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20 discos lançados em 2018 e recomendados por Mondo Pop

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Por Fabian Chacur

A cada doze meses é a mesma coisa: eis as listas com os melhores discos do ano, os melhores livros do ano, filmes do ano etc. Cada vez mais, para quem pensar com um pouco mais de calma, ficará claro que esse procedimento se trata de algo realmente arrogante. Como definir o que é melhor, em um universo tão grande de lançamentos? E quem, no caso da música, ouviu tudo o que se lançou para se meter a fazer uma seleção realmente relevante?

Quer saber? Já me enchi disso. Não ouvi nem 10% do que saiu durante 2018, se tanto. E olha que eu tive a oportunidade de conferir bastante coisa. Mas ainda assim esse bastante é pouco.

Então, para não fugir ao questionamento de “o que foi o melhor da música nos últimos doze meses”, serei menos arrogante. De tudo que conferi, eis 20 (só de sacanagem, saio dos 10 tradicionais) discos lançados entre 2017 e 2018 (e que eu ouvi em 2018) que eu adorei e recomendo com entusiasmo.

Vocês verão que tem realmente de tudo, desde trabalho de veteraníssimos até de gente de gerações mais recentes, com direito a rock, soul, MPB etc. É uma listinha muito aleatória. Mas quem ouvir esses trabalhos certamente irá curtir. Uma curiosidade: boa parte desses CDs envolve dois ou mais artistas. Coincidência ou marca do ano em termos musicais? Você decide!

E o legal: poucos deles constam das listas oficiais das grandes publicações. Divirtam-se, os links das resenhas seguem abaixo:

Leny Andrade Canta Fred Falcão- Bossa Nova:

Leny Andrade incorpora belas composições de Fred Falcão

Invento Mais- Zelia Duncan e Jaques Morelenbaum:

Zélia Duncan mostra essência do som de Milton Nascimento

Edu, Dori e Marcos- Edu Lobo, Dori Caymmi e Marcos Valle:

Edu, Dori & Marcos é uma boa e peculiar reunião de gênios

Sebastiana- Ricardo Bacelar:

Ricardo Bacelar mostra swing e bom gosto em Sebastiana

Trinca de Ases- Gilberto Gil, Gal Costa e Nando Reis:

Trinca de Ases, bela união de Gil, Nando Reis e Gal Costa

Arembi- Jorge Ailton:

Jorge Ailton lança o seu 3º CD solo com “arembi” elegante

50- Joyce Moreno:

Joyce Moreno relê seu álbum de estreia de forma sublime

Punkids- Griswolds:

Griswolds dá um toque punk a hits das trilhas de animações

Azul Anil- Nila Branco:

Nila Branco nos delicia com as suas canções folk-pop-rock

Zé Brasil- Zé Brasil:

Zé Brasil, o roqueiro classudo, lança primeiro CD solo em SP

Encontros- Antonio Adolfo e Orquestra Atlântica:

Antonio Adolfo grava CD com a ótima Orquestra Atlântica

Tênis + Clube- Lô Borges:

Lô Borges resgata um de seus álbuns clássicos em belo DVD

Expresso Della Vita- Solare- Maestrick:

Maestrick mostra como fazer prog metal bom de se ouvir

60 Anos de Bossa Nova- Claudette Soares e Alaíde Costa:

ClaudetteSoares-AlaídeCosta são realmente o fino da bossa

Quebra Cabeça- Bixiga 70:

Bixiga 70 destila grooves com categoria em Quebra-Cabeça

Alimente a Vida- Los Três Plantados:

Los 3 Plantados unem lindas mensagens ao rockão perfeito

Welcome To The Blackout- David Bowie:

David Bowie em um CD duplo gravado ao vivo em tour de 78

Dos Navegantes- Edu Lobo, Romero Lubambo, Mauro Senise:

Edu Lobo faz belas releituras de clássicos com parceiros ilustres

Gota Onde Nada o Peixe- Tania Grinberg e Fabio Madureira:

Tânia Grinberg e Fabio Madureira lançam CD com show em Sampa

Sky Trails- David Crosby:

David Crosby e seu Sky Trails, mais um desses CDs incríveis

Antonio Adolfo mescla samba e jazz no CD Tropical Infinito

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Por Fabian Chacur

Na ativa desde a década de 1960, o pianista, produtor, compositor e arranjador Antonio Adolfo faz parte da elite da música desde sempre. No setor música instrumental, então, é daqueles que não erram uma. Para felicidade de quem segue sua brilhante carreira, a partir de 2005 ele engatou uma terceira marcha em termos de produtividade fonográfica, lançando desde então 10 CDs, sendo três deles em parceria com a filha, a ótima Carol Saboya. Seu novo álbum, Tropical Infinito, é outra aula de swing, bom gosto e criatividade.

Nada disposto a dormir sobre os louros do passado, Antonio Adolfo sempre traz novidades em seus trabalhos. Tropical Infinito tem como surpresa o uso de metais, algo que ele não fazia em sua discografia desde o álbum Viralata, lançado em 1979.

Participam do CD três craques dos sopros no Brasil. São eles Jessé Sadoc (trompete e flugelhorn), Marcelo Martins (sax tenor e soprano) e Serginho Trombone (trombone). Eles somam forças com Leo Amuedo (guitarra), Jorge Helder (baixo), Rafael Barata (bateria e percussão) e André Siqueira (percussão), além do dono da festa, no piano e arranjos. Um verdadeiro timaço, que entra em cena e goleia mesmo!

Como habitualmente, Adolfo improvisa e abre espaços para seus músicos improvisarem sem, no entanto, cair no mero tecnicismo ou em sonoridades excessivamente intrincadas que só façam sentido para os próprios músicos. Aqui, quem manda é a música, com cada melodia e cada harmonia sendo desenvolvidas com requinte e dando ao ouvinte um prazer absoluto em suas audições.

A entrada dos metais na mistura deu ao álbum uma sonoridade brejeira, meio de gafieira, com um forte tempero de samba, bossa nova e jazz. E o legal é que temos no repertório cinco clássicos do jazz, que ganharam novas roupagens que, sem roubar suas características essenciais, as renovaram: Killer Joe e Whisper Not (ambas de Benny Golson), Stolen Moments (Oliver Nelson), Song For My Father (Horace Silver) e All The Things You Are (Jerome Kern e Oscar Hammerstein).

Além dessas, quatro composições de Antonio Adolfo foram incluídas, duas inéditas (Yolanda Yolanda, homenagem à sua mãe, Yolanda Maurity, a primeira mulher violinista da Orquestra Sinfônica do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, e Luar da Bahia) e duas já gravadas anteriormente (Cascavel, em 1979, e Partido Leve, em 1994). Elas se encaixaram feito luva no espírito deste novo trabalho do autor de Sá Marina.

Outro aspecto altamente elogiável dos CDs desse brihante músico carioca é o cuidado com a apresentação visual deles. Este novo traz novamente capa digipack dupla e um design impecável assinado por Julia Liberati, que aproveita com finesse as belíssimas ilustrações de Bruno Liberati. Tipo do combo “embalagem perfeita para conteúdo perfeito”. Coisa fina, como se dizia antigamente.

Quem encara música instrumental como “algo difícil de se ouvir” deveria ouvir urgente Tropical Infinito. Se depois dessa audição continuar com a mesma opinião. é de se lamentar até o fim dos tempos…

Killer Joe– Antonio Adolfo:

Yolanda Yolanda– Antonio Adolfo:

Song For My Father– Antonio Adolfo:

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