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Ricardo Bacelar lança o single com a parceria com Belchior

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Por Fabian Chacur

Em 1996, Ricardo Bacelar se incumbiu dos arranjos e direção musical do álbum Vício Elegante, de Belchior, do qual já era amigo e com o qual já havia dividido o palco em algumas ocasiões. No CD, dedicado a releitura de composições alheias, só tínhamos uma composição inédita, a faixa-título, parceria do autor de Paralelas com Bacelar, belo pop-rock com letra refinada e melodia precisa (ouça aqui).

Como forma de ao mesmo tempo homenagear o grande mestre cearense, que nos deixou em 2017 aos 70 anos, e também resgatar uma bela canção, Bacelar acaba de lançar um single com a sua releitura de Vício Elegante. Além de sua voz e piano, temos um envolvente arranjo de cordas assinado pela produtora da gravação, a consagrada Delia Fischer. Desta vez, a canção surge com um arranjo mais introspectivo e denso, com bela interpretação de Bacelar.

Vale lembrar que Belchior participou da faixa Tempos de Liberdade, incluída no primeiro disco solo de Ricardo Bacelar, In Natura (2001), após seus cerca de dez anos como integrante do grupo Hanói Hanói ao lado de Arnaldo Brandão. Ele lançou recentemente o excelente CD Sebastiana (leia a resenha de Mondo Pop aqui).

Vicio Elegante– Ricardo Bacelar:

Ricardo Bacelar mostra swing e bom gosto em Sebastiana

Bacelar6@FernandoHerrera-400x

Por Fabian Chacur

Ricardo Bacelar ficou mais de uma década longe da música, após ter integrado por 11 anos o grupo Hanói Hanói e lançado o CD solo In Natura (2001). O também advogado voltou à sua paixão eterna com força total, com o excelente DVD/CD Concerto Para Moviola- Ao Vivo (2016, leia entrevista sobre o álbum aqui). Agora, ele nos apresenta o CD (também lançado em vinil) Sebastiana, uma bela sequência lógica do trabalho anterior, com a mesma alta qualidade artística.

Em Concerto Para Moviola- Ao Vivo, Bacelar nos ofereceu uma elogiável e gostosa releitura do som fusion/jazz rock dos anos 1970 e 1980. Aquela sonoridade ao mesmo tempo bastante sofisticada e acessível ao ouvido médio do público se mantém presente em Sebastiana, só que desta vez com um pouco mais de ênfase em brasilidade e tempero latino, além de abertura para vocais em quatro das quinze faixas presentes neste trabalho.

Para concretizar este álbum, o artista cearense contou com o velho amigo Cesar Lemos como braço direito, incumbindo-o da produção, guitarra e baixo. Também foram convocados artistas oriundos de vários países, como os americanos Steve Hinson (pedal steel guitar) e Maye Osorio (vocal), os venezuelanos Anderson Quintero (bateria e percussão) e Andrea Mangiamarchi (vocal) e o argentino Gabriel Fernandez (bandoneon), entre outros.

O repertório traz composições de Ivan Lins, Milton Nascimento, Luiz Gonzaga, Gilberto Gil e Tom Jobim, entre outros, além de duas parcerias Bacelar/Lemos e três de Bacelar sozinho. A performance do time escalado para o álbum não poderia ter sido melhor, esbanjando entrosamento, qualidade artística e swing, ajudando a dar ao conjunto desta obra uma consistência admirável.

Influências de lounge e new bossa também podem ser identificadas ao longo do álbum. Com vocais, Nothing Will Be As It Was (versão de Nada Será Como Antes, de Milton Nascimento e Ronaldo Bastos), e Somewhere In The Hills (de Tom Jobim e Vinícius de Moraes) receberam roupagem eletrônica envolvente, enquanto o balanço afro de Toda Menina Baiana, de Gilberto Gil, ganha nuances jazzísticas bem bacanas.

Sebastiana equivale a uma mais do que agradável viagem pelo mundo da fusion, bossa nova, easy listening, lounge, jazz, pop, new bossa e latin music, comandada pela mão hábil de Ricardo Bacelar. A Volta da Asa Branca, Partido Alto, Depois dos Temporais e Sambadouro são bem elogiáveis, mas o repertório é muito equilibrado e bom, como um todo.

O álbum no seu formato físico também será lançado na América Latina, EUA, Japão e Europa, algo bastante lógico, pois é muito provável que consiga melhor repercussão no mercado internacional do que por aqui. Bom por um lado, ruim pelo outro, pois o brasileiro deveria abraçar com mais entusiasmo e carinho um trabalho tão bom e tão representativo do melhor da nossa música como esse aqui.

Obs.: a embalagem do CD é deslumbrante, com direito a belíssima capa digipack e um caprichado encarte recheado de fotos e informações sobre a concepção do álbum, além de ficha técnica completa. Prova de que o formato físico é insuperável para os verdadeiros fãs de música, se desenvolvido com o nível de excelência deste ótimo Sebastiana.

Nothing Will Be As It Was– Ricardo Bacelar:

Ricardo Bacelar mostra a sua versão da fusion em CD/DVD

ricardo bacelar 2

Por Fabian Chacur

Quem vê hoje em dia Ricardo Bacelar pode até não imaginar, mas esse bem-sucedido advogado cearense, vice-presidente da OAB do Ceará e profundo conhecedor de direitos autorais e incentivo à cultura, tem um rico passado musical. Aliás, só passado, não. Presente também. Sua carreira como músico está sendo retomada em grande estilo, com o lançamento do CD/DVD Concerto Para Moviola- Ao Vivo, no qual faz um belíssimo mergulho no universo da fusion.

Fusion, ou jazz rock, é o rótulo pelo qual ficou conhecida a vertente jazzística que enveredou por uma mistura daquele sofisticado estilo musical com rock, música latina, funk, soul e pop, resultando em uma sonoridade ao mesmo tempo muito bem elaborada e acessível aos ouvidos médios. Fez muito sucesso nos anos 1970 e 1980 graças a grupos e artistas solo como Weather Report, Yellowjackets, David Sanborn, Pat Metheny e diversos outros.

Ex-integrante do grupo Hanói-Hanói, do qual fez parte por 11 anos, Bacelar largou a música para se dedicar ao Direito. Mas o bom músico nunca deixa de ser músico, e ei-lo de volta, com um trabalho gravado ao vivo no qual mescla quatro composições próprias com obras de Pat Metheny, Bob Mintzer (do Yellowjackets), Joe Zawinul (do Weather Report) e Chick Corea e também dos brasileiros Ivan Lins, Egberto Gismonti, Moacir Santos e Tom Jobim.

Em entrevista ao Mondo Pop, Bacelar nos fala sobre sua carreira, os critérios que usou para gravar Concerto Para Moviola- Ao Vivo, lembranças dos tempos do Hanói-Hanói e o que o levou a investir em um trabalho tão requintado e de alta qualidade musical em uma era na qual o descartável infelizmente prevalece no cenário musical brasileiro.

MONDO POP- Como surgiu o conceito que gerou Concerto Para Moviola- Ao Vivo?
Ricardo Bacelar– Meu primeiro CD solo, In Natura (2001), era mais clássico, mais erudito. Quando recebi o convite para participar do Festival de Jazz e Blues de Guaramiranga (realizado no Ceará), resolvi fazer algo de que eu realmente gostasse, sem me preocupar com o resultado comercial. As coisas mudaram muito, é bem mais fácil gravar um disco hoje. Essa mudança democratizou muito as coisas, mas também abriu caminho para muitas coisas de má qualidade.

MONDO POP- E aí veio a ideia de mergulhar do seu jeito na fusion dos anos 1970 e 1980?
Ricardo Bacelar– Sim. É um estilo musical que eu ouvi muito quando era adolescente, é mais alegre, pra cima, embora muito sofisticado. Procurei fazer um trabalho com um acabamento de muita qualidade em todos os aspectos, do repertório à embalagem. Pesquisei muito os timbres de instrumentos, montei uma banda com grandes músicos. O resultado é um tipo de produto raro hoje em dia no Brasil, e fiz às próprias custas.

MONDO POP- Que tipo de critério você seguiu para selecionar o repertório incluído no CD/DVD?
Ricardo Bacelar– Procurei fugir do óbvio. Fiz um trabalho de pesquisa em cima de músicas que me marcaram. Gosto muito dessa coisa da mistura, e o fusion é bem isso, é como roupa, você pode criar o seu próprio visual, sua própria roupagem. Optei por solos curtos, com espaços para cada músico. A gravação foi muito à vontade, fiz sem a obrigação de lançar. Foram gravados dois shows, e escolhemos a gravação feita no Teatro do Via Sul, em Fortaleza (CE).

MONDO POP- Uma bela sacada sua foi também incluir autores nacionais que tem muito prestígio no exterior e foram gravados por artistas internacionais de fusion. Um deles é o Ivan Lins, que infelizmente não é tão valorizado pelos críticos aqui no Brasil.
Ricardo Bacelar– O Ivan Lins tem melodias sofisticadas, é um grande arranjador, e consegue fazer música radiofônica de forma muito bem elaborada. A música Setembro, que gravei, é uma parceria dele com o Gilson Peranzetta, outro grande tecladista. Também incluí composições do Tom Jobim, Egberto Gismonti e Moacir Santos.

MONDO POP- Conte um pouco sobre como foram os seus onze anos com o Hanói-Hanói.
Ricardo Bacelar– Entrei no grupo em sua segunda formação, que foi a que mais durou. Eu era muito garoto, aprendi a conviver no ambiente de gravadoras, do profissionalismo, aprendi muito com o Arnaldo Brandão. E tínhamos um estúdio de gravação onde fizemos coisas para teatro, cinema e TV. Viajamos muito, fizemos muitas coisas legais. Era um grupo de rock mais sofisticado, com percussão, letras irônicas.

MONDO POP- E o que te levou a sair do grupo?
Ricardo Bacelar– Quando fiz 30 anos de idade, tive vontade de ter uma vida mais estável, com família, e achei que o Direito seria um caminho para isso. Aí, mudei do Rio e voltei para Fortaleza (CE), passando a me dedicar em tempo integral à advocacia.

MONDO POP- Antes disso, você lançou um primeiro CD solo, In Natura, não é isso? Como foi a experiência de gravar esse trabalho, que teve várias participações especiais?
Ricardo Bacelar– Esse disco saiu em 2001, e teve participações especiais do Belchior, Frejat, Waldonys, Kátia Freitas e do pessoal do Hanói-Hanói. Já tinha trabalhado antes com o Belchior, compusemos juntos a música Vício Elegante, que foi a faixa título de um CD dele lançado em 1996 do qual participei tocando e fazendo arranjos.

Veja o DVD Concerto Para Moviola-Ao Vivo em streaming:

Killer Joe- Ricardo Bacelar:

Birdland- Ricardo Bacelar:

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