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Carlinhos Vergueiro celebra Paulo Vanzolini

Por Fabian Chacur

Carlinhos Vergueiro é um verdadeiro gentleman. Dos grandes nomes da MPB que tive a honra de entrevistar nesses anos todos de carreira, é certamente um dos mais educados, gentis e atenciosos. Dono de uma timidez simpática, ele sempre dá boas entrevistas. Mas seu grande mérito é ser um artista de nobre estirpe, e seu novo CD, Carlinhos Vergueiro Interpreta Paulo Poeta Compositor Cientista Boêmio Vanzolini (Biscoito Fino) é outro golaço.

Com 61 anos de idade (irá completar 62 no próximo dia 27 de março), Vergueiro tem um currículo irrepreensível. Venceu o festival Abertura em 1975 com a densa Como Um Ladrão, compôs uma das músicas sobre o futebol mais bacanas de todos os tempos, a fantástica Camisa Molhada (dos versos “fique de olho no apito”), trabalhou com gente do naipe de Chico Buarque, Toquinho e Adoniran Barbosa e construiu uma obra sólida, tendo o samba como norte. Um craque da canção.

De quebra, esse paulistano da gema ainda possui uma voz deliciosa e facilmente identificável, que se mostra adequada às suas composições e também aos clássicos da MPB. Ele já homenageou anteriormente Nelson Cavaquinho e Adoniran Barbosa com CDs só com composições desses mestres, e agora mergulha com rara categoria na obra de outro gênio, o já saudoso Paulo Vanzolini (1924-2013).

É muito legal quando um artista homenageia outro e você sente que se trata de um tributo honesto, sincero e talentoso, fugindo de oportunismos e outros ismos do mal que assolam esse mundo. É o caso desse CD, no qual Carlinhos relê com categoria, delicadeza e muita alma dez canções do fino repertório de Paulo Vanzolini, que era seu amigo e com quem dividiu palco e mesa de bar nesses anos todos.

Com direção musical e arranjos a cargo do experiente e brilhante Ítalo Peron, Carlinhos Vergueiro desliza sua voz em clássicos como Volta Por Cima, Boca da Noite, Maria Que Ninguém Queria, Ronda e Toada de Luiz, entre outras, com direito a sutilezas em termos vocais e instrumentais que só mesmo quem conhece bem essas canções poderia nos proporcionar. Bom de ponta a ponta.

Carlinhos Vergueiro Interpreta Paulo Poeta Compositor Cientista Boêmio Vanzolini merecia ser divulgado nos mais importantes programas de TV e rádio do Brasil e do mundo. Tipo do CD que nasce clássico e que merece ser conferido por você, fã de música popular brasileira de primeira. Onde estiver, certamente Vanzolini está sorrindo feliz ao receber um tributo tão merecido e tão caprichado.

Maria Que Ninguém Queria, com Carlinhos Vergueiro:

Morre Paulo Vanzolini, o autor de Ronda

Por Fabian Chacur

Morreu na noite deste domingo (28) em São Paulo o compositor e zoólogo Paulo Vanzolini. Se na área das ciências ele conseguiu respeito mundial, foi graças a ter escrito canções maravilhosas como Ronda, Volta Por Cima, Praça Clóvis e Mente que esse paulistano se tornou conhecido do grande público. Ele tinha 89 anos, e foi enterrado nesta segunda (29).

Paulo Vanzolini nasceu em São Paulo no dia 25 de abril de 1924, e formou-se em Zoologia, tendo sido durante décadas o comandante do Museu de Zoologia da USP, um dos mais importantes do Brasil e do mundo neste setor. Mesmo depois de se aposentar ele continuou trabalhando no local, e doou, em 2006, sua biblioteca à USP.

Na ocupação que o tornou famoso, ele começou a se tornar conhecido na década de 50. Vanzolini compôs Ronda em 1951, sendo que a primeira gravação ficou a cargo de Inezita Barroso, no lado B de um compacto de 78 rotações. A música com o tempo se firmou como um clássico da MPB, gravada por nomes como Márcia (a melhor leitura), Maria Bethânia e muitos outros, e sendo considerada um verdadeiro hino de São Paulo.

Em 1963, outra de suas composições, Volta Por Cima, conseguiu grande sucesso no Brasil na interpretação do classudo e simpático Noite Ilustrada, tornando-se o maior êxito comercial da carreira desse grande e saudoso cantor. Chico Buarque gravou a sua Praça Clóvis, enquanto Clara Nunes se incumbiu de tornar Mente conhecida.

Mesmo se considerando um desafinado, Paulo Vanzolini fez shows concorridos e gravou discos, entre os quais 11 Sambas e uma Capoeira (1967, o seu favorito) e Paulo Vanzolini Por Ele Mesmo (1979). Ele era o que se poderia chamar de um simpático ranzinza, com suas declarações sempre diretas e sem papas na língua.

Essa personalidade forte aparece com destaque em Um Homem de Moral (2009), documentário de Ricardo Dias que dá uma geral em sua vitoriosa trajetória, com direito a belas declarações e a interpretação de algumas de suas grandes canções. Curiosamente, ele não considerava Ronda uma grande canção, e a ironizou várias vezes. Os fãs da melhor MPB, no entanto, nunca concordaram com Vanzolini nesse quesito…

Ouça Ronda, com Márcia:

Ouça Volta por Cima, com Noite Ilustrada:

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