Mondo Pop

O pop de ontem, hoje, e amanhã...

Author: Fabian Chacur (page 1 of 123)

Tom Speight mostra seu otimismo em Everything’s Waiting For You

tom speight 400x

Por Fabian Chacur

O nome de Tom Speight é familiar para quem segue as playlists e paradas de sucesso desde 2014. Em seu currículo, o cantor, compositor e músico britânico tem diversos EPs e um álbum completo, Collide (2019). No Brasil, sua música Little Love (ouça aqui), de 2015, conseguiu a façanha de atingir o primeiro posto em execuções nas plataformas digitais. E agora ele nos oferece o seu primeiro single de 2021, primeira prévia de seu segundo álbum, previsto para sair no segundo semestre deste ano via Nettwerk Records, com coprodução de Rich Turvey (Blossoms).

Em press release enviado à imprensa, o artista oriundo de Londres explica a origem e a inspiração por trás de Everything’s Waiting For You:

“Essa é uma música enorme para o álbum porque definiu qual é a principal mensagem do álbum em uma só canção. Eu escrevi sozinho na semana antes do confinamento no Reino Unido sem ter noção do que o mundo estava prestes a se tornar… é sobre enfrentar o mundo com quem você ama sem olhar para trás.”

Everything’s Waiting For You– Tom Speight:

Roberta Campos lança clipe para a bela canção Cada Acorde é Seu

Roberta Campos - crédito Victor La Côrte 9

Por Fabian Chacur

Uma das marcas da obra da cantora, compositora e musicista Roberta Campos é a delicadeza de suas canções. Essa assinatura própria se mostra presente mais uma vez em um novo lançamento, o EP Só Conheço o Mar (lançado pela gravadora Deck nas plataformas digitais), que traz cinco composições inéditas da moça escritas durante a pandemia do novo coronavírus. E já temos um novo clipe disponível também, preparado para divulgar a faixa Cada Acorde é Seu.

Com direção a cargo de André Albuquerque e gravado em um estúdio em São Paulo, o clipe tem como pano de fundo um estúdio, no qual a cantora interpreta a canção acompanhada com seu violão. Tudo muito simples. A música segue seu estilo folk-MPB e traz também intervenções de metais, órgão Hammond e flugelhorn, que trazem um tempero diferente para o que essencialmente é o desenvolvimento lógico de seu trabalho. Muito bom de se ouvir.

Todo Acorde é Seu (clipe)- Roberta Campos:

Phil Spector, 81 anos, genial na música e um ser humano horrível

phil spector

Por Fabian Chacur

A trajetória de vida de Phil Spector equivale a um belo retrato das contradições inerentes ao ser humano. De um lado, o produtor, compositor e músico que marcou presença em grandes momentos da música, como discos de John Lennon, The Beatles, George Harrison, The Ronettes, The Crystals e The Righteous Brothers, entre outros. Do outro, um ser humano de temperamento difícil, cujo momento mais horrível foi um crime que lhe custou a liberdade. Ele nos deixou neste sábado (16) aos 81 anos, em um presídio na California. Triste final.

Spector nasceu em 26 de dezembro de 1939, fato curioso se levarmos em conta que um de seus trabalhos mais reverenciados foi um álbum natalino sobre o qual falarei mais à frente. Seu primeiro momento importante na carreira musical ocorreu em 1958 graças ao sucesso de To Know Him Is To Love Him, canção de sua autoria e gravada por sua banda na época, a Teddy Bears, na qual ele cantava e tocava guitarra. Atingir o primeiro lugar entre os singles nos EUA com apenas 19 anos e sendo o autor da música não é pra qualquer um.

Com o precoce fim do grupo que o lançou, em 1959, ele resolveu investir em seu lado compositor, produtor e empresário. Com o sucesso de Spanish Harlem, hit em 1960 com o cantor Ben E. King e parceria de Spector com o consagrado compositor e produtor Jerry Leiber (parceiro de Mike Stoller em inúmeros hits), seu prestígio aumentou, e ele resolveu montar a própria gravadora, a Philles Records, no final de 1961.

De forma inteligente, Phil montou um time com ótimos profissionais, entre os quais o arranjador Jack Nitzche (1937-2000), o engenheiro de som Larry Levine (1928-2008) e um elenco de ótimos músicos de estúdio (entre os quais Hal Blaine, Larry Knetchell e Carol Kaye) que depois seriam conhecidos pela alcunha Wrecking Crew. De quebra, buscou nomes promissores, entre os quais os grupos vocais The Ronettes, The Crystals e The Righteous Brothers.

Até 1966, Spector emplacaria inúmeros sucessos nas paradas pop como produtor e compositor pelo seu próprio selo, entre eles Be My Baby (The Ronettes), Da Doo Ron Ron (The Crystals) e You’ve Lost That Loving Feelin’ (The Righteous Brothers). Sua marca registrada era a utilização de uma técnica de estúdio apelidada de Wall Of Sound, na qual ele se valia de uma verdadeira orquestra de músicos para dar um tom apoteótico para cada canção, definida por ele próprio como “uma abordagem Wagneriana para o rock and roll” ou “pequenas sinfonias para as crianças”.

Em 1963, Phil Spector resolveu fazer um disco para celebrar o Natal, uma das festas mais queridas pelo público americano, e lançou A Christmas Gift For You From Phillis Records, com a participação de Darlene Love, The Ronettes e The Crystals, entre outros. O disco não fez sucesso logo de cara, quem sabe pela infelicidade de ter sido lançado no mesmo dia em que John F. Kennedy foi assassinado, mas com o decorrer dos anos se tornou um clássico, também chamado de Phil Spector’s Christmas Album.

Em 1966, apostou todas as suas fichas no sucesso de River Deep-Mountain High, a rigor a primeira gravação solo de Tina Turner. Apesar da inegável qualidade da gravação, elogiada pelos críticos, o single só atingiu o modestíssimo nº 88 nos EUA, embora tenha sido 3º lugar no Reino Unido. Aparentemente, a decepção o levou a sair de cena até 1969.

Naquele ano, começou sua relação com os Beatles e seus integrantes. No início de 1970, Instant Karma!, de John Lennon, foi o primeiro fruto daquela nova fase dele. Em seguida, incumbiu-se da produção da trilha do filme Let It Be, retrabalhando as gravações feitas anteriormente por George Martin e Glynn Johns. O resultado obteve grande resultado comercial, mas teve repercussão diversificada entre os críticos. Paul McCartney odiou o arranjo “wall of sound” para The Long And Winding Road, por exemplo.

Entre outros trabalhos, Spector se incumbiria da produção de clássicos do porte de John Lennon- Plastic Ono Band (1970), Imagine (1971) e Some Time In New York (1972), de Lennon, e All Things Must Pass (1970) e The Concert For Bangladesh (1971), de George Harrison

Em 1973, a excentricidade que já acompanhava o produtor americano começou a se tornar mais aparente. Tudo começou com o álbum de releituras de clássicos do rock que ele começou a produzir para John Lennon. Depois de algumas semanas de trabalho, ele simplesmente sumiu com as fitas master do álbum, deixando o ex-beatle simplesmente atordoado. O material só seria devolvido depois de meses, e a partir dali, Lennon tomou conta ele próprio da produção do LP, que sairia em 1975 com o título Rock And Roll.

Em 1974, Phil sofreu um grave acidente de carro, e por muito pouco não abreviou em uns bons anos o seu tempo de vida. Reza a lenda que foi a partir daí que, por causa de cicatrizes que ganhou com a batida, passou a usar perucas, que com o decorrer dos anos foram se tornando cada vez mais bizarras.

Em 1974, o grande Dion DiMucci, conhecido por clássicos do rock como Runaround Sue e I Wonder Why, resolveu apostar em Spector para produzir um de seus álbuns. O resultado foi Born To Be With You (1975), que Dion odiou tanto a ponto de definir sua sonoridade como de “música para trilha sonora de velório”. Há quem goste muito deste LP, no entanto.

Aliás, essa passou a ser a marca de Spector como produtor a partir daí: assinar trabalhos não apreciados pelos artistas que os lançaram, mas cultuados por fãs e por outros artistas. O próximo da lista foi Death Of a Ladies Man (1977), do canadense Leonard Cohen.

A coisa pegou mesmo em 1980, quando ele foi escolhido para tentar dar aos Ramones um disco que vendesse bastante. End Of The Century (1980) teve um resultado comercial bem modesto, e também arrancou comentários ácidos por parte de Johnny e Marky Ramone acerca do produtor, incluindo relatos de horas infindáveis para gravar um único acorde e reuniões tétricas na mansão de Spector, com direito a filmes bizarros sendo exibidos e armas de fogo podendo ser acionadas a qualquer momento.

A partir de 1981, quando coproduziu Seasons of Glass (1981), álbum que Yoko Ono lançou poucos meses após a morte de John Lennon, Phil Spector foi aos poucos saindo de cena. Um momento de destaque ocorreu em 1991 com o lançamento de Back To Mono (1958-1969), luxuosa caixa com 4 CDs reunindo 60 faixas produzidas e/ou compostas por ele e também o álbum natalino em sua íntegra. Esse produto ajudou a resgatar a importância da sua obr.

Em 2003, no entanto, a parte sombria da personalidade do produtor americano veio mais uma vez à tona, e desta vez de forma trágica. Ele matou com um tiro na boca em sua mansão na Califórnia a atriz e modelo Lana Clarkson (1962-2003). O julgamento final ocorreu em 2009 e rendeu a Spector uma pena de 19 anos de reclusão. Há também provas de que ele teria cometido delitos graves contra filhos e ex-esposas, mas prefiro não me estender nessa área.

Nesses anos de ostracismo, ele foi cogitado para ser um dos produtores de Falling Into You (1996), álbum que solidificou a carreira internacional da canadense Céline Dion, mas ele não teria conseguido se entrosar com a equipe da cantora. Seu provável último trabalho ocorreu no álbum Silent Is Easy (2003), do grupo inglês Starsailor, que traz duas músicas produzidas por ele, incluindo a faixa-título, que no formato single atingiu o 10º lugar na parada britânica. O último hit com sua griffe.

O lado bom de Phil Spector deixou como herança grandes álbuns e canções, mesmo sem nunca ter tido a unanimidade de público e dos outros profissionais do ramo. O negativo, por sua vez, mostrou um profissional nem sempre confiável, de ego exacerbado, e um ser humano capaz das maiores atrocidades em seus relacionamentos pessoais. Uma espécie de Dr. Jeckyl e Mr. Hyde da vida real.

Be My Baby– The Ronettes:

Griswolds apresenta o seu lado desplugado em Punkidz Acústico

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Por Fabian Chacur

Após sua incursão pelos temas cinematográficos de animações no álbum Punkidz (2018), o Griswolds mergulhou em um trabalho no qual faria releituras de canções das trilhas sonoras dos mais descolados filmes da década de 1980. Só que, aí, surgiu a pandemia do novo coronavírus, e o trio jauense se viu com sua agenda interrompida e em isolamento social. E um novo projeto apareceu. Trata-se de Punkidz Acústico, já disponível nas plataformas digitais, que mostra o grupo desplugado pela primeira vez em sua carreira.

Fernando Lazzari (vocal e guitarra), que integra há uma década o Griswolds ao lado do irmão Alexandre (bateria) e do cunhado Naka (baixo e vocais), explica o processo de criação que culminou em seu novo álbum:

“As gravações foram bem experimentais até porque nunca tínhamos trabalhado com violões. As afinações dos instrumentos deram um pouco de trabalho e muita coisa foi gravada e regravada diversas vezes. Achamos que o disco tinha que ser cantado novamente em português, como uma seqüência lógica do Punkidz de 2018. Nunca foi a nossa pretensão lançar um disco acústico. Na verdade, nunca tínhamos tocado nada com violões antes desse álbum”.

Sobre essa mudança momentânea no espírito da banda, Fernando comenta:

“Os Griswolds sempre foram punk rock com guitarras distorcidas, numa linha reta e com poucos arranjos rebuscados. Gostamos de trabalhar a melodia em cima de uma harmonia com a batida marcante da bateria. É isso e sempre foi isso: aquela trilha sonora daqueles filmes que nos marcaram, tocadas com guitarra, baixo e bateria. É o que batizamos de Cine and Roll. Mas esse ano tudo foi diferente. E o estalo veio quando acabei revendo a animação da Disney A Família do Futuro. O filme termina com Pequenas Maravilhas e eu automaticamente peguei o violão e fui arranhando a música. Pronto; minha cabeça já estava totalmente voltada para esse novo trabalho”.

O repertório do álbum, o sexto da discografia da banda de Jaú (SP), traz dez versões em português de músicas de animações da Disney. Aqui No Mar, de A Pequena Sereia, tem para divulgá-la um clipe caprichado e criativo, com direção do cineasta Marcos Atalla.

Em seu primeiro trabalho acústico, o Griswolds se mostra à vontade no novo formato, dando um pouco mais de ênfase às melodias e se valendo ainda mais da excelente dicção de Fernando para transmitir as letras positivas e otimistas das canções incluídas aqui. Fernando justifica a escolha do universo Disney:

“O disco é uma celebração a aquele lema que a Disney tanto nos ensinou, que é continuar seguindo em frente. É isso o que acreditamos e é isso que queremos em nossas vidas. Este disco é inteiramente dedicado a todas as pessoas e famílias que perderam alguém durante a pandemia. Nós só temos a agradecer por estarmos todos aqui! Que venha2021 com muita saúde para todos!”

Aqui no Mar (clipe)- Griswolds:

Kylie Minogue e Dua Lipa lançam parceria que é pura disco music

kylie e dua lipa single capa

Por Fabian Chacur

Em 11 de novembro de 2020, Kylie Minogue lançou o álbum Disco, que atingiu logo em sua primeira semana o topo da parada britânica e também o 26º posto nos EUA. Uma de suas faixas, Real Groove, ganhou uma versão remix que leva o subtítulo Studio 2054 Remix e outro atrativo bacana, a participação especial da estrelinha pop britânica Dua Lipa. A nova releitura pegou na veia, e está sendo lançada no formato single nas plataformas digitais pela Warner Music-BMG.

A boa repercussão teve como base a apresentação das duas em um evento ocorrido em novembro do ano passado e intitulado Studio 2054, uma evidente homenagem ao lendário Studio 54, a mais badalada casa noturna americana na segunda metade dos anos 1970 e que ajudou a solidificar a disco music em termos de sucesso. Não por acaso, trata-se de uma versão escancaradamente influenciada por esse estilo musical.

Trata-se de mais uma prova de que, pela enésima vez, estamos vivendo um revival da disco music, estilo musical que chegou a ser banido das prateleiras do “bom gosto” no finalzinho dos anos 1970-início dos 1980, mas que posteriormente se mostrou uma das influências mais fortes no setor da dance music, volta e meia retornando às paradas de sucesso ou nas versões originais ou na reciclagem. Aguarde texto em breve sobre isso em Mondo Pop!

Real Groove (Studio 2054 Remix)- Kylie Minogue & Dua Lipa:

Fê Lemos, do Capital Inicial, lança single de house com Mel Ravasio

HB & MR - crédito Franco Filho 1-400x

Por Fabian Chacur

Paralelamente ao seu trabalho como baterista do Capital Inicial, Fê Lemos também investe no projeto Hotel Básico, dedicado à música dance de origem eletrônica. O primeiro álbum do “grupo do eu sozinho” saiu em 2005. Agora, o músico, que também integrou o histórico Aborto Elétrico ao lado de Renato Russo, surge com um novo single dessa sua vertente, Quanto Mais Eu Vejo, que o reúne à cantora e compositora Mel Ravasio.

A composição, assinada por Lemos e Mel, investe nas levadas e sonoridades típicas da house music dos anos 1990, com a bela garota se incumbindo dos vocais e o músico se virando com os synths vintage e a programação. Também temos a participação especial, nos synths e programações, de Gabriel Rocca. A melodia e o refrão tem aquela marca de grudar nos ouvidos e não sair mais, com timbres eletrônicos bem bacanas.

O clipe, dirigido por Miro Moreira e Adriana Paulini Leão, flagra a dupla no topo de um prédio e nas ruas do centro de São Paulo, cantando, tocando e também passeando num incrível Jaguar conversível. Trata-se da primeira amostra do álbum que reunirá o Hotel Básico a Mel Ravasio, previsto para ser lançado no primeiro semestre de 2021.

Quanto Mais Eu Vejo (clipe)- Hotel Básico & Mel Ravasio:

Genival Lacerda, 89 anos, o rei eterno do forró de duplo sentido

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Por Fabian Chacur

Uma das diversas variantes do forró leva como subtítulo “duplo sentido”, cujas letras investem na semelhança entre algumas palavras para dar a entender uma coisa ao ouvinte, tentando disfarçar essa intenção sempre escancarada. Presente há décadas no imaginário do povo brasileiro, esta vertente teve como seu principal nome o paraibano Genival Lacerda, que nos deixou nesta quinta-feira (7) no Recife (PE) aos 89 anos, após mais de um mês internado por causa da covid-19. Uma grande perda para a nossa cultura.

Nascido em Campina Grande (PB) em 15 de abril de 1931, Genival iniciou sua carreira musical nos anos 1950, quando se mudou para o Recife, onde gravou seu primeiro disco. Aceitando a sugestão de seu concunhado, o célebre e genial Jackson do Pandeiro, ele se mudou para o Rio de Janeiro em 1964, trabalhando em casas de forró e tentando ampliar os seus horizontes profissionais. Foi duro, mas enfim ele conseguiu.

Isso ocorreu em 1975, quando Severina Xique-Xique, sua composição em parceria com João Gonçalves, tomou conta de todo o país com sua letra bem-humorada e com o refrão grudento “ele tá de olho é na boutique dela”. Além da música ser muito boa em seu estilo, também a ajudou o fato de Genival ter uma forte presença cênica, com direito a roupas coloridas e a indefectível dança balançando sua barriga protuberante.

Presença frequente nos programas populares de TV nos anos 1970 e 1980, o artista paraibano emplacou uma série de hits, entre os quais Mate O Véio Mate, Quem Dera, Radinho de Pilha e inúmeros outros, todos investindo na ala mais dançante do forró e com versos irreverentes beirando (e muitas vezes ultrapassando) o politicamente incorreto. Mas sua simpatia e carisma sempre o ajudaram a superar possíveis problemas.

Uma das marcas registradas de Genival Lacerda foi sua capacidade de se reinventar e de estar sempre aberto a parcerias com outros artistas. Em 1988, por exemplo, ele marcou presença no primeiro LP solo do roqueiro Marcelo Nova, na faixa A Gente é Sem-Vergonha. Com Zeca Baleiro, gravou em 1997 O Parque de Juraci, faixa de Por Onde Andará Stephen Fry?, álbum de estreia do cantor e compositor maranhense.

Em 2010, foi a vez de Ivete Sangalo registrar um dueto com ele, a divertida Chevette da Menina, na qual brincam com o fato de o nome do carro rimar com o da cantora. E teve também uma parceria de Genival com o impagável Falcão, Forró Cheiroso, que saiu no álbum Casa do Forró, de 1998.

Mas o momento mais curioso de sua carreira ocorreu na metade dos anos 1990, quando o DJ Cuca fez uma versão dance de Rock do Jegue. A versão fez tanto sucesso que gerou o álbum Forró Dance By Genival Lacerda, lançado pela gravadora Paradoxx. Para divulgar essa música, ele chegou a ir em programas de TV vestido com uma versão forrozeira de um MC de dance music, incluindo até aqueles bonés típicos.

Mas esse seu lado pop não tirou dele o respeito por parte dos fãs do forró mais tradicional, o que pode ser comprovado pelo fato de ele participar de programas de TV dedicados à música brasileira de raiz, como o de Rolando Boldrin, por exemplo. Ele conseguia agradar ao povão mais simples e aos mais sofisticados.

Rock do Jegue (Cuca Mix)- Genival Lacerda:

Luís Martins mescla repertório próprio e clássicos em Sonho Live

foto luis martins 4 - creditos Hermes Fotografia-400x

Por Fabian Chacur

O ano de 2020 foi certamente um dos mais difíceis das últimas décadas, especialmente para a classe artística em todas as suas áreas. Mesmo com esse panorama cinzento à sua frente, o cantor, compositor e arranjador baiano Luís Martins não abriu mão de realizar seu novo projeto. Trata-se do álbum audiovisual Sonho Live, lançado pela sua produtora Arroz de Hauçá e disponível nas plataformas digitais.

O trabalho foi gravado ao vivo, sem plateia, no dia 26 de agosto de 2020 no Armazém Hall, situado em Lauro de Freitas, Bahia. No palco, além de Luís Martins, uma banda afiadíssima, composta por Álvaro Pinho (backing vocals), André Almeida (violão), Davi Brito (sopros), Fabrício Cyem (baixo), Fabrício Veloso (percussão), Gel Barbosa (acordeom), Rafael Santana (percussão), Ricardo Sibalde (sopros), Tiago Lourenço (piano) e Wil Wagner (bateria).

Esse timaço, extremamente bem ensaiado, dá um forte embasamento para que o protagonista do evento possa atuar de forma desenvolta. Luís tem aquilo que os críticos musicais das antigas chamavam de “malemolência”, ou seja, aproveita-se com muito swing e jogo de cintura de uma extensão limitada de voz, que ele, no entanto, utiliza com uma maestria digna de um Moraes Moreira, por exemplo, embora com o seu estilo próprio.

O repertório de 20 faixas de Sonho Live traz canções dos dois trabalhos de áudio lançados anteriormente pelo artista baiano, Sou Músico (2018) e Seis Meses (2019), mescladas com novidades autorais e também releituras de clássicos de Chico Buarque e Caetano Veloso, entre outros.

Luís é um excelente compositor, com letras sempre muito bem concatenadas aliadas a uma mistura musical que inclui samba, bossa nova e baião, com um tempero eventual de blues. A produção e direção musical de André Almeida é precisa, no sentido de dar a essas ótimas canções a roupagem adequada.

Em termos visuais, a edição de imagens é sóbria e extremamente eficiente, captando bem a movimentação dos músicos e também aproveitando a utilização de um telão ao fundo do palco que serve como um cenário muito bacana, destacando-se bastante em alguns momentos específicos.

Luís Martins faz algumas belas homenagens em suas composições. A Bahia é o foco em Praia do Forte e Salvador do Agogô, enquanto Luiz Gonzaga (O Rei Pop), Dona Canô (Dona do Amor) e Irmã Dulce (Anjo Bom) são os outros objetos de culto por parte do autor.

Se consegue se incumbir bem do ofício de interpretar suas obras, Luís também não se sai mal no repertório alheio, swingando com categoria em clássicos do porte de Homenagem ao Malandro (Chico Buarque), Reconvexo (Caetano Veloso) e o pot-pourry Mambembe/Sou Eu (Chico Buarque/ Chico Buarque e Ivan Lins).

Sonho Live também é uma boa amostra do poder de fogo da produtora Arroz de Hauçá, criada em Salvador (BA) em 2018 e agora sediada em São Paulo. A organização tem estrutura acústica e acervo completo de instrumentos musicais para ensaios e shows, além de um núcleo de editoração e de comunicação para produzir e editar conteúdos audiovisuais.

Ouça e veja Sonho Live, de Luis Martins, em streaming:

Maricotta lança videoclipe para divulgar seu novo single, Eu Sou

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Por Fabian Chacur

Com apenas 9 anos de idade, Maricotta começa a se destacar na cena musical brasileira graças aos bons singles que está lançando, sempre divulgados por clipes fofos. A jovem radicada em Belo Horizonte (MG) se mostra mais desenvolta a cada novo lançamento, e é essa a marca de Eu Sou (composta por Felipe Ispério e Gaby), seu primeiro single de 2021, disponível nas plataformas digitais e cujo clipe teve direção a cargo de Rafael Casson e Kathia Calil.

A canção traz versos como “estou aqui pra deixar tudo melhor do que encontrei” e investe em uma mensagem positiva e com a qual não só as crianças, mas também os adolescentes e adultos poderão se identificar. A simpática garotinha nos oferece sua visão sobre esta música: “Cantar essa música é legal porque consigo dizer pras pessoas que todos somos importantes e especiais”.

Com uma levada pop envolvente, Eu Sou conta com a produção de Bruno Alves, produtor musical, maestro e arranjador conhecido por seus trabalhos com artistas como Daniel Boaventura, Manu Gavassi, Sophia Abrahão e Kell Smith. Aliás, foi com uma releitura de uma canção de Kell, Era Uma Vez, que Maricotinha conquistou muitos fãs nas redes sociais, incluindo a própria artista, que compôs para ela A Cor Mais Bonita (ouça aqui).

Eu Sou (clipe)- Maricotta:

Gerry Marsden, 78 anos, o cantor que nunca nos deixou sozinhos

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Por Fabian Chacur

Os Beatles foram a banda mais bem-sucedida a sair da cidade britânica de Liverpool. Quanto a isso, não há a menor dúvida. No entanto, em um item, eles perderam para outra banda local e contemporânea, Gerry And The Pacemakers: os rivais conseguiram emplacar seus primeiros três singles no topo da parada britânica. Uma façanha até então inédita por lá, e que só seria igualada 20 anos depois. Seu cantor, guitarrista e líder, Gerry Marsden, nos deixou neste domingo (3) aos 78 anos, e deixa um legado que vai além da música.

Nascido em Liverpool em 24 de setembro de 1942, Gerry iniciou uma banda ao lado do irmão mais velho, Freddie Marsden (1940-2006). A formação clássica de Gerry And The Pacemakers também trazia Les Chadwick (baixo, 1943-2019) e Les Maguire (piano, 1941). Eles disputavam os fãs de rock em Liverpool com os Beatles, inclusive tocando nos mesmos locais, entre eles o célebre Cavern Club, onde se apresentaram por quase 200 vezes.

O quarteto foi o segundo a ser contratado por Brian Epstein (1934-1967), o lojista que resolveu se tornar empresário de artistas e iniciou seu projeto com os Beatles. Se os Fab Four foram contratados pela Parlophone, Gerry And The Pacemakers entraram em um outro selo da EMI, o Columbia, mas ambos tiveram como produtor o genial George Martin (1926-2016). Aliás, há uma história bem interessante envolvendo os dois grupos e Martin.

O primeiro single dos Beatles, Love Me Do, lançado no final de 1962, atingiu o 17º posto na parada britânica, um bom desempenho para uma banda iniciante. Mas George Martin achava que os seus garotos podiam ir ainda mais longe se gravassem uma canção alheia, e sugeriu a eles que tentassem How Do You Do It?, escrita por um jovem e emergente compositor chamado Mitch Murray.

Mesmo a contragosto, John, Paul, George e Ringo gravaram a tal música. O resultado não ficou nada mal, mas eles queriam de qualquer jeito que seu segundo single fosse Please Please Me, de Lennon e McCartney, e a vontade deles prevaleceu. No fim das contas, foi aquele caso em que os dois lados tinham razão, pois Please Please Me atingiu o segundo posto na parada britânica e se tornou o primeiro grande hit da banda.

Martin cismou que How Do You Do It? tinha cara de sucesso, e resolveu experimentá-la com Gerry And The Pacemakers, que não vacilaram e a gravaram de forma bem semelhante ao registro dos conterrâneos (que só seria lançado oficialmente em 1995 no primeiro volume de Anthology). Bingo! O grupo estreou com um single que atingiu o topo da parada britânica.

Vale o registro: os Beatles só chegariam ao topo da parada de singles britânica com seu terceiro single, From Me To You, o primeiro do que seriam, no total, 17 compactos simples dos Fab Four a atingir tal posto na parada de sucessos do Reino Unido. Mas voltemos aos Pacemakers.

Sem perder o embalo, Gerry e seus asseclas escolheram outra composição de Mitch Murray para seu segundo compacto simples, I Like It, e mais uma vez capitanearam a parada do Reino Unido. No caso do terceiro single, no entanto, a coisa rolou de uma forma um pouco diferente.

Fã de Laurel And Hardy (O Gordo e o Magro), Gerry resolveu ver um filme deles que estava sendo reprisado no cinema Odeon, em Londres. O plano era ver esse e se mandar. Só que uma bela chuva resolveu dar o ar de sua graça na capital inglesa, e o cantor e guitarrista resolveu ficar para ver o outro filme do programa, um tal de Carousel (1956), filme musical americano com músicas escritas pela célebre dupla Richard Rodgers e Oscar Hammerstein II.

Quando ouviu a principal canção da trilha, You’ll Never Walk Alone, apresentada com destaque em dois momentos importantes do filme, Gerry pôs na cabeça que aquela musica tinha de entrar no repertório de sua banda. E foi exatamente com ela que os Pacemakers emplacaram seu terceiro nº 1 consecutivo nos charts britânicos. Pouco depois, essa gravação viraria uma espécie de hino alternativo do Liverpool, sempre cantando por sua fanática torcida em suas partidas de futebol. As torcidas de Celtic (Escócia) e Borussia Dortmund (Alemanha) também adotaram essa mesma canção.

Por muito pouco Gerry And The Pacemakers não emplacaram um 4º single consecutivo no topo, pois I’m The One conseguiu chegar ao 2º lugar. E se não teve a performance dos singles anteriores, a doce balada Don’t Let The Sun Catch You Crying (assinada pelos quatro integrantes do grupo) se tornou um hit perene dos anos 1960, atingindo o 6º posto no Reino Unido e o 4º lugar nos EUA, o maior êxito do quarteto na terra do Tio Sam.

No finalzinho de 1964, Gerry Marsden registrou seu amor por Liverpool na canção de sua autoria Ferry Cross The Mersey, música que também daria nome ao filme estrelado pela banda lançado em 1965. O compacto com essa canção vendeu bem, sendo 8º colocado no Reino Unido e 6º nos EUA. A trilha do filme, o álbum mais bem-sucedido da banda nos EUA, também trazia a ágil It’s Gonna Be Alright, que fez sucesso no Brasil com o grupo Renato e Seus Blue Caps na versão em português intitulada Você Não Soube Amar.

No entanto, ao contrário dos Beatles, que se tornaram um fenômeno de proporções mundiais, Gerry e sua turma não conseguiram esse mesmo embalo. Walk Hand In Hand, lançado no final de 1965, foi seu último single a entrar nas paradas de sucessos britânicas, e ainda assim em um modesto 29º lugar. Após lançar a sarcástica The Big Bright Green Pleasure Machine (de Paul Simon) em outubro de 1966, o grupo anunciou sua separação.

A partir daí, Gerry Marsden investiu em uma carreira-solo sem grande repercussão, além de atuar em programas de TV e em um musical no teatro. Nos anos 1970, tentou reativar o grupo com uma nova formação que fez shows e lançou em 1974 o single Remember (The Days Of Rock And Roll), que passou batido em termos de sucesso.

Gerry, mesmo assim, manteve-se fazendo shows no circuito nostálgico, sempre se mostrando sensível e disponível para apoiar causas beneficentes. Com esse objetivo, regravou em 1985 You’ll Never Walk Alone, e o single voltou ao primeiro lugar por lá, a primeira vez em que um mesmo intérprete participava de duas versões número 1 de uma mesma canção. E o fato se repetiu em 1989, quando ele, ao lado de Paul McCartney, The Christians, Holly Johnson (do grupo Frankie Goes To Hollywood) e o trio de produtores e compositores Stock Aitken e Waterman, releu Ferry Cross The Mersey, que mais uma vez virou um hi nº1.

Aliás, a relação entre Frankie Goes To Hollywood e Gerry And The Pacemakers vai além de ambas as bandas serem oriundas de Liverpool. O grupo do cantor Holly Johnson foi exatamente aquele que, em 1983 e 1984, repetiu a façanha de seus conterrâneos, emplacando seus três primeiros singles- Relax, Two Tribes e The Power Of Love– no posto mais alto da parada britânica.

Aliás, mais duas coincidências ocorreriam entre eles. Welcome To The Pleasuredome, o 4º single do FGTH, bateu na trave, atingindo o 2º posto nos charts britânicos e os impedindo de conquistar seu 4º número 1 consecutivo. E o sucesso de Holly e seus colegas também se mostrou efêmero, com o grupo saindo de cena em 1987.

Gerry Marsden lançou em 1993 sua autobiografia I’ll Never Walk Alone em parceria com Ray Coleman, ex-editor do jornal britânico especializado em música Melody Maker. Ele foi condecorado com o MBE em 2003 pela sua atuação em causas humanitárias, e sofreu duas operações cardíacas, em 2003 e 2016. Ele anunciou sua aposentadoria em 2018, mas ainda apareceria publicamente celebrando a vitória de seu amado Liverpool na Champions League em 2019 e regravando You’ll Never Walk Alone em 2020 em homenagem aos profissionais da saúde do Reino Unido.

It’s Gonna Be Alright- Gerry And The Pacemakers:

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