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Lollapalooza 2015 demonstra o poder dos DJs em festivais

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Por Fabian Chacur

Com um público de 66 mil pessoas no sábado (28) e 70 mil no domingo (29) conforme informações da organização do evento, o festival Lollapalooza Brasil 2015 pode ser considerado um grande sucesso. Sem ligar para a crise, o pessoal foi ao Autódromo de Interlagos. A surpresa ficou por conta de quem mais agradou o povão: os DJs.

Para quem acompanha o mundo da música há décadas, pensei que nunca veria o dia em que um sujeito sozinho no palco seria capaz de dominar plateias de festivais massivos. Para que um DJ conseguisse tal façanha, ele teria necessariamente de levar músicos, dançarinos e outros adendos a seus shows. Era o que se pensou durante muito tempo.

Na noite deste domingo (29), o escocês Calvin Harris mostrou que só precisa do auxílio luxuoso da eletrônica. Seu palco inclui telões de led de altíssima definição nas partes da frente e de trás. Canhões de luz e efeitos se incumbem de efeitos e de jogar papéis picados, espuma, fumaça etc no público. E os telões externos completam a parte visual.

Em termos musicais, o DJ astro se vale das versões gravadas de suas músicas e da de outros astros da cena dance eletrônica, um equipamento com som no talo e é isso. Sua interação com o público se limita a perguntar se tudo está bem e a dar eventuais paradinhas no som, para ouvir o povão cantando junto. E o pessoal canta mesmo.

Incrível. O som: dance music com forte influência do som house/eletrônico dos anos 1990, com direito a aqueles teclados com som de colmeia de abelhas alucinadas.

O show de Harris foi um delírio do início ao fim, mesmo sem músicos, dançarinos ou outros seres humanos em cena (com exceção da equipe técnica). Seu colega de profissão, o também badalado americano Skrillex, teve a mesma recepção entusiástica no sábado (28). O fato concreto: quem quiser levar público em festivais atualmente precisa desses mega DJs no line up. Senão, quebra a cara.

Enquanto isso, roqueiros como Robert Plant (que fez um show bastante competente, com direito a vários clássicos do Led Zeppelin), Smashing Pumpkins (com nova escalação) e Jack White (fera!) levaram um número de fãs abaixo do povo da dance music, embora ainda assim significativo. Mas se dependesse só deles, o evento teria sido mais esvaziado.

O grupo britânico Bastille foi outro fenômeno pop que, com apenas um álbum lançado, levou o público ao delírio. Quem fez um show extremamente quente e profissional foi o cantor, compositor e produtor americano Pharrell Williams, do hit Happy, com direito a soul music, funk e r&b de primeira com banda afiada, dançarinas e vocalistas de apoio lindas e músicas matadoras como Get Lucky, Move Yourself To Dance e Hollaback Girl, entre outras. Lavou a alma de quem gosta de música e de músicos em cena.

Sem grandes incidentes, o Lollapalooza 2015 se mostrou um sucesso por ter interpretado o anseio do público em ouvir uma programação eclética e com os DJs no meio. Para quem curtia os festivais de rock e de black music de antigamente, uma decepção ao ver “exércitos de um homem só” dando as cartas. Mas é a realidade atual. Viva-se com isso, embora dê para se lamentar…

Summer – Calvin Harris:

1 Comment

  1. Esse teclado ” som de colmeia de abelhas alucinadas” é horroroso. Como apreciador de House underground fortemente influenciado pela disco music, r&b e por aí vai, não aguento ouvir estes daí.

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