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Tag: fevereiro 2018

Linda Ronstadt brilha em álbum ao vivo inédito gravado em 1980

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Por Fabian Chacur

Com mais de 35 álbuns lançados em seus 50 anos de carreira discográfica, Linda Ronstadt nunca havia nos ofertado um disco gravado ao vivo. Pois essa lacuna acaba de ser preenchida de forma brilhante com Live In Hollywood, que a Warner Music lançou nos formatos CD e vinil no exterior, e também nas plataformas digitais de todo o mundo. Eis um registro sensacional de uma cantora considerada uma das grandes da história do country rock, e não só dele, por sinal.

Infelizmente, esta icônica artista se afastou do cenário musical em 2011. Em agosto de 2013, revelou a razão: é portadora do mal de Parkinson, que a impede de desempenhar o dom que a tornou capaz de emplacar três álbuns no topo da parada americana, de ganhar 13 troféus Grammy, vender mais de 30 milhões de discos em todo o mundo, entrar no Rock And Roll Hall Of Fame e ser considerada a pioneira entre as roqueiras solo a lotar grandes arenas, na década de 1970.

Live In Hollywood foi gravado ao vivo em um show registrado para exibição no canal a cabo HBO em 24 de abril de 1980 no Television Center Studios, em Hollywood. Aos 33 anos (completaria 34 no dia 15 de julho daquele mesmo ano), a moça vivia o auge em termos de popularidade, estando no início da turnê que divulgou o álbum Mad Love, lançado dois meses antes e que atingiu o terceiro lugar na parada ianque graças a hits como I Can’t Let Go e How Do I Make To You, que por sinal fazem parte do set list do show que gerou este trabalho ao vivo.

O elenco de músicos que a acompanha no show é uma verdadeira seleção de craques da cena de Los Angeles, mais precisamente do bittersweet rock e do country rock. O saudoso Kenny Edwards (guitarra), que esteve a seu lado no efêmero (porém influente) grupo The Stone Poneys em 1967-1968 e depois se tornou seu braço direito, Danny Kortchmar (guitarra), Dan Dugmore (pedal steel), Russell Kunkel (bateria), Bob Glaub (baixo), Bill Payne (do grupo Little Feat, teclados), Wendy Waldman (vocais de apoio) e Peter Asher (seu produtor, percussão e vocais de apoio). Um timaço, nomes que você encontra em discos das feras dessa praia, tipo James Taylor, Jackson Browne e tantos outros.

Além das músicas do álbum mais recente, ela também nos mostra hits bacanas do seu repertório, entre os quais uma explosiva releitura de You’re No Good com direito a belas performances dos músicos, incluindo um solo de guitarra espetacular de Kenny Edwards. Outras canções matadoras são Just One Look, Back In The U.S.A. e Desperado. Aliás, vale recordar que esta última foi composta e gravada originalmente por uma banda que em 1971, por alguns meses, foi sua banda de apoio, e deixou a função para se aventurar no voraz mundo do rock. Seu nome: The Eagles, ninguém menos do que eles.

Coincidência ou não, Live In Hollywood sai no ano em que a carreira-solo de Linda Ronstadt completa 50 anos, ela que anteriormente havia gravado três álbuns com os Stone Poneys. Em 1969, a cantora lançou Hand Sown…Home Grown, e se criou no cenário do clube Troubadour (West Hollywood, California), que revelou ela, os Eagles, Jackson Browne, James Taylor, Carole King (como cantora) e até mesmo o britânico Elton John (que iniciou sua conquista do mercado americano com um show lá em 1970).

Com forte veia roqueira, Linda no entanto não se limitou a esse estilo musical em sua carreira. Quando criança e adolescente, ouviu literalmente de tudo na casa dos pais, e a partir da década de 1980, deu vasão a essa veia eclética gravando standards do jazz, música mexicana, gospel, ópera e até new age. Entre esses trabalho, destacam-se os gravados com direção do célebre arranjador e maestro Nelson Riddle (que trabalhou com Frank Sinatra) e o grupo Trio, que integrou ao lado das amigas Dolly Parton e Emmylou Harris. Vale recordar que ela foi uma das primeiras a gravar músicas de Elvis Costello.

Eis as músicas de Live In Hollywood:

1. I Can’t Let Go
2. It’s So Easy
3. “Willin’
4. Just One Look
5. Blue Bayou
6. Faithless Love
7. Hurt So Bad
8. Poor Poor Pitiful Me
9. You’re No Good
10. How Do I Make You
11. Back In The U.S.A.
12. Desperado”

You’re No Good (ao vivo)– do álbum Live In Hollywood:

Egberto Gismonti mostra sua rica musicalidade em Sampa

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Por Fabian Chacur

Não é todo dia que o público paulistano tem a oportunidade de conferir um show de Egberto Gismonti. Portanto, com toda a reverência necessária em ocasiões como esta, anunciamos a apresentação que o compositor, arranjador e multi-instrumentista de 70 anos celebrados em dezembro último fará neste domingo (25) às 20h30 em São Paulo, mais precisamente no palco do Bourbon Street (rua dos Chanés, nº 127- Moema- fone 0xx11-5095-6100). O couvert artístico custa de R$ 165,00 a R$ 195,00.

Egberto Gismonti é um artista com fama mundial. Aliás, provavelmente mais conhecido lá fora do que por aqui, especialmente nos dias atuais. Uma pena. Afinal, trata-se de um cidadão cuja introdução à música ocorreu logo aos cinco anos, tocando piano. Com o tempo, iria se tornar exímio nesse instrumento e também em violão, clarinete e flauta. Ele lançou seu primeiro álbum, autointitulado, em 1969. No ano seguinte, viria com Sonho 70, que pode ser considerado o primeiro título clássico de sua discografia, com mais de 60 álbuns.

Durante as décadas de 1970 e 1980, consolidou em muito a sua reputação no Brasil e exterior, graças a uma fusão original de música popular brasileira, música folclórica e até mesmo indígena, com a presença também de elementos eruditos e jazzísticos no meio. Embora predominantemente instrumental, seu trabalho também traz belas canções, capazes de encantar os públicos mais diversos. E ao vivo, seu senso de liberdade sempre prevalece, surpreendendo e encantando.

Além do já citado Sonho 70, álbuns como Água & Vinho (1972), Dança das Cabeças (1976, parceria com o percussionista Naná Vasconcelos), Alma (1986) e Dança dos Escravos (1989) situam-se entre os clássicos da nossa música. Vários deles saíram no exterior em parceria do selo Carmo, do artista, com a gravadora alemã ECM, especializada em jazz e música erudita e uma verdadeira grife da boa música.

No show no Bourbon Street, Egberto certamente surpreenderá os presentes, como de praxe, alternando-se entre piano e violões. O set list é imprevisível, mas provavelmente se dividirá entre números mais populares entre seus fãs e outros menos conhecidos, embora tão bons quanto. Palhaço, Dança dos Escravos, Infância, Salvador, Zig-Zag e Águas Luminosas são algumas possibilidades. O músico natural de Carmo (RJ) também assinou diversas trilhas sonoras para cinema, teatro e balé.

E vale ainda lembrar as parcerias dele com nomes do porte de Hermeto Pascoal, Airto Moreira, Charlie Haden e Jan Garbarek, entre outros. A produção executiva do show ficou por conta do experiente Zé Luis Toledo, da Z Produções e Assessoria Artística, que trabalha com artistas do porte de Egberto, Toninho Horta e outros desse alto calibre.

Sonho 70 (álbum completo em streaming)- Egberto Gismonti:

Rubem Farias toca com feras da nossa música em Sampa

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Por Fabian Chacur

Diga-me com quem tocas e eu te direi quem és. Eis uma frase que podemos usar para definir o atual estágio da carreira de Rubem Faria. O baixista brasileiro atualmente radicado em Estocolmo, Suécia, tem no currículo apresentações com grandes nomes da música instrumental do Brasil e exterior. E é com alguns deles que ele tocará nesta terça (6) às 21h30 no Bourbon Street (rua dos Chanés, nº 127- Moema- fone 0xx11-5095-6100), com couvert artístico a R$ 35,00.

O elenco é estelar. O trombonista Raul de Souza, por exemplo, é considerado um dos melhores do planeta neste instrumentos desde os anos 1960, e além de ter tocado com gente do porte de Tom Jobim, Hermeto Pascoal, Sarah Vaughan, George Duke, Stanley Clarke, Sonny Rollins e Wayne Shorter, tem uma carreira solo das mais bem-sucedidas, incluindo discos de sucesso internacional como Sweet Lucy (1977) e Don’t Ask My Neighbours (1978).

Os fãs mais atentos do saudoso Gonzaguinha certamente se lembram do incrível baterista Paschoal Meirelles, que tocou com o cantor e compositor carioca durante mais de dez anos. Ele também trabalhou com Chico Buarque, Hélio Delmiro, Wagner Tiso e fundou com Mauro Senise o bem-sucedido grupo de música instrumental Cama de Gato.

Por sua vez, o guitarrista Nelson Faria atuou com João Bosco, Till Broener, Ivan Lins, Gonzalo Rubalcaba, Milton Nascimento, Cassia Eller, Leila Pinheiro e Paulo Moura. Além disso, tem atuação intensa como educador na área musical, e recentemente se tornou apresentador de um delicioso programa de entrevistas com astros da MPB, o ótimo Um Café Lá Em Casa. Fecha o time o cantor, compositor e violonista Filó Machado, com 50 anos de estrada e sólida carreira com 13 álbuns lançados e parcerias com Cesar Camargo Mariano, Djavan e outros.

Nascido em Salvador, Bahia, Rubem Farias tornou-se inicialmente conhecido por tocar com a efêmera banda de rock Jamp. Depois, ampliou seus horizontes e tocou e gravou com Randy Brecker, Filó Machado, Bocato, Leny Andrade, Lils Landgren e outros. Ele integra atualmente o Balaio Quarteto e o Freedoms Trio. No show no Bourbon Street, estarão no repertório músicas dele e de Nelson Faria, além de algumas inevitáveis surpresas, com um elenco desse calibre.

Ponta de Areia (ao vivo)- Rubem Farias (ao vivo):

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