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Mark Knopfler aposta em seu toque sutil no álbum Tracker

mark knopfler tracker capa-400x

Por Fabian Chacur

Se há uma marca registrada no trabalho do cantor, compositor e guitarrista britânico Mark Knopfler é a sutileza. Nada de exageros, de exacerbação de efeitos ou notas ou aquele tipo de performance ególatra que às vezes estraga obras de artistas talentosos. Tracker, seu novo álbum de inéditas, lançado no Brasil pela Universal Music, é outro estudo em cima desse seu toque pessoal inconfundível e classudo.

De certa forma, Tracker é uma continuação do álbum anterior do astro do rock, o ótimo Privateering (2012). O inseparável parceiro de Dire Straits, o tecladista Guy Fletcher, marca presença, assim como a cantora australiana Ruth Moody, também conhecida por sua atuação no trio folk Wailin’ Jennys. Ela foi destaque no álbum anterior, e volta a ser agora.

Ruth participa de quatro faixas, e sua performance na canção Wherever I Go, que encerra o álbum, é simplesmente adorável, dando a entender que não estranharemos se, no futuro, Knopfler resolver gravar um álbum inteiro com ela, como já fez com Emmylou Harrys há alguns anos, no ótimo álbum All The Roadrunning (2006).

Os tempos de Money For Nothing, Sultans Of Swing e Walk Of Life ficaram para trás. A ótima vertente de rock arena que fazia parte do cenário musical da banda deu lugar ao investimento puro e direito em folk com tempero de country, rock mais suave e até um pouco de jazz, como na bela faixa que abre o CD, Laughs And Jokes And Drinks And Smokes.

A voz de Mark está cada vez mais suave e melódica, como uma espécie de Bob Dylan mais afinado. Sua guitarra esbanja classe, com acordes precisos e solos econômicos que não jogam notas fora e funcionam sempre a favor de cada canção. Basil, Mighty Man, Long Cool Girl, é uma faixa melhor do que a outra, e que crescem a cada nova audição.

Para felicidade daqueles que acreditam no poder comercial de boas canções gravadas com alma e classe, Tracker atingiu o 14º lugar na parada americana, melhor resultado da sua carreira solo. Vale lembrar que foi lançada no exterior uma versão especial deste CD com sete faixas bônus. Mas essa simples já vale o investimento.

Wherever I Go (Talenthouse Video)- Mark Knopfler- ft. Ruth Moody:

Making of do CD Tracker, de Mark Knopfler:

Mark Knopfler comenta faixa a faixa de Tracker:

Mark Knopfler lança o ótimo Privateering

Por Fabian Chacur

Mark Knopfler tornou-se conhecido mundialmente como cantor, compositor e guitarrista do Dire Straits, banda criada em 1977 que chegou ao topo do mundo do rock em 1985, com o álbum Brothers In Arms, um recordista de vendas que levou a banda a fazer shows massivos pelos quatro cantos do mundo (menos Brasil, buá!).

Após a má repercussão obtida pelo fraco On The Street (1991) e uma última turnê, o grupo saiu de cena em 1996, e o músico escocês radicado na Inglaterra e nascido em 12 de agosto de 1949 resolveu partir para uma carreira mais tranquila e longe dos holofotes da música pop.

Privateering, seu novo trabalho solo e o primeiro duplo, mantém essa abordagem. Nenhuma das faixas possui o tempero pop/rock arena de clássicos como Money For Nothing, Walk Of Life e So Far Away. Knopfler prefere se concentrar naquele universo country/folk/rock conhecido como “americana” pela crítica.

Acompanhado por ótimos músicos, entre eles o tecladista e ex-colega de Dire Straits Guy Fletcher, Knopfler esbanja sutileza, bom gosto e talento em faixas como Redbud Tree, Privateering, Go,Love , Gator Blood e Kingdom Of Gold, só para citar algumas das faixas mais expressivas. Repertório fluente,consistente e ótimo de se ouvir.

Com aquela voz dylaniana que o tornou conhecido mundialmente, Mark Knopfler desfila por um universo musical extremamente agradável e que não busca rumos vanguardistas, escândalos, polêmicas ou coisas do gênero. Ele quer apenas dividir conosco o prazer que sente ao compor, tocar guitarra e soltar a sua voz.

Se você aceitar o convite do ex-líder do Dire Straits para ouvir seu mais novo trabalho solo, fique certo de que muito prazer, bom gosto e simplicidade sofisticada estarão à sua espera. Experimente! Satisfação garantida, acredite!

Saiba mais sobre Privateering em entrevista com Mark Knopfler:

Redbud Tree, com Mark Knopfler:

Privateering, com Mark Knopfler:

DVD mostra Dire Straits ao vivo em 1979

por Fabian Chacur

O Dire Straits viveu duas fases distintas, em sua carreira. A primeira, que rolou de 1977 a 1980, foi provavelmente a melhor, e tem agora um belo registro em DVD disponível. Trata-se de Sultans Of Swing-Live In Germany.

A primeira boa notícia é que o DVD, lançado no Brasil pelo selo Top Tape, está sendo vendido por um preço bastante convidativo, que varia de R$10 a R$20. A outra é que a qualidade da performance da banda no mesmo é excepcional.

Nessa época, o ex-jornalista e professor Mark Knopfler completava 30 anos de idade, e assumia de uma vez por todas a profissão de cantor, compositor e guitarrista de rock. O que começou como hobby virou ganha-pão forever.

Ao seu lado, o irmão David Knopfler na guitarra-base, John Illsley no baixo e Pick Whiters na bateria. Uma formação compacta e de entrosamento absurdo, que lançou dois excelentes discos de estúdio.

Dire Straits (1978) e Communiqué (1979) eram uma espécie de contra-senso, na época: em plena era do punk, new wave, heavy metal e disco music, uma banda tocando puro rock básico/clássico.

A inspiração de Mark Knopfler desde o início sempre foi a fusão rock-country-folk, com tempero de reggae e blues. Influências fundamentais: Bob Dylan e Eric Clapton no vocal e composições (Clapton também no estilo de tocar guitarra) e o grupo britânico The Shadows nos timbres de guitarra.

A canção que abriu as portas do quarteto para a fama foi Sultans Of Swing, seu primeiro single, e faixa de destaque do álbum de estreia. Um rock ágil, dylaniano, uma das raras canções do estilo a tocar em rádios brasileiras nos idos de 1978/79.

Sultans Of Swing Live In Germany flagra o grupo britânico gravando um especial ao vivo nos estúdios do programa Rockpalast, exibido pela tevê alemã. Na plateia, em torno de cem sortudos.

O repertório mostra, praticamente na íntegra, o repertório dos dois primeiros álbuns, com Sultans… sendo interpretada por duas vezes. São 15 canções, no total, em 84 minutos de show.

O Dire Straits, nesse período, era um grupo compacto, que brilhava graças a um minimalismo inteligente, arranjos instrumentais de muito bom gosto e uma simplicidade criativa que só os grandes grupos atingem.

A voz a la Dylan e a guitarra ágil e sempre limpa de Knopfler são os pontos principais de atração da banda, mas não os únicos. O irmão mais novo David lhe dá um impecável apoio, na guitarra-base.

O baixista John Illsley, único integrante que o acompanhou até o final do Dire Straits, nos anos 90, mostra total segurança e estabilidade, enquanto fica para o baterista Pick Whiters a função de arma secreta.

O cara é um daqueles bateristas âncora, que não perde uma única batida rítmica e que prima sua atuação pela sutileza e pelo swing sempre irrepreensível. Sua saída da banda, no início dos anos 80, ao lado da de David Knoplers, são marcos da mudança do som do Straits.

Em termos visuais, este DVD peca por uma qualidade não muito boa, relembrando aquelas gravações feitas em VHS de programas de tevê, com eventuais problemas de tomadas fora de foco.

No entanto, o áudio é excelente, e compensa essa deficiente captação de imagem. Afinal de contas, mais vale música boa com qualidade de imagem regular do que as bandas Calypso da vida em sensurround.

O show é excepcional, e flui de forma deliciosa, ainda mais pelo espírito intimista criado pelo estúdio onde foi gravado. A interação do quarteto com a plateia é ótimo.

Destaques do repertório, além de Sultans Of Swing: Single Handed Sailor (com solos excepcionais de Mark), o reggae Once Upon a Time In The West, o rock ágil Lady Writer, a rockabilly Eastbound Train e a vibrante Down To The Waterline.

Nos anos 80, o Dire Straits passou a se apresentar ao vivo com no mínimo seis músicos, e ganhou uma sonoridade mais próxima do arena rock, fazendo um som mais pop e feito sob medida para fãs não radicais de rock.

Ou, como gosto de dizer, “rock para quem não gosta de rock”. Lotaram estádios e se tornaram uma megabanda, com direito a performance até no show beneficente Live Aid, com grande destaque.

Não ficou ruim, e Brothers In Arms (1985) é sem sombra de dúvidas um dos grandes clássicos do rock dos anos 80. Mas não posso negar que a fase inicial do Dire Straits, flagrada neste DVD, me arrepia muito mais.

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