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Humberto Gessinger esbanja personalidade em novo álbum

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Por Fabian Chacur

Participei, em 1986, do que deve ter sido a primeira entrevista coletiva da carreira dos Engenheiros do Hawaii, realizada na denominada “sala de lazer” da gravadora BMG, em São Paulo. O grupo divulgava seu álbum de estreia, Longe Demais das Capitais. Tenho fotos do evento, por sinal. O que mais me chamou a atenção, na época, foi o vocalista e então guitarrista da banda, um certo Humberto Gessinger, citar entre as suas principais influências Pink Floyd e Rush.

Não fazia sentido, se levássemos em conta a sonoridade pop-rock, com elementos de ska, que aquele primeiro trabalho revelava, com os hits Toda Forma de Poder, Sopa de Letrinhas e Longe Demais das Capitais. Estaria ele brincando com os jornalistas, ou mesmo dando a entender de que gostava de uma coisa, mas fazia outra na hora do trabalho? Ficou a dúvida no ar.

Que se encerrou de forma categórica no ano seguinte (1987), com o lançamento de A Revolta dos Dândis, segundo LP do trio que agora trazia Humberto no baixo e vocal, Carlos Maltz ainda na bateria e o jovem veterano Augusto Licks na guitarra, substituindo o baixista Marcelo Pitz. Ali, essas fontes se mostravam de forma cristalina, em uma mistura de rock progressivo, folk e pop-rock ousada e personalizada e temperada por letras inteligentes.

Desde então, muita água passou por debaixo da ponte. Mudaram formatos de se comercializar música, mudaram as gravadoras (muitas acabaram, na verdade), mudaram estilos, mudaram ídolos… Humberto Gessinger, no entanto, manteve-se fiel ao universo musical que escolheu para si, seja como líder dos Engenheiros do Hawaii, integrante do duo Pouca Vogal ou, a partir de 2013, como artista-solo.

Não Vejo a Hora, que a gravadora Deck disponibilizou em CD, LP de vinil, fita cassete e nas plataformas digitais, é o segundo álbum de estúdio completo que Gessinger lança nos últimos seis anos, sucedendo Insular (2013). Nesse meio-tempo, nos ofereceu singles e trabalhos ao vivo bem bacanas, além de shows lotados pelos quatro cantos do país.

Este novo álbum traz onze canções, sendo cinco só dele e seis assinadas com os parceiros Tavares, Felipe Rotta, Nando Peters (duas), Bebeto Alves (um dos monstros sagrados do rock gaúcho) e Duca Leindecker (do grupo Cidadão Quem e parceiro de Humberto no Poca Vogal).

Em oito, atua o power trio integrado por Gessinger (vocal, teclados e baixo), Felipe Rotta (guitarra) e Rafael Bisogno (bateria), e em três, estão em cena Gessinger (viola caipira, violão e voz), Nando Peters (baixo) e Paulinho Goulart (acordeon), com abordagem acústica. Duas formações coesas e certeiras.

Para quem procura novidades escandalosas ou novos rumos sonoros, Não Vejo a Hora pode soar como um “mais do mesmo”, ou “variações sobre um mesmo tema”. E é mesmo, pois o ex-líder dos Engenheiros do Hawaii não abre mão de seus conceitos musicais e poéticos (a tal de “zona de conforto”) neste álbum. E quer saber? Ele está absolutamente certo nessa opção.

Nem sempre mudar de rumo significa algo bom ou positivo em termos artísticos. Aliás, com uma certa frequência, pode gerar frutos nada interessantes, especialmente se a motivação levar em conta objetivos comerciais ou mesmo de tentar agradar a crítica especializada. Convicção e personalidade são elementos muito importantes para quaisquer profissionais, e estão entre os grandes méritos do autor de Infinita Highway.

Atuar dentro de um mesmo universo sonoro não significa, no entanto, necessariamente se repetir de forma tediosa e sem imaginação. Não Vejo a Hora é uma prova disso. Nele, Humberto Gessinger se vale de suas armas habituais com muita inspiração, inteligência e sutileza.

A forma como Gessinger compõe se vale de colagens, bricolagens, citações de outros autores, aproveitamento de elementos poéticos e musicais de obras próprias ou alheias e observações do cotidiano e existenciais. Tem muito parentesco com o estilo de Belchior, que por sinal é citado na deliciosa Estranho Fetiche, prima-irmã de Fetiche Estranho, deste mesmo trabalho.

O cantor, compositor e músico gaúcho demonstra um profundo respeito ao seu público, e isso aparece nas sutilezas que cada faixa nos oferece. Audições repetidas nos levam a observar novos detalhes. Nada parece ser por acaso.

Partiu, por exemplo, que abre o disco, dialoga com Missão, sua faixa de encerramento, nessa perspectiva de seguir em frente, sempre, apesar dos pesares. A vida é assim, e só nos resta encará-la da melhor forma possível.

Um Dia de Cada Vez dá outro toque simples, que é de tentar encarar cada problema no seu tempo, um por vez, sem querer abraçar o mundo com os braços, além de observar que “a cada dia sua agonia, seus prazeres também”.

Bem a Fim, com sua sonoridade acústica, traz como grande sacada os versos “a highway to hell faz a curva e vai pro céu quando a resposta vem do outro lado alguém dizendo que está tudo bem”. Viva as parcerias!

Algum Algoritmo é uma divertida divagação sobre um relacionamento afetivo improvável, que no entanto se firma mesmo assim: “somos muito diferentes, improvável par, algoritmo algum ousaria nos ligar”.

Calma em Estocolmo aborda os turbulentos tempos dos dias atuais, repletos de incertezas que Humberto ressalta bem em versos como “o preço da pressa atropela a tua timeline, atrás do troll elétrico só não cai quem já morreu”.

O clima soturno de vigilância totalitária no melhor estilo 1984, de George Orwell, pontua Olhou Pro Lado, Viu.

As canções acústicas e irmãs Fetiche Estranho e Estranho Fetiche trazem como mote os versos “tudo depende da hora, fruto, semente e flor, mas o sonho de mudar o mundo, ao menos muda o sonhador”. Bem por aí: muitos deixam de sonhar, mas outros tantos pegam o bastão e seguem adiante nessas esperanças utópicas, mas necessárias. E mudam, no fim das contas.

Maioral é a minha favorita do álbum, um belo tapa com luva de pelica na cara de quem se acha o máximo, o dono da cocada preta, ou, enfim, o maioral, com versos sensacionais como “um dinossauro e uma ficha telefônica tem o mesmo tamanho pois agora tanto faz, não faz sentido pensar que é o maioral”.

Outro Nada é mais um biscoito fino sonoro escrito por Humberto em parceria com o genial Bebeto Alves, e outro petardo, prova de que não estranharei se em um futuro próximo os dois gravarem um disco juntos. Missão, da dobradinha Gessinger-Leindecker, fecha a tampa arredondando o conceito inicial.

Em termos sonoros, temos canções melódicas, simples e muito bem concatenadas, interpretadas por um cara que está cantando melhor do que nunca, a caminho de completar 56 anos no dia 24 de dezembro. Sabe valorizar cada palavra e o timbre agradável de sua voz, jogando sempre a favor de cada faixa. Craque, é assim que se define alguém assim?

Não Vejo a Hora é uma profissão de fé no formato álbum, pois suas canções podem perfeitamente ser curtidas individualmente, mas fazem muito mais sentido se ouvidas na sequência que nos é oferecida aqui. Um trabalho sólido de um artista que merece ser levado a sério.

Ouça Não Vejo a Hora em streaming:

Humberto Gessinger lança álbum de canções inéditas em outubro

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Por Fabian Chacur

No dia 11 de outubro, a gravadora Deck lançará, nos formatos CD, vinil, fita-cassete e digital, o álbum Não Vejo a Hora. Trata-se do primeiro trabalho de inéditas do ex-líder dos Engenheiros do Hawaii, o cantor, compositor e músico gaúcho Humberto Gessinger desde Insular (2013). Nesse meio-tempo, ele fez shows para divulgar aquele lançamento e também investiu em reler ao vivo o álbum mais famoso de sua ex-banda, A Revolta dos Dândis (1987).

Não Vejo a Hora conta com 11 faixas, compostas por Gessinger em parceria com Bebeto Alves, Duca Leindecker, Felipe Rotta, Nando Peters e Esteban Tavares, sendo que todas as letras são de sua autoria. A capa e contracapa traz desenhos do artista gaúcho Felipe Constant.

As gravações se dividem entre duas formações. Oito canções foram registradas com pegada power-elétrica, e trazem HG (vocal e baixo de seis cordas), Felipe Rotta (guitarra) e Rafa Bisogna (bateria). As três restantes tem HG (voz e viola caipira), Nando Peters (baixo acústico) e Paulinho Goulart (acordeon).

Em declaração incluída no press-release que anuncia o novo lançamento, Humberto explica a abordagem que escolheu para as novas canções: “Desde o início, saquei que o material pedia uma produção ágil, rápida, pra que a força das composições não se perdesse em firulas no estúdio… foi o que a gente fez. É um disco mais linear, mais focado na simplicidade dos trios”.

Infinita /Até o Fim (ao vivo)-Humberto Gessinger:

Humberto Gessinger e single nos formatos vinil e digital

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Por Fabian Chacur

O formato single, que durante muito tempo ficou em segundo plano aqui no Brasil, voltou com força total nos últimos tempos. Quem está investindo neste produto é Humberto Gessinger. O ex-líder dos Engenheiros do Hawaii acaba de lançar Desde Aquela Noite (capa acima), que está disponível em vinil pela Polysom e em formato digital pela gravadora Deck.

Desde Aquela Noite traz três parcerias de Humberto com outros artistas que ainda não haviam sido gravadas por ele próprio. São elas Alexandria, escrita com o badalado Tiago Iorc e incluída em seu CD Troco Likes (2015), O Que Você Faz à Noite, feita com Dé Palmeira e registrada pelo Barão Vermelho em seu álbum Carnaval (1988) e Olhos Abertos, escrita com o Capital Inicial e título do seu CD de 1989.

O compacto chega ao mercado no mesmo momento em que o cantor, compositor e músico gaúcho que há quatro anos resolveu investir em uma carreira solo inicia uma nova turnê. Nela, cantará as músicas do single e também o repertório completo de A Revolta dos Dândis (1987), um dos melhores discos de sua ex-banda (leia mais aqui).

Ouça o single Desde Aquela Noite em streaming:

Humberto Gessinger tocará o Revolta dos Dândis em turnê

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Por Fabian Chacur

Em seu blog oficial, Humberto Gessinger divulgou detalhes de como será a sua turnê 2017. Com o título Desde Aquele Dia, a série de shows terá início no dia 17 de março no Vivo Rio, no Rio de Janeiro. A boa surpresa fica por conta de que a parte inicial dos shows será dedicada à execução na íntegra de A Revolta dos Dândis, álbum dos Engenheiros do Hawaii que completa 30 anos de lançamento. Humberto (vocal e baixo) terá consigo Rafael Bisogno (bateria) e Nando Peters (guitarra).

O cantor, compositor e músico gaúcho promete aos fãs que o material de A Revolta… não seguirá exatamente os arranjos originalmente gravados em 1987, nos estúdios da gravadora BMG em São Paulo. Eventuais teclados devem aparecer aqui e ali. Considerado por alguns o melhor álbum dos Engenheiros, o disco traz maravilhas do naipe de Infinita Highway, Revolta dos Dândis I e II, Refrão de Bolero, Terra de Gigantes e Filmes de Guerra Canções de Amor.

O repertório dos shows também trará canções de outras eras da carreira de Gessinger, e também as faixas de seu novo single, Desde Aquela Noite, que será lançado nos formatos digitais e físico (em vinil). O trabalho reúne três faixas compostas pelo artista gaúcho em parcerias com outros artistas e que ainda não haviam sido gravadas por ele.

O Que Você Faz à Noite, por exemplo, foi escrita com o baixista Dé Palmeira e gravada em 1988 pelo Barão Vermelho no álbum Carnaval. Olhos Abertos, uma parceria dele com os integrantes de então do Capital Inicial, saiu no disco Todos os Lados (1989), da banda oriunda de Brasília. Completa o repertório Alexandria, escrita em dupla com Tiago Iorc e registrada no álbum Troco Likes, do badalado nome do folk-pop-MPB-rock brasileiro atual.

Vale lembrar que A Revolta dos Dândis foi tocada ao vivo na íntegra pela primeira vez em 2013, no estúdio da Mix FM, em São Paulo, como parte do excelente projeto Álbuns Clássicos, no qual bandas importantes do rock brasileiro como RPM, Paralamas do Sucesso, Capital Inicial, Ultraje a Rigor e Skank tocavam de cabo a rabo as canções de trabalhos marcantes em suas trajetórias.

A Revolta dos Dândis– Engenheiros do Hawaii (ouça em streaming):

Humberto Gessinger retorna com o seu novo single digital

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Por Fabian Chacur

A carreira solo de Humberto Gessinger, iniciada com o álbum InSULar(2013) e prosseguida com o DVD InSULar Ao Vivo (2014) acaba de produzir um novo fruto. Trata-se de um single digital que traz as músicas Pra Ficar Legal (parceria de Gessinger com Paulo Galvão) e Faz Parte (assinada apenas pelo roqueiro gaúcho). O lançamento ficou a cargo do selo Deck.

As músicas foram gravadas no estúdio Soma, com produção a cargo do próprio cantor, compositor e músico gaúcho. Ele as define de forma bem direta. “Essas duas canções dão o tom exato do momento que vivo na estrada, acompanhado por uma galera bacana. Com muitos quilômetros rodados e a nítida impressão de que o melhor ainda está por vir”.

O eterno líder dos Engenheiros no Hawaii se incumbiu de vocal, baixo, teclados, harmônica, guitarra e voz, ladeado por Rafael Bisogno (bateria) e Nando Peters (guitarra). Pra Ficar Legal tem uma pegada pop rock deliciosa que surpreende ao fugir um pouco do padrão sonoro do artista, enquanto Faz Parte desenvolve de forma competente seu bom estilo habitual que tantos fãs conquistou nas últimas décadas.

Pra Ficar Legal– Humberto Gessinger:

Faz Parte– Humberto Gessinger:

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