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Morre Henry Stone, o mentor da KC & The Sunshine Band

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Por Fabian Chacur

Os fãs da disco music e da música em geral estão de luto. No último dia 7 de agosto, morreu aos 93 anos de idade em um hospital em Miami, nos EUA, o produtor e empresário Henry Stone. A informação foi publicada nos jornais da cidade americana e reproduzida pelo site da revista americana Billboard. O currículo dele é dos mais significativos e merece ser relembrado (na foto, ele, à esquerda, com George McCrae em 1974).

Na década de 1940, Henry Stone resolveu entrar no meio musical, e montou no sul do estado da Flórida (EUA) uma distribuidora de discos e também um estúdio de gravações. Foi nesse estúdio, em 1948, que ele gravou pela primeira vez um jovem iniciante no meio musical, ninguém menos do que Ray Charles. Em 1954, Otis Williams And The Charms atingiram o primeiro lugar na parada de rhythm and blues com Heart Of Stone, single lançado por Stone.

James Brown ainda era um iniciante quando gravou no estúdio do produtor a música Please Please Please, que em 1956 se tornou um dos primeiros hits da carreira do gênio da black music com o seu grupo The Famous Flames. Antes da fama, Stone tocava trumpete em uma banda que mesclava músicos brancos e negros, e seu sonho era tornar grupos desse tipo grandes sucessos comerciais.

Depois de muitos anos de batalha, Henry criou em Miami em 1972 em parceria com Steve Alamo a gravadora TK Records. O selo ganhou força a partir do momento em que o empresário contratou dois músicos novatos, Harry Wayne KC Casey e Richard Finch. Eles inicialmente compuseram e produziram o primeiro hit do selo, Rock Your Baby, estouro com George McCrae em 1974.

Logo a seguir, a dupla começou a fazer sucesso com sua própria banda, a KC & The Sunshine Band, uma das formações mais importantes do que se convencionou chamar de disco music. Os caras emplacaram um hit após o outro, entre os quais Boogie Shoes, Shake Shake Shake (Shake Your Booty), That’s The Way ( I Like It) e Do You Wanna Go Party, entre outros.

Também com produção, composições e apoio instrumental da KC & The Sunshine Band, o cantor Jimmy “Bo” Horne tornou-se um forte destaque do elenco da gravadora de Miami, emplacando hits certeiros nos bailes de todo o mundo como Dance Across The Floor, Gimme Some, You Get Me Hot, Spank e Going Home For Love.

Além dos nomes já citados, a TK Records lançou artistas como Gwen McCrae (Rockin’ Chair), o cantor, compositor, produtor e músico Peter Brown (Dance With Me, Do Ya Wanna Get Funky With Me), o grupo Foxy (Get Off, Hot Number) e a cantora Anita Ward (o petardo Ring My Bell). O som feito pela gravadora ganhou o apelido de Miami Sound e marcou época nos anos 70, com sua mistura de rock, soul, rhythm and blues, música eletrônica e música latina.

Stone também registrou na T.K. trabalhos de artistas já consagrados anteriormente, como James Brown, Betty Wright e Ronnie Spector. Devido a má administração, no entanto, o selo acabou indo à falência em 1981. O empresário continuou na ativa, mas nunca mais obteve o sucesso anterior. No entanto, já havia marcado o seu nome na história do som pop, apostando no ritmo dançante e na integração entre negros e brancos no mundo da música.

Do You Wanna Go Party (album version)- KC & The Sunshine Band:

Rock Your Baby– George McCrae:

Dance With Me– Peter Brown:

Madeleine Peyroux homenageia Ray Charles

Por Fabian Chacur

Em seu novo álbum, The Blue Room, que acaba de ser lançado no Brasil pela Universal Music, Madeleine Peyroux presta uma homenagem a Ray Charles (1930-2004). O trabalho da intérprete americana que viveu alguns anos na França evoca dois dos LPs mais bem-sucedidos da carreira daquele genial criador musical.

A ideia do produtor do disco, Larry Klein, era evocar Modern Sounds In Country & Western e Modern Sounds In Country & Western Vol.2, ambos lançados em 1962 e nos quais Brother Ray provou ser possível para um músico de soul music gravar country com personalidade, criatividade e grande apelo comercial, para surpresa de muita gente na época.

Como forma de personalizar a homenagem, Madeleine e Larry escolheram cinco composições integrantes de Modern Sounds 1 e 2 (entre elas a clássica I Can’t Stop Loving You) e as somaram a outras cinco canções com o mesmo espírito. Os corais do álbum de Ray ficaram de fora, mas os arranjos de cordas se mostram presentes.

O clima musical dos arranjos respeita o estilo mais sutil e jazzístico de Madeleine, frequentemente comparada com Billie Holiday, e criam uma sonoridade híbrida com elementos de country, soul e jazz, incluindo tempero pop e dos clássicos standards da musica americana. Suave, classuda e muito boa de se ouvir.

Take These Chains From My Heart abre o álbum com autoridade, dando espaços para que venham a seguir releituras deliciosas de Bye Bye Love (hit originalmente com os Everly Brothers), Born To Lose (de Frankie Brown), Guilty (de Randy Newman), Desperadoes Under The Eaves (do injustamente esquecido americano Warren Zevon), Changing All Those Changes (obscura canção de Buddy Holly) e Bird On The Wire (de Leonard Cohen).

The Blue Room, cujas belíssimas fotos de capa e encarte foram tiradas no bar homônimo, o mais antigo situado em Burbank, Califórnia, equivale a uma belíssima homenagem a Ray Charles que preserva o elemento mais importante daqueles dois discos históricos: seu senso de liberdade criativa e despreocupação com rótulos ou limites impostos pela indústria musical.

Changing All Those Changes, com Madeleine Peyroux:

Guilty, com Madeleine Peyroux:

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