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André Midani, do Dia D na França ao maravilhoso mundo da música

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Por Fabian Chacur

A vida é mesmo imprevisível. Pode um cara oriundo da longínqua Síria e criado na França ter sido decisivo para a história da música popular brasileira durante inúmeras décadas? Uma trajetória improvável, porém plenamente real. Esse cara, André Midani, teve uma bela missão, e a cumpriu de forma plena e apaixonada. Mas toda história, infelizmente, tem um fim, e ele nos deixou nesta quinta-feira (13) aos 86 anos de idade, vítima de um câncer que o atormentava há alguns meses, segundo informou seu filho, Phillipe.

Nascido na Síria em 25 de setembro de 1932 (mesma data e mês que eu, que honra!), André veio para o Brasil em 1955, e por aqui, firmou-se na indústria fonográfica, ramo no qual ele havia começado a atuar na França. Sempre com os ouvidos abertos e dono de uma sensibilidade musical enorme, além de ousadia ilimitada, atuou em gravadoras como a EMI-Odeon, Phillips e Warner. Foi decisivo no desenvolvimento das carreiras de gente como João Gilberto, Jorge Ben Jor, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Titãs, Lulu Santos e dezenas, senão centenas de outros nomes importantes para a nossa música.

Mesmo com todo esse currículo e todas as suas realizações, Midani sempre se mostrou simpático, acessível e disposto a aprender novas lições. Sua vida incrível foi contada de forma deliciosa no livro Música, Ídolos e Poder- Do Vinil Ao Download (leia a resenha aqui) e na ótima série televisiva André Midani- Do Vinil Ao Download, de 2015 (leia mais aqui).

Não por acaso, executivos do calibre dele começaram a ter menos espaço nas grandes gravadoras transnacionais sediadas no Brasil a partir do final dos anos 1980, quando essas empresas aos poucos entraram em uma decadência cujos frutos podres colhemos atualmente. Para Midani, a música enquanto arte vinha sempre em primeiro lugar. Bom seu legado ter sido devidamente cultuado enquanto ele ainda estava entre nós. Sua passagem se dá em um momento difícil do Brasil, mas que ele fique como exemplo para uma futura volta por cima, em todos os setores, especialmente o da cultura.

Veja entrevista com os diretores da série de TV sobre André Midani:

Alcione interpreta standards da música francesa em show

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Por Fabian Chacur

Alcione se consagrou de tal forma cantando samba e música romântica que muita gente pode até não ter ideia da versatilidade dessa grande artista. Uma boa oportunidade de se conferir tal talento irá ocorrer nos dias 7 e 8 de abril às 21h no Teatro de Câmara da Cidade das Artes (avenida das Américas, 5.300- Barra da Tijuca-RJ- fone 0xx21-4003-1212), quando ela fará shows que integram o projeto Inusitado, criado e com curadoria do consagrado midas da MPB André Midani.

Midani, que das décadas de 1950 a 1990 teve atuação decisiva no comando de gravadoras para o desenvolvimento do melhor da música brasileira feita naquela época, concebeu esse projeto como forma de mostrar lados incomuns de grandes nomes da música. Alcione inicia a terceira temporada do projeto, que já contou com Ney Matogrosso, Erasmo Carlos e Paula Toller.

E qual será o tema do show da Marrom? Um repertório composto exclusivamente por standards da música francesa, interpretadas naquela língua. Algo que Midani relembra ter visto a cantora maranhense fazer ao conferir apresentações dela na noite carioca em 1969, quando de quebra ela ainda tocava (e bem) pistão.

O set list incluirá clássicos dos repertórios de Charles Aznavour, Edith Piaf, Yves Montand e Michel Legrand, com direito a maravilhas sonoras do naipe de Ne Me Quittes Pas, Ton Nom, Non Je Ne Regrette Rien, Je T’Aime e L’Ate 42, entre elas. O acompanhamento, que terá teor intimista e delicado, ficará a cargo de alguns dos integrantes da Banda do Sol, que acompanha Alcione em suas turnês.

Para quem está fora do Rio e não puder ver esses shows, um consolo. O Canal Bis irá gravar os espetáculos, para posterior exibição em sua grade de programação e também lançamento nos formatos CD e DVD. O lançamento está previsto para ocorrer em 2016, em parceria do selo Biscoito Fino com o selo da cantora, o Marrom Music.

Ne Me Quittes Pas (ao vivo)- Alcione:

Série do GNT acerta a mão ao mostrar o mito André Midani

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Por Fabian Chacur

Estreou na noite desta terça-feira (9) na emissora da TV paga GNT a série André Midani- Do Vinil Ao Download. Foi o primeiro de uma programação de cinco episódios que mostram a trajetória deste verdadeiro Forrest Gump da indústria fonográfica brasileira, figura mitológica e fundamental que atuou com força total entre as décadas de 1950 e 1990. Bela estreia.

A atração é baseada na belíssima autobiografia do executivo nascido na Síria em 25 de setembro de 1932 e criado na França, o imperdível Música, Ídolos e Poder- Do Vinil Ao Download(leia a resenha do livro aqui), lançado em 2008. O livro dá uma geral em tudo o que Midani fez em sua vida profissional, envolvido em movimentos musicais como bossa nova, tropicalismo, MPB e o rock brasileiro dos anos 1980. Sempre do lado certo da história.

Simpático e sem estrelismos, o personagem deste documentário quis aparecer como gosta, ou seja, de modo informal, sem frescuras e no melhor espírito bate papo. E este primeiro episódio personificou bem esse espírito, com reuniões feitas na casa de Midani reunindo astros da música que tiveram participação em sua vida profissional e pessoal.

Durante as conversas, momentos importantes são revelados de forma natural. Neste primeiro episódio, por exemplo, o tema é a chegada do executivo ao Brasil e seu envolvimento direto com a bossa nova logo no início do movimento, quando trabalhava na gravadora EMI-Odeon. Entre uma conversa e outra, os músicos mostram canções de seus repertórios, como A Bossa Nova É Foda (Caetano).

Um destaque deste primeiro episódio foi a impressionante memória de Caetano Veloso, sempre com saborosos detalhes de todos os temas colocados em pauta, como canções importantes da bossa nova e mesmo a origem do termo, que segundo ele já era corrente entre o povão da cidade do Rio de Janeiro lá pelos idos de 1956, quando passou um tempo morando lá e conheceu essa gíria pessoalmente.

Como sempre manteve um relacionamento muito próximo aos artistas que comandou em gravadoras como a Phonogram e Warner, André Midani conta com a cumplicidade deles, o que rende muito em termos de depoimentos. E essa afetividade é justa, pois o executivo sempre demonstrou uma enorme paixão pela música, embora soubesse lidar com a parte negócio do seu trabalho.

Os próximos episódios de André Midani Do Vinil Ao Download serão exibidos nas próximas quatro terças-feiras sempre às 23h no GNT. Recomendo com entusiasmo, baseado no que vi neste episódio de estreia, e tomara que esse riquíssimo material seja lançado em DVD ou Blu-ray, pois se trata de um registro histórico envolvendo um mito da nossa indústria fonográfica.

Entrevista da Polivox com André Midani:

A Bossa Nova É Foda– Caetano Veloso:

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