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Rolando Boldrin, um mestre de cerimônias da nossa cultura

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Por Fabian Chacur

Conheci Rolando Boldrin através da maravilhosa Tema Pra Juliana, canção incluída na trilha da novela Os Inocentes (1974), da qual minha saudosa mãe Victoria gostava tanto que o meu não menos saudoso irmão Victor comprou o compacto simples para ela. Desde então, sempre o admirei e muito. Ele infelizmente nos deixou nesta quarta-feira (9), aos 86 anos de idade, após dois meses internado no hospital Albert Einstein, em São Paulo.

Lógico que o currículo desse grande nome da cultura brasileira vai bem além dessa linda musica. Nascido em 22 de outubro de 1936 em São Joaquim da Barra (SP), ele foi cantor, compositor, músico, poeta, ator, apresentador de TV e um dos maiores divulgadores da cultura popular da história desse país.

Boldrin atuou como ator em novelas de sucesso dos anos 1960, 1970 e 1980, entre as quais O Direito de Nascer, As Pupilas do Senhor Reitor, Mulheres de Areia, Os Inocentes, A Viagem e Roda de Fogo, todas em suas versões originais. No cinema, brilhou no filme Doramundo (1978), de João Batista de Andrade, só para citar um dos mais significativos.

E ele também gravou diversos discos bacanas. Mas foi como apresentador de programas de TV que ele realmente deu vasão a todo o seu talento. Ele não só apresentava, como interagia de forma deliciosa com os seus entrevistados, e também recitava poemas populares, cantava e nos dava aulas de brasilidade de verdade. Vê-lo em ação nessas atrações era delicioso e hipnótico, pois você não conseguia mudar de canal enquanto ele estivesse em cena. Lógico que se você tivesse apreço pela nossa cultura.

O mais recente deles, Sr. Brasil, ficou no ar na TV Cultura entre 2005 e agora. Outros foram Som Brasil (na Globo), Empório Brasileiro (na Band) e Empório Brasil (no SBT). A essência de todos era muito semelhante, com artistas dos quatro cantos do Brasil, desde os mais famosos até os mais desconhecidos, mas todos com algo em comum: muito talento, que Boldrin não fazia concessões a modismos ou figurinhas da moda.

Este ano, a TV Cultura exibiu um documentário sobre a sua trajetória artística, Eu, a Viola e Deus, dirigido pelo mesmo João Batista de Andrade de Doramundo. Ficar sem Boldrin, seus deliciosos causos e seus convidados talentosos será tão duro como a falta que a nossa amada Gal Costa, que se foi hoje também, faz. Que dia amargo!

Tema Pra Juliana– Rolando Boldrin:

Gian Correa e os Chorões Alterados fazem shows em SP

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Por Fabian Chacur

O choro é um dos ritmos mais marcantes da música brasileira. Com o decorrer dos anos, permanece presente não só no seu formato mais tradicional como também ganha novas e interessantes roupagens, renovando-e e se mantendo mais atual do que nunca. Gian Correa, um dos craques do violão 7 cordas na atualidade, é um desses inovadores. Ele acaba de disponibilizar nas plataformas digitais seu novo trabalho, O Abismo da Prata, ao lado de seu afiado grupo de apoio, Os Chorões Alterados.

Para apresentar esse repertório ao público paulistano, Gian se apresenta neste sábado (15) às 21h e neste domingo (16) às 19h no Teatro Cacilda Becker (rua Tito, nº 295- Lapa- fone 0xx11-3864-4513, com ingressos gratuitos que podem ser retirados uma hora antes de cada apresentação, com a apresentação do comprovante de vacinação contra a covid-19.

O time tem em sua escalação o líder Gian Correa (violão 7 cordas) e mais Cainã Cavalcante (violão 6 cordas), Enrique Menezes (flautas), Henrique Araújo (cavaquinho, bandolim, violão tenor e tamborim) e Rafael Toledo (panderia, pandeiro, adufe, caixa, caixeta, reco-reco, pratos).

Gian Correa, que tem entre seus inúmeros fãs o consagrado cantor, compositor e violonista Guinga, mostrará o repertório do álbum, que homenageia locais e pessoas da cena musical de São Paulo. O Abismo da Prata traz oito faixas, com participações especiais de Juliana Amaral (voz), Renato Braz (voz) e Shai Maestro (piano Rhodes).

Suor por Matéria– Gian Correa e os Chorões Alterados:

André Midani, do Dia D na França ao maravilhoso mundo da música

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Por Fabian Chacur

A vida é mesmo imprevisível. Pode um cara oriundo da longínqua Síria e criado na França ter sido decisivo para a história da música popular brasileira durante inúmeras décadas? Uma trajetória improvável, porém plenamente real. Esse cara, André Midani, teve uma bela missão, e a cumpriu de forma plena e apaixonada. Mas toda história, infelizmente, tem um fim, e ele nos deixou nesta quinta-feira (13) aos 86 anos de idade, vítima de um câncer que o atormentava há alguns meses, segundo informou seu filho, Phillipe.

Nascido na Síria em 25 de setembro de 1932 (mesma data e mês que eu, que honra!), André veio para o Brasil em 1955, e por aqui, firmou-se na indústria fonográfica, ramo no qual ele havia começado a atuar na França. Sempre com os ouvidos abertos e dono de uma sensibilidade musical enorme, além de ousadia ilimitada, atuou em gravadoras como a EMI-Odeon, Phillips e Warner. Foi decisivo no desenvolvimento das carreiras de gente como João Gilberto, Jorge Ben Jor, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Titãs, Lulu Santos e dezenas, senão centenas de outros nomes importantes para a nossa música.

Mesmo com todo esse currículo e todas as suas realizações, Midani sempre se mostrou simpático, acessível e disposto a aprender novas lições. Sua vida incrível foi contada de forma deliciosa no livro Música, Ídolos e Poder- Do Vinil Ao Download (leia a resenha aqui) e na ótima série televisiva André Midani- Do Vinil Ao Download, de 2015 (leia mais aqui).

Não por acaso, executivos do calibre dele começaram a ter menos espaço nas grandes gravadoras transnacionais sediadas no Brasil a partir do final dos anos 1980, quando essas empresas aos poucos entraram em uma decadência cujos frutos podres colhemos atualmente. Para Midani, a música enquanto arte vinha sempre em primeiro lugar. Bom seu legado ter sido devidamente cultuado enquanto ele ainda estava entre nós. Sua passagem se dá em um momento difícil do Brasil, mas que ele fique como exemplo para uma futura volta por cima, em todos os setores, especialmente o da cultura.

Veja entrevista com os diretores da série de TV sobre André Midani:

Rafa Castro mostra Fronteira em show único no Sesc Vila Mariana

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Por Fabian Chacur

Mineiro radicado em São Paulo desde 2017, o cantor, compositor e tecladista Rafa Castro está lançando o seu terceiro CD. Intitulado Fronteira, o álbum conta com direção musical de Luiz Ribeiro e participações especiais de Mônica Salmaso, Teco Cardoso, Léa Freire e Neymar Dias. Ele mostra o repertório desse disco com um show neste feriadão de 1º de maio (quarta-feira) às 18h no Sesc Vila Mariana (rua Pelotas, nª 141- Vila Mariana- fone 0xx11-5080-3000), com ingressos de R$ 6,00 a R$ 20,00.

Além do próprio Rafa Castro (piano e voz), teremos em cena Igor Pimenta (contrabaixo), Gabriel Altério (bateria) e André Bordignhon (guitarra), além da participação especial da talentosa cantora Tatiana Parra. Entre outras do novo trabalho, estarão no set list músicas autorais como Casulo, Teimosa, Menino Dançante e Cacos de Vitral, além de clássicos dos repertórios de Caetano Veloso (O Quereres), Milton Nascimento (Vera Cruz) e Lô Borges (Trem Azul).

Calcado na melhor MPB e também com elementos eruditos e jazzísticos, o trabalho de Rafa Castro é repleto de delicadeza, sensibilidade e introspecção. Um belíssimo marco de sua trajetória ocorreu em 2014, quando lançou em CD e DVD Teias, trabalho feito em parceria com ninguém menos do que Túlio Mourão, tecladista brilhante que integrou os Mutantes em sua fase progressiva e tocou com gênios do porte de Milton Nascimento, Chico Buarque, Mercedes Sosa, Jon Anderson e outros, além de ter composto a belíssima trilha sonora do filme Jorge Um Brasileiro (1988), que lhe valeu um prêmio da APCA.

Fronteira, disponível em bela versão digipack com direito a encarte especial, equivale a uma viagem musical e sensorial pelos caminhos da emoção, doçura e beleza. Em tempos nos quais só se pensam em terríveis distopias apavorantes, Rafa nos oferece uma verdadeira utopia sonora, que nos cativa e até faz acreditar que um mundo melhor e mais encantador pode ser possível. Soa como possível em um trabalho desse gabarito. E isso é ainda só o começo. Esse cara promete mais, muito mais, e certamente fará. É apenas uma questão de tempo. Todos nós veremos, e ouviremos, e com muito deleite!

Ouça Fronteira na íntegra, em streaming:

Zé Guilherme apresenta o seu Alumia com show em São Paulo

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Por Fabian Chacur

Ao conceber em termos artísticos o seu quarto álbum em 20 anos de trajetória artística, o cearense radicado em São Paulo Zé Guilherme resolveu dar vasão ao seu lado compositor. Eis a semente que gerou o ótimo Alumia, álbum disponibilizado em CD e nas plataformas digitais. Ele mostrará o repertório desse trabalho com um show em São Paulo que será realizado nesta sexta (29) às 21h no Teatro do Sesc Belenzinho (Rua Padre Adelino, nº 1.000- fone 0xx11-2076-9700, com ingressos custando de R$ 6,00 a R$ 20,00.

Das 13 faixas incluídas em Alumia (lançamento independente em CD com distribuição da Tratore), oito levam a assinatura de Zé Guilherme, sendo três sozinho e cinco com parceiros como Marcelo Quintanilha, Cezinha Oliveira, Cris Aflalo e Luis Felipe Gama. Os arranjos, direção e produção musical ficaram a cargo de Cezinha Oliveira, que também se incumbiu de violões, guitarra e vocais.

Com uma voz de timbre bastante agradável, Zé Guilherme também se mostra um ótimo letrista. Sua musicalidade investiga com categoria várias vertentes da nossa música, com um tempero jazzístico no meio e elementos de bossa nova, samba, ritmos nordestinos etc. O resultado: canções bem construídas por ele e bem selecionadas (no caso das de outros autores). São vários os momentos a serem destacadas, entre os quais a bela faixa-titulo, A Voz do Rio, Paixão Elétrica, Teus Passos, Ave Solitária e Cesta Básica.

A carreira discográfica de Zé Guilherme teve início em 2000 com o lançamento de Recipiente. Em 2006, tivemos Tempo ao Tempo. Em 2015, ele homenageou um de seus grandes ídolos com o álbum-tributo Abre a Janela- Zé Guilherme Canta Orlando Silva, com produção do mesmo Cezinha Oliveira de Alumia e relendo clássicos do repertório do inesquecível intérprete.

Alumia– Zé Guilherme:

Recado, de Gonzaguinha, celebra 40 anos se mantendo essencial

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por Fabian Chacur

Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior (1945-1991) teve como marca a sensibilidade à flor da pele. Essa característica o levava a atingir os extremos, indo do extremamente ácido ao incrivelmente doce às vezes em uma mesma canção. Puro coração. Sujeito que se indignava com as injustiças, que tinha paixão por se apaixonar, por viver, por “andar por esse país pra ver se um dia descanso feliz”, como bem retratam os versos de Vida de Viajante, parceria do pai Gonzagão com Hervê Cordovil que fez grande sucesso em 1979, em versão incluindo pai e filho nos vocais.

Sua poesia era direta e sem rodeios, enquanto em termos melódicos e rítmicos suas canções apresentavam influências de música nordestina, jazz, rock, bossa nova, samba, bolero e o que mais aparecesse.

Em uma discografia repleta de preciosidades, Recado, lançado em 1978 e seu sexto álbum, se sobressai por várias razões, a começar pela maravilhosa faixa título, espécie de carta de intenções de Gonzaguinha enquanto ser humano. “Se é para ir, vamos juntos, se não é já não tô nem aqui”, finaliza esse clássico da MPB, com sua levada bossa nova e o piano marcante de Gilson Peranzzetta, conhecido por também participar de discos essenciais de Ivan Lins, um dos raros parceiros de Gonzaguinha e seu amigo fiel desde sempre.

A única composição alheia é O Que Foi Feito Devera, de Milton Nascimento (provavelmente o maior ídolo do artista carioca) e Fernando Brant, relida de forma brilhante e com a participação do próprio Milton no violão e vocais.

O romantismo intimista é a marca de Lindo, balada jazzística sublime em sua sutileza, enquanto a mãe do astro carioca, uma cantora da noite que morreu quando ele era ainda muito criança, vítima de tuberculose, é homenageada de forma tocante em Odaléia Noites Brasileiras, balada voz e piano.

A indignação do artista com a infeliz e então recente declaração dada por Pelé, dizendo que, para ele, “brasileiro não sabe votar”, gerou E Por Falar No Rei Pelé…, uma espécie de “MPB heavy metal” na qual ele toma as dores do povão, com versos ácidos e certeiros como “craque mesmo é o povo brasileiro carregando esse time de terceira divisão”.

E o final fica com a magnífica Petúnia Resedá, sacudida mistura de rock e forró que fez sucesso na releitura de Simone. E tem a voz. Fora dos padrões convencionais, Gonzaguinha cantava com paixão, assinatura própria e muita, mas muita personalidade. Lá do fundo, das entranhas, paixão total.

E vale destacar também o elenco de músicos presentes neste álbum. Além de Gilson Peranzzetta nos teclados, também temos Fredera (guitarra), Toninho Horta (guitarra), Luis Alves (baixo), João Cortez (bateria), Danilo Caymmi (flauta), Mauro Senise (flauta), Paulo Jobim (flauta), Ronaldo Alvarenga (percussão) e Novelli (baixo), com produção a cargo do compositor Ronaldo Bastos, parceiro de Milton Nascimento em vários clássicos da MPB.

Recado é daqueles discos padrão vinho: sua audição melhora, com o decorrer dos anos. Clássico da MPB que você precisa conhecer, ouvir de novo e degustar com prazer. E paixão, obviamente.

Recado- Gonzaguinha- ouça o álbum em streaming:

Luiz Ayrão revisita seus hits e clássicos alheios em São Paulo

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Por Fabian Chacur

Luiz Ayrão é um artista cujo currículo é dos mais responsáveis. Começou a ser conhecido no cenário musical como compositor, e nos anos 1970 tornou-se um dos grandes nomes da nossa música popular. Ele será a atração nesta sexta-feira (14) às 21h30 em São Paulo no Sesc Belenzinho- Comedoria (rua Padre Adelino, nª 1.000- Belenzinho- fone 0xx11-2076-9700), com ingressos de R$ 6,00 a R$ 20,00. Ele será acompanhado pela banda Catedral do Samba, composta por seis músicos.

Nascido no Rio de Janeiro em 19 de janeiro de 1942, este cantor, compositor e músico tirou a sorte grande ao ter músicas como Nossa Canção e Ciúme de Você gravadas por ninguém menos do que Roberto Carlos, quando o Rei vivia o seu auge na era da Jovem Guarda, na segunda metade dos anos 1960. Tendo como marca o romantismo, ele passou a fazer sucesso com sua própria (e ótima, por sinal) voz nos anos 1970, graças a hits marcantes como Porta Aberta, Bola Dividida, Lencinho e Os Amantes, canções que provam ser ele um legítimo precursor do pagode romântico dos anos 1990.

No show em São Paulo, Ayrão dará uma geral em seus principais sucessos, e também abrirá espaços para composições alheias de nomes acima de quaisquer suspeitas em termos de qualidade, entre os quais Tim Maia, Ataulfo Alves, Noel Rosa e Dorival Caymmi. Entre uma canção e outra, ele, com sua simpatia e carisma, relembrará de passagens de sua extensa carreira envolvendo grandes nomes da MPB, episódios que descreveu em seu livro Meus Ídolos e Eu.

Bola Dividida– Luiz Ayrão:

Wanda Sá mostra em show as faixas de Wanda Vagamente

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Por Fabian Chacur

Em 1964, a cantora e violonista Wanda Sá lançou o seu álbum de estreia, Wanda Vagamente. O trabalho logo se tornou um dos grandes clássicos da bossa nova, graças a um repertório impecável e às interpretações envolventes da artista carioca. Ela mostrará pela primeira vez na íntegra e ao vivo as músicas do disco em show neste sábado (10) às 20h na Sala Municipal Baden Powell (avenida Nossa Sra. de Copacabana, nº 360- Copacabana- fone 0xx21-2547-9147), com ingressos custando R$ 30,00 (meia) e R$ 60,00 (inteira).

O evento equivalerá a um show de lançamento tardio do álbum, como explica o consagrado produtor musical Arnaldo DeSouteiro, diretor e curador do projeto Discos Históricos da MPB, que teve início em agosto com o cantor, compositor e tecladista João Donato mostrando o conteúdo de seu álbum Quem é Quem (1973):

“Logo após a gravação do disco, Wanda viajou para uma longa turnê pelos Estados Unidos com Sergio Mendes, iniciando sua carreira internacional. Portanto, não teve tempo de realizar shows no Brasil para divulgar o trabalho”, comenta DeSouteiro. “O álbum se auto-impulsionou por sua qualidade e passou a ser cultuado no mundo inteiro, principalmente no Japão, onde foi reeditado em CD pela primeira vez, muito antes de ser redescoberto no Brasil”.

O álbum traz a primeira gravação da célebre Inútil Paisagem (Tom Jobim e Aloysio de Oliveira), a envolvente Tristeza de Nós Dois (Durval Ferreira, Bebeto Castilho e Maurício Einhorn) e Encontro (parceria de Wanda Sá com Nelson Motta). Vagamente é de Ronaldo Bôscoli e Roberto Menescal. Também temos composições de Geraldo Vandré, Edu Lobo, e Marcos Valle, em um total de 12 faixas.

Roberto Menescal produziu o álbum, do qual participaram músicos do primeiro escalão, como Eumir Deodato, Luiz Carlos Vinhas, Ugo Marotta e Edison Machado, entre outros. E dois dos integrantes desse time marcarão presença no show, Menescal e Marotta. Além do show propriamente dito, teremos ainda um papo de Wanda Sá com o também jornalista DeSouteiro, no qual a história do álbum e bastidores do mesmo certamente estarão em pauta.

Wanda Vagamente- Vanda Sá (ouça em streaming):

5º Prêmio Grão de Música vai ser entregue em São Paulo

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Por Fabian Chacur

Apesar de crises financeiras e sobressaltos políticos, o Brasil felizmente segue firme e forte em termos culturais. Superando dificuldades, premiações bacanas continuam resistindo e celebrando o melhor da nossa música. Um bom exemplo é o Prêmio Grão de Música, cuja 5ª edição terá sua cerimônia de entrega de troféus no próximo sábado (20) às 19h no Centro Cultural Olido-Sala Olido (avenida São João, nº 473- Centro- fone 0xx11-3331-8399), com entrada gratuita.

Esta edição do projeto criado em 2014 pela cantora e compositora paraibana Socorro Lira premiará artistas oriundos de 12 estados brasileiros, sempre buscando uma abrangência nacional e homenageando artistas escolhidos pela curadoria levando-se em conta o conjunto de suas obras e a trajetória artística dos mesmos. Na cerimônia, teremos apresentações de três desses vencedores: Arraial do Pavulagem (Pará), Celia e Celma (MG) e Maria Juliana (PB).

“O Grão é um espaço dedicado a destacar e revelar obras e trajetórias artísticas relevantes para o país e para a humanidade como um todo; sendo que boa parte não tem divulgação e nem sempre é vista pela crítica especializada, em muitos casos estão ainda fora dos circuitos culturais mais influentes. Penso que o Grão pode ajudar a dar luz a isto e dizer a estes e estas artistas: sua música pode ser para o país inteiro, para o mundo”, explica Socorro Lira.

Se não bastassem as ótimas intenções envolvidas, o troféu é uma estátua de bronze com design feito pelo genial Elifas Andreato, responsável por capa de discos de ícones da nossa música como Chico Buarque, Elis Regina, Martinho da Vila e Clementina de Jesus, entre outros. Ele também criou toda a a identidade visual da premiação.

Além dos troféus, os artistas tem, uma música cada, incluída em uma coletânea promovida pelo Prêmio Grão de Música e disponível em luxuosa versão em CD no formato digipack (com direito a encarte informativo) e também digital (ouça a atual e as anteriores aqui)

Eis os vencedores do 5º Prêmio Grão de Música:

Arraial do Pavulagem (PA)
Caio Padilha (RN)
Carlos Badia (RS)
Carlos Zens (RN)
Celia e Celma (MG)
Chico Aafa (GO)
Clarisse Grova (RJ)
Karynna Spinelli (PE)
Lysia Condé (MG)
Maria Juliana (PB)
Oneide Bastos (AP)
Patricia Polayne (SE)
Sérgio Pererê (MG)
Solange Leal (PI)
Verônica Ferriani (SP)

Patrocínio: Metanoia e Palavra Acesa Editora
Apoio Cultural: Sala Olido, Prefeitura de São Paulo e Ritmiza Produções
Realização: Liraprocult

Dança a Menina– Verônica Ferriani:

Antonio Adolfo grava CD com a ótima Orquestra Atlântica

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Por Fabian Chacur

Antonio Adolfo serve como bom exemplo de como a atividade profissional constante e bem planejada ajuda o ser humano a se manter eternamente jovem e inquieto. Aos 71 anos de idade, este pianista, compositor, arranjador e produtor carioca recusa-se a deitar nos muitos louros de uma carreira impecável, trabalhando bastante e nos proporcionando novos lançamentos. O mais recente é o CD Encontros, que inicia sua parceria com a ótima Orquestra Atlântica.

Habitualmente, o autor do seminal álbum Feito em Casa (1977), marco da produção independente brasileira, costuma ser acompanhado por formações musicais mais compactas. Ele desejava investir em uma parceria corm um grupo maior, e ao ver um show da Orquestra Atlântica, percebeu que ali estava o time capaz de realizar seu desejo.

Na ativa desde 2012 e com um CD no currículo, a Orquestra Atlântica reúne onze músicos do primeiro time, entre os quais Jessé Sadoc (trompete e flugelhorn), Marcos Nimrichter (piano e acordeon), Marcelo Martins (sax tenor e flauta) e Jorge Helder (baixo). Sua mistura de música brasileira, sons latinos e jazz se encaixa feito luva nas preferências musicais de Antonio Adolfo, e a parceria se mostrou certeira, levando-se em conta a qualidade deste álbum.

O repertório incluído traz 10 faixas, sendo nove delas composições recentes e antigas de Adolfo (duas delas em parceria com Tiberio Gaspar) e uma, Milestones, um clássico do repertório do mestre do jazz Miles Davis. Além dos músicos da Orquestra Tropical, temos participações especiais de feras do porte de Nelson Faria (violão), Zé Renato (vocalizações) e Leo Amuedo (guitarra), entre outros.

O som criado por eles é uma delícia de se ouvir, conciliando solos divididos generosamente entre os músicos envolvidos, belas melodias e variações rítmicas muito bem concatenadas. A sofisticação se mostra presente, mas sem deixar de lado aquele elemento que nos livra ao mesmo tempo do tecnicismo excessivo e da acessibilidade sem sal e digna do som de elevador. Temos aqui música elaborada e com raro requinte, mas para todos curtirem sem dificuldades.

A rigor, todas as faixas são dignas de serem citadas, mas pegarei apenas algumas como bons exemplos. Partido Samba-Funk, que abre o CD, tem ecos da Banda Black Rio, e energiza o ouvinte logo nos seus primeiros instantes. Capoeira Yá parte do som básico da trilha da capoeira rumo a algo mais consistente em termos musicais, enquanto África Bahia Brasil mergulha com classe e bom gosto em uma fusão afro-brasileira.

Sá Marina, uma das composições de maior sucesso de Antonio Adolfo, é relida com uma verve jazzística/bossa-novista que é um luxo, enquanto Milestones recebe um tempero brazuca, sem no entanto perder a sua essência. Novamente, esse mestre da música brasileira nos mostra como fazer música instrumental boa de se curtir e bem elaborada. Que essa inquietude continue nos proporcionando novos e ótimos trabalhos.

E vale ressaltar um último, porém muito importante, detalhe. As versões físicas em CD dos álbuns de Antonio Adolfo primam pelo bom gosto, com embalagem digipack sempre com capas lindas (a deste novo traz bela ilustração de Bruno Liberati) e com textos nos quais o artista explica sua abordagem musical. Capricho total!

leia mais textos de Mondo Pop sobre Antonio Adolfo aqui.

Encontros- Antonio Adolfo- Orquestra Atlântica (ouça em streaming):

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