Mondo Pop

O pop de ontem, hoje, e amanhã...

Category: Grandes nomes esquecidos (page 1 of 12)

Private Eyes (1981/RCA), o auge de Daryl Hall & John Oates

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Por Fabian Chacur

Daryl Hall e John Oates se conheceram quase que por acaso, em 1967. Eles participavam de um concurso de bandas em sua cidade natal, Filadélfia (EUA), e, ao fugirem de um quebra-pau generalizado entre gangues presentes, foram parar em um elevador. Do agradável papo informal entre eles, surgiria uma sólida amizade que os levou a criar a dupla, anos depois. Em 1972, saiu o seu primeiro álbum, Whole Oats.

Sempre ativos e inquietos, eles mergulharam a partir dali em uma trajetória recheada de altos e baixos, sem medo de experimentar e também de pagar em termos comerciais por tal ousadia. Em 1977, emplacaram seu primeiro single no 1º lugar da parada americana, Rich Girl, e passaram a tocar em grandes espaços, com sua mistura de rock, soul, pop e folk. Trabalharam com vários produtores, entre os quais os seminais Arif Mardin e Todd Rundgren.

Após gravarem com o então iniciante David Foster os álbuns Along The Red Edge (1978) e X-Static (1980), eles foram aconselhados pelo produtor (depois consagrado por seus trabalhos com Earth, Wind & Fire, Céline Dion e Michael Bublé, entre outros) a encarar o desafio da autoprodução. E os caras resolveram tentar, para ver no que dava.

Para não darem um pulo no escuro, convidaram o britânico Neil Kernon, que tinha no currículo gravações como engenheiro de som e mixador para artistas como David Bowie, Elton John, Supertramp, Marc Bolan, Neil Sedaka, The Mahavishnu Orchestra e Yes, para ser o seu braço direito na realização do álbum Voices (1980). E deu super certo!

Voices atingiu o 17º lugar na parada americana, seu melhor resultado com um álbum até aquele momento, e de quebra lhes proporcionou o seu segundo single no nº 1 nos EUA, Kiss On My List. Essa faixa chegou ao topo da parada ianque em junho de 1981, exatamente quando Hall & Oates estavam em meio às gravações do sucessor de Voices.

Com Kernon promovido à condição de coprodutor, eles também centraram esforços no sentido de contar com músicos que integravam a sua banda de apoio nas gravações, entre os quais o guitarrista G.E. Smith e o saxofonista Charlie De Chant, atitude que lhes ajudou a criar um som realmente de banda, muito mais coeso e com assinatura própria.

O estouro de Kiss On My List durante as gravações gerou consequências. Deve ter ficado claro para o duo que eles precisariam ter outra música nesta mesma direção no novo trabalho. E, desta forma, surgiu Private Eyes, que não existia quando o repertório inicial foi selecionado. E aí, vale destacar duas importantes auxiliares no trabalho da dupla.

Sara Allen, namorada durante mais de 20 anos de Daryl Hall e a musa inspiradora do maravilhoso hit Sara Smile (de 1975), não demorou a se tornar uma parceira constante nas composições da dupla, ajudando nas letras. E, junto com ela, trouxe a irmã, a também compositora Janna (1957-1993), que passou a colaborar em termos musicais. E foi exatamente ela quem trouxe o material que gerou essa nova canção.

Segundo depoimento de Hall no livreto da caixa Do What You Want Be What You Are (2009), tal música foi praticamente feita por completo por Janna, sendo que ele, Sara e Warren Pash deram os retoques finais. E que golaço! Private Eyes não só ficou com a mesma vibração e linha musical de Kiss On My List (e sem soar como mera cópia) como foi ainda melhor.

Essa música virou a faixa-título do álbum, que naquela altura do campeonato estava cotado para levar o nome de outra faixa bacana, Head Above Water. Mais: no formato single, deu à dupla a sua 3ª canção nº 1 nos EUA, liderando os charts de lá durante duas semanas no mês de novembro de 1981, divulgada por um clipe simples e divertido no qual a dupla e seus músicos usam sobretudos típicos de detetives particulares (veja o clipe aqui).

Curiosamente, o outro grande hit deste álbum, I Can’t Go For That (No Can Do), também surgiu de forma inesperada. Após uma longa sessão de gravações, com os músicos já devidamente dispensados, Daryl ficou brincando com uma nova bateria eletrônica que havia adquirido há pouco, a Roland CompuRhythm. Ao curtir uma determinada levada rítmica, começou a fazer uns riffs com um teclado. E gostou do que ouviu.

Ele teve duas reações imediatas. Uma foi pedir para Neil Kernon se preparar para gravar o que ele estava fazendo, e outra foi chamar correndo John Oates, que já estava colocando a guitarra no estojo, para lhe dar uma força. E foi dessa forma que saiu a gravação dessa música, que depois ganhou um marcante e icônico solo de sax de Charlie De Chant.

Com sua batida hipnótica e sonoridade minimalista e inovadora, I Can’t Go For That (No Can Do) (veja o clipe aqui) se tornou o 4º single nº1 da dupla, atingindo essa posição em 30 de janeiro de 1982. Curiosamente, essa música conseguiu tirar do topo dos charts americanos Physical, o mega-hit de Olivia Newton-John, que se manteve por 10 semanas consecutivas nessa posição, cujo posto por sua vez tomou justamente de Private Eyes!

Private Eyes, gerou mais dois hit singles. O pop rock no melhor estilo new wave Did It in a Minute atingiu a posição de nº9 nos charts americanos em maio de 1982, enquanto o delicioso rock balançado Your Imagination, com outra participação matadora de Charlie De Chant no sax, chegou ao 33º lugar em agosto daquele mesmo ano. Mas o álbum também tem coisas ótimas entre as músicas restantes.

Em todo álbum da dupla, John Oates sempre ficava com uma ou duas músicas nas quais era o vocalista principal. Neste aqui, tivemos duas bem legais. Mano a Mano, com uma letra que prega o companheirismo e a solidariedade entre as pessoas, é um rock com levada meio latina que não faria feio em um disco de Carlos Santana. Já Friday Let Me Down segue a linha new wave, com pique bem rapidinho e dançante.

Uma das grandes e assumidas influências de Daryl Hall foram os Temptations. Tanto que o primeiro grupo dele se chamava The Temptones, e inclusive chegaram a abrir shows para eles. Como forma de homenageá-los, ele escreveu Looking For a Good Sign, encantadora canção no melhor estilo Motown dos anos 1960, e que no encarte do álbum é dedicada aos cinco integrantes da formação clássica daquele grupo.

Head Above Water perdeu a honra de ser a faixa-título do álbum e nem single virou, mas é um rockão energético dos melhores. Uma curiosidade: quando se imaginava a capa do álbum com essa música como título, surgiu a sugestão de se escrever Head Above H20. E o LP seguinte de Daryl Hall & John Oates foi intitulado…. H20 (1982)!

Com batida midtempo e belas intervenções de guitarra de G.E. Smith, Unguarded Minute foi o lado B do compacto I Can’t Go For That (No Can Do), e soa como uma espécie de hit que não foi, de tão boa. Tell Me What You Want também segue a levada new wave, enquanto Some Man encerra o álbum com uma sonoridade pop mais experimental e das mais interessantes.

Este álbum atingiu o maior posto de um LP/CD na carreira da banda nos EUA, o 5º lugar, conquistando o 8º posto no Reino Unido. Private Eyes é a prova cabal de como é possível fazer um trabalho ao mesmo tempo criativo, com assinatura própria e também capaz de vender milhões de discos. Eis a magia no trabalho de Hall & Oates, que sempre trabalharam duro e conseguiram realizar os seus objetivos.

Ficha técnica do álbum Private Eyes:

Lançado em 1º de setembro de 1981 pela RCA.

Produzido por Daryl Hall & John Oates, coprodução de Neil Kernon

Músicos participantes:

Daryl Hall (vocal, teclados, sintetizadores, guitarra, mandar, mandola, mandocella, timbales e cumpurythm; John Oates (vocal, guitarra, mandar, teclados); G.E. Smith (guitarra solo e solos de vandaloo); Jerry Marotta (bateria); John Siegler (baixo); Charlie De Chant (sax); Larry Fast (sintetizadores, programações eletrônicas); Mickey Curry (bateria nas faixas 1,2,4 e 6); Chuck Burgi (bateria na faixa 10); Jeff Southworth (solo de guitarra na faixa 9); Ray Gomez (solo de guitarra na faixa 3); Jimmy Maelen (percussão); John Jarrett (vocais de apoio na faixa 4).

Faixas:

1- Private Eyes (Sara Allen- Janna Allen- Daryl Hall- Warren Pash)

2- Looking For a Good Sign (Daryl Hall)

3- I Can’t Go For That (No Can Do) (Daryl Hall- John Oates- Sara Allen)

4- Mano a Mano (John Oates)

5- Did It In a Minute (Daryl Hall- Janna Allen- Sara Allen)

6- Head Above Water (Daryl Hall- John Oates- Sara Allen)

7- Tell Me What You Want (Daryl Hall- Sara Allen)

8- Friday Let Me Down (Daryl Hall- John Oates- Sara Allen)

9- Unguarded Minute (Daryl Hall- John Oates- Sara Allen)

10- Your Imagination (Daryl Hall)

11- Some Man (Daryl Hall)

Private Eyes- ouça em streaming o álbum completo:

Dominguinhos é homenageado com série de shows em Sampa

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Por Fabian Chacur

Entre os grandes discípulos do icônico Luiz Gonzaga, Dominguinhos (1941-2013) foi sem sombra de dúvidas o maior. Apadrinhado artisticamente pelo genial Lua, este cantor, compositor e sanfoneiro pernambucano nos deixou um belo legado artístico. Que será devidamente celebrado de 12 de maio a 16 de junho, na programação intitulada Toda Quinta, criada pelo Projeto Memória Brasileira. O elenco traz músicos de diversas gerações, e todos tocarão músicas do rico repertório desse saudoso mestre.

A abertura ficará a cargo de Mariana Aydar, cantora e compositora que teve forte ligação com Dominguinhos, incluindo a realização de um documentário sobre o artista. Anastácia, que foi esposa e parceira musical dele, terá a missão de encerrar a programação, interpretando iluminadas canções que compôs com o artista pernambucano, incluindo Eu Só Quero um Xodó e Tenho Sede. E a ótima cantora Liv Moraes é filha do homenageado.

Embora fortemente ligado às raízes da cultura brasileira, Dominguinhos sempre teve a mente aberta, e incorporou elementos de jazz e outros estilos musicais ao seu jeito de tocar, tornando-se dessa forma um músico respeitado internacionalmente, tanto na carreira individual como acompanhando artistas do calibre de Gal Costa e Gilberto Gil, só para citar dois deles. E era uma simpatia de pessoa, sempre alegrando a todos com suas histórias de uma trajetória vivida com muita intensidade e amor.

A programação de Toda Quinta(shows sempre às 20h):

Mariana Aydar – dia 12 de maio.
Liv Moraes e Cosme Vieira – dia 19 de maio.
Mestrinho e Lulinha Alencar – dia 26 de maio.
Tiganá Santana e Luisa Maita – dia 2 de junho
Elba Ramalho e Toninho Ferragutti – dia 9 de junho.
Anastácia – dia 16 de junho.

Sanfona Sentida (ao vivo)- Dominguinhos, Mariana Aydar e Duani:

Ruy Maurity, 72 anos, um craque da música popular brasileira

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Por Fabian Chacur

Em 1976, quando tinha apenas 15 anos, comprei um compacto simples de um certo Ruy Maurity, com Nem Ouro Nem Prata de um lado (ouça aqui) e Bebemorando do outro (ouça aqui). Era o começo da minha admiração por esse talentosíssimo cantor, compositor e músico fluminense que infelizmente nos deixou aos 72 anos de idade na madrugada desta sexta-feira (1º), após duas semanas na UTI e vítima de duas paradas cardíacas. Um artista do primeiro escalão da nossa música.

Irmão de outro monstro sagrado da nossa música, o cantor, compositor, músico e maestro Antonio Adolfo, Ruy Maurity nasceu na cidade fluminense de Paraíba do Sul em 12 de dezembro de 1949. Sua primeira aparição mais destacada no meio musical foi em 1970 ao vencer o Festival Universitário do Rio de Janeiro com a música Dia Cinco, escrita por ele com José Jorge, seu parceiro fiel na maior parte das canções que escreveu. Neste mesmo ano, saiu o seu primeiro LP, Este é Ruy Maurity, o início de uma belíssima trajetória.

Em 1971, estourou nacionalmente com Serafim e seus Filhos, belíssima canção com raízes rurais e uma espécie de precursora do chamado rock rural brasileiro. Tocou muito nas rádios, e posteriormente mereceu regravações de sucesso nas vozes de Sérgio Reis, Zezé di Camargo & Luciano e diversos outros intérpretes, especialmente na área sertaneja.

Várias canções de Ruy entraram em trilhas sonoras de novelas globais, entre elas Menina do Mato (ouça aqui), que marcou presença em O Casarão (1976) na interpretação de Márcio Lott (ouça aqui) e A Xepa, tema de abertura de Dona Xepa (1977- ouça aqui).

Em 1976, escreveu e gravou Marcas do Que Seu Foi (ouça aqui), que seria apenas a trilha de uma campanha publicitária de ano novo. No entanto, a música, belíssima, marcou tanto que foi lançada tanto com o autor como com o grupo The Fevers, e é frequentemente relembrada nesses períodos anos. Você conhece: “este ano, quero paz no meu coração…”.

Nos ótimos trabalhos que lançaria até o início da década de 1980, podemos destacar, entre outras possíveis, canções deliciosas como Bananeira Mangará (ouça aqui), Batismo dos Bichos (ouça aqui -versão de José Jorge para God Gave Name To All The Animals, canção de Bob Dylan lançada por ele em 1979 no LP Slow Train Coming) e A Natureza (ouça aqui).

O estilo musical de Ruy Maurity foi uma felicíssima mistura de vários elementos da cultura musical brasileira, e pode-se ver nele pioneirismo em pelo menos duas delas, o rock rural e, acredite, a axé music. Pois ouça Nem Ouro Nem Prata e perceba nela nítidos elementos percussivos e rítmicos que seriam explorados pelos músicos baianos dos anos 1980, tipo Luis Caldas e Jerônimo…

A partir da década de 1980, Maurity deu uma sumida de cena, com aparições bastante eventuais. Curiosamente, tive a honra de ser seu amigo na rede social Facebook, onde ele sempre se manifestava de forma simpática quando abordado pelos inúmeros fãs. Pensei seriamente em tentar entrevistá-lo, como recentemente fiz com seu irmão Antonio Adolfo, mas vacilei feio. Infelizmente, agora não rola mais. Mas ficam as lembranças deixadas por suas belas canções, sempre inspiradas. Ele se foi, mas nos deixou marcas positivas que estarão presentes em todos os nossos sonhos.

Serafim e Seus Filhos– Ruy Maurity:

The Waterboys divulgam single psicodélico Here We Go Again

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Por Fabian Chacur

Uma das bandas mais marcantes do rock alternativo dos anos 1980, The Waterboys andam em uma fase bem produtiva. Após lançar o elogiado álbum Good Luck Seeker (2020), o time liderado pelo cantor, compositor e músico britânico Mike Scott anuncia para o dia 6 de maio um novo álbum, All Souls Hills, que sairá pelo selo Cooking Vinyl. Para atiçar o ouvido dos fãs, acaba de sair o delicioso e hipnótico single Here We Go Again, divulgado por um clipe psicodélico no qual Scott lembra vagamente o saudoso Paul Kantner, do Jefferson Airplane.

Em texto enviado à imprensa, Mike Scott fala sobre seu novo single: “É a ideia de que estamos vivendo um Dia da Marmota comunal. Estamos todos olhando para as manchetes, mas ninguém parece aprender as lições. Como cultura, continuamos cometendo os mesmos erros. É um olhar irônico sobre os humanos não serem tão inteligentes. E, ainda assim, eu me divirto sendo um.”

Com uma sonoridade que mistura rock, folk, country e psicodelia com muita habilidade, e ecos dos trabalhos de John Lennon, Bob Dylan e outros desse mesmo gabarito, The Waterboys marcaram o rock oitentista com álbuns do naipe de This Is The Sea (1985) e Fisherman’s Blues (1988). Entre suas músicas mais icônicas, vale lembrar de The Whole Of The Moon (ouça aqui), Medicine Bow (ouça aqui) e Fisherman’s Blues (ouça aqui)

Here We Go Again(clipe)- The Waterboys:

Julio Reny, um segredo gaúcho que você pode descobrir agora

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Por Fabian Chacur

Julio Reny. Sabe de quem se trata? Não se sinta o último dos mortais se a resposta for não. Embora esteja na estrada há mais de 40 anos, este cantor, compositor e músico gaúcho nunca teve seu trabalho muito divulgado fora das fronteiras do seu estado natal, sempre em lançamentos independentes ou por selos de pequeno porte. O curioso é que suas canções tem aquele evidente potencial de agradar às massas, o que fica evidente em seu novo lançamento, A Estrada Corre Para Sempre, disponível nas plataformas digitais e em caprichada edição em CD pelo selo independente Produto Oficial (compre por aqui).

Vários fatores podem explicar o porque o trabalho de Reny é uma espécie de segredo bem guardado do pop-rock gaudério. Falta de habilidade para lidar com gravadoras e empresários, falta de sorte em momentos decisivos, especialmente na década de 1980, quando vários colegas e amigos conseguiram projeção nacional (Engenheiros do Hawaii, Replicantes, Defalla, Garotos da Rua) e instabilidade pessoal são alguns deles. Mas a qualidade de seu trabalho merecia um reconhecimento muito, mas muito maior.

Para quem quiser conhecer a quase inacreditável história desse artista, recomendo com entusiasmo Histórias de Amor & Morte, espetacular bio escrito pelo jornalista Cristiano Bastos, o mesmo autor (ao lado de Pedro Brandt) de Júpiter Maça A Efervescente Vida e Obra (leia a resenha aqui) que relata essa trajetória de forma crua e sem meias-palavras. Foi o merecido vencedor do prestigiado Prêmio Açorianos de Literatura de 2015 (compre esse livro com o próprio autor pelo whatsapp (51)982986277 ).

A Estrada Corre Para Sempre é uma coletânea que traz 14 faixas lançadas originalmente por Julio Reny entre 2006 e 2010. Temos quatro de Diários da Chuva (2006), seis de A Primavera do Gato Amarelo (2008) e outras quatro de Bola 8 (2010), os mais recentes trabalhos solo de inéditas do artista gaúcho. Como esses CDs passaram batido no resto do país, é como se essas canções estivessem tendo uma segunda chance para serem devidamente apreciadas. E tomara que consigam, pois são ótimas.

Uma definição possível para o trabalho de Reny como compositor seria “jovem guarda com pimenta”. A influência do Roberto Carlos da fase 1964-1972 é bem grande, mas digerida com um viés mais rocker, sem no entanto perder aquele tempero bom de se ouvir das canções pop radiofônicas. Da área popular, Odair José e Paulo Sérgio são outras possíveis referências. O romantismo rasgado e intenso de Serge Gainsbourg é outro elemento possível nessa mistura.

O resultado são canções muito boas de se ouvir, que teriam tomado de assalto as programações das rádios populares da década de 1970, por exemplo, se já existissem naquela época. Essas ótimas composições são conduzidas por um cantor simplesmente ótimo, que sabe como poucos interpretar esse repertório tão apaixonado sem cair em exageros ou em um clima de caricatura. O cara esbanja inspiração, paixão e estilo, em melodias deliciosas.

Escritas em sua maioria no fim de sua fase quarentona, as 14 músicas desta compilação denotam um autor maduro, craque no seu ofício e inspiradíssimo. Chove no Sul, por exemplo, é um folk-rock envolvente com um quê de Everybody’s Talkin’, hit na voz do cantor Nilsson. Rainha das Ruas cativa com sua mistura de reggae e pop que evoca momentos bacanas do Culture Club de Boy George.

Humberto Gessinger, que Reny conheceu nos tempos em que o líder dos Engenheiros do Hawaii era um ilustre desconhecido que ensaiava na garagem da sua casa, toca viola caipira na deliciosa Noite em São Sepé e se incumbe de gaita e de vocais no refrão da emocionante balada Tenha Fé. Vale lembrar que Reny participou da faixa Guardas da Fronteira, do álbum A Revolta dos Dândis (1987), um dos clássicos do grupo de Gessinger.

Linda Menina e O Dólar e a Rosa (esta em dueto com Alexandra Scotti) são sacudidos rocks básicos stonianos. Invisível e É Impossível são jovem guarda pura, com esta última (cuja letra é inspirada na separação de Julio de uma de suas ex-mulheres) com uma guitarra 12 cordas que parece extraída de um disco dos Beatles ou de Renato e Seus Blue Caps. Ficou o Filme é uma balada folk daquelas de cortar os pulsos. E por aí vai. E vai bem!

Embora enfoque um período bem específico de uma obra extensa, A Estrada Corre Para Sempre serve como um bom cartão de apresentações de um artista que tinha tudo para ser muito popular, mas cujos atalhos obscuros da vida o tornaram aquilo que se convencionou chamar de “cult”. Ainda dá tempo de se reverter tal processo. Quem sabe a trilha de um filme, de novela ou algo assim? Mas você pode descobrir Julio Reny agora mesmo. Faça isso!

Chove no Sul– Julio Reny:

Timmy Thomas, 77 anos, autor de um belo libelo pela paz mundial

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Por Fabian Chacur anos

No finalzinho de 1972, um verdadeiro libelo pela paz mundial tomou as programações de rádio de todo o mundo. Why Can’t We Live Together levou o seu autor, o cantor, compositor e músico Timmy Thomas, a atingir o 3º lugar na parada pop e o 1º posto no chart de r&b, vendendo só nos EUA mais de 2 milhões de cópias. Tido por alguns como um one hit wonder (maravilha de um sucesso só), ele, no entanto, tem uma história bem bacana. Thomas nos deixou nesta sexta (11) aos 77 anos de idade de causas não reveladas.

Timmy Thomas nasceu em Evansville, Indiana (EUA) em 13 de novembro de 1944. Jovem músico promissor, ele começou aprendendo e tocando ao lado de jazzistas do calibre de Cannonball Adderly e Donald Byrd. Em Memphis, Tennessee, tornou-se músico de estúdio, atuando em gravações para as gravadoras Sun, Stax e Goldwax. Ele também trabalhou como músico para as bandas The Mark-Keys e Phillip And The Faithfulls. Aí, resolveu mudar para Miami, Flórida, inicialmente para montar um barzinho.

Ele fez amizade em 1972 com o músico e compositor Noel “King Sporty” Williams, que depois ficaria mundialmente conhecido como o parceiro de Bob Marley no hit póstumo do rei do reggae Buffalo Soldier (lançada em 1983 no álbum Confrontation). Williams o levou ao estúdio da Glades, um dos vários selos ligados à TK Productions, do veterano Henry Stone. Com ele, Thomas trouxe o seu teclado marca Lowrey e uma precursora das baterias eletrônicas que dali a pouco tomariam conta das gravações, especialmente de dance music.

Cantando, tocando o órgão e valendo-se do ritmo eletrônico, o cantor deu vida a o que inicialmente seria apenas uma demo da canção que ele havia feito há pouco, inspirado pela Guerra do Vietnã. Ele explica melhor, em trecho de entrevista concedida à revista Blues & Soul em 1973:

“Escrevi essa letra baseada na minha frustração em relação ao que ocorria no mundo como um todo naquela época, questionando o porquê não podíamos viver juntos, sem guerra e em paz uns com os outros. Tive como inspiração um ritmo próximo ao da bossa nova, sendo que antes havia experimentado algo ainda mais latino”.

Quando a gravação ficou pronta, os técnicos envolvidos perceberam que a tal demo estava com qualidade para ser lançada do jeito que estava. A gravação ocorreu em agosto de 1972, e em outubro já começava a entrar com força nas programações das rádios. Em 27 de janeiro de 1973, Why Can’t We Live Together tirou nada menos do que Superstition, de Stevie Wonder, da ponta da parada ianque de r&b, mantendo-se lá por duas semanas. O single também atingiria o 3º lugar na parada pop, vendendo em solo americano mais de 2 milhões de cópias.

Tendo com lado B a deliciosa Funky Me (ouça aqui), o single Why Can’t We Live Together fez sucesso nos quatro cantos do mundo, Brasil incluso. Ele veio divulgar a música por aqui. E, em informação que consegui com o querido colega Zeca Azevedo, aproveitou para gravar um compacto duplo de vinil.

O disco, lançado pela Top Tape, traz Eu Só Quero Um Xodó (de Dominguinhos Anastácia e, na época, grande hit com Gilberto Gil- ouça a versão de Timmy Thomas aqui), cantado meio que na raça em português pelo artista e Tá Chegando a Hora (Cielito Lindo- ouça aqui), com um coral brasileiro nos vocais.

O single também trouxe duas canções inéditas feitas por Thomas especialmente para a ocasião, She’s a Rio Girl (ouça aqui) e I’ll Always Remember Brazil (ouça aqui), ambas bem dançantes e divertidas, com direito a cuíca e tudo, além de letras do tipo “turista encantado com o país que está visitando”.

Why Can’t We Live Together se tornou um clássico perene. Além do estouro da versão original, ela também teve diversas regravações, entre as quais de Sade (no CD Diamond Life, de 1984), MC Hammer (no CD Too Legit To Quit, de 1991) Steve Winwood (no CD Junction Seven, de 1997), Joan Osbourne (no CD How Sweet It Is, de 2002) e Carlos Santana (no álbum Warszawa, de 2020). Drake também sampleou a gravação de Thomas no hit Hotline Bling, de 2015.

Depois do estouro dessa música, Timmy Thomas teve dificuldade para superá-lo. Em conversa com Henry Stone, o dono da TK lhe deu uma possível explicação: “meu caro, o tema da sua canção era muito profundo, muito denso, seria mesmo muito difícil você apresentar algo tão forte assim”. Seja como for, ele seguiu adiante. Em 1974, por exemplo, lançou um dueto matador com a cantora Betty Wright, Ebony Affair (ouça aqui).

Em 1977, foi a vez do álbum Touch To Touch, cuja ótima faixa-título seguia uma batida puramente disco-soul (ouça aqui). Essa música fez um certo sucesso no Brasil, incluída na coletânea Miami Sound, lançada pela CBS. Em 1985, outro dueto bacana, New York Eyes, com a cantora Nicole McCloud (ouça aqui).

A partir do final dos anos 1980, Timmy Thomas passou a atuar de forma mais esparsa como artista solo, dedicando-se a produzir outros artistas e também a dar aulas de música em escolas públicas. Ele teve participação, como organista, em quatro faixas no badalado álbum de estreia da cantora britânica Joss Stone, The Soul Sessions (2003). Não é sem ironia que Timmy Thomas se vai quando os versos de Why Can’t We Live Together se mostram mais atuais do que nunca.

Why Can’t We Live Together (ao vivo)- Timmy Thomas:

Sheryl Crow celebra 60 anos como uma artista impecável

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Por Fabian Chacur

Sheryl Crow esteve no Brasil pela primeira vez em novembro de 1995. Seu álbum de estreia, o maravilhoso Tuesday Night Music Club (1993), havia saído por aqui sem grande estardalhaço, e a moça veio para abrir os shows de Elton John no Brasil. Estive na coletiva de imprensa concedida pela cantora em São Paulo, no Maksoud Plaza, e apareço em uma foto meio bizarra com ela. Ao ver sua performance, ficou claro para mim que esta artista, que nesta sexta (11) completa 60 anos de idade, tinha potencial para ir muito, mas muito longe mesmo na cena musical. Eu estava certo.

Cantora, compositora e musicista, Sheryl não apareceu da noite pro dia, e pavimentou o seu caminho tocando em bares e depois atuando em bandas de apoio de outros artistas. Nessa seara, seu momento de maior destaque ficou por conta de ter sido vocalista de apoio na turnê Bad, de Michael Jackson, entre 1987 e 1989. Ela ficava nos holofotes em cada apresentação quando fazia as vezes de Siedah Garrett na música I Just Can’t Stop Loving You, encarando o dueto com o Rei do Pop sem o menor vacilo.

Mesmo demonstrando tanto talento, Sheryl demorou para lançar um trabalho solo. Seu álbum de estreia só saiu em 1993, o brilhante Tuesday Night Music Club. Dois anos antes, um álbum pronto foi colocado de lado, do qual apenas uma faixa veio à tona na trilha de um filme. Mas valeu a espera. A então já trintona esbanjou talento em uma mistura de rock, country, folk, soul e pop que gerou hits como All I Wanna Do e Strong Enough, com o álbum atingindo o 5º posto na parada americana. Esse foi o repertório de seus primeiros shows no Brasil.

A partir dessa estréia, a moça se consolidou como uma artista completa, sem nunca se desviar radicalmente dos caminhos que nos apresentou nesse disco de estreia. Sempre acompanhada por músicos do primeiro escalão, Sheryl Crow é daquelas artistas que sabem o que fazer quando sobem nos palcos, cantando muito e tocando com categoria. Nunca apelou nem se valeu de recursos cênicos mirabolantes em seus shows. Som na caixa e muita garra e talento, sempre.

Nesses anos todos, ela fez parcerias bacanas com artistas como Stevie Nicks, Eric Clapton, Keith Richards e muitos outros, e mostrou também ser boa para reler repertório alheio, como suas belas covers de Mother Nature’s Sun (dos Beatles) e The First Cut Is The Deepest (de Cat Stevens) provam de forma veemente. E ela voltou ao Brasil de forma triunfal em 2001, participando com destaque do Rock in Rio.

Inteligente, linda, articulada, discreta e sempre defendendo causas bacanas, Sheryl Crow chega aos 60 anos de idade mais relevante do que nunca, com novos álbuns e shows e uma trajetória brilhante que parece estar bem longe de terminar. Ela felizmente superou problemas de saúde que teve nos idos de 2006, e se mostra pronta para nos oferecer novas canções maravilhosas como Soak Up The Sun, Strong Enough, The Na-na Song e tantas outras.

Soak Up The Sun (clipe)- Sheryl Crow:

Graham Nash celebra 80 anos como um roqueiro elegante

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Por Fabian Chacur

Em maio de 2012, tive um dos momentos mais sublimes da minha vida. Vi, na extinta Via Funchal, o show dos meus amados Crosby, Stills & Nash (leia a resenha aqui). Dos três ícones do rock, o que parecia estar mais em forma era Graham Nash, então com 70 anos. Ele completa 80 nesta quarta (2) e mostra que continua firme e forte (veja entrevista dele em dezembro de 2021 aqui). Ele acabou de lançar no exterior um livro com fotos feitas por ele, A Life In Focus: The Photography Of Graham Nash.

Uma forma simples de definir a trajetória musical de Graham Nash é chamá-lo de um roqueiro elegante. Sim, ele é cria da primeira geração que cresceu tendo o rock and roll como a principal influência musical e comportamental. Foi inspirado por esse estilo musical que este cantor, compositor, músico e fotógrafo britânico resolveu se dedicar à música. Inicialmente, foi integrante de um dos mais bem-sucedidos grupos da chamada British Invasion, The Hollies, com suas canções melódicas, bem arranjadas e fortemente próximas da música pop.

Depois de aproximadamente cinco anos com a banda, Nash começou a ambicionar voos mais ambiciosos em termos musicais, que refletiram em faixas dos Hollies como King Midas In Reverse, por exemplo. Durante uma viagem aos EUA em 1968, mais precisamente na casa da cantora Mama Cass (dos The Mammas And The Papas) teve a oportunidade de fazer uma jam session com David Crosby (dos Byrds) e Stephen Stills (do Buffalo Springfield). O entrosamento das vozes foi tão imediato que nenhum dos três teve dúvidas: uma parceria importante nascia ali.

E a ideia era a da liberdade, sem amarras. Tanto que o supergrupo foi intitulado Crosby, Stills & Nash. Seu álbum de estreia, de 1969, é um dos melhores de todos os tempos, com canções maravilhosas e icônicas. Marrakesh Express, de Nash, foi um dos grandes sucessos. No ano seguinte, o trio viraria quarteto com a entrada de Neil Young (outro ex-Buffalo Springfield), e lançaria Dèja Vu (1970), cujo maior hit foi a doce Our House, dedicada por Nash a Joni Mitchell, com quem teve um breve, porém marcante relacionamento afetivo.

Vale lembrar que em agosto de 1969 Crosby, Stills & Nash, em sua segunda apresentação ao vivo (já com Young no time), tiveram grande destaque no mitológico festival de Woodstock, ganhando fama mundial após o lançamento do documentário que imortalizou o evento. Livre para voar musicalmente, Graham Nash passou, a partir da saída dos Hollies, a alternar parcerias com os amigos com trabalhos individuais, com direito a canções românticas e também brados de inspiração política como Military Madness e Chicago.

Além de grande cantor e compositor, o astro britânico sempre encontrou tempo para defender causas ecológicas e políticas das mais justas, mas sem perder a ternura jamais. Dos integrantes do Crosby, Stills & Nash (com ou sem o Young), sempre se mostrou o mais simpático, acessível e tranquilo. Em 1983, até teve um breve retorno com os Hollies, que gerou um álbum de estúdio e alguns shows.

Graham Nash é a prova de que um artista de rock pode ser romântico, doce e delicado, sem no entanto deixar o lado vigoroso e contestador do rock de lado. No momento, dedica-se a lançar livros com fotografias que tirou desde que era criança, uma paixão paralela à da música. Ele promete mais uma publicação para breve. Pena que sua briga com David Crosby há não muito tempo parece ter encerrado para sempre o Crosby, Stills & Nash. Mas, com esses caras, nunca se sabe… Bem, pelo menos pude ver um de seus shows, pena que sem uma companhia essencial a meu lado. Parabéns a ele, com votos de muitos anos mais de vida com saúde, paz e produtividade.

Nota de última hora: em solidariedade ao velho amigo e parceiro Neil Young, Graham Nash também vai tirar as suas músicas da plataforma digital Spotify.

Our House– Crosby, Stills & Nash:

Ronnie Spector, 78 anos, um dos ícones femininos da música pop

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Por Fabian Chacur

Uma das marcas da década de 1960 ficou por conta do surgimento de diverso grupos vocais femininos bem-sucedidos em termos artísticos e comerciais. Um dos mais marcantes foi o trio The Ronettes, no qual se destacava a cantora Ronnie Spector. Graças a seu estilo marcante, personalidade e a produção do talentoso e polêmico Phil Spector, o grupo emplacou grandes hits e marcou época. Ronnie infelizmente nos deixou nesta quarta-feira (12), vítima de um câncer, aos 78 anos de idade. Ela deixa um belo legado e a marca de ícone musical e visual.

Veronica Yvette Bennett nasceu em Manhattan, Nova York, em 10 de agosto de 1943, filha de uma afro-americana com um americano de origem irlandesa. No fim dos anos 1950, criou com a irmã mais velha Estelle (1941-2009) e a prima Nedra Talley o trio vocal Darling Sisters, que depois se tornaria The Ronettes. O grupo chegou ao topo das paradas de sucesso quando se associou ao produtor e compositor Phil Spector, assinando um contrato com o seu selo.

Unindo os arranjos bombásticos e geniais de Phil às vocalizações charmosas das garotas, especialmente a voz deliciosa de Ronnie, as Ronettes invadiram as paradas de sucesso entre 1963 e 1966. Um de seus principais hits, Be My Baby (1963), é uma das músicas mais marcantes da história da música pop, influenciando diversas outras e utilizada na trilha de vários filmes, entre eles na icônica abertura de Dirty Dancing (1987).

O visual ousado e marcante das Ronettes, e de Ronnie em particular, influenciou grandes ícones posteriores da música pop, entre as quais Amy Winehouse. Ronnie, inclusive, deu belos depoimentos em documentários sobre Amy, e também fez uma ótima regravação de Back To Black após a morte da estrela britânica, com objetivos beneficentes.

Após gravar mais alguns hits, entre os quais Baby I Love You (1963), The Best Part Of Breakin’ Up (1964) e Walking In The Rain (1964), o trio se separou em 1967. Logo em 1963, Ronnie e Phil Spector iniciaram um relacionamento afetivo que os levou a se casarem oficialmente em 1968. No entanto, foi provavelmente o maior erro cometido pela cantora, que comeu o chamado “pão que o diabo amassou” na convivência com o produtor.

Isso certamente explica a dificuldade que Ronnie Spector teve para seguir adiante em sua carreira, após se separar de Phil em 1974. Ela chegou a ser ameaçada de morte por várias vezes, e foi torturada psicologicamente durante muitos e muitos anos. Melhor nem me estender muito nesse tema, realmente constrangedor e lamentável.

Mas ainda assim Ronnie viveu momentos bacanas. Em 1971, por exemplo, gravou o belo single Try Some Buy Some, canção de George Harrison que o autor só gravaria em 1973 em seu antológico álbum Living In The Material World. Vale lembrar que as Ronettes abriram shows para os Beatles em 1966. Em 1976, participou com destaque da faixa You Mean So Much To Me, escrita por Bruce Springsteen e gravada por Southside Johnny.

Em 1986, outro dueto, desta vez com o cantor, compositor e músico norte-americano Eddie Money, fez grande sucesso, a ótima Take Me Home Tonight. Ela gravou alguns discos solo, entre os quais o EP She Talks to Rainbow (1999), produzido por Joey Ramone e com participação dele na canção You Can’t Put Your Arm Around a Memory.

Ronnie Spector era uma figura muito querida no meio musical, e é possível ver em pesquisas no google foto dela com algumas das maiores personalidades do rock e da música pop, todos admiradores de seu talento e personalidade. Ela lançou uma autobiografia em 1990, Be My Baby: How I Survived Mascara Miniskirts and Madness, cogitada recentemente para virar um filme.

Be My Baby– The Ronettes:

James Mtume, 76 anos, grande músico e compositor americano

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Por Fabian Chacur

Em 1966, o jovem músico James Forman entrou na US Organization, um grupo de capacitação de negros. Lá, ele foi batizado por um de seus idealizadores, Maulana Karenga, com o nome Mtume, palavra que na língua suaili significa mensageiro. E foi exatamente isso o que esse cantor, multi-instrumentista e compositor fez durante toda a sua vida, um mensageiro da boa música e das melhores vibrações. James Mtume nos deixou neste domingo (9) aos 76 anos de causas não reveladas. Um grande craque da música, cuja legado irá elevar nossos espíritos para todo o sempre.

James Mtume nasceu na Filadélfia em 3 de janeiro de 1946. Filho do saxofonista de jazz Jimmy Heath, ele na verdade foi criado por um padrasto também músico e jazzista, o pianista James “Hen Gates” Forman. Além de investir em fusão de elementos musicais do jazz e da cultura africana nos discos Kawaida e Alekebulan: Land Of The Blacks, ele também integrou a banda de músicos como Gato Barbieri, McCoy Tyner e Freddie Hubbard.

Ganhou muita fama ao entrar no grupo de Miles Davis, com o qual fez inúmeros shows e participou de álbuns como On The Corner (1972), Big Fun (1974) e Pangea (1974). Nessa época, fez amizade com outro integrante da banda, o guitarrista Reggie Lucas (1953-2018), e nascia ali uma parceria que renderia grandes clássicos do r&b, músicas que marcaram uma geração e continuarão arrepiando a todos nos tempos que virão.

Para a dupla Roberta Flack & Donny Hathaway, por exemplo, Lucas e Mtume escreveram a deliciosa balada The Closer I Get To You (ouça aqui), que também também ganharia uma bela releitura por parte de Beyoncé e Luther Vandross (ouça aqui) e a espetacular e balançada Back Together Again (ouça aqui), uma das minhas músicas favoritas de todos os tempos.

Uma das cantoras que mais gravou canções da dobradinha Mtume-Lucas foi Stephanie Mills (leia mais sobre ela aqui), que de quebra ainda teve quatro de seus álbuns produzidos por eles. Entre essas músicas, destaques para a singela, romântica e vencedora do Grammy Never Knew Love Like This Before (ouça aqui) e a balançada e sensual Sweet Sensation (ouça aqui).

Paralelamente a esses trabalhos para outros artistas, James criou um grupo próprio, o Mtume, que estourou em 1983 com o álbum Juicy Fruit, cuja divina faixa-título (assinada só por ele) logo se tornou um dos grandes clássicos da black music dos anos 1980. Ele também teve músicas gravadas por talentos do porte de Phyllis Hyman, Mary J Blige, Teddy Pendergrass e o grupo Inner City.

Juicy Fruit já foi sampleada por dezenas de artistas nesses anos todos, entre os quais Alicia Keys (em Juiciest), The Notoriuos BIG (em Juicy), Jennifer Lopez (em Loving You), Mariah Carey (em Dreamlover), David Byrne & Fatboy Slim (em Walk Like a Woman) e Nicki Minaj (em Your Love), só para citar alguns deles.

Juicy Fruit– Mtume:

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