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Tag: música caipira

Maria Alcina mostra sua marca musical em dois lançamentos

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Por Fabian Chacur

Maria Alcina tornou-se conhecida do grande público em 1972, ao interpretar de forma única e energética a música Fio Maravilha (de Jorge Ben Jor) no Festival Internacional da Canção. O Maracanãzinho ficou pequeno para aquele verdadeiro tsunami interpretativo. Desde então, a artista viveu altos e baixos em sua carreira. Ao completar 70 anos, ela se vê em um momento efervescente, como provam dois lançamentos de CDs promovidos pela Kuarup. São eles os elogiáveis Maria Alcina In Concert e Canta Inezita.

Esta cantora nascida em Cataguases (MG) impressionou desde o começo por uma voz de timbre grave e potente. Vivíamos a descoberta do glam rock, e um período no qual termos como unissex e andrógino passaram a integrar o dia-a-dia de todos. Com sua incrível capacidade expressiva e presença de palco, Alcina enveredou por alguns rumos interessantes, em termos musicais.

Além da musicalidade de Jorge Ben Jor, ela mergulhou de cabeça no resgate de clássicos antigos da música brasileira, como Alô Alô e Chica Chica Boom Chic, como se fosse uma Carmen Miranda dos novos tempos. Também levou às paradas de sucesso a endiabrada Kid Cavaquinho, de João Bosco e Aldyr Blanc.

Um lado irreverente e debochado surgiu especialmente durante os anos 1980, com canções de duplo sentido como Prenda o Tadeu e Bacurinha. Por ser uma figura difícil de ser rotulada, ela ficou durante uns bons períodos distante dos holofotes da mídia, aparecendo apenas eventualmente em programas popularescos de TV e sem ter o seu talento musical como tema.

Na década passada, foi resgatada no cenário independente e mostrou um lado pop dançante ao lado do grupo Bojo. Agora, chega a vez de dar uma geral em sua carreira, e o álbum Maria Alcina In Concert não poderia ser mais adequado. Especialmente pelo fato de unir a artista à orquestra Pops Symphonic Band, comandada pelo maestro Ederlei Lirussi e cujo objetivo é ultrapassar as barreiras entre a música erudita e a popular. A combinação não podia ter dado mais certo.

Gravado ao vivo em São Paulo no dia 25 de janeiro deste ano, o trabalho equivale a uma viagem pelo universo musical de Maria Alcina, com canções bastante representativas de sua capacidade interpretativa, como A Voz da Noite, Eu Sou Alcina (de Zeca Baleiro), Kid Cavaquinho, Tome Polca, Alô Alô, Bacurinha e o final apoteótico com dois petardos do Ben Jor, Camisa 10 da Gávea e Fio Maravilha.

Canta Inezita é uma bela homenagem à saudosa cantora, compositora, atriz, violonista, apresentadora de TV, professora e folclorista Inezita Barroso (1925-2015), uma das figuras mais importantes da história da cultura popular brasileira. Alcina, cujo timbre vocal é muito semelhante ao da homenageada, participa do álbum ao lado de Consuelo de Paula, Claudio Lacerda e As Galvão, em show gravado ao vivo em Santo André em agosto de 2018.

O repertório traz 15 músicas do universo musical de Inezita, como as icônicas Marvada Pinga, Lampião de Gás, Cuitelinho, Ronda (clássico de Paulo Vanzolini cuja primeira gravação foi da apresentadora do extinto programa televisivo Viola Minha Viola) e De Papo Pro Ar. Com ótimos músicos dirigidos por Paulo Serau, o destaque fica com a atuação impecável das Galvão, marcos da música rural brasileira. Alcina brilha, especialmente na impagável Marvada Pinga.

Esses dois belos projetos tem outra pessoa em comum, o produtor Thiago Marques Luiz (leia entrevista com ele aqui), que com sua sensibilidade e competência ajuda a resgatar grandes nomes da nossa música, vários deles esquecidos injustamente. Seu trabalho, só para variar, se mostra impecável.

Só faço uma única ressalva aos dois CDs, que possuem capas e encartes belíssimos, em embalagens digipack: a ausência de textos informativos sobre Alcina e Inezita, algo que o próprio Thiago poderia ter feito com grande propriedade. De resto, só elogios. Dois álbuns que merecem lugar nobre nas coleções dos fãs do melhor da nossa música popular.

Ouça Canta Inezita na íntegra:

Renato Teixeira cativa em CD com direito a uma orquestra

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Por Fabian Chacur

Em seus quase 50 anos de carreira como cantor, compositor e músico, Renato Teixeira ajudou a aproximar a música rural do público urbano com um trabalho consistente, inspirado e profissional. Ele agora atinge o auge do refinamento ao lançar Terra de Sonhos, CD lançado pela gravadora Kuarup e também disponível nas plataformas digitais no qual é acompanhado pela Orquestra do Estado de Mato Grosso.

Gravado no estúdio Inca (MT), o álbum surgiu a partir de uma turnê realizada pelo autor de Romaria com a orquestra regida pelo maestro Leandro Carvalho que passou por oito cidades mato-grossenses em um período de duas semanas. Teixeira é acompanhado por um total de 23 músicos, entre os quais os violonistas Chico Teixeira e Natan Marques, este último conhecido por tocar com Elis Regina e Simone, entre outros.

O repertório de 14 músicas mescla sucessos eternos do repertório do artista nascido em 20 de maio de 1945 em Santos (SP) como Amora, Terra de Sonhos e Tocando em Frente, a inédita Passatempo e clássicos da música rural brasileira do porte de Chalana, além de algumas belas homenagens a Mato Grosso, como Mato Grosso Rico, de Paraíso e Tinoco, e Ciriema (Siriema do Mato Grosso), de Mário Zan e Nhô Pai.

Os arranjos, assinados por Ruriá Duprat, André Mehmari, Paulo Aragão, Vitor Santos, Tiago Costa e Ítalo Peron, valorizam de forma perfeita as belas melodias e versos de cada canção, gerando assim um belo diálogo entre o espírito erudito sempre presente em gravações com instrumentos orquestrais e a ruralidade que marca o DNA das composições de Renato Teixeira. A cereja do bolo é o vocal doce, afinadíssimo e repleto de sensibilidade desse grande artista.

Terra de Sonhos equivale a uma luxuosa viagem pelo universo musical de Renato Teixeira, que há 50 anos nos oferece um trabalho no qual sensibilidade criatividade e consistência são marcas registradas. Indo de momentos mais líricos a outros convidando à dança, o set list do álbum envolve o ouvinte com muita felicidade. Aos 72 anos de idade, esse consagrado artista transpira vitalidade e muita disposição de encarar novos desafios, o que é uma coisa maravilhosa.

Renato Teixeira e Orquestra de Mato Grosso ao Vivo:

Almir Sater mostra seus hits e solos no Rio e em São Paulo

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Por Fabian Chacur

Quando a viola caipira é o tema, um nome que sempre vem à tona é o de Almir Sater. O cantor e compositor é considerado não só um dos grandes mestres desse instrumento musical, mas também um dos responsável pela sua popularização nos grandes centros urbanos. Ele mostra seus sucessos e seus solos incríveis em show nesta quinta (24) às 21h no Rio no Teatro Bradesco Rio (avenida das Américas, nº 3.900- loja 160- Shopping VillageMall- Barra da Tijuca- fone 0xx21-3431-0100),com ingressos de R$ 60,00 a R$ 200,00) e nesta sexta (25) e sábado (26) às 21h em São Paulo no Teatro Bradesco (Rua Palestra Itália, nº 500- 3º piso- Bourbon Shopping São Paulo- fone 4003-1212), com ingressos de R$ 45,00 a R$ 180,00.

E pensar que este artista natural de Campo Grande (MS) quase virou advogado… Ele estudou com este intuito no Rio durante quase três anos, mas acabou percebendo que a música era o melhor caminho para si. E em 1981, lançou o seu primeiro álbum, Estradeiro. Aos poucos, foi cativando o público urbano com sua mistura de música de raiz com MPB e até um pouquinho de country music na mistura.

Em 1988, participou do Free Jazz Festival. No ano seguinte, gravou em Nashville, a capital mundial da música country, seu álbum Rasta Bonito (1989). Sua atuação nas novelas Pantanal (1990) e A História de Ana Raio e Zé Trovão (1991) ajudou a impulsionar ainda mais sua popularidade, que atingiu um ponto bem alto com o lançamento do álbum Almir Sater ao Vivo (1992) pela Sony Music.

Além de seus discos solo, ele marcou presença em trabalhos de artistas como Sergio Reis, Roberto Carlos, Daniel e Chitãozinho & Xororó, além de ter uma música gravada pela estrela da MPB Maria Bethânia. Ele participou do DVD Emoções Sertanejas, do Rei, e gravou em 2015 o álbum AR em parceria com o velho amigo e parceiro Renato Teixeira.

O repertório dos shows de Almir Sater no Rio e em São Paulo trará em seu repertório músicas como Chalana, Um Violeiro Toca, Tocando Em Frente e outros sucessos desse mesmo naipe. Além do próprio artista, que se incumbirá dos vocais e da viola caipira, teremos a seu lado uma banda composta por Rodrigo Sater (violão), Guilherme Cruz (violão), Marcelus Anderson (acordeon) e Reginaldo Feliciano (baixo).

Um Violeiro Toca (ao vivo)- Almir Sater:

Matuto Moderno apresenta a sua fusão em show em Osasco

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Por Fabian Chacur

Se há algo que o músico brasileiro sabe fazer com maestria é misturar ritmos diferentes e encontrar belas soluções sonoras. Se encaixa feito luva nesse caso o grupo Matuto Moderno, que há 18 anos investe em uma fusão de várias tendências da música rural brazuca com o rock universal. Eles se apresentam nesta sexta-feira (7) às 20h no Sesc Osasco-Tenda (avenida Sport Club Corinthians Paulista, nº 1.700- Jardim das Flores- Osasco- fone 0xx11-3184-0900), com ingressos custando de R$ 6,00 a R$ 20,00.

Integrado atualmente por Ricardo Vignini (viola capira), Zé Helder (viola caipira e voz), Edson Fontes (voz e catira), André Rass (percussão) e Marcelo Berzotti (baixo e voz), o Matuto Moderno apresenta a sua releitura de ritmos marcantes da cultura rural brasileira como a catira, o pagode caipira e o rastapé com fortes elementos de rock no tempero, criando assim uma sonoridade que contém bastante modernidade, sem no entanto fugir demais das raízes desses estilos.

Com cinco CDs no currículo, sendo o mais recente Matuto Moderno 5 (2013), o grupo paulista já fez inúmeros shows, incluindo a Virada Cultural 2015 e até mesmo um no Canadian Music Week, além de parcerias com músicos como Andreas Kisser, do Sepultura e muito mais. Ricardo Vignini e Zé Helder também possuem o projeto Moda de Rock, com clássicos do rock transpostos para viola caipira, enquanto Edson Fontes integra o grupo Os Favoritos da Catira.

Viola Cósmica– Matuto Moderno:

Almir Sater mostra o seu som único no Rio e em São Paulo

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Por Fabian Chacur

A viola caipira é um instrumento musical mágico, e com presença intensa na cultura brasileira. Sempre que fazemos uma lista com os melhores violeiros, o nome de Almir Sater nunca fica de fora. Este grande músico, também excelente cantor e compositor, toca nesta quarta-feira (30) às 21h no Teatro Bradesco Rio (avenida das Américas, nº 3.900- loja 160 Shopping VillageMall- Barra da Tijuca- fone 0xx21-3431-0100), com ingressos de R$ 50,00 a R$ 180,00.

Na estrada desde os anos 1980, Almir Sater nasceu no dia 14 de novembro de 1956 em Campo Grande (MS). Chegou a cursar direito no Rio, mas a música acabou falando mais alto. Graças a canções como Tocando em Frente e Um Violeiro Toca, tornou-se um dos grandes renovadores da musica caipira. Ele gravou em Nashville, a capital mundial da música country, e também participou do Free Jazz Festival, provas de sua versatilidade e talento.

Na atual turnê, que vem passando por várias cidades brasileiras, Almir tem a seu lado Rodrigo Sater (violão), Guilherme Cruz (violão), Marcelus Anderson (acordeon) e Reginaldo Feliciano (baixo). Almir, que também atuou com sucesso em novelas televisivas como O Rei do Gado e Pantanal, tocará em São Paulo no dia 6/12 (terça-feira) às 21h no Teatro Bradesco (rua Palestra Itália, nº 500- 3º piso- Bourbon Shopping- São Paulo- fone 4003-1212), com ingressos de R$ 50,00 a R$ 180,00.

Um Violeiro Toca– Almir Sater:

Show no Sesc Pompeia exibe a influência da viola em SP

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Por Fabian Chacur

A viola é um dos instrumentos mais marcantes da música rural brasileira. No entanto, ela também marca presença na urbana cidade de São Paulo. Como forma de exemplificar e festejar esse fato, será realizado o show Viola Paulistana, com sessões nesta quinta (30) e sexta (1º/7) às 21h no teatro do Sesc Pompeia (rua Clélia, nº 93- fone 0xx11-3871-7700), com ingressos de R$ 9,00 a R$ 30,00. Também será realizado no mesmo local, só que no domingo (3) às 15h, um encontro de luthiers de viola, com entrada gratuita que deve ser retirada uma hora antes.

Os shows trarão ao expectador a oportunidade de ouvir a viola caipira inserida em diversos contextos sonoros, indo desde os ritmos mais tradicionais, como polcas, guarânias, rastapés e modas de viola, até fusões com outros estilos musicais, uma forma de apresentar a versatilidade desse instrumento. Estão no elenco do show Cacique e Pajé, Arnaldo Freitas, Milton Araújo e Trio Tamoyo, com participações especiais de Índio Cachoeira e Marcos Azevedo.

Com mediação a cargo do pesquisador Fábio Nunes da Silva, do núcleo Diversitas, da USP, o encontro de luthiers será uma roda de bate-papos e palestras que ilustrarão a importância dos artesãos para a difusão e consolidação desse instrumento no Brasil . Estão escalados os luthiers Valmir Roza Lima, Raimundo Saraiva e Índio Cachoeira.

Pescador e Catireiro (ao vivo)- Cacique e Pajé:

Corredeira da Caveira (ao vivo)- Trio Tamoyo:

Brincando com a Viola (ao vivo)- Arnaldo Freitas:

Bruna Viola renova o cenário dos violeiros com um novo CD

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Por Fabian Chacur

Para que um gênero ou instrumento musical possam continuar relevantes, é preciso que tenham novos seguidores. Senão, acabam sumindo na poeira dos séculos. E a viola caipira, felizmente, continua por aí, firme e forte, conquistando novos corações. A nova revelação do gênero atende pelo nome de Bruna Viola, uma bela mato-grossense de 22 anos que acaba de estrear na Universal Music com o CD Sem Fronteiras.

A música entrou na vida de Bruna ainda na infância, ouvindo música com o bisavô. Começou a tocar violão aos 9 anos, e aos 11, encarou a viola, instrumento não muito comum entre as mulheres. E não demorou a ganhar um ídolo, Tião Carreiro, que inspirou a tatuagem que fez em seu braço. “O Tião era amigão do meu bisavô, e era completo como compositor músico, violeiro, arranjador e cantor, meu ídolo máximo”.

Outra artista que ela admira muito é a saudosa Inezita Barroso, que também tocava viola como poucos. “Ela foi a primeira violeira. Tive a oportunidade de conhece-la, e participei oito vezes do programa dela na TV, o Viola Minha Viola, sendo que a primeira vez foi quando eu tinha apenas 13 anos de idade”. Helena Meirelles também é citada por ela.

O início da trajetória discográfica ocorreu de forma independente. “Tivemos muita dificuldade para gravar dois CDs, que distribuíamos nos shows. O primeiro resgata as raízes da música caipira e é o melhor, sendo que o segundo é mais romântico”. Aí, graças à repercussão obtida na internet, atraiu as atenções da Universal Music, que conferiu um show dela em Belo Horizonte (MG) e resolveu contratá-la.

Com o apoio da multinacional do disco, Bruna lança Sem Fronteiras e pretende ampliar os seus horizontes em termos de público. “A ideia era mesclar o repertório com clássicos da música de raiz, inéditas de raiz e também inéditas românticas, acho que o nome do CD já diz tudo, não quero me limitar a um único rumo musical”, explica. São 15 faixas sendo que cinco foram relidas de seus trabalhos anteriores.

A faixa Se Você Voltar conta com a participação de Cesar Menotti & Fabiano. As canções Se Você Voltar e Flor Matogrossense também estão sendo divulgadas através de videoclipes. Em shows ela conta com uma equipe de 12 pessoas. “Meu show é bem completo”, afirma ela, que já tocou para 37 mil pessoas em Ji-Paraná e 25 mil em Rondonópolis.

Flor Matogrossense– Bruna Viola:

Se Você Voltar– Bruna Viola e Cesar Menotti & Fabiano:

No Ponteio da Viola– Bruna Viola:

Chico Lobo divulga CD e livro em SP com um pocket show

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Por Fabian Chacur

Chico Lobo vive um momento bem produtivo em sua carreira. O cantor, compositor e violeiro mineiro está lançando um novo CD, Cantigas de Violeiro, e também o livro Conversa de Violeiro, ambos pela Kuarup. Este último tem como parceiro Fábio Sombra. Ambos serão divulgados com um pocket show gratuito em São Paulo nesta quinta (6) na Livraria da Vila (rua Fradique Coutinho, 915- Pinheiros- fone 0xx11-3814-1063).

Quem acompanha o cenário da viola caipira no Brasil conhece e muito o trabalho de Chico Lobo. Mineiro de São João Del Rei, o músico está comemorando 30 anos de carreira com o CD Cantigas de Violeiro, que traz 14 faixas de várias fases de sua trajetória e duas inéditas. Participam do trabalho Tavinho Moura, Xangai, Rolando Boldrin, Célio Balona, Aldo Lobo, Wilson Dias, Pena Branca e Fábio Sombra.

Por sua vez, o livro Conversa de Violeiro traz um subtítulo que dá uma boa ideia da intenção dos autores Lobo e Sombra: “Viola Caipira: tradição, mistérios e crenças de um instrumento com a alma do Brasil”. Trata-se de uma compilação deliciosa de “causos”, informações e detalhes acerca desse instrumento musical que é a cara do Brasil.

O pocket show trará as participações especiais do escritor e pesquisador Fábio Sombra, o parceiro no livro, e do jornalista Assis Ângelo, que escreveu o prefácio do livro e é conhecido por seu profundo conhecimento da música e folclore brasileiros, especialmente da obra de Luiz Gonzaga. O evento terá início às 19h30.

Alma Caípira– Chico Lobo:

Brasil Violeiro– Chico Lobo e Wilson Dias:

Ciranda de Roda– Chico Lobo e Fabio Sombra:

Inezita Barroso foi a Hebe da música rural e fará muita falta

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Por Fabian Chacur

A TV brasileira perdeu muito de sua cordialidade e informalidade com a morte de Hebe Camargo. Agora, fica sem mais uma dose cavalar desses elementos com a lamentável perda de Inezita Barroso, que nos deixou neste domingo (8), ironicamente o Dia Internacional da Mulher. Seu corpo está sendo velado na sala principal da Assembleia Legislativa de São Paulo e será enterrado às 17h desta segunda-feira em São Paulo no cemitério Gethsemani.

Durante os quase 35 anos em que comandou o delicioso programa da TV Cultura Viola Minha Viola, Inezita, que havia completado 90 anos de idade no último dia 4 de março, esbanjou simpatia, carisma e gentileza, tal qual uma Hebe dedicada exclusivamente aos melhores artistas da nossa amada música de raiz. Não tinha sofá, mas o clima era o mesmo.

A diferença básica entre as duas apresentadoras era que, enquanto Hebe era mais desencanada e digna representante do nosso povão, Inezita possuía profunda formação cultural, sendo uma mais do que respeitável e incansável estudiosa do nosso folclore. Ela também dava aulas de violão, instrumento que tocava com categoria, além de cantar muito bem e dar palestras no Brasil todo sobre a cultura sul-americana.

O início de sua carreira fonográfica ocorreu na primeira metade dos anos 1950, e em seu currículo consta a honra de ter sido a primeira a gravar a mitológica Ronda, de Paulo Vanzolini. Moda da Pinga e Lampião de Gás foram alguns dos hits mais significativos registrados em seus mais de 80 discos, alguns deles antológicos.

Não era qualquer zé mané ou maria mané que participava de Viola Minha Viola. Naquele palco, só entravam artistas que honrassem a música regional, viessem de onde viessem. Grandes nomes como Chitãozinho & Xororó tiveram suas primeiras oportunidades de aparecer na TV em seu programa, onde jovens valores e artistas consagrados conviviam pacificamente.

Inezita Barroso representava um tempo em que as pessoas conseguiam se tornar famosas e admiradas não por estratégias de marketing ou participações em reality shows de qualidade duvidosa, mas sim por apresentar uma preparação que a levava a obter sucesso. Vai deixar muita saudade em todos, assim como nossa querida Hebe deixou.

Marvada Pinga– Inezita Barroso-1982-ao vivo:

Ronda– Inezita Barrozo (1953):

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