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Pat Dinizio, vocalista e o líder dos Smithereens, nos deixa

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Por Fabian Chacur

Em meio ao verdadeiro mar de bandas de tecnopop, heavy/hard rock e new wave que predominavam no cenário rocker dos anos 1980, os Smithereens soavam como uma verdadeira anomalia. Naquele tempo, alguém fazendo uma vigorosa e personalizada releitura do rock anos 1963-1966? Sem chance! Mas eles marcaram época, mesmo assim. Seu líder, o incrível cantor, compositor e guitarrista Pat Dinizio, nos deixou nesta terça (12), com 62 anos.

A morte deste artista oriundo de Scotch Plains, New Jersey, não teve sua causa divulgada, e quem a revelou foram seus ex-colegas de banda em um comunicado oficial nas redes sociais. O fato é que desde 2015, quando sofreu duas quedas que o deixaram com problemas para tocar, o músico sofria com problemas de saúde. Em setembro deste ano, há registros de que ele teria tido nova queda, e que vinha tentando se recuperar. Infelizmente, não foi possível.

Ao lado de Jim Babjak (guitarra e vocais), Dennis Diken (bateria e vocais) e Mike Mesaros (baixo e vocais), também oriundos de New Jersey, Dinizio criou o The Smithereens em 1980. Após lançarem dois ótimos EPs independentes, Girls About Town (1980) e Beauty And Sadness (1983), eles batalharam muito e ouviram inúmeros “não” de várias gravadoras, até enfim conseguiram um contrato com a Enigma Records.

Em 1986, lançaram Specially For You, na minha humilde opinião um dos melhores álbuns de estreia de uma banda oitentista. Com uma mistura da sonoridade de grupos como Beatles, Hollies, The Who e aquele espírito meio Merseybeat 1963-1966, ofereceram aos ouvintes maravilhas como a envolvente e vigorosa Blood And Roses, a balada-bossa In a Lonely Place (dueto com Suzanne Vega, que havia sido chefe de Dinizio em uma pequena empresa) e o rockão Behind The Wall Of Sleep, só para citar algumas faixas.

Com uma voz melódica e ótimas composições, Dinizio era o destaque do time, mas seus colegas eram do mesmo alto nível, com Babjak fazendo uma dobradinha impecável de guitarra com ele e a dupla Diken/Mesaros segurando todas na cozinha rítmica. O álbum não passou do número 51 na parada pop americana, mas conquistou os fãs mais atentos de rock, sendo que Blood And Roses entrou na trilha do filme Dangerously Close (1986) e de um episódio da badalada série de TV Miami Vice.

Green Throughs (1988) veio a seguir, com direito a outras pedradas, como os rockões Only a Memory e House We Used To Live In. Em 1989, sai 11, o álbum que obteve a melhor posição do quarteto nos charts americanos (nº 41) e que traz seu single mais bem colocado nas paradas de compactos, A Girl Like You (nº 38).

A partir dos anos 1990, o quarteto americano praticamente sumiu dos charts, mas prosseguiu fazendo shows e lançando discos bem recomendáveis, entre os quais o excelente e hoje raro A Date With The Smithereens(1994), único trabalho lançado por eles com o selo RCA. Em 1997, Pat Dinizio lança o primeiro dos quatro trabalhos solo que gravaria, o ótimo Songs And Sounds.

Na década passada, os Smithereens prestaram tributo a quem tanto os influenciou com dois CDs: Meet The Smithereens! (2007), no qual regravaram na íntegra o primeiro álbum dos Beatles que a Capitol Records lançou nos EUA (incluindo I Wanna Hold Your Hand, I Saw Her Standing There e It Won’t Be Long, entre outras), e The Smithereens Plays Tommy (2009), com faixas da ópera-rock Tommy, do The Who.

Poucos artistas conseguiram recriar com tamanha inspiração e talento a sonoridade rocker dos anos 1960 como Pat Dinizio, ele que também era fã declarado do genial Buddy Holly, pioneiro do rock e influência decisiva no som dos Beatles. Curiosidade: durante as gravações de Specially For You, mais precisamente no dia 31 de dezembro de 1985, morria Ricky Nelson, certamente um dos artistas que influenciou a sonoridade dos Smithereens.

A primeira faixa dos Smithereens a ser lançada no Brasil foi Blood And Roses, em uma coletânea com músicas de vários artistas intitulada Dancing, em 1986. Depois, tivemos alguns de álbuns em nossas lojas, mas infelizmente nunca o seminal Specially For You. Hoje, todos são raridades daquelas. E algumas de suas músicas tocaram por aqui nas rádios rock nos anos 1980, especialmente A Girl Like You.

Blood And Roses– The Smithereens:

O Kid Vinil, gentleman que se tornou um herói real do Brasil

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Por Fabian Chacur

O roqueiro pode ser um bom rapaz? Se a figura em questão for um certo Antônio Carlos Senefonte, a resposta é um retumbante sim. Mesmo abraçando o nosso velho e bom rock and roll de corpo, alma, voz e ouvidos, ele sempre teve como marca o fato de ser um gentleman. Kid Vinil, esse cara que infelizmente nos deixou nesta sexta-feira (19) em São Paulo, aos 62 anos, após lutar com bravura para vencer as sequelas de uma parada cardíaca sofrida em 18 de abril em Conselheiro Lafaiete (MG).

Em um país que atualmente se choca diariamente com a desfaçatez com que políticos, empresários e outros seres humanos chafurdam na lama de forma asquerosa para manterem suas negociatas escusas, Kid sempre foi um verdadeiro herói do Brasil, como dizia a letra da música gravada por ele no primeiro álbum do Magazine, autointitulado e lançado em 1983 e um clássico do rock brasileiro.

Oriundo do interior de São Paulo em 10 de março de 1955, Kid não nasceu em berço de ouro, e batalhou muito para chegar onde chegou. Ele trabalhou na gravadora Continental com o brilhante Vitor Martins, aquele mesmo, eterno parceiro de Ivan Lins em grandes clássicos da MPB, e no fim dos anos 1970 já estava trabalhando em rádio e dando seus primeiros passos como cantor de rock.

Kid ajudou como poucos na divulgação, em nosso país, do que de mais relevante ocorria no rock internacional a partir do punk rock. Como radialista, DJ, crítico musical e atuando em gravadoras, educou incontáveis fãs com seu vasto conhecimento musical, sempre aberto e disposto a desencavar tanto raridades como novidades. Com um leve ar professoral, mas descontraído e desinibido.

Na seara musical, começou a ficar conhecido com a banda punk Verminose, que se transformaria em new wave ao mudar o nome para Magazine. Sou Boy foi um dos primeiros grandes sucessos do rock brasileiro geração anos 80, seguido por outros hits como Tique-Tique Nervoso, Comeu, Adivinhão, Glub Glub No Clube e Kid Vinil (aquela que gerou a alcunha “O Herói do Brasil” que tanto o marcou).

A partir daí, a vida musical de Mr.Senefonte geraria a banda Kid Vinil e os Heróis do Brasil, na qual se destacava o guitarrista André Christovan e que lançou um único (e ótimo) autointitulado álbum em 1986, um álbum-solo (Kid Vinil) em 1989, um CD do Verminose em 1995 (Xu-Pa-Ki), o álbum com uma nova encarnação do Magazine em 2002 (Na Honestidade) e um DVD retrospectivo em 2013 (Vinil ao Vivo, leia a resenha de Mondo Pop aqui).

Kid ainda gravou um CD de releituras de clássicos conhecidos e/ou obscuros de rock em 2010 com o Kid Vinil Xperience (Time Was, em 2010), e um single em vinil em 2014 (leia a resenha aqui). Ele também lançou o Almanaque do Rock em 2009, e a biografia, Um Herói do Brasil, escrita por Ricardo Gozzi e Duca Belintani.

Além de atuar como DJ e de eventuais shows com o Magazine, Kid também participava de shows celebrando os anos 80 ao lado de amigos e contemporâneos daqueles tempos, como Kiko Zambianchi e Ritchie. E infelizmente foi após sua participação em um desses shows que ele sofreu o ataque cardíaco responsável por seu fim prematuro.

Kid Vinil vai fazer muita falta para seus incontáveis fãs, amigos e admiradores, que frequentemente eram as três coisas juntas, pois poucos nomes importantes se faziam tão acessíveis e gentis como ele. O lindo dogão Kosmo ficou sem seu pai, que tristeza!

Magazine- Magazine (1983- em streaming):

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