Mondo Pop

O pop de ontem, hoje, e amanhã...

Tag: álbum (page 1 of 6)

Evinha Canta Guilherme Arantes em álbum e shows em Sampa e RJ

evinha canta ga capa-400x

Por Fabian Chacur

Há quase 20 anos (segundo ela), Evinha recebeu de Guilherme Arantes uma composição inédita do consagrado artista paulistano, Sou o Que Ele Quer. Desde então, havia a vontade de gravá-la. Pois enfim chegou a hora, e não poderia ter sido de forma melhor. Além desta, a cantora carioca registrou outras 11 desse mesmo autor no álbum Evinha Canta Guilherme Arantes (Kuarup), disponível em CD físico e nas plataformas digitais. Ela, há 40 anos radicada na França, mostra o repertório deste trabalho com shows nesta terça (12) em São Paulo e no dia 16 (sábado) no Rio de Janeiro.

O álbum traz Evinha acompanhada apenas por seu marido, o experiente pianista francês Gérard Gambus, que também se incumbiu da produção artística, com a executiva ficando a cargo do brilhante Thiago Marques Luiz. As gravações, mixagem e masterização do álbum foram feitos na França.

O repertório traz canções lançadas entre 1976 e 1989, sendo seis na década de 1970 e cinco na de 1980. Curiosidade: quatro delas- Antes da Chuva Chegar, A Cidade e a Neblina, Águas Passadas e Cuide-se Bem integram o álbum de estreia da carreira-solo de Guilherme, autointitulado e considerado por muita gente como o mais inspirado em seus mais de 40 anos de ótima trajetória musical.

Celebrando 50 anos do início de sua carreira como solista, após ter saído do Trio Esperança, Evinha se mostra em plena forma vocal aos 68 anos de idade. Ela está à vontade trabalhando com o repertório de Guilherme Arantes, e o bacana fica por conta de não ter se concentrado apenas no lado mais baladeiro e romântico do artista, aventurando-se também em faixas mais balançadas ou roqueiras como Deixa Chover e A Cidade e a Neblina.

Afora algumas vocalizações adicionais feitas provavelmente por ela própria em momentos pontuais de algumas das faixas, o que temos aqui é o melhor voz e piano. E a coisa só poderia dar certo com um músico de primeira, o que Gérard Gambus se mostra, dialogando de forma elegante e fluente com a voz de Evinha.

Como já tive a honra de ver alguns shows de Guilherme Arantes no formato voz e piano, foi muito divertido comparar suas performances com as de Evinha, notando as características próprias de cada um. E não é de se estranhar que o compositor tenha feito no encarte do CD um texto tão reverente e de gratidão à cantora por ter gravado este álbum. Ela merece.

Sou o Que Ele Quer, canção inédita que acabou gerando o álbum, é um belo acréscimo ao songbook do autor de Meu Mundo e Nada Mais, gravada com uma levada mezzo latina, mezzo jazzy que envolve o ouvinte sem muita dificuldade.

Outro ponto bacana do repertório foi equilibrar clássicos mais conhecidos do astro paulistano, como Êxtase, Brincar de Viver, Pedacinhos (Bye Bye So Long) e Amanhã, com resgates elogiáveis de outras menos conhecidas do grande público, entre as quais Antes da Chuva Chegar e Águas Passadas, esta última interpretada de forma tão vigorosa e feliz que se tornou totalmente dela. Merecia virar hit!

Evinha Canta Guilherme Arantes é aquela parceria perfeita, pois ajuda a divulgar a ótima e essencial obra de Guilherme Arantes, além de nos oferecer um pouco mais de uma cantora simplesmente brilhante, e que não tem tantos itens em sua discografia. Se vier um volume 2, garanto que ninguém irá reclamar.

Serviço dos shows:

São Paulo
Dia 12 de novembro (terça-feira) às 21h
Teatro Itália (avenida Ipiranga, nº 344- Edifício Itália- República- fone 0xx11-3255-1979)
Ingressos a R$ 50,00 (meia) e R$ 100,00 (inteira)

Rio de Janeiro
Dia 16 de novembro (sábado) às 19h30
Teatro Rival Petrobrás (Rua Álvaro Alvim, nº 33-37- Centro- fone 0xx21-2240-4469)
Ingressos a R$ 70,00

Ouça Evinha Canta Guilherme Arantes em streaming:

Ronnie Wood lançará álbum em homenagem ao ídolo Chuck Berry

ronnie wood mad lad cover-400x

Por Fabian Chacur

Várias novidades boas referentes a Ronnie Wood estão em vias de serem conferidas por seus inúmeros fãs mundo afora. Nesta semana, tivemos a divulgação de mais uma faixa do álbum Mad Lad- A Live Tribute To Chuck Berry. Trata-se de Rock ‘N’ Roll Music, com participação especial da cantora irlandesa Imelda May. A primeira faixa a ser divulgada foi Talking About You (ouça aqui).

O novo álbum do guitarrista britânico está previsto para sair no dia 15 de novembro pela gravadora BMG (não confundir com a antiga, hoje parte da Sony Music) com distribuição da Warner Music e nos formatos CD, vinil, streaming, downloads remunerados e também em uma edição especial limitada contendo CD, LP de vinil, gravura 12×12, set list autografado e uma camiseta. Ainda não foi divulgado se teremos lançamento físico deste trabalho no Brasil.

Gravado ao vivo em 2018 no Tivoli Theatre, na cidade britânica de Winborne, o trabalho traz Wood acompanhado por sua banda de apoio, a Wild Five, com o acréscimo de Imelda May e Ben Waters (piano) em alguns momentos. Trata-se de uma homenagem do músico a um de seus ídolos, o saudoso Chuck Berry, de quem ele era amigo e com quem tocou em várias ocasiões.

O repertório traz 11 faixas, com direito a clássicos do rock como Johnny B Goode e Little Queenie e a composição de Wood Tribute To Chuck Berry. A faixa que dá nome ao CD, Mad Lad, é um obscuro e delicioso tema instrumental de Chuck Berry gravado originalmente por ele em 1960.

Com desenho de capa de autoria do próprio roqueiro, o álbum inicia uma trilogia de trabalhos nos quais serão homenageados os maiores ídolos do músico britânico, sendo que os outros dois nomes ainda não foram divulgados. Ele fará no dia 25 de novembro no Birmingham Symphony Hall um show no qual dará uma geral nas músicas do álbum.

Se o disco por si só já é uma bela novidade, o fato mais legal fica por conta do filme Somebody Up There Likes Me, dirigido pelo premiado Mike Figgis, com premiere mundial marcada para o dia 12 (sábado) durante o London Film Festival e lançamento no circuito comercial previsto para o início de 2020.

Trata-se de um documentário sobre a vasta e rica trajetória profissional e pessoal de Ronnie Wood, com entrevistas feitas especialmente para esta atração com o artista enfocado e também colegas ilustres como Mick Jagger, Keith Richards, Rod Stewart e outros, além de cenas de arquivo com performances dele integrando as bandas Jeff Beck Group, The Faces e, obviamente, The Rolling Stones, na qual ele entrou em 1975 e permanece firme e forte.

Um dos pontos mais interessantes fica por conta de uma lembrança de Ronnie de quando tinha 16 anos de idade e não sabia direito o que iria fazer da vida. No dia 11 de agosto de 1963 ele viu um show dos então emergentes The Rolling Stones, gostou do que viu e pensou que aquela era a carreira que gostaria de seguir. Mal sabia que, dali a 12 anos, não só seria um astro do rock como de quebra receberia o convite irrecusável para entrar naquele grupo, na vaga de Mick Taylor.

O filme também dá uma geral na carreira de Wood como pintor, área na qual ele também é bastante elogiado, com direito a exposições em vários países (incluindo o Brasil, nos anos 1990) e lançamento de catálogos bem bacanas, e de sua luta contra os vícios e um câncer. Além de integrar bandas bacanas, Ronnie também desenvolve uma competente carreira solo paralela que se iniciou em 1974 com o álbum I’ve Got My Own Solo Album To Do.

Eis a relação de músicas de Mad Lad:

-Tribute to Chuck Berry
-Talking About You
-Mad Lad
-Wee Wee Hours- Feat Imelda May
-Almost Grown- Feat Imelda May
-Back In The USA
-Blue Feeling
-Worried Life Blues
-Little Queenie
-Rock ‘N’ Roll Music- Feat Imelda May
-Johnny B Goode

Rock ‘N’ Roll Music– feat Imelda May:

Chicago Transit Authority é relançado em versão remix

chicago transit authority capa-400x

Por Fabian Chacur

Na segunda metade dos anos 1960, o rock ganhou várias ramificações, graças a uma intensa dose de criatividade presente em diversos grupos, duplas e artistas-solo nos quatro cantos do mundo. Uma dessas tendências foi trazer para o universo roqueiro naipes de metal, permitindo às bandas que fizessem tal opção investirem em fusões com jazz, soul music e pop. Um dos pioneiros e mais criativos grupos nessa praia, ao lado do também americano Blood, Sweat And Tears, foi o Chicago.

Seu álbum de estreia, Chicago Transit Authority (1969), é considerado um dos marcos dessa ramificação “rock com metais”. Como forma de celebrar os 50 anos de seu lançamento, a Warner Music está lançando no Brasil em CD simples e nas plataformas digitais uma versão comemorativa, Chicago Transit Authority (50th Anniversary Remix), que traz uma nova mixagem para este trabalho clássico, pilotada pelo consagrado engenheiro de som Tim Jessup.

Criada em Chicago em 1967, esta banda americana tinha na época como seus integrantes principais Robert Lamm (teclados e vocais), Peter Cetera (baixo e vocais), Terry Kath (guitarra e vocais) e a sessão versátil de metais composta pelos multi-instrumentistas James Pankow, Lee Louhghlane e Walter Parazaider.

O nome do grupo na época em que lançaram o álbum de estreia era Chicago Transit Authority, mas para evitar problemas legais com a empresa de mesmo nome, reduziram para Chicago a partir do segundo LP.

A fama do CTA tornou-se enorme a partir do momento em que eles abriram shows para duas das grandes estrelas do rock daquele momento, Janis Joplin e Jimi Hendrix. Este último se declarou fã deles, elogiando tanto o naipe de metais como especialmente o guitarrista Terry Kath, que “toca melhor do que eu”.

O álbum teve um excelente desempenho comercial, ainda mais se levarmos em conta que, no formato LP de vinil, era duplo, algo raro para um trabalho de estreia. Mesmo assim, vendeu mais de 2 milhões de cópias nos EUA, atingiu o 17º na parada da Billboard e rendeu singles marcantes como Beginnings, Does Anybody Really Know What Time It Is e Questions 67 And 68 e a releitura de I’m a Man, dos britânicos do Spencer Davies Group.

O disco permaneceu por aproximadamente três anos, ou mais precisamente 171 semanas consecutivas na parada americana, e rendeu a eles uma indicação para o Grammy de Banda Revelação, vencida por Crosby, Stills & Nash e que tinha como outros concorrentes Led Zeppelin, Oliver e The Neon Philharmonic.

Embora já mostre os elementos pop que nos anos 1970 e 1980 tornaram a banda uma das campeãs de vendagens em todo o mundo, Chicago Transit Authority oferece uma sonoridade bem mais experimental e jazzística, com direito a faixas com longas passagens instrumentais nas quais o saudoso guitarrista Terry Kath (1946-1978) dá mostras de seu incrível talento, como Free Form Guitar. Um álbum que faz parte do elenco de várias listas dos melhores de todos os tempos, e que entrou no Hall da Fama do Grammy em 2014.

Faixas de Chicago Transit Authority (50th Anniversary Remix):

Introduction
Does Anybody Really Know What Time It Is?
Beginnings
Questions 67 And 68
Listen
Poem 58
Free Form Guitar
South California Purples
I’m A Man
Prologue, August 29, 1968
Someday (August 29, 1968)
Liberation

Ouça Chicago Transit Authority em streaming:

Humberto Gessinger lança álbum de canções inéditas em outubro

Humberto Gessinger - Não Vejo a Hora (capa)-400x

Por Fabian Chacur

No dia 11 de outubro, a gravadora Deck lançará, nos formatos CD, vinil, fita-cassete e digital, o álbum Não Vejo a Hora. Trata-se do primeiro trabalho de inéditas do ex-líder dos Engenheiros do Hawaii, o cantor, compositor e músico gaúcho Humberto Gessinger desde Insular (2013). Nesse meio-tempo, ele fez shows para divulgar aquele lançamento e também investiu em reler ao vivo o álbum mais famoso de sua ex-banda, A Revolta dos Dândis (1987).

Não Vejo a Hora conta com 11 faixas, compostas por Gessinger em parceria com Bebeto Alves, Duca Leindecker, Felipe Rotta, Nando Peters e Esteban Tavares, sendo que todas as letras são de sua autoria. A capa e contracapa traz desenhos do artista gaúcho Felipe Constant.

As gravações se dividem entre duas formações. Oito canções foram registradas com pegada power-elétrica, e trazem HG (vocal e baixo de seis cordas), Felipe Rotta (guitarra) e Rafa Bisogna (bateria). As três restantes tem HG (voz e viola caipira), Nando Peters (baixo acústico) e Paulinho Goulart (acordeon).

Em declaração incluída no press-release que anuncia o novo lançamento, Humberto explica a abordagem que escolheu para as novas canções: “Desde o início, saquei que o material pedia uma produção ágil, rápida, pra que a força das composições não se perdesse em firulas no estúdio… foi o que a gente fez. É um disco mais linear, mais focado na simplicidade dos trios”.

Infinita /Até o Fim (ao vivo)-Humberto Gessinger:

Abacaxepa lança Caroço com um show no Auditório Ibirapuera (SP)

Abacaxepa_FotoFloraNegri_02-400x

Por Fabian Chacur

Com uma estética sonora e visual bastante influenciada pela música brasileira dos anos 1970 e muito bem adaptada para os tempos atuais, a banda Abacaxepa vai aos poucos cativando um público fiel graças à consistência e energia de seu trabalho. Seu primeiro álbum, Caroço, lançado pelo selo YBmusic e disponível nas plataformas musicais, será lançado com um show em São Paulo nesta sexta (13) às 21h no Auditório Ibirapuera (avenida Pedro Álvares Cabral- Portão 2 do Parque Ibirapuera- fone 0xx11-3629-1075), com ingressos a R$ 15,00 (meia) e R$ 30,00 (inteira).

Carol Cavesso (voz), Bruna Alimonda (voz), Rodrigo Mancusi (voz), Juliano Verissimo (bateria e percussão), Ivan Santarém (guitarra e violão), Fernando Sheila (baixo), Vinícius Furquim (Rhodes, órgão Hammond e sintetizadores), integrantes do grupo radicado em São Paulo, criaram o Abacaxepa em 2016, durante as aulas de música que tiveram na Escola Superior de Artes Célia Helena. Portanto, a abordagem teatral de seu trabalho tem uma origem nobre.

Os ótimos singles Pimenta e O Dia Que Maria Levantou e o lançamento de um EP em 2018 ajudaram a impulsionar o Abacaxepa, além de shows costumeiramente lotados nos quais suas vocalizações bacanas e uma mistura afiada de rock, reggae, ritmos nordestinos, MPB, psicodelia, experimentalismos mil e muito mais encontram o local mais adequado.

Duas das músicas de Caroço (ouça o álbum em streaming aqui) já possuem videoclipes. São elas o reggae-xote Piracema e a roqueira Remédio Pra Gente Grande (veja o clipe aqui), duas belas amostras de um trabalho caudaloso e dos mais expressivos da novíssima geração da música brasileira.

Piracema (clipe)- Abacaxepa:

Foreigner lança álbum ao vivo gravado em Londres em 1978

foreigner live at the rainbow '78-400x

Por Fabian Chacur

Em 27 de abril de 1978, o grupo Foreigner subiu ao palco do lendário Rainbow Theatre em Londres para encarar uma casa cheia. E não era para menos. Seu autointitulado álbum de estreia, lançado em março de 1977, atingiu o 3º lugar na parada americana e rapidamente os impulsionou na cena do hard rock melódico mundial. Naquele dia, os caras fizeram um show repleto de energia e competência, que só agora pode ser conferido em registro oficial. Trata-se de Live At The Rainbow ’78, que a Warner Music está lançando no Brasil em CD e também disponibilizando nas plataformas digitais.

Tudo começou em 1976, quando o experiente músico inglês Mick Jones (guitarra, teclados, backing vocals), ex-integrante do Spooky Tooth e da banda de apoio de Leslie West (ex-Mountain) se viu desempregado. Incentivado por um empresário, resolveu montar um novo time, com os conterrâneos Ian McDonald (guitarras, teclados, sax, flauta, backing vocals, ex-integrante do King Crimson) e Dennis Elliott (bateria, backing vocals).

Logo a seguir, entraram no time os americanos Al Greenwood (teclados, sintetizador) e Ed Gagliardi (baixo, backing vocals). Só faltava o vocalista, que quase foi o ótimo Ian Lloyd, ex-Stories (do hit Brother Louie). Depois de dezenas de testes, Mick Jones se lembrou do LP da banda ianque Black Sheep que ganhou de seu cantor, um certo Lou Gramm anos antes. Finalmente ele o pôs na vitrola, e gostou do que ouviu. Resultado: outro americano na banda.

A química deu tão certo que o Foreigner (forasteiro em inglês, nome bem adequado para os britânicos do time) arrebentou em termos comerciais logo com seu primeiro álbum. E foi para divulgar este trabalho que o então sexteto foi a Londres. Tanto que o repertório do show e incluído em Live At The Rainbow ’78 traz as dez faixas desse LP, além de duas do álbum que eles lançariam em junho de 1978, Hot Blooded e Double Vision (esta, a faixa-título).

O repertório é uma verdadeira aula de hard rock melódico, com direito a teclados com pitadas progressivas, backing vocals impecáveis e alguma coisinha de Free, Bad Company e Beatles. A partir dali, o Foreigner teve algumas mudanças em sua escalação e atingiu seu auge em termos de popularidade na metade dos anos 1980, com hits românticos como Waiting For a Girl Like You e I Want To Know What Love Is, vendendo em torno de 80 milhões de discos.

Eis as faixas de Live At The Rainbow ‘78:

Long, Long Way From Home
I Need You
Woman Oh Woman
Hot Blooded
The Damage Is Done
Cold As Ice
Starrider
Double Vision
Feels Like The First Time
Fool For You Anyway
At War With The World
Headknocker

Cold As Ice (live)- Foreigner:

Boca Livre celebra 40 anos de estreia com Viola de Bem Querer

Boca Livre_Capa Disco_Viola de Bem Querer_alta-400x

Por Fabian Chacur

Em 1979, saía pela via independente o álbum de estreia do Boca Livre. Não demorou para que se tornasse um verdadeiro fenômeno, pois mesmo sem a ajuda das grandes gravadoras, atingiu em cheio o grande público e ultrapassou a marca das 100 mil cópias vendidas. E aquilo era só o começo de uma trajetória belíssima. Quatro décadas depois, o quarteto carioca celebra a efeméride com Viola de Bem Querer, um trabalho que os mantém em seu alto patamar de qualidade artística.

Quando fiquei sabendo do novo título do álbum do Boca Livre, imaginei que se trataria de um trabalho retrospectivo de seus maiores sucessos, pois a frase remetia a dois grandes hits da banda, Quem Tem a Viola e Toada (Na Direção do Dia). Errei feio! Na verdade, Viola de Bem Querer é uma composição do jovem cantor, compositor e músico paulista Breno Ruiz, lançada por ele em seu álbum Cantilenas Brasileiras, lançado em 2016 pela via independente.

Com letra a cargo do consagrado Paulo Cesar Pinheiro, esta belíssima canção, curiosamente, foi gravada por Breno em versão na qual temos ele cantando e tocando piano (seu instrumento habitual) e acompanhado por Igor Pimenta (baixo acústico). Ou seja, não tem viola! Na releitura feita pelo Boca, o instrumento se faz presente, reforçando sua mensagem simples e encantadora.

A formação atual do Boca Livre é a sua mais estável nesses 41 anos de estrada, com Zé Renato (voz e violão), Mauricio Maestro (voz, baixo e violão), David Tygel (voz e viola) e Lourenço Baeta (voz, violão e flauta). Desde o início, investem em uma sonoridade que traz como influências mais visíveis o Clube da Esquina, a ala mais melódica do rock rural, bossa nova e outras vertentes bacanas da nossa música popular. Isso, dando continuidade à tradição de grandes grupos vocais brasileiros, como MPB-4 e Os Cariocas.

Viola de Bem Querer, como um todo, os mostra no geral com uma ênfase no som mais rural, o que transparece logo na capa e nas fotos incluídas no belo encarte da versão em CD deste trabalho. São nove faixas no total. O padrão habitual se mantém, com algumas composições de integrantes do time, como as belas Santa Marina (parceria de Lourenço Baeta com o poeta Cacaso), Noite (escrita por Zé Renato com a genial Joyce Moreno, autora de um dos pontos altos do álbum de estreia, Mistérios, feita com Mauricio Maestro), Eternidade (Mauricio Maestro) e a instrumental O Paciente (David Tygel).

Somadas às autorais, temos composições alheias escolhidas a dedo, como a deliciosa Um Paraíso Sem Lugar (Geraldo Azevedo e Fausto Nilo), e clássicos perenes da música brasileira em encantadoras adaptações personalizadas. Amor de Índio (Beto Guedes e Ronaldo Bastos) vem do Clube da Esquina, enquanto Um Violeiro Toca (Almir Sater e Renato Teixeira) sai do berço da canção rural brasileira. A surpresa fica por conta de Vida da Minha Vida (Moacyr Luz e Sereno), hit na voz de Zeca Pagodinho que aqui ganhou contornos latinos e percussivos.

Além dos quatro se desdobrando em vocais e instrumentos musicais, o disco conta com participações de músicos do porte de Pantico Rocha (bateria, conhecido por seu trabalho com Lenine), João Carlos Coutinho (piano elétrico), Bernardo Aguiar (pandeiro), Thiago da Serrinha (percussão) e Marcelo Costa (percussão). A sonoridade delicada e envolvente do grupo se mostra muito bem preservada, enfatizando os belos arranjos vocais, dividindo-se entre uníssomos, solos e vocalizações elaboradas e encantadoras.

Muito legal ver um grupo celebrar 40 anos de seu disco de estreia com um trabalho que não soa saudosista ou redundante. Aqui, o que temos é a fidelidade intensa e entusiástica a um estilo próprio de se fazer música, sem se render a modismos ou tendências do cenário musical, e oferecendo apenas o melhor a quem os acompanha nesses anos todos. Da mesma forma que ouvimos até hoje Boca Livre (o álbum) com o mesmo prazer de 1979, certamente este Vida da Minha Vida continuará encantando daqui a muitos e muitos anos.

Viola de Bem Querer– Boca Livre:

Luiz Ayrão celebra 50 anos de carreira com um álbum digital

luizayraocapa-400x

Por Fabian Chacur

Luiz Ayrão ficou conhecido nacionalmente primeiro como o autor de dois grandes sucessos de Roberto Carlos, Ciúme de Você e Nossa Canção, ainda nos anos 1960. Na década de 1970, foi a vez de o cantor tornar-se conhecido, interpretando hits próprios como O Lencinho, Os Amantes, Porta Aberta e Bola Dividida, entre outros. Como forma de celebrar 50 anos de uma carreira elogiável, ele lança nesta sexta (24) Um Samba de Respeito, trabalho com sete faixas que será distribuído pela Universal Music nas plataformas digitais, sem formato físico previsto.

A primeira música a ser divulgada traz o cantor e compositor ao lado de dois Zecas ilustres, o Pagodinho e o Baleiro, no delicioso samba de breque intitulado Tentação de Malandro. Ele dá uma geral sobre essa música:

“Esta é uma composição bem das raízes do samba de breque. O autor é o meu pai, com o qual, infelizmente, convivi apenas por 13 anos. Fala da reflexão de um bom malandro da década de 1940, diante de uma mulher irresistível, de seu homem, malandro mau e valente, e do poder despótico dos delegados de polícia daquela época”.

O álbum traz também Alcione e Diogo Nogueira em Um Samba Merece Respeito, Péricles (ex-Exaltasamba) em Oxitocina, Xande de Pilares (ex-Revelação) em No Cravo e na Ferradura, a formação atual dos Demônios da Garoa em Fina Ironia, o cantor e compositor mineiro Toninho Geraes em Pétalas de Rosa e o histórico cantor e compositor carioca Monarco em Pobre Passarinho, escrita pelo veterano sambista especialmente para Luiz Ayrão.

Tentação de Malandro– Luiz Ayrão, Zeca Baleiro e Zeca Pagodinho:

Fábio Jorge canta clássicos da MPB vertidos para o francês

Fábio Jorge - Foto Marco Máximo 2019 (6) VT-400x

Por Fabian Chacur

Fábio Jorge é fruto do amor entre um brasileiro e uma francesa. Essa fusão, típica da bela miscigenação que marca o povo brasileiro, se apresenta plena na trajetória musical deste cantor e compositor paulistano formado em Letras e nascido em 1970. Em seus 15 anos de carreira, ele investe em canções do songbook francês, sempre com um toque brasileiro na mistura. Em seu quarto CD, Connexions, a simbiose se mostra perfeita, com o artista interpretando clássicos da música popular brasileira com letras vertidas para a língua popularizada em termos musicais por mestres do porte de Charles Aznavour e Édith Piaf.

Das 14 faixas, 13 foram versionadas pelo próprio Fábio. A seleção de repertório tem na abrangência sua marca, pois traz desde pérolas da bossa nova até hits dos anos 2000. São canções popularizadas por artistas como Elis Regina, Tom Jobim, Dalto, Alcione, Milton Nascimento, Djavan e Marisa Monte, entre outros. Uma interessante amostra do nosso cancioneiro popular, e sem cair em preconceitos, incluindo canções da seara mais popular, muito bem pinçadas, por sinal.

Os arranjos instrumentais são precisos, primando pelo bom gosto e pela delicadeza, assinados por Alexandre Vianna, João Henrique Baracho, Rovilson Pascoal e Daniel Bondaczuk (os de cordas). Com inteligência, souberam captar o estilo da música francesa tradicional e adaptá-lo para um repertório brasileiro, trazendo características de cada um desses universos sem despencar em caricatura ou diluição barata para turista ver (e ouvir). Aqui, é tudo a vera.

O destaque fica por conta das interpretações de Fábio Jorge, que possui voz de timbre aveludado e extremamente boa de se ouvir que ele conduz com categoria típica de quem fez a lição de casa. Aqui aparece provavelmente a maior influência que ele traz de sua origem francesa: aquela desenvoltura elegante típica de intérpretes como Charles Aznavour, a capacidade de cantar como se estivesse batendo um papo agradável com pessoas queridas.

Entre outras, vale destacar L’Eternité (Pessoa, hit com o autor, Dalto, e também com Marina Lima), Les Bateaux Sur La Mer (Arrastão, de Edu Lobo e Vinícius de Moraes e estouro com Elis Regina) e Mon Énorme Folie (Estranha Loucura, de Michael Sullivan e Paulo Massadas e hit com Alcione).

De quebra, o intérprete convidou três ótimas cantoras para dividirem canções com ele. Respectivamente, Márcia em Notres Printemps (Primavera, de Carlos Lyra e Vinícius de Moraes), Diva Maria em Dans Ma Rue (Pela Rua, de Dolores Duran) e Edith Veiga em J’Ai Le Mal De Toi (Briguei com Você, da própria Edith em parceria com Dora Lopes. As três cantam suas partes em português, ressaltando a parceria Brasil-França que está no DNA deste excelente Connexions.

L’Eternité (Pessoa) (clipe)- Fábio Jorge:

Alfredo Dias Gomes funde MPB e jazz instrumental no álbum Solar

solar capa alfredo dias gomes 400x

Por Fabian Chacur

Alfredo Dias Gomes iniciou sua carreira no final dos anos 1970, ainda muito jovem. E começou com tudo, sendo o baterista da banda do incrível Hermeto Pascoal, conhecido pelo rigor com que arregimenta seus músicos de apoio. Com o tempo, atuou com inúmeros grupos e artistas, entre os quais Heróis da Resistência, Ivan Lins, Lulu Santos, Ritchie e Sergio Dias, só para citar alguns. Desde 1993, o músico carioca se concentra em sua carreira-solo, que acaba de render mais um novo e belo fruto, o álbum Solar, disponível nas plataformas digitais e também em CD.

Duas características marcam este trabalho. Uma é o fato de Alfredo ter a seu lado apenas mais um músico, Widor Santiago, que se incumbe dos sopros (sax e flauta). De resto, temos ele na bateria e também nos teclados, baixos e composições. A outra fica por conta de um mergulho em sonoridades brasileiras, especialmente de ritmos nordestinos, que se misturam ao jazz durante as oito faixas do álbum, com um resultado dos mais agradáveis.

O título Solar, que também dá nome a uma das faixas do disco, é bem feliz para retratar o clima geral deste trabalho. É um álbum para cima, bom de se ouvir, energético, no qual as sutilezas são oferecidas ao ouvinte de forma inteligente, sem cair no formato hermético que por vezes a música instrumental acaba seguindo em função da virtuosidade dos músicos envolvidos. Aqui, tanto Alfredo quanto Widor Santiago solam com categoria e esbanjam técnica, mas sem cair em tecnicismos ególatras.

A faixa Viajante é a mais antiga do repertório, e tem uma história bacana. Ela foi escrita por Alfredo em 1980, atendendo ao pedido de sua mãe, ninguém menos do que a novelista Janete Clair. A música foi gravada originalmente por Dominguinhos e entrou na trilha sonora da novela global Coração Alado (1980-1981). Agora, enfim recebe versão de seu autor. Trata-se de uma espécie de baião, com bela ênfase rítmica e melodia redonda e gostosa. Aliás, vale lembrar que seu pai é o também novelista-e também saudoso- Dias Gomes.

Se a pegada brasileira predomina em Viajante, na faixa título e em Corais, o jazz clima anos 1950 marca a incrível Smoky, enquanto o jazz rock permeia Alta Tensão e Trilhando. Com sotaque latino, El Toreador foi escrita em 1993 para a trilha sonora da peça teatral homônima de Janete Clair. E Finale encerra o CD com classe. No geral, Solar mostra Alfredo Dias Gomes à vontade como músico e compositor, proporcionando ao ouvinte muito prazer auditivo.

Ouça Solar, de Alfredo Dias Gomes, em streaming:

Older posts

© 2019 Mondo Pop

Theme by Anders NorenUp ↑