Mondo Pop

O pop de ontem, hoje, e amanhã...

Category: Grandes nomes esquecidos (page 1 of 11)

Ronnie Spector, 78 anos, um dos ícones femininos da música pop

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Por Fabian Chacur

Uma das marcas da década de 1960 ficou por conta do surgimento de diverso grupos vocais femininos bem-sucedidos em termos artísticos e comerciais. Um dos mais marcantes foi o trio The Ronettes, no qual se destacava a cantora Ronnie Spector. Graças a seu estilo marcante, personalidade e a produção do talentoso e polêmico Phil Spector, o grupo emplacou grandes hits e marcou época. Ronnie infelizmente nos deixou nesta quarta-feira (12), vítima de um câncer, aos 78 anos de idade. Ela deixa um belo legado e a marca de ícone musical e visual.

Veronica Yvette Bennett nasceu em Manhattan, Nova York, em 10 de agosto de 1943, filha de uma afro-americana com um americano de origem irlandesa. No fim dos anos 1950, criou com a irmã mais velha Estelle (1941-2009) e a prima Nedra Talley o trio vocal Darling Sisters, que depois se tornaria The Ronettes. O grupo chegou ao topo das paradas de sucesso quando se associou ao produtor e compositor Phil Spector, assinando um contrato com o seu selo.

Unindo os arranjos bombásticos e geniais de Phil às vocalizações charmosas das garotas, especialmente a voz deliciosa de Ronnie, as Ronettes invadiram as paradas de sucesso entre 1963 e 1966. Um de seus principais hits, Be My Baby (1963), é uma das músicas mais marcantes da história da música pop, influenciando diversas outras e utilizada na trilha de vários filmes, entre eles na icônica abertura de Dirty Dancing (1987).

O visual ousado e marcante das Ronettes, e de Ronnie em particular, influenciou grandes ícones posteriores da música pop, entre as quais Amy Winehouse. Ronnie, inclusive, deu belos depoimentos em documentários sobre Amy, e também fez uma ótima regravação de Back To Black após a morte da estrela britânica, com objetivos beneficentes.

Após gravar mais alguns hits, entre os quais Baby I Love You (1963), The Best Part Of Breakin’ Up (1964) e Walking In The Rain (1964), o trio se separou em 1967. Logo em 1963, Ronnie e Phil Spector iniciaram um relacionamento afetivo que os levou a se casarem oficialmente em 1968. No entanto, foi provavelmente o maior erro cometido pela cantora, que comeu o chamado “pão que o diabo amassou” na convivência com o produtor.

Isso certamente explica a dificuldade que Ronnie Spector teve para seguir adiante em sua carreira, após se separar de Phil em 1974. Ela chegou a ser ameaçada de morte por várias vezes, e foi torturada psicologicamente durante muitos e muitos anos. Melhor nem me estender muito nesse tema, realmente constrangedor e lamentável.

Mas ainda assim Ronnie viveu momentos bacanas. Em 1971, por exemplo, gravou o belo single Try Some Buy Some, canção de George Harrison que o autor só gravaria em 1973 em seu antológico álbum Living In The Material World. Vale lembrar que as Ronettes abriram shows para os Beatles em 1966. Em 1976, participou com destaque da faixa You Mean So Much To Me, escrita por Bruce Springsteen e gravada por Southside Johnny.

Em 1986, outro dueto, desta vez com o cantor, compositor e músico norte-americano Eddie Money, fez grande sucesso, a ótima Take Me Home Tonight. Ela gravou alguns discos solo, entre os quais o EP She Talks to Rainbow (1999), produzido por Joey Ramone e com participação dele na canção You Can’t Put Your Arm Around a Memory.

Ronnie Spector era uma figura muito querida no meio musical, e é possível ver em pesquisas no google foto dela com algumas das maiores personalidades do rock e da música pop, todos admiradores de seu talento e personalidade. Ela lançou uma autobiografia em 1990, Be My Baby: How I Survived Mascara Miniskirts and Madness, cogitada recentemente para virar um filme.

Be My Baby– The Ronettes:

James Mtume, 76 anos, grande músico e compositor americano

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Por Fabian Chacur

Em 1966, o jovem músico James Forman entrou na US Organization, um grupo de capacitação de negros. Lá, ele foi batizado por um de seus idealizadores, Maulana Karenga, com o nome Mtume, palavra que na língua suaili significa mensageiro. E foi exatamente isso o que esse cantor, multi-instrumentista e compositor fez durante toda a sua vida, um mensageiro da boa música e das melhores vibrações. James Mtume nos deixou neste domingo (9) aos 76 anos de causas não reveladas. Um grande craque da música, cuja legado irá elevar nossos espíritos para todo o sempre.

James Mtume nasceu na Filadélfia em 3 de janeiro de 1946. Filho do saxofonista de jazz Jimmy Heath, ele na verdade foi criado por um padrasto também músico e jazzista, o pianista James “Hen Gates” Forman. Além de investir em fusão de elementos musicais do jazz e da cultura africana nos discos Kawaida e Alekebulan: Land Of The Blacks, ele também integrou a banda de músicos como Gato Barbieri, McCoy Tyner e Freddie Hubbard.

Ganhou muita fama ao entrar no grupo de Miles Davis, com o qual fez inúmeros shows e participou de álbuns como On The Corner (1972), Big Fun (1974) e Pangea (1974). Nessa época, fez amizade com outro integrante da banda, o guitarrista Reggie Lucas (1953-2018), e nascia ali uma parceria que renderia grandes clássicos do r&b, músicas que marcaram uma geração e continuarão arrepiando a todos nos tempos que virão.

Para a dupla Roberta Flack & Donny Hathaway, por exemplo, Lucas e Mtume escreveram a deliciosa balada The Closer I Get To You (ouça aqui), que também também ganharia uma bela releitura por parte de Beyoncé e Luther Vandross (ouça aqui) e a espetacular e balançada Back Together Again (ouça aqui), uma das minhas músicas favoritas de todos os tempos.

Uma das cantoras que mais gravou canções da dobradinha Mtume-Lucas foi Stephanie Mills (leia mais sobre ela aqui), que de quebra ainda teve quatro de seus álbuns produzidos por eles. Entre essas músicas, destaques para a singela, romântica e vencedora do Grammy Never Knew Love Like This Before (ouça aqui) e a balançada e sensual Sweet Sensation (ouça aqui).

Paralelamente a esses trabalhos para outros artistas, James criou um grupo próprio, o Mtume, que estourou em 1983 com o álbum Juicy Fruit, cuja divina faixa-título (assinada só por ele) logo se tornou um dos grandes clássicos da black music dos anos 1980. Ele também teve músicas gravadas por talentos do porte de Phyllis Hyman, Mary J Blige, Teddy Pendergrass e o grupo Inner City.

Juicy Fruit já foi sampleada por dezenas de artistas nesses anos todos, entre os quais Alicia Keys (em Juiciest), The Notoriuos BIG (em Juicy), Jennifer Lopez (em Loving You), Mariah Carey (em Dreamlover), David Byrne & Fatboy Slim (em Walk Like a Woman) e Nicki Minaj (em Your Love), só para citar alguns deles.

Juicy Fruit– Mtume:

Michael Nesmith, 78 anos, dos Monkees, rebelde compositor

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Por Fabian Chacur

Em 1965, o cantor, compositor, ator e músico americano Michael Nesmith fez parte de um processo seletivo para uma série de TV americana que contou com 437 concorrentes. Ele foi um dos quatro escolhidos, e ganhou fama mundial sendo um dos integrantes do The Monkees, que além de seriado televisivo também virou um grupo de rock de muito sucesso. O mais rebelde e de personalidade mais forte da turma, ele infelizmente nos deixou nessa última sexta-feira (10), aos 78 anos, vítima de uma insuficiência cardíaca.

Nascido em Houston, Texas (EUA) em 30 de dezembro de 1942, Nesmith começou a carreira musical participando do circuito folk de Los Angeles, Califórnia, e gravou singles para o selo Colpix valendo-se do pseudônimo Michael Blessing. Em outubro de 1965, foi escolhido para integrar o elenco de The Monkees ao lado do inglês Davy Jones (1945-2012) e dos também americanos Peter Tork (1944-2019) e Micky Dolenz (1945). A química entre eles se mostrou perfeita desde o início.

A partir da estreia da série na TV americana, em setembro de 1966, The Monkees se tornou um imenso sucesso não só por sua divertida trama, a de um grupo fictício de rock talentoso, divertido e escancaradamente inspirado nos Beatles das fases A Hard Day’s Night e Help!, mas também pelas ótimas músicas gravadas para os episódios e lançadas em singles e álbuns, de autores como Boyce & Hart, Carole King, Neil Diamond e outros.

No inicio, os quatro atores participavam pouco ou quase nada dos discos, mas Nesmith desde o começo se sobressaiu como compositor e também como o rebelde da turma. Foi ele quem atiçou o quarteto a tentar se impor como um grupo de verdade, tocando e cantando em seus discos. Várias de suas composições foram gravadas pelos Monkees, entre as quais Listen To The Band, The Girl I Knew Somewhere, Tapioca Tundra, Mary Mary e Good Clean Fun.

Após o sucesso meteórico em 1966 e 1967, o seriado saiu de cena em meados de 1968 e o quarteto viu a sua popularidade ir caindo rapidamente. Peter Tork foi o primeiro a sair do time. Michael Nesmith pegou o gorrinho de lã (sua marca registrada) e deu o fora em 1970. Um pouco antes, já havia lançado seu primeiro disco solo, The Wichita Train Whistle Sings (1968). Uma de suas composições, Different Drum, fez muito sucesso em 1967 com o Stone Poneys, grupo que tinha como vocalista Linda Ronstadt, que depois viraria uma estrela do country rock.

Fora dos Monkees, Nesmith mergulhou em uma carreira no country rock, lançando vários LPs solo e também investindo em bandas como a First National Band. Alguns de seus singles viraram hits, entre os quais Joanne e Silver Moon . Foi provavelmente o mais estável e respeitado dos ex-integrantes do grupo em sua jornada individual, destacando-se como cantor, músico e compositor.

A mãe de Michael Nesmith, Bette, foi a criadora do célebre liquid paper, e vendeu em 1979 a sua parte na empresa correspondente para a Gillete Corporation pelo então enorme valor de 47 milhões de dólares. Ela faleceu no ano seguinte, e toda essa herança ficou para o filho único, que por sinal vivia naquele momento uma fase de vacas magras em termos financeiros. A partir dali, ele também passou a produzir filmes e atuar em projetos beneficentes.

Dessa forma, Nesmith se manteve afastado do bem-sucedido retorno dos Monkees em 1986, fato ocorrido graças ao relançamento de todos os álbuns do quarteto pelo selo Rhino e também pela reexibição do seriado na TV. Ele só marcou presença em dois dos shows da turnê, e só para participações breves.

No entanto, em 1996, a surpresa: os Monkees não só voltavam com a sua formação original, como também lançavam Justus, o primeiro álbum feito totalmente por eles, que não só compuseram todas as canções (sendo duas de autoria de Nesmith) como também se incumbiram de todos os vocais e instrumentos. O CD não foi um estouro de vendas, mas recebeu elogios por parte da crítica e dos fãs. O título é um trocadilho (just us, apenas nós, em tradução livre).

Após a morte de Davy Jones, os Monkees fizeram shows em formato de trio em 2012, 2013 e 2014. O grupo também lançou dois novos álbuns, Good Times! (2016) e Christmas Party (2018), ambos com participação de Nesmith, que também participou de alguns shows. Ele também escreveu alguns livros durante sua trajetória. Infelizmente, agora só temos Micky Dolenz entre nós desse grupo que poderia ter sido apenas uma piada televisiva, mas que marcou a vida de muita gente com suas canções divertidas e deliciosamente pegajosas.

Listen To The Band– The Monkees:

Ronnie Wilson, 73 anos, um dos integrantes da The Gap Band

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Por Fabian Chacur

Das grandes bandas funk que estouraram na segunda metade dos anos 1970, uma das mais quentes sem sombra de dúvidas foi a The Gap Band. Com seu som dançante turbinado, pontuado por baladas aqui e ali, os irmãos norte-americanos Charlie, Robert e Ronnie Wilson conquistaram incontáveis fãs dentro e fora do universo da black music. Robert nos deixou em 2010, aos 53 anos. Agora, infelizmente chegou a vez de Ronnie, aos 73 anos, que não conseguiu se recuperar de um derrame que sofreu há uma semana.

A Gap Band teve início efetivamente em 1974, quando Charlie (vocalista principal e músico), Robert (baixista) e Ronnie (teclados, bateria, percussão e sopros) atuaram como banda de apoio do lendário cantor, compositor e músico Leon Russell em shows e também em seu álbum Stop All That Jazz (1974). O grupo gravou alguns álbuns que passaram batido nesse período. Em 1978, o produtor Lonnie Simmons os contratou e, em seguida, conseguiram um contrato com a Mercury Records (cujo acervo hoje pertence à Universal Music).

A sorte virou para os irmãos Wilson em 1979, quando emplacaram os hits I’m in Love e Shake. Pouco depois, a coisa ficaria ainda melhor com o álbum The Gap Band II, com dois hits sensacionais: a compassada I Don’t Believe You Want To Get Up And Dance (Oops!) e a levemente latina Steppin’ (Out). Charlie virou o vocalista líder e sexy, Robert o baixista carismático e Ronnie o tecladista certeiro.

Até 1984, o grupo frequentou as paradas de r&b e também as de música pop com muita frequência, especialmente com suas faixas mais dançantes. Burn Rubber On Me (Why You Wanna Hurt Me), com sua batida forte e seca de bateria e seus riffs roqueiros, criou um padrão muito bem explorado pelo trio, que emplacou, na mesma linha mas sem soarem como cópias baratas, as sensacionais Early In The Morning, You Dropped a Bomb On Me e Party Train, só para citar algumas delas.

Charlie era a figura de proa da banda como cantor e compositor, mas Ronnie também mostrou seu talento como coautor de músicas como a romântica Yearning For Your LoveOpen Up Your Mind (Wide), Party Train, Steppin’ (Out) e I Don’t Believe You Want To Get Up And Dance (Oops!).

O sucesso da Gap Band diminuiria até o fim dos anos 1980, mantendo-se melhor no Reino Unido, onde emplacaria em 1987 o hit Big Fun. Após o lançamento do álbum Round Trip, em 1989, Ronnie saiu do grupo para se dedicar à música religiosa. O grupo ainda lançaria mais alguns álbuns, mas nunca voltou ao mesmo patamar que já havia alcançado antes.

As músicas da Gap Band foram sampleadas e geraram hits para inúmeros outros artistas, entre os quais Ashanti, Blackstreet, Mary J. Blige, Ice Cube e Snoop Dogg, e seu som vibrante influenciou diversos outros artistas e estilos, entre os quais o New Jack Swing do final dos anos 1980/início dos anos 1990.

Early In The Morning (clipe)- The Gap Band:

Daryl Hall celebra 75 anos como um dos grandes nomes do pop

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Por Fabian Chacur

Se há uma coisa que me irrita profundamente, como bom libriano que sou, é injustiça. E se há um cara injustiçado no meio da música pop e do rock, ele atende pelo nome de Daryl Hall. Esse cantor, compositor e músico americano (também libriano, por sinal) que, nesta segunda-feira (11) celebra 75 anos de vida, é um dos sujeitos mais talentosos e criativos da cena pop mundial há cinco décadas. E poucos cri-críticos celebram essa obra incrível. Aqui em Mondo Pop, faço isso o tempo todo (leia mais matérias sobre ele aqui).

E qual seria a razão para que não se dê o devido valor ao integrante de uma das duplas mais bem-sucedidas em termos comerciais e artísticos da música pop, Daryl Hall & John Oates? Uma delas é possivelmente esse fator, a popularidade que ele e seu parceiro conquistaram desde que lançaram seu álbum de estreia, Whole Oates (1972). Eles lutaram muito para chegar onde chegaram, e conquistaram esse fã-clube imenso com garra, persistência e criatividade.

A química entre Hall, um fanático por soul music, e Oates, adepto do som folk, mostrou-se simplesmente imbatível. Ao misturar soul, folk, rock e pop com muita habilidade, eles nos proporcionaram maravilhas do porte de Rich Girl, She’s Gone, Kiss On My List, Private Eyes, I Can’t Go For That (No Can Do), Out Of Touch, One On One e dezenas de outras, pérolas pop escritas e gravadas com muita personalidade e jogo de cintura.

Daryl Hall tem uma das vozes mais belas e facilmente reconhecíveis da música, com forte influência soul e sendo muito respeitado nessa área, algo que não muitos intérpretes brancos conseguem. Além disso, ele e seu parceiro de meio século possuem forte presença de palco, cativando plateias nos quatro cantos do mundo com seus shows diretos e repletos de musicalidade e carisma.

Além da trajetória com a dupla, Hall também possui uma carreira-solo das mais respeitáveis, que inclui discos bacanas como o experimental Sacred Songs (1980), produzido por Robert Fripp (do grupo King Crimson). Ele também é o apresentador do programa Live From Daryl’s House, que o reuniu a grandes nomes da música de várias eras, sempre em apresentações ao vivo repletas de energia e muito alto astral.

A carreira de Daryl Hall é uma prova cabal de que, sim, é possível fazer música acessível e com forte potencial comercial sem cair na vala comum das repetições e modismos banais. Em seus melhores momentos, ele, com ou sem John Oates, consegue nos oferecer aquele prazer auditivo que só os craques da música tem o dom de nos proporcionar.

Private Eyes (clipe)- Daryl Hall & John Oates:

Lizzie Bravo, 70 anos, cantou com os Beatles e outros fenômenos

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Por Fabian Chacur

Pode uma garota brasileira de 15 anos de idade desembarcar sozinha em fevereiro de 1967 na efervescente Londres daqueles anos psicodélicos e em alguns meses se tornar uma verdadeira testemunha ocular de um dos momento mais importantes da carreira de ninguém menos do que os Beatles? Mais: participar de uma gravação dos Fab Four? Essa foi a cereja no bolo da trajetória de Lizzie Bravo, que, no entanto, fez muitas outras coisas relevantes, como ser musa de um grande clássico da nossa música. Ela infelizmente nos deixou nesta segunda (4) aos 70 anos, vítima de problemas cardíacos.

Elizabeth Villas Boas Bravo nasceu em 29 de maio de 1951, e foi uma das primeiras brasileiras a mergulhar de cabeça no som dos Beatles, ao ouvir o álbum Meet The Beatles (1964) que seu pai trouxe dos EUA. Nascia ali uma paixão pelo grupo e, em particular, por John Lennon. E a amiga Denise Werneck teve uma ideia, logo encampada por Lizzie (cujo apelido ela tirou da música Dizzy Miss Lizzy, clássico do rock de autoria de Larry Williams e regravada pelo grupo no seu álbum Help!, de 1965): pedir aos pais de presente uma viagem a Londres.

Lizzie desembarcou em Londres em fevereiro de 1967, e logo se tornou uma frequentadora da porta dos estúdios Abbey Road, onde os Beatles gravavam seus discos, e também da casa de alguns deles. Naquela época, especialmente em Londres, os astros do rock eram muito mais acessíveis do que se tornariam não muito tempo depois, e a adolescente carioca conseguiu aos poucos se tornar uma quase amiga de John, Paul, George e Ringo.

No seu excelente livro Do Rio a Abbey Road (2015), ela relata como foi esse período no qual, afora trabalhos para conseguir se manter melhor na capital inglesa, suas tarefas básicas eram se manter atualizada sobre os lançamentos e novos rumos do grupo e também conseguir autógrafos, fotos e algumas conversas com os músicos. Na base da simpatia e da paciência, foi absolutamente vitoriosa no seu intuito, como provam as belas fotos contidas no livro.

Vale registrar que, nesse período, os Beatles viviam uma fase particularmente iluminada de sua brilhante trajetória, gravando Sgt. Peppers, Magical Mystery Tour e Abbey Road e consolidando de uma vez por todas a sua presença no panteão da música popular.

Lizzie permaneceu em Londres em dois períodos: de fevereiro de 1967 a abril de 1968, e de outubro de 1968 a outubro de 1969. Por lá, fez amizades com outros fãs e tirou a sorte grande em 4 de fevereiro de 1968, um domingo, quando Paul McCartney perguntou às garotas que estavam próximas ao estúdio Abbey Road se alguma delas conseguiria sustentar notas agudas. A nossa conterrânea afirmou positivamente, e depois levou outra amiga, a inglesa Gayleen Pease, para auxiliá-la. Dessa forma, participaram da versão original de Across The Universe.

A belíssima canção, assinada por Lennon e McCartney mas na verdade de total autoria do primeiro, acabou deixada de lado como um possível single do grupo. Em dezembro de 1969, no entanto, foi lançada como parte da coletânea inglesa No One’s Gonna Change Our World- The Stars Sing For The World Wide Fund, ao lado de gravações de dez outros artistas de ponta, entre os quais Bee Gees, The Hollies e Cilla Black.

Across The Universe entrou no repertório do álbum Let It Be (1970), mas em uma versão alterada que retirou os vocais de Bravo e Pease. Rara durante uns bons anos, a única gravação dos Beatles a incluir alguém do Brasil só voltaria a ser acessível ao entrar no repertório das duas versões do álbum Rarities (1980) e no volume 2 da coletânea Past Masters (1988).

Nem é preciso dizer que essa gravação tornou Lizzie Bravo uma figura sempre relembrada pelos fãs-clubes dos Beatles nas décadas seguintes, algo que se ampliou ainda mais com o advento da internet. Posteriormente, ela teve a oportunidade de rever Paul McCartney (em uma entrevista coletiva, em 1990, na qual o ex-beatle a reconheceu), George Harrison e Ringo Starr. Lennon, o seu favorito, infelizmente nos deixou antes de que ela pudesse reencontrá-lo.

Para quem acha que a história de Elizabeth parou por aqui, recupere o fôlego, pois vem mais coisas boas por aí. Em 1970, ao voltar ao Brasil, conheceu o cantor, compositor e músico Zé Rodrix, com o qual foi casada por dois anos. Em parceria com Tavito, ele compôs, inspirado nela, o clássico da MPB Casa no Campo, cuja gravação definitiva é a de Elis Regina. Em sua letra, a música fala de uma “esperança de óculos” (Lizzie) e o sonho de ter um “filho de cuca legal”, que veio na forma de Marya, nascida em outubro de 1971 e hoje cantora e atriz.

No decorrer de sua trajetória profissional, Lizzie foi vocalista de apoio de artistas do gabarito de Milton Nascimento, Joyce Moreno, Zé Ramalho, Ivan Lins, Djavan, Egberto Gismonti, Toninho Horta e Geraldo Azevedo, entre outros, participando de discos e shows deles. Também atuou como fotógrafa para artistas e gravadoras, e morou em Nova York de 1984 a 1994, atuando na área cultural.

O projeto de seu livro teve início em 1980, mas foi interrompido devido à trágica morte de John Lennon. Ela o retomou em 1984, novamente sem o levar adiante. Só em 2015 essa belíssima obra se concretizou, com uma tiragem inicial que se esgotou em 2017 (comprei um dos últimos exemplares, em julho de 2017. Ela preparava uma nova fornada de livros, assim como uma edição em inglês, que provavelmente serão viabilizadas por Marya.

Across The Universe (original version)- The Beatles:

Miriam Martinez, a pessoa que veio ao mundo para assessorar

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Por Fabian Chacur

Em julho de 1985, fui a um coquetel de lançamento de disco na antiga gravadora RCA (depois BMG) com o meu amigo Valdimir D’Angelo. Nesse evento, realizado no bairro paulistano de Santa Cecília, conheci uma mulher simpática e bem humorada que trabalhava na assessoria daquela empresa discográfica. Mal sabia eu que a pessoa em questão, uma certa Miriam Martinez, iria mudar a minha vida, e para melhor. Hoje, 27 de setembro, é o primeiro aniversário dela no qual não poderei cumprimentá-la, pois ela partiu no dia 5 de outubro de 2020. Muita saudade!

Quando a conheci, era um jornalista iniciante que exercia a profissão paralelamente ao emprego que tinha, como funcionário do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) prestando serviços na Agência da Receita Federal de Vila Mariana. Mal sabia eu que, menos de dois anos depois, eu estaria trabalhando naquela mesma BMG, na assessoria de imprensa do selo Plug, e graças a uma indicação da Miriam. Seria a primeira, mas não a última vez em que ela me ajudaria em termos profissionais. A partir de 1987, só trabalhei na área jornalística, um sonho que ela me ajudou a concretizar.

Durante os 35 anos em que tive a honra de conviver com essa figura ágil, inquieta e divertida, vivi as mais diferentes experiências, em shows, coletivas de imprensa, entrevistas individuais, lançamentos de discos, festivais etc (e tome etc!). Sendo como colega de trabalho ou me atendendo profissionalmente, ela sempre nos oferecia sua atenção, carinho, incentivos e eficiência, sempre disposta a nos ajudar, de uma forma ou de outra.

Conheci poucos profissionais que vestiam a camisa dos contratantes como ela. Do astro mais famoso ao cantor iniciante e inseguro, o tratamento era sempre no volume máximo. A busca pelo melhor trabalho possível, a melhor divulgação e a conquista dos melhores espaços nunca mudava conforme o cacife e os cifrões envolvidos. Miriam encarava cada pessoa que trabalhava com ela como seres humanos, que respeitava profundamente.

Foi dessa forma que ela conquistou um grande números de admiradores, sempre dispostos a retribuir toda aquela atenção e carinho. Dessa forma, tornou-se uma das melhores assessoras de imprensa de São Paulo e, por consequência, deste Brasil. Como tive a honra de conviver com ela nos bastidores de muitos desses trabalhos, posso garantir que sua forma de tratar a todos nunca se deixou levar por interesses ou falsidade. Pelo contrário.

Miriam esteve comigo nos melhores e piores momentos, nesses anos todos. Sempre prestativa, ajudando, apoiando. Sua dedicação como profissional e como amiga era comovente. Em determinados momentos, ela acreditava na minha capacidade profissional mais do que eu mesmo, e posso garantir que muitas pessoas partilham dessa gratidão comigo. Assessorar é, na prática, ajudar ao outro, e isso essa mulher fez sempre, em cada minuto da sua vida.

Lógico que ninguém é perfeito. Trabalhar com a Miriam às vezes não era fácil devido à ansiedade dela em concretizar seus trabalhos com rapidez e da melhor forma possível. Às veze, era como se ela achasse que era só apertar um botão e concretizar um release de um momento para o outro, por exemplo. Mas, no fim das contas, tudo sempre dava certo porque ela sabia ouvir quem trabalhava com ela. Na base do diálogo, da garra e da paciência.

Artistas dos mais diversos tiveram a honra de ter Miriam Martinez como assessora de imprensa, e garanto que se lembram dela com saudade, pois poucos profissionais abraçaram essa profissão com canto amor e competência como ela. Quando ela nos deixou, fiquei tão desconsertado que não fui capaz de escrever uma linha para homenageá-la.

Pois agora, fica aqui o meu pedido de desculpas a ela. Querida, que você esteja em um plano melhor. Que tudo de bom que fez por mim e por tanta gente possa ter lhe valido um acolhimento bacana. E que a sua luz intensa possa continuar nos iluminando por aqui, especialmente nesses dias sombrios que vivemos atualmente. Bendito aquele dia em que te conheci naquele julho de 1985. E um dia contarei aqui algumas das histórias que vivemos juntos.

Como diria você, de forma descontraída e inesquecível, “um beijo na boca e um tapa na bunda!” Que não dá para encerrar um texto sobre você sem ser de forma bem-humorada.

Canção da América (ao vivo)- Milton Nascimento:

Gonna Take a Miracle- Laura Nyro and Labelle (CBS, 1971)

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Por Fabian Chacur

Em 1971, Laura Nyro era uma jovem veterana. Aos 24 anos de idade, já tinha no currículo quatro excelentes álbuns, repletos de composições inéditas de grande originalidade e apelo pop. Algumas dessas canções, como Wedding Bell Blues, Stoned Soul Picnic, And When I Die, Eli’s Comin’ e Save The Country, atingiram os 1ºs postos das paradas de sucesso com intérpretes do naipe de Barbra Streisand, The Fifth Dimension, Blood Sweat And Tears e inúmeros outros.

Ao intercalar, durante os shows que realizou em 1970, músicas de outros autores em seu repertório autoral, sentiu a boa reação por parte de seus fãs e resolveu encarar o desafio de gravar um álbum completo com material alheio.

Selecionou 11 canções (duas delas interpretadas no formato pot-pourry), lançadas entre 1954 e 1970 e abordando basicamente o universo dos grupos vocais de soul, especialmente aqueles oriundos ou inspirados no doo wop, valendo-se de vocalizações em alguns momentos derivadas do scat singing do jazz e também dos improvisos apaixonados do gospel.

A ideia era ousada, pois aquele tipo de música estava meio que deixado de lado naquele momento, e provavelmente nem todos haviam percebido que aquelas belas e de certo modo ingênuas canções de amor se tornariam grande clássicos pop com o decorrer dos anos. Para dar contornos ainda mais potentes ao trabalho, Laura não poderia ter sido mais feliz ao escolher duas parcerias decisivas para tornar Gonna Take a Miracle, o álbum em questão, um clássico.

Para a produção, a cantora e compositora escolheu uma promissora dupla radicada na Filadélfia que em breve invadiria as paradas de sucesso produzindo e compondo músicas para artistas icônicos como Billy Paul, The O’Jays, Harold Melvin And The Blue Notes e tantos outros. Kenny Gamble e Leon Huff escalaram um elenco de craques para acompanhar o piano swingado de Laura, entre os quais destacam-se Jim Helmer (bateria), Norman Harris e Roland Chambers (guitarra) e Ronnie Baker (baixo), além dos arranjos de metais e cordas a cargo de Tom Bell, Lenny Pakula e Robert Martin.

A cereja do bolo ficou a cargo da participação do grupo feminino Labelle. Na ativa desde meados dos anos 1960, inicialmente como Patti LaBelle & The Blue Belles, o trio vocal incluía as cantora Patti LaBelle, Nona Hendryx e Sarah Dash. Excelentes cantoras, elas incorporavam de forma intensa o formato dos girl groups do final dos anos 1950 e início dos anos 1960, e se encaixaram feito luva no projeto. Também com muita fome de bola, pois elas só estourariam em 1974 com o megahit Lady Marmalade. Aproveitaram e bem a vitrine.

Das 11 músicas, três vieram do repertório do efervescente grupo feminino da Motown Records Martha & The Vandellas. Sem desrespeitar as melodias originais, Laura, Labelle e os músicos souberam trazer aquelas canções maravilhosas para o contexto do álbum e dar a elas uma nova roupagem, uma nova assinatura, com direito a improvisos, aceleração dos ritmos em alguns momentos e muita alma nas interpretações. Laura Nyro sempre foi uma branca de alma negra, no melhor sentido que essa expressão possa ter.

Afinal de contas, o início da carreira daquela moça oriunda de Nova York foi precisamente cantando com grupos vocais, a capella (só vocais), nas esquinas daquela cidade, perto de estações de trem. Isso explica o porque a faixa que abre o álbum vai só no gogó até um minuto e pouco, uma bela reverência a essa época mágica. Mas vamos a uma análise faixa a faixa, com informações e tudo o mais.

I Met Him On a Sunday (S.Owens- D.Coley- A. Harris- B. Lee)- Gravada em 1958 pelas Shirelles.

O álbum tem início com uma faixa que vai até a metade a capella, e já entrega logo de cara o entrosamento entre Laura e as meninas do Labelle.

The Bells (I. Bristol- G. Gaye- M. Gaye- E. Stover)- Gravada em 1970 pelos The Originals.

Uma arrepiante balada gospel, faixa mais recente do repertório, mas com uma inspiração claramente extraída daquelas canções do final dos anos 1950.

Monkey Time (Curtis Mayfield)/ Dancing In The Street (W. Stevenson- M. Gaye- I. Hunter)- Gravadas respectivamente por Major Lance em 1963 e por Martha & The Vandellas em 1964.

No formato pot-pourry, foram unidas duas canções hiper pra cima. O resultado é de tirar o fôlego, especialmente em sua parte final, com Laura e suas meninas dialogando com muito swing.

Desiree (L. Cooper- C. Johnson)- Gravada por The Charts em 1957.

Uma balada delicada, na qual Laura esbanja sensibilidade e doçura.

You’ve Really Got a Hold On Me (W. Robinson)- Gravada por Smokey Robinson & The Miracles em 1962 e pelos Beatles em 1963.

Aqui, Laura Nyro, Labelle e os músicos fazem uma verdadeira façanha, que é fazer frente a duas gravações brilhantes feitas anteriormente. A performance do time todo, especialmente na parte final, em uma aceleração de ritmo e improvisação vocal empolgantes, é de aplaudir de pé.

Spanish Harlem (J. Leiber- P. Spector)- Gravada por Ben E. King em 1960.

Pausa para outro momento mais lento, mas com sensualidade latina que se encaixa feito luva na letra.

Jimmy Mack (B. Holland- L. Dozier- E. Holland)- Gravada por Martha & The Vandellas em 1967.

Releitura repleta de pura energia que não fica nada a dever à clássica versão original do grupo vocal liderado pela grande Martha Reeves, uma das grandes cantoras reveladas pela Motown Records.

The Wind (N. Strong- B. Edwards- W. Hunter- Q. Ewbanks- J. Gutierrez)- Gravada por Nolan Strong & The Diablos (1954).

Tem um clima etéreo, de sonho mesmo, é a mais antiga das canções escolhidas por Laura, e simplesmente encantadora.

Nowhere To Run (B. Holland- L. Dozier- E. Holland)- Gravada em 1965 por Martha & The Vandellas.

Mais um petardo do repertório de Marta & The Vandellas que Laura e sua turma da pesada releem com uma garra absurda. Difícil alguém ouvir essa gravação e não começar a dançar e a bater palmas para acompanhar. A performance dos músicos aqui também merece destaque, especialmente a do baixista Ronnie Baker.

It’s Gonna Take a Miracle (T. Randazzo- B.Weinstein- L. Stallman)- Gravada por The Royalettes em 1965 e Deniece Williams em 1976.

O álbum é encerrado por uma canção romântica daquelas de arrepiar, que deixa o ouvinte com aquele gostinho de quero mais ao concluir a audição desses pouco mais de 33 minutos de mero prazer auditivo.

Não muito tempo após o lançamento de Gonna Take a Miracle, que atingiu o nº 46 na parada pop americana, Laura se casou com o carpinteiro e veterano da Guerra do Vietnã David Bianchini. Só teríamos um novo álbum dela em 1976, quando seu casamento já havia se encerrado. Entre idas e vindas, ela se manteve na ativa até 1997, quando nos deixou precocemente, aos 49 anos, vítima de um câncer de ovário, lamentavelmente a mesma razão e a mesma idade em que sua mãe a deixou, nos anos 1970.

Ouça Gonna Take a Miracle- Laura Nyro And Labelle em streaming:

Dion, lenda viva, lançará álbum com convidados do 1º escalão

Dion Stomping Ground

Dion Stomping Ground

Por Fabian Chacur

Em meio a tantas notícias ruins e a tantos artistas maravilhosos nos deixando, é fantástico poder divulgar novidades positivas de um dos grandes nomes do rock and roll. Trata-se do grande Dion, que aos 82 anos continua ativo e produtivo. Ele acaba de divulgar o clipe de Take It Back, e anuncia o lançamento de um novo álbum, Stomping Ground, que será lançado em 5 de novembro em CD simples, LP duplo de vinil e nas plataformas digitais. Outra faixa já havia sido divulgada com clipe, I’ve Got To Get To You (veja aqui).

Com 14 faixas, sendo apenas uma não inédita, o clássico Red House (de Jimi Hendrix), e na sua maioria composições do próprio Dion DiMucci em parceria com Mike Aquilina, Stomping Ground flagra o artista ao lado de grandes nomes de várias gerações do rock e do blues, entre os quais Bruce Springsteen, Patti Scialfa, Boz Scaggs, Rickie Lee Jones, G.E. Smith, Joe Bonamassa e Keb’ Mo, com o texto incluído no encarte (liner notes) escrito por ninguém menos do que Pete Townshend, um dos inúmeros fãs célebres do artista americano.

As duas faixas já disponibilizadas, ambas excelentes, são blues elétricos e sacudidos, e não é surpresa o fato de o lançamento ser feito pela KTBA Records, selo ligado à fundação Keep The Blues Alive, criada por Joe Bonamassa para manter o blues mais firme e forte do que nunca. Por sinal, esta gravadora teve como primeiro lançamento o disco anterior de Dion, Blues With My Friends (2020), com participações de Paul Simon, Jeff Beck e Bruce Springsteen.

Na ativa desde 1957, Dion fez sua fama inicialmente com o grupo vocal Dion And The Belmonts, embarcando posteriormente em uma brilhante carreira-solo. Sua mistura do rock inicial com o doo-wop mostrou-se original e impactante, gerando hits como A Teenager In Love, I Wonder Why, Runaround Sue, The Wanderer e Abraham Martin And John, só para citar alguns, até o fim dos anos 1960.

Desde então, se não visitou mais as paradas de sucesso, manteve-se ativo e gravando ótimos álbuns (alguns de música cristã), entre os quais o excelente Yo Frankie (1989), com participações de Bryan Adams, Lou Reed, Paul Simon, k.d. Lang e Patty Smith. Em 24 de março de 2022, estreará em Millburn, New Jersey (EUA) o musical The Wanderer, inspirado em sua bela trajetória musical.

Eis as faixas de Stomping Ground:

Take It Back– with Joe Bonamassa
Hey Diddle Diddle– with G.E. Smith
Dancing Girl– with Mark Knopfler
If You Wanna Rock ‘n’ Roll– with Eric Clapton
There Was A Time– with Peter Frampton
Cryin’ Shame– with Sonny Landreth
The Night Is Young– with Joe Menza and Wayne Hood
That’s What The Doctor Said– with Steve Conn
My Stomping Ground– with Billy F Gibbons
Angel In the Alleyways– with Patti Scialfa and Bruce Springsteen
I’ve Got To Get To You– with Boz Scaggs, Joe Menza and Mike Menza
Red House– with Keb’ Mo’
I Got My Eyes On You Baby– with Marcia Ball and Jimmy Vivino
I’ve Been Watching– with Rickie Lee Jones and Wayne Hood

Take It Back (clipe)- Dion e Joe Bonamassa:

Baccara perde Maria Mendiola, 69 anos, integrante original

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Por Fabian Chacur

Um dos destaques da trilha sonora da novela global Espelho Mágico (1977) foi a faixa disco Yes Sir I Can Boogie. Esse hit, que atingiu o 1º posto em 14 paradas europeias na época, incluindo a do Reino Unido, marcou a efusiva estreia do duo Baccara. Neste domingo (12), foi divulgado em um perfil do Instagram que a cantora e dançarina espanhola Maria Mendiola, única integrante da dupla original na formação atual, infelizmente nos deixou aos 69 anos em Madrid, de causa não revelada.

Nascida em 4 de abril de 1952, Maria Mendiola trabalhava como dançarina em uma emissora de TV espanhola ao lado de Mayte Mateos (nascida em 7 de fevereiro de 1951) quando sugeriu à amiga que elas poderiam se dar bem cantando em dupla músicas dançantes. Seus caminhos se cruzaram com o do produtor Leon Dane, que trabalhava para a filial alemã da gravadora RCA e viu potencial nas duas. Não demorou para que elas fossem contratadas.

Com produção musical e composições a cargo dos alemães Frank Dostal e Rolf Soja, as espanholitas, agora se valendo do nome Baccara, gravaram um primeiro single em 1977. E logo de cara, a canção em foco, Yes Sir I Can Boogie, as levou a invadir as paradas europeias com sua levada disco com tempero latino e um jeitão de pop sensual e ingênuo. Deu tão certo que estourou também no Brasil, na gravação original delas e na divertida versão em português interpretada pela paraguaia Perla com o peculiar título Eu Sei Tudo Professor.

Essa faixa foi o carro-chefe do autointitulado álbum de estreia do Baccara, lançado no final de 1977. Outra canção desse álbum conseguiu boa repercussão nas paradas de sucesso, a também dançante e muito caliente Sorry I’m a Lady. Nas apresentações ao vivo, a marca registrada das moças era Mendiola de vestido branco e Mayte de preto, além das coreografias.

O 2º álbum do duo, Light My Fire (1978), trouxe como destaque um longo pot-pourry com quase 12 minutos reunindo mais uma composição de Dostal/Soja, Baby Why Don’t You Reach Out?, com a célebre Light My Fire, canção mais popular da carreira do The Doors. Releituras de La Bamba (Ritchie Valens) e Yummy Yummy Yummy (Ohio Express) também marcaram presença, mas o álbum vendeu pouco em relação ao anterior.

Outra tentativa, no mesmo ano, foi participar do festival Eurovision defendendo Luxemburgo com a canção Parlez-Vous Français?, que atingiu o 7º lugar na competição e também marcou presença no LP Light My Fire.

Após mais dois álbuns sem grande repercussão (Colours– 1979 e Bad Boys-1981), as duas integrantes do Baccara resolveram seguir caminhos distintos, ambas tentando se valer do nome Baccara e competindo intensamente pelos antigos fãs. No fim das contas, foi Maria Mendiola quem se deu melhor, e conseguiu sucesso (embora muito menor do que os antes) com faixas como Call Me Up, Fantasy Boy e Touch Me.

Após a saída de Mayte Mateos, Maria Mendiola teve a seu lado Marisa Perez (de 1985 a 2008), sua sobrinha Laura Mendiola (de 2008 a 2011) e Cristina Sevilla, outra amiga dos tempos de TV espanhola e que chegou a integrar a versão Baccara de Mayte nos anos 1980. E foi precisamente Sevilla quem anunciou, no Instagram, a morte da colega de dupla, ocorrida neste sábado (11) em Madrid.

Yes Sir I Can Boogie ganhou sobrevida desde os tempos da disco music graças a releituras de Sophie Ellis-Bextor, The Fratellis e Goldfrap, além de ter sido usada de forma informal como uma espécie de hino da seleção de futebol da Escócia durante a Euro 2020.

Yes Sir I Can Boogie (clipe)- Baccara:

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