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Al Stewart toca CD Year Of The Cat na íntegra

Por Fabian Chacur

Al Stewart, um dos grandes nomes da história do folk rock, presenteou seus fãs ingleses no último dia 15 (terça-feira) com uma inédita execução, na íntegra, de seu álbum mais icônico, o maravilhoso Year Of The Cat (1976). Como se não bastasse, ele teve a seu lado, no histórico Royal Albert Hall, em Londres, vários músicos que participaram daquele CD. Quem perdeu, perdeu…

O líder do grupo que acompanhou o genial cantor, compositor e músico escocês nesse show foi o violonista e tecladista Peter White, que tinha apenas 20 anos de idade quando participou do álbum Year Of The Cat. Também estavam em cena o guitarrista Tim Renwick, o saxofonista Phil Kenzie e o baterista Stuart Elliott, todos músicos tarimbados e extremamente talentosos.

Year Of The Cat saiu em 1976 e foi produzido por Alan Parsons, famoso por seu trabalho com o Pink Floyd e também com seu próprio grupo, The Alan Parsons Project. O disco atingiu o quinto lugar na parada americana, e traz clássicos do repertório de Al Stewart como a faixa título (tocada até hoje nas rádios dedicadas a classic rock e flash back em todo o mundo), On The Border, Flying Sorcery e Broadway Hotel.

Essa reunião com Peter White também rendeu um recém-lançado no exterior DVD gravado ao vivo em maio de 2011. Live At Carmel-by-the-sea traz clássicos de várias fases da carreira de Al Stewart, como Year Of The Cat, Time Passages, Midas Shadow, Flying Sorcery e Soho (Needles To Say), além de outras não tão conhecidas mas também adoráveis, como Night Train To Munich, Katherine Of Oregon e Gina In The Kings Road.

Acompanham Al e White no DVD os músicos Gregg Karukas (teclados), Eric Marienthal (sax), Robert Vally (baixo) e Eric Valentine (bateria). O DVD traz um livreto com fotos do show e textos, e o vídeo inclui como extra uma entrevista realizada com os dois velhos companheiros. Tipo da reunião que só poderia ter gerado um produto de alta qualidade artística.

Desde que deixou de tocar com Al Stewart, Peter White passou a se dedicar a uma carreira solo com foco no som instrumental de linha jazzística-pop. Em 2012, sua faixa Here We Go, com participação do consagrado saxofonista David Sanborn, atingiu o primeiro lugar na parada Smooth Jazz (jazz suave, em tradução livre) da revista Billboard americana em 2012.

Time Passages/On The Border com Al Stewart e Peter White, ao vivo no Royal Albert Hall:

End Of The Day – Al Stewart, ao vivo em 2013:

Here We Go, com Peter White (2012), participação de David Sanborn:

Year Of The Cat – Al Stewart (1976-RCA/EMI)

Por Fabian Chacur

Em 1976, Al Stewart já era um jovem veterano no mundo musical. Aos 31 anos de idade, este cantor, compositor e músico escocês já havia lançado vários discos, sendo o primeiro em 1976.

Nesse período, progrediu de um promissor seguidor dos astros do folk rock como Bob Dylan e Donovan Leich rumo a um estilo próprio, no qual brilhavam uma voz doce e afinada, letras inteligentes e de forte teor intelectual e uma forte capacidade para agregar elementos de outros estilos musicais à sua sonoridade, sempre com classe e bom gosto.

No entanto, a primeira década de sua trajetória não inclui hits, embora seus álbuns sempre incluíssem músicas que poderiam perfeitamente ter atingido esse status. Mas isso teimava em não ocorrer.

Em 1976, Stewart resolveu tentar novamente. Para auxiliá-lo, o então iniciante produtor Alan Parsons, com quem havia trabalhado em seu disco anterior, o ótimo Modern Times (1975).

As bases instrumentais foram gravadas nos lendários estúdios Abbey Road, que dispensam apresentações, enquanto os vocais tiveram como local os Davien Sound Studios, em Los Angeles, California.

Acompanhado por músicos de grande talento, entre os quais Peter White (teclados e violões), Peter Wood (teclados), George Ford (baixo) e Tim Renwick (guitarra), Al Stewart conseguiu dar a seu folk rock um tom mais contemporâneo e acessível, com elementos de pop, rock progressivo e até música flamenca. Isso, sem cair em concessões gratuitas.

Year Of The Cat, o álbum que saiu dessas sessões de gravação, acabou tornando o músico britânico um astro em proporções mundiais graças à força de sua faixa-título, com um riff de piano irresistível, melodia maravilhosa, letra estilosa e uma levada rítmica de rock-balada que continua frequentando as programações de rádio até hoje. Um clássico, com direito a belíssimos solos de violão, guitarra e sax.

Mas Year Of The Cat, o disco, é bom como um todo, repleto de momentos marcantes. On The Border, por exemplo, com direito a acompanhamento de violão no melhor estilo flamenco.

Flying Sorcery, folk rock balançado com maravilhosas intervenções de gaita, a reflexiva e levemente melancólica Broadway Hotel, a delicada Midas Shadows, a balada folk dylaniana Sand In Your Shoes… Não tem uma única música que possa ser considerada fraca ou mediana.

Este álbum seria seguido por outro trabalho clássico e de grande sucesso, Time Passages (1978), sendo que a partir daí, Stewart sumiria das paradas de sucesso, embora se mantenha na ativa, fazendo ótimos shows e lançando discos bem bacanas. Mas este Year Of The Cat é discoteca básica, essencial em qualquer discografia roqueira que se preze.

Ouça Year Of The Cat, com Al Stewart e sua banda:

Live/Indian Summer- Al Stewart (1981)

por Fabian Chacur

Nascido na Escócia em 5 de setembro de 1945, Al Stewart teve de penar bastante para conseguir se tornar um artista de sucesso comercial. Do primeiro álbum, em 1967, até o estouro, em 1976, foram nove longos anos.

Nesse período, o cantor, compositor e músico evoluiu de um estilo trovador folk a la Bob Dylan e Donovan quase que totalmente acústico para um artista de estilo mais pop-rock, embora sem nunca deixar de lado aquelas seminais influências iniciais.

Com o excepcional álbum Year Of The Cat (1976), produzido por Alan Parsons, ele se tornou conhecido mundialmente e viveu anos áureos. Live/Indian Summer é o ápice desse período.

Lançado em 1981, ele saiu originalmente como um álbum duplo de vinil. O lado 1 trazia cinco gravações inéditas feitas em estúdio entre junho e agosto de 1981. O repertório é interessante, com destaque para a deliciosamente pop Delia’s Gone, uma de suas melhores nessa praia.

Here In Angola é um rock bem bacana, enquanto a doce Indian Summer cumpre bem a missão de ser faixa título. Pandora e Princess Olivia completam a escalação de forma discreta, mas sem comprometer.

Os lados 2, 3 e 4 do vinil ofereciam ao ouvinte uma seleção de faixas gravadas ao vivo entre 28 e 30 de abril no teatro Roxy, em Los Angeles.

No acompanhamento, a banda Shot In The Dark, que esteve a seu lado no álbum que ele gravou em 1980, 24 Carrots/Parrots.

O repertório traz duas faixas de 24 Carrots/Parrots, o sacudido rock Running Man e a balada de inspiração medieval Merlin’s Time, e investe em uma certeira geral no que de melhor Al fez em sua carreira.

As versões ao vivo de seus maiores hits, Year Of The Cat (que fecha o álbum ao vivo) e Time Passages são ótimas, assim como a de outra canção que ficou razoavelmente conhecida, a sacudida e com influências hispânicas On The Border.

O lado 3 do vinil foi reservado para os momentos mais épicos, com versões fantásticas de duas músicas de Past, Present And Future (1974), seu álbum mais visionário, que procura contar a história do século 20 até ali.

Roads To Moscow, com seus 8m13 de duração, traz como destaque o violão e a voz de Stewart, além das vocalizações e do acompanhamento instrumental impecável do grupo Shot In The Dark.

Nostradamus , também de Past, Present And Future, é ampliada e surge em pot-pourry com a maravilhosa (e até então inédita) World Goes To Riyadh, gerando uma das faixas mais empolgantes da discografia de Al Stewart.

São 13 minutos durante os quais influências folk, rock e mesmo orientais levam o ouvinte a um verdadeiro transe. Você literalmente abre as portas da percepção ao ouvi-la. Experimente, e saia ileso da experiência, se for capaz…

Live/Indian Summer é um desses discos que combinam material inédito em estúdio e registro de shows com rara maestria, e equivale ao auge da carreira de Al Stewart.

A partir daí, ele lançou bons trabalhos e se mantém na ativa até hoje, mas nada com a consistência e a relevância dessa era de ouro. Mesmo assim, vale acompanhar a sua produção, como, por sinal, tenho feito esses anos todos.

Inicialmente, Live/Indian Summer existia no formato CD apenas como Live At The Roxy Los Angeles 1981, excluindo as gravações de estúdio, que por sua vez viraram faixas-bônus da versão em CD de 24 Carrots/Parrots.

Hoje, no entanto, você pode encontrar a versão na íntegra desse álbum, embora não em qualquer loja/site.

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