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Caixa traz gravações inéditas de Ivan Lins da década de 70

ivan lins anos 70 caixa-400x

Por Fabian Chacur

Ivan Lins teve na década de 1970 o período decisivo em sua brilhante carreira. Foi durante aqueles anos que ele deixou de ser apenas um artista promissor para se inserir com força entre os grandes nomes da MPB, gravando discos essenciais e cativando o público. O selo Discobertas celebra os 70 anos de idade do artista e lança Ivan Lins Anos 70, caixa com três CDs de gravações inéditas do genial cantor, compositor e pianista carioca.

O material contido neste ótimo lançamento registra dois momentos distintos na carreira do autor de Madalena. Os volumes 1 e 2 trazem gravações feitas ao vivo em dois shows realizados em 1975, o primeiro (sem especificação do mês) em Curitiba (PR) e o outro em São José do Rio Preto (SP), este último no mês de novembro. São apresentações que marcam a primeira turnê mais extensa do artista, que estreava uma nova banda de apoio, a Modo Livre.

Além de Ivan nos vocais e piano, o grupo trazia Gilson Peranzzetta (teclados, que seria a partir dali seu braço direito nos próximos dez anos), Ricardo Pontes (flauta e sax), Fred Barboza (baixo) e João Cortez (bateria). O grupo surgiu para acompanha-lo depois do lançamento do álbum Modo Livre (1974), e se mostra em pleno processo de entrosamento nesses dois registros ao vivo.

A edição de som não nos permite deduzir se os shows foram gravados na íntegra ou não, mas a inclusão de falas de Ivan em algumas partes acaba sendo bem informativa, como no momento em que no show de Curitiba ele anuncia que iria cantar três músicas que seriam lançadas em seu próximo álbum, o então ainda inédito Chama Acesa. Apenas quatro músicas se repetem no repertório dos dois shows: Abre Alas (primeira parceria e primeiro hit escrito com Vitor Martins), Acender As Velas (Zé Ketti), Nesse Botequim (Ivan Lins e Vitor Martins) e Quero de Volta o Meu Pandeiro (Ivan Lins e Ronaldo Monteiro de Souza).

No set list, o artista demonstra rebeldia ao deixar de lado seus hits mais impactantes até então, as músicas Madalena e O Amor é Meu País, substituídas ou por canções ainda inéditas em discos dele, ou composições de Zé Kéti (Opinião é a outra, além de Acender as Velas), ou ainda temas instrumentais compostos por ele e/ou integrantes da banda. Os improvisos são frequentes, e o resultado dos dois shows no geral é bem bacana, com qualidade de áudio ótima.

Para o terceiro CD, foram reservadas 12 gravações feitas por Ivan em 1978 no estúdio Eldorado, em São Paulo. Por Cima dos Ossos (Ivan Lins-Ronaldo Monteiro de Souza) é inédita. As Minhas Leis, Esse Pássaro Chamado Tempo, Eu Preciso de Silêncio e Desalento (todas parcerias de Ivan com Ronaldo) foram gravadas por outros intérpretes e nunca haviam entrado antes em um álbum do próprio autor.

A Visita (Ivan Lins-Vitor Martins) entraria em outra versão no seminal álbum Nos Dias de Hoje, lançado naquele mesmo 1978. Temos as instrumentais Gaivota e Procurando Inês/Minas de Mim, assinadas só por ele. Acender as Velas, de Zé Kéti, é curiosamente a única música que aparece nos três CDs, em versões diferentes.

Completam o repertório do CD de estúdio O Sol Nascerá (Cartola e Elton Medeiros), O Amor em Paz (Tom Jobim e Vinícius de Moraes) e Não Me Diga Adeus (Paquito, Luiz Soberano e Correa da Silva). As performances são no esquema piano e voz, sendo que em quatro delas temos a participação da cantora e atriz Lucinha Lins (então casada com ele) nos vocais, todas muito boas. O clima intimista domina e encanta.

A apresentação da caixa é simpática, os encartes trazem as letras das canções e algumas fotos legais, mas deixa a desejar no sentido de que não temos textos com informações mais detalhadas sobre as gravações ou mesmo as contextualizando em relação à carreira do astro carioca.

O crédito da música Chega no encarte e na contracapa também está errado, pois a música é só de Ivan, e não da dupla Ivan Lins-Vitor Martins. Mas são deslizes perdoáveis, se levarmos em conta a preciosidade do material contido aqui. Uma homenagem à altura desse grande Ivan Lins, um gênio da música popular brasileira.

Quero de Volta o Meu Pandeiro– Ivan Lins:

Chega– Ivan Lins:

A Visita– Ivan Lins:

Kuarup relança Chama Acesa e Modo Livre, de Ivan Lins

ivan lins modo livre-400x

Por Fabian Chacur

A gravadora paulistana Kuarup anda prestando um belo serviço aos fãs da melhor música brasileira. Além de lançar novos artistas e reeditar títulos importantes de seu acervo de mais de 30 anos, o selo também está resgatando obras lançadas por outros selos. Agora, é a vez de dois títulos importantes da discografia de Ivan Lins, Modo Livre (1974) e Chama Acesa (1975), da extinta RCA (hoje no acervo da Sony Music).

Esses dois ótimos trabalhos marcam uma fase de transição na carreira do genial cantor, compositor e músico carioca, que recentemente completou 70 anos de idade (ler homenagem de Mondo Pop aqui). Marcam uma espécie de ruptura com seu trabalho anterior.

Embora de ótima qualidade artística, os três primeiros álbuns de Ivan eram olhados com narizes torcidos por parte da crítica especializada. Após lançar o sintomaticamente intitulado Quem Sou Eu? (1972), o artista perdeu o grande destaque que havia obtido na mídia, e deu uma célebre entrevista ao jornal alternativo O Pasquim no qual admitiu sua alienação em termos políticos. Novidades maiores viriam a seguir.

Modo Livre traz um artista centrado no samba moderno. Seis das onze músicas foram escritas com o parceiro dos hits iniciais, Ronaldo Monteiro de Souza, entre elas as ótimas Deixa Eu Dizer (que também fez sucesso com Claudya, cuja versão foi sampleada por Marcelo D2), Tens (Calmaria) e Espero. Mas outras faixas teriam mais destaque.

Abre Alas, por exemplo, equivale ao início da parceria com o paulista de Ituverava Vitor Martins, dobradinha que se tornaria nos anos seguintes uma das melhores e mais importantes da história da MPB. Foi o grande hit do álbum. Por sua vez, Chega, assinada só por Ivan, é um desabafo em relação às pressões que sofria: “as pessoas tem que gostar de mim como eu sou, e não como você quer que eu seja”.

Tocam em Modo Livre músicos como o guitarrista e maestro Artur Verocai, que já havia atuado antes com ele e que há pouco foi resgatado pelas novas gerações, o consagrado tecladista Wagner Tiso e o baterista Robertinho Silva, entre outros do mesmo alto nível. Avarandado (Caetano Veloso) e o pot-pourry de sambas clássicos General da Banda – A Fonte Secou- Recordar é Viver são releituras bacanas do álbum.

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Chama Acesa mostra a rápida evolução da dupla Ivan Lins/Vitor Martins, que assina cinco das onze músicas do álbum, com apenas duas de Ivan com Ronaldo Monteiro de Souza. Paulo Cesar Pinheiro, que escreveu com Ivan Rei do Carnaval, no CD anterior, volta a ser parceiro na faixa que deu título ao álbum e de Poeira Cinza e Fumaça. Duas são só do autor de Madalena, as ótimas Sorriso da Mágoa e Nesse Botequim.

Embora ainda tendo o samba como base, este álbum de 1975 ganhou fortes elementos jazzísticos, além de marcar o início da colaboração de Ivan Lins com o excelente pianista e tecladista Gilson Peranzzetta, parceria que se estenderia por muitos anos. Os sopros (flauta e sax) de Ricardo Ribeiro ajudam a ressaltar esse clima jazzy que pontua o álbum.

Os dois álbuns já haviam sido lançados em CD pela antiga BMG em 2001, mas as novas edições da Kuarup são mais caprichadas, incluindo encartes rediagramados com fotos mais nítidas e ótima remasterização. Bela homenagem a um artista que mereceria ser mais venerado em sua terra natal, já que no exterior é cultuado como o mestre que de fato é.

Deixa eu Dizer– Ivan Lins:

Abre Alas– Ivan Lins:

Chega– Ivan Lins:

Sorriso da Mágoa– Ivan Lins:

Lenda do Carmo– Ivan Lins:

Joana dos Barcos– Ivan Lins:

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