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Tag: era dos festivais

Joyce Moreno e Alfredo Del-Penho resgatam Sidney Miller

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Por Fabian Chacur

Sidney Miller (1945-1980) infelizmente nos deixou ainda jovem, e de forma trágica. No entanto, o legado que nos deixou de seus 15 anos de carreira como cantor, compositor e músico só proporciona alegria, emoção e prazer a quem se propor a conhecer melhor essa obra curta, porém caudalosa. Como seus três discos são bem raros, uma boa forma de se apreciar suas canções acaba de chegar ao mercado discográfico e virtual. Trata-se de Argumento, álbum lançado pela gravadora Kuarup que reúne dois grandes talentos de gerações distintas, Joyce Moreno e Alfredo Del-Penho, relendo essas sublimes pérolas musicais.

O álbum nos traz a íntegra de um show realizado no Auditório do Instituto Moreira Sales (IMS), no Rio de Janeiro, em 17 de abril de 2012. Na programação, as 12 canções contidas no autointitulado álbum de estreia do artista carioca, lançado em 1967 pelo mitológico selo Elenco, além de outras 4 de outros períodos. Joyce (voz, arranjos e violão) e Alfredo (voz, violão de sete cordas e viola) interpretam seis músicas em dupla, enquanto a cantora se incumbe de sete por conta própria e seu parceiro de outras três.

Em um formato acústico e minimalista, os dois músicos e cantores esbanjam bom gosto, talento e carisma para preencher os espaços existentes. Ora em dupla, que revive a parceria de Miller com Nara Leão (decisiva no impulsionamento de sua carreira), ora individualmente, eles demonstram um lindo entrosamento entre si e com a obra que abordaram. As deliciosas canções do artista carioca, dividindo-se entre samba, bossa e ritmos regionais, são incorporadas de forma ágil e sensível, valorizando cada verso, cada frase melódica, cada acorde. Um show que te pega logo de cara e só te solta minutos após o último acorde.

Em dupla, eles dão um banho nas deliciosas A Estrada e o Violeiro e É Isso Aí. Joyce nos resgata a deliciosa O Circo, que em 1977 fez muito sucesso na voz de Marília Barbosa como abertural da novela global À Sombra dos Laranjais, e brilha em Argumento, Pede Passagem e Maria Joana, com seu violão endiabrado dando o tom com aquela classe que poucos instrumentistas no Brasil conseguem igualar.

Por sua vez, Alfredo, no frescor de seus 37 anos, esbanja uma bela voz e segurança como músico em canções como Me Dá Um Dó e Botequim Nº 1. Este cantor, compositor, músico, ator e pesquisador carioca encarou uma árdua missão ao mergulhar em um repertório tão bom e caudaloso, e ao lado de um verdadeiro mito da nossa música, e passou com nota máxima.

Argumento não só apresenta as canções de Sidney Miller às novas gerações como mostra o incrível talento de Joyce Moreno e Alfredo Del-Penho como intérpretes de repertório alheio. Um disco daqueles que surge e rapidamente se revela como discografia essencial para os fãs de música brasileira da boa.

Show Argumento na íntegra:

Solano Ribeiro relembra MPB e belas histórias dos festivais

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Por Fabian Chacur

Quem começa a pesquisar sobre a era dos festivais chegará infalivelmente no nome de Solano Ribeiro. E não é para menos. Esse produtor de TV, rádio e publicidade teve participação fundamental nos principais eventos ligados ao tema no Brasil, dos anos 1960 aos dias de hoje. Em 2003, lançou Prepare Seu Coração- Histórias da MPB, livro relançado agora em edição revista e atualizada pela Kuarup. A noite de autógrafos em São Paulo será nesta terça (18) a partir das 19h na Livraria Cultura do Conjunto Nacional (avenida Paulista, 2.073- fone 3170-4033). No Rio de Janeiro, vai rolar no dia 2 de outubro (terça) na Livraria da Travessa do Leblon (avenida Afrânio de Melo Franco, nº 290- loja 205- fone 0xx21-3138-9600).

Solano Ribeiro nasceu em 1939, e começou sua trajetória no meio artístico na segunda metade da década de 1950, estudando e atuando em teatro e também integrando o grupo The Avalons, um dos pioneiros do rock paulistano. Logo se envolveu na produção de shows musicais e também de programas de TV e festivais televisivos. O seu trabalho nos festivais das TVs Excelsior, Record e Globo foi decisivo, especialmente nos aspectos criativos e organizacionais.

Com um texto na primeira pessoa bastante fluente, franco e direto, ele narra suas experiências nessa era de enorme criatividade na música brasileira. Do namoro com Elis Regina aos bastidores dos eventos, histórias que envolvem nomes que ajudou a impulsionar, como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque, Geraldo Vandré, Edu Lobo e tantos outros. Ficamos sabendo também dos arranjos políticos, das lutas de egos, dos altos e baixos, das idas e vindas.

Dono de um temperamento forte que se evidencia em cada página de seu livro de memórias, Solano certamente deve ter desagradado alguns colegas com certas opiniões, mas demonstrou coragem ao colocar no papel as suas ideias e visões sobre cada evento no qual se envolveu. Nem mesmo nomes incensados por alguns, como o radialista e jornalista Zuza Homem de Mello e o empresário Paulinho Machado de Carvalho, da TV Record, escaparam da sua pena afiada.

Lógico que temos também momentos muito bem-humorados, incluindo até mesmo uma longa descrição de um affair amoroso de Solano com direito a detalhes eróticos. Suas lembranças gastronômicas também ocupam diversas páginas, assim como viagens e trabalhos não só em festivais, mas também em especiais feitos para TV no Brasil e na Alemanha, atuação em rádio, publicidade etc. Um profissional sempre inquieto, criativo e combativo em sua longa e produtiva trajetória.

Nas páginas de Prepare Seu Coração- Histórias da MPB, viajamos por um tempo incrível repleto de realizações, criatividade e também com direito a frustrações e fracassos. O legal é saber que Solano nunca desistiu de lutar pela criação de espaços para a MPB, sigla que, por sinal, ele afirma ter criado. Mais na ativa do que nunca, ele apresenta o programa de rádio Solano Ribeiro e a Nova Música do Brasil, criou o prêmio Cata-Vento, que premia os melhores da produção independente musical, além de criar o portal www.solanoribeiro.com.br . Sua história ainda irá longe, pelo andar da carruagem!

Solano Ribeiro fala sobre Festival de 1968:

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