse em firulas no estúdio… foi o que a gente fez. É um disco mais linear, mais focado na simplicidade dos trios”.

Infinita /Até o Fim (ao vivo)-Humberto Gessinger:

Abacaxepa lança Caroço com um show no Auditório Ibirapuera (SP)

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Por Fabian Chacur

Com uma estética sonora e visual bastante influenciada pela música brasileira dos anos 1970 e muito bem adaptada para os tempos atuais, a banda Abacaxepa vai aos poucos cativando um público fiel graças à consistência e energia de seu trabalho. Seu primeiro álbum, Caroço, lançado pelo selo YBmusic e disponível nas plataformas musicais, será lançado com um show em São Paulo nesta sexta (13) às 21h no Auditório Ibirapuera (avenida Pedro Álvares Cabral- Portão 2 do Parque Ibirapuera- fone 0xx11-3629-1075), com ingressos a R$ 15,00 (meia) e R$ 30,00 (inteira).

Carol Cavesso (voz), Bruna Alimonda (voz), Rodrigo Mancusi (voz), Juliano Verissimo (bateria e percussão), Ivan Santarém (guitarra e violão), Fernando Sheila (baixo), Vinícius Furquim (Rhodes, órgão Hammond e sintetizadores), integrantes do grupo radicado em São Paulo, criaram o Abacaxepa em 2016, durante as aulas de música que tiveram na Escola Superior de Artes Célia Helena. Portanto, a abordagem teatral de seu trabalho tem uma origem nobre.

Os ótimos singles Pimenta e O Dia Que Maria Levantou e o lançamento de um EP em 2018 ajudaram a impulsionar o Abacaxepa, além de shows costumeiramente lotados nos quais suas vocalizações bacanas e uma mistura afiada de rock, reggae, ritmos nordestinos, MPB, psicodelia, experimentalismos mil e muito mais encontram o local mais adequado.

Duas das músicas de Caroço (ouça o álbum em streaming aqui) já possuem videoclipes. São elas o reggae-xote Piracema e a roqueira Remédio Pra Gente Grande (veja o clipe aqui), duas belas amostras de um trabalho caudaloso e dos mais expressivos da novíssima geração da música brasileira.

Piracema (clipe)- Abacaxepa:

Foreigner lança álbum ao vivo gravado em Londres em 1978

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Por Fabian Chacur

Em 27 de abril de 1978, o grupo Foreigner subiu ao palco do lendário Rainbow Theatre em Londres para encarar uma casa cheia. E não era para menos. Seu autointitulado álbum de estreia, lançado em março de 1977, atingiu o 3º lugar na parada americana e rapidamente os impulsionou na cena do hard rock melódico mundial. Naquele dia, os caras fizeram um show repleto de energia e competência, que só agora pode ser conferido em registro oficial. Trata-se de Live At The Rainbow ’78, que a Warner Music está lançando no Brasil em CD e também disponibilizando nas plataformas digitais.

Tudo começou em 1976, quando o experiente músico inglês Mick Jones (guitarra, teclados, backing vocals), ex-integrante do Spooky Tooth e da banda de apoio de Leslie West (ex-Mountain) se viu desempregado. Incentivado por um empresário, resolveu montar um novo time, com os conterrâneos Ian McDonald (guitarras, teclados, sax, flauta, backing vocals, ex-integrante do King Crimson) e Dennis Elliott (bateria, backing vocals).

Logo a seguir, entraram no time os americanos Al Greenwood (teclados, sintetizador) e Ed Gagliardi (baixo, backing vocals). Só faltava o vocalista, que quase foi o ótimo Ian Lloyd, ex-Stories (do hit Brother Louie). Depois de dezenas de testes, Mick Jones se lembrou do LP da banda ianque Black Sheep que ganhou de seu cantor, um certo Lou Gramm anos antes. Finalmente ele o pôs na vitrola, e gostou do que ouviu. Resultado: outro americano na banda.

A química deu tão certo que o Foreigner (forasteiro em inglês, nome bem adequado para os britânicos do time) arrebentou em termos comerciais logo com seu primeiro álbum. E foi para divulgar este trabalho que o então sexteto foi a Londres. Tanto que o repertório do show e incluído em Live At The Rainbow ’78 traz as dez faixas desse LP, além de duas do álbum que eles lançariam em junho de 1978, Hot Blooded e Double Vision (esta, a faixa-título).

O repertório é uma verdadeira aula de hard rock melódico, com direito a teclados com pitadas progressivas, backing vocals impecáveis e alguma coisinha de Free, Bad Company e Beatles. A partir dali, o Foreigner teve algumas mudanças em sua escalação e atingiu seu auge em termos de popularidade na metade dos anos 1980, com hits românticos como Waiting For a Girl Like You e I Want To Know What Love Is, vendendo em torno de 80 milhões de discos.

Eis as faixas de Live At The Rainbow ‘78:

Long, Long Way From Home
I Need You
Woman Oh Woman
Hot Blooded
The Damage Is Done
Cold As Ice
Starrider
Double Vision
Feels Like The First Time
Fool For You Anyway
At War With The World
Headknocker

Cold As Ice (live)- Foreigner:

Boca Livre celebra 40 anos de estreia com Viola de Bem Querer

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Por Fabian Chacur

Em 1979, saía pela via independente o álbum de estreia do Boca Livre. Não demorou para que se tornasse um verdadeiro fenômeno, pois mesmo sem a ajuda das grandes gravadoras, atingiu em cheio o grande público e ultrapassou a marca das 100 mil cópias vendidas. E aquilo era só o começo de uma trajetória belíssima. Quatro décadas depois, o quarteto carioca celebra a efeméride com Viola de Bem Querer, um trabalho que os mantém em seu alto patamar de qualidade artística.

Quando fiquei sabendo do novo título do álbum do Boca Livre, imaginei que se trataria de um trabalho retrospectivo de seus maiores sucessos, pois a frase remetia a dois grandes hits da banda, Quem Tem a Viola e Toada (Na Direção do Dia). Errei feio! Na verdade, Viola de Bem Querer é uma composição do jovem cantor, compositor e músico paulista Breno Ruiz, lançada por ele em seu álbum Cantilenas Brasileiras, lançado em 2016 pela via independente.

Com letra a cargo do consagrado Paulo Cesar Pinheiro, esta belíssima canção, curiosamente, foi gravada por Breno em versão na qual temos ele cantando e tocando piano (seu instrumento habitual) e acompanhado por Igor Pimenta (baixo acústico). Ou seja, não tem viola! Na releitura feita pelo Boca, o instrumento se faz presente, reforçando sua mensagem simples e encantadora.

A formação atual do Boca Livre é a sua mais estável nesses 41 anos de estrada, com Zé Renato (voz e violão), Mauricio Maestro (voz, baixo e violão), David Tygel (voz e viola) e Lourenço Baeta (voz, violão e flauta). Desde o início, investem em uma sonoridade que traz como influências mais visíveis o Clube da Esquina, a ala mais melódica do rock rural, bossa nova e outras vertentes bacanas da nossa música popular. Isso, dando continuidade à tradição de grandes grupos vocais brasileiros, como MPB-4 e Os Cariocas.

Viola de Bem Querer, como um todo, os mostra no geral com uma ênfase no som mais rural, o que transparece logo na capa e nas fotos incluídas no belo encarte da versão em CD deste trabalho. São nove faixas no total. O padrão habitual se mantém, com algumas composições de integrantes do time, como as belas Santa Marina (parceria de Lourenço Baeta com o poeta Cacaso), Noite (escrita por Zé Renato com a genial Joyce Moreno, autora de um dos pontos altos do álbum de estreia, Mistérios, feita com Mauricio Maestro), Eternidade (Mauricio Maestro) e a instrumental O Paciente (David Tygel).

Somadas às autorais, temos composições alheias escolhidas a dedo, como a deliciosa Um Paraíso Sem Lugar (Geraldo Azevedo e Fausto Nilo), e clássicos perenes da música brasileira em encantadoras adaptações personalizadas. Amor de Índio (Beto Guedes e Ronaldo Bastos) vem do Clube da Esquina, enquanto Um Violeiro Toca (Almir Sater e Renato Teixeira) sai do berço da canção rural brasileira. A surpresa fica por conta de Vida da Minha Vida (Moacyr Luz e Sereno), hit na voz de Zeca Pagodinho que aqui ganhou contornos latinos e percussivos.

Além dos quatro se desdobrando em vocais e instrumentos musicais, o disco conta com participações de músicos do porte de Pantico Rocha (bateria, conhecido por seu trabalho com Lenine), João Carlos Coutinho (piano elétrico), Bernardo Aguiar (pandeiro), Thiago da Serrinha (percussão) e Marcelo Costa (percussão). A sonoridade delicada e envolvente do grupo se mostra muito bem preservada, enfatizando os belos arranjos vocais, dividindo-se entre uníssomos, solos e vocalizações elaboradas e encantadoras.

Muito legal ver um grupo celebrar 40 anos de seu disco de estreia com um trabalho que não soa saudosista ou redundante. Aqui, o que temos é a fidelidade intensa e entusiástica a um estilo próprio de se fazer música, sem se render a modismos ou tendências do cenário musical, e oferecendo apenas o melhor a quem os acompanha nesses anos todos. Da mesma forma que ouvimos até hoje Boca Livre (o álbum) com o mesmo prazer de 1979, certamente este Vida da Minha Vida continuará encantando daqui a muitos e muitos anos.

Viola de Bem Querer– Boca Livre:

Luiz Ayrão celebra 50 anos de carreira com um álbum digital

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Por Fabian Chacur

Luiz Ayrão ficou conhecido nacionalmente primeiro como o autor de dois grandes sucessos de Roberto Carlos, Ciúme de Você e Nossa Canção, ainda nos anos 1960. Na década de 1970, foi a vez de o cantor tornar-se conhecido, interpretando hits próprios como O Lencinho, Os Amantes, Porta Aberta e Bola Dividida, entre outros. Como forma de celebrar 50 anos de uma carreira elogiável, ele lança nesta sexta (24) Um Samba de Respeito, trabalho com sete faixas que será distribuído pela Universal Music nas plataformas digitais, sem formato físico previsto.

A primeira música a ser divulgada traz o cantor e compositor ao lado de dois Zecas ilustres, o Pagodinho e o Baleiro, no delicioso samba de breque intitulado Tentação de Malandro. Ele dá uma geral sobre essa música:

“Esta é uma composição bem das raízes do samba de breque. O autor é o meu pai, com o qual, infelizmente, convivi apenas por 13 anos. Fala da reflexão de um bom malandro da década de 1940, diante de uma mulher irresistível, de seu homem, malandro mau e valente, e do poder despótico dos delegados de polícia daquela época”.

O álbum traz também Alcione e Diogo Nogueira em Um Samba Merece Respeito, Péricles (ex-Exaltasamba) em Oxitocina, Xande de Pilares (ex-Revelação) em No Cravo e na Ferradura, a formação atual dos Demônios da Garoa em Fina Ironia, o cantor e compositor mineiro Toninho Geraes em Pétalas de Rosa e o histórico cantor e compositor carioca Monarco em Pobre Passarinho, escrita pelo veterano sambista especialmente para Luiz Ayrão.

Tentação de Malandro– Luiz Ayrão, Zeca Baleiro e Zeca Pagodinho:

Fábio Jorge canta clássicos da MPB vertidos para o francês

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Por Fabian Chacur

Fábio Jorge é fruto do amor entre um brasileiro e uma francesa. Essa fusão, típica da bela miscigenação que marca o povo brasileiro, se apresenta plena na trajetória musical deste cantor e compositor paulistano formado em Letras e nascido em 1970. Em seus 15 anos de carreira, ele investe em canções do songbook francês, sempre com um toque brasileiro na mistura. Em seu quarto CD, Connexions, a simbiose se mostra perfeita, com o artista interpretando clássicos da música popular brasileira com letras vertidas para a língua popularizada em termos musicais por mestres do porte de Charles Aznavour e Édith Piaf.

Das 14 faixas, 13 foram versionadas pelo próprio Fábio. A seleção de repertório tem na abrangência sua marca, pois traz desde pérolas da bossa nova até hits dos anos 2000. São canções popularizadas por artistas como Elis Regina, Tom Jobim, Dalto, Alcione, Milton Nascimento, Djavan e Marisa Monte, entre outros. Uma interessante amostra do nosso cancioneiro popular, e sem cair em preconceitos, incluindo canções da seara mais popular, muito bem pinçadas, por sinal.

Os arranjos instrumentais são precisos, primando pelo bom gosto e pela delicadeza, assinados por Alexandre Vianna, João Henrique Baracho, Rovilson Pascoal e Daniel Bondaczuk (os de cordas). Com inteligência, souberam captar o estilo da música francesa tradicional e adaptá-lo para um repertório brasileiro, trazendo características de cada um desses universos sem despencar em caricatura ou diluição barata para turista ver (e ouvir). Aqui, é tudo a vera.

O destaque fica por conta das interpretações de Fábio Jorge, que possui voz de timbre aveludado e extremamente boa de se ouvir que ele conduz com categoria típica de quem fez a lição de casa. Aqui aparece provavelmente a maior influência que ele traz de sua origem francesa: aquela desenvoltura elegante típica de intérpretes como Charles Aznavour, a capacidade de cantar como se estivesse batendo um papo agradável com pessoas queridas.

Entre outras, vale destacar L’Eternité (Pessoa, hit com o autor, Dalto, e também com Marina Lima), Les Bateaux Sur La Mer (Arrastão, de Edu Lobo e Vinícius de Moraes e estouro com Elis Regina) e Mon Énorme Folie (Estranha Loucura, de Michael Sullivan e Paulo Massadas e hit com Alcione).

De quebra, o intérprete convidou três ótimas cantoras para dividirem canções com ele. Respectivamente, Márcia em Notres Printemps (Primavera, de Carlos Lyra e Vinícius de Moraes), Diva Maria em Dans Ma Rue (Pela Rua, de Dolores Duran) e Edith Veiga em J’Ai Le Mal De Toi (Briguei com Você, da própria Edith em parceria com Dora Lopes. As três cantam suas partes em português, ressaltando a parceria Brasil-França que está no DNA deste excelente Connexions.

L’Eternité (Pessoa) (clipe)- Fábio Jorge:

Alfredo Dias Gomes funde MPB e jazz instrumental no álbum Solar

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Por Fabian Chacur

Alfredo Dias Gomes iniciou sua carreira no final dos anos 1970, ainda muito jovem. E começou com tudo, sendo o baterista da banda do incrível Hermeto Pascoal, conhecido pelo rigor com que arregimenta seus músicos de apoio. Com o tempo, atuou com inúmeros grupos e artistas, entre os quais Heróis da Resistência, Ivan Lins, Lulu Santos, Ritchie e Sergio Dias, só para citar alguns. Desde 1993, o músico carioca se concentra em sua carreira-solo, que acaba de render mais um novo e belo fruto, o álbum Solar, disponível nas plataformas digitais e também em CD.

Duas características marcam este trabalho. Uma é o fato de Alfredo ter a seu lado apenas mais um músico, Widor Santiago, que se incumbe dos sopros (sax e flauta). De resto, temos ele na bateria e também nos teclados, baixos e composições. A outra fica por conta de um mergulho em sonoridades brasileiras, especialmente de ritmos nordestinos, que se misturam ao jazz durante as oito faixas do álbum, com um resultado dos mais agradáveis.

O título Solar, que também dá nome a uma das faixas do disco, é bem feliz para retratar o clima geral deste trabalho. É um álbum para cima, bom de se ouvir, energético, no qual as sutilezas são oferecidas ao ouvinte de forma inteligente, sem cair no formato hermético que por vezes a música instrumental acaba seguindo em função da virtuosidade dos músicos envolvidos. Aqui, tanto Alfredo quanto Widor Santiago solam com categoria e esbanjam técnica, mas sem cair em tecnicismos ególatras.

A faixa Viajante é a mais antiga do repertório, e tem uma história bacana. Ela foi escrita por Alfredo em 1980, atendendo ao pedido de sua mãe, ninguém menos do que a novelista Janete Clair. A música foi gravada originalmente por Dominguinhos e entrou na trilha sonora da novela global Coração Alado (1980-1981). Agora, enfim recebe versão de seu autor. Trata-se de uma espécie de baião, com bela ênfase rítmica e melodia redonda e gostosa. Aliás, vale lembrar que seu pai é o também novelista-e também saudoso- Dias Gomes.

Se a pegada brasileira predomina em Viajante, na faixa título e em Corais, o jazz clima anos 1950 marca a incrível Smoky, enquanto o jazz rock permeia Alta Tensão e Trilhando. Com sotaque latino, El Toreador foi escrita em 1993 para a trilha sonora da peça teatral homônima de Janete Clair. E Finale encerra o CD com classe. No geral, Solar mostra Alfredo Dias Gomes à vontade como músico e compositor, proporcionando ao ouvinte muito prazer auditivo.

Ouça Solar, de Alfredo Dias Gomes, em streaming:

Old Chevy lança seu CD autoral e fará shows por Bélgica e Holanda

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Por Fabian Chacur

Vintage rock ‘n roll. É dessa forma que a banda Old Chevy define o seu som. Com nove anos de estrada e oriunda de Campinas (SP), traz em suas fileiras Simon Lira (vocal e guitarra), Bruno Ienne (bateria stand up e backing vocals) e Eliezer Bellotto (baixo acústico). O som dos caras é uma envenenada mistura de rock and roll cinquentista, smooth jazz e swing jazz. Eles, no momento, celebram duas vitórias bem bacanas: o lançamento do álbum autoral On The Run, disponível em breve no formato físico e também nas plataformas digitais e a iminência de uma turnê por Bélgica e Holanda.

A maratona de shows da Old Chevy terá início no dia 9 de maio, uma quinta-feira, com apresentação em Lille, na Bélgica, e comportará em torno de 28 datas em sua primeira parte, com mais 35 entre julho e agosto (veja a programação completa abaixo). Serão performances em bares, cafés e festivais.

On The Run traz nove faixas de autoria dos integrantes da banda, uma do amigo Yves Apsy e a releitura de Santeria, hit na década de 1990 com a banda americana Sublime. Gravação, mixagem e masterização do álbum ficaram por conta de Bruno Ienne no Estúdio 51, situado em Jundiaí (SP). Os trabalhos foram realizados entre fevereiro e março deste ano, a toque de caixa, com o objetivo de ter o álbum pronto a tempo de divulgá-lo na turnê europeia.

Conheça o roteiro da turnê internacional do Old Chevy:

09/05 Lille – BE Crawaet
10/05 Brugge – BE Charlie Rockets City Hostel
11/05 Merksem – BE Roadhouse Barbershop
11/05 Dinteloord – NL Kaffee de Bonnefooi
12/05 Antwerpen – BE @Pictures of Lilly
12/05 Schoonbroek – BE Schoonbroek Leeft
13/05 Herenthout – BE Muziekkafee Titanic
14/05 Mol – BE Jazzoet
15/05 Brussel – BE @Archipel
16/05 Vorselaar – BE Den Tip
17/05 Vlissingen – NL De Piek
18/05 Alphen aan de Rijn – NL Hendrick’s pub Alphen
18/05 Roosendaal – NL Time Out Roosendaal
19/05 Rumst – BE Ace Cafe Rumst (Belgium)
20/05 Webbekom – BE Stamineeke Webbekom

22/05 Brielle – NL Cafehonkytonk
23/05 Essen – BE Café Heuvelzicht
24/05 Tilburg – NL Kaffee lambiek
25/05 Deurne – BE Cafe In den Sleutel
26/05 Wintelre – NL Amerikanenmeeting.nl
26/05 Roermond – NL Den Heilige Cornelius
27/05 Gent – BE Missy Sippy

29/05 Herentals – BE Café Den Brigand
30/05 Waarland – NL Cars ‘n Bands, Stars & Stripes
30/05 Hingene – BE Café De Blauwe Koe
31/05 Westerhaar – NL Cafe holthuis – Westerhaar
01/06 Breskens – NL eet- en muziekcafé the bounty
02/06 Gilze – NL Irish Pub The Banner & Eetcafé

PARTE 2
04/07 – Essen (Bel) – Café Heuvelzicht
05/07 – Scherpenheuvel (Bel) – Café Boots
05/07 – Vorselaar (B) – Na Fir Bolg 2019
06/07 – Tinte (Hol) – Zomerfeest 2019
07/07 – Diest (Bel) – Retro Jardin

09/07 – Mol (Bel) – Jazzoet
10/07 – A SER ANUNCIADO
11/07 – Herentals (Bel) – t Haveke
12/07 – Overijse (Bel) – Taverne De Met
13/07 – Zoetermeer (Hol) – Sweetlake Rock ‘n Roll Revival
13/07 – Giethoorn (Hol) – TBA
14/07 – Izegem (Bel) – Chrome Sweet Chrome
14/07 – Wervershoof (Hol) – Hèt Café van Wervershoof

16/07 – Herentals (Bel) – Café ‘t Theater
17/07 – Roosendaal (Hol) – Time Out Roosendaal
18/07 – Herentals (Bel) – De Lentehei
19/07 – Nijmegen (Hol) – De Kaai
20/07 – Wellen (Bel)
20/07 – Eindhoven (Hol) – Rock ‘n Roll Meeting (Jose Verspaget)
20/07 – Emblem (Bel) – Café de Tramstatie
21/07 – Elsloo (Hol) – Café De Dikke Stein

23/07 – Asten Heusden (Hol) – Cafe ‘t Spektakel
24/07 – A SER ANUNCIADO
25/07 – Turnhout (Bel) – Café Chaos
26/07 – Lebbeke (Bel) – Café Bruce ‘n Blues
27/07 – Zeewolde (Hol) – NatuPop Festival – zaterdag 27 juli 2019
27/07 – Leeuwarden (Hol) – Cafe Scooters Leeuwarden
28/07 – Ranst (Bel) – Golden Driver
28/07 – Brielle (Hol) – Brielle Blues 2019

30/07 – Mol (Bel) – Jazzoet
31/07 – Halle (Bel) – Blue Note Pub
01/08 – Hoegaarden (Bel) – Den Venetiaen
02/08 – Laarne (Hol) – Rockin’ Bar
03/08 – Retie (Bel) – Harley Davidson Rally
04/08 – Lille (Bel) – Staminee De Crawaett-Lille

Billy Biker (clipe)- Old Chevy:

Mart’nália faz deliciosa viagem pela obra de Vinicius de Moraes

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Por Fabian Chacur

Há artistas que possuem uma forte assinatura autoral naquilo que fazem. Mart’nália integra esse restrito grupo a partir de sua voz, que consegue conciliar um registro mais áspero com uma doçura que você reconhece logo nos primeiros segundos de suas interpretações. Versátil, ela é cantora, compositora, musicista, produtora… Com 32 anos de carreira discográfica, ela dedica o seu novo álbum a um dos repertórios mais nobres da música brasileira. O título entrega o conteúdo: Mart’nália Canta Vinícius de Moraes, lançamento da Biscoito Fino que já está disponível em CD e nas plataformas digitais.

Este novo trabalho de Mart’nália começou bem logo na escolha de seus produtores, o saudoso baixista Arthur Maia e o guitarrista Celso Fonseca. Essa dupla talentosíssima soube arregimentar músicos que, junto com eles, foram capazes de dar conta de uma sonoridade centrada na música brasileira, mas com uma fluência jazzística e apego às sutilezas elegantes.

A escolha do repertório equivale a uma significativa amostra do que melhor o nosso amado Poetinha fez em sua carreira no mundo da música popular, trazendo exemplares de suas parcerias com Tom Jobim, Toquinho, Baden Powell, Carlos Lyra e Hermano Silva. De quebra, temos a voz do próprio abrindo e fechando o CD, com seu tom agradável e mais afinado do que quem não conhece a sua história pode imaginar. Poeta, sim, e dos bons, mas um vocalista bastante respeitável, sem ser um Pavarotti, obviamente.

Com seu estilo próprio e descontraído, Mart’nália aproveita essa roupagem bacana imprimida às músicas de Vinícius para dar a elas releituras elegantes, reverentes e respeitosas, mas sem cair na mera repetição, armadilha em que alguns intérpretes caem quando ficam diante de canções tão clássicas e tão icônicas como essas contidas neste trabalho.

Além do homenageado, temos as participações de Maria Bethânia recitando o Soneto do Corifeu, interpolado em Eu Sei Que Vou Te Amar, a cantora italiana radicada na França Carla Bruni em versão bilíngue de Insensatez, e de Toquinho na sua parceria com Vinícius Tarde em Itapoã. A irreverência de A Tonga da Mironga do Kabuletê e Maria Vai Com As Outras, o ode à saudade de Onde Anda Você, o lirismo de Minha Namorada, é um clássico atrás do outro.

Mart’nália Canta Vinícius de Moraes é o tipo do tributo que esse grande nome da cultura brasileira merece, um verdadeiro banho de sensibilidade, talento e respeito. Difícil ser mais elegante e swingada do que Mart’nália foi com essas canções tão maravilhosas, que refletem o melhor de um país que a gente ama e respeita mais do que nunca. Cultura é isso!

Onde Anda Você– Mart’nália:

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