Mondo Pop

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Category: Grandes nomes esquecidos (page 1 of 14)

John Davis, 75 anos, autor de hits disco e de seriados de TV

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Por Fabian Chacur

Dos estúdios da Filadélfia para as pistas de dança e depois para as telas de TV. Esse é um resumo da trajetória de John Davis, também conhecido como John E. Davis, produtor, compositor, músico e líder da John Davis & The Monster Orchestra. Ele infelizmente nos deixou no última dia 27 de janeiro aos 75 anos de idades, de causas não divulgadas. Sua trajetória musical é das mais interessantes, e com direito a alguns hits bem bacanas entre as décadas de 1970 e 1990.

John Edward Davis Jr. nasceu em 31 de agosto de 1947 e começou a se envolver com a música em seus tempos de escola e também quando cumpria o serviço militar. Entre o final dos anos 1960 e a metade da década de 1970, ele prestou serviços na cidade da Filadélfia para a Philadelphia International Records (PIR), gravadora que tornou famosos nomes como Harold Melvin & The Blue Notes, The O’Jays e inúmeros outros.

Sua participação de maior sucesso neste período foi a produção de Be Thankfull For What You’ve Got, que em 1974 chegou ao 1º lugar da parada de r&b e ao 4º lugar da parada pop na voz de Willian DeVaughn (ouça aqui). O single vendeu mais de um milhão de cópias e lhe rendeu um disco de ouro, que ele por sinal exibe na foto que ilustra este post.

Além de Vaughn, ele trabalho nessa época com The Intruders, Ricky Nelson, Bootsy Collins, Silver Convention e Donna Summers, entre outros.

Em 1976, Davis resolve mergulhar no universo da disco music com um trabalho próprio, e assim surge a John Davis & The Monster Orchestra. Seu primeiro álbum, Night And Day (1976), mescla standards da música como Night and Day (ouça aqui) a composições próprias.

A faixa autoral I Can’t Stop (ouça aqui) fez muito sucesso nas pistas de dança e também foi sampleada em gravações de Run-DMC, Missy Elliott, Brothers Black e Jungle Brothers, só para citar alguns.

Up Jumped The Devil (1977) manteve Davis e sua orquestra nos charts dançantes, graças especialmente à faixa-título (ouça aqui) e The Magic is You (ouça aqui ), esta última uma faixa épica com quase 14 minutos de duração.

O grupo chegou ao seu auge em 1978 com o álbum Ain’t That Enough For You. A espetacular faixa-título é uma das mais emblemáticas da disco music (ouça aqui). Temos também A Bite of the Apple (ouça aqui), hit na badalada Studio 54, e uma releitura de Kojak Theme (ouça aqui).

Lançado no fim de 1979, quando a disco music começava a sofrer com forte perseguição por parte dos conservadores e roqueiros radicais, o álbum The Monster Strikes Back não foi tão bem das pernas, embora seja bem legal, incluindo maravilhas como Love Magic (ouça aqui) e Bourgie Bourgie (ouça aqui), esta última cover da composição de Ashford & Simpson que também foi gravada pelo casal e por Gladys Knight & The Pips.

O grupo lançaria apenas mais um trabalho, e no formato maxi-single, com a música Hangin’ Out (ouça aqui), em 1981, curiosamente creditada apenas a The Monster Orchestra. E essa linda orquestra disco sairia de cena a partir daqui.

Além de John Davis nos arranjos, composições, teclados, sax, flauta e vocais, o grupo incluiu em seus álbuns músicos como Charles Collins e Jimmy Young (bateria), Vince Fay e Sugar Bear Foreman (baixo), Craig Snyder, Bobbi Eli e Roland Chamber (guitarra), Don Renaldo (arranjos de cordas e metais) e CArolyn Mitchell, Barbara Ingram, Barbra Benson e Carla Benson (vocais).

Com o fim da era disco, John Davis conseguiu abrigo nas redes de TV americanas, nas quais produziu e compôs canções de abertura para seriados como Dinastia, The Colbys, MacGyver e Missão Impossível (a versão dos anos 1980), entre outras. A mais popular de todas foi a abertura de Barrados no Baile (Beverly Hills 90210), hit mundial em 1992.

Beverly Hills 90210- Tema de Abertura– John Davis:

Barrett Strong, 81 anos, um dos grandes autores da Motown

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Por Fabian Chacur

Muita gente conheceu o excelente rockão/r&b Money (That’s What I Want) na bela releitura feita pelos Beatles em seu álbum With The Beatles (1963). A gravação original desta música é histórica, pois foi o primeiro grande hit da então iniciante gravadora Motown, e atingiu o 23º posto na parada pop e o 2º na de r&B. Seu intérprete, Barrett Strong, foi muito além de um one hit wonder. Na verdade, foi um verdadeiro multiple hits wonder. Eles nos deixou neste domingo (29), aos 81 anos.

Nascido em 5 de fevereiro de 1941, Barrett Strong se tornou conhecido inicialmente como cantor, e gravou vários discos, embora nenhum com o mesmo impacto de seu sucesso inicial. No entanto, ele se tornou um dos grandes nomes da história da música pop ao deixar em segundo plano os holofotes de intérprete para se tornar um compositor em tempo integral.

E ele não poderia ter encontrado um parceiro melhor para a tarefa: o produtor Norman Whitfield (1940-2008), com quem estabeleceu uma verdadeira avalanche de clássicos da música pop. Para os The Temptations, por exemplo, são da dupla canções espetaculares como Cloud Nine, Ball Of Confusion, Papa Was a Rolling Stone, Just My Imagination (Running Away With Me), I Wish It Would Rain e I Can’t Get Next To You, entre muitas outras.

I Heard It Through The Grapevine fez sucesso com Gladys Knight & The Pips, Marvin Gaye e Creedence Clearwater Revival, só para citar três gravações matadoras desse clássico. War virou clássico na poderosa voz de Edwin Starr, enquanto Smiling Faces Sometimes se tornou o maior hit do excelente trio vocal The Indisputed Truth. E tem muito mais. Pode procurar!

Lá pelos idos de 1973, no entanto, ele usou a mudança da Motown de Detroit para Los Angeles como deixa para sair fora da gravadora e também encerrar a parceria com Norman Whitfield. A partir daí, ele retomou a carreira como cantor, lançando alguns singles e álbuns sem muito destaque, e foi incluído no Songwriters Hall of Fame em 2004.

Money (That’s What I Want)– Barrett Strong:

Tom Verlaine, 73 anos, líder da seminal banda rocker Television

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Por Fabian Chacur

Existem bandas que vendem milhões de discos e arrebatam multidões no mundo todo, e várias delas são realmente maravilhosas. Temos também outras que, embora não consigam resultados comerciais dos melhores, tornam-se seminais e muito influentes. Os americanos do Television se encaixam feito luva na segunda descrição. Seu líder, o cantor, compositor e guitarrista Tom Verlaine, nos deixou neste sábado (28) aos 73 anos, deixando um legado importante e dos mais consistentes na história do rock.

Thomas Miller (seu nome de batismo) nasceu em 13 de dezembro de 1949, e inicialmente gostava mais de outras sonoridades, especialmente o jazz. Ele passou a curtir rock ao ouvir os Rolling Stones, mas o jazz sempre esteve por perto, especialmente no quesito improvisações, algo que ele usaria sempre.

Ao lado do amigo, o baixista Richard Hell, e do baterista Billy Ficca, ele criou a banda Neon Boys. que se desfez em 1973. Pouco tempo depois, no entanto, voltou, com o acréscimo do guitarrista Richard Lloyd e um novo nome, Television. O primeiro single veio em 1975, quando Richard Hell já havia sido demitido do time e substituído por Fred Smith. Little Johnny Jewel (Parts 1 & 2) (ouça aqui), que impressionava pela sua originalidade.

Sediada em Nova York, a Television fez sua fama tocando em clube como o CBGB, o mesmo que revelou nomes seminais do rock como The Ramones, Talking Heads e Blondie, entre outros. O seu som trazia alguns elementos do punk, entre eles a garra e a urgência, mas com uma qualidade de execução muito acima da média, e com ecos de bandas como o Velvet Underground.

Outro elemento importante que atraiu as atenções para a banda era a qualidade das letras do seu líder, que pinçou o seu nome artístico do poeta simbolista francês Paul Verlaine (1844-1896). Após testes em gravadoras como a Arista (indicados por Patti Smith, que namorou e depois se tornou grande amiga de Verlaine) e Atlantic, assinaram com o selo Elektra.

O álbum de estreia, Marquee Moon, saiu em fevereiro de 1977, e encantou especialmente o público britânico. Nick Kent, crítico badaladíssimo na época, escreveu uma resenha altamente elogiosa de duas páginas e com direito à capa do jornal onde escrevia, o New Musical Express. Resultado: passou batido nas paradas americanas, mas chegou ao 28º posto no Reino Unido.

Marquee Moon é considerado um dos melhores álbuns de estreia da história do rock, além de ser citado como influência por músicos de bandas como U2, Echo & The Bunnymen, R.E.M. e inúmeras outras. Entre suas faixas, vale destacar as incríveis See No Evil (ouça aqui), Friction (ouça aqui) e a intrincada e envolvente faixa-título (ouça aqui).

O álbum foi coproduzido por Verlaine com Andy Johns, conhecido por seus trabalhos com Led Zeppelin e Rolling Stones, e gravado num período de pouco mais de uma semana. Johns inicialmente queria impor a eles a sonoridade de bateria de John Bonham, do Led, mas logo a banda o fez entender que aquilo não era o ideal para eles, e o resultado foi um som mais cru e centrado nas guitarras.

Em abril de 1978, saiu Adventure, o 2º álbum do quarteto, e a sonoridade um pouco mais polida levou alguns apressados a considerarem esse trabalho inferior ao anterior. No entanto, há quem o considere até melhor, entre os quais eu me incluo. Aliás, conheci essa banda com este álbum, que ouvi pela 1ª vez em 1987, pinçando-o do acervo da editora Imprima, onde trabalhei.

Considero Adventure uma verdadeira obra-prima, que concilia rocks e canções mais lentas e outras experimentais com muita precisão. Destaques ficam para o sensacional rock compassado a la Velvet Underground Glory (ouça aqui), a linda canção Days (ouça aqui) e as pesadas Foxhole (ouça aqui) e Ain’t That Nothin’ (ouça aqui).

Repleto de ótimas canções abrilhantadas pelas guitarras entrelaçadas de Verlaine e Lloyd e pela cozinha rítmica sólida e segura de Ficca e Smith, o álbum novamente não deu à banda um bom resultado comercial em seu país natal, mas arrebentou no Reino Unido, conseguindo um excelente nº 7 por lá. Naquele momento, eles já haviam feito shows na Inglaterra, além de abrir apresentações de Peter Gabriel.

No entanto, desentendimentos entre os integrantes da banda levaram a uma separação precoce em julho de 1978. O grupo voltaria à ativa em 1992, quando lançaria seu 3º e último álbum de estúdio, com o título Television e lançado pela Capitol Records. A faixa Call Mr. Lee teve clipe exibido na MTV, mas o álbum, embora ótimo e muito elogiado, não vendeu bem.

O Television também teve ao menos três discos ao vivo lançados. Um deles, The Blow-Up, registro de um show captado em 1978, saiu inicialmente em 1982 no formato fita cassete, chegando ao formato CD posteriormente, sendo que chegou ao Brasil em 2001 pela gravadora Trama como CD duplo.

A partir daí, a banda se reuniu em algumas ocasiões para shows, incluindo a apresentação no festival All Tomorrow’s Parties na Inglaterra, em 2001, e no Tim Festival, no Brasil, em 2005.

Richard Lloyd saiu de vez da banda em 2007, substituído por Jimmy Ripp, que tocou com Mick Jagger, Jerry Lee Lewis e outros. E foi com ele que o Television se apresentou em São Paulo em 7 de julho de 2011.

Além do trabalho com o grupo, Tom Verlaine lançou por volta de 10 álbuns solo, além de participar de gravações e shows de vários outros artistas, entre as quais a antiga namorada Patti Smith.

Ele, aliás, também participou em 2005 em Londres do show celebrando os então 30 anos do lançamento do álbum de estreia da cantora e compositora americana, Horses (1975), gravação lançada na edição comemorativa em CD duplo que trazia versão remasterizada do álbum e a versão ao vivo.

Call Mr. Lee (clipe)- Television:

Eumir Deodato, muito mais do que o avô de Hailey Bieber

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Por Fabian Chacur

Aos 26 anos de idade, a modelo e influencer americana Hailey Bieber é casada com o astro pop canadense Justin Bieber. Seus inúmeros fãs mundo afora sabem que ela é neta de um músico brasileiro, um tal de Eumir Deodato. E dá vergonha alheia quando sabemos que muitos não tem nem ideia de quem ele seja, isso em plena era da informação instantânea. Portanto, nada melhor do que iniciativas como a do Sesc de promover um curso sobre a obra desse verdadeiro mestre da música.

O curso será realizado no próximo dia 28 (sábado) das 13 às 17h no Centro de Pesquisa e Formação do Sesc São Paulo (rua Doutor Plínio Barreto, nº 285- 4º andar- Bela Vista), e é gratuito (saiba como se inscrever aqui). O mestre será o produtor musical carioca Arnaldo De Souteiro, que não está na foto que ilustra esse post ao lado direito de Deodato por acaso.

Caso você seja um desses que não tem ideia de quem seja o personagem em questão, vamos a um pequeno resumo. Nascido no Rio de Janeiro em 22 de junho de 1942, Eumir Deodato iniciou sua carreira como tecladista e arranjador ainda muito novo, nos anos 1960. Logo, envolveu-se com a nata da bossa nova, e em pouco tempo se mudou para os EUA.

Seus trabalhos ao lado de nomes do porte de Tom Jobim e Frank Sinatra lhe abriram portas para uma carreira-solo que tem como marca a releitura funkeada de Also Sprach Zarathustra, de Richard Strauss, que invadiu as paradas de sucesso de todo o mundo em 1973.

Um de seus momentos seminais ocorreu entre 1979 e 1982, quando, como produtor, compositor e músico, ajudou a banda funk americana Kool & The Gang a atingir os primeiros postos das paradas de sucesso do planeta com músicas incríveis como Ladies Night, Too Hot, Celebration, Get Down On It e Steppin’ Out, só para citar algumas delas.

Nos anos 1990, trabalhou com a cantora islandesa Bjork, em trabalhos bastante elogiados pela crítica e público. Vale registrar que Deodato, que tem mais de 15 álbuns em sua rica discografia, foi eleito um dos 10 melhores arranjadores do mundo pela revista americana Downbeat, considerada a bíblia do jazz, e ao lado de nomes como Gil Evans, Duke Ellington, Quincy Jones e Frank Zappa.

Para dar conta de realizar um curso sobre uma obra tão rica, ninguém mais bem preparado do que o produtor musical, jornalista e roteirista carioca Arnaldo De Souteiro, que nas últimas quatro décadas esteve ao lado de Eumir Deodato em shows, gravações, compilações e especiais de TV, além de ter produzido as reedições digitais de seus principais álbuns.

De Souteiro é membro votante do Grammy, o Oscar da música, e prestou serviços para várias gravadoras, para as TVs Globo e Manchete e para artistas estelares como João Gilberto, Tom Jobim, Marcos Valle, Azymuth, Dave Brubeck, Ithamara Koorax e Ron Carter.

Also Sprach Zarathustra– Eumir Deodato:

David Crosby, 81 anos, um dos grandes gênios do rock and roll

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Por Fabian Chacur

Pelo menos desde os anos 1980 David Crosby se deparou com diversos problemas de saúde, alguns bem sérios. Ele, no entanto, não só lutou bravamente contra eles, como também se manteve ativo, fazendo shows e lançando novos trabalhos como artista solo e com grupos como CPR e Crosby, Stills & Nash (com ou sem Young). Este guerreiro se manteve ativo até o final. Que, infelizmente, chegou nesta quinta-feira (19), notícia confirmada pela sua esposa em comunicado nas redes sociais. Ele nos deixa com 81 anos.

Um de meus grandes ídolos, David Crosby foi alvo de diversas matérias de Mondo Pop (vasculhe nossos arquivo aqui ). Seu mais recente álbum, For Free, saiu em 2021. Leia a seguir um dos textos que fiz em homenagem a ele, flores que ofereci a esse gênio do rock ainda em vida, graças a Deus.

A carreira de David Van Cortland Crosby, nascido em 14 de agosto de 1941, equivale a uma inacreditável viagem, repleta de surpresas. Ele passou seus anos de formação nos Byrds, banda na qual ele era um coadjuvante de luxo para o líder Roger McGuinn (vocal, composições e guitarra) e também para Gene Clark (vocal). Com o tempo, percebeu que não conseguiria ter no grupo o espaço suficiente para dar vasão a seu talento, e no processo acabou sendo expulso do time, no final de 1967.

A partir daí, ele abriu as portas da sua carreira para novas experiências. Conheceu Stephen Stills (ex-Buffalo Springfield) e Graham Nash (ex-The Hollies) e criou o Crosby, Stills & Nash, grupo seminal para a história do rock no qual as individualidades eram respeitadas, e que volta e meia virava Crosby, Stills, Nash & Young com a eventual participação de Neil Young (também ex-Buffalo Springfield).

Paralelamente ao CSN/CNSY e a trabalhos em dupla com Graham Nash, Crosby também desenvolveu uma carreira solo que iniciou de forma brilhante, com If I Could Only Remember My Name (1971). Teríamos de esperar 18 longos anos para poder ouvir um segundo trabalho solo do artista, com o irônico título Oh Yes I Can (1989). “Se eu ao menos pudesse me lembrar do meu nome”, dizia o título da estreia solo. “Oh, sim, eu posso”, afirma sem sombra de dúvidas o segundo.

Nos anos 1990, foram três trabalhos solo, um de estúdio com composições alheias e duas de sua autoria, o belíssimo Thousand Roads (1991) e dois ao vivo, It’s All Coming Back To Me Now (1994) e King Biscuit Flower Hour (1996). Aí, surge o trio CPR com Raymond e Jeff Pevar, que lançou quatro álbuns (dois de estúdio e dois ao vivo) entre 1998 e 2001) com uma bela mistura de rock, jazz, folk e country.

Filho do premiado cineasta Floyd Crosby (1899-1985), David Crosby tem como marcas um forte lado intelectual, além de ouvinte atento de jazz, preferência audível nos acordes de violão que usa em suas composições. De temperamento difícil e rebelde, ele teve de superar problemas como prisão por consumo de drogas na metade dos anos 1980, um transplante de fígado nos anos 1990 e um problema cardíaco em 2014, percalços que venceu tal qual um highlander do rock.

Em 2014, após alguns anos se dedicando a trabalhos com o Crosby, Stills & Nash, Crosby volta à carreira solo com o excelente Croz. Ele lançaria mais quatro álbuns de estúdio, além de alguns ao vivo e um documentário sobre sua brilhante carreira, David Crosby: Remember My Name (2019), dirigido pelo consagrado Cameron Crowe.

David Crosby se apresentou ao vivo no Brasil em maio de 2012 como integrante do Crosby, Stills & Nash, e eu tive a honra de ver um desses shows, no hoje extinto Via Funchal, em São Paulo. Um dos melhores que já vi na minha vida, no qual ele teve uma performance simplesmente impecável. Leia mais sobre esse memorável show aqui.

Laughing– David Crosby:

Pat Benatar, os 70 anos de uma das melhores cantora de rock

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Por Fabian Chacur

Na última terça-feira (10), Pat Benatar completou 70 anos de idade. A cantora e compositora estadunidense merece ser parabenizada, pois é uma das mais bem-sucedidas intérpretes do rock, especialmente em seus anos de ouro, entre 1979 e 1988. Ela, que foi incluída no Rock and Roll Hall Of Fame em 2022, continua na ativa, fazendo turnês e shows acompanhada por uma banda que inclui o guitarrista Neil Giraldo, com quem ela está casada há 40 anos.

Patricia Mae Andrzejewski nasceu no Brooklin, Nova York, em 10 de janeiro de 1953. Ela iniciou a sua ligação com a música estudando canto lírico. Aos 19 anos, casou com o seu namoradinho de colégio, o militar Dennis Benatar, com quem se casou em 1972. A seguir, ela começou a atuar em musicais como The Zinger (1975) e também cantando em boates nova iorquinas.

Em 1978, foi contratada pela gravadora Chrysalis, e em 1979 lançou o álbum In The Heat Of The Night. Impulsionado pelo single Heartbreaker (ouça aqui), que atingiu o nº 23 nas paradas, este LP conseguiu chegar ao posto de nº 12 entre os álbuns mais vendidos nos EUA

Nesse momento, Pat já havia se separado de Dennis, mas manteve o sobrenome do ex-marido. Neil Giraldo comandava sua afiadíssima banda desde esse momento inicial. Com uma voz potente, ela nos oferecia um rock and roll básico, melódico e temperado com elementos do hard rock.

É nesse clima positivo que chega às lojas em 1980 o álbum Crimes Of Passion, que se incumbiu de tornar Pat Benatar uma estrela do rock e permaneceu por cinco semanas no 2º posto na parada americana, impedido de liderar pelo estouro de Double Fantasy, de John Lennon e Yoko Ono.

O álbum trouxe como pontos altos o contagiante rockão Hit Me With Your Best Shot (ouça aqui), que atingiu o nº 9 lugar entre os singles, e a ótima e sombria Hell Is For Children (ouça aqui). Outro ponto alto do LP é a releitura de Wuthering Heights (ouça aqui), primeiro sucesso da carreira de sua compositora, a britânica Kate Bush.

Graças a seus shows energéticos e também aproveitando o sucesso na MTV (seu clipe You Better Run– veja aqui– foi o 2º a ser exibido na estreia da emissora musical em agosto de 1981), o clima em torno de seu próximo lançamento era enorme. E foi devidamente correspondido.

Precious Time (1981), gravado a toque de caixa entre um show e outro, levou a carismática roqueira ao 1º lugar na parada americana. O trabalho traz como destaques o ótimo single Fire and Ice (ouça aqui), rockão que atingiu o 17º lugar entre os singles americanos, e uma releitura vibrante de Helter Skelter, dos Beatles (ouça aqui).

Manter-se no topo das paradas, após conquistar tal façanha, não é tarefa das mais fáceis, e Pat fez o que pode nos anos seguintes. Em 1982, lançou Get Nervous, que chegou ao 4º lugar em seu país natal e emplacou como principal hit Shadows Of The Night (ouça aqui), uma power ballad que emplacou a 13ª posição entre os singles ianques.

Como forma de registrar o impacto de suas performances nos palcos, Pat Benatar veio em 1983 com Live From Earth, álbum gravado ao vivo que atingiu o 13º posto nos EUA, boa performance para um álbum desse tipo. Como atrativo adicional, o LP trouxe duas faixas gravadas em estúdio, Lipstick Eyes e Love is a Battlefield.

Com uma sonoridade mais pop, mas ainda com raízes roqueiras, Love is a Battlefield invadiu com força a parada de singles dos EUA, atingindo o 5º posto. Graças a este álbum, Benatar conseguiu uma proeza: ganhou pelo 4º ano consecutivo o troféu Grammy, o Oscar da música, na categoria melhor performance feminina de rock.

Em uma época no qual os grandes nomes costumavam lançar novos trabalhos anualmente, a cantora não destoava desse procedimento. Tropico (1984) não foi tão bem das pernas, chegando ao 14º posto nos charts ianques. Curiosamente, no entanto, um single extraídos dele se deu bem. We Belong (ouça aqui), bem pop, chegou ao 5º lugar na sua respectiva parada.

Essa tendência de singles tendo melhor desempenho do que os álbuns do qual faziam parte se manteve em Seven The Hard Way (1985), que não passou da 26º posição nos EUA. O rockão pontuado por teclados Invincible (ouça aqui) atingiu o posto de nº 10, tema do filme Legend Of Billie Jean, que rapidamente se tornou cult entre os fãs de cultura pop.

Outra faixa que se destacou deste LP foi a polêmica Sex as a Weapon, que tem como tema a exploração do sexo nas diversas mídias. O clipe repercutiu bastante (veja aqui), e o single atingiu o nº 28 na parada pop estadunidense.

Com o nascimento da filha Haley em 16 de fevereiro de 1985, Pat reduziu um pouco a velocidade da sua vida profissional, tanto que só lançou um novo álbum em 1988. Wide Awake In Dreamland não foi além de um nº 28 nos EUA, e o single que o divulgou, a ótima All Fired Up (ouça aqui), um retorno ao rock mais ardido e visceral, foi 19º colocada entre os singles ianques.

Em 1991, Pat Benatar surpreendeu a todos ao lançar True Love, CD no qual mesclou releituras e composições próprias em um estilo blueseiro bem diferente do seu habitual. Embora muito bom, o trabalho chegou apenas ao nº 37 na parada americana.

A partir daqui, a cantora foi aos poucos sumindo das paradas de sucesso, com os álbuns Gravity’s Rainbow (1993), Innamoratta (1997) e Go (2003) vendendo cada vez menos, embora com momentos bem bacanas.

Desde Go, Benatar só lançou singles eventuais, mas nunca saiu da estrada, fazendo turnês individuais e também ao lado de artistas como REO Speedwagon, America, Cheap Trick, Cher e Daryl Hall & John Oates, entre outros. Hana, sua segunda filha, nasceu em 12 de março de 1994.

Se sumiu das paradas de sucesso, Pat Benatar se manteve como referência pop, tendo a música Heartbreaker usada como tema de um dos episódios de Seinfeld e participado como ela mesma de séries também badaladas como Charmed, Dharma & Greg e That 80’s Show. E, em 2022, passou a fazer parte do Rock and Roll Hall Of Fame.

Love is a Battlefield (clipe)- Pat Benatar:

Jeff Beck, 78 anos, uma espécie de guitarrista dos guitarristas

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Por Fabian Chacur

Se há um músico na cena do rock que pode ser considerado uma espécie de “guitarrista dos guitarristas”, ele atendia pelo nome de Jeff Beck. Extremamente celebrado por seus colegas de várias gerações e também pelo público, ele infelizmente nos deixou nesta terça (10), embora a notícia só tenha sido divulgada nesta quarta (11) em suas redes sociais. O músico britânico foi vítima aos 78 anos de uma meningite bacteriana.

Nascido em 24 de junho de 1944, Jeff Beck veio à tona na cena do rock em 1965 ao integrar os Yardbirds, na qual substituiu ninguém menos do que Eric Clapton. Nos aproximadamente dois anos em que ficou na banda, brilhou como um músico criativo e versátil, indo do blues ao psicodelismo com uma agilidade difícil de ser encarada pela concorrência.

Em 1968, criou a sua própria banda, The Jeff Beck Group, que revelou dois outros nomes seminais para o rock, o vocalista Rod Stewart e o guitarrista-baixista Ron Wood, que depois criariam os Faces e partiriam para a carreira solo (Rod) e para os Rolling Stones (Wood). Truth (1968) é um dos melhores álbuns da história do rock.

Após a separação da formação clássica desta banda, que ocorreu logo em 1969, Beck mergulhou em projetos individuais e também em bandas de curta (porém, significativas) duração, como Beck, Bogert & Appice e uma nova encarnação do The Jeff Beck Group.

Como não cantava e também compunha menos do que outros colegas, Beck teve menos sucesso comercial do que merecia. No entanto, seus trabalhos sempre apresentavam muita qualidade, mostrando sua versatilidade em estilos como hard/heavy rock, jazz rock, jazz, rockabilly, r&b etc.

Ele fez shows concorridos no Brasil, e tive a chance de ver um deles, em 2014 (leia a resenha aqui). Ele se manteve sempre ativo e celebrou 50 anos de estrada em um show antológico (leia a resenha aqui). Leia mais aqui.

A Day In The Life (ao vivo)- Jeff Beck:

Jacques Morali e Henri Belolo, os criadores do Village People

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Por Fabian Chacur

Jacques Morali (1947-1991) e Henri Belolo (1936-2018) são a prova concreta de um mundo globalizado muitos anos antes de esse termo se popularizar. Dois marroquinos que se conheceram na França, criaram seus projetos de maior sucesso nos EUA e que ganharam fama mundial. Juntos, eles concretizaram projetos ligados à disco music de grande impacto comercial e artístico, entre os quais Village People, The Ritchie Family, Patrick Juvet, Dennis Parker e David London.

Nascido no dia 27 de novembro de 1936 em Casablanca, Marrocos, cidade eternizada por causa do filme homônimo estrelado em 1942 por Humphrey Bogart e Ingrid Bergman, Henri Belolo começou a se envolver com música ainda em seu país natal, importando e promovendo discos.

Em 1956, mudou-se para a França (Paris, para ser mais preciso), e lá conheceu o produtor e empresário Eddie Barclay, criador da gravadora Barclay, que deu uma força importante nesses seu início em um novo país.

Quatro anos após a sua chegada à França, foi contratado como produtor e diretor de a&r (artistas e repertório) da gravadora Polydor naquele país. Ele produziu discos para artistas como George Moustakis, Jeanne Moureau e Serge Renée. No final dos anos 1960, resolveu ser empreendedor, criando uma produtora e uma editora musicais, envolvendo-se com shows na França de artistas como os Bee Gees e James Brown.

Entre outras coisas, ele conseguia licenciar gravações americanas para o mercado francês, e isso lhe valeu alguns contatos valiosos, especialmente com a Philadelphia International Records, e mais especificamente com os estúdios Sigma Sound, situados na cidade americana da Filadélfia.

Comerciante astuto, Belolo notou o sucesso que alguns lançamentos de música dançante vindos da América estavam fazendo, especialmente os da gravadora TK Records, de Miami, cujos hits Rock Your Baby (George McRae) e That’s The Way (I Like It) (do KC & The Sunshine Band) foram licenciados para comercialização na França através dele.

Dessa forma, ele ficou bastante atento, e com a disposição de investir em algum projeto próprio na área do que logo a seguir receberia o rótulo de disco music. E é aí que entra nessa história um certo Jacques Morali, que Belolo conheceu em uma dessas negociações comerciais na área musical. Algumas afinidades logo se mostraram fortes entre eles.

Também oriundo de Casablanca, Marrocos, Jacques Morali nasceu em 4 de julho de 1947. Ao se mudar para Paris, começou uma carreira musical, inicialmente como cantor e compositor. Em 1967, lançou um compacto duplo com quatro de suas canções: Elle Aimé Elle N’Aimé Pas (ouça aqui), Sans Famille, Le Silence Et Le Bruit e J’Suis Mignone Hein?. Pop rock bem simpático.

Além de compor músicas para espetáculos da companhia Crazy Horse de Paris, ele também se envolveu com a parte burocrática do meio musical, e foi em uma ocasião dessas que conheceu Henri Belolo. Como sabia que ele estava em busca de novas ideias para um projeto musical próprio, propôs algumas. E uma em particular acabou interessando e muito a Belolo.

Em 1975, a disco music começava a surgir com força, e uma das formas que alguns produtores se valiam para entrar nessa área era investir em releituras de músicas de outros estilos musicais.

E Morali pensou em reciclar a sonoridade dos musicais americanos dos anos 1940, especialmente os que envolviam Carmen Miranda e o coreógrafo Busby Berkeley. Uma música em particular o fascinava: Brazil, versão em inglês de Bob Russell para a clássica Aquarela do Brasil, de Ary Barroso.

Sem pestanejar, Henri Belolo, que havia aberto dois escritórios de sua produtora, a Can’t Stop Productions, em Nova York e Filadélfia, foi para esta segunda cidade americana e contatou os amigos da Philadelphia International Records (PIR) e do Sigma Sounds Studios.

Como eles imaginavam ter vocais na linha das Andrew Sisters e outros grupos vocais femininos americanos do gênero, foram arregimentadas três cantoras de estúdio: Barbara Ingram e as primas Carla e Evette Benson, conhecidas por participar de gravações antológicas de artistas como Patty LaBelle, John Davis, Billy Paul, Lou Rawls e inúmeros outros.

Entre os músicos, alguns dos mais famosos da Filadélfia, entre eles o lendário baterista Earl Young, conhecido por ser o inventor da batida disco com a gravação The Love I Lost (1973), do grupo Harold Melvin & The Blue Notes e também como líder do seminal grupo The Trammps (de Disco Inferno e tantos outros hits marcantes da era disco).

Os arranjos ficaram a cargo de Ritchie Rome (1930-2020), conhecido por seus trabalhos com The Chi-Lites, The Three Degrees e Patty Labelle. E, curiosamente, foi em homenagem a ele que aquele projeto de estúdio foi batizado: The Ritchie Family. E o primeiro single foi precisamente Brazil (ouça aqui). Lançada no final de 1975, logo se tornou um hit nas pistas de dança, e chegou ao nº 11 na parada pop americana.

Empolgados, Morali e Belolo não perderam tempo e lançaram em 1976 o primeiro álbum da The Ritchie Family. Intitulado Brazil, o LP vendeu bem, atingindo o nº 53 nos EUA e mesclando músicas alheias com composições inéditas. Além da faixa-título, outro sucesso foi Life Is Fascination (ouça aqui), que no Brasil entrou na trilha da novela global Anjo Mau (1976).

As músicas inéditas de Brazil levavam a assinatura de Morali, que se incumbia das melodias, Belolo, que vinha com as ideias para as letras, e, neste caso específico, do letrista Beauris Whitehead (depois, outros letristas, como Peter Whitehead e Phil Hurtt, também contribuiriam).

Esses parceiros adicionais entravam pelo fato de Belolo e Morali não se sentirem à vontade o suficiente para escrever letras em inglês, e seus parceiros se incumbiam de traduzir os versos feitos originalmente em francês e formatar as frases de forma correta no idioma britânico.

Com o sucesso de seu primeiro projeto e recebendo convites para shows e apresentações em TV, The Ritchie Family teve de ter uma cara própria, e foram convidadas para gravar como integrantes oficiais do trio as cantoras Cheryl Mason Jacks, Cassandra Ann Wooten e Gwendolyn Oliver.

Foi com elas (há quem diga que só dublando as músicas, pois o trio Barbara-Carla-Evette teria continuado a gravar) e os músicos da Filadélfia que foi gravado o 2º álbum da The Ritchie Family. Arabian Nights, saiu ainda em 1976 e chegou ao nº 30 nos EUA, impulsionado pela faixa The Best Disco In Town (ouça aqui), que veio de uma boa sacada dos produtores.

Eles criaram um ótimo refrão que servia como mote para encaixar trechos de diversos hits dançantes, alguns bem recentes, por sinal, como Fly Robin Fly (do trio Silver Convention), Love To Love You Baby (Donna Summer) e Bad Luck (Harold Melvin and The Blue Notes). No formato single, fez o maior sucesso, atingindo o posto de nº 17 na parada pop ianque.

Em 1977, no entanto, o embalo da The Ritchie Family caiu consideravelmente, com o lançamento de dois álbuns que não foram muito bem das pernas em termos de sucesso comercial, Life Is Music (ouça a faixa-título aqui) e African Queens.

A partir daqui, as coisas se complicaram. As três vocalistas foram surpreendentemente demitidas, sendo substituídas por Ednah Holt, Jacqui Smith Lee e Dodie Draher. O primeiro álbum da nova fase, American Generation (1978), também fracassou, mesmo com a ótima faixa-título (ouça aqui) e músicos de Nova York sobre o qual falarei mais à frente.

O grupo lançaria mais dois álbuns com a produção de Henri Belolo e Jacques Morali, Bad Reputation (1979, com Put Your Feet To The Beat, que chegou a tocar em rádios no Brasil, ouça aqui) e Give Me a Break (1980), mas ambos foram ainda pior. E os criadores abandonaram suas criaturas.

Em 1982, as garotas remanescentes ainda lançaram I’ll Do My Best, com produção de Mauro Malavasi, do grupo Change, sem grande repercussão, e sairiam de cena com All Night All Right (1983), voltando em 2011 com duas das integrantes da fase áurea para shows nostálgicos e temáticos de disco music. E havia uma razão para elas terem sido, de certa forma, descartadas.

Voltemos para 1977. Jacquer Morali, que era gay (enquanto Belolo era heterossexual), frequentava as discotecas e boates de Nova York, e em particular as de Greenwich Village. Em uma delas, viu alguns frequentadores usando trajes que equivaliam a estereótipos dos machos. Ao levar um dia o amigo Belolo para ver isso, teve a ideia que mudou de vez a vida dos dois.

“O que você acha de criarmos um grupo com seis homens caracterizados como figuras marcantes da masculinidade cantando música disco e dançando coreografias contagiantes?”.

Belolo vacilou no início, mas logo percebeu o potencial da ideia do amigo, e topou investir nesse novo projeto, que vinha a calhar, levando-se em conta que a The Ritchie Family dava sinais de cansaço em termos comerciais.

O próximo passo era encontrar um cantor que fosse bom para ser o líder vocal do grupo. Ao ver a montagem do grupo teatral Negro Ensemble Company para The Wiz (O Mágico de Oz), Morali ficou encantado com o ator principal, Victor Willis, e o convidou para integrar o grupo.

Nascido em Dallas, Texas em 1º de julho de 1951, filho de um pastor batista, Willis se mudou para Nova York com o intuito de ingressar no meio artístico. Após gravar alguns singles solo sem grande repercussão, deu-se bem nos espetáculos teatrais, e The Wiz foi a sua vitrine para o estrelato.

Como a inspiração para a criação do novo grupo vinha de Nova York, Belolo e Morali acharam que faria mais sentido gravar o primeiro álbum deles na Big Apple, e com músicos locais. E escolheram o arranjador, compositor, pianista e produtor Horace Ott (1933) para se incumbir dos arranjos e também de arregimentar uma banda que pudesse criar um som diferente e original.

Coautor do clássico Don’t Let Me Be Misunderstood (hit com The Animals nos anos 1960 e relido com sucesso pelo Santa Esmeralda em versão disco), Horace Ott trazia no currículo trabalhos com artistas do porte de Nina Simone, Aretha Franklin, Doris Troy, The Stylistics e Marilyn McCoo & Billy Davis Jr. (o arranjo da belíssima You Don’t Have To Be a Star – ouça aqui)

O time foi escalado com músicos experientes e talentosos como Alfonso Carey (baixo), Russell Dabney (bateria),Jimmy Lee (guitarra solo), Rodger Lee (guitarra base), Nathaniel “Croker” Wilke (teclados), Richard Trifan (teclados) e vários percussionistas e naipes de metais.

O nome do grupo homenageava a fonte inspiradora: Village People. As quatro músicas (todas longas) foram escritas naquele esquema de Belolo e Morali com o apoio dos letristas Pete Whitehead e Phill Hurtt. Coube a Victor Willis gravar todos os vocais, pois a Can’t Stop Productions tinha pressa e não podia esperar o recrutamento de todos os integrantes.

Village People (o álbum) saiu em 18 de julho de 1977, e teve ótima repercussão graças à faixa San Francisco (You Got Me) (ouça aqui), que se tornou uma espécie de molde para os outros hits do grupo, baseado em aberturas com metais, Willis conduzindo a canção no melhor estilo cantor de r&b e refrões matadores. O álbum chegou ao nº 54 na parada pop.

Com o sucesso das músicas nas rádios e pistas de dança, logo surgiram convites para apresentações ao vivo. Era necessário ter o time escalado. Willis ficou como o policial. Felipe Rose, que Belolo e Morali conheceram nas boates, virou o índio. Após uma seleção, foram escolhidos para completar o line up Alex Briley (soldado), Glenn Hughes (motoqueiro), David Hodo (operário) e Randy Jones (cowboy).

Sem perder tempo, a Can’t Stop Productions pôs o grupo em estúdio, e em 2 de fevereiro de 1978 chegava às lojas o álbum Macho Man, que atingiu o nº 24 na parada pop impulsionado pela divertida faixa-título (ouça aqui), que no formato single chegou ao 25º lugar nos EUA.

Uma novidade interessante é o fato de Victor Willis ter virado parceiro das canções a partir deste álbum, sendo o letrista principal, ou sozinho ou com os outros nomes citados anteriormente. Mais uma curiosidade é a abertura de Macho Man, que seria reciclada em várias outras músicas do VP.

Com um clipe que aproveitava bem o apelo visual e as coreografias dos seus seis integrantes, Macho Man se tornou rapidamente um hit mundial, conquistando desde crianças até os adultos, mesmo com suas letra de duplo sentido e de conotação gay, algo que marcou toda a obra do Village People.

A era disco teve como marca a avidez de seus produtores em oferecer novos produtos aos fãs, e isso explica o fato de, em 25 de setembro de 1978, ou seja, apenas sete meses após o lançamento de Macho Man, chegar às lojas o 3º álbum do Village People.

E que álbum! Cruisin’ marca o momento em que a fórmula criada por Morali, Belolo, Horace Ott e pelos músicos participantes (que ficaram conhecidos como a Gipsy Lane band) atingiu a perfeição.

Sua faixa mais explosiva, YMCA (ouça aqui), com uma letra inacreditável exaltando a Associação Cristã de Moços, chegou ao nº 2 nos EUA, barrada de chegar ao topo por Do Ya Think I’m Sexy, guinada disco de Rod Stewart.

E o LP tinha mais duas pérolas matadoras, o pot-pourry The Women/I’m a Cruiser (ouça aqui), uma das faixas mais perfeitas da era disco, com direito a uma bela homenagem às mulheres. Desta forma, Cruisin’ foi o mais bem-sucedido álbum do Village People, atingindo o 3º lugar nos EUA.

O baile não podia parar, e dessa forma, saiu em 26 de março de 1979 Go West, quando o álbum anterior ainda repercutia bem. E deu certo, pois atingiu o 8º posto entre os álbuns, com hits como I Wanna Shake Your Hand (ouça aqui) e a faixa-título (ouça aqui), que nos anos 1990 seria regravada com sucesso pelo Pet Shop Boys.

A faixa mais marcante, no entanto, foi In The Navy (ouça aqui), com clipe valendo-se de navios da marinha norte-americana e que chegou a ser cogitada para uso em campanha para alistamento, o que acabou sendo vetado em cima da hora. Um hit delicioso com sua marcação de palmas que chegou ao nº 3 na parada de singles estadunidense.

A partir daqui, as coisas começaram a se complicar para o “Povo do Vilarejo”. De um lado, surgiu o abominável movimento Disco Sucks, capitaneado por DJs e roqueiros ressentidos com o sucesso da disco music, cujos astros eram frequentemente mulheres, gays e latinos. Puro preconceito.

Do outro, o desgaste provocado pelo excesso de exposição na mídia da disco music, e também do caráter derivativo de diversas gravações do gênero neste período, repletas de produtores e artistas oportunistas querendo faturar em cima do “som da moda”.

É em meio a esse clima de desgaste e hostilidade que Morali e Belolo tentam dar uma sacudida e inovada com o lançamento, em setembro de 1979, do álbum duplo Live And Sleazy. Um LP trazia a gravação de um caloroso show ao vivo do Village People, com versões quentes dos hits e marcando a inesperada despedida do vocalista Victor Willis.

Embalado pelo sucesso com o grupo, Willis queria sair fora do universo disco e brilhar sozinho. Ele gravou naquele mesmo 1979 o álbum Solo Man, com músicas de sua autoria investindo no funk e na soul music. Este trabalho, no entanto, só foi lançado em 2015.

O outro LP, gravado em estúdio, trazia a presença de Ray Simpson, substituto de Willis e irmão da consagrada cantora e compositora Valerie Simpson (do duo Ashford & Simpson). O repertório tentava dar uma inovada no estilo, especialmente no rock disco Sleasy (ouça aqui), com o operário David Hodo no vocal principal.

O álbum teve uma performance inferior aos anteriores, atingindo o nº 32 na parada pop. Seu único single de sucesso foi a curiosa e pouco profética Ready For The 80’s (ouça aqui), que com Simpson no vocal líder atingiu o nº 52 na parada pop. Seria o último hit deles nos EUA.

Naquele mesmo e agitado 1979, Morali e Belolo se associaram a Alan Carr, produtor do filme Grease (1978), para criar um filme estrelado pelo Village People e com os atores Steve Guttenberg (famoso depois com os Loucademias de Polícia) e Valerie Perrine (de Lenny e Superman 1 e 2).

Apropriadamente intitulado Can’t Stop The Music (alusão à produtora de Morali e Belolo e ao preconceito contra a disco), o longa-metragem foi lançado em maio de 1980, quando a disco music rolava ladeira abaixo, e fracassou miseravelmente nas bilheterias.

A trilha sonora, no entanto, até que não foi tão mal, atingindo o nº 47 nos EUA e um surpreendente nº 9 no Reino Unido. Das 10 faixas, 5 são com o Village People. Entre elas, Can’t Stop The Music (ouça aqui), sucesso no Reino Unido e no Brasil, o maior na voz de Ray Simpson, que na trilha também releu YMCA, em versão inferior à original (ouça aqui).

Temos duas curiosidade neste álbum. Uma é uma tentativa de trazer nova energia para a The Ritchie Family, que comparece com três faixas, entre elas Give Me a Break (ouça aqui), muito legal, mas que infelizmente não foi muito bem nas paradas de sucessos.

A outra fica por conta de um cantor de nome David London, que interpretou as músicas The Sound Of The City (que fez sucesso no Brasil ouça aqui) e Samantha. E ele tem uma história curiosa que vale contar rapidinho por aqui.

London, na verdade, era o pseudônimo que o cantor e compositor Dennis Frederiksen (1951-2014) usava nas gravações que fez de disco music, pois tinha vergonha do estilo pelo fato de na verdade ser um artista de rock, que compôs e participou de gravações de bandas como Survivor, Toto, Trillion e LeRoux, além de ter lançado trabalhos solo também.

Bem, o que fazer com o Village People após o fracasso de Can’t Stop The Music e a queda da disco music? Seus produtores apostaram em uma solução radical. Pra começo de conversa, os integrantes trocaram seus trajes habituais e passaram a se vestir inspirados nas então efervescentes new wave e new romantic, usando roupas coloridas e cabelos da moda de então.

Em termos musicais, então, a troca foi ainda mais brusca, deixando a batida disco de lado e mergulhando de cabeça na new wave e no soft rock. Na nova banda de apoio e também ajudando a compor algumas músicas, o baixista Howie Epstein (1955-2003), que em 1982 substituiu Ron Blair na seminal banda Tom Petty and The Hearbreakers.

O álbum resultante dessa verdadeira metamorfose, Renaissance, saiu em junho de 1981, e é desconcertante e paradoxal. As músicas são boas e os arranjos, excelentes, mas é totalmente diferente do Village People. Perdeu a alma, a célula mater do grupo. Se tivesse sido lançado por um grupo novo, quem sabe estourasse, mas com eles, não passou do nº 138 nos EUA.

Do You Wanna Spend The Night (ouça aqui), por exemplo, não teria feito feio em um disco dos Eagles ou da Little River Band, com sua levada soft rock animadona. Ótima! Por sua vez, Food Fight (ouça aqui) poderia ter integrado um disco da banda new wave americana Devo. E por aí vai.

O grupo se esforçou para divulgar a sua nova fase, e até marcou presença em janeiro de 1982 como uma das atrações do tradicional Festival de San Remo, na Itália, tocando em um intervalo das apresentações dos concorrentes (veja aqui). Mas nada foi capaz de tornar o Village People new wave/new romantic bem-sucedido em termos comerciais.

Após mais um fracasso, a tentativa seguinte foi um retorno de Victor Willis, que gravou com a banda o álbum Fox On The Box, lançado em julho de 1982 e que curiosamente não saiu na época nos EUA, França e Reino Unido. O fracasso do LP, uma aposta meio furada na sonoridade r&b de então, a la Prince e quetais, levou Willis a sair mais uma vez.

Em 1985, com Ray Stephens no vocal principal, o grupo nos ofereceu o peculiar Sex Over The Phone, cuja faixa-título (veja o clipe aqui) se inspirava de forma premonitória no sexo feito de forma remota, quando a Aids se tornava uma triste realidade. O clipe é hilariante e bizarro.

Com mais um fracasso nas costas, e por outras razões que abordarei mais à frente, Jacques Morali e Henri Belolo abriram mão do Village People em 1985. A banda voltou cerca de três anos depois, comandada por alguns de seus ex-integrantes (entre eles Ray Simpson), usando novamente os trajes de sua fase áurea e focando nos shows reverenciado a era da disco music.

Além de Village People e The Ritchie Family, a Can’t Stop Production investiu em mais dois artistas que valem ser enfocados. Um deles é o cantor e compositor suíço radicado na França Patrick Juvet (1950-2021), sobre o qual Mondo Pop fez um extenso texto quando de sua morte (leia aqui).

O outro é um caso mais curioso. Trata-se de Dennis Parker (1946-1985), nome usado no meio musical pelo ator americano Dennis Posa, também conhecido pela alcunha de Wade Nichols nos filmes pornôs de que participou. Como ator, ele viveu o papel do chefe policial Derek Mallory na série televisiva The Edge Of Night entre 1979 e 1984.

Posa/Nichols/Parker namorou com Jacques Morali, que resolveu apostar em uma carreira musical para ele. Valendo-se basicamente da mesma equipe que atuava nos discos do Village People e da fase final da The Ritchie Family, ele colocou o namorado em estúdio. No dia 1º de março de 1979, saía o fruto desse projeto, o álbum Like An Eagle, surpreendentemente bom.

Tudo bem, a voz de Parker é bem limitada e com pouca extensão, mas os produtores souberam encaixá-la de forma a não atrapalhar as músicas. Na espetacular faixa-título, por exemplo (ouça aqui), sua interpretação sussurrante e sensual se encaixa bem no clima disco midtempo, tornando-a um envolvente clássico cult das pistas de dança.

As faixas mais conhecidas são as excelentes Why Don’t You Boogie e I’m a Dancer, que no álbum aparecem em sequência sem interrupções (ouça aqui) e que poderiam ter figurado sem fazer feio nos melhores álbuns do Village People, pois tem aquele estilo contagiante.

O álbum teve sucesso bastante restrito ao público disco mais fiel, mas teve boa repercussão no Brasil, inclusive trazendo o cantor para cá com a missão de participar de alguns programas de TV e rádio. I’m a Dancer foi incluída na trilha sonora da novela global Marrom Glacê (1979).

A carreira de Dennis Parker como cantor se resumiu a este álbum, provavelmente pelo sucesso comercial reduzido e também pelo fim do seu namoro com Morali. Infelizmente uma das primeiras vítimas famosas do vírus HIV, eles nos deixou em 28 de janeiro de 1985 com apenas 34 anos.

E é exatamente aí que entra o porque a parceria que gerou tantos hits se encerrou. Em 1985, Jacques Morali também foi diagnosticado com o vírus HIV, e a partir daí saiu de cena, com Belolo voltando ao esquema antigo de licenciar músicas para o mercado francês, especialmente hits dançantes. Morali nos deixou em 15 de novembro de 1991.

Embora menos do que produtores contemporâneos, Morali e Belolo também colaboraram com outros artistas. A diva Cher, por exemplo, gravou em 1982 uma música deles, Rudy (ouça aqui), no álbum I Paralize (1982), canção anteriormente gravada em francês pela estrela franco-egípcia Dalida.

Belolo e Morali só atuaram em um único projeto fora do universo da disco music. Foi com o trio de rap/hip hop Break Machine, liderado pelo também compositor Keith Rogers. O álbum produzido por eles para o grupo passou batido nos EUA, mas o single Stree Dance (ouça aqui) chegou ao 3º lugar no Reino Unido em 1984 e é muito bom.

Morali também produziu e compôs músicas para o álbum I Love Men (1984), da célebre cantora e atriz americana Eartha Kitt (1927-2008), mais conhecida no Brasil por ter sido a Mulher Gato na série de TV Batman, nos anos 1960. A faixa-título é ótima, assim como o clipe (veja aqui).

Após o fim da parceria do Village People com Jacques Morali e Henri Belolo, seis de seus integrantes, entre eles Ray Simpson, criaram em 1987 a produtora Sixuvus. A partir daí, eles passaram a fazer shows pelos quatro cantos do mundo, com o visual da fase clássica.

Conseguiram, dessa forma, manter o nome do grupo ativo, participando de programas de TV e lançando eventuais singles, entre eles um, bizarro, com a seleção da Alemanha que disputou a Copa do Mundo de 1994 nos EUA, Far Away In America (veja o clipe aqui ).

Enquanto isso, seu antigo vocalista, Victor Willis, envolveu-se com drogas e chegou a ser preso e depois internado em uma clínica de reabilitação para se livrar do vício. As coisas começaram a melhorar para ele, curiosamente, a partir de 2012, quando ganhou o primeiro processo na justiça americana pelos direitos sobre as músicas que escreveu com o Village People.

Essa pendenga jurídica acabou em 2017, quando Willis não só conseguiu ficar com a parcela de direitos autorais antes destinados a Henri Belolo como de quebra passou a ser o dono dos direitos da utilização da marca Village People para shows, passando a perna na Sixuvus.

Desde então, o Village People passou a ter Victor Willis como seu vocalista principal novamente e cinco coadjuvantes escolhidos para dar apoio a ele nos shows. O grupo gravou em 2018 um álbum inédito, A Village People Christmas, com músicas natalinas assinadas por Willis.

YMCA (clipe oficial)- The Village People:

Thom Bell, 79 anos, autor e um arranjador de belas canções

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Por Fabian Chacur

Quando o meu saudoso irmão Victor chegou em casa há longínquos 50 anos com o compacto simples de I’ll Be Around, do grupo vocal americanos The Spinners (ouça aqui), eu não imaginava que ficaria simplesmente fascinado com aquela canção. E também não sabia que aquele era o meu primeiro contato com o seu autor, Thom Bell, que infelizmente nos deixou nesta quinta-feira (22) aos 79 anos. Um nome presente em vários clássicos da música pop, como você verá a seguir.

Nascido em Kingston, Jamaica, em 26 de janeiro de 1943, Thom Bell veio com a família para os EUA com apenas 4 anos de idade. Ainda criança, começou a tocar piano, e logo ficou claro que a música era o seu caminho em termos profissionais. E não demorou a mergulhar nos estudos.

Ele queria ser um músico erudito, e se preparou para tal, mas com o tempo percebeu que a música popular poderia ser mais promissora. No entanto, não deixou de lado as lições que assimilou no aprendizado formal, e isso lhe deu um bom diferencial em relação aos colegas.

Amigo de infância e adolescência de um certo Kenny Gamble na cidade de Filadélfia, ele começou a carreira como músico ao trabalhar na gravadora local Cameo-Parkway, e acompanhou em shows, como pianista e maestro, o então muito bem sucedido Chubby Checker, o rei do twist.

Seu primeiro grande momento na cena da soul music ocorreu no fim dos anos 1960 com seu envolvimento com o grupo The Delfonics, para o qual escreveu e arranjou hits marcantes La-La (Means I Love You) (ouça aqui), que em 1994 foi relida com maestria com o Swing Out Sister (ouça aqui).

É aqui que volta à sua vida o amigo Kenny Gamble, que também enveredou pela música e fez uma sólida parceria com o músico Leon Huff, com o qual criou a gravadora Philadelphia Internacional Records (PIR). Ele criou uma editora junto com os amigos, e também se tornou um arranjador e compositor do selo. Mas preferiu não se prender em um contrato, para ficar livre para trabalhar para outras empresas.

E embora tenha feito muitas coisas boas para a PIR, entre elas o arranjo da clássica Backstabbers, gravada pelos The O’Jays (ouça aqui), seus trabalhos de maior sucesso foram para outras gravadoras.

Para o selo AVCO, por exemplo, ele compôs e produziu canções em parceria com a letrista Linda Creed para o icônico grupo vocal The Stylistics, canções que até hoje entram nos set lists de bailes black, entre as quais You Make Me Feel Brand New (ouça aqui), You Are Everything (ouça aqui) e Stop Look Listen (To Your Heart) (ouça aqui).

Para a Atlantic Records, produziu e compôs para os Spinners hits como a já citada I’ll Be Around, Could It Be I’m Falling In Love (essa, “só” produziu e arranjou- ouça aqui) e Them Came You– dueto com Dionne Warwick com arranjos e produção a cargo dele (ouça aqui).

Em 1977, Thom Bell trabalhou com Elton John em gravações que inicialmente foram lançadas em 1979 no formato single com o título The Thom Bell Sessions, com três músicas, e em 1989, com seis faixas e o título The Complete Thom Bell Sessions, já em plena era do CD.

Os destaques são as maravilhosas faixas Are You Ready For Love (Thom Bell, Leroy Bell e Casey James), Mama Can’t Buy You Love (Leroy Bell e Casey James, ouça aqui) e Nice and Slow (Thom Bell- Elton John- Bernie Taupin- ouça aqui), com arranjos matadores e a produção de Thom perfeita.

Além dos artistas já citados, Thom Bell trabalho com nomes do porte de Dionne Warwick (em discos solo dela), Johnny Mathis, Dusty Springfield, Laura Nyro & Labelle e Phillys Hyman. A partir dos anos 1990, ele se tornou mais recluso, vez por outra aceitando trabalhos como um com a cantora britânica Joss Stone.

Sempre que era acusado por alguns colegas da área musical de usar elementos sonoros distantes da soul music, ele tinha a resposta perfeita na ponta dos lábios: “eu não faço soul music ou r&b, eu faço música”. Deixando, dessa forma, bem claro que música boa não tem fronteiras.

Saibam que este é apenas um resumo feito a toque de caixa da obra desse grande Thom Bell. Tem muito mais por aí. Faça um favor a você e mergulhe nessa linda obra de um compositor, produtor e arranjador que acima de tudo amava a música e a fazia em primeiro lugar por puro prazer.

Are You Ready For Love (clipe)- Elton John:

Christine McVie, 79 anos, uma integrante do Fleetwood Mac

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Por Fabian Chacur

Em junho deste ano, foi lançada a coletânea Songbird- A Solo Collection (leia sobre este álbum aqui), a primeira dedicada à carreira-solo de Christine McVie. Infelizmente, foi o último trabalho lançado pela também cantora e compositora da banda Fleetwood Mac, que nos deixou nesta quarta-feira (30/11) aos 79 anos.

A informação foi divulgada nas redes sociais através de seus familiares, dizendo que ela partiu em paz após um período de internação e vitima de uma curta doença não revelada aos seus fãs.

Nascida em 12 de julho de 1943 na Inglaterra. ela começou a se tornar conhecida na cena musical do Reino Unido ao integrar a banda Chicken Shack, com quem gravou dois álbuns entre 1967 e 1969. Ela saiu do grupo e começou um flerte com outra banda que vivia seus primeiros tempos de sucesso na mesma época. o Fleetwood Mac. A ligação foi musical e afetiva, pois ela se casou em 1968 com seu baixista, John McVie.

Antes de entrar efetivamente na banda, ela lançou o seu primeiro álbum solo, que levou o seu nome de solteira, Christine Perfect (1970), trabalho no qual regravou o clássico do blues I’d Rather Go Blind, hit de Etta James que ela já havia gravado com a sua banda anterior, sendo a vocalista principal.

Christine participou como convidada dos álbuns Mr. Wonderful (1968) e Kiln House (1970), sendo que neste último foi a autora da pintura que ilustra a sua capa. No trabalho seguinte, Future Games (19710, Christine McVie foi enfim efetivada como tecladista e vocalista do FM. Embora tenha base blueseira também, ela certamente ajudou e muito a banda na sua transição para uma sonoridade um pouco mais pop e melódica.

Ela topou, junto com os fundadores da banda, o marido John e o baterista Mick Fleetwood, a encarar a mudança em 1974 para os EUA. E foi lá que o grupo encontrou o guitarrista e vocalista Lindsey Buckingham e a cantora Stevie Nicks, que com os três britânicos integrou a formação mais bem-sucedida do grupo em termos comerciais e para muitos também artística (estou entre os que pensam assim).

Entre 1975 e 1987, o Fleetwood Mac se tornou uma das mais bem-sucedidas bandas de rock do mundo, graças a álbuns impactantes como Fleetwood Mac (1975), Rumours (1977). Tusk (1979) e Mirage (1982). Neles, Christine se destacou como cantora e compositora, em hits como Say You Love Me, You Make Loving Fun, Songbird, Hold Me e Everywhere, além de encaixar com categoria seus vocais e teclados nas canções dos colegas.

Além do trabalho com a banda, ela lançou mais dois discos solo, Christine McVie (1984), com o hit Got a Hold On Me, e In The Meantime (2004), este seu único lançamento em um longo período longe do Fleetwood Mac, entre 1998 e 2013. Ela também lançou um excelente álbum em parceria com o Lindsey Buckingham em 2017 (leia a resenha aqui).

Depois de se separar de John McVie em 1976, Christine ainda conseguiu trabalhar com o ex-marido, mesmo tendo alguns perrengues com ele, alguns inspiradores de canções do célebre álbum Rumours, o mais famoso da banda. Um dos pontos altos da recente coletânea é uma versão de Songbird, um de seus clássicos do Fleetwood Mac, acrescido de um belíssimo arranjo de cordas, que acaba soando como uma bela despedida dela de cena.

Songbird (nova versão)- Christine McVie:

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