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Paul McCartney relançará álbum Flaming Pie em diversos formatos

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Por Fabian Chacur

Se há um artista sempre disposto a oferecer material inédito aos fãs mais endinheirados, ele atende pelo nome de Paul McCartney. Ele já fazia isso desde o início de sua carreira-solo, com o lançamento de singles com faixas não incluídas em álbuns, mas radicalizou esse procedimento a partir de Flowers In The Dirt (1989), que virou um álbum duplo em sua edição japonesa, algo que também ocorreu com Off The Ground (1993). De lá para cá, a coisa só se expandiu, especialmente com a série Archive Collection.

O novo álbum a ser incluído nesse projeto, para ser mais preciso o 13º a receber tal tratamento, é Flaming Pie (1997). A versão mais luxuosa, intitulada Collection’s Edition e limitada a 3 mil cópias numeradas, traz 5 CDs, 4 LPs de vinil e 2 DVDs, além de um livro com 128 páginas, seis fotos em tamanho grande, reprodução das letras escritas a mão pelo ex-beatle e outros atrativos, acomodados em uma caixa. Veja vídeo apresentando essa edição luxuosa aqui.

Além dessa, temos também a Deluxe Edition, trazendo 5 CDs e 2 DVDs, e outras com 3 LPs de vinil, 2 LPs de vinil e 2 CDs. O álbum original aparece em versão remasterizada, e as faixas-bônus se dividem entre lados B de singles lançados na época, demo-tapes das músicas incluídas no álbum, versões alternativas e as seis partes do programa de rádio Oobu Joobu gravado pelo artista naquela época.

Nem é preciso dizer que os preços não são exatamente acessíveis, o que torna hoje praticamente impossível para um colecionador com renda média se meter a completar o seu acervo. Saiba mais sobre as novas versões de Flaming Pie aqui, com direito a comentários de fãs bravos com os “precinhos camaradas”.

Flaming Pie foi o primeiro álbum-solo lançado por Paul após o projeto Anthology, dos Beatles, e de certa forma pegou uma bela carona no mega-sucesso deste fantástico documentário sobre a carreira dos Beatles. O CD atingiu o 2º lugar nas paradas dos EUA e Reino Unido, algo que o astro do rock não conseguia desde a década de 1980 em sua trajetória individual.

O trabalho foi coproduzido por Jeff Lynne e George Martin e traz participações especiais de Ringo Starr, Steve Miller, Lynne e também da esposa Linda e do filho James. No entanto, ele se incumbiu da maior parte dos instrumentos e vocais. As faixas mais legais são Young Boy, The World Toninght e Calico Skies.

Young Boy (clipe dirigido por Alistair Donald):

Young Boy (clipe dirigido por Geoff Wondor)- veja aqui.

McCartney (1970) e McCartney II (1980), discos iguais e diferentes

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Por Fabian Chacur

Neste ano, dois álbuns de Paul McCartney celebram datas redondas. McCartney (1970) é agora um cinquentão, enquanto McCartney II (1980) festeja 40 velinhas de seu lançamento. Pode parecer paradoxal (e é mesmo), mas são trabalhos ao mesmo tempo iguais e diferentes. Muito iguais e muito diferentes, só para reforçar o conceito. E é essa ideia que será desenvolvida durante esse longo texto.

Primeiro, apresentaremos as semelhanças, para depois nos atermos às peculiaridades de cada lançamento. Para início de conversa, são discos-solo radicais, no sentido de que temos Paul McCartney se incumbindo de todos os instrumentos musicais, produção e tudo o mais, exceto alguns vocais proporcionados por Linda McCartney. Ambos se originaram de gravações feitas em estúdios caseiros, algo ainda incipiente naqueles tempos.

Os dois tiveram como origem o ponto final de duas bandas. No caso do primeiro, os Beatles, cujo marco da separação é exatamente o dia 10 de abril de 1970, quando McCartney foi distribuído à imprensa. Junto com ele, veio um questionário respondido pelo artista no qual, se não de forma escancarada, ficava claro que os Fab Four eram passado para seu baixista e cantor. A repercussão na mídia apenas apressou os acontecimentos.

McCartney II foi o primeiro álbum de Paul após a dissolução dos Wings, que de certa forma estava no ar desde o final de 1979, mas que acabou impulsionada pelo desastrado e inesperado cancelamento da turnê japonesa do artista, com direito a uns bons dias de prisão naquele país por posse de maconha. Traumatizado, o roqueiro só voltaria às tours em 1989, e preferiu assumir novamente o caminho individual, ladeado por músicos de apoio.

A partir daqui, vamos para as histórias de cada um deles. Em setembro de 1969, mesmo mês em que Abbey Road chegava às lojas, John Lennon, em meio a uma tensa reunião, anunciou que desejava sair dos Beatles. O então contador e manager do grupo, Allen Klein, pediu para que ele ao menos segurasse a decisão por algum tempo, por razões estratégicas e comerciais. E foi o que ocorreu.

Canções, temas instrumentais e muito sucesso

Ciente de que a banda estava com os dias contados, Macca comprou um gravador e instalou um estúdio caseiro de quatro canais em Londres com o intuito de fazer gravações despretensiosas. Esse processo gerou o LP. O repertório mesclava músicas como Junk, composta durante a viagem à Índia com os Beatles em 1968, e Teddy Boy, gravada com o grupo mas que só entraria em um disco deles em 1996 (Anthology 3), com outras novíssimas.

O resultado é um disco básico, no qual o artista se mostra bastante versátil, conseguindo boa qualidade de execução até mesmo como baterista. Outra semelhança entre ele e o futuro McCartney II é o fato de ambos incluírem diversos temas instrumentais. Aqui, são eles a deliciosa Hot As Sun/Glasses e as simpáticas Valentine Day, Singalong Junk e Momma Miss America.

Outra instrumental, Kreen-Akrore, é de longe o momento mais experimental do álbum, e não por acaso foi incluída para encerrá-lo. Trata-se de uma faixa com vocalizações hipnóticas e solos de bateria, cuja inspiração veio de um documentário que Paul viu na TV sobre os indígenas brasileiros. Ou seja, a primeira ligação direta do genial músico inglês com o nosso país.

Iniciado com a sucinta The Lovely Linda, com meros 42 segundos, o álbum nos traz diversas daquelas canções melódicas e delicadas que são uma das marcas registradas do Macca. Entre elas, a iluminada Every Night, a deliciosa Man We Was Lonely e a quase valsa Junk. Teddy Boy soa como uma canção nostálgica, enquanto That Would Be Something tem pitadas de blues.

Os momentos mais roqueiros são a ardida Oo You, que abre o lado B do vinil, e a visceral balada rock Maybe I’m Amazed, com direito a um conciso e incandescente solo de guitarra. Curiosamente, esta música, um dos pontos altos do songbook do astro de Liverpool, só sairia no formato single em 1976, e numa versão ao vivo extraída do álbum Wings Over America.

A repercussão do álbum em termos comerciais não poderia ter sido melhor, com direito a atingir o topo da parada americana em 23 de maio de 1970, permanecendo lá durante três semanas. Um começo auspicioso para uma carreira pós-beatles que se mostraria no decorrer das décadas seguintes uma das mais consistentes da história da música pop.

Macca no mundo da música eletrônica dançante

Em janeiro de 1980, antes de chegar ao Japão para alguns shows com os Wings, Paul McCartney passou pelos EUA, e ganhou de um amigo uma quantidade significativa de maconha. Não se sabe onde ele estava com a cabeça quando resolveu colocar o pacote com o presente inusitado e valioso (para ele) em sua mala. Afinal, se a legislação antidrogas é rigorosa em toda a parte, vai ainda mais longe em território japonês. E não deu outra.

Ao ter sua bagagem revistada, Macca foi pego com a mão na massa, digo, na erva, e ficou durante dez dias detido em uma prisão japonesa, correndo o risco até de ter de cumprir uma longa pena por lá. Felizmente, a punição ficou por aí. Ao voltar para sua terra natal, o artista provavelmente ficou traumatizado, e resolveu dar prosseguimento a uma série de gravações caseiras que havia iniciado ainda em 1979, desta vez com um gravador de 16 canais.

Dez anos haviam se passado desde o primeiro álbum ‘exército de um homem só’ do astro britânico. Desde então, ganhou adeptos um estilo musical pontuado por sintetizadores e outros tipos de teclados, e Paul não se mostrou alheio a isso. Ao se ver sozinho novamente, resolveu investir nesses novos recursos para criar o repertório do que viria a ser McCartney II.

A primeira música a emergir da nova safra foi Coming Up, que entrou no repertório dos shows que o músico britânico fez no final de 1979. Ao vivo, mostrava uma pegada um pouco mais roqueira, mas na versão de estúdio, tornou-se totalmente dançante, com um leve tempero de disco music. E foi graças à essa música, disponibilizada previamente em single, que McCartney II teve uma ótima largada em termos comerciais.

Lançada em abril de 1980, Coming Up trazia em seu lado B uma versão ao vivo desta música gravada em Glasgow, Escócia com os Wings em 17 de dezembro de 1979 e também Luchbox/Odd Sox, out-take das gravações do álbum Venus And Mars (1975). Graças à forte execução da versão ao vivo, o single atingiu o topo da parada americana em 28 de junho de 1980, mantendo-se lá por três semanas.

Quando o álbum completo chegou às lojas de todo o mundo, teve vendagens iniciais muito boas, mas logo viu esse desempenho despencar ladeira abaixo. E a razão era simples: o conteúdo era muito diferente do que o ex-beatle habitualmente oferecia ao seu público, exceto por algumas faixas estrategicamente colocadas aqui e ali.

Após a abertura com Coming Up, o álbum traz Temporary Secretary, canção totalmente eletrônica com ecos de Kraftwerk e Devo com um refrão de sotaque irritante. On The Way é provavelmente a incursão pelo blues menos inspirada da carreira do músico. A coisa melhora a seguir com a balada Waterfalls, com ambiência erudita na melhor tradição de She’s Leaving Home e Winter Roses. Maravilhosa, chegou ao 9ª lugar na parada britânica, mas fracassou nos EUA.

Nobody Knows tenta adicionar uma pegada roqueira ao álbum, mas é muito abaixo do que o artista fez de melhor nessa praia. Front Parlour inicia a safra instrumental com elementos do som de Giorgio Moroder, e é passável. O clima etéreo volta em Summer Day Song, com sua letra concisa.

Frozen Jap, mais agitada, é provavelmente o momento mais legal da ala instrumental do álbum. Bogey Music, inspirada no livro Fungus The Bogeyman (1977), de Hamish Hamilton, que fala de um fantasioso povo que vive no subterrâneo, é quase tão constrangedora como Temporary Secretary.

Dark Room passa meio batida, sem deixar grande impressão no ouvinte. O álbum se encerra com One Of These Days, uma bela balada violonística que caberia em McCartney, com sua bela melodia, embora tenha sido gravada de uma forma meio fria e com muito eco, quem sabe.

Curiosamente, faixas gravadas durante as sessões de McCartney II e ou deixadas de lado, ou lançadas como meros lados B de singles, se mostram bem melhores do que várias do álbum, entre as quais podemos citar Secret Friend e Check My Machine (sobre a qual falaremos mais em breve).

No fim das contas, apesar dos pesares, McCartney II liderou a parada britânica e chegou ao terceiro lugar da americana, mesmo tendo vendido bem menos do que trabalhos mais recentes do ex-beatle. Esse álbum ganhou muitos fãs no meio musical com o decorrer dos anos, e é citado como influência por alguns deles, tornando-se possivelmente um dos trabalhos mais cult da carreira do artista.

Curiosidades sobre McCartney e McCartney II

*** A capa de McCartney traz cerejas registradas em cima de uma bancada preparada para pássaros se alimentarem. Na contracapa, temos o ex-beatle vestindo uma jaqueta e exibindo, dentro dela, a cabecinha de sua primeira filha com Linda, Mary. Curiosidade: Mary, nascida em 1969, é quem entrevista o pai no maravilhoso documentário Wingspam (2001), que conta a história dos Wings, a segunda banda de sucesso do Macca.

*** Linda Eastman McCartney foi fotógrafa profissional antes de se casar com Paul, tendo feito registros históricos de artistas como Jimi Hendrix. São delas as diversas fotos incluídas na capa, contracapa e encarte do álbum, que flagram o casal, Heather (filha do casamento anterior dela) e a célebre e encantadora cachorra sheepdog Martha, que inspirou a maravilhosa canção Martha My Dear, do álbum The Beatles (1968- o álbum branco).

*** A sequência harmônica que inicia Man We Was Lonely (ouça aqui) apareceu novamente em outra canção de McCartney, No Words (1973, faixa do álbum Band On The Run, ouça aqui). Confira as duas em seguida e perceba a semelhança. Seria intencional? O curioso é que a segunda é uma parceria de Macca com Denny Layne, dos Wings.

*** Logo após o final da faixa Hot As Sun/Glasses e pouco antes da faixa Junk, é possível ouvir um pequeno trecho do que parece ser outra canção. Só em 2011 essa música foi lançada na íntegra. Trata-se de Suicide, com direito a piano e estilo anos 1920.

*** Em 2011 foi lançada no Brasil uma reedição de McCartney no formato CD duplo. O segundo disco traz sete faixas. São elas Suicide (já comentada anteriormente), Don’t Cry Baby (na verdade, uma versão instrumental de Oo You) e Women Kind, todas deixadas de lado do álbum original, mais versões gravadas ao vivo em Glasgow em 1979 de Every Night, Hot As Sun e Maybe I’m Amazed. O encarte traz as letras das músicas e belas fotos feitas por Linda.

*** Ironia das ironias: após permanecer por três semanas na liderança da parada americana, McCartney perdeu a ponta para ele mesmo. Lançado pouco tempo depois da estreia solo de seu baixista, Let It Be, dos Beatles, assumiu a liderança no dia 13 de junho de 1970, ficando por lá por quatro semanas, ou seja, uma a mais do que o LP do Macca.

*** A edição de McCartney II lançada nos EUA no formato LP de vinil pela gravadora Columbia (que então distribuía os discos do ex-beatle por lá) trouxe como brinde um compacto simples com um único lado registrado trazendo a versão ao vivo de Coming Up gravada em Glasgow.

*** Uma das faixas mais legais de McCartney II é uma instrumental de nome pitoresco: Frozen Jap (japonês congelado, em tradução livre). Seria uma alfinetada em relação à sua prisão no Japão em janeiro de 1980? Ele nunca se estendeu nesse tema…

*** Se na contracapa do primeiro álbum solo Paul incluiu uma foto dele com Mary, em McCartney II, no encarte, a estrela da vez é seu filho James Louis, então com três anos, que aparece puxando a camiseta do pai no estúdio caseiro onde foi gravado o álbum.

*** Check My Machine, lançada originalmente como lado B do compacto cujo lado A é Waterfalls, foi descoberta na época pelas equipes de bailes black de São Paulo e Rio de Janeiro e se tornou um grande hit das pistas de dança. O sucesso foi tanto que a EMI lançou no Brasil essa música em dois formatos, o compacto simples tradicional e um maxi-single (no tamanho de um LP), este último mais utilizado pelos DJs. O DJ Cuca gravou uma versão, Check My Mix, no histórico LP O Som Das Ruas (1988), um dos primeiros do rap nacional (ouça aqui).

*** Em 2011, saiu por aqui uma versão remasterizada de McCartney II no formato CD duplo. O segundo CD traz as faixas inéditas Blue Sway (with Richard Niles Orchestration), Bogey Wobble, Mr. H Atom/You Know I’ll Get You Baby e All You Horse Riders/Blue Sway. Temos também as já lançadas anteriormente e raras no formato CD e em vinil Coming Up (Live At Glasgow 1979), Check My Machine, Wonderful Christmastime e Secret Friend.

*** McCartney atingiu o topo da parada americana e emplacou o 2º lugar no Reino Unido. Por sua vez, McCartney II se deu melhor no Reino Unido, liderando a parada de lá, enquanto nos EUA chegou ao 3º lugar.

Ouça McCartney II aqui .

Ouça McCartney (1970) em streaming:

Roberta Campos lança single com um grande hit de Paul McCartney

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Por Fabian Chacur

Roberta Campos lançará pela gravadora Deck o seu primeiro DVD gravado ao vivo, Todo Caminho é Sorte Ao Vivo, no início de 2019. Ela já lançou um single que estará incluído nesse trabalho (saiba mais aqui). Agora, a cantora e compositora nos proporciona outra faixa que estará nesse trabalho, só que em um single no qual a versão foi gravada em estúdio. E a canção é bem especial, de um autor dos mais consagrados.

Trata-se de My Love, um dos maiores sucessos da carreira-solo de Paul McCartney, lançada por ele em 1973 em single e também como faixa do álbum Red Rose Speedway. A música equivale a uma homenagem à saudosa Linda McCartney, com quem ele foi casado por quase 30 anos. Roberta comenta:

“Sempre amei os Beatles, e o Paul sempre foi o beatle com quem eu mais me identifico. My Love é uma canção que me toca, tem um amor muito verdadeiro, igual ao que tem em mim. Gostaria de tê-la composto”. Com dez anos de carreira, Roberta Campos tem em seu currículo quatro álbuns e diversos sucessos, alguns deles incluídos em trilhas de novelas televisivas.

Ouça My Love, com Roberta Campos:

Paul McCartney mostra belas novidades para todos os fãs

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Por Fabian Chacur

Dois dias após completar 76 anos de idade, Paul McCartney mostra que dormir nos louros das glórias passadas não faz parte do seu modo de viver. Ele não só anunciou que lançará no dia 7 de setembro Egypt Station, seu primeiro álbum de inéditas desde New (2013), como também disponibilizou para audição duas das 14 músicas que estarão nesse trabalho, a balada I Don’t Know (ouça aqui) e o rock na veia Come On To Me.

Uma primeira curiosidade surge na capa do álbum, que também foi divulgada. Criada a partir de desenho feito pelo próprio artista, ela lembra um pouco a de Gone Troppo, lançada em 1982 por um certo George Harrison. Será mera coincidência? Tire suas próprias conclusões.

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Voltando ao mais importante que é o conteúdo artístico, o ex-Beatle explicou, em declaração divulgada pela gravadora na qual lança atualmente seus trabalhos, a Universal Music, como concebeu o novo trabalho:

“Gostei das palavras Egypt Station. Elas me lembram dos discos em vinis que costumávamos fazer… Egypt Station começa em uma estação na primeira música e a cada nova faixa visitamos uma nova estação. Foi essa a ideia que seguimos para criar cada faixa do disco a partir disso. Acho que ela veio de um sonho, mesmo lugar de onde as músicas surgem”.

Macca gravou seu novo disco em estúdios localizados em Londres, Los Angeles e Sussex. A produção ficou a cargo do badalado Greg Kurstin, que assinou trabalhos de Adele, Beck e Foo Fighters, sendo que uma faixa ficou a cargo de Ryan Tedder, líder da banda One Republic. Come On To Me é um rockão contagiante e muito inspirado, enquanto I Don’t Know é uma deliciosa balada com pitada roqueira. Belas amostras.

Também foram divulgados os títulos de mais três canções: a acústica Happy With You, a pacifista People Want Peace e uma que promete e muito, com seus quase sete minutos de duração, Despite Repeated Warnings, que parece seguir uma pegada mais experimental. McCartney fez um show surpresa no dia 9 de junho em um pequeno pub de Liverpool, o Philharmonic Pub, no qual tocou uma das inéditas e mais alguns hits. Que chegue logo o sete de setembro!

Come On To Me– Paul McCartney:

Novo CD de Ringo Starr chega às lojas brasileiras em breve

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Por Fabian Chacur

Para os fãs do formato físico, mais precisamente do CD, e de Ringo Starr, neste caso, uma boa notícia. Está chegando às lojas brasileiras nos próximos dias o novo álbum do ex-Beatle, Give More Love, que também está sendo disponibilizado para download pago e nas diversas plataformas de streaming. A edição será a mesma que já saiu no exterior.

Give More Love é o sucessor de Postcards From Paradise (2015), e não está indo muito bem das pernas em termos comerciais. Nos EUA, atingiu apenas a posição de número 128, ainda pior do que a de seu antecessor, que chegou ao posto de nº 99. Curiosamente, até o momento a melhor performance do álbum foi na República Tcheca, na qual o trabalho do baterista mais famoso do mundo chegou ao nº18 dos charts locais.

O novo álbum do astro britânico traz um elenco repleto de amigos célebres no cenário musical, como tem sido praxe em sua carreira solo. O maior deles, Paul McCartney, marca presença em We’re On The Road Again e Show Me The Way. Aliás, o título da primeira (estamos na estrada novamente) tem tudo a ver, pois McCartney tocará no Brasil em outubro, e Ringo tem oito datas para cumprir em Las Vegas.

Além do velho e bom Macca, Mr. Starkey tem a seu lado em Give More Love os craques Steve Lukather, Peter Frampton, Richard Marx, Dave Stewart, Joe Walsh, Glen Ballard, Timothy B. Schmit e Edgar Winter, entre outros. O álbum traz 10 composições inéditas de Ringo escritas com diversos parceiros. Como bônus, releituras de Back Off Boogaloo, Photograph, You Can’t Fight Lightining e Don’t Pass Me By.

O projeto inicial de Ringo era gravar um álbum totalmente country, mas essa ideia acabou sendo deixada de lado, sendo que a única faixa que se encaixa bem nessa praia é a bela So Wrong For So Long. De resto, temos rock básico, baladas e um pouco de pop, com destaque para We’re On The Road Again, Show Me The Way e Standing Still. Um trabalho despretensioso, básico e divertido de se ouvir.

We’re On The Road Again– Ringo Starr:

Simplesmente Paul chega ao RJ no Teatro Bradesco Rio

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Por Fabian Chacur

Paul McCartney voltará ao Brasil em outubro. Quem quiser já ir entrando no clima e mora no Rio de Janeiro tem uma boa pedida neste sábado, às 21h, no Teatro Bradesco Rio (avenida das Américas, nº3.900- loja 160- Shopping Village Mall- Barra da Tijuca- call center 4003-1212). Trata-se do show Simplesmente Paul, dedicado a um repertório de grandes sucessos do inigualável astro do rock. Os ingressos custam de R$ 40,00 a R$ 160,00.

O espetáculo é estrelado por Celso Anieri, que no início da década de 1980 fundou em São Paulo o grupo Beatles 4 Ever, um dos mais criativos e minuciosos na reprodução ao vivo das músicas do seminal grupo de Liverpool. Ele saiu da banda há algum tempo, mas após uma canja com a atual formação, em 2015, ficou com vontade de investir em um projeto semelhante, e aí surgiu a ideia de fazer um show em homenagem ao autor da eterna Yesterday e de tantos outros hits.

Anieri canta e toca baixo, teclados, violão, ukulele e bandolim. Com ele, um grupo formado por Ana Cristina Santos (violão e voz), Bia Honda (vocais), Edson Yokoo (teclados e arranjos), Edu Perez (baixo, violão e vocal), Paula Altran (vocais), Paulo Yuzo (bateria e percussão), Renato Molina (guitarra) e Vitor da Mata (guitarra, teclados e vocais).

O show inclui canções dos Beatles, dos Wings e da carreira solo de McCartney, entre elas Can’t Buy Me Love, Live And Let Die, Here Today, My Love e Silly Love Songs, além de se valer de recursos audiovisuais como telão e coreografias, algo que por sinal fez o diferencial do Beatles 4 Ever. O espetáculo já passou por diversas cidades brasileiras, sempre com boa repercussão por parte do público.

Simplesmente Paul- trechos do show:

Tommy LiPuma, um produtor lendário, morre aos 80 anos

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Por Fabian Chacur

A primeira vez que eu li o nome Tommy LiPuma em um disco foi em um trabalho de George Benson, para ser mais preciso o compacto simples de vinil com a música Love Ballad (1978). Mal sabia eu que ainda ouviria muita coisa boa com o toque mágico de seu trabalho. Ele infelizmente nos deixou nesta segunda(13) aos 80 anos, em Nova York. Seu legado, no entanto, permanecerá eterno.

Nascido em 5 de julho de 1936, LiPuma começou o seu envolvimento no cenário musical como instrumentista, mas acabou enveredando para a área de divulgação no fim dos anos 1950. Após algumas experiências na área de produção, incluindo uma com o então ainda emergente trio de r&b The O’Jays, foi contratado pela gravadora A&M, onde ficou de 1965 a 1968 e assinou a produção de ao menos um grande hit, The More I See You, lançada em 1965 por Chris Montez.

Em 1968, resolveu se associar a outro profissional da área musical, Bob Krasnow (que por sinal nos deixou em 11 de dezembro de 2016), para criar o selo Blue Thumb Records. Até 1978, a gravadora lançaria discos de artistas como Sylvester (os dois primeiros, Sylvester & The Hot Band e Bazaar, ambos de 1973), Gerry Rafferty, Phil Upchurch, The Crusaders, Dave Mason e The Pointer Sisters, entre outros.

Sem se dedicar com exclusividade ao próprio selo, ele tirou a sorte grande em 1976, quando produziu Breezin’, álbum que tornou George Benson uma estrela pop, atingiu o primeiro lugar na parada ianque e rendeu a ele, LiPuma, o primeiro dos cinco troféus Grammy que conquistaria no decorrer de sua vida.

A parceria com Benson rendeu os também clássicos álbuns In Flight (1976), Livin’ Inside Your Love (1978) e o ao vivo Weekend In L.A. (1977, com aquela eletrizante releitura de On Broadway, dos Drifters). Eles voltariam a trabalhar juntos posteriormente em algumas ocasiões.

Em vários momentos de sua carreira, Tommy atuou como produtor e também como executivo de gravadoras, e dessa forma trabalhou com vários artistas brasileiros, como Eumir Deodato, Tom Jobim, João Donato e João Gilberto. Também trabalharam com ele Al Jarreau, Barbra Streisand, Michael Bublé, Willie Nelson e muitos outros.

Em 1991, ele assinou a produção de oito músicas de Unforgettable…With Love, tributo de Natalie Cole a seu pai Nat King Cole que se tornou um campeão de vendas e de Grammys.

Quando resolveu gravar um disco com releituras de standards de jazz, Paul McCartney acabou escolhendo Tommy LiPuma para a tarefa. A colaboração gerou o álbum Kisses On The Bottom (2012), que chegou ao top 5 da parada americana e posteriormente geraria também um belíssimo DVD gravado ao vivo com o seu repertório, que também incluiu duas composições inéditas do Macca seguindo o estilão do material compilado aqui por ele.

Não satisfeito, Tommy LiPuma também descobriu em 1995 uma jovem cantora, compositora e pianista canadense chamada Diana Krall. Naquele ano, produziu o segundo álbum da hoje megaestrela do jazz, Only Trust Your Heart, e assinou outros nove até 2009. Ela também participou do CD de McCartney produzido por ele. Aliás, seu último trabalho na produção marcou seu reencontro com a pupila, o álbum Turn Up The Quiet, que sairá nos EUA em 5 de maio deste ano.

Love Ballad– George Benson:

“Black Beatles” vira a trilha de memes e traz Paul McCartney

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Por Fabian Chacur

Em 2006, uma dupla americana de hip hop de nome estranho estourou no mundo todo com o single Crazy. Era a Gnarls Barkley. Exatos dez anos depois, outro duo ianque repete a dose, só que desta vez investindo no insólito tanto no nome do grupo como no de seu hit. Trata-se do Rae Sremmurd, que comemora o estouro inesperado do single Black Beatles, o terceiro a ser extraído de seu 2º álbum, Sremmlife2, lançado em agosto deste ano.

A história é relativamente simples e muito rápida. No fim de outubro, surgiu nas redes sociais um novo meme viral, com a hashtag #mannequinchallenge. Trata-se de um grupo de pessoas posando paralisadas, como se fossem manequins. Por alguma razão, a música Black Beatles tornou-se rapidamente a trilha favorita dos videos daqueles que entraram nessa onda de memes, e isso impulsionou o sucesso do single, que já chegou ao 9º lugar nos EUA e pode ir além.

O mais legal é que várias celebridades entraram na brincadeira, incluindo Jon Bon Jovi e até a candidata derrotada à presidência dos EUA Hillary Clinton. O que pouca gente esperava, no entanto, ocorreu nesta quinta-feira (10): ninguém menos do que Paul McCartney, um dos “White Beatles”, entrou na brincadeira e postou um vídeo paradinho defronte seu piano. Veja aqui.

Black Beatles é uma espécie de reggae/raggamuffin, com clima etéreo, refrão grudento e uma letra bem-humorada. O clipe traz uma ou outra referência aos Fab Four, como o show no teto da Apple em 1969 ou a travessia da Abbey Road no mesmo 1969, ou ainda uma reprodução do Bed Peace, ato pela paz realizado por John Lennon e Yoko Ono em uma cama localizada em um hotel no Canadá, e ocorrida em… Sim, você adivinhou, 1969 também.

Integrado pelos irmãos Khalif “Swae Lee” Brown e Aaquil “Slim Jxmmi” Brown e tendo como base a cidade de Atlanta, a dupla criou o seu nome usando a denominação da gravadora que os contratou, a Ear Drummers, ao contrário. Eles tem no currículo dois álbuns, Sremmlife (2015, chegou ao nº 5 nos EUA) e Sremmlife2 (2016, no nº7 nos EUA esta semana). Eles gravaram em 2015 dois singles em parceria com a badalada Nicki Minaj, Throw Sum Mo e No Flex Zone.

Black Beatles– ft. Gucci Mane- Rae Sremmurd:

Pure McCartney: bela viagem pela obra de um gênio musical

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Por Fabian Chacur

Coletâneas costumam ser encaradas de forma não muito positiva por críticos e fãs mais radicais de música. O argumento é sempre o mesmo: seria uma forma de apresentar uma obra de forma fatiada, com escolhas nem sempre justificáveis e frequentemente mostrando um retrato nada fiel do artista enfocado. Questão de opinião. Para mim, coletâneas são, quando bem feitas e bem planejadas, belas obras de entrada para obras musicais. Eis a função que Pure McCartney, álbum duplo que acaba de sair no Brasil, pode cumprir em relação ao trabalho de Paul McCartney.

Pure McCartney pode ser encontrado no exterior em três formatos: o mesmo CD duplo com 39 faixas, uma caixa com 4 CDs (contendo 67 faixas) e vinil quádruplo com 41 faixas. Todas essas alternativas seguem o mesmo conceito, conforme explica texto escrito pelo próprio Macca no encarte que acompanha os lançamentos: “uma coleção de minhas gravações tendo em mente nada além de ser algo divertido para se ouvir, ou talvez para ser ouvida em uma longa viagem de carro, ou em um evento em casa ou ainda uma festa com amigos”. Simples assim.

Dessa forma, fica fácil entender o porque vários sucessos marcantes ficaram de fora, preteridos em alguns casos por músicas não tão conhecidas. O repertório cobre toda a carreira solo do ex-beatle, indo desde 1970 até 2014. Para aquele fã que tem tudo do artista, só cinco itens mais interessantes: os remixes de Ebony And Ivory, Say Say Say, Here Today e Wanderlust, e a belíssima Hope For The Future, lançada em 2014 para a trilha do vídeo game Destiny e disponível anteriormente apenas no exterior em um single de 12 polegadas de vinil.

O repertório não foi ordenado de forma cronológica, o que nos proporciona saborosas idas e vidas por fases bem distintas do trabalho do artista. A curiosidade fica por conta de a primeira e a última faixa em todos os formatos serem as mesmas e oriundas do primeiro álbum solo do astro britânico, McCartney (1970), respectivamente Maybe I’m Amazed e Junk. Isso não deve ser obra do acaso…

As músicas contidas nesta compilação reforçam um sonho que muitos fãs do autor de Yesterday gostariam de realizar: ter a chance de ver um de seus shows só com material da carreira-solo, sem canções dos Beatles. Nada contra o repertório maravilhoso dos Fab Four, mas é que McCartney tem tantas músicas boas de 1970 para cá que seria bem bacana poder ouvir ao vivo uma Heart Of The Country, por exemplo, ao invés da milésima interpretação de Hey Jude.

Ouvir Pure McCartney é uma bela oportunidade de se curtir a incrível versatilidade de um grande talento. Power ballad em Maybe I’m Amazed, disco music em Coming Up, soul-jazz em Arrow Through Me, folk puro em Junk, pop delicioso em Listen To What The Man Said, rock na veia em Jet, rock eletrônico em Save Us, lirismo puro em Here Today

A variedade de estilos é incrível, sempre com grande qualidade técnica e artística. E acredite: com o material que sobrou, mesmo se levarmos em conta a caixa com quatro CDs, ainda restou material bom o suficiente para justificar pelo menos umas quatro compilações do mesmo gênero, sem repetir faixas e com a mesma força.

O único problema para o neófito que se meter a ouvir Pure McCartney é acabar se viciando no som do cara, e por tabela sair atrás de toda a sua obra. É disco pra burro!!! Mas pode ter certeza de que vale a pena colecionar. Tipo do vício sem contraindicações. E reforço o ponto: ótimo para desancar quem acha que o trabalho solo de Paul McCartney não está a altura do que ele fez nos Beatles. Não? Pense outra vez!

Arrow Through Me– Wings:

Dear Boy– Paul McCartney:

Hope For The Future– Paul McCartney:

DVD registra auge dos Wings em turnê histórica de 1976

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Por Fabian Chacur

Em 1976, Paul McCartney viveu uma das fases mais bem-sucedidas de uma carreira repleta de grandes momentos. Naquele ano, seu grupo pós-Beatles, o Wings, tornou-se provavelmente a banda mais popular do mundo, coroando uma era iluminada com turnê pela América do Norte simplesmente arrasadora. O registro histórico dessa tour está em Rock Show, DVD que acaba de ser lançado no Brasil pela Eagle Rock/ Som Livre.

Rock Show foi lançado nos cinemas em 1980, e o fato de ter sido registrado com equipamento cinematográfico facilitou a tarefa de remasterização e restauração da fita original realizada neste DVD. O resultado é simplesmente excepcional, com apenas uma ou outra cena granulada, e qualidade de áudio arrasadora. Qualidade técnica digna do conteúdo artístico.

A turnê dos Wings daquele 1976 divulgavam o então mais recente álbum do quinteto, Wings At The Speed Of Sound, e flagram uma fase bem diferente do Macca, se comparada com os shows que passou a fazer a partir de 1989, quando voltou após hiato de quase dez anos. Um detalhe que chama a atenção é a quantidade de músicas dos Beatles contidas aqui.

Quando começou a fazer shows com os Wings, McCartney inicialmente não tocava rigorosamente nada escrito pelo Beatles. A muito custo, foi encaixando um ou outro clássico da banda em seu set list. Vamos comparar: em Rock Show, temos um total de 30 músicas, sendo apenas 5 dos Beatles. Na turnê Out There (2014), do cantor, baixista e compositor britânico, em um set list com 39 músicas, 25 são dos Fab Four. Quanta diferença!

A formação dos Wings naquela época é certamente a melhor da história da banda. Além do seu líder inconteste nos vocais, baixo, violão, guitarra e teclados, temos Linda McCartney (vocal e teclados), Denny Laine (guitarra, baixo, violão, vocal, teclados), Jimmy McCulloch (vocal, guitarra, violão e baixo) e Joe English (bateria e vocal). Um timaço!

Com o auxílio de um naipe de metais integrado por Tony Dorsey (trombone), Howie Casey (saxofone, amigo de Paul de Liverpool), Steve Howard (trompete e flugelhorn) e Thaddeus Richard (sax, clarinete e flauta), os caras mostram, além das 5 dos Beatles, 4 de Wings At The Speed Of Sound, 9 de Venus And Mars (1975), 5 de Band On The Run (1973), outras 5 do grupo e de McCartney solo e dois covers.

Aos 34 anos de idade, Paul estava no auge como cantor, simplesmente arrasando em músicas como Let Me Roll It, Call Me Back Again, My Love, Soily e Beware My Love, só para citar algumas. O ótimo guitarrista McCulloch se mostra bom cantor em Medicine Jar, enquanto Denny esbanja carisma em Richard Cory, de Simon & Garfunkel.

Gravado em grandes ginásios, o show não tem recursos visuais tão sofisticados, mas a performance da banda é tão boa que isso fica em segundo plano. Rock Show é provavelmente o melhor registro de um show de Paul McCartney existente no mercado, e é obrigatório para todos aqueles que cultuam esse verdadeiro mestre do rock and roll. Maravilhoso é pouco!

Rock Show- Paul McCartney & Wings DVD (em streaming):

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