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Get Back- The Rooftop Concert é novo lançamento dos Beatles

the beatles get back rooftop 400x

Por Fabian Chacur

Mais um desdobramento do mergulho do diretor neozelandês Peter Jackson no material gravado pelos Beatles para o filme Let It Be em 1969 está em vias de ser disponibilizado. Depois da série Get Back, com aproximadamente 7 horas de duração e disponível na plataforma de streaming Disney+, temos agora Get Back- The Rooftop Concert, filme com 60 minutos de duração que apresenta o célebre show, o último dos lendários Fab Four, realizado no teto da sede da Apple em Saville Row, Londres, em 30 de janeiro de 1969. Quando poderei ver, pergunta você?

Pois essa é a parte ruim da história. Por enquanto, os felizardos serão os americanos e europeus, que irão conferir o filme precisamente no dia 30 deste mês exclusivamente nas salas IMAX, aquela tecnologia que dá ao espectador qualidades de áudio e vídeo impressionantes. A apresentação aparece remasterizada digitalmente no padrão The IMAX Experience e com tecnologia proprietária IMAX DMR (digital remastering).

Ainda não foram divulgadas informações sobre quando Get Back The Rooftop Concert será exibido no Brasil, nem sobre a sua exibição em TV ou mesmo disponibilização em plataformas de streaming, o que imagino que ocorrerá em um futuro não muito distante. Seja como for, legal poder ver esse show assim, na íntegra, fora do documentário original.

Veja um trecho do Rooftop Concert:

Michael Nesmith, 78 anos, dos Monkees, rebelde compositor

michael nesmith

Por Fabian Chacur

Em 1965, o cantor, compositor, ator e músico americano Michael Nesmith fez parte de um processo seletivo para uma série de TV americana que contou com 437 concorrentes. Ele foi um dos quatro escolhidos, e ganhou fama mundial sendo um dos integrantes do The Monkees, que além de seriado televisivo também virou um grupo de rock de muito sucesso. O mais rebelde e de personalidade mais forte da turma, ele infelizmente nos deixou nessa última sexta-feira (10), aos 78 anos, vítima de uma insuficiência cardíaca.

Nascido em Houston, Texas (EUA) em 30 de dezembro de 1942, Nesmith começou a carreira musical participando do circuito folk de Los Angeles, Califórnia, e gravou singles para o selo Colpix valendo-se do pseudônimo Michael Blessing. Em outubro de 1965, foi escolhido para integrar o elenco de The Monkees ao lado do inglês Davy Jones (1945-2012) e dos também americanos Peter Tork (1944-2019) e Micky Dolenz (1945). A química entre eles se mostrou perfeita desde o início.

A partir da estreia da série na TV americana, em setembro de 1966, The Monkees se tornou um imenso sucesso não só por sua divertida trama, a de um grupo fictício de rock talentoso, divertido e escancaradamente inspirado nos Beatles das fases A Hard Day’s Night e Help!, mas também pelas ótimas músicas gravadas para os episódios e lançadas em singles e álbuns, de autores como Boyce & Hart, Carole King, Neil Diamond e outros.

No inicio, os quatro atores participavam pouco ou quase nada dos discos, mas Nesmith desde o começo se sobressaiu como compositor e também como o rebelde da turma. Foi ele quem atiçou o quarteto a tentar se impor como um grupo de verdade, tocando e cantando em seus discos. Várias de suas composições foram gravadas pelos Monkees, entre as quais Listen To The Band, The Girl I Knew Somewhere, Tapioca Tundra, Mary Mary e Good Clean Fun.

Após o sucesso meteórico em 1966 e 1967, o seriado saiu de cena em meados de 1968 e o quarteto viu a sua popularidade ir caindo rapidamente. Peter Tork foi o primeiro a sair do time. Michael Nesmith pegou o gorrinho de lã (sua marca registrada) e deu o fora em 1970. Um pouco antes, já havia lançado seu primeiro disco solo, The Wichita Train Whistle Sings (1968). Uma de suas composições, Different Drum, fez muito sucesso em 1967 com o Stone Poneys, grupo que tinha como vocalista Linda Ronstadt, que depois viraria uma estrela do country rock.

Fora dos Monkees, Nesmith mergulhou em uma carreira no country rock, lançando vários LPs solo e também investindo em bandas como a First National Band. Alguns de seus singles viraram hits, entre os quais Joanne e Silver Moon . Foi provavelmente o mais estável e respeitado dos ex-integrantes do grupo em sua jornada individual, destacando-se como cantor, músico e compositor.

A mãe de Michael Nesmith, Bette, foi a criadora do célebre liquid paper, e vendeu em 1979 a sua parte na empresa correspondente para a Gillete Corporation pelo então enorme valor de 47 milhões de dólares. Ela faleceu no ano seguinte, e toda essa herança ficou para o filho único, que por sinal vivia naquele momento uma fase de vacas magras em termos financeiros. A partir dali, ele também passou a produzir filmes e atuar em projetos beneficentes.

Dessa forma, Nesmith se manteve afastado do bem-sucedido retorno dos Monkees em 1986, fato ocorrido graças ao relançamento de todos os álbuns do quarteto pelo selo Rhino e também pela reexibição do seriado na TV. Ele só marcou presença em dois dos shows da turnê, e só para participações breves.

No entanto, em 1996, a surpresa: os Monkees não só voltavam com a sua formação original, como também lançavam Justus, o primeiro álbum feito totalmente por eles, que não só compuseram todas as canções (sendo duas de autoria de Nesmith) como também se incumbiram de todos os vocais e instrumentos. O CD não foi um estouro de vendas, mas recebeu elogios por parte da crítica e dos fãs. O título é um trocadilho (just us, apenas nós, em tradução livre).

Após a morte de Davy Jones, os Monkees fizeram shows em formato de trio em 2012, 2013 e 2014. O grupo também lançou dois novos álbuns, Good Times! (2016) e Christmas Party (2018), ambos com participação de Nesmith, que também participou de alguns shows. Ele também escreveu alguns livros durante sua trajetória. Infelizmente, agora só temos Micky Dolenz entre nós desse grupo que poderia ter sido apenas uma piada televisiva, mas que marcou a vida de muita gente com suas canções divertidas e deliciosamente pegajosas.

Listen To The Band– The Monkees:

The Beatles and India, doc e álbum, para encantar os fãs

George & Patti with garlands 2 - Colin Harrison Avico Ltd

Por Fabian Chacur

The Beatles continuam em pauta como de praxe, mas de forma ainda mais intensa nas últimas semanas. Além do filme Get Back, temos também um outro documentário em cena. Trata-se de The Beatles and India, produzido pelo empresário britânico-indiano Reynold D’Silva e dirigido em parceria por Ajoy Bose e Pete Compton. O filme ganhou os prêmios de melhor filme pelo público e melhor música no UK Usian Film Festival, e está sendo exibido com sucesso em festivais de cinema na Grécia, Bélgica e Espanha.

Baseado no livro Across The Universe- The Beatles in India, de Ajoy Bose, o doc conta a relação de John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr com a cultura indiana, com ênfase em sua histórica passagem pela India em Rishikesh, no ashram do polêmico guru indiano Maharishi Mahesh Yogi. Temos cenas de arquivo e fotos, algumas raras e/ou inéditas, e também depoimentos de pessoas que presenciaram essa viagem histórica em 1968.

Como produto derivado do filme, está previsto para ser lançado no próximo dia 29 de outubro o álbum Songs Inspired By The Film The Beatles and India, que traz releituras de canções dos Beatles inspiradas e/ou escritas na Índia e interpretadas por artistas indianos contemporâneos como Karsh Kale, Benny Dayal, Kiss Nuka e Anoushka Shankar, esta última filha do grande músico Ravi Shankar (1920-2012), a rigor quem introduziu George Harrison no mundo da cultura da Índia e um de seus melhores amigos.

Eis as faixas de Songs Inspired By The Film The Beatles And India:

1. Tomorrow Never Knows (ouça aqui ) – Kiss Nuka
2. Mother Nature’s Son – Karsh Kale / Benny Dayal (ouça aqui)
3. Gimme Some Truth – Soulmate
4. Across The Universe – Tejas / Maalavika Manoj
5. Everybody’s Got Something To Hide (Except Me And My Monkey) – Rohan Rajadhyaksha / Warren Mendonsa
6. I Will – Shibani Dandekar / Neil Mukherjee
7. Julia – Dhruv Ghanekar
8. Child Of Nature – Anupam Roy
9. The Inner Light – Anoushka Shankar / Karsh Kale
10. The Continuing Story Of Bungalow Bill – Raaga Trippin
11. Back In The USSR – Karsh Kale / Farhan Ahktar
12. I’m So Tired – Lisa Mishra / Warren Mendonsa
13. Sexy Sadie – Siddharth Basrur / Neil Mukherjee
14. Martha My Dear – Nikhil D’Souza
15. Norwegian Wood (This Bird Has Flown) – Parekh & Singh
16. Revolution – Vishal Dadlani / Warren Mendonsa
17. Love You To – Dhruv Ghanekar
18. Dear Prudence – Karsh Kale / Monica Dogra
19. India, India (ouça aqui) – Nikhil D’Souza

Veja o trailer de The Beatles and India:

Carlos Santana e Steve Winwood regravam hit do Procol Harum

Santana – Blessings and Miracles

Por Fabian Chacur

Sairá no próximo dia dia 15 de outubro via BMG o novo álbum de Carlos Santana. Como forma de atiçar a curiosidade dos fãs, o grande mestre da guitarra acaba de disponibilizar nas plataformas digitais uma das faixas desse trabalho. E escolheu bem. Trata-se da releitura de A Whiter Shade Of Pale, grande clássico nos anos 1960 com o grupo Procol Harum. Com um delicioso arranjo saleroso e latino no melhor estilo do astro, ainda tem de quebra os vocais a cargo do mitológico Steve Winwood. O músico mexicano explica como rolou a parceria:

“Eu disse:‘ Você e eu temos que fazer isso, mas temos que fazer muito sexy, como um Hare Krishna, mas com congas. E foi isso que fizemos. Tem Cuba, Porto Rico, África e tem sensualidade na voz incrível de Steve”.

Gravado nos últimos dois anos, boa parte pela via remota, o novo trabalho de Santana traz diversas participações especiais além de Winwood, entre as quais as de Rob Thomas (do Matchbox Twenty), Chick Corea, American Authors, Corey Glover (do Living Colour), Chris Stapleton e Kirk Hammett (do Metallica).

A Whiter Shade Of Pale– Santana e Steve Winwood:

Don Everly, 84 anos, integrante dos seminais The Everly Brothers

don everly

Por Fabian Chacur

Sempre que o tema “artistas mais influentes da história da música pop” vem à tona, um nome que não pode ficar de fora é o dos Everly Brothers. O trabalho desse incrível duo norte-americano faz parte do dna de trabalhos como os dos Beatles, Simon & Garfunkel, The Hollies e por aí vai, e vai longe. Já havíamos perdido Phil Everly em 3 de janeiro de 2014. Neste sábado (21), infelizmente foi a vez de seu irmão, Don, que nos deixou aos 84 anos. A morte foi anunciada por seus parentes, sem detalhes sobre qual teria sido a causa.

Don e Phil começaram a gravar em 1956, e seus primeiros hits vieram logo no ano seguinte, as marcantes Bye Bye Love (nº2 na parada pop) e Wake Up Litle Susie (nº1 na parada pop). Interpretando especialmente composições alheias, mas também com algumas próprias no meio, os irmãos misturaram com muita habilidade a música country com o então emergente rock, criando vocalizações com assinatura própria e muito jogo de cintura.

Até 1962, emplacariam diversos hits, gravando pelos selos Cadence e Warner, maravilhas do naipe de All I Have To Do Is Dream, Claudette, Bird Dog, Gone Gone Gone, Cathy’s Clown e Cryin’ In The Rain, só para citar os mais populares. A partir dali e até 1973, o duo viu sua popularidade nos EUA cair bastante, embora se mantivessem bem cotados no exterior, especialmente no Reino Unido.

Após uma década de separação, período no qual investiram em carreiras-solo sem grande repercussão, eles fizeram um show de retorno em 1983 e lançaram no ano seguinte o álbum EB 84, nº 38 nos EUA (o maior sucesso deles por lá desde 1962), produzido pelo guitarrista britânico Dave Edmunds e com músicas inéditas de Paul McCartney (On The Wings Of a Nightingale, a faixa de maior sucesso do LP) e Jeff Lynne (The Story Of Me), além de uma releitura de Bob Dylan (Lay Lady Lay) e três composições do próprio Don- Following The Sun, You Make It Seen So Easy e Asleep.

A partir dali, os irmãos lançaram mais dois álbuns de estúdio, alguns trabalhos ao vivo e fizeram shows de tempos em tempos. Em 1986, participaram dos vocais da faixa-título do álbum Graceland, de Paul Simon. Em 2003/2004, marcaram presença na turnê Old Friends, de Simon & Garfunkel, com direito às duas duplas aparecendo juntas em um momento marcante dos shows. Vale lembrar que S&G regravaram com sucesso Wake Up Little Susie em seu histórico álbum ao vivo The Concert At Central Park (1982).

Além de vender milhões de discos, os irmãos também integram o Rock And Roll Hall Of Fame (1986) e o Country Music Hall Of Fame (2001). Entre inúmeras homenagens nesses anos todos, Billie Joe Armstrong (vocalista e guitarrista do Green Day) e Norah Jones lançaram em 2013 o álbum Foreverly, no qual regravaram todo o repertório do álbum Songs Our Daddy Taught Us (1958), no qual Don e Phil gravaram músicas tradicionais que aprenderam com o seu pai. George Harrison também regravou Bye Bye Love, em seu álbum Dark Horse (1974), e o A-ha, Crying In The Rain, em seu álbum East of the Sun, West of the Moon (1990).

Wake Up Little Susie– The Everly Brothers:

David Crosby divulga faixas de For Free, que lançará em julho

david crosby for free cover

Por Fabian Chacur

O intervalo entre os lançamentos de If I Could Only Remember My Name (1971) e Oh Yes I Can (1989), respectivamente o 1º e o 2º álbum-solo de David Crosby é de longos 18 anos. De uns tempos para cá, no entanto, o cantor, compositor e músico americano engatou uma terceira no seu ritmo de gravações. No dia 23 de julho, ele lançará pela gravadora BMG For Free, que será o seu 5º álbum em apenas sete aninhos. E olha que ele completará 80 anos no dia 14 de agosto!

Com produção a cargo de seu filho, o tecladista James Raymond, o álbum traz algumas colaborações bacanas logo a partir de sua capa, um retrato do astro do rock pintado por ninguém menos do que Joan Baez. A faixa-título é um cover de composição lançada pela autora, Joni Mitchell, em 1970, e também registrada em 1973 por um dos grupos de Crosby, os Byrds. Aqui, a canção foi relida em dueto com a cantora e compositora Sara Jarosz (ouça aqui).

Para quem ouvir a deliciosa Rodriguez For a Night e sentir um forte clima do Steely Dan, banda que Crosby considera uma de suas favoritas, não é por acaso. A canção leva a assinatura de Donald Fagen, um dos líderes do icônico grupo americano. Outra participação bacana é de Michael McDonald (ex-The Doobie Brothers) no ótimo country-rock balançado River Rise (ouça aqui). Pela amostra até agora divulgada, o álbum promete.

Rodriguez For a Night– David Crosby:

Bob Dylan celebra 80 anos ainda muito relevante e bastante ativo

bob dylan

Por Fabian Chacur

No dia 19 de novembro de 1995, Bob Dylan participou de um show que celebrou os 80 anos de vida de Frank Sinatra. Ele interpretou a canção Restless Farewell no palco do The Shrine Auditorium, de Los Angeles. Posteriormente, regravaria algumas das canções que consagraram The Voice no álbum Shadows In The Night (2015). Agora, chega a vez dele, autor de clássicos como Blowin’ In the Wind, comemorar oito décadas de vida nesta segunda-feira (24) ainda se mantendo bastante relevante e produtivo.

O termo lenda vida (living legend, em inglês) de certa forma se banalizou nas últimas décadas, mas cabe feito luva se nos referirmos a Bob Dylan. Afinal de contas, não faltam elementos para se justificar chamá-lo dessa forma. Para começo de conversa, trata-se da única pessoa a ter em sua estante de troféus ao menos um exemplar de Grammy, Oscar, Globo de Ouro, Pulitzer e Nobel. E isso não ocorreu por acaso ou protecionismo.

Nascido em 24 de maio de 1941, Robert Allen Zimmerman tinha como ídolos Little Richard e Woody Guthrie, dois artistas teoricamente incompatíveis em termos de estilos musicais. Coube a ele ser um dos pioneiros na mistura desses dois caminhos musicais, e ajudou de forma decisiva o rock a ganhar respeitabilidade cultural, graças a letras profundas e com forte conteúdo social.

Inicialmente, Dylan tornou-se conhecido graças a canções folk de temática social como Blowin’ In The Wind e The Times They Are-a-Changing. Em seu 5º álbum, Bringing It All Back Home, surpreendeu os fãs ao injetar fortes doses de rock and roll naquela sonoridade, caminho aprofundado no seminal álbum seguinte, Highway 61 Revisited, lançado naquele mesmo 1965 e incluindo um dos hinos máximos da música popular, a fantástica Like a Rolling Stone.

Nos shows que realizou entre o final de 1965 e a primeira metade de 1966, explicitou essa adesão ao rock, embora sem abandonar sua veia folk. Parte dos fãs, especialmente os seguidores xiitas do folk, passaram a vaiá-lo, com alguns o chamando de Judas, como se estivesse traindo um movimento. Radicalismo purista. Na verdade, Dylan nunca traiu seus princípios, e nem a si mesmo.

Nesses shows, foi acompanhado por um time de músicos que, oriundos do Canadá, ficariam conhecido mundialmente a partir de 1968 como The Band, um dos melhores e mais importantes grupos de rock de todos os tempos. Em 1967, quando o músico americano se recuperava de um grave acidente de moto sofrido no ano anterior, ele gravaria com os amigos um repertório de músicas que só seria lançado em 1975 com o título The Basement Tapes.

A partir deste momento, a trajetória de Bob Dylan se mostra sempre repleta de elementos imprevisíveis. Lançou discos com pegada country. Investiu em sonoridade próxima do gospel. Quando era tido como decadente, voltou em 1974 com Planet Waves, álbum que o colocou no 1º lugar da parada americana pela primeira vez. A turnê que realizou para divulgá-lo, novamente acompanhado pelo The Band, rendeu um dos melhores álbuns ao vivo de todos os tempos, o sublime Before The Flood, lançado naquele mesmo 1974 e atingindo o 3º lugar nos charts.

Daí pra frente, o autor de Like a Rolling Stone sempre surpreendeu. Lançou uma polêmica trilogia de discos para celebrar sua adesão ao cristianismo. Voltou às paradas de sucesso com mais força com Infidels (1983). Nos anos 1980, fez concorridos shows ao lado do Grateful Dead e também com Tom Petty And The Heartbreakers.

Em 1988, integrou um verdadeiro super grupo, The Traveling Wilburys, ao lado de Roy Orbison, George Harrison, Tom Petty e Jeff Lynne, com o qual lançou dois festejados álbuns. Nos anos 1990, foi um dos vários artistas a lançar um álbum Unplugged em parceria com a MTV. O público brasileiro teve, enfim, a chance de vê-lo em shows, que ocorreram no Hollywood Rock em 1990 e abrindo para os Rolling Stones em 1998, entre outras ocasiões, sempre festejadas pelo público e crítica especializada.

Em 2006, mais uma façanha para seu currículo: conseguiu novamente atingir o primeiro lugar na parada americana, desta vez com o álbum Modern Times, 30 anos após ter obtido tal posicionamento com Desire (1976). E seus discos continuam atraindo ótimas vendagens, vide o mais recente, Rough And Rowdy Days (2020), que atingiu o 2º posto nos charts americanos.

E vale lembrar que, nesses anos todos, Dylan se manteve permanentemente na estrada, cantando pelos quatro cantos do mundo. Um artista que nunca se dobrou ao comercialismo, que sempre impôs o seu modo de cantar, tocar e compor às gravadoras e aos contratantes de shows, e que permanece um modelo a ser seguido por quem pensa em fazer um trabalho que possa ser relevante. Ah, ele também celebra neste ano 60 anos do lançamento de seu primeiro álbum. Ou seja, há muito a se comemorar, por ele e por seus milhões de fãs.

Ouça Highway 61 Revisited na íntegra em streaming:

John Lennon/Plastic Ono Band (1970) volta em edição de luxo

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Por Fabian Chacur

Lançado em 1970, meses após o fim dos Beatles, John Lennon/Plastic Ono Band é um álbum que aparece em praticamente todas as listas dos melhores trabalhos de todos os tempos. Para celebrar os 50 anos desse disco icônico, sairá no exterior John Lennon/Plastic Ono Band- The Ultimate Collection, que em sua versão super deluxe traz 2 CDs, 2 Blu-rays de áudio, dois cartões postais, um pôster e um livro com capa dura e 132 páginas repletas de fotos, informações e as letras das músicas.

O material, que totaliza 159 faixas, foi trabalhado pelos engenheiros de som Paul Hicks, Rob Stevens e Sean Gannon, e se divide entre demos, ensaios, out-takes, jam sessions e conversas entre os músicos. Um ponto interessante são as evolutionary documentary, montagens que mostram o desenvolvimento de cada uma das faixas do álbum original, desde a fase demo até a gravação final (master).

Um momento que certamente empolgará os fãs é o que traz jam sessions realizadas pelos músicos participantes das gravações (entre eles Ringo Starr) nas quais eles se divertem relendo clássicos do rock como Johnny B. Goode (Chuck Berry), Ain’t That a Shame (Fats Domino) e Send Me Some Lovin’ (Little Richard), sendo que Lennon imita Elvis Presley em um dos momentos mais marcantes.

No Blu-ray, também foram incluídas as versões longas das faixas do álbum Yoko Ono/Plastic Ono Band, que a artista japonesa gravou paralelamente ao álbum do marido. Aliás, o projeto, que também inclui versões em CD simples, CD duplo e LP duplo de vinil, contou com a supervisão dela.

Conheça mais detalhes sobre a box set aqui.

Veja o vídeo de apresentação do projeto John Lennon/Plastic Ono Band:

Phil Spector, 81 anos, genial na música e um ser humano horrível

phil spector

Por Fabian Chacur

A trajetória de vida de Phil Spector equivale a um belo retrato das contradições inerentes ao ser humano. De um lado, o produtor, compositor e músico que marcou presença em grandes momentos da música, como discos de John Lennon, The Beatles, George Harrison, The Ronettes, The Crystals e The Righteous Brothers, entre outros. Do outro, um ser humano de temperamento difícil, cujo momento mais horrível foi um crime que lhe custou a liberdade. Ele nos deixou neste sábado (16) aos 81 anos, em um presídio na California. Triste final.

Spector nasceu em 26 de dezembro de 1939, fato curioso se levarmos em conta que um de seus trabalhos mais reverenciados foi um álbum natalino sobre o qual falarei mais à frente. Seu primeiro momento importante na carreira musical ocorreu em 1958 graças ao sucesso de To Know Him Is To Love Him, canção de sua autoria e gravada por sua banda na época, a Teddy Bears, na qual ele cantava e tocava guitarra. Atingir o primeiro lugar entre os singles nos EUA com apenas 19 anos e sendo o autor da música não é pra qualquer um.

Com o precoce fim do grupo que o lançou, em 1959, ele resolveu investir em seu lado compositor, produtor e empresário. Com o sucesso de Spanish Harlem, hit em 1960 com o cantor Ben E. King e parceria de Spector com o consagrado compositor e produtor Jerry Leiber (parceiro de Mike Stoller em inúmeros hits), seu prestígio aumentou, e ele resolveu montar a própria gravadora, a Philles Records, no final de 1961.

De forma inteligente, Phil montou um time com ótimos profissionais, entre os quais o arranjador Jack Nitzche (1937-2000), o engenheiro de som Larry Levine (1928-2008) e um elenco de ótimos músicos de estúdio (entre os quais Hal Blaine, Larry Knetchell e Carol Kaye) que depois seriam conhecidos pela alcunha Wrecking Crew. De quebra, buscou nomes promissores, entre os quais os grupos vocais The Ronettes, The Crystals e The Righteous Brothers.

Até 1966, Spector emplacaria inúmeros sucessos nas paradas pop como produtor e compositor pelo seu próprio selo, entre eles Be My Baby (The Ronettes), Da Doo Ron Ron (The Crystals) e You’ve Lost That Loving Feelin’ (The Righteous Brothers). Sua marca registrada era a utilização de uma técnica de estúdio apelidada de Wall Of Sound, na qual ele se valia de uma verdadeira orquestra de músicos para dar um tom apoteótico para cada canção, definida por ele próprio como “uma abordagem Wagneriana para o rock and roll” ou “pequenas sinfonias para as crianças”.

Em 1963, Phil Spector resolveu fazer um disco para celebrar o Natal, uma das festas mais queridas pelo público americano, e lançou A Christmas Gift For You From Phillis Records, com a participação de Darlene Love, The Ronettes e The Crystals, entre outros. O disco não fez sucesso logo de cara, quem sabe pela infelicidade de ter sido lançado no mesmo dia em que John F. Kennedy foi assassinado, mas com o decorrer dos anos se tornou um clássico, também chamado de Phil Spector’s Christmas Album.

Em 1966, apostou todas as suas fichas no sucesso de River Deep-Mountain High, a rigor a primeira gravação solo de Tina Turner. Apesar da inegável qualidade da gravação, elogiada pelos críticos, o single só atingiu o modestíssimo nº 88 nos EUA, embora tenha sido 3º lugar no Reino Unido. Aparentemente, a decepção o levou a sair de cena até 1969.

Naquele ano, começou sua relação com os Beatles e seus integrantes. No início de 1970, Instant Karma!, de John Lennon, foi o primeiro fruto daquela nova fase dele. Em seguida, incumbiu-se da produção da trilha do filme Let It Be, retrabalhando as gravações feitas anteriormente por George Martin e Glynn Johns. O resultado obteve grande resultado comercial, mas teve repercussão diversificada entre os críticos. Paul McCartney odiou o arranjo “wall of sound” para The Long And Winding Road, por exemplo.

Entre outros trabalhos, Spector se incumbiria da produção de clássicos do porte de John Lennon- Plastic Ono Band (1970), Imagine (1971) e Some Time In New York (1972), de Lennon, e All Things Must Pass (1970) e The Concert For Bangladesh (1971), de George Harrison

Em 1973, a excentricidade que já acompanhava o produtor americano começou a se tornar mais aparente. Tudo começou com o álbum de releituras de clássicos do rock que ele começou a produzir para John Lennon. Depois de algumas semanas de trabalho, ele simplesmente sumiu com as fitas master do álbum, deixando o ex-beatle simplesmente atordoado. O material só seria devolvido depois de meses, e a partir dali, Lennon tomou conta ele próprio da produção do LP, que sairia em 1975 com o título Rock And Roll.

Em 1974, Phil sofreu um grave acidente de carro, e por muito pouco não abreviou em uns bons anos o seu tempo de vida. Reza a lenda que foi a partir daí que, por causa de cicatrizes que ganhou com a batida, passou a usar perucas, que com o decorrer dos anos foram se tornando cada vez mais bizarras.

Em 1974, o grande Dion DiMucci, conhecido por clássicos do rock como Runaround Sue e I Wonder Why, resolveu apostar em Spector para produzir um de seus álbuns. O resultado foi Born To Be With You (1975), que Dion odiou tanto a ponto de definir sua sonoridade como de “música para trilha sonora de velório”. Há quem goste muito deste LP, no entanto.

Aliás, essa passou a ser a marca de Spector como produtor a partir daí: assinar trabalhos não apreciados pelos artistas que os lançaram, mas cultuados por fãs e por outros artistas. O próximo da lista foi Death Of a Ladies Man (1977), do canadense Leonard Cohen.

A coisa pegou mesmo em 1980, quando ele foi escolhido para tentar dar aos Ramones um disco que vendesse bastante. End Of The Century (1980) teve um resultado comercial bem modesto, e também arrancou comentários ácidos por parte de Johnny e Marky Ramone acerca do produtor, incluindo relatos de horas infindáveis para gravar um único acorde e reuniões tétricas na mansão de Spector, com direito a filmes bizarros sendo exibidos e armas de fogo podendo ser acionadas a qualquer momento.

A partir de 1981, quando coproduziu Seasons of Glass (1981), álbum que Yoko Ono lançou poucos meses após a morte de John Lennon, Phil Spector foi aos poucos saindo de cena. Um momento de destaque ocorreu em 1991 com o lançamento de Back To Mono (1958-1969), luxuosa caixa com 4 CDs reunindo 60 faixas produzidas e/ou compostas por ele e também o álbum natalino em sua íntegra. Esse produto ajudou a resgatar a importância da sua obr.

Em 2003, no entanto, a parte sombria da personalidade do produtor americano veio mais uma vez à tona, e desta vez de forma trágica. Ele matou com um tiro na boca em sua mansão na Califórnia a atriz e modelo Lana Clarkson (1962-2003). O julgamento final ocorreu em 2009 e rendeu a Spector uma pena de 19 anos de reclusão. Há também provas de que ele teria cometido delitos graves contra filhos e ex-esposas, mas prefiro não me estender nessa área.

Nesses anos de ostracismo, ele foi cogitado para ser um dos produtores de Falling Into You (1996), álbum que solidificou a carreira internacional da canadense Céline Dion, mas ele não teria conseguido se entrosar com a equipe da cantora. Seu provável último trabalho ocorreu no álbum Silent Is Easy (2003), do grupo inglês Starsailor, que traz duas músicas produzidas por ele, incluindo a faixa-título, que no formato single atingiu o 10º lugar na parada britânica. O último hit com sua griffe.

O lado bom de Phil Spector deixou como herança grandes álbuns e canções, mesmo sem nunca ter tido a unanimidade de público e dos outros profissionais do ramo. O negativo, por sua vez, mostrou um profissional nem sempre confiável, de ego exacerbado, e um ser humano capaz das maiores atrocidades em seus relacionamentos pessoais. Uma espécie de Dr. Jeckyl e Mr. Hyde da vida real.

Be My Baby– The Ronettes:

Janis Joplin, 27 anos, a bela voz que não era mesmo desse mundo

pearl janis joplin

Por Fabian Chacur

Pearl foi um dos grandes álbuns lançados no ano de 1971. Manteve-se por longas nove semanas no topo da parada americana, e conquistou o público do mundo todo. Era o atestado pleno da maturidade de uma grande intérprete, que havia conseguido dosar toda a sua garra sem no entanto perder a emoção, jamais. Pena que a protagonista desse trabalho exemplar já não estivesse mais entre nós. Janis Joplin nos deixou em 4 de outubro de 1970, mas seu legado, 50 anos depois, permanece aí, firme e forte. A mais preciosa das pérolas.

A incrível cantora e compositora nascida em Port Arthur, Texas, no dia 19 de janeiro de 1943, saiu de cena no exato dia em que iria colocar a voz na última faixa do álbum que estava gravando na época. O título dessa canção não poderia ser mais sinistro, levando-se em conta o que acabou acontecendo: Buried Alive In The Blues (enterrada no blues, em tradução livre). A gravação instrumental feita por sua banda acabou sendo escolhida para encerrar o lado 1 de Pearl.

Uma overdose de heroína a levou com apenas 27 anos. Só nos cabe especular sobre o que aconteceu naquele dia fatídico, mas tudo leva a crer que se tratou de uma triste fatalidade, e não de um suicídio. Parafraseando a maravilhosa letra de Bernie Taupin para a melodia de Elton John, Candle In The Wind, “parece para mim que ela viveu a sua vida como uma vela ao vento”. E, para tristeza de seus inúmeros fãs, o vento venceu a vela cedo demais.

Uma evidente razão pela qual Janis teve muita dificuldade para encontrar um equilíbrio que no fim das contas não conseguiu descobrir era uma contradição inerente a seu modo de ser. Uma espécie de bipolaridade, digamos assim. De um lado, tínhamos uma tímida e recatada garota caipira, cujo sonho era ter um marido que a amasse e que lhe proporcionasse filhos, um lar, felizes almoços e jantares…. Uma família nos moldes mais tradicionais.

Do outro, tínhamos uma garota irreverente, rebelde, carismática, fã de rock, blues e soul e com o nítido desejo de conquistar o mundo com uma voz incandescente e uma presença de palco cativante, disposta a superar e a vencer as rejeições e o machismo para ser “mais um dos rapazes”. Uma estrela incandescente, para iluminar a tudo e a todos com seu imenso talento.

Mas não existiram e ainda existem vários artistas que conseguiram conciliar esses dois extremos? Sim, mas não podemos nos esquecer de que estamos falando dos anos 1960, quando as mulheres ainda lutavam contra um posicionamento conservador que só admitia a elas um lugar secundário na sociedade. E algumas, entre elas Janis, lutavam contra uma espécie de “sentimento de culpa” por buscar fugir dos padrões tradicionalistas.

Seja como for, Janis, em seu curto tempo de vida, soube criar uma obra que se mantém relevante e deliciosa de se ouvir. E que, certamente, continuará atraindo novos fãs. Eu, por exemplo, a descobri no finalzinho da minha adolescência. Inicialmente, pensava se tratar de uma cantora “gritona” e folclórica no mau sentido, e não me animava a ir atrás de seus trabalhos.

Após ler sobre ela em várias revistas, especialmente a seminal Rock a História e a Glória, resolvi, entre 1980 e 1981, arriscar-me. Na extinta loja Sears do bairro paulistano do Paraíso (onde hoje temos um shopping), fiquei fascinado pela capa de Pearl e o comprei no escuro. Ao chegar em casa, pus a bolacha para tocar. E logo em sua primeira faixa, Move Over, já estava devidamente conquistado por ela. Ao chegar ao final do LP, queria mais, e mais, e mais doses daquela voz.

Em seu curto período de vida, a cantora texana passou por três fases distintas. A primeira ao lado do Big Brother And The Holding Company, grupo cujo vigor superava possíveis deficiências técnicas. Com eles, gravou o promissor Big Brother And The Holding Company (1967) e o empolgante Cheap Thrils (1968), este último com as avassaladoras Summertime, Ball And Chain e Piece Of My Heart.

Suas apresentações ao vivo deram a ela a chance de ampliar e muito o seu público, e ganhar fãs também entre seus colegas de profissão. Um dos momentos mais marcantes nesse sentido, flagrado no documentário sobre o Festival Monterey Pop em 1967, mostra Mama Cass, integtrante dos The Mamas & The Papas, boquiaberta na plateia e soltando um “uau!” ao vê-la interpretar de forma visceral Ball And Chain.

Influenciada pelo empresário Albert Grossman, resolveu sair do Big Brother junto com o guitarrista da banda, Sam Andrew, para montar uma banda com músicos mais tarimbados e com direito a sessão de metais. Nascia a Kozmic Blues Band, que a acompanhou no álbum I Got Dem Ol’ Kozmic Blues Again Mama! (1969), um bom trabalho, mas possivelmente um pouco contido demais, trazendo os hits Try (Just a Little Bit Harder), Maybe e One Good Man.

O segredo do que viria a ser Pearl foi exatamente o poder de síntese, mesclando a energia contagiante dos discos iniciais com a técnica mais apurada de Kozmic Blues. Um álbum nota 10 que parece coletânea, com direito a Me And Bobby McGee (que chegou ao número 1 nos EUA no formato single), Cry Baby, A Woman Left Lonely e My Baby, por exemplo.

A rigor, nenhum disco de Janis Joplin, incluindo aí os gravados ao vivo e os póstumos, pode ser descartado ou considerado inferior. Farewell Song (1982), por exemplo, com nove faixas registradas entre 1965 e 1970, encanta com maravilhas como Tell Mama e a fantástica One Night Stand, esta última uma balada daquelas de cortar os pulsos.

O fato é que Janis não deu conta de encarar o preço que o sucesso cobra de grandes talentos como ela. Em comum com a Pérola do Texas, Amy Winehouse também nos deixou aos 27 anos e também esteve no Brasil no início do ano em que nos deixou, 2011. Joplin nos visitou no início de 1970, causando furor no Rio de Janeiro e dando uma canja ao lado do hoje também saudoso Serguei.

Janis Joplin é audição essencial para qualquer fã de rock, e foi uma das responsáveis pela introdução do blues e da soul music para o público branco jovem daqueles anos 1960. Continua sendo referência e matéria obrigatória para quem deseja conhecer o melhor da música popular do século XX. Que tal ouvir Pearl agora mesmo?

Ouça Pearl, de Janis Joplin, em streaming:

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