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Tag: rock anos 1970 (page 1 of 3)

Goats Head Soup, dos Rolling Stones, volta em vários formatos

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Por Fabian Chacur

Mais um álbum dos Rolling Stones ganhará uma reedição luxuosa e repleta de formatos. Desta vez, o escolhido foi Goats Head Soup (1973), que na época atingiu o topo da parada americana e teve como faixa mais conhecida a célebre balada Angie, que no formato single também liderou os charts nos EUA. O lançamento ocorrerá no dia 4 de setembro nas plataformas digitais e em diversas configurações físicas, sendo que no Brasil a loja virtual da Universal Music (no link aqui) venderá as versões CD duplo deluxe, LP simples de vinil e fita-cassete simples.

Goats Head Soup teve suas 10 faixas originais devidamente remasterizadas. O segundo CD da edição deluxe oferece dez faixas que se dividem entre versões alternativas, outtakes e três inéditas: Criss Cross (já disponível nas plataformas digitais), Scarlett (com participações especiais de Jimmy Page e Rick Grech-das bandas Family e Blind Faith) e All The Rage.

A caixa com três CDs e um Blu-ray traz um terceiro CD intitulado Brussels Affair, gravado ao vivo em outubro de 1973 na Bélgica durante a turnê de lançamento de Goats Head Soup, com 15 faixas. O Blu-ray traz o álbum original em versão de áudio 5.1 e três clipes feitos para divulgar na época as músicas Dancing With Mr. D, Silver Train e Angie.

Como se não fosse o bastante, essa box set com três CDs e um Blu-ray ainda traz, de quebra, um livro de 120 páginas com fotos bacanas e textos analíticos dos críticos Ian McCann, Nick Kent e Daryl Easlea e quatro pôsteres reproduzindo os cartazes de shows da turnê que divulgou aquele álbum, hoje clássico.

Os fãs de vinil encontrarão versões de Goats Head Soup em LP simples, LP duplo, LP duplo com capa alternativa e vinil transparente e uma caixa com 4 LPs. Os formatos não disponíveis na loja brasileira da Universal Music podem ser adquiridas no site oficial da banda.

CONFIRA AS FAIXAS DOS PRINCIPAIS FORMATOS

CD SIMPLES

1. Dancing With Mr D

2. 100 Years Ago

3. Coming Down Again

4. Doo Doo Doo Doo Doo (Heartbreaker)

5. Angie

6. Silver Train

7. Hide Your Love

8. Winter

9. Can You Hear The Music

10. Star Star

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2CD DELUXE

CD 1

1. Dancing With Mr D

2. 100 Years Ago

3. Coming Down Again

4. Doo Doo Doo Doo Doo (Heartbreaker)

5. Angie

6. Silver Train

7. Hide Your Love

8. Winter

9. Can You Hear The Music

10. Star Star

CD 2
Rarities & Alternative Mixes

1. Scarlet

2. All The Rage

3. Criss Cross

4. 100 Years Ago (Piano Demo)

5. Dancing With Mr D (Instrumental)

6. Heartbreaker (Instrumental)

7. Hide Your Love (Alternative Mix)

8. Dancing With Mr D (Glyn Johns 1973 Mix)

9. Doo Doo Doo Doo Doo (Heartbreaker) – (Glyn Johns 1973 Mix)

10. Silver Train (Glyn Johns 1973 Mix)

BOX SET 3 CDS + BLU-RAY

AS FAIXAS DOS DOIS 1ºs CDs SÃO AS MESMAS DA EDIÇÃO DELUXE

CD 3 – Brussels Affair – Live 1973

1. Brown Sugar

2. Gimme Shelter

3. Happy

4. Tumbling Dice

5. Star Star

6. Dancing With Mr D

7. Doo Doo Doo Doo Doo (Heartbreaker)

8. Angie

9. You Can’t Always Get What You Want

10. Midnight Rambler

11. Honky Tonk Women

12. All Down The Line

13. Rip This Joint

14. Jumpin’ Jack Flash

15. Street Fighting Man

BLU-RAY (com 10 faixas só de áudio e três com áudio e vídeo)

Dolby Atmos, 96kHz/24 bit high resolution stereo, and 96 kHz/24 bit DTS-HD Master Audio 5.1

1. Dancing With Mr D

2. 100 Years Ago

3. Coming Down Again

4. Doo Doo Doo Doo Doo (Heartbreaker)

5. Angie

6. Silver Train

7. Hide Your Love

8. Winter

9. Can You Hear The Music

10. Star Star

+ Original videoclipes: Dancing With Mr D, Silver Train e Angie

Ouça Criss Cross, dos Rolling Stones:

McCartney (1970) e McCartney II (1980), discos iguais e diferentes

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Por Fabian Chacur

Neste ano, dois álbuns de Paul McCartney celebram datas redondas. McCartney (1970) é agora um cinquentão, enquanto McCartney II (1980) festeja 40 velinhas de seu lançamento. Pode parecer paradoxal (e é mesmo), mas são trabalhos ao mesmo tempo iguais e diferentes. Muito iguais e muito diferentes, só para reforçar o conceito. E é essa ideia que será desenvolvida durante esse longo texto.

Primeiro, apresentaremos as semelhanças, para depois nos atermos às peculiaridades de cada lançamento. Para início de conversa, são discos-solo radicais, no sentido de que temos Paul McCartney se incumbindo de todos os instrumentos musicais, produção e tudo o mais, exceto alguns vocais proporcionados por Linda McCartney. Ambos se originaram de gravações feitas em estúdios caseiros, algo ainda incipiente naqueles tempos.

Os dois tiveram como origem o ponto final de duas bandas. No caso do primeiro, os Beatles, cujo marco da separação é exatamente o dia 10 de abril de 1970, quando McCartney foi distribuído à imprensa. Junto com ele, veio um questionário respondido pelo artista no qual, se não de forma escancarada, ficava claro que os Fab Four eram passado para seu baixista e cantor. A repercussão na mídia apenas apressou os acontecimentos.

McCartney II foi o primeiro álbum de Paul após a dissolução dos Wings, que de certa forma estava no ar desde o final de 1979, mas que acabou impulsionada pelo desastrado e inesperado cancelamento da turnê japonesa do artista, com direito a uns bons dias de prisão naquele país por posse de maconha. Traumatizado, o roqueiro só voltaria às tours em 1989, e preferiu assumir novamente o caminho individual, ladeado por músicos de apoio.

A partir daqui, vamos para as histórias de cada um deles. Em setembro de 1969, mesmo mês em que Abbey Road chegava às lojas, John Lennon, em meio a uma tensa reunião, anunciou que desejava sair dos Beatles. O então contador e manager do grupo, Allen Klein, pediu para que ele ao menos segurasse a decisão por algum tempo, por razões estratégicas e comerciais. E foi o que ocorreu.

Canções, temas instrumentais e muito sucesso

Ciente de que a banda estava com os dias contados, Macca comprou um gravador e instalou um estúdio caseiro de quatro canais em Londres com o intuito de fazer gravações despretensiosas. Esse processo gerou o LP. O repertório mesclava músicas como Junk, composta durante a viagem à Índia com os Beatles em 1968, e Teddy Boy, gravada com o grupo mas que só entraria em um disco deles em 1996 (Anthology 3), com outras novíssimas.

O resultado é um disco básico, no qual o artista se mostra bastante versátil, conseguindo boa qualidade de execução até mesmo como baterista. Outra semelhança entre ele e o futuro McCartney II é o fato de ambos incluírem diversos temas instrumentais. Aqui, são eles a deliciosa Hot As Sun/Glasses e as simpáticas Valentine Day, Singalong Junk e Momma Miss America.

Outra instrumental, Kreen-Akrore, é de longe o momento mais experimental do álbum, e não por acaso foi incluída para encerrá-lo. Trata-se de uma faixa com vocalizações hipnóticas e solos de bateria, cuja inspiração veio de um documentário que Paul viu na TV sobre os indígenas brasileiros. Ou seja, a primeira ligação direta do genial músico inglês com o nosso país.

Iniciado com a sucinta The Lovely Linda, com meros 42 segundos, o álbum nos traz diversas daquelas canções melódicas e delicadas que são uma das marcas registradas do Macca. Entre elas, a iluminada Every Night, a deliciosa Man We Was Lonely e a quase valsa Junk. Teddy Boy soa como uma canção nostálgica, enquanto That Would Be Something tem pitadas de blues.

Os momentos mais roqueiros são a ardida Oo You, que abre o lado B do vinil, e a visceral balada rock Maybe I’m Amazed, com direito a um conciso e incandescente solo de guitarra. Curiosamente, esta música, um dos pontos altos do songbook do astro de Liverpool, só sairia no formato single em 1976, e numa versão ao vivo extraída do álbum Wings Over America.

A repercussão do álbum em termos comerciais não poderia ter sido melhor, com direito a atingir o topo da parada americana em 23 de maio de 1970, permanecendo lá durante três semanas. Um começo auspicioso para uma carreira pós-beatles que se mostraria no decorrer das décadas seguintes uma das mais consistentes da história da música pop.

Macca no mundo da música eletrônica dançante

Em janeiro de 1980, antes de chegar ao Japão para alguns shows com os Wings, Paul McCartney passou pelos EUA, e ganhou de um amigo uma quantidade significativa de maconha. Não se sabe onde ele estava com a cabeça quando resolveu colocar o pacote com o presente inusitado e valioso (para ele) em sua mala. Afinal, se a legislação antidrogas é rigorosa em toda a parte, vai ainda mais longe em território japonês. E não deu outra.

Ao ter sua bagagem revistada, Macca foi pego com a mão na massa, digo, na erva, e ficou durante dez dias detido em uma prisão japonesa, correndo o risco até de ter de cumprir uma longa pena por lá. Felizmente, a punição ficou por aí. Ao voltar para sua terra natal, o artista provavelmente ficou traumatizado, e resolveu dar prosseguimento a uma série de gravações caseiras que havia iniciado ainda em 1979, desta vez com um gravador de 16 canais.

Dez anos haviam se passado desde o primeiro álbum ‘exército de um homem só’ do astro britânico. Desde então, ganhou adeptos um estilo musical pontuado por sintetizadores e outros tipos de teclados, e Paul não se mostrou alheio a isso. Ao se ver sozinho novamente, resolveu investir nesses novos recursos para criar o repertório do que viria a ser McCartney II.

A primeira música a emergir da nova safra foi Coming Up, que entrou no repertório dos shows que o músico britânico fez no final de 1979. Ao vivo, mostrava uma pegada um pouco mais roqueira, mas na versão de estúdio, tornou-se totalmente dançante, com um leve tempero de disco music. E foi graças à essa música, disponibilizada previamente em single, que McCartney II teve uma ótima largada em termos comerciais.

Lançada em abril de 1980, Coming Up trazia em seu lado B uma versão ao vivo desta música gravada em Glasgow, Escócia com os Wings em 17 de dezembro de 1979 e também Luchbox/Odd Sox, out-take das gravações do álbum Venus And Mars (1975). Graças à forte execução da versão ao vivo, o single atingiu o topo da parada americana em 28 de junho de 1980, mantendo-se lá por três semanas.

Quando o álbum completo chegou às lojas de todo o mundo, teve vendagens iniciais muito boas, mas logo viu esse desempenho despencar ladeira abaixo. E a razão era simples: o conteúdo era muito diferente do que o ex-beatle habitualmente oferecia ao seu público, exceto por algumas faixas estrategicamente colocadas aqui e ali.

Após a abertura com Coming Up, o álbum traz Temporary Secretary, canção totalmente eletrônica com ecos de Kraftwerk e Devo com um refrão de sotaque irritante. On The Way é provavelmente a incursão pelo blues menos inspirada da carreira do músico. A coisa melhora a seguir com a balada Waterfalls, com ambiência erudita na melhor tradição de She’s Leaving Home e Winter Roses. Maravilhosa, chegou ao 9ª lugar na parada britânica, mas fracassou nos EUA.

Nobody Knows tenta adicionar uma pegada roqueira ao álbum, mas é muito abaixo do que o artista fez de melhor nessa praia. Front Parlour inicia a safra instrumental com elementos do som de Giorgio Moroder, e é passável. O clima etéreo volta em Summer Day Song, com sua letra concisa.

Frozen Jap, mais agitada, é provavelmente o momento mais legal da ala instrumental do álbum. Bogey Music, inspirada no livro Fungus The Bogeyman (1977), de Hamish Hamilton, que fala de um fantasioso povo que vive no subterrâneo, é quase tão constrangedora como Temporary Secretary.

Dark Room passa meio batida, sem deixar grande impressão no ouvinte. O álbum se encerra com One Of These Days, uma bela balada violonística que caberia em McCartney, com sua bela melodia, embora tenha sido gravada de uma forma meio fria e com muito eco, quem sabe.

Curiosamente, faixas gravadas durante as sessões de McCartney II e ou deixadas de lado, ou lançadas como meros lados B de singles, se mostram bem melhores do que várias do álbum, entre as quais podemos citar Secret Friend e Check My Machine (sobre a qual falaremos mais em breve).

No fim das contas, apesar dos pesares, McCartney II liderou a parada britânica e chegou ao terceiro lugar da americana, mesmo tendo vendido bem menos do que trabalhos mais recentes do ex-beatle. Esse álbum ganhou muitos fãs no meio musical com o decorrer dos anos, e é citado como influência por alguns deles, tornando-se possivelmente um dos trabalhos mais cult da carreira do artista.

Curiosidades sobre McCartney e McCartney II

*** A capa de McCartney traz cerejas registradas em cima de uma bancada preparada para pássaros se alimentarem. Na contracapa, temos o ex-beatle vestindo uma jaqueta e exibindo, dentro dela, a cabecinha de sua primeira filha com Linda, Mary. Curiosidade: Mary, nascida em 1969, é quem entrevista o pai no maravilhoso documentário Wingspam (2001), que conta a história dos Wings, a segunda banda de sucesso do Macca.

*** Linda Eastman McCartney foi fotógrafa profissional antes de se casar com Paul, tendo feito registros históricos de artistas como Jimi Hendrix. São delas as diversas fotos incluídas na capa, contracapa e encarte do álbum, que flagram o casal, Heather (filha do casamento anterior dela) e a célebre e encantadora cachorra sheepdog Martha, que inspirou a maravilhosa canção Martha My Dear, do álbum The Beatles (1968- o álbum branco).

*** A sequência harmônica que inicia Man We Was Lonely (ouça aqui) apareceu novamente em outra canção de McCartney, No Words (1973, faixa do álbum Band On The Run, ouça aqui). Confira as duas em seguida e perceba a semelhança. Seria intencional? O curioso é que a segunda é uma parceria de Macca com Denny Layne, dos Wings.

*** Logo após o final da faixa Hot As Sun/Glasses e pouco antes da faixa Junk, é possível ouvir um pequeno trecho do que parece ser outra canção. Só em 2011 essa música foi lançada na íntegra. Trata-se de Suicide, com direito a piano e estilo anos 1920.

*** Em 2011 foi lançada no Brasil uma reedição de McCartney no formato CD duplo. O segundo disco traz sete faixas. São elas Suicide (já comentada anteriormente), Don’t Cry Baby (na verdade, uma versão instrumental de Oo You) e Women Kind, todas deixadas de lado do álbum original, mais versões gravadas ao vivo em Glasgow em 1979 de Every Night, Hot As Sun e Maybe I’m Amazed. O encarte traz as letras das músicas e belas fotos feitas por Linda.

*** Ironia das ironias: após permanecer por três semanas na liderança da parada americana, McCartney perdeu a ponta para ele mesmo. Lançado pouco tempo depois da estreia solo de seu baixista, Let It Be, dos Beatles, assumiu a liderança no dia 13 de junho de 1970, ficando por lá por quatro semanas, ou seja, uma a mais do que o LP do Macca.

*** A edição de McCartney II lançada nos EUA no formato LP de vinil pela gravadora Columbia (que então distribuía os discos do ex-beatle por lá) trouxe como brinde um compacto simples com um único lado registrado trazendo a versão ao vivo de Coming Up gravada em Glasgow.

*** Uma das faixas mais legais de McCartney II é uma instrumental de nome pitoresco: Frozen Jap (japonês congelado, em tradução livre). Seria uma alfinetada em relação à sua prisão no Japão em janeiro de 1980? Ele nunca se estendeu nesse tema…

*** Se na contracapa do primeiro álbum solo Paul incluiu uma foto dele com Mary, em McCartney II, no encarte, a estrela da vez é seu filho James Louis, então com três anos, que aparece puxando a camiseta do pai no estúdio caseiro onde foi gravado o álbum.

*** Check My Machine, lançada originalmente como lado B do compacto cujo lado A é Waterfalls, foi descoberta na época pelas equipes de bailes black de São Paulo e Rio de Janeiro e se tornou um grande hit das pistas de dança. O sucesso foi tanto que a EMI lançou no Brasil essa música em dois formatos, o compacto simples tradicional e um maxi-single (no tamanho de um LP), este último mais utilizado pelos DJs. O DJ Cuca gravou uma versão, Check My Mix, no histórico LP O Som Das Ruas (1988), um dos primeiros do rap nacional (ouça aqui).

*** Em 2011, saiu por aqui uma versão remasterizada de McCartney II no formato CD duplo. O segundo CD traz as faixas inéditas Blue Sway (with Richard Niles Orchestration), Bogey Wobble, Mr. H Atom/You Know I’ll Get You Baby e All You Horse Riders/Blue Sway. Temos também as já lançadas anteriormente e raras no formato CD e em vinil Coming Up (Live At Glasgow 1979), Check My Machine, Wonderful Christmastime e Secret Friend.

*** McCartney atingiu o topo da parada americana e emplacou o 2º lugar no Reino Unido. Por sua vez, McCartney II se deu melhor no Reino Unido, liderando a parada de lá, enquanto nos EUA chegou ao 3º lugar.

Ouça McCartney II aqui .

Ouça McCartney (1970) em streaming:

Jeff Lynne emociona os fãs com performance impecável da ELO

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Por Fabian Chacur

Em 1970, o então desconhecido cantor, compositor e guitarrista Jeff Lynne foi convidado por Roy Wood para integrar o grupo The Move, que fazia sucesso no Reino Unido. Lynne topou, mas na verdade ele tinha mais interesse no projeto paralelo que Wood pretendia criar, uma banda que usasse instrumentos de orquestra em um contexto roqueiro, levando adiante a proposta dos Beatles na música I Am The Walrus.

Foi dessa maneira que surgiu a Electric Light Orchestra. Curiosamente, Roy Wood saiu do time em 1972, poucos meses depois do lançamento de seu álbum de estreia. A partir daí, Lynne virou o dono do projeto, e o resto é história, com direito a grandes hits, milhões de discos vendidos e shows sempre lotados.

Como forma de reverenciar esse repertório e presentear seus inúmeros fãs, o astro britânico resolveu resgatar esse bem-sucedido projeto musical, agora com o nome Jeff Lynne’s ELO, para diferenciá-lo de outros shows-tributo montados por ex-integrantes do grupo em sua fase inicial, de 1970 a 1986.

A apresentação que marcou o ápice desse retorno ocorreu no dia 24 de junho de 2017 na Wembley Arena. O registro de áudio e vídeo está na programação do canal a cabo BIS, e foi lançado no formato físico CD duplo+DVD (ou blu-ray). Ainda bem que isso ocorreu, pois temos aqui um show histórico de fato.

A gravação ocorreu com toda a pompa necessária, incluindo telões gigantes, iluminação impecável, um palco enorme e a inevitável nave espacial imensa que se tornou a marca registrada da Electric Light Orchestra em suas turnês. Um ambiente que consegue ser ao mesmo tempo retrô e futurista, outra característica básica desse projeto musical.

Como se fosse um concerto de música erudita, o show mostra uma banda com quase 15 músicos em cena reproduzindo de forma detalhada as gravações originais de cada canção, incluindo timbres dos instrumentos e vocalizações. O fato de a voz de Lynne alcançar os timbres dos anos áureos da ELO ajudou bastante na concretização desse objetivo.

O repertório do espetáculo reúne praticamente todos os seus hits, com muita energia acrescida à reprodução fiel de cada nota produzida originalmente. Ou seja, não temos aqui a execução fria e burocrática de cada canção, mas sim o oferecimento de cada uma delas como se tivessem sido lançadas ontem.

A mistura de rock, pop, folk, música eletrônica, rhythm and blues e música erudita se mostra mais azeitada do que nunca, com direito a maravilhas do porte de Evil Woman, Livin’ Thing, Last Train To London, Turn to Stone, Strange Magic e All Over The World, só para citar algumas delas.

Uma sacada incrível do registro em vídeo fica por conta de inúmeras tomadas flagrando o público presente em Wembley. Nelas, podemos observar uma platéia predominantemente de pessoas com mais de 40 anos de idade cantando, dançando e vibrando como se fossem adolescentes.

Eis uma prova cabal do poder incrível que a música tem de nos resgatar energias que pensávamos terem sido soterradas pelas dificuldades propostas a nós pela vida diuturnamente. E tudo isso proporcionado a essas pessoas por um Jeff Lynne que completaria 70 anos de idade no final daquele 2017!

As surpresas ficam por conta das inclusões de Handle With Care, maior hit do super grupo Travelling Wylburys que Lynne integrou ao lado de Roy Orbison, George Harrison, Tom Petty e Bob Dylan, e Xanadu, música da trilha do filme homônimo que a banda gravou com Olivia Newton-John no vocal principal.

O único problema para quem for ver no Canal BIS é o fato de eles terem apresentado na programação a cabo uma versão resumida para apenas 12 músicas, onze a menos do que as 23 incluídas no show completo. Não sei qual a versão está disponível no canal de streaming do BIS, mas que o melhor é curtir esse espetáculo em sua íntegra, é algo indiscutível.

ELO- Live At Wembley (cujo título na versão física é Wembley Or Bust) é a prova cabal de que o trabalho de Jeff Lynne merece ser muito mais respeitado pela crítica especializada do que na verdade é, pois se ele não inventou a roda ou revolucionou o mundo da música, certamente nos proporcionou um songbook delicioso que continua gerando prazer em quem o investiga.

Evil Woman (live)- Jeff Lynne’s ELO:

James Taylor lança “Teach Me Tonight”, de American Standard

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Por Fabian Chacur

No próximo dia 12 de março, James Taylor completará 72 anos, mas quem vai ganhar o presente serão os seus inúmeros fãs, e com antecedência. Alguns dias antes, em 28 de fevereiro, o selo Fantasy, ligado ao conglomerado da Universal Music, colocará no mercado musical American Standard, álbum de estúdio que sucede Before This World (2015), o primeiro do grande cantor, compositor e músico americano a atingir o topo da parada americana.

Coincidência ou não, em fevereiro completará 50 anos de lançamento Sweet Baby James(1970), segundo álbum da carreira do astro americano e aquele que o elevou ao estrelato mundial, com hits do porte de Fire And Rain, Country Road e a faixa-título. Este trabalho atingiu o 3º posto na parada americana e o de número 6 no Reino Unido, na época.

Como forma de atiçar a curiosidade do público, já está disponível o primeiro single do álbum, a deliciosa Teach Me Tonight. Trata-se da releitura de hit de 1954 da cantora de jazz e r&b Dinah Washington, e que ganhou uma roupagem minimalista, delicada e com a cara do trabalho de Taylor. A versão da saudosa diva da música faz parte do Grammy Hall Of Fame de canções, com toda a justiça.

Como o título do álbum já dá a dica, American Standard traz o grande nome do bittersweet rock e um dos criadores dessa vertente do rock revisitando clássicos da música americana, canções extraídas de musicais da Broadway, filmes e fontes similares, entre as quais podemos citar Moon River.

A produção foi dividida por James com Dave O’Donnell (produtor e engenheiro de som que já trabalhou com ele e artistas como Eric Clapton, John Mayer, Keith Richards e Ray Charles) e John Pizzarelli. Este último, conhecido por sua brilhante carreira como jazzista, também divide os violões com Taylor, em duetos que são o alicerce dos arranjos do álbum, elegantes e investindo em uma sonoridade delicada e intimista.

Ouça Teach Me Tonight, de James Taylor:

Neil Peart, do Rush, uma espécie de baterista dos bateristas

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Por Fabian Chacur

Em suas mais de quatro décadas de existência, o Rush foi uma banda polêmica. Não tanto pela atitude de seus integrantes, mas pela forma como era encarada por fãs e detratores, quase que em um espírito de “ame ou odeie”. Um ponto, no entanto, não costumava gerar tanta confusão: a enorme e reconhecida qualidade técnica de seu baterista, Neil Peart. Infelizmente, o icônico músico canadense nos deixou na última terça (7), embora sua morte só tenha sido divulgada nesta sexta (10) por seus familiares e amigos.

O músico, de 67 anos, foi vítima de um câncer no cérebro, contra o qual lutou durante quase quatro anos. Ele estava longe dos palcos desde 2015, desde o fim da então divulgada como última turnê do Rush, fato agora infelizmente definitivo, pelo menos com a formação que consagrou o trio canadense. Como consolo, aquela turnê teve grande repercussão, e o mostrou em plena forma, saindo de cena de forma digna.

Nascido em 12 de setembro de 1952, Neil entrou no Rush em 1974 para substituir o baterista fundador do time, John Rutsey (1952-2008), que saiu após o autointitulado álbum de estreia da banda. O novo integrante entrou com tudo, tornando-se logo o principal letrista e se encaixando feito luva ao lado de Geddy Lee (baixo, teclados e vocal) e Alex Lifeson (guitarra), estreando em disco no segundo LP do grupo, Fly By Night (1975).

Fã de bateristas como Keith Moon e Ginger Baker, Neil Peart desenvolveu um apuro técnico e uma energia inesgotáveis, que abriram espaços enormes para que o grupo canadense desenvolvesse sua original e consistente sonoridade, que trafegou entre o hard rock puro, o rock progressivo mais intrincado, um rock mais sutil e com elementos eletrônicos nos anos 1980 e diversos outros desdobramento com o decorrer dos anos.

A crítica especializada frequentemente os hostilizou, especialmente nas décadas de 1970 e 1980, mas isso não os impediu de cultivar um fã-clube imenso pelos quatro cantos do mundo, que permitiu ao grupo fazer turnês massivas, sempre com estádios e ginásios lotados de admiradores entusiásticos e fanáticos.

O Rush esteve no Brasil em 2002 e 2010, e o show realizado no estádio do Maracanã em 2002 foi eternizado no DVD Rush In Rio (2003). As apresentações geraram forte comoção perante os fãs brasileiros, que celebraram a presença de seus ídolos por aqui com muita vibração e demonstrações de fidelidade.

Neil Peart sempre foi o mais inacessível integrante da banda, raramente participando de entrevistas coletivas, por exemplo, ao contrário da simpatia e acessibilidade de seus colegas de Rush. Isso, no entanto, nunca atrapalhou o respeito que seus fãs sempre tiveram por ele.

Time Stand Still (clipe)- Rush:

Zé Geraldo faz nova profissão de fé no seu estilo com o CD Hey, Zé!

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Por Fabian Chacur

Zé Geraldo é um artista autêntico. Desde o lançamento de seu primeiro álbum, em 1979, tem como marca a fidelidade a um estilo musical que funde rock, country e música rural brasileira, sempre com uma assinatura própria. Lógico que essa autenticidade pouco valeria se esse cantor, compositor e músico mineiro de 75 anos não tivesse talento, e isso ele tem de sobra. Hey, Zé!, seu novo CD, lançado pelo selo Sol do Meio Dia com distribuição da gravadora Kuarup, é mais uma prova concreta da força de sua criação.

Mesmo sem contar com a simpatia da grande mídia, o intérprete de hits como Cidadão e Milho aos Pombos conquistou um legião enorme de fãs pelo Brasil afora no melhor estilo boca-a-boca, em uma época (décadas de 1970, 1980 e 1990) que facilidades como internet e redes sociais ainda não eram sequer cogitadas por aqui. Ele consolidou sua fama na estrada, shows após show, canção após canção, superando as dificuldades com muita garra e fé.

Em seu novo trabalho, Zé não abre espaço para novas sonoridades, nem experimenta rumos diferentes dos habituais em sua longa e bem-sucedida trajetória. E isso não se mostra um problema, pois o universo ao qual se presta a desenvolver é uma estrada praticamente infinita, se o cara tiver talento, sensibilidade, inspiração e disposição, como é o caso do cidadão em questão.

Com sua voz rouca de timbre gostoso e cativante, esse trovador urbano-rural nos proporciona belas reflexões a respeito da vida, louvando o amor, a amizade e mostrando um eterno pé atrás em relação aos políticos, aos falsos pregadores e a quem só pensa em nos explorar e nos enganar. Não tem jabá que o compre, como ele próprio diz. E também demonstra uma fé inabalável nas novas gerações e em seu poder de transformar o mundo.

O bacana é que ele canta isso tudo de forma apaixonada, sim, mas também muito bem humorada, como, por exemplo, nas deliciosas Bicho Grilo Artesão, Roqueiro da Roça e Hippie Véio Sonhador, nas quais dá de ombros em relação a quem ironiza esse perfil de ser humano e mostrando que boas ideias e bons conceitos continuam tão atuais como sempre foram e sempre serão. Sonhar é preciso!

A faixa que dá nome ao álbum é uma inspirada versão em português de Hey Joe, que se tornou famosa mundialmente na gravação de Jimi Hendrix nos anos 1960. A Canção Que Vem do Céu é uma tocante homenagem a seu neto Gael, enquanto O Chão do Nosso Chão segue uma linha ecológica.

Enquanto Há Tempo propõe entregar o comando do Brasil a diversos tipos de pessoas de bem, cujas atitudes inspiram esperança em tempos melhores do que os atuais, mas com a advertência: “enquanto há tempo”. Afinal de contas, o relógio não para e as coisas se deterioram. Esperança, mas com foco!

E quem tem cães sabe o quanto esses seres encantadores ajudam a fazer nossas vidas mais saudáveis, encantadoras e até mesmo suportáveis. Zé Geraldo faz uma bela homenagem à sua encantadora cachorra na música Tina, um country rock delicioso com direito a latidos adoráveis em seu final.

Se as canções e as ideias são de primeira linha, os músicos que estão com Zé Geraldo nessa viagem musical são da melhor qualidade, todos mergulhando de cabeça no projeto. Feras do porte do Duofel, Folk na Kombi, Jean Trad, Hamilton Mica, Zeca Loureiro, Carneiro Sândalo e Aroldo Santarosa, por exemplo.

A faixa que encerra o álbum é Zé Geraldo (O Poeta do Bem), escrita por João Carreiro e Chico Teixeira, que por sinal participam nos vocais e violões. Uma homenagem tão bonita e merecida que não poderia ter ficado de fora do disco.

Hey, Zé! (o álbum) flagra um artista ainda inquieto, ativo e inspirado aos 75 anos de idade, capaz de nos oferecer canções belas, vigorosas e inspiradoras, que se mostram essenciais para suportar e tentar superar tempos tão difíceis como os que vivemos atualmente. A força de sua mensagem continua superando todos os desafios. Como diria outro artista do mesmo gabarito dele, o incrível Ednardo, “não tema sinhá donzela nossa sorte nessa guerra, eles são muitos, mas não podem voar”. Zé Geraldo pode! Voemos com ele!

Veja o clipe de Bicho Grilo Artesão, de Zé Geraldo:

Van Morrison: produtividade e inspiração em seu novo álbum

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Por Fabian Chacur

Em seus mais de 50 anos de carreira, o genial cantor e compositor irlandês Van Morrison sempre primou pela produtividade, com novos trabalhos surgindo com elogiável frequência. Desde que completou 70 anos de idade, no dia 31 de agosto de 2015, o cara parece que engatou uma velocidade ainda maior do que se poderia imaginar. Nesse período, o icônico artista caminha para o seu sexto álbum com o lançamento pelo selo Exile/Caroline International de Three Chords & The Truth, que no Brasil infelizmente só estará disponível nas plataformas digitais.

O trabalho conta com produção a cargo do próprio artista, que também assina todas as 14 canções incluídas nele, sendo 13 só dele e uma única em parceria com Don Black. O disco conta com as participações do badalado guitarrista Jay Berliner e do consagrado cantor Bill Medley (ex-integrante do duo The Righteous Brothers), este último em dueto na faixa Fame Will Eat The Soul.

A primeira canção divulgada do álbum, Dark Night Of The Soul, é daquelas que já nascem clássicas, tal a qualidade artística e acessibilidade que possui. O mais legal é que a voz de Van The Man, uma das mais expressivas do rock-soul-jazz, aparece em excelente forma, o que torna este álbum mais um item bacana para ser apreciados pelos fãs desse mestre da canção pop.

Eis as faixas de Three Chords And The Truth:

1. March Winds In February
2. Fame Will Eat The Soul
3. Dark Night Of The Soul
4. In Search Of Grace
5. Nobody In Charge
6. You Don’t Understand
7. Read Between The Lines
8. Does Love Conquer All?
9. Early Days
10. If We Wait For Mountains
11. Up On Broadway
12. Three Chords And The Truth
13. Bags Under My Eyes
14. Days Gone By

Dark Night Of The Soul– Van Morrison:

Raul Seixas dentro do caixão na capa do extinto Diario Popular

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Por Fabian Chacur

Naquele 21 de agosto de 1989, estava me preparando para ir embora para casa, por volta das 17h, depois de um dia de trabalho puxado. Quando já me direcionava para abrir a porta da recepção do Diário Popular, a recepcionista me chamou para atender o telefone. Era o Danilo Angrimani, meu editor na época. “Fabian, preciso de você, o Raul Seixas morreu; estou mandando o Carlos Macena no velório, enquanto você escreve uma biografia dele”.

Mal refeito do susto, em função da morte de um dos meus ídolos na área musical, toca eu subir de novo para o quinto andar, onde ficava a redação do Dipo, pesquisar e redigir, ainda em máquina de escrever, um resumo da carreira desse artista maravilhoso que não soube cuidar direito de sua saúde, deixando-nos com apenas 44 anos de idade.

Três meses antes, eu havia tido a primeira e única oportunidade de entrevistá-lo, em coletiva realizada no escritório da Warner em São Paulo que começou com mais de três horas de atraso e na qual ele veio de pijama de bolinhas. Ao saber da origem do meu nome, até cantou para mim um trecho de Turn To Loose, grande hit do cantor americano Fabian lá pelos idos de 1960.

Estavam por lá ele e Marcelo Nova, com quem havia acabado de gravar o álbum A Panela do Diabo, que só sairia mais tarde, e com quem ele faria shows naquele final de semana de 1989. Nunca vou me esquecer do momento em que citaram nomes de sucesso do rock Brasil de então. “Lulu Santos não dá pra encarar”, disparou, referindo-se ao autor de Como Uma Onda.

Vi o primeiro dos três shows que ele fez no hoje extinto Olympia com Marcelo Nova, e cravei na crítica, que foi publicada no dia em que o terceiro seria realizado: “não perca, pois pode ser o último”. Escrevi isso por ter ficado chocado com o estado de saúde do cara, e infelizmente, acertei.

Outra lembrança é de ter visto na mesma época, junto com um fotógrafo com o qual estava trabalhando, na região da avenida Paulista, o mesmo Raul Seixas, novamente de pijamas, provavelmente próximo do apartamento onde ele morava. Uma cena meio bizarra e inesquecível. Eu e meu colega ficamos constrangidos em abordá-lo.

Voltando ao episódio do obiturário, vale lembrar que cumpri a minha missão com toda a dignidade possível, embora estivesse chocado com aquela perda. Escrevi o texto e me mandei para casa, umas quatro horas depois do que pretendia.

No dia seguinte, pego o Diário e fico horrorizado: na capa do jornal, uma foto do Maluco Beleza dentro do caixão, grosseria que nem mesmo o frequentemente sem noção e grotesco Notícias Populares se permitiu. Comentei com o Danilo, que por sua vez foi comentar com o Jorge Miranda Jordão, então diretor de redação daquele extinto órgão de imprensa.

“Pô, Miranda, você pegou pesado, que foto de mau gosto!”. A resposta do Miranda, segundo o Danilo, foi antológica: “Como, mau gosto? Tinha de pôr essa foto, sim! Afinal de contas, as pessoas querem saber se o Maluco Beleza morreu ou não, e o único jeito de provar isso é mostrando ele dentro do caixão!”.

Meu editor, então, me disse o óbvio: “como iria discutir com esse doido?” E daí em diante, todo fotógrafo do Diário que saía para cobrir velório de famoso ia com essa missão fúnebre: a foto do famoso dentro do caixão. Argh!

Leia texto dando uma geral na carreira de Raul Seixas aqui.

Leia resenha do antológico álbum Krig-ha, Bandolo! aqui.

Ouça Krig-ha, Bandolo! de Raul Seixas, em streaming:

Yes lança álbum duplo 50 Live em formatos físico e digital no Brasil

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Por Fabian Chacur

Como forma de celebrar seus 50 anos de carreira, o Yes está lançando nesta sexta (2) no Brasil via Warner Music, em CD duplo e nas plataformas digitais, o álbum Yes 50 Live. Gravado ao vivo basicamente durante show realizado na Filadélfia (EUA), o trabalho inclui faixas de dez de seus álbuns de estúdio, com ênfase na fase mais progressiva de sua trajetória, deixando de lado o repertório desenvolvido nos anos 1980 e 1990 ao lado do guitarrista sul-africano Trevor Rabin.

A atual formação do Yes inclui Steve Howe (guitarra), Geoff Downes (teclados), Alan White (bateria), Billy Sherwood (baixo), Jon Davison (vocal) e Jay Schellen (bateria). O álbum traz as participações especiais de ex-integrantes como os tecladistas Tony Kaye (em Yours Is No Disgrace, Roundabout e Starship Trooper) e Patrick Moraz (em Soon) e também Tom Brislin (teclados) e Trevor Horn (vocal).

O set list traz a versão completa da longa e maravilhosa Close To The Edge, faixa-título do fantástico álbum da banda lançado em 1972 e um de seus melhores, e também clássicos como Roundabout, Soon e Yours Is No Disgrace.

Com capa mais uma vez trazendo desenho do genial Roger Dean, o álbum é bem interessante, mas não dá para negar que é no mínimo esquisito ouvir um disco do Yes sem a presença do cantor Jon Anderson, fora desde 2008, e, principalmente, do saudoso baixista e fundador do grupo, Chris Squire (1948-2015).

Vale lembrar que, repetindo situação já ocorrida em outros períodos da história dessa seminal banda de rock progressivo, há desde 2016 uma outra formação na ativa com ex-integrantes do time. Trata-se de Anderson, Rabin And Wakeman, que reúne Jon Anderson, Trevor Rabin e Rick Wakeman, sendo que este último prometeu novos shows do trio para 2020.

Eis as faixas de Yes 50 Live:

Disco um

Close To The Edge
-The Solid Time Of Change
-Total Mass Retain
-I Get Up I Get Down
-Seasons Of Man

Nine Voices (Longwalker)
Sweet Dreams
Madrigal
We Can Fly From Here, Part 1
Soon
Awaken

Disco dois

Parallels
Excerpt From The Ancient
Yours Is No Disgrace
Excerpt From Georgia’s Song And Mood For A Day
Roundabout
Starship Trooper
a. Life Seeker
b. Disillusion
c. Wurm

Ouça Yes 50 Live em streaming:

Foreigner lança álbum ao vivo gravado em Londres em 1978

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Por Fabian Chacur

Em 27 de abril de 1978, o grupo Foreigner subiu ao palco do lendário Rainbow Theatre em Londres para encarar uma casa cheia. E não era para menos. Seu autointitulado álbum de estreia, lançado em março de 1977, atingiu o 3º lugar na parada americana e rapidamente os impulsionou na cena do hard rock melódico mundial. Naquele dia, os caras fizeram um show repleto de energia e competência, que só agora pode ser conferido em registro oficial. Trata-se de Live At The Rainbow ’78, que a Warner Music está lançando no Brasil em CD e também disponibilizando nas plataformas digitais.

Tudo começou em 1976, quando o experiente músico inglês Mick Jones (guitarra, teclados, backing vocals), ex-integrante do Spooky Tooth e da banda de apoio de Leslie West (ex-Mountain) se viu desempregado. Incentivado por um empresário, resolveu montar um novo time, com os conterrâneos Ian McDonald (guitarras, teclados, sax, flauta, backing vocals, ex-integrante do King Crimson) e Dennis Elliott (bateria, backing vocals).

Logo a seguir, entraram no time os americanos Al Greenwood (teclados, sintetizador) e Ed Gagliardi (baixo, backing vocals). Só faltava o vocalista, que quase foi o ótimo Ian Lloyd, ex-Stories (do hit Brother Louie). Depois de dezenas de testes, Mick Jones se lembrou do LP da banda ianque Black Sheep que ganhou de seu cantor, um certo Lou Gramm anos antes. Finalmente ele o pôs na vitrola, e gostou do que ouviu. Resultado: outro americano na banda.

A química deu tão certo que o Foreigner (forasteiro em inglês, nome bem adequado para os britânicos do time) arrebentou em termos comerciais logo com seu primeiro álbum. E foi para divulgar este trabalho que o então sexteto foi a Londres. Tanto que o repertório do show e incluído em Live At The Rainbow ’78 traz as dez faixas desse LP, além de duas do álbum que eles lançariam em junho de 1978, Hot Blooded e Double Vision (esta, a faixa-título).

O repertório é uma verdadeira aula de hard rock melódico, com direito a teclados com pitadas progressivas, backing vocals impecáveis e alguma coisinha de Free, Bad Company e Beatles. A partir dali, o Foreigner teve algumas mudanças em sua escalação e atingiu seu auge em termos de popularidade na metade dos anos 1980, com hits românticos como Waiting For a Girl Like You e I Want To Know What Love Is, vendendo em torno de 80 milhões de discos.

Eis as faixas de Live At The Rainbow ‘78:

Long, Long Way From Home
I Need You
Woman Oh Woman
Hot Blooded
The Damage Is Done
Cold As Ice
Starrider
Double Vision
Feels Like The First Time
Fool For You Anyway
At War With The World
Headknocker

Cold As Ice (live)- Foreigner:

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