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Lembranças para comemorar os 70 anos do grande Wando

WANDO-400x

Por Fabian Chacur

Se ainda estivesse entre nós, Wando, uma das figuras mais interessantes e marcantes da história da nossa música popular, estaria completando 70 anos de idade nesta sexta-feira (2). Como forma de manter viva a memória de seu trabalho, foram anunciados a produção de um documentário e de uma espécie de museu móvel com memorabilia ligada ao artista mineiro morto de forma prematura em 2012. Esse deixou saudade.

A partir da metade dos anos 1980, tive a oportunidade de entrevistar Wando em diversas ocasiões. Tratava-se de um cara inteligente, articulado e extremamente educado e bem-humorado, sempre capaz de tiradas incríveis. Seu marketing para divulgar discos e shows era imbatível, com direito a colocar uma calcinha na capa de um LP e sortear “ingressos” para motéis e até mulheres infláveis nos espetáculos ao vivo.

Por trás desse lado mais espetaculoso, digamos assim, vivia um compositor talentoso, ótimo músico e cantor que sabia das coisas. Falar de amor e de sexo era com ele mesmo, e com uma classe digna dos grandes e badalados compositores. Basta citar Moça, Senhorita Senhorita, Gosto de Maça e Lenda de Um Menino Rei como bons exemplos disso.

As histórias da vida de Wando poderão render um belo documentário. Lembro que cheguei a propor a ele fazer uma biografia, mas na época (início dos anos 2000), ele pensava ser mais viável e lógico investir em um site. Seus casos eram imbatíveis, como os bailes que dava no português de quem alugava um quarto em uma pensão em Sâo Paulo.

Fazem falta na atual música brasileiras caras que consigam fazer essa transição competente entre a música bem feita e bem harmonizada com o forte apelo popular, algo que Wando concretizava com uma competência e categoria fora do comum. Saudade do artista e do ser humano, uma figura carimbada. Leia mais sobre ele aqui .

Moça– Wando:

Senhorita Senhorita– Wando:

Lenda de um menino Rei– Wando:

Aquele Amor FDP Me Deixou (ao vivo)– Wando:

Nega de Obaluaê– Wando:

Wando se vai nesse triste 8 de fevereiro

Por Fabian Chacur

Coube à música O Importante é Ser Fevereiro a tarefa de colocar pela primeira vez nas paradas de sucesso uma música assinada por Wando, lá pelos idos de 1972/73. Infelizmente, também coube ao mês de fevereiro abrigar a sua morte, aos 66 anos, na manhã desta quarta (8), em Belo Horizonte, vítima de ataque cardíaco após vários dias internado.

Nessa minha já longa carreira como jornalista e crítico musical, tive a oportunidade de entrevistar diversas vezes o senhor Wanderley Alves dos Reis, sendo a primeira na segunda metade dos anos 80.

O cara era uma peça rara. Bem-humorado, inteligente e simpático, contava histórias simplesmente sensacionais protagonizadas por ele em sua difícil e longa trajetória rumo ao sucesso.

Nascido em Nova Lima (MG) em 2 de outubro de 1945, teve várias fases em sua trajetória profissional, sendo que na inicial, fez parte de grupos de baile, cantou na noite e se virou como feirante e outras ocupações para sobreviver.

Na primeira metade dos anos 70, investiu no samba, que rendeu sucessos como O Importante é Ser Fevereiro (gravada por Jair Rodrigues)e Nega de Obaluaiê.

O estouro da belíssima Moça, em 1975/76, tornou-o um fenômeno de vendagens em todo o país, em música cuja letra conta a paixão por uma prostituta, uma ousadia em plena Ditadura Militar.

Até o fim dos anos 70, emplacaria outros hits, entre os quais as ótimas Senhorita Senhorita e Gosto de Maça.

A primeira metade da década de 80 marcou um momento de menor repercussão em sua trajetória profissional, a ponto de ele ter sido excluído do circuito das grandes gravadoras.

Para voltar à cena, ele resolveu aceitar o convite e gravar em um recém-criado selo independente em 1985, Arca, fundado pelo jornalista e empresário Ari Carvalho, dono do jornal carioca O Dia.

Esse álbum independente, intitulado Vulgar e Comum é Não Viver de Amor, acabou se transformando em um inesperado sucesso comercial, graças às músicas Fogo e Paixão e Chora Coração, esta última depois incluída na trilha de Roque Santeiro.

Em 1987, não só estava de volta a uma grande gravadora (a Polygram, cujo acervo hoje pertence à Universal Music), como passou a investir em shows superproduzidos e sempre lotados com direito a camas redondas, tendas árabes e distribuição de calcinhas e convites para motéis.

As fãs também adoravam jogar no palco calcinhas, que o cantor colecionava. Wando virou até garoto propaganda da DuLoren…

Esperto, mergulhou de cabeça em um segmento musical criado por ele próprio, o da música romântica centrada no sexo como tema básico. Virou conselheiro sexual e figura obrigatória em programas sobre o tema.

Rotulado como brega, algo que nunca levou a sério, Wando era bom cantor, ótimo músico e compositor de recursos bem amplos. Lógico que não era um Paul McCartney ou Caetano Veloso, mas ficava muito acima da média em sua área. E isso explica um pouco a sua permanência. Vá com Deus. E os corações que ele tanto animou vão chorar bastante, podem ter certeza.

Ouça Moça, com Wando:

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