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Tag: soul anos 70

Manhattans c/Gerald Alston é opção de show de soul em SP

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Por Fabian Chacur

Duas notícias, uma ruim, a outra, ótima. Primeiro a parte negativa: o grupo The Manhattans, banda de soul music romântica dos anos 1970 e 1980, virá ao Brasil pela 1ª vez sem quatro dos cinco integrantes de sua formação clássica. No entanto, o único remanescente é justamente o mais importante deles, o vocalista principal Gerald Alston. O agora trio americano vai se apresentar em São Paulo no dia 2 de junho (sábado) no Tom Brasil (rua Bragança Paulista, nº 1.281- fone 0xx11-4003-1212), com ingressos de R$ 120,00 a R$ 240,00.

Além de Alston, a escalação atual dos Manhattans, que se mantém desde o início dos anos 2000, traz os também cantores Troy May e David Tyson. Este último é irmão de Ron Tyson, que desde 1983 faz parte da antológica banda americana The Temptations. Vale lembrar que Alston também tem um parentesco nobre: ele é sobrinho da cantora Shirley Alston Reeves, vocalista do grupo vocal feminino The Shirelles, conhecido nos anos 1960 por hits como Will You Still Love Me Tomorrow, Baby It’s You e Soldier Boy, entre outros.

A carreira dos Manhattans teve início em 1962, sendo que o então quinteto gravou seu primeiro single em 1964. Eles ganharam impulso real a partir de 1970, quando Gerald Alston, com cerca de dez anos a menos de idade do que seus colegas, entrou no time para substituir George Smith, que morreu naquele mesmo ano. Em 1973, contratados pela Columbia Records (cuja acervo hoje pertence à Sony Music), lançaram seu primeiro hit, There’s No Me Without You, nº 43 nos EUA.

Com um estilo influenciado por grupos vocais como Stylistics, Temptations e Blue Magic, os Manhattans mostraram sua força comercial ao atingir o primeiro lugar da parada de singles ianque com a antológica canção Kiss And Say Goodbye, cuja marca é a introdução interpretada com a voz grave de Winfred Blue Lovett para, logo a seguir, termos a entrada triunfal de Gerald Alston, algo que se tornaria padrão.

O grupo teve em seus discos desse período participação de músicos do chamado “Som da Filadélfia”, entre os quais Norman Harris, Ron Kersey, Vincent Montana Jr., Ronnie Baker e Earl Young, conhecidos por seus trabalhos com The O’Jays, Harold Melvin & The Blue Notes, Billy Paul, Bunny Sigler e outros astros produzidos pela dupla Kenny Gamble & Leon Huff. Eles, no entanto, não foram produzidos por esse duo genial.

Em 1980, a banda emplacou seu segundo maior sucesso, a balada swingada Shining Star, que conseguiu o 5º lugar na parada americana. Outras canções de sucesso de seu repertório são Don’t Take Your Love, Hurt, I Kinda Miss You, That’s How Much I Love You e Just The Lonely Talking Again, esta última regravada com sucesso por Whitney Houston em seu segundo álbum, de 1987.

Conforme a década de 1980 foi se desenrolando, o sucesso do grupo infelizmente se reduziu bastante. E temos uma curiosidade que os liga fortemente ao Brasil. A música Forever By Your Side, faixa-título de seu álbum de 1983, teve pouco destaque nos EUA, mas, incluída em 1985 na trilha da novela global A Gata Comeu, virou um megahit, sendo possivelmente sua música mais conhecida por aqui, com direito a versão em português, Pra Sempre Vou Te Amar, gravada pela cantora romântica Adriana e pelo cantor gospel Robinson “Anjinho”.

Para revigorar sua trajetória, Gerald Alston resolveu sair dos Manhattans, iniciando uma carreira solo em 1988 que lhe rendeu hits medianos como Take Me Where You Want It, Slow Motion e Getting Back Into Love. No total, ele lançou até o momento seis CDs individuais, sendo o mais recente, True Gospel, de 2014, totalmente dedicado ao gospel.

Entre os anos 1990 e 2000, tivemos duas bandas com o nome Manhattans no mercado de shows. Uma, liderada por Edward Sonny Bivins, da formação original, deu continuidade ao time após as saídas de Alston em 1988 e Blue Lovett em 1990. A outra, criada depois e capitaneada por Alston e Lovett, é exatamente a que chega ao Brasil, só que sem o segundo, que morreu em 2014. Aliás, o único membro da formação clássica da banda ainda vivo é exatamente Alston.

Kiss And Say Goodbye (clipe original)- The Manhattans:

Kiss And Say Goodbye (ao vivo-2/2017)- The Manhattans:

Dennis Edwards, ex-membro dos Temptations, nos deixa

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Por Fabian Chacur

Papa Was a Rolling Stone (1972), dos Temptations, é uma das minhas músicas favoritas de todos os tempos. Trata-se de um dos marcos da fase psicodélica daquele fantástico grupo vocal americano. Seu vocalista principal naquela época, Dennis Edwards, nos deixou nesta sexta (2), um dia antes de completar 75 anos, em Chicago (EUA). Ele não teria resistido a problemas de saúde gerados por um aneurisma.

Edwards entrou no radar do primeiro escalação da black music americana ao ser contratado pela Motown Records em 1966. No ano seguinte, entrou no grupo The Contours, conhecido pelo hit Do You Love Me. Ao abrir shows dos Temptations, atraiu a atenção de dois integrantes da banda, Otis Williams e Eddie Kendricks. Em 1968, ele acabou sendo o escolhido para substituir o talentoso (mas problemático) David Ruffin nos Temptations.

A alteração coincidiu com uma mudança de rumos na sonoridade do quinteto vocal, concebida por seu produtor, o genial Norman Whitfield. Do soul mais romântico e dançante, a banda enveredou para uma mistura de soul, rock e psicodelismo rotulada posteriormente como Psychedelic Soul/Cinematic Soul. Como tinha um vozeirão mais adequado para este tipo de música, Edwards assumiu o vocal principal em boa parte dos hits da banda nessa fase.

Entre 1968 e 1976, Edwards brilhou com destaque em hits dos Temptations, entre os quais as sublimes Cloud Nine, I Can’t Get Next To You, Ball Of Confusion (That’s What The World Is Today), Papa Was a Rolling Stone e Masterpiece. Além dos vocais poderosos, o som do grupo ganhou espaços para passagens instrumentais repletas de guitarras ácidas, arranjos envolventes e muita ousadia sonora.

O cantor saiu do grupo em 1977, mas voltaria a integrá-lo de 1980 a 1984 e de 1987 a 1989. Em 1985, lançou o seu grande e único sucesso fora da banda, o sacudido single Don’t Look Any Further, dueto com a cantora Siedah Garrett (a mesma de I Just Can’t Stop Loving You, dueto com Michael Jackson lançado em 1987 no álbum Bad). Essa música foi sampleada por rappers como Tupac (em Hit ‘Em Up), Lil’ Wayne (Way Of Life) e Fat Joe (So Excited).

No final dos anos 1980, Edwards se uniu a dois outros ex-Temptations, Eddie Kendricks e David Ruffin, com a ideia de gravar novos trabalhos e fazer shows. Só a segunda parte do projeto se concretizou, e esse projeto histórico foi registrado em vídeo, lançado em 1998 pelo selo Street Gold e intitulado Original Leads Of The Temptations, ressaltando o fato de os três terem sido vocalistas solo em hits da banda. Pena que Ruffin (em 1991) e Kendricks (em 1992) morreram antes que essa espécie de nova roupagem dos Temptations pudesse se consolidar.

Nos anos 1990, o cantor passou a fazer shows relendo os hits de sua ex-banda com o título The Temptations Review- Featuring Dennis Edwards, nome que teve de seguir após problemas com Otis Williams, único integrante original que continua nos Temptations e que detém os direitos da marca. Ele continuava na ativa, fazendo apresentações ao lado de parceiros mais novos nas quais cantava seus eternos hits.

Don’t Look Any Further– Dennis Edwards e Siedah Garrett:

Bunny Sigler, grande nome do Philly Sound, morre nos EUA

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Por Fabian Chacur

Quem curtia as novelas globais nos anos 1970, especialmente as suas trilhas sonoras, possivelmente se lembrará de uma balada classuda, com tempero de jazz e soul, intitulada Picture Us. Foi o maior hit no Brasil do cantor, compositor e produtor americano Bunny Sigler. Ele se foi na última sexta-feira (6), aos 76 anos, vítima de um ataque cardíaco. Mas ele não era um mero one hit wonder, aqueles artistas que estouram com um único sucesso e depois somem de cena. Muito longe disso, como vocês poderão ler a seguir.

Walter Sigler nasceu na cidade americana da Filadélfia em 27 de março de 1941. Como muitos garotos negros de sua geração, aprendeu a cantar inicialmente em igrejas, e posteriormente integrando grupos vocais que se dedicavam ao doo-wop, estilo musical que consagrou bandas como The Platters e The Moonglows na década de 1950. Ele integrou por algum tempo um desses grupos, os Opals, sem muito êxito.

Ele gravou seu primeiro single como artista solo lá pelos idos de 1959. Em seguida, conheceu o jovem compositor e produtor Leon Huff, que o indicou ao selo local Cameo Parkway. Depois de alguns singles pouco ouvidos e vendidos, Bunny Sigler sentiu o primeiro gostinho do sucesso ao gravar o pot-pourry Let The Good Times Roll/Feel So Good, que em 1967 atingiu o 22º lugar na parada pop. Com a decadência da Cameo Parkway, ficou disponível no mercado.

Aí, surgiu o momento decisivo em sua carreira. O velho amigo Leon Huff estava iniciando uma parceria com o músico, compositor e produtor Kenny Gamble, dobradinha que iria criar em 1971 o selo Philadelphia International Records (PIR), que não só consagrou artistas como The O’Jays, Billy Paul e Harold Melvin & The Blue Notes (incluindo Teddy Pendergrass) como ajudou a criar o Philly Sound, uma vertente sofisticada da soul music que desembocaria na disco music.

Lá, Sigler seria utilizado como compositor e vocalista de apoio. Hits do trio vocal The O’Jays como Sunshine, You Got Hooks On Me e When The World Is At Peace são de sua autoria, assim como I Could Dance All Night, sucesso com Archie Bell & The Drells. E sua voz está no refrão de hits como If You Don’t Know Me By Now, de Harold Melvin & The Blue Notes.

Já com bastante moral na PIR, ele resolveu gravar, depois de muitos anos, um álbum solo, That’s How Long I’ll Be Loving You (1974, saiba mais sobre o disco aqui). Ele se apresentou no badalado programa de TV Soul Train cantando duas músicas deste LP, a faixa título e também Things Are Gonna Get Better.

Curiosamente, uma faixa deste mesmo álbum que não teve grande repercussão nos EUA estourou por aqui, em 1975. Trata-se exatamente de Picture Us, incluída na trilha sonora da novela global O Grito, ao lado de outros hits daquela época como Fly Robin Fly (Silver Convention), Island Girl (Elton John) e True Love (Steve McLean.

Lá pelos idos de 1973/74, ele conheceu uma banda oriunda de New Jersey cujo nome era Instant Funk. Logo, tornou-se o produtor dos rapazes, que se mudaram para a Filadélfia em 1976. Quando resolveu sair da PIR, Sigler levou essa banda com ele.

Na nova gravadora, a Gold Mind Records (que pouco depois seria incorporada pela Salsoul Records, de Nova York), ele lançou seu grande hit disco em 1978, Let Me Party With You (Party, Party, Party), bem legal e cantada em falsete, mas com alguma semelhança com Got To Give It Up, de Marvin Gaye. E gravou com a cantora Barbara Mason em 1977 o álbum Locked In This Position.

Em 1978, produziu o maior hit do Instant Funk, a demencial I Got My Mind Made Up (You Cant Get It Girl), que chegou ao número 20 na parada pop americana e depois seria sampleada e entraria em diversas trilhas de filme, incluindo o ótimo Studio 54 (1998). Bodyshine, Witch Doctor e Slap Slap Lickedy Lap são outras maravilhas funk-disco produzidas por Sigler para a banda, que chegou a acompanhar ele e outros astros funk-soul em shows e discos.

Only You foi um dueto que gravou com a cantora Loleatta Holloway. E já que o assunto é cantoras, sua parceria com a consagrada Patty Labelle rendeu belos frutos. Entre eles, a gravação por parte dela, em 1983, de Love, Need And Want You, parceria de Sigler com Kenny Gamble que não só fez sucesso nessa versão como seria sampleada por vários artistas posteriormente. Entre eles, Nelly, que usou o refrão dela na sua Dilemma, estouro em 2002 em dueto desse artista com Kelly Rowland.

Se não apareceu tanto na mídia a partir dos anos 1990, Bunny Sigler se manteve fazendo shows, gravando e até mesmo mantendo um canal próprio do Youtube (confira aqui). Nele, foi lançado há pouco Angel Eyes, seu novo single, parte do seu próximo álbum, Young At Heart, previsto para sair em breve. Ah, ele gravou gospel também. E aí, continua achando que esse cara só fez Picture Us?

Picture Us– Bunny Sigler:

I Got My Mind Made Up (You Can Get It Girl)– Instant Funk:

Curta-metragem com entrevista do artista e cenas de sua carreira:

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