Mondo Pop

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The Waterboys de Mike Scott lançam single; álbum a caminho

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Por Fabian Chacur

Além de bandas que lotaram estádios pelo mundo afora, como U2, R.E.M. e Bon Jovi, a década de 1980 também foi pródiga em revelar grupos que, se não tiveram tanto êxito comercial, cativaram corações suficientes para mantê-los relevantes. Este é o caso do The Waterboys, um time rocker escocês daquela safra que anuncia para o dia 24 de maio o lançamento de seu 12º álbum de estúdio. Trata-se de Where The Action is, estréia deles no badalado selo indie britânico Cooking Vinyl. Para ir saciando a sede de seus fãs, programaram o lançamento de dois singles, ambos ótimos.

O primeiro, Right Side Of Heartbreak (Wrong Side Of Love) (ouça aqui), possui uma levada dançante com ecos de Sympathy For The Devil, dos Rolling Stones. O outro, recém-lançado, é Where The Action Is, a faixa-título do novo trabalho e um rock bem bacana com tempero soul (especialmente nos vocais de apoio de Jess e Zeenie) e solos rapidinhos de guitarra a la hard-heavy metal.

Criado em Edimburgo, Escócia, em 1983, The Waterboys é na verdade uma banda com dono. No caso, o cantor, compositor e músico Mike Scott. Não por acaso, o grupo já teve, em seus 36 anos de existência, a participação de mais de setenta músicos, entre colaborações em shows e gravações de seus discos.

Alguns deles marcaram época, como o cantor, compositor e tecladista Karl Walinger, que ficou de 1983 a 1986, saindo depois para montar outra banda alternativa bacana (World Party), Anthony Thistlethwaite (sax e mandolim) e Steve Wickham (mandolim e violino elétrico).

Com um som que mistura de forma impactante rock, folk britânico, soul e pop, o grupo ficou marcado por singles poderosos como The Whole Of The Moon, Don’t Bang The Drum, Medicine Ball e Fisherman’s Blues, e álbuns ótimos do calibre de This Is The Sea (1985), Fisherman’s Blues (1988) e Room To Roam (1990). O grupo saiu de cena em 1993, após o lançamento de Dream Harder.

Após um período durante o qual lançou dois discos solo, Mike Scott resolveu reativar a marca The Waterboys, e o marco desse retorno é o álbum A Rock In The Weary Land (2000). Desde então, o time se mantém ativo, lançando novos trabalhos com certa regularidade e fazendo shows.

O fiel escudeiro de Scott e segundo mais antigo integrante do grupo é Steve Wickham, que saiu em 1990, voltou em 2001 e permanece firme e forte desde então. Where The Action Is será disponibilizado no exterior nos formatos CD simples, CD duplo, LP de vinil, download digital e nas plataformas digitais.

Eis as faixas de Where The Action Is:

CD 1- normal(standard)

1. Where The Action Is
2. London Mick
3. Out Of All This Blue
4. Right Side Of Heartbreak (Wrong Side Of Love)
5. In My Time On Earth
6. Ladbroke Grove Symphony
7. Take Me There I Will Follow You
8. And There’s Love
9. Then She Made The Lasses-O
10. Piper At The Gates Of Dawn

CD 2 – Where The Action Is… Mashed

1. Where The Action Is (Mash)
2. London Mick (Jess’n’Zeenie Mix)
3. Out Of All This Blue (Soul Choir)
4. Right Side Of Heartbreak (Box & Vox)
5. In My Time On Earth (Scott & Wickham Mix)
6. Ladbroke Grove Coda
7. I Will Follow You Take Me There
8. And There’s Love (Mashtrumental)
9. Then She Made The Lasses (Mash)
10. Where The Action Is (Reprise)
11. Piper At The Gates of Dawn (Instrumental)

Where The Action Is (clipe)- The Waterboys:

Brian Setzer, dos Stray Cats, um dos grandes estilistas do rock

Brian Setzer-400x

Por Fabian Chacur

No dia 3 de fevereiro de 1959, Buddy Holly, Ritchie Valens e The Big Bopper nos deixaram, vítimas de um acidente de avião que seria definido como “o dia em que a música morreu” em 1971 pelo cantor e compositor Dave McLean (leia mais sobre esse tema aqui). Mas a vida é mesmo feita de Encontros e Despedidas, como diriam Milton Nascimento e Fernando Brant. Pois no dia 10 de abril daquele mesmo 1959, nasceu um cara que, anos depois, ajudou a resgatar com brilho esse rock and roll inicial, o incrível cantor, compositor e musico americano Brian Setzer. Ele completa 60 anos nesta quarta (10).

Setzer vira sessentão a mil por hora. Aliás, é irônico pensar que ele chega a uma idade que seus principais ídolos nem sequer chegaram perto de atingir, vide Elvis Presley (morto aos 42), Eddie Cochran (morto aos 21 anos), Gene Vincent (morto aos 36 anos) e o próprio Buddy Holly (morto aos 22 anos). Para felicidade dos fãs, chegará às lojas físicas e virtuais no dia 24 de maio 40, primeiro álbum inédito de estúdio dos Stray Cats (que celebram 40 anos do início de sua carreira) desde 1992, quando saiu Choo Choo Hot Fish.

Com produção a cargo de Peter Collins (que já trabalhou com Rush, Bon Jovi e a Brian Setzer Orchestra) e gravado no fim de 2018 em Nashville, 40 traz faixas como Cat Fight (Over a Dog Like Me), Rock It Off e Cry Danger. O álbum será divulgado como uma turnê comemorativa das quatro décadas do trio roqueiro cujo início está marcado para o dia 21 de junho na Espanha e previsto para acabar (pelo menos, inicialmente) em 31 de agosto nos EUA, passando por vários países europeus e estados americanos. Tipo do show imperdível.

E qual seria a razão para Mondo Pop dar tanta moral para esse cara, diria você? Pois vamos lá. Logo de cara, vale dizer que no início dos anos 1980, quando predominavam a new wave, o tecnopop, o heavy metal e outros estilos do gênero, Brian Setzer, ao lado dos amigos Lee Rocker (baixo) e Slim Jim Phantom (bateria) ousaram investir no mais puro rockabilly, unindo releituras de clássicos da era inicial do rock a composições próprias, com uma energia absurda.

Não foi fácil, no início, pois o público americano não aceitou logo de cara o estilo retrô do trio. Eles se mudaram para a Inglaterra, e foi por lá que conseguiram dar o pontapé inicial na conquista do planeta rock com os ótimos álbuns Stray Cats e Gonna Ball, ambos lançados em 1981. O sucesso chegaria aos EUA e ao resto do mundo em 1982 com o lançamento de Build For Speed, coletânea com faixas extraídas dos dois discos anteriores e que chegou aos primeiros lugares das paradas, impulsionado pelos petardos Stray Cat Strut, Rock This Town e Runaway Boys, só para citar três delas.

Qual o diferencial dos Stray Cats para outros grupos e artistas que tentaram reler o rock cinquentista sem o mesmo êxito? Simples: o imenso talento de Brian Setzer, que além de ser um cantor excepcional é um guitarrista que soube não só incorporar as convenções do rockabilly como elevou-as a um patamar de arte, colocando ali a sua assinatura própria. Atrevo-me a dizer que suas performances em discos e shows são comparáveis, se não até melhores, do que a dos artistas que o inspiraram, uma façanha absurda.

Além do trabalho com os Stray Cats, que se mantiveram entre separações e retornos nesses anos todos, Setzer lançou discos solo nos quais ampliou seus horizontes estéticos, indo do rock instrumental ao rock a la Bruce Springsteen. De quebra, ainda montou a Brian Setzer Orchestra, mesclando rock and roll e jazz estilo big bands de forma primorosa.

Tive a graça divina de ver um show dos Stray Cats no Brasil, mais precisamente no extinto Projeto SP, que ficava em sua segunda fase no bairro da Barra Funda, em 1990. Foram três shows em São Paulo, nos dias 9,10 e 11 de março, e um no Rio, no dia 13 de março. Quem viu, certamente não se esquecerá jamais!

Classifico a performance do grupo naquele dia 9 de março como selvagem, bárbara, adrenalina pura, proporcionada por apenas três músicos, sendo que Slim Jim Phantom tocou de pé e com um kit básico de bateria. O carisma de Brian Setzer é algo absurdo, e o repertório de quebra ainda trouxe a demencial releitura de Summertime Blues, de Eddie Cochran, que considero melhor do que a já maravilhosa versão original de Eddie Cochran. Sinta o drama ao ver o set list:

Rumble in Brighton

Let’s Go Faster

Too Hip, Gotta Go

(She’s) Sexy + 17

That Someone Just Like You

Something’s Wrong With My Radio

Stray Cat Strut

Foggy Mountain Breakdown (Lester Flatt & Earl Scruggs & The Foggy Mountain Boys cover)

Runaway Boys

Summertime Blues(Eddie Cochran cover)

Rock This Town

Bis 1:

Gina

Bring It Back Again

Fishnet Stockings

I Fought the Law (The Crickets cover)

bis 2:

Oh, Boy!(Sonny West cover)

Be-Bop-A-Lula (Gene Vincent & His Blue Caps cover)

Somethin’ Else (Eddie Cochran cover)

Se em 1959 tivemos as tristes despedidas de Buddy Holly, Ritchie Valens e The Big Bopper, o mesmo ano nos ofereceu o nascimento desse magnífico Brian Setzer, que ajudou a manter a tocha olímpica do rock and roll acesa, firme e forte. Tomara que essa turnê dos Stray Cats possa abrir uma brecha para o Brasil. Que tal, heim, Rock in Rio?

How Long You Wanna Live Anyway?– The Stray Cats:

Banda Kurandeiros lança seu novo single, Andando na Praia

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Por Fabian Chacur

Kim Kehl e sua banda Kurandeiros estão com um single novo disponível nos canais digitais. Trata-se de Andando na Praia, um furioso e envolvente rock com tempero de psicodelia divulgado por um audioclipe cujo visual evoca exatamente o desenvolvido pelas bandas de rock da segunda metade dos anos 1960. A música é uma parceria de Kehl com o baixista do grupo, Luiz Domingues. Carlinhos Machado (bateria) completa o time, e participam da gravação Nelson Ferraresso (teclados) e Marcos “Pepito” Soledade (percussão).

Nascida de uma ideia musical de Domingues que foi desenvolvida junto com o grupo e chegou a ser um tema instrumental tocado com sucesso em alguns shows da banda, Andando na Praia tem uma letra bem simples e uma interpretação vibrante por parte da banda, com vocal ardido e solos de guitarra e teclados simplesmente viscerais, tendo de quebra uma cozinha rítmica impecável dando a base a tudo.

Na estrada há 40 anos, Kim Kehl integrou bandas como Made In Brazil, Mixto Quente e Nazi e os Irmãos do Blues. Este guitarrista, cantor e compositor criou os Kurandeiros em 1991, e lançou três CDs (Kim Kehl e os Kurandeiros-2004, Mambo Jambo-2008 e 7 Anos-2012) e um EP desde então. Luiz Domingues, baixista e também compositor, é uma figura marcante da música paulistana, tendo feito parte de grupos bacanas como Língua de Trapo e A Chave do Sol.

Andando na Praia (audioclipe)- Os Kurandeiros:

Bento Araújo e crowdfunding para lançar seu segundo livro

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Por Fabian Chacur

Em 2016, o jornalista, crítico musical, pesquisador e colecionador de discos Bento Araújo conseguiu concretizar um sonho, ao lançar o excepcional livro Lindo Sonho Delirante- 100 Discos Psicodélicos do Brasil (leia a resenha de Mondo Pop aqui).

A repercussão não poderia ter sido melhor, com direito a ótimas vendas em mais de 40 países, cotação máxima (cinco estrelas) na seminal revista britânica Record Collector, ser considerado um dos dez melhores livros sobre música lançados em 2016 pelo conceituado site Vinyl Factory e inúmeras entrevistas e resenhas mundo afora. Seria lógico imaginar o lançamento de um segundo volume, e é exatamente isso o que Bento está batalhando para concretizar.

Ele novamente se vale do crowdfunding, também conhecido como financiamento coletivo, estratégia criada para viabilizar projetos importantes sem a necessidade de envolver grandes editoras no processo. E mais uma vez a coisa começa bem. Em apenas três dias no site Catarse, Bento conseguiu atingir 50 % da meta mínima capaz de viabilizar o projeto. O prazo para atingir tal objetivo é o dia 14 de junho, e o interessado pode colaborar de várias maneiras (saiba mais aqui).

Intitulado Lindo Sonho Delirante Vol.2- 100 Discos Audaciosos do Brasil (1976-1985), a nova obra do jornalista trará resenhas de álbuns de artistas como Tom Zé, Odair José, Belchior, Lula Côrtes, Arnaldo Baptista, Zé Ramalho, Cátia de França, Luli & Lucina, Papa Poluição, Itamar Assumpção, Aguilar e Banda Performática, A Barca do Sol e outros. Uma das opções do financiamento coletivo permite ao colaborador que investir R$ 95,00 conseguir um exemplar do livro com frete grátis, sendo que o preço pós-campanha será de R$ 120,00.

Veja o vídeo com Bento falando sobre o livro:

George Michael se revela por completo em documentário

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Por Fabian Chacur

Muitas pessoas questionam a idoneidade de documentários sobre artistas que contam com a autorização dos mesmos para serem realizados, pois teoricamente permitiriam a eles ocultar fatos de suas vidas que achassem convenientes serem escondidos. No caso de George Michael, fica difícil contestar Freedom, que ele codirigiu e criou em parceria com o diretor David Austin. Lançado na Inglaterra em outubro de 2017, ele será exibido nesta sexta (6) às 7h e neste sábado (7) às 11h50 no canal a cabo Bis (saiba mais aqui).

O documentário estava praticamente concluído quando o cantor, compositor e músico britânico nos deixou, no dia de natal de 2016. Esse fato é revelado em seus primeiros minutos, pela modelo Kate Moss. Acabou se tornando uma espécie de despedida do astro, e de uma forma franca, aberta e abrangente. Temos entrevistas antigas e outras feitas especialmente para a atração por ele, além de depoimentos de celebridades como Elton John, Stevie Wonder, Ricky Gervais, Liam Gallagher, Nile Rodgers, Clive Davis, Mary J. Blige e diversos outros.

Valendo-se de vasto material de arquivo, o filme mostra George desde seus tempos de Wham!, duo criado com o amigo de infância/adolescência Andrew Ridgeley que o emplacou no primeiro escalão da música pop na primeira metade dos anos 1980, passando pelo megaestouro na carreira solo logo com seu primeiro álbum nessa fase, Faith (1987), que vendeu mais de 20 milhões de cópias em todo o planeta e permitiu a ele encarar Madonna, Michael Jackson e Prince na época, em termos de popularidade e prestígio.

Sem papas na língua, o autor de Father Figure admite que após os dez meses de duração da turnê que divulgou Faith, em 1988, ficou no “limite da sanidade”, e que, por isso, resolveu tomar uma opção radical para seu próximo álbum, Listen Without Prejudice Vol.1 (1990): não teria sua foto na capa do disco, não apareceria em seus videoclipes e também não promoveria o álbum com entrevistas.

O escritório americano da gravadora Sony, com a qual ele tinha contrato, não aceitou a proposta, e passou de forma velada a sabotar a divulgação do trabalho. Isso gerou uma extensa briga jurídica que levou o astro e a gravadora aos tribunais, em um processo que durou anos e se encerrou de forma desvantajosa para Michael. Esse embate é ilustrado com depoimentos do cantor e também de integrantes da sua equipe e da direção da gravadora naquele período, dando uma visão bem abrangente das posições dos lados envolvidos. Bem democrático.

Se depois conseguiu dar continuidade à sua carreira, esse lado profissional conturbado teve outro ponto a agravar a vida do artista na primeira metade da década de 1990: seu breve, porém marcante relacionamento com o brasileiro Anselmo Feleppa (1956-1993), que conheceu quando se apresentou no Rock in Rio, em janeiro de 1991. “Fui feliz com ele como nunca havia sido antes na minha vida”, afirma. Ele dedicou a música Jesus To a Child e o álbum Older (1996) ao ex-companheiro, além de definir esse CD como sobre luto (sua mãe morreu na mesma época, outro duro golpe sofrido por ele) e recomeço.

Bem franco ao falar sobre sua vida pessoal e profissional, Michael também é bem descrito por seus amigos e parceiros. Uma boa surpresa é saber o quanto o sempre ácido e irreverente Liam Gallagher, ex-vocalista do Oasis, era fã dele, elogiando-o de forma entusiástica. Stevie Wonder comenta sobre a química existente entre ele e George, que regravou e cantou em shows diversas músicas do autor de You Are The Sunshine Of My Life: “é algo que não dá para fingir”.

Um ponto bacana da personalidade de George Michael descrita pelo ator Ricky Gervais é a sua capacidade de nunca fugir de um assunto, mesmo os mais constrangedores ou polêmicos, como sua homossexualidade ou escândalos protagonizados por ele. O videoclipe da sensacional Freedom 90, protagonizado pelas cinco supermodelos mais badaladas da época, também é destrinchado de forma minuciosa, com depoimentos das beldades envolvidas.

Lógico que, em meio a tudo isso, a obra do astro pop aparece com destaque, ficando claro o como esse cara nos deixou um legado muito precioso em termos musicais, passando por pop, rock, black music, jazz etc, sempre com uma voz poderosa e recheada de alma. Compositor talentoso, ele também sabia como poucos interpretar material alheio, como suas expressivas e vibrantes releituras de Somebody To Love (Queen) e As (Stevie Wonder) deixam bem claro.

Franco, direto e sem maquiar incoerências e fraquezas, Freedom (o documentário) nos mostra um ser humano contraditório, mas repleto de pontos positivos, e que merece ser relembrado por tudo o que fez de bom durante seus 53 anos de vida. Um filme que nos faz rir, refletir, chorar e principalmente querer ouvir cada vez mais os ótimos trabalhos que George Michael nos deixou, um legado mais do que precioso.

Freedom ainda não foi lançado em DVD/Blu-ray, só estando disponível na programação de canais a cabo ou de streaming por demanda. Se sair em formato físico, compre na hora, se for fã do artista, pois valerá cada centavo que você pagar por ele. E uma dica: prepare o lenço na parte final de seus 95 minutos de duração, pois fica difícil não verter lágrimas, muitas lágrimas, nesses instantes finais.

Veja trechos do documentário Freedom:

Cazuza 60 é na verdade 100, mil, mais do que dois mil e um

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Por Fabian Chacur

Nesta quarta-feira (4), Cazuza comemoraria 60 anos de idade. Infelizmente, o roqueiro carioca se foi naquele triste sete de julho de 1990, com apenas 32 anos bem vividos, e deixou um vazio não só no rock, como na música e cultura brasileira como um todo.

Tive a honra de entrevistá-lo duas vezes, e de ver um dos shows mais emblemáticos de sua brilhante e breve carreira solo. Vou relembrar alguns momentos desses três contatos de forma aleatória, sem querer ser detalhista demais. O que me vier à mente.

Em 1987, vivi o início de minha carreira jornalística em tempo integral, após dois anos de frilas conciliados com um emprego, digamos, convencional. E em abril daquele ano, participei da entrevista coletiva que Cazuza concedeu em São Paulo para divulgar Só Se For a Dois, seu segundo trabalho solo.

A coletiva ocorreu no bairro do Paraíso, onde ficava na época a sede paulistana da gravadora Polygram, hoje Universal Music. Era a estreia dele pelo selo, após ter lançado o LP que inclui Exagerado em 1985 na Som Livre, meses depois de sair do Barão Vermelho.

Gravei a entrevista no meu heroico gravador grandão, grande parceiro. Tenho essa fita até hoje, e um dia (quando a encontrar, obviamente; mas ela está comigo, tenho certeza) a transcreverei na íntegra para os leitores de Mondo Pop. Por enquanto, ofereço recordações superficiais. Ele foi extremamente simpático com todos.

Ele respondeu todas as nossas perguntas, sem frescuras, e após o final, tirou fotos e deu autógrafos a todos que os solicitaram, eu incluso. Também tirei fotos com ele. Uma saiu meio ruim por causa do flash, e infelizmente é a única que me sobrou, pois a outra foi roubada por uma sobrinha. Que ódio! E tenho fotos da entrevista coletiva, essas bem legais. Preciso escaneá-las, também.

Naquele mesmo dia de 1987, tive a oportunidade de conhecer um de meus ídolos na área do jornalismo musical, o inimitável Ezequiel Neves, com quem também tirei foto, junto com o amigo Humberto Finatti.

Na época, trabalhava na editora Imprima, coordenando as revistas de textos de lá, que se notabilizou pelas revistinhas com cifras para violão e guitarra. Um tempo bom, de aprendizado e que me proporcionou a chance de conhecer muita gente boa.

Em 1988, quando começava no Diário Popular (hoje Diário de S. Paulo), pude rever Cazuza quando ele veio a São Paulo divulgar, com show no extinto (e então badaladíssimo) Aeroanta, no largo da Batata, em Pinheiros, o seu então novo álbum, o incrível Ideologia.

Lembro que tomei um susto (que disfarcei) ao vê-lo bem mais magro do que no encontro anterior. Mas a energia, a simpatia e as ideias bacanas continuavam ali, firmes. O fato de ele portar o vírus HIV ainda não havia se tornado público. Pena que vacilei e não vi aquele show.

Para minha sorte, no final de 1988 Cazuza voltou a São Paulo, desta vez para tocar no antigo Palace (hoje CitiBank Hall) e fazer o show que acabaria gerando, ao ser gravado no Rio, o emblemático álbum ao vivo O Tempo Não Para- Cazuza Ao Vivo. Um show inesquecível.

No início, apesar da energia do roqueiro e de sua banda, a plateia reagiu de forma um pouco fria. Isso, mesmo com o início arrepiante, com o cover de Vida Louca Vida, de Lobão, que no entanto a interpretação apaixonada do autor de Exagerado tornou sua para sempre.

Mesmo irritado, ele tocou o barco. Aos poucos, o público foi entrando no espírito anárquico do artista e se soltou, dançando, pulando, cantando junto e transformando o emepebístico Palace em uma arena rocker.

Aí, Cazuza se soltou, agradecendo o apoio, dizendo que queria fazer shows para pessoas bem loucas e descontraídas, sem frescuras, e proporcionando aos presente um show de maravilhoso rock and roll.

Exagerado, Faz Parte do Meu Show, a então inédita O Tempo Não Para (que Simone regravou de forma canhestra), Brasil (idem com Gal Costa) e Codinome Beija-Flor, só para citar alguns dos clássicos tocados por ele, fizeram a minha noite e a dos milhares de fãs presentes inesquecível.

No Diário Popular, no extinto caderno cultural intitulado Revista, coisa inédita para a publicação: duas críticas. Uma de minha autoria elogiando o show e a atitude de Cazuza em pedir a participação de todos.

Outra do editor (e meu mestre) Osvaldo Faustino criticando o cantor pelo fato de ele ter intimado os presentes a participar. Belo exercício de democracia. E as duas opiniões faziam total sentido, eram pontos de vista que se completavam muito bem, modéstia à parte.

E então, meses de sofrimento de vê-lo doente, da campanha idiota da revista Veja contra ele, o lançamento do inconsistente e duplo Burguesia em 1989 (na verdade uma desculpa para alguém muito doente ter motivação para conseguir se manter vivo, sem sombra de dúvidas) e, em 1990, a morte precoce aos 32 anos.

Duas curiosidades, uma engraçada, outra mórbida. A primeira: no lançamento de Burguesia, a Polygram realizou uma festa na qual todos recebiam o LP. Seis deles vieram com cupons, incluindo o meu. Dois desses seis foram sorteados e ganharam viagens para os Estados Unidos. Eu perdi. Foi o mais perto que fiquei, até hoje, de ir ao exterior…

A outra é quase macabra. No início de 1989, a morte do roqueiro do bem parecia iminente. Então, meu editor na época, Danilo Angrimani Sobrinho, pediu-me uma matéria sobra a carreira de Cazuza, para ficar na gaveta e ser publicada rapidamente no caso da morte do artista. Fiz a contragosto, rezando para que nunca fosse publicada.

Se a morte acabou sendo inevitável, ao menos demorou um ano e meio para que aquela matéria “mortuária” chegasse às páginas do jornal. Mas uma ironia: na época, a redação ainda era na base das máquinas de escrever, laudas de papel, edição na raça etc. E a matéria havia sido feita quando ainda não se sabia como seria Burguesia.

Nem o seu título, que durante meses foi divulgado como A Volta do Barão. Eu estava de folga, e quem publicou a matéria não se preocupou em revisar isso. Ou seja, o leitor do finado Dipo “ganhou” um álbum inexistente de Cazuza…

Cazuza foi um roqueiro perfeito. Voz cheia de energia que superava defeitos técnicos do tipo língua presa, letras maravilhosas e melodias sempre trazidas por parceiros inspirados. Quantas coisas boas a mais ele não teria feito, se não tivesse saído de cena em 1990… Ele só viveu 32 anos, que, no entanto, equivaleram a 60, 100, mais do que 2001… Saudades, exagerado, você faz muita falta!

Ritual– Cazuza:

Ritchie mostra duas facetas e faz shows com o trio Blacktie

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Por Fabian Chacur

Ritchie demonstra a sua versatilidade com dois shows diferentes em São Paulo, ambos no Tupi Or Not Tupi (rua Fidalga, nº 360- Vila Madalena- fone 011-3813-7404). Nesta sexta (16) às 21h30, ele se dedica a músicas do genial cantor, compositor e músico americano Paul Simon (ingressos a R$ 100,00). Já o sábado (17, a partir das 20h) será dedicado a releituras diferenciadas de seus clássicos hits dos anos 1980, em espetáculo englobando jantar e show com início a partir das 20h (ao preço de R$ 180,00).

A performance do primeiro show terá como base o repertório do álbum Old Friends: The Songs Of Paul Simon, no qual o cantor e compositor britânico radicado há décadas no Brasil releu de forma acústica alguns clássicos do repertório do autor de The Boxer, incluindo esta canção e também The Boy In The Bubble, April Come She Will, The Only Living Boy In New York, 50 Ways To Leave Your Lover e The Sound Of Silence.

No espetáculo de sábado, intitulado Ritz- Os Hits do Ritchie, o prato principal fica por conta de versões desplugadas dos maiores sucessos do pop-rocker, entre as quais Menina Veneno, Pelo Interfone, Casanova, Transas e Voo de Coração, só para citar algumas das mais celebradas pelo público, que os adquiriu em quantidades enormes nos anos 1980.

O elemento que amarra as duas apresentações fica por conta dos músicos participantes. Teremos em cena o trio Blacktie, formato pelos experientes multi-instrumentistas Mario Manga (do Premê), Fabio Tagliaferri e Swami Jr., feras que se dividem entre instrumentos acústicos os mais diversos. Completa a turma outro cara que se vira bem com vários instrumentos, Tuco Marcondes. Eles participaram do CD com músicas de Paul Simon, e dão um tratamento luxuoso e sofisticado às canções, sem cair em exageros tolos. É música de primeira.

Old Friends: The Songs Of Paul Simon- Ritchie (em streaming):

Richie Sambora fará 2 shows em São Paulo com Orianthi

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Por Fabian Chacur

Richie Sambora se apresentou ao vivo pela primeira vez no Brasil em 1990, com duas performances no Hollywood Rock Festival. Desde então, ele voltou algumas vezes, sempre com o grupo que o tornou conhecido mundialmente, o Bon Jovi. Em julho, seus fãs tupiniquins poderão rever o guitarrista e vocalista americano, mas desta vez em carreira solo. Ou melhor, em dupla com outra guitarrista e vocalista, a australiana Orianthi. Um casal muito competente.

A dupla Sambora/Orianthi será a principal atração do Samsung Best Of Blues Festival. Estão programadas duas apresentações em Sampa City, uma no dia 8/7 no Tom Brasil (os ingressos começarão a ser vendidos em breve) e outra gratuita no Parque do Ibirapuera no dia 10 de julho. Os shows mostrarão aos brasileiros uma nova fase na carreira do músico, que saiu do Bon Jovi em 2013, após 30 anos e mais de 130 milhões de discos vendidos mundo afora.

Na verdade, Richie Sambora já tinha uma carreira-solo que levava de forma paralela. O primeiro disco nesse formato, Stranger In This Town, saiu em 1991, e contou com a participação de Eric Clapton. Undiscovered Soul (1998) e Aftermath Of The Lowdown (2012) foram as suas outras incursões individuais até o momento. Ele também regravou em 1990 a música The Wind Cries Mary, de Jimi Hendrix, para a trilha do filme The Adventures Of Ford Fairlane.

No Reveillon de 2014, Mr.Sambora conheceu Orianthi durante uma jam session, e a semente para uma dobradinha no mundo da música e também no afetivo surgiu ali mesmo. Os primeiros shows em dupla começaram naquele mesmo 2014, com direito a passagem pelo enorme Download Festival. Eles estão gravando o primeiro álbum, com participações confirmadas de Darryl Jones (baixista dos Rolling Stones) e William Calhoun (baterista do Living Colour), sendo que os nomes de Buddy Guy e Stevie Wonder também estão sendo especulados.

Para quem não tem a menor ideia de quem seja a parceira atual de Richie Sambora, lá vai uma biografia resumida da moça. Orianthi Panagaris nasceu em Adelaide, Austrália, em 22 de janeiro de 1985, filha de uma família de origem grega. Começou a tocar com apens seis anos de idade. Aos 11 aninhos, seu pai a levou para ver um show de Carlos Santana, e a jovem loirinha não só ficou encantada com o músico como decidiu ser guitarrista profissional ali mesmo.

Quando Santana voltou a tocar na Austrália, Orianthi tinha 18 anos, e ali foi a vez de o astro mexicano ouvir a moça tocar e ficar encantado, a ponto de ela ter participado de seu show. A cantora e guitarrista lançou dois CDs independentes, Under The Influence e Violet Journey, e em 2006 se mudou para os EUA no final de 2006, sendo contratada pela Geffen Records (hoje selo da Universal Music).

Na terra de Barack Obama, foi contratada para ser a guitarrista da estrela pop Carrie Underwood. Ao participar da cerimônia do Grammy em 2009 com a cantora, foi vista por Michael Jackson, que não demorou a convidá-la para entrar em sua banda. Orianthi ensaiou por meses com o Rei do Pop, mas a turnê nunca se concretizou, pois o autor de Billie Jean morreu em 25 de junho de 2009. Ela, no entanto, tem presença importante no filme This Is It, que registra exatamente essa fase de preparação da turnê tristemente abortada.

Nesse mesmo 2009, Orianthi lançou o álbum Believe, do qual faz parte o hit According To You. Em 2011, ela entrou na banda de Alice Cooper, com quem tocou até 2014, participando de duas turnês mundiais. Em seu currículo, também constam trabalhos com Carlos Santana, Steve Vai, Michael Bolton, Prince, ZZ Top, Adam Lambert, John Mayer e Dave Stewart (com quem gravou o álbum Heaven In This Hell em 2013).

Em entrevista concedida em fevereiro de 2016 antes de uma cerimônia de premiação da Billboard, Richie Sambora definiu de forma bem-humorada seu trabalho com Orianthi como “Sonny & Cher com esteroides”. Fica a curiosidade para conferir ao vivo o show deles, e também em breve como soará esse CD da dupla. Será que Jon Bon Jovi irá curtir? Aguardem as cenas dos próximos capítulos!

I Got You Babe– Richie Sambora & Orianthi (trecho):

Richie Sambora e Orianthi em uma loja de guitarras raras (Norman’s Rare Guitars-Tarzana-California):

Richie Sambora – Orianthi – Stranger in this town live Download festival 2014:

Mark Knopfler aposta em seu toque sutil no álbum Tracker

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Por Fabian Chacur

Se há uma marca registrada no trabalho do cantor, compositor e guitarrista britânico Mark Knopfler é a sutileza. Nada de exageros, de exacerbação de efeitos ou notas ou aquele tipo de performance ególatra que às vezes estraga obras de artistas talentosos. Tracker, seu novo álbum de inéditas, lançado no Brasil pela Universal Music, é outro estudo em cima desse seu toque pessoal inconfundível e classudo.

De certa forma, Tracker é uma continuação do álbum anterior do astro do rock, o ótimo Privateering (2012). O inseparável parceiro de Dire Straits, o tecladista Guy Fletcher, marca presença, assim como a cantora australiana Ruth Moody, também conhecida por sua atuação no trio folk Wailin’ Jennys. Ela foi destaque no álbum anterior, e volta a ser agora.

Ruth participa de quatro faixas, e sua performance na canção Wherever I Go, que encerra o álbum, é simplesmente adorável, dando a entender que não estranharemos se, no futuro, Knopfler resolver gravar um álbum inteiro com ela, como já fez com Emmylou Harrys há alguns anos, no ótimo álbum All The Roadrunning (2006).

Os tempos de Money For Nothing, Sultans Of Swing e Walk Of Life ficaram para trás. A ótima vertente de rock arena que fazia parte do cenário musical da banda deu lugar ao investimento puro e direito em folk com tempero de country, rock mais suave e até um pouco de jazz, como na bela faixa que abre o CD, Laughs And Jokes And Drinks And Smokes.

A voz de Mark está cada vez mais suave e melódica, como uma espécie de Bob Dylan mais afinado. Sua guitarra esbanja classe, com acordes precisos e solos econômicos que não jogam notas fora e funcionam sempre a favor de cada canção. Basil, Mighty Man, Long Cool Girl, é uma faixa melhor do que a outra, e que crescem a cada nova audição.

Para felicidade daqueles que acreditam no poder comercial de boas canções gravadas com alma e classe, Tracker atingiu o 14º lugar na parada americana, melhor resultado da sua carreira solo. Vale lembrar que foi lançada no exterior uma versão especial deste CD com sete faixas bônus. Mas essa simples já vale o investimento.

Wherever I Go (Talenthouse Video)- Mark Knopfler- ft. Ruth Moody:

Making of do CD Tracker, de Mark Knopfler:

Mark Knopfler comenta faixa a faixa de Tracker:

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