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Joyce Moreno lança CD Tudo em SP

Por Fabian Chacur

Joyce Moreno, até 2009 conhecida mundialmente apenas pelo primeiro nome, volta a São Paulo para shows neste sábado (26) às 19h e domingo (27) às 18h para lançar por aqui seu mais recente álbum, Tudo (Biscoito Fino), o primeiro de inéditas em dez anos. As apresentações terão como palco o Sesc Bom Retiro (Alameda Nothmann, 185 – Campos Elíseos- fone 0xx11-3332-3600), com ingressos de R$ 4,80 a R$ 24,00.

Tudo manteve a tradição dos trabalhos mais recentes dessa seminal cantora, compositora e violonista carioca, pois saiu primeiro no Japão e só agora chega ao mercado brasileiro, simultaneamente com a Europa e EUA. Com grande demanda por seus shows no exterior, só este ano ela já esteve em 15 países diferentes, com direito a temporadas no Japão e apresentação em Nova York com o parceiro e amigo de outros carnavais Dori Caymmi.

O repertório do novo álbum desta artista nascida em 31 de janeiro de 1948 traz 13 faixas, sendo oito delas com melodias e letras assinadas por ela e outras escritas com parceiros como Zé Renato e Paulo Cesar Pinheiro. Quero Ouvir João, Dor de Amor é Água e Para Você Gostar de Mim são algumas das faixas, que serão a base do repertório da apresentação em São Paulo.

Sucessos de seus mais de 40 anos de trajetória musical também estarão presentes, pérolas da nossa música popular como Clareana, Monsieur Binot e Feminina, entre outros. Além dela nos vocais e violão, teremos em cena o baterista e parceiro há mais de 30 anos Tutty Moreno, o baixista Rodolfo Stroeter e o pianista Rafael Vernet, banda compacta e repleta de swing e solidez musical, dialogando à altura com a estrela da companhia.

Joyce iniciou sua carreira nos anos 60 e desde o início mostrou muito talento. O estouro em termos comerciais, no entanto, só veio em 1980, quando ela lançou um dos melhores álbuns da história da MPB, o brilhante Feminina, contendo joias musicais do quilate da faixa título, Da Cor Brasileira, Mistérios e a instrumental Aldeia de Ogum. Esta última, descoberta anos depois por DJs britânicos, proporcionou a ela uma carreira internacional como uma das rainhas do chamado “acid jazz”.

Ela, no entanto, sempre fez pura música brasileira, com direito a uma batida de mão direita no violão simplesmente espetacular e irresistivelmente rítmica, uma voz deliciosa e canções que venceram o teste do tempo e soam mais atuais do que nunca. Isso, além de se manter produtiva, sempre lançando novos álbuns e fazendo shows pelos quatro cantos do mundo.

Ouça o álbum Live At Mojo Club, de Joyce Moreno:

Relançamento comemora 30 anos de Feminina, um dos clássicos da carreira de Joyce

Por Fabian Chacur

Na vida, tudo vem na hora certa. Não adianta a gente espernear. É assim que as coisas acontecem. Quem sabe bem disso é a cantora, compositora e violonista Joyce. Aos 19 anos, participou de um célebre festival, em 1967, e recebeu sonoras vaias. Ela não desanimou, seguindo adiante.

Após gravar um disco em parceria com Nelson Angelo e outro para o mercado internacional que só chegaria aqui anos depois, casou, teve filhas e resolveu dar um tempo com a carreira. Viveu seu momento mãe em tempo integral.

Mas é lógico que alguém com o seu talento não ficaria nessa para sempre. De certa forma, a parada foi parecida com a de John Lennon, que também saiu de cena para criar o filho Sean. Curiosamente, ambos voltaram à tona no mesmo 1980. Pena que Lennon tenha ficado por aí, naquele doloroso 8 de dezembro que completará 30 anos em 2010.

Mas voltemos a Joyce. Aproveitando o bom momento como compositora que havia sido gravada por Elis Regina (Essa Mulher), Maria Bethânia (Da Cor Brasileira) e Boca Livre (Mistérios), seu lado cantora e violonista resolveu retomar a trajetória solo. E que retomada!

Feminina, o álbum que marcou esse momento chave em sua carreira, volta às lojas em uma edição comemorativa fantástica, com direito a digipack, encarte com belíssimo texto escrito pela própria artista, ficha técnica completa, letras e fotos das gravações.

Fica difícil ouvir as 10 faixas desse clássico perene da MPB e acreditar que o mesmo foi registrado há três décadas. O trabalho soa moderno, conciso, elaborado e simples ao mesmo tempo, aquele tipo de simplicidade que só uns poucos conseguem concretizar. Joyce conseguiu.

Com seu violão swingado e brasileiro até a medula como âncora, ela teve a sapiência de conceber um grupo sólido e sem excesso de instrumentos para acompanhá-la. O samba, a bossa nova e as baladas típicas da MPB servem como base.

As melodias nunca são menos do que maravilhosas. A voz de Joyce é uma verdadeira bênção tão preciosa como sua habilidade rítmica no violão. De quebra, temos as letras, que abordam de forma até então inédita o universo feminino e da relação homem/mulher, assim como o das amizades e da vida como um todo.

Alguns trechos das letras explicam melhor do que eu poderia: “esse coração de menino grande vive fora do trilho e é duro cuidar de um filho do seu tamanho” (Coração de Criança). “No entanto, cadê meus amigos, vai ver que a poeira do tempo levou, a barra da vida tem muitos perigos, e a gente se afasta sem querer, se perde dos velhos amigos” (Revendo Amigos).

Mais um pouco. “Ô mãe, me explica, me ensina, me diz, o que é feminina? Não é no cabelo ou no dengo ou no olhar, é ser menina por todo lugar” (Feminina). “Preciso aprender os mistérios do rio pra te navegar” (Mistérios). Não são versos de arrepiar?

E o disco tem provavelmente o maior sucesso da carreira de Joyce, Clareana, canção fofinha feita para as filhas Clara e Ana que se popularizou ao ser apresentada no Festival MPB 80, da Globo. Essa, ninguém teve a coragem de vaiar.

Além das canções citadas e de suas próprias leituras para os sucessos que deu para os outros artistas que citei lá em cima, o álbum também inclui um tema instrumental irresistivelmente dançante, Aldeia de Ogum, na qual Joyce só faz vocalizações.

Graças à descoberta de Aldeia de Ogum por DJs britânicos nos anos 90, o trabalho de Joyce atravessou fronteiras e a levou a ser considerada, lá fora, como uma artista de acid jazz. Pode? Claro que sim!

Feminina é para se ouvir de ponta a ponta uma, duas, três, um quaquilhão de vezes. Difícil não querer ter todos os discos de Joyce após se deliciar com este aqui. E pode acreditar: vale a pena.

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