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Baccara perde Maria Mendiola, 69 anos, integrante original

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Por Fabian Chacur

Um dos destaques da trilha sonora da novela global Espelho Mágico (1977) foi a faixa disco Yes Sir I Can Boogie. Esse hit, que atingiu o 1º posto em 14 paradas europeias na época, incluindo a do Reino Unido, marcou a efusiva estreia do duo Baccara. Neste domingo (12), foi divulgado em um perfil do Instagram que a cantora e dançarina espanhola Maria Mendiola, única integrante da dupla original na formação atual, infelizmente nos deixou aos 69 anos em Madrid, de causa não revelada.

Nascida em 4 de abril de 1952, Maria Mendiola trabalhava como dançarina em uma emissora de TV espanhola ao lado de Mayte Mateos (nascida em 7 de fevereiro de 1951) quando sugeriu à amiga que elas poderiam se dar bem cantando em dupla músicas dançantes. Seus caminhos se cruzaram com o do produtor Leon Dane, que trabalhava para a filial alemã da gravadora RCA e viu potencial nas duas. Não demorou para que elas fossem contratadas.

Com produção musical e composições a cargo dos alemães Frank Dostal e Rolf Soja, as espanholitas, agora se valendo do nome Baccara, gravaram um primeiro single em 1977. E logo de cara, a canção em foco, Yes Sir I Can Boogie, as levou a invadir as paradas europeias com sua levada disco com tempero latino e um jeitão de pop sensual e ingênuo. Deu tão certo que estourou também no Brasil, na gravação original delas e na divertida versão em português interpretada pela paraguaia Perla com o peculiar título Eu Sei Tudo Professor.

Essa faixa foi o carro-chefe do autointitulado álbum de estreia do Baccara, lançado no final de 1977. Outra canção desse álbum conseguiu boa repercussão nas paradas de sucesso, a também dançante e muito caliente Sorry I’m a Lady. Nas apresentações ao vivo, a marca registrada das moças era Mendiola de vestido branco e Mayte de preto, além das coreografias.

O 2º álbum do duo, Light My Fire (1978), trouxe como destaque um longo pot-pourry com quase 12 minutos reunindo mais uma composição de Dostal/Soja, Baby Why Don’t You Reach Out?, com a célebre Light My Fire, canção mais popular da carreira do The Doors. Releituras de La Bamba (Ritchie Valens) e Yummy Yummy Yummy (Ohio Express) também marcaram presença, mas o álbum vendeu pouco em relação ao anterior.

Outra tentativa, no mesmo ano, foi participar do festival Eurovision defendendo Luxemburgo com a canção Parlez-Vous Français?, que atingiu o 7º lugar na competição e também marcou presença no LP Light My Fire.

Após mais dois álbuns sem grande repercussão (Colours– 1979 e Bad Boys-1981), as duas integrantes do Baccara resolveram seguir caminhos distintos, ambas tentando se valer do nome Baccara e competindo intensamente pelos antigos fãs. No fim das contas, foi Maria Mendiola quem se deu melhor, e conseguiu sucesso (embora muito menor do que os antes) com faixas como Call Me Up, Fantasy Boy e Touch Me.

Após a saída de Mayte Mateos, Maria Mendiola teve a seu lado Marisa Perez (de 1985 a 2008), sua sobrinha Laura Mendiola (de 2008 a 2011) e Cristina Sevilla, outra amiga dos tempos de TV espanhola e que chegou a integrar a versão Baccara de Mayte nos anos 1980. E foi precisamente Sevilla quem anunciou, no Instagram, a morte da colega de dupla, ocorrida neste sábado (11) em Madrid.

Yes Sir I Can Boogie ganhou sobrevida desde os tempos da disco music graças a releituras de Sophie Ellis-Bextor, The Fratellis e Goldfrap, além de ter sido usada de forma informal como uma espécie de hino da seleção de futebol da Escócia durante a Euro 2020.

Yes Sir I Can Boogie (clipe)- Baccara:

Patrick Juvet, 70 anos, um dos grandes astros da disco music

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Por Fabian Chacur

Por paradoxal que possa parecer, o volume de notícias na era da internet é tão grande que, por vezes, acabamos deixando passar algumas delas. Apenas hoje fiquei sabendo da morte do cantor e compositor suíço Patrick Juvet. Ele nos deixou aos 70 aos de idade no dia 1º de abril deste ano. Foi encontrado morto em seu apartamento em Barcelona, Espanha, vítima de um ataque cardíaco, conforme informaram seus parentes em post nas redes sociais. Com atraso, mas na antevéspera do que seria o seu aniversário de 71 anos, eis o tributo de Mondo Pop a esse artista.

Patrick Juvet nasceu no dia 21 de agosto de 1950 na icônica cidade de Montreux, mundialmente conhecida por abrigar desde o final dos anos 1960 um badalado festival de jazz. Ele chegou a atuar como modelo na cidade alemã de Dusseldorf durante dois anos, mas se mudou para a França lá pelos idos de 1970, disposto a arriscar uma carreira no meio musical. Juvet encantou o produtor Eddie Barclay, que o contratou para o seu selo, o Barclay, em 1971.

O cantor lançou seu primeiro álbum em 1973, mesmo ano em que representou a Suíça no festival Eurovision com a canção Je Vais Me Marier Marie, que atingiu a 12ª posição na importante competição musical europeia.

Em 1975, fez sucesso na França e no Brasil com um single que trazia dois hits internacionais vertidos para o francês: Magic (David Paton e Billy Lyall- ouça aqui), do grupo britânico Pilot cuja versão foi assinada pelo então ainda desconhecido músico francês Jean-Michel Jarre, e J’ai Peur de La Nuit, versão de Boris Bergman (ouça aqui) para Only Women Bleed, hit de Alice Cooper e Dick Wagner gravado pelo astro americano em Welcome To My Nightmare (1975).

A coisa realmente engrenou na carreira de Patrick Juvet quando ele firmou parceria com a produtora Can’t Stop Productions, do músico e produtor Jacques Morali e do administrador Henri Belolo, os mesmo responsáveis pelos estouros do Village People e da Ritchie Family. O primeiro projeto do cantor suíço com os novos parceiros, o álbum Got a Feeling (1978), tornou-se o marco principal de sua trajetória musical. Em pleno auge da era da disco music, estourou no mundo inteiro, graças a dois singles certeiros.

O 1º foi Got a Feeling, faixa-título do LP e cujo single de vinil (com Another Lonely Man no lado B) eu ganhei do meu saudoso irmão Victor no meu aniversário de 17 anos. O 2º e mais importante se tornou o seu maior hit, I Love America (ouça aqui), que no álbum dura 14m02 e no single por volta de 6 minutos (divididos em duas parte). Difícil alguma festa temática disco que não inclua essa música.

O álbum traz quatro faixas. Três delas- Got a Feeling, Another Lonely Man e I Love America são parcerias de Juvet com o produtor Jacques Morali e o cantor americano Victor Willis, vocalista principal do Village People em sua fase áurea. A faixa restante, Where Is My Woman, tem como autores Juvet, Willis e o velho amigo Jean-Michel Jarre. Os arranjos de cordas e metais de Horace Ott e os vocais e de base de Morali são matadores.

Em 1979, Patrick Juvet voltou com outro ótimo álbum, Lady Night, que emplacou nas paradas disco a certeira faixa-título (ouça aqui) e a deliciosa Swiss Kiss (ouça aqui), ambas assinadas por Juvet/Morali/Willis.

Naquele mesmo 1979, Juvet mostrou um outro lado de seu talento com o álbum praticamente todo instrumental Laura Les Ombres De L’ete, trilha sonora do filme Laura, dirigido pelo inglês David Hamilton que conta com a participação dos músicos franceses Marc Chantereau e Slim Pezin, integrantes do grupo Voyage, outro marco da disco music com hits como Souvenirs, From East To West e Scotch Machine, entre (vários) outros.

Aí, a era disco infelizmente acabou, com boa parte dos artistas imediatamente associados a esse estilo musical sendo jogados de lado pela mídia e gravadoras. Patrick Juvet não foi exceção, e após tentativas de reaver o sucesso perdido (um desses álbuns tinha o irônico título Still Alive, de 1980), mergulhou em bebidas e drogas, mudando algumas vezes de país e entrando em franca decadência.

Um bom momento desses anos pós-fama ocorreu em 1991 com o lançamento do álbum Solitudes, que contou com as participações especiais de Françoise Hardy, Luc Plamondou e Marc Lavoine. Sua carreira, então, passou a ser participar de shows de revival da disco, alguns ao lado da cantora Sheila B. Devotion (dos hits Spacer, Singing In The Rain e You Light My Fire). Em 2005, ele lançou a autobiografia Les Bleus Au Coeur: Souvenirs, na qual contou suas histórias na música e também como lidou com o seu homossexualismo.

Got a Feeling (clipe)- Patrick Juvet:

The Fratellis regravam um belo clássico da disco music setentista

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Por Fabian Chacur

Acho muito legal quando alguém regrava uma canção que nunca imaginaríamos que aquele tipo de grupo ou artista escolheria para o seu repertório. E isso acaba de ocorrer com o The Fratellis. O trio escocês de rock alternativo criado em 2005 nos surpreende com uma releitura muito divertida de Yes Sir I Can Boogie, hit mundial da disco music em 1977 com o duo feminino espanho Baccara e que integrou a trilha da novela global Espelho Mágico (ouça a versão delas aqui).

Quem explica a escolha da canção para ser relida é John Fratelli (vocal, guitarra e teclados), que integra o grupo ao lado de Barry Fratelli (baixo e vocais) e Mince Fratelli (bateria, vocais e banjo). Vale lembrar que o sobrenome na verdade é só artístico, extraído de personagens do filme The Goonies (1985):

“Foi muito divertido pegar uma música que ninguém jamais teria associado ao The Fratellis e transformá-la em algo que fizesse todo o sentido para nós. A resposta à versão ao vivo no programa Chris Evans’ Breakfast Show foi incrível. Embora soubéssemos que tínhamos feito algo de que estávamos muito orgulhosos, ainda foi um choque descobrir que tantas pessoas concordaram!”

A gravação foi lançada em single e também incluída como faixa-bônus em uma nova edição do 6º e mais recente álbum da banda, Half Drunk Under a Full Moon, sendo que a renda obtida com as vendas nesses dois formatos será doada a três instituições de caridade dedicadas ao público infantil.

Yes Sir I Can Boogie– The Fratellis:

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