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Vânia Bastos, Túlio Mourão e Rafa Castro em Tons de Minas

Vânia Bastos, Túlio Mourão e Rafa Castro por Vinicius Campos-400x

Por Fabian Chacur

Em seus mais de 30 anos de carreira-solo, Vânia Bastos tem se especializado em reler de forma personalizada e repleta de classe alguns dos mais importantes songbooks da música popular brasileira. Em seu novo projeto, Tons de Minas, a cantora paulista se reúne aos músicos mineiros Túlio Mourão e Rafa Castro para um espetáculo que promete ser inesquecível. O trio se apresenta nesta segunda (30) às 19h30 em São Paulo no Sesc Carmo (rua do Carmo, nº 147- Sé- fone 0xx11-3111-7000), com ingressos de R$ 6,00 a R$ 20,00.

A sementinha que deu origem ao novo show da cantora oriunda de Ourinhos (SP) é o elogiado disco Vânia Bastos Canta Clube da Esquina (2008). Desta vez, ela resolveu ampliar o leque de escolha, mergulhando de forma mais abrangente no rico cancioneiro da música feita em Minas Gerais.

O repertório traz maravilhas do porte de Cais (Milton Nascimento-Ronaldo Bastos), Nascente (Flávio Venturini- Murilo Antunes), Choveu (Beto Guedes), Resposta (Samuel Rosa), Românticos (Wander Lee) e Fronteira (Rafa Castro).

O time escalado para este projeto não poderia ter sido melhor escalado. Túlio Mourão ficou conhecido inicialmente nos anos 1970 ao integrar os Mutantes em sua fase rock progressivo. Posteriormente, tocou com Milton Nascimento, Maria Bethânia, Chico Buarque, Caetano Veloso e Ney Matogrosso, além de ter feito a incrível trilha do filme Jorge, Um Brasileiro (1988).

Em 2014, Túlio gravou o DVD/CD Teias, em parceria com o jovem músico Rafa Castro. A enorme qualidade artística dessa obra mostrou que estes dois tecladistas e compositores tinham muitas afinidades positivas. Rafa é também cantor dos bons, e se radicou em São Paulo em 2017, tendo lançado recentemente seu terceiro trabalho, o ótimo CD Fronteira.

No show, Rafa também fará alguns duetos vocais com Vânia, que foi revelada ao integrar as bandas de Arrigo Barnabé e Itamar Assumpção. Como artista-solo, traz como marca um timbre vocal delicado e delicioso, sempre dedicado a repertórios impecáveis e sem concessões ao comercialismo excessivo ou ao popularesco. Bom gosto é uma expressão que nos vem imediatamente à mente ao pensar na forma como ela desenvolve seus shows e álbuns.

O Trem Azul– Vânia Bastos:

Vânia Bastos volta a SP com a homenagem a Pixinguinha

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Por Fabian Chacur

Desde sua estreia, em abril de 2013, o show Concerto Para Pixinguinha, de Vânia Bastos e Marcos Paiva, não só passou por palcos nobres e plateias idem como também gerou o elogiadíssimo CD homônimo (leia a resenha de Mondo Pop aqui). Com novo cenário e figurinos, o espetáculo volta a São Paulo nesta terça(7) às 21h no Teatro Porto Seguro (Alameda Barão de Piracicaba, nº 740- Campos Elísios- fone 0xx11-3226-7300), com ingressos custando de R$ 30,00 a R$ 80,00.

O show, assim como o CD, oferecem ao público uma caprichada seleção de clássicos do repertório de Pixinguinha (1897-1973), um dos nomes mais importantes da história da nossa música popular, dono de uma obra densa e deliciosa. Aquela incrível combinação de letras poéticas e melodias que, embora sofisticadas, tem o eterno dom de cativar os ouvintes de todas as faixas etárias e classes sociais. Vânia e Paiva souberam reler essas canções com reverência e ousadia.

Vânia terá a seu lado no show o Marcos Paiva Quarteto, integrado por seu experiente líder no contrabaixo, arranjos e direção musical, Cesar Roversi (sax tenor e soprano, clarinete e flauta), Jônatas Sansão (bateria) e Nelton Essi (vibrafone). Canções como Rosa, Carinhoso, Isso É Que É Viver e Urubu Malandro são alguns dos destaques. O CD foi lançado pelo selo Conexão Musical, de Fran Carlo e Petterson Melo, em parceria com a gravadora Atração Fonográfica.

Após ter se destacado na primeira metade dos anos 1980 como integrante da célebre banda Sabor de Veneno, de Arrigo Barnabé, Vânia Bastos lançou seu primeiro álbum solo em 1986. Desde então, firmou-se como intérprete talentosa e de muito bom gosto na seleção de repertório, dedicando projetos a Edu Lobo, Tom Jobim, Caetano Veloso, Clube da Esquina e Pixinguinha, firmando-se como dona de uma das mais consistentes carreiras entre as melhores cantoras brasileiras.

Concerto Para Pixinguinha- Vânia Bastos e Marcos Paiva:

Vânia Bastos e Marcos Paiva homenageiam Pixinguinha

vania bastos capa cd-400x

Por Fabian Chacur

Já vão longe os tempos em que me preocupava em resenhar um CD, DVD, Blu-ray ou coisa que o valha de forma rápida, tentando ser o primeiro crítico a publicar algo sobre determinado lançamento. Pouco me importa. O que realmente vale a pena é tentar fazer isso bem, seja quando for. E esse é precisamente o caso deste Concerto Para Pixinguinha, de Vânia Bastos e Marcos Paiva, que já ganhou inúmeros elogios na imprensa, e só chega a Mondo Pop agora.

Antes tarde do que nunca? Eu preferiria dizer “antes bem-feito do que nunca”. E chega de metalinguagem. Vamos ao que interessa, que é este CD, o primeiro lançamento de um novo selo, o Conexão Musical, criado pelo experiente produtor musical Fran Carlo, um cara que só mete a mão onde existe talento. A escolha para a abertura desse novo espaço para a nossa música não poderia ter sido mais feliz, e lógica, vide o envolvimento dele com Vânia nesses anos todos.

Desde que iniciou a sua carreira solo, na década de 1980, Vânia Bastos tem se pautado por uma trajetória na qual não abre mão de seus princípios em prol de eventuais resultados comerciais mais significativos. Nunca foi uma grande vendedora de discos, mas consolidou uma carreira brilhante em torno de belas escolhas de repertório, bom gosto ao escolher os músicos com os quais faz shows e grava e a utilização sempre cirúrgica de sua bela e suave voz.

Em sua discografia, temos alguns trabalhos dedicados a temas específicos como as obras de Tom Jobim e Caetano Veloso e da turma do Clube da Esquina. Desta vez, ela resolveu se debruçar sobre o songbook de um dos grandes ícones da música brasileira, o compositor, orquestrador, arranjador, flautista e saxofonista Pixinguinha (1897-1973), que se só tivesse assinado a maravilhosa Carinhoso já mereceria ser lembrado para sempre.

Ele, no entanto, nos deixou uma herança repleta de maravilhas do porte de Rosa, Isso é que é Viver, Lamentos e tantas outras, escritas com parceiros como Braguinha e Vinícius de Moraes. Integrou o lendário grupo Oito Batutas, o primeiro combo regional brasileiro a excursionar pela Europa, isso nos anos 1920. Ele também trabalhou com música para cinema e teatro e assinou arranjos para Carmen Miranda, por exemplo.

Para realizar essa homenagem, a cantora se uniu ao baixista, compositor e arranjador Marcos Paiva, que desenvolve um trabalho próprio na música instrumental e também já atuou com feras do porte de Bibi Ferreira, Zizi Possi, Teresa Salgueiro e Fernando Ferrer. Ele lidera o Marcos Paiva Quarteto, composto por César Roversi (sax, clarinete e flauta), Jônatas Sansão (bateria), Nelton Essi (vibrafone) e ele próprio no contrabaixo acústico, arranjos e direção musical.

A sonoridade apresentada em Concerto Para Pixinguinha é quase camerística, esbanjando delicadeza, bom gosto e o inteligente aproveitamento de cada integrante do time, Vânia obviamente incluída. Aliás, os diálogos entre voz e os instrumentos podem ser citados como alguns dos pontos altos do álbum, assim como o entrosamento da equipe, desenvolvido durante os inúmeros shows que fizeram previamente com este material, antes da ida ao estúdio para registra-lo.

A sequência das faixas flui de forma deliciosa, não comportando uma audição incidental, do tipo pano de fundo. É preciso sentar e se concentrar, pois se trata de música feita para envolver o ouvinte, de forma classuda e sem arestas. Uma boa sacada foi a inclusão de quatro temas instrumentais (Seu Lourenço no Vinho, Cochichando, Displicente e Recordações) intercalados entre nove faixas com vocais, representando o lado instrumental da criação de Pixinguinha. Prova da generosidade de Vânia, abrindo espaços para seus colegas brilharem. E ela brilha muito, também, em Rosa, Carinhoso, Isso é que é Viver e especialmente em Urubu Malandro, que encerra o disco com força total.

Concerto Para Pixinguinha é aquele tipo de lançamento feito para durar, e que serve como boa prova de que o formato álbum nunca irá se extinguir. Pelo menos, não enquanto existirem artistas como Vânia Bastos e Marcos Paiva, dispostos a oferecer ao público um produto de altíssima qualidade como este aqui, e a selos como o Conexão Musical, viabilizando essa tarefa e caprichando em embalagem e produção.

Carinhoso (ao vivo)- Vânia Bastos e Marcos Paiva:

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