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Deck lança série com CD de Antonio Adolfo

Por Fabian Chacur

O Piano de Antônio Adolfo, já disponível no formato digital e previsto para sair em termos físicos em maio, será o primeiro lançamento de uma nova série da Deck. A gravadora carioca comemorou 15 anos de existência em 2013, e aproveitou para ampliar e modernizar seus estúdios. De quebra, comprou um grand piano Yamaha direto do Japão, e é este instrumento que será usado por músicos convidados a gravar álbuns instrumentais pelo selo. E o nome escolhido para abrir a série é altamente elogiável.

Na ativa desde os anos 60, Antônio Adolfo é um pianista ao mesmo tempo refinado e com vários sucessos populares em seu currículo. Autor de maravilhas como Teletema, mergulhou no aprendizado formal e ganhou uma consistência artística que poucos possuem no Brasil. Lançou em 1977 o fantástico Feito em Casa (leia resenha aqui), pioneiro da cena independente no Brasil e um clássico da nossa música. Ele também tocou com grandes nomes da MPB e liderou o grupo A Brazuca.

Radicado nos EUA há um bom tempo, ele se mostra em fase bastante produtiva, tendo lançado recentemente um CD nada menos do que brilhante, Finas Misturas (leia resenha aqui), no qual o som fluente e criativo de seu piano atinge um patamar simplesmente arrebatador.

Neste trabalho feito para a Deck Disc, Antônio Adolfo nos mostra 14 releituras de músicas de sua autoria como Teletema e Chora Baião e também de clássicos de mestres como Tom Jobim e Vinícius de Moraes (Insensatez e A Felicidade), Jacob do Bandolim (Doce de Coco) e Pixinguinha e Benedito Lacerda (Ingênuo), entre outros. Um disco que nasce clássico.

Teletema, com Antônio Adolfo e A Brazuca:

Polysom lança caixa com LPs da Elenco

Por Fabian Chacur

Dando prosseguimento a sua brilhante série de relançamentos de clássicos da MPB no formato vinil, a gravadora Polysom vai além, desta vez. O novo produto da série é uma luxuosa caixa com cinco LPs de vinil de 180 gramas com itens do catálogo da gravadora Elenco, que existiu de 1963 a 1968 e cuja marca era a exuberante qualidade imprimida em todos os aspectos daquilo que lançava.

Nesta caixa, que a Polysom pretende que seja apenas a primeira de uma série, foram incluídos cinco títulos bem representativos do que o selo criado pelos consagrado produtor musical Aloysio Oliveira lançou em seus cinco anos de existência. Vale lembrar que o fino da MPB da época passou por ali, com títulos de nomes como Dorival Caymmi, Tom Jobim, Edu Lobo, MPB-4, Nara Leão e outros do mesmo nível.

Os álbuns foram licenciados pela Universal Music, atual detentora de seus direitos fonográficos. Vinícius e Odette Lara (1963) é histórico por ter sido o primeiro LP a sair com o selo Elenco, e traz 12 parcerias do Poetinha com Baden Powell no que foi o início dessa abençoada dobradinha de compositores, com interpretações vocais a cargo de Vinícius e da atriz e cantora Odette Lara.

Nara (1964) mostra Nara Leão esbanjando personalidade já no início de sua trajetória musical, interpretando com categoria e doçura maravilhas como Berimbau, Diz Que Fui Por Aí e outras, de autores como Vinícius de Moraes, Baden Powell e Cartola, só para citar alguns. A musa da bossa nova mergulhava em outros rumos musicais, com jogo de cintura e categoria.

Vinícius e Caymmi no Zum Zum (1965) foi gravado em estúdio e teve como inspiração shows bem-sucedidos realizados pelos dois mestres da MPB ao lado do grupo vocal feminino Quarteto Em Cy, então iniciando sua vitoriosa trajetória, na boate Zum Zum, situada no musical bairro de Copacabana. Formosa, Minha Namorada e Adalgiza são algumas das músicas incluídas nesse trabalho.

Bossa Nova York (1967) traz Sérgio Mendes, hoje mais lembrado pelo trabalho que realizou com suas orquestras/bandas, capitaneando um trio fantástico integrado por ele no piano, Tião Neto (baixo, depois tocaria com Tom Jobim) e Edison Machado (bateria, considerado um dos grandes nomes do instrumento na história da MPB). Só Danço Samba e Garota de Ipanema estão no set list do LP.

Completa a coleção um dos discos mais icônicos da história da MPB. Caymmi Visita Tom (1965), como o nome já entrega, reúne Dorival Caymmi, Tom Jobim e seus filhos, com destaque para Nana, Dori e Danilo Caymmi. O repertório é delicioso, e inclui clássicos como Inútil Paisagem e Saudade da Bahia em interpretações soltas, intensas e repletas de musicalidade pelos participantes.

Ouça Caymmi Visita Tom em streaming:

Coletânea celebra 40 anos da Virgin Records

Por Fabian Chacur

Em 1973, um sujeito chamado Richard Branson resolveu criar uma gravadora, e a batizou como Virgin Records. Logo no primeiro lançamento, Tubular Bells, do artista de rock progressivo Mike Oldfield, se deu incrivelmente bem. Graças à inclusão de um de seus temas com destaque no filme O Exorcista, o álbum vendeu milhões de cópias, e deu início a uma grife de muito sucesso no cenário da música pop mundial.

Como forma de celebrar os 40 anos deste selo, a Universal Music (atual detentora da marca) está lançando o álbum triplo Virgin Records: 40 Years Od Disruptions, que traz 42 faixas e cujo objetivo é mostrar um pouco da amplitude dessa marca em termos musicais. A apresentação é no formato digipack, com direito a um encarte estilo pôster que traz fotos, pequenos textos e informações, além de reproduções de capas de álbuns lançados por eles.

Creio que o ponto fraco do pacote é exatamente a inexistência de um texto um pouco mais extenso contando a história da Virgin Records e de seu ousado criador, que depois deixaria a música em segundo plano para investir em diversos outros ramos comerciais, incluindo até mesmo uma companhia aérea. Seria bacana o comprador da coletânea ter acesso a uma análise dessa trajetória, que tem momentos muito peculiares e curiosos.

Outro ponto negativo fica por conta do terceiro CD, com apenas seis músicas e qualificado como disco bônus. Nele, temos releituras de hits antigos da Virgin feitos pela nova geração de artistas que gravam atualmente por ela. As regravações são até interessantes, mas porque não incluir mais do que apenas seis faixas? Com a palavra, os organizadores da compilação.

Pontos negativos à parte, a compilação inclui um elenco bem diversificado, que vai desde o pioneiro Mike Oldfield (com Tubular Bells-Opening Theme) até a recente revelação Emeli Sandé (Next To Me), passando por Sex Pistols (God Save The Queen), The Human League (Don’t You Want Me), XTC (Senses Working Overtime), Malcolm McLaren (Buffalo Gals), Simple Minds (Don’t You Forget About Me), Shaggy (Boombastic), Culture Club (Do You Really Want To Hurt Me) e Lenny Kravitz (Fly Away), além da parceria entre Phillip Oakey, do The Human League, com o genial Giorgio Moroder (Together In Electric Dreams).

O repertório mostra que, mesmo com bastante diversidade, a Virgin Records sempre apontou rumo ao pop, apostando tanto em nomes que se firmaram como outros que passaram rapidinho pela cena do sucesso, como os perecíveis (embora bacanas) T’Pau (China In Your Hands), Inner City (Good Life) e o pioneiro projeto de rap de Malcolm McLaren, seu maior legado depois do punk rock dos Pistols, que gerou o histórico álbum Duck Rock.

Ouvir os CDs contidos nesta compilação na sequência é um exercício divertido para quem deseja ter uma ideia do legado da Virgin Records, além de ser uma verdadeira sucessão de hits. Não estranhe a inclusão aqui de artistas como Phil Collins, cuja obra foi sempre distribuída no Brasil e em outros países pela Warner, ou de Brian Ferry, cujo selo EG era distribuído pela Virgin. Coisas e peculiaridades da indústria fonográfica.

Together In Electric Dreams, com Phillip Oakey e Giorgio Moroder:

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