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Autobiografia mostra a louca vida do genial Nile Rodgers

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Por Fabian Chacur

Após ler as quase 300 páginas de Le Freak, autobiografia de Nile Rodgers, que saiu no exterior em 2011 e só agora chega ao mercado brasileiro em versão em português, a impressão que fica é de que esse genial guitarrista, compositor e produtor americano é protagonista de um verdadeiro milagre.

Afinal de contas, como um garoto, fruto de um relacionamento entre uma mãe totalmente destrambelhada e viciada com um pai ainda mais drogado e ausente, que cresceu entre as ruas, lares de avós, tias e eventualmente da mãe biológica e que esteve sempre cercado de viciados, traficantes, ladrões, assassinos e quetais conseguiu não só sobreviver como se tornar um dos grandes nomes da história da música pop? Como? Só por milagre de Deus mesmo…

A autobiografia do coautor de Le Freak, Good Times, Everybody Dance e tantos outros clássicos da música pop possui um tom bem franco e bem-humorado, no qual em nenhum momento ele procura julgar as pessoas que o criaram da pior forma possível. Felizmente, ele soube achar um caminho próprio, a música, e se deu bem nele.

A vida pessoal e seus dramas tem prioridade no livro. Lógico que temos relatos do trabalho de Nile com o grupo que o tornou famoso, o Chic, sua incrível parceria com o genial baixista e compositor Bernard Edwards, os discos que produziu para Diana Ross, Madonna e David Bowie e participações em shows e outros eventos. Mas o lado escuro prevalece.

Noitadas de bebidas, drogas e mulheres, as amizades nem sempre muito saudáveis, a proximidade da morte, as eventuais internações, está tudo lá. Para quem gostaria de ler mais sobre o Nile Rodgers músico e produtor, recomendo outro livro que serve como complemento indispensável para Le Freak, o ótimo Everybody Dance- Chic And The Politics Of Disco (2004- Helter Skelter Publishing), de Daryl Easlea, que conta com a colaboração de Rodgers e mergulha fundo nessa área da atuação do músico. Pena que não tenha ainda uma edição em português.

Mesmo assim, Le Freak é obrigatório para quem quer descobrir um pouco mais sobre o cara por trás dessa guitarra irresistível e influente, e suas incríveis composições e produções. Pena que o enredo se encerre no momento em que Rodgers descobre ser portador de um tipo agressivo de câncer, em 2011, deixando um ponto de interrogação no ar.

Para felicidade geral de todos os seus milhões de fãs, ele está vencendo essa batalha, e conseguiu nesses quatro anos voltar às paradas de sucesso com suas participações nos hits Move Yourself To Dance e Get Lucky, do Daft Punk, e gravar um novo álbum do Chic, no qual aproveita gravações inéditas de arquivo e novos takes. Ele também continua fazendo shows. Que possa ir bem além dos 63 anos que viveu até agora!

E fica uma frase do astro, que mostra bem sua perspicácia: “Não é bom viver no passado, mas é um bom lugar para se visitar, e se você for lá, eu estarei lá”. O mote do novo álbum do Chic é tempo, e Rodgers tem vivido cada dia como se fosse ser o seu último, porque um dia, será o último mesmo, como ele diz em seu livro. Repito: que demore bastante!

I’ll Be There – Chic:

I’ll Be There– pequeno making of do CD:

My Forbidden Lover– Chic:

Everybody Dance– Chic:

The Land Of The Good Groove– Nile Rodgers:

Yum Yum– Nile Rodgers:

Tony Iommi conta seus causos em uma autobiografia bacana

tony iommi livro capa-400x

Por Fabian Chacur

Para quem pensa que o Black Sabbath em sua formação original tinha só um doidão, no caso o impagável Ozzy Osbourne, recomendo a imediata leitura de Iron Man- Minha Jornada Com o Black Sabbath (Iron Man- My Journey Through Heaven And Hell With Black Sabbath-Editora Planeta), deliciosa autobiografia na qual Tony Iommi, o guitarrista da banda, conta seus impagáveis causos durante uma carreira iniciada nos anos 1960 e na ativa até hoje.

O livro tem início no episódio que poderia ter dado cabo de suas ambições no mundo da música. Aos 17 anos, em 1965, quando já dava os primeiros passos como guitarrista de rock, Iommi sofreu um acidente no seu último dia trabalhando em uma fábrica em sua cidade natal, Birmingham. Resultado: a perda das extremidades dos dois dedos do meio de sua mão direita.

Se isso já seria terrível para um músico destro, para o canhoto Iommi aquilo se mostrou praticamente a sentença de morte para ele em termos profissionais. O cara, no entanto, mostrou fibra e superou inúmeros desafios, criando no processo um estilo próprio e inimitável de tocar que ajudou a gerar alguns dos mais poderosos riffs da história do rock.

Com a ajuda de T.J. Lammers, que se incumbiu de colocar no papel os depoimentos, o guitarrista nos conta de forma detalhada como ocorreu todo esse doloroso processo. Sem choradeira e de forma bem-humorada. A história da banda que o tornou famoso mundialmente também surge de um jeito descontraído e esclarecedor.

Ozzy, por exemplo, surgiu na vida de Iommi ainda na escola, quando tiveram pouco contato, pois o cantor era um pouco mais novo do que ele. Anos depois, quando estava atrás de um vocalista para o que viria a ser o Black Sabbath, o guitarrista tomou um susto ao ver que o cara que respondeu o anúncio que havia colocado era aquele colega pateta.

Durante o decorrer das 400 páginas do livro (que você devora com avidez), o coautor de clássicos como Sabbath Bloody Sabbath, Iron Man, Paranoid, Heaven And Hell e Tomorrow’s Dream, entre inúmeros outros, nos conta como foram gravados seus álbuns, bastidores das turnês do grupo, o entra e sai de músicos e tudo o mais.

Sabemos, por exemplo, como foi a curta passagem de Tony pelo Jethro Tull, com direito a participação no mitológico filme Rock And Roll Circus, dos Rolling Stones, as brincadeiras que os músicos do grupo faziam entre si, incluindo botar fogo (literalmente!) no baterista Bill Ward, o consumo de drogas e mesmo as relações afetivas do músico britânico.

Entre outras curiosidades, ficamos sabendo que um dos vocalistas testados para substituir Ozzy Osbourne em sua saída do Black Sabbath em 1980 foi ninguém menos do que Michael Bolton, que, depois, tornou-se astro do soul pop. Ele, na época, cantou em uma banda de hard rock ao lado do guitarrista Bruce Kulick, que depois integraria o Kiss.

A entrada no Sabbath de Ronnie James Dio tem bom espaço no livro, incluindo as brigas entre ele e Iommi, o retorno dessa formação nos anos 1990 e uma nova encarnação dessa escalação, já como Heaven & Hell (nome do disco mais famoso dessa era) nos anos 2000. Fica claro que Dio e Ozzy se odiavam de forma intensa.

A narrativa vai até 2010, meses antes do lançamento do livro no exterior (saiu por aqui em 2013). Não relata, portanto, as gravações do disco do retorno aos estúdios da formação original do Black Sabbath (13) e os recentes problemas de saúde de Iommi, que aparentemente estão sendo controlados. Um livro muito bom de se ler para quem quer saber mais sobre um dos inventores do heavy metal.

Sabbath Bloody Sabbath– Black Sabbath:

Tomorrow’s Dream– Black Sabbath:

Heaven And Hell– Black Sabbath:

Os campeões de vendas de discos no Brasil

Por Fabian Chacur

A Associação Brasileira dos Produtores de Discos (ABPD) divulgou a lista com os CDs e DVDs mais vendidos no Brasil durante o ano de 2011. O principal destaque ficou por conta do desempenho de Paula Fernandes (FOTO).

A cantora e compositora mineira emplacou o DVD mais vendido, Paula Fernandes Ao Vivo, e os CDs Paula Fernandes Ao Vivo e Pássaro de Fogo respectivamente no segundo e terceiro postos, entre os compact disc de maior vendagem.

Paulinha acabou sendo a nossa Adele. E já que a estrela britânica entrou no assunto, vale lembrar que ela também se deu bem no mercado discográfico brasileiro.

21, seu segundo álbum, atingiu o oitavo lugar entre os mais vendidos no Brasil em 2011, enquanto seu DVD Live At The Royal Albert Hall ficou atrás apenas de Paula Fernandes entre os 10 mais.

O campeão entre os CDs foi Ágape Musical, do Padre Marcelo Rossi, título que continua vendendo muito, assim como o livro homônimo.

Veja as duas listas com os 10 mais vendidos no Brasil em 2011:

Os 10 CDs mais vendidos:

01 – Padre Marcelo Rossi – Ágape Musical
02 – Paula Fernandes Paula Fernandes Ao Vivo
03 – Paula Fernandes Pássaro de Fogo
04 – Luan Santana – Ao Vivo no Rio
05 – Padre Robson – Nos Braços Do Pai
06 – Padre Fábio de Melo – No Meu Interior Tem Deus (Ao Vivo)
07 – Padre Reginaldo Manzotti – Milhões de Vozes Ao Vivo
08 – Adele – 21
09 – Damares – Diamante (Gospel)
10 – Caetano Veloso e Maria Gadú – Multishow Ao Vivo

Os 10 DVDs mais vendidos:

01 – Paula Fernandes – Paula Fernandes Ao Vivo
02 – Adele – Live At The Royal Albert Hall (DVD/CD)
03 – Luan Santana – Ao Vivo no Rio
04 – Patati Patatá – Patati Patatá – Coleção (4 DVDs)
05 – Balão Mágico – A Turma do Balão Mágico
06 – Xuxa – Xuxa – Volume 1 ao 8
07 – Padre Reginaldo Manzotti – Milhões de Vozes ao Vivo
08 – Várias Intérpretes – Elas Cantam Roberto Carlos
09 – Xuxa – XSPB 11
10 – U2 – U2 360° At The Rosebowl

E esse tal de 2011, heim? Se mandou de cena!

Por Fabian Chacur

Desde as mortes de meus pais e de meu irmão, ocorridas em um prazo de menos de três anos nos já distantes anos 90, passei a não lidar muito bem com essas épocas de Natal e Ano Novo. É um período de muitas recordações e, especialmente, de saudade, muita saudade.

E é exatamente nessa época que a gente costuma fazer as tradicionais retrospectivas do ano que passou. No caso específico, o do glorioso 2011.

Foram 12 meses durante os quais perdemos vários artistas importantes. Uma delas, Amy Winehouse, com apenas 27 anos e muito ainda a nos oferecer. Não era para ser. Uma pena.

Muitos shows, festivais, artistas que já vieram zilhões de vezes ao Brasil e que voltaram e que provavelmente voltarão em 2012. Mas, entre eles, tivemos a honra de, pela primeira vez, desfrutar ao vivo e a cores do energético swamp rock de John Fogerty. Valeu o ano!

Adele se firmou como grande nome desse início de década graças a seu segundo álbum, 21, enquanto este que voz tecla chorou lágrimas sentidas com o fim de uma de suas bandas do coração, o R.E.M., que tive a chance de ver ao vivo (que show!) em 2008.

De resto, o mercado fonográfico sobreviveu mais um ano, as alternativas para se ouvir música se multiplicam e muita gente nova de talento surge por aí, entre os quais minhas apostas Aline Calixto, Flávio Renegado, Samba de Rainha etc. A música não pode parar, nunca!

Aproveito para desejar a todos os que acompanham Mondo Pop um 2012 repleto de saúde, paz, alegria, realizações e aquela trilha sonora de qualidade que nos impulsiona a seguir adiante.

Veja o clipe de Tears Dry On Their Own, de Amy Winehouse:

Aerosmith volta de novo ao Brasil em outubro

Por Fabian Chacur

Mais uma banda, pelo visto, vai merecer entrar naquela galeria dos “artistas internacionais que não saem do Brasil”.

Trata-se do Aerosmith. O grupo americano voltará aos nossos palcos no dia 30 de outubro.

Eles farão um único show por aqui, na Arena Anhembi (avenida Olavo Fontoura, 1.209 – Santana), com ingressos de R$ 220 a R$ 550, com informações pelo fone 4003-5588 (call center);

A banda fará 10 show na América Latina entre os dias 22 de outubro e 12 de novembro, com passagens por Perú, Chile, Argentina, Panamá, Colômbia, Brasil e México (onde vão rolar três shows).

A venda dos ingressos para o show em São Paulo terão início nos dias 6 e 7 de junho (apenas para integrantes do fã-clube oficial da banda), de 8 a 14 de junho (para portadores de cartões ligados ao patrocinador do evento) e a partir do dia 15 de junho para o público em geral.

Será a quarta visita da banda liderada pelo vocalista Steven Tyler (agora, também jurado do reality show American Idol) e pelo guitarrista Joe Perry ao nosso país.

A primeira ocorreu em 1993, durante o Hollywood Rock Festival, quando não só vi o show em Sampa City como também pude presenciar, em cima do palco, o soundcheck no estádio do Morumbi.

A segunda rolou no mesmo local em 2007, e estive lá de novo, com a abertura a cargo do Velvet Revolver.

Em 2010, os caras voltaram e tocaram aqui em maio, desta vez Fabian Free, como provavelmente será o show de outubro.

O show não marca lançamento de álbum nem nada do gênero, e não é de se estranhar que o local escolhido para o novo show comporte menos da metade do que o Morumbi, com sua capacidade para 50 mil pessoas. Agora, se forem 20 mil, estará de ótimo tamanho.

Bem, se você ainda não os viu, pode valer a pena conferir os caras. Uma bela banda, que viveu seu auge entre os anos 70 e 90, com uma eficiente mistura de hard rock, pop e baladas certeiras. Divertido, sem dúvidas.

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