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5º Prêmio Grão de Música vai ser entregue em São Paulo

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Por Fabian Chacur

Apesar de crises financeiras e sobressaltos políticos, o Brasil felizmente segue firme e forte em termos culturais. Superando dificuldades, premiações bacanas continuam resistindo e celebrando o melhor da nossa música. Um bom exemplo é o Prêmio Grão de Música, cuja 5ª edição terá sua cerimônia de entrega de troféus no próximo sábado (20) às 19h no Centro Cultural Olido-Sala Olido (avenida São João, nº 473- Centro- fone 0xx11-3331-8399), com entrada gratuita.

Esta edição do projeto criado em 2014 pela cantora e compositora paraibana Socorro Lira premiará artistas oriundos de 12 estados brasileiros, sempre buscando uma abrangência nacional e homenageando artistas escolhidos pela curadoria levando-se em conta o conjunto de suas obras e a trajetória artística dos mesmos. Na cerimônia, teremos apresentações de três desses vencedores: Arraial do Pavulagem (Pará), Celia e Celma (MG) e Maria Juliana (PB).

“O Grão é um espaço dedicado a destacar e revelar obras e trajetórias artísticas relevantes para o país e para a humanidade como um todo; sendo que boa parte não tem divulgação e nem sempre é vista pela crítica especializada, em muitos casos estão ainda fora dos circuitos culturais mais influentes. Penso que o Grão pode ajudar a dar luz a isto e dizer a estes e estas artistas: sua música pode ser para o país inteiro, para o mundo”, explica Socorro Lira.

Se não bastassem as ótimas intenções envolvidas, o troféu é uma estátua de bronze com design feito pelo genial Elifas Andreato, responsável por capa de discos de ícones da nossa música como Chico Buarque, Elis Regina, Martinho da Vila e Clementina de Jesus, entre outros. Ele também criou toda a a identidade visual da premiação.

Além dos troféus, os artistas tem, uma música cada, incluída em uma coletânea promovida pelo Prêmio Grão de Música e disponível em luxuosa versão em CD no formato digipack (com direito a encarte informativo) e também digital (ouça a atual e as anteriores aqui)

Eis os vencedores do 5º Prêmio Grão de Música:

Arraial do Pavulagem (PA)
Caio Padilha (RN)
Carlos Badia (RS)
Carlos Zens (RN)
Celia e Celma (MG)
Chico Aafa (GO)
Clarisse Grova (RJ)
Karynna Spinelli (PE)
Lysia Condé (MG)
Maria Juliana (PB)
Oneide Bastos (AP)
Patricia Polayne (SE)
Sérgio Pererê (MG)
Solange Leal (PI)
Verônica Ferriani (SP)

Patrocínio: Metanoia e Palavra Acesa Editora
Apoio Cultural: Sala Olido, Prefeitura de São Paulo e Ritmiza Produções
Realização: Liraprocult

Dança a Menina– Verônica Ferriani:

Francis Hime e piano em show retrospectivo em São Paulo

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Por Fabian Chacur

Existe um pequeno clube de artistas no cenário da música brasileira que podem ser considerados incontestáveis, tamanha a qualidade de sua obra. O canto, compositor, pianista, arranjador, produto e maestro carioca integra essa elite musical, com uma carreira que já ultrapassou os 50 anos. Um privilégio vê-lo em ação. Ele toca nesta sexta (19) em São Paulo no Tupi Or Not Tupi (rua Fidalga, nº 360-Vila Madalena- fone 0xx11-3813-7404), com ingressos a R$ 130,00.

Intitulado Álbum Musical, o espetáculo trará o artista em sua essência, tendo no palco apenas ele e seu piano. O repertório trará alguns de suas principais composições, clássicos perenes da MPB do porte de Atrás da Porta, Trocando em Miúdos, Meu Caro Amigo, Passaredo e Pivete.

Com 79 anos de idade, Francis foi amadurecendo sua carreira musical paralelamente à faculdade de engenharia, na qual se formou. Mas a música falou mais alto. Um de seus parceiros iniciais foi ninguém menos do que Vinícius de Moraes, e composições suas participaram de vários festivais na segunda metade dos anos 1960. Em 1969, casou-se com a cantora e compositora Olivia Hime e foi para os EUA, onde estudou orquestração, regência, composição e trilha sonora.

Em 1973, lançou seu primeiro trabalho solo, autointitulado e bastante elogiado. Com Passaredo (1977) e Se Porém Fosse Portanto (1978), conseguiu grande sucesso comercial, aliado à inclusão de músicas de sua autoria em trilhas de novelas e filmes.

Os hits são muitos: Passaredo, Trocando em Miúdos, Quadrilha, Meu Caro Amigo, Atrás da Porta e outros, vários compostos em parceria com Chico Buarque. Suas melodias elaboradas e cativantes, sempre acompanhadas de letras inspiradas, trazem influências de chorinho, samba, bossa nova, música erudita e muito mais. Um craque da canção.

Passaredo (ao vivo)- Francis Hime:

Toquinho comemora 50 anos de bela carreira com DVD/CD

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Por Fabian Chacur

Toquinho é um desses nomes tão grandes da nossa música popular que às vezes pode parecer que é menos louvado do que deveria. Mas há uma explicação para isso: sua elegância. Cantor, compositor, violonista, ele mantém desde o início de sua carreira, na década de 1960, uma postura humilde, sóbria e sem cair em excessos ou estrelismo. Para comemorar meio século de trajetória artística, ele acaba de lança o DVD/CD 50 Anos de Carreira (Deck), um trabalho enxuto, bem feito e à altura da trajetória desse craque da canção popular brasileira.

Antonio Pecci Filho, nascido em São Paulo em 6 de julho de 1942 e apelidado Toquinho pela mãe, tornou-se conhecido ao lançar parcerias com Jorge Ben como Carolina Carol Bela e Que Maravilha. A seguir, tornou-se parceiro de palcos, discos e composições de ninguém menos do que Vinícius de Moraes. A dupla, com enorme sucesso de público e critica, durou uma década, encerrando-se apenas devido à morte prematura do grande Poetinha em 1980.

Como artista solo, consagrou-se de vez com o estouro de Aquarela, em 1983, e não só lançou trabalhos individuais bem bacanas como também manteve parcerias com craques como Paulinho da Viola, Chico Buarque, MPB-4, Sadao Watanabe e vários outros. Nos últimos anos, mostrou-se aberto ao intercâmbio com as novas gerações, atuando ao lado de Paulo Ricardo, Tiê, Veronica Ferriani e Anna Setton, por exemplo.

O DVD/CD equivale a uma pequena amostra dessa trajetória, gravado ao vivo em duas sessões no dia 25 de março de 2016 no Teatro WTC, Hotel Sheraton, em São Paulo. A seu lado, uma banda composta por Guga Machado (percussão), Ivâni Sabino (baixo), Nailor Proveta Azevedo (clarinete e sax alto) e Pepa D’Elia (bateria), um time afiado que se mostra muito adequado e ensaiado para acompanhar um dos melhores violonistas brasileiros de todos os tempos.

O repertório dos 55 minutos de show traz 24 músicas acomodadas em 14 faixas, sendo apenas uma delas de fora do repertório do artista, A Noite, sucesso da cantora Tiê que ela interpreta ao lado de seu padrinho artístico. De resto, temos desde o primeiro sucesso, Que Maravilha, até a recente Quem Viver Verá, de 2011. Além de Tiê, participam Anna Setton, Verônica Ferriani, Mutinho e Paulo Ricardo.

Com efeitos cênicos simples e bem concatenados, entre os quais três telões com imagens ilustrando cada canção, o show traz Toquinho à vontade, cantando com sua voz agradável e doce e contando pequenos ‘causos’ entre uma música e outra, entre os quais uma deliciosa recordação de episódio envolvendo sua assumida hipocondria. Da ótima banda, o destaque é o lendário Proveta, que dá um colorido especial às canções com seus belos e inspirados solos.

Da fase com Vinícius, temos representadas A Tonga da Mironga do Kabuletê, Tarde em Itapoã (dueto com Paulo Ricardo), Samba de Orly e O Velho e a Flor/Veja Você (dueto com Verônica Ferriani), entre outras. As canções dedicadas ao público infantil aparecem em um pot-pourry que traz A Casa, O Pato, O Ar (O Vento), A Bicicleta e O Caderno.

Os megahits Que Maravilha, Turbilhão (dueto com o parceiro Mutinho) e Aquarela não poderiam ficar de fora, e não ficaram. Nos extras do DVD, temos pequenos depoimentos de amigos como Galvão Bueno, Roberto Menescal, Zico, Eliane Elias e Ivan Lins, e 10 minutos deliciosos nos quais Toquinho mostra seu talento como solista de violão, tocando sozinho e em estúdio maravilhas como Abismo de Rosas, Bachianinha nº 1 (do seu mestre Paulinho Nogueira) e Gente Humilde, entre outras.

Toquinho 50 Anos de Carreira equivale a uma deliciosa viagem por uma carreira repleta de boas músicas, feitas e interpretadas por um artista que nunca se valeu de recursos reprováveis para fazer sucesso e conseguiu sua popularidade de forma justa e mais do que merecida. Usando versos de seu eterno parceiro naquela célebre canção com a grife Tom & Vinícius: “se todos fossem iguais a você, que alegria viver”…

obs.: e falar o que dessa bela capa, do sempre genial Elifas Andreato?

Tarde em Itapoã– Toquinho e Paulo Ricardo:

ClaudetteSoares-AlaídeCosta são realmente o fino da bossa

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Por Fabian Chacur

Muitas homenagens aos 60 anos da Bossa Nova estão sendo feitas neste ano, e uma das mais louváveis e bem realizadas acaba de chegar às lojas e às plataformas digitais. Trata-se do estupendo álbum 60 Anos de Bossa Nova, lançado pela gravadora Kuarup e que reúne duas expoentes do gênero, as cantoras Claudette Soares e Alaíde Costa. O show de lançamento no Rio ocorre nesta terça (9) às 21h o Theatro Net Rio (rua Siqueira Campos, nº 143- 2º piso- fone 0xx21-2147-8060), com ingressos de R$ 50,00 a R$ 100,00.

As cariocas Claudette e Alaíde estavam na área quando João Gilberto, Tom Jobim, Vinícius de Moraes e outros mestres desse naipe deram o pontapé inicial no gênero musical que somou o swing do samba com a elaboração do jazz. Foram participantes desde o começo, e ajudaram a divulgar essa “batida diferente” no Rio e principalmente em São Paulo, onde elas se radicaram ainda na década de 1960. Ou seja, as moças possuem conhecimento suficiente para encarar a tarefa.

Com produção musical a cargo de Thiago Marques Luiz, que há muito já virou uma verdadeira grife desses projetos envolvendo craques da nossa música com muita estrada nas costas, as duas intérpretes foram acompanhadas no show que deu origem ao álbum e gravado em 23 de março de 2018 em São Paulo no Teatro Itália por Giba Estebez (produção musical, arranjos e piano), Renato Loyola (baixo acústico) e Nahame Casseb (bateria, o célebre Naminha, que integrou o grupo Língua de Trapo na década de 1980).

Com arranjos classudos e despojados a acompanha-las, as cantoras deram conta do recado diante de um repertório composto por 18 faixas, sendo algumas delas pot-pourris. Em alguns momentos elas atuam juntas, mas na maior parte se incumbem de blocos solo. A seleção traz canções integrantes do songbook máximo da bossa, entre as quais Insensatez, Dindi, Caminhos Cruzados, Chega de Saudade, O Barquinho, Os Grilos, Oba-la-la e Vem Balançar, só para citar algumas.

Os estilos das protagonistas se mostram bem claros. Alaíde é mais contida, discreta e doce, brilhando muito nos momentos intimistas. Por sua vez, Claudette é serelepe, sabendo alternar partes introspectivas com momentos de puro swing, encantando e sendo capaz de conquistar até o ouvinte mais distante e cético em relação ao gênero musical homenageado. A interação entre as duas é ótima e cordial, proporcionando momentos de raro prazer ao ouvinte.

60 Anos de Bossa Nova flui deliciosamente em sua viagem encantadora pelas preciosidades bossa novísticas, e demonstra que Claudette e Alaíde se mantém em plena forma, capazes ainda de oferecer a seus inúmeros fãs shows maravilhosos e discos com este altíssimo padrão artístico e técnico. Prova mais do que concreta de que elas continuam o fino da bossa, 60 anos depois, e que esse repertório é para sempre.

60 Anos de Bossa Nova- ouça em streaming:

Lô Borges faz 2 shows em SP e lança o seu novo DVD ao vivo

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Por Fabian Chacur

Considerado um dos mais importantes integrantes do movimento musical chamado de Clube da Esquina, Lô Borges resolveu reler músicas de seus dois discos de estreia no incrível DVD Tênis + Clube (leia a resenha de Mondo Pop aqui). Ele mostra esse trabalho com shows em São Paulo nesta sexta (5) e sábado (6) às 21h no Sesc Pinheiros- Teatro Paulo Autran (rua Paes Leme, nº 195- Pinheiros- fone 0xx11-3095-9400), com ingressos de R$ 15,00 a R$ 40,00.

A direção musical (do DVD e do show) é de Pablo Castro (voz, violões, piano, guitarra e vocais), que lidera a banda composta por Gui de Marco (violões, guitarras, percussão e vocais), Paulim Sartori (contrabaixo, bandolim, percussão e vocais), D’Artagnan Oliveira (bateria, percussão e vocais), Dan Oliveira (guitarras, violões, percussão e vocais) e Alê Fonseca (teclados e programações), um timaço capaz de muitas e boas.

O repertório do show traz todas as faixas do primeiro álbum solo de Lô, autointitulado e mais conhecido como “Disco do Tênis”, e todas as canções de sua autoria do LP Clube da Esquina (1972), creditado a ele e a um certo Milton Nascimento. De quebra, também temos Para Lennon e McCartney, sua composição gravada brilhantemente pelo Bituca em 1970. Tipo do show feito sob medida para receber o adjetivo de imperdível, ainda mais no delicioso Sesc Pinheiros.

Veja trechos do DVD Tênis+Clube, de Lô Borges:

Gerson Conrad canta músicas do novo álbum em São Paulo

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Por Fabian Chacur

Foram precisos apenas dois álbuns, lançados em 1973 e 1974, para que os Secos & Molhados se tornassem um dos grupos de maior impacto da história da música brasileira. Gerson Conrad, um de seus integrantes ao lado de Ney Matogrosso e João Ricardo, seguiu em frente após a separação da formação clássica da banda com uma carreira solo discreta e bacana. Ele lança o CD Lago Azul com show em São Paulo nesta sexta (5) às 21h, no Teatro UMC (Avenida Imperatriz Leopoldina, nº 550- Vila Leopoldina- fone 0xx11-3476-6403), com ingressos a R$ 25,00 (meia) e R$ 50,00 (inteira).

Nos Secos & Molhados, Gerson cantava e tocava violão. Compôs apenas duas músicas nos dois discos de estúdio que consagram a banda, Delírio (parceria com Paulinho Mendonça) e antológica Rosa de Hiroshima (poema de Vinícius de Moraes musicado por ele). Em 1975, logo após o fim do trio original, lançou o LP Gerson Conrad e Zezé Motta, em parceria com a cantora e atriz e com letras de Paulinho Mendonça.

O primeiro disco totalmente solo, Rosto Marcado, viria em 1981. Desde então, ficou longe dos estúdios, embora sempre fazendo shows, até chegar a Lago Azul, lançado em CD e em formato digital pela gravadora Deck. O álbum traz 12 composições autorais, escritas por ele em parceria com o fiel parceiro Paulinho Mendonça e também com Alessandro Uccello, Pedro Levitch e Aru Jr.

Além das músicas do novo trabalho, entre as quais Teias, que está sendo divulgada com um clipe muito bacana com cenas registradas durante as gravações do CD e também no centro de São Paulo, Gerson também trará músicas dos S&M. Sua banda, a Trupi, é integrada por Aru Jr. (guitarra e vocal), Chico Weiss (teclados), Fernando Faustino (bateria), Gustavo Aldab (baixo e cello), Kyra Cherry (voz e percussão) e Walter Mourão (guitarra e voz), além dele no vocal principal e violão.

Teias (clipe)- Gerson Conrad:

Chico Buarque tem o primeiro compacto de vinil relançado

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Por Fabian Chacur

Há relançamentos musicais em formato físico que tem como grande atrativo o seu conteúdo artístico. Outros, porém, tornam-se um fetiche para colecionadores, pois não trazem nada além de suas embalagens como atrativos. E esse último é o caso do novo produto colocado no mercado pela Polysom na série Clássicos em Vinil. Em parceria com a Som Livre, eles nos proporcionam uma reedição do 1º disco de Chico Buarque.

Lançado originalmente no formato compacto simples de vinil em 1965 pela hoje extinta gravadora RGE, o single traz as músicas Pedro Pedreiro no lado A e Sonho de Um Carnaval no lado B. Ambas seriam incluídas no LP de estreia do artista, autointitulado e disponibilizado para o público em geral naquele mesmo ano com grande repercussão.

Pedro Pedreiro tem forte conteúdo político, e infelizmente se mostra mais atual do que nunca, com seus versos incisivos “esperando, esperando, esperando o trem, esperando o aumento para o mês que vem, esperando um filho pra esperar também”.

Por sua vez, Sonho de Um Carnaval participou do festival de música da extinta TV Excelsior também em 1965, interpretada por Geraldo Vandré. Não ganhou, mas ao menos conquistou o coração do artista nordestino, que a gravaria posteriormente.

O bacana do compacto simples é a sua capa vintage, indicando a rotação (33 RPM), com tipologia estilosíssima e uma foto do artista novinho, ainda na altura de seus 20 anos de idade. Garanto que os fanáticos pelo grande astro da MPB adorariam ter esse item em sua coleção, nem que seja apenas para decorar sua parede ou estante.

Pedro Pedreiro– Chico Buarque:

Lô Borges resgata um de seus álbuns clássicos em belo DVD

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Por Fabian Chacur

Em 1972, com apenas 20 anos de idade, Lô Borges surpreendeu aos fãs de música brasileira ao lançar dois trabalhos que com o tempo seriam consagrados como antológicos. Um é Clube da Esquina, álbum duplo que gravou em parceria com o amigo e mentor Milton Nascimento. Outro, um álbum solo autointitulado hoje mais conhecido como “Disco do Tênis”. Hoje curtindo a maturidade de seus 66 anos, ele resgata o repertório desses dois trabalhos seminais no DVD Tênis+Clube- Ao Vivo No Circo Voador, lançado pela gravadora Deck. Desde já, um dos grandes lançamentos deste 2018. Sublime é pouco!

Lô Borges marcou sua trajetória musical como autor de algumas das mais belas e enigmáticas canções do repertório pop brasileiro. Misturando com maestria folk, rock, country, MPB e experimentalismo, ele rapidamente se firmou como um dos grandes nomes a despontar do time de craques capitaneados por Milton Nascimento que recebeu o nome geral de Clube da Esquina. Se não fez tanto sucesso como o Bituca ou mesmo Beto Guedes, ele possui porte artístico compatível.

Em sua belíssima discografia, repleta de grandes momentos, o “Disco do Tênis” (ouça aqui) é certamente um dos mais badalados. O repertório do novo DVD do cantor, compositor e músico mineiro traz as 15 faixas daquele álbum (tocadas em ordem diferente da do LP original), as oito assinadas por Borges em Clube da Esquina e Para Lennon e McCartney, uma das primeiras composições dele a serem gravadas, mais precisamente por seu mestre e amigo, no LP Milton (1970).

Gravado ao vivo no Circo Voador (RJ) no dia 23 de março, o DVD nos traz um show sóbrio e elegante em termos visuais, sem grandes efeitos ou elementos cenográficos. O foco é todo na parte musical do espetáculo, e aí estamos diante da total e completa excelência, a começar pelos seis músicos selecionados por Lô, que toca guitarra, violão e caxixi, além de cantar com uma voz deliciosamente madura.

O capitão do time é Pablo Castro (vocal, piano, violão, guitarra), que além de ser o diretor musical da coisa toda ainda dá um banho de sensibilidade e talento ao reproduzir com rara competência os vocalizes feitos por Milton Nascimento na gravação original de Clube da Esquina Nº 2. Aliás, o projeto foi levar ao palco os arranjos originais gravados nos álbuns de 1972, e a missão não poderia ter sido melhor cumprida.

Além de Pablo, integram a banda os excelentes Gui de Marco (guitarra, violão, percussão e vocais), Paulim Sartori (baixo, bandolim, percussão e vocais), D’Artagnan Oliveira (bateria, percussão e vocais), Dan Oliveira (guitarra, violão, percussão e vocais) e Alê Fonseca (teclados e programações), um elenco que não se preocupou apenas em “tocar igualzinho”, mas sim de trazer para o palco a emoção contida em cada uma dessas canções admiráveis.

Tocando perante um Circo Voador lotado e com plateia gritando “Lô, eu te amo” desde o início, o mestre mineiro da canção esbanja simpatia, evidente timidez e emoção em músicas divinas como Você Fica Melhor Assim, Pensa Você, Aos Barões, Canção Postal, Tudo Que Você Podia Ser, Nuvem Cigana, Paisagem da Janela… São 78 minutos de puro prazer, um belo culto a canções que equivalem a um verdadeiro bálsamo sonoro em tempos tão difíceis como os atuais.

Clube da Esquina Nº2 (ao vivo)- Lô Borges:

Solano Ribeiro relembra MPB e belas histórias dos festivais

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Por Fabian Chacur

Quem começa a pesquisar sobre a era dos festivais chegará infalivelmente no nome de Solano Ribeiro. E não é para menos. Esse produtor de TV, rádio e publicidade teve participação fundamental nos principais eventos ligados ao tema no Brasil, dos anos 1960 aos dias de hoje. Em 2003, lançou Prepare Seu Coração- Histórias da MPB, livro relançado agora em edição revista e atualizada pela Kuarup. A noite de autógrafos em São Paulo será nesta terça (18) a partir das 19h na Livraria Cultura do Conjunto Nacional (avenida Paulista, 2.073- fone 3170-4033). No Rio de Janeiro, vai rolar no dia 2 de outubro (terça) na Livraria da Travessa do Leblon (avenida Afrânio de Melo Franco, nº 290- loja 205- fone 0xx21-3138-9600).

Solano Ribeiro nasceu em 1939, e começou sua trajetória no meio artístico na segunda metade da década de 1950, estudando e atuando em teatro e também integrando o grupo The Avalons, um dos pioneiros do rock paulistano. Logo se envolveu na produção de shows musicais e também de programas de TV e festivais televisivos. O seu trabalho nos festivais das TVs Excelsior, Record e Globo foi decisivo, especialmente nos aspectos criativos e organizacionais.

Com um texto na primeira pessoa bastante fluente, franco e direto, ele narra suas experiências nessa era de enorme criatividade na música brasileira. Do namoro com Elis Regina aos bastidores dos eventos, histórias que envolvem nomes que ajudou a impulsionar, como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque, Geraldo Vandré, Edu Lobo e tantos outros. Ficamos sabendo também dos arranjos políticos, das lutas de egos, dos altos e baixos, das idas e vindas.

Dono de um temperamento forte que se evidencia em cada página de seu livro de memórias, Solano certamente deve ter desagradado alguns colegas com certas opiniões, mas demonstrou coragem ao colocar no papel as suas ideias e visões sobre cada evento no qual se envolveu. Nem mesmo nomes incensados por alguns, como o radialista e jornalista Zuza Homem de Mello e o empresário Paulinho Machado de Carvalho, da TV Record, escaparam da sua pena afiada.

Lógico que temos também momentos muito bem-humorados, incluindo até mesmo uma longa descrição de um affair amoroso de Solano com direito a detalhes eróticos. Suas lembranças gastronômicas também ocupam diversas páginas, assim como viagens e trabalhos não só em festivais, mas também em especiais feitos para TV no Brasil e na Alemanha, atuação em rádio, publicidade etc. Um profissional sempre inquieto, criativo e combativo em sua longa e produtiva trajetória.

Nas páginas de Prepare Seu Coração- Histórias da MPB, viajamos por um tempo incrível repleto de realizações, criatividade e também com direito a frustrações e fracassos. O legal é saber que Solano nunca desistiu de lutar pela criação de espaços para a MPB, sigla que, por sinal, ele afirma ter criado. Mais na ativa do que nunca, ele apresenta o programa de rádio Solano Ribeiro e a Nova Música do Brasil, criou o prêmio Cata-Vento, que premia os melhores da produção independente musical, além de criar o portal www.solanoribeiro.com.br . Sua história ainda irá longe, pelo andar da carruagem!

Solano Ribeiro fala sobre Festival de 1968:

Ricardo Bacelar lança o single com a parceria com Belchior

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Por Fabian Chacur

Em 1996, Ricardo Bacelar se incumbiu dos arranjos e direção musical do álbum Vício Elegante, de Belchior, do qual já era amigo e com o qual já havia dividido o palco em algumas ocasiões. No CD, dedicado a releitura de composições alheias, só tínhamos uma composição inédita, a faixa-título, parceria do autor de Paralelas com Bacelar, belo pop-rock com letra refinada e melodia precisa (ouça aqui).

Como forma de ao mesmo tempo homenagear o grande mestre cearense, que nos deixou em 2017 aos 70 anos, e também resgatar uma bela canção, Bacelar acaba de lançar um single com a sua releitura de Vício Elegante. Além de sua voz e piano, temos um envolvente arranjo de cordas assinado pela produtora da gravação, a consagrada Delia Fischer. Desta vez, a canção surge com um arranjo mais introspectivo e denso, com bela interpretação de Bacelar.

Vale lembrar que Belchior participou da faixa Tempos de Liberdade, incluída no primeiro disco solo de Ricardo Bacelar, In Natura (2001), após seus cerca de dez anos como integrante do grupo Hanói Hanói ao lado de Arnaldo Brandão. Ele lançou recentemente o excelente CD Sebastiana (leia a resenha de Mondo Pop aqui).

Vicio Elegante– Ricardo Bacelar:

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