Mondo Pop

O pop de ontem, hoje, e amanhã...

Tag: rock brasil (page 2 of 7)

Nau terá um álbum inédito da década de 80 lançado nesta 6ª

Capa 1

Por Fabian Chacur

Ótima notícia para os fãs do rock brasileiro dos anos 1980. Será lançado nesta sexta (9) um álbum inédito do extinto grupo paulistano Nau, lembrado por ter tido como vocalista a saudosa cantora, compositora e escritora Vange Leonel (1963-2014). Intitulado O Álbum Perdido do Nau, será disponibilizado nas plataformas digitais pela gravadora Deck. Até o momento, não está previsto o lançamento em formato físico, o que torcemos para que ocorra futuramente.

O Nau surgiu lá pelos idos de 1984, formado por Vange (vocal e teclados), Zique (guitarra), Beto Birger (baixo) e Mauro Tad Sanches (bateria). Com uma sonoridade pesada, quase hard rock, que também trazia momentos mais reflexivos-psicodélicos, o quarteto tornou-se badalado na cena rocker de São Paulo, e atraiu as atenções de Luis Calanca e da sua Baratos Afins, que os incluiu na coletânea Não São Paulo II ao lado das bandas Gueto, 365 e Vultos.

Devido a problemas técnicos, esta compilação, gravada em 1986, só saiu em 1987, quando o Nau já havia sido contratado pela gravadora CBS (hoje Sony Music). As músicas incluídas no álbum foram Madame Oráculo e Sofro. Naquele mesmo ano, saiu o autointitulado álbum de estreia do grupo (ouça aqui ), produzido por Luis Carlos Maluly, conhecido por seu bem-sucedido trabalho com o RPM de Paulo Ricardo.

Com excelente qualidade, o álbum valeu à banda uma matéria de duas páginas da revista Veja, e também a capa da publicação independente Som & Imagem. Embora tenha tido ótima repercussão na cena indie, o LP vendeu muito menos do que merecia, o que gerou o desinteresse da multinacional em lançar um novo trabalho deles.

Já com o experiente baterista Kuki Stolarski na vaga de Mauro Tad Sanches, o Nau entrou no estúdio Big Bang, em São Paulo, para gravar um novo álbum, com músicas inéditas cujas letras eram da jornalista Cilmara Bedaque. Com o fim do contrato com a CBS e a separação da banda, em 1989, este trabalho permanecia inédito até agora.

Após o fim do Nau, Vange lançou em 1991, pela Sony Music, seu primeiro e único trabalho solo, autointitulado. Com uma pegada mais dançante, ela emplacou o hit Noite Preta, tema de abertura da novela global Vamp. Esse Mundo, do mesmo álbum, entrou na trilha de outra atração global, Perigosas Peruas, em 1992.

Nau no programa Boca Livre, de Kid Vinil, em 1988:

Zé Geraldo e Francis Rosa vão tocar no Sesc Belenzinho (SP)

Zé Geraldo e Francis Rosa -foto de Guilhermina Pinacolada-400x

Por Fabian Chacur

Zé Geraldo e Francis Rosa se conheceram há aproximadamente quatro anos. A amizade gerou bons frutos, como composições, shows e o DVD Cantos e Versos. E é exatamente este último o gancho para apresentações em São Paulo nesta sexta (9) e sábado (10) às 21h30 na Comedoria do Sesc Belenzinho (rua Padre Adelino, nº 1.000- Belenzinho- fone 0xx11-2076-9700), com ingressos de R$ 6,00 a R$ 20,00.

Oriundo de Joanópolis (SP), Francis Rosa é um violeiro com sete CDs em seu currículo. A combinação do seu instrumento com o som rock-folk-rural de Zé Geraldo dá o tempero para o DV Cantos & Versos, que foi gravado ao vivo no Teatro Municipal de Vinhedo (SP). No repertório, Cidadão, Galho Seco, Como Diria Dylan, Hey Zé e Lírios, entre outras.

Os dois shows terão em cena Zé Geraldo (voz, gaita e violão), Francis Rosa (voz e violas), Jean Trad (guitarra, ex-Aguilar e a Banda Performática), Carlito Rodrigues (baixo), Carneiro Sândalo (bateria, fiel escudeiro de Zé Geraldo) e Juninho Serafranny (violão).

A carreira do cantor, compositor e músico mineiro Zé Geraldo ultrapassa os 40 anos de atividades. No final dos anos 1970 e início dos 1980, emplacou hits como Milho aos Pombos, Cidadão e Como Diria Dylan, mostrando uma personalizada mistura de rock, folk, country e som rural brasileiro. Mesmo sem tanto apoio da mídia, conseguiu cativa um público fiel, que costuma lotar todos os seus shows.

Além de ótimos trabalhos solo repletos de músicas bacanas (entre as quais o ácido rock Como Diria Raulzito), ele fez algumas parcerias marcantes com o Duofel (o álbum Acústico, de 1996) e Renato Teixeira (o CD O Novo Amanhecer, de 2000). Aos 73 anos, continua firme, forte e ativo na cena musical brasileira.

O Jeito Desse Meu Lugar– Francis Rosa e Zé Geraldo:

Violet Soda lança um clipe em animação para a faixa Friends

violet soda clipe friends-400x

Por Fabian Chacur

A banda Violet Soda lançou um clipe para divulgar a música Friends, uma das faixas de seu primeiro EP, Here We Go Again (Forever Vacation Friends). A première do mesmo ocorreu em São Paulo em um evento beneficente em prol da ONG AdoteDog e com o objetivo de incentivar a adoção consciente de animais de rua. O vídeo foi feito em pixel art por Fabricio Aguiar (16 Bits da Depressão).

A faixa é um rock vigoroso, melódico e de refrão poderoso, e tem como tema o amor incondicional, do qual não existe melhor exemplo do que aquele que um cão sente por seu dono(a). “A letra da música fala sobre amor incondicional e a gente compôs pensando na mais pura e verdadeira forma de amor que existe, que é a de um animal pelo seu dono, seu amigo. Naturalmente, quando chegou a hora de fazer o clipe da faixa, queríamos transmitir essa ideia também”, explica Karen Dió.

Karen é a vocalista e guitarista da Violet Soda, que também conta em sua formação com Murilo Benites (guitarra), André Dea (bateria) e Lucas Ronsani (baixo). O quarteto iniciou sua trajetória este ano mesmo, mas seus integrantes já tiveram experiências anteriores como músicos. Seu som é basicamente garage rock, com direito a muita energia.

Além de Friends, o EP, disponível nas plataformas digitais, traz as faixas Coffee, Take Me e Ashes, cujas marcas registradas são letras em inglês, urgência sonora e o vocal potente de Karen. O clipe possui visual vintage e mostra o início do relacionamento entre um cãozinho e seu futuro dono, e certamente emocionará quem é dogmaníaco.

Friends (clipe)- Violet Soda:

Tony Babalu vai tocar no Sesc Belenzinho neste sábado (13)

tony babalu-400x

Por Fabian Chacur

Quem acompanha Mondo Pop certamente já leu algo sobre Tony Babalu por aqui. E começa a ler de novo, pois esse incrível guitarrista, compositor e produtor fará um show em São Paulo neste sábado (13) às 21h no teatro do Sesc Belenzinho (rua Padre Adelino, nº1.000- Belenzinho- fone 0xx11-2076-9700), com ingressos de R$ 6,00 a R$ 20,00. Boa chance para se conferir ao vivo um músicos diferenciado.

Com mais de 40 anos de carreira, Tony Babalu integrou bandas como Made In Brazil, Artigo de Luxo, Quarto Crescente e Bem Nascidos e Mal Criados, entre outras, além de produzir outros artistas. Na carreira solo, concentrou-se no som instrumental, com forte acento roqueiro mas aberto a influências como blues, funk de verdade e jazz. Seu estilo é diversificado e criativo, com direito a belos riffs e solos elegantes e energéticos com assinatura própria.

No Sesc Belenzinho, ele será acompanhado por Adriano Augusto (teclados), Leandro Gusman (baixo) e Percio Sapia (bateria). No repertório, músicas de seu mais recente álbum, o incrível Live Sessions II (2017), que rendeu a Babalu o Troféu Cata-Vento na categoria rock, e também faixas do anterior, o não menos do que ótimo Live Sessions At Mosh (2014). Tipo do show para sair de alma lavada.

Leia mais sobre Tony Babalu aqui.

Tony Babalu ao vivo no Sesc-2017:

Lô Borges resgata um de seus álbuns clássicos em belo DVD

loborgesdvdtenisclube-400x

Por Fabian Chacur

Em 1972, com apenas 20 anos de idade, Lô Borges surpreendeu aos fãs de música brasileira ao lançar dois trabalhos que com o tempo seriam consagrados como antológicos. Um é Clube da Esquina, álbum duplo que gravou em parceria com o amigo e mentor Milton Nascimento. Outro, um álbum solo autointitulado hoje mais conhecido como “Disco do Tênis”. Hoje curtindo a maturidade de seus 66 anos, ele resgata o repertório desses dois trabalhos seminais no DVD Tênis+Clube- Ao Vivo No Circo Voador, lançado pela gravadora Deck. Desde já, um dos grandes lançamentos deste 2018. Sublime é pouco!

Lô Borges marcou sua trajetória musical como autor de algumas das mais belas e enigmáticas canções do repertório pop brasileiro. Misturando com maestria folk, rock, country, MPB e experimentalismo, ele rapidamente se firmou como um dos grandes nomes a despontar do time de craques capitaneados por Milton Nascimento que recebeu o nome geral de Clube da Esquina. Se não fez tanto sucesso como o Bituca ou mesmo Beto Guedes, ele possui porte artístico compatível.

Em sua belíssima discografia, repleta de grandes momentos, o “Disco do Tênis” (ouça aqui) é certamente um dos mais badalados. O repertório do novo DVD do cantor, compositor e músico mineiro traz as 15 faixas daquele álbum (tocadas em ordem diferente da do LP original), as oito assinadas por Borges em Clube da Esquina e Para Lennon e McCartney, uma das primeiras composições dele a serem gravadas, mais precisamente por seu mestre e amigo, no LP Milton (1970).

Gravado ao vivo no Circo Voador (RJ) no dia 23 de março, o DVD nos traz um show sóbrio e elegante em termos visuais, sem grandes efeitos ou elementos cenográficos. O foco é todo na parte musical do espetáculo, e aí estamos diante da total e completa excelência, a começar pelos seis músicos selecionados por Lô, que toca guitarra, violão e caxixi, além de cantar com uma voz deliciosamente madura.

O capitão do time é Pablo Castro (vocal, piano, violão, guitarra), que além de ser o diretor musical da coisa toda ainda dá um banho de sensibilidade e talento ao reproduzir com rara competência os vocalizes feitos por Milton Nascimento na gravação original de Clube da Esquina Nº 2. Aliás, o projeto foi levar ao palco os arranjos originais gravados nos álbuns de 1972, e a missão não poderia ter sido melhor cumprida.

Além de Pablo, integram a banda os excelentes Gui de Marco (guitarra, violão, percussão e vocais), Paulim Sartori (baixo, bandolim, percussão e vocais), D’Artagnan Oliveira (bateria, percussão e vocais), Dan Oliveira (guitarra, violão, percussão e vocais) e Alê Fonseca (teclados e programações), um elenco que não se preocupou apenas em “tocar igualzinho”, mas sim de trazer para o palco a emoção contida em cada uma dessas canções admiráveis.

Tocando perante um Circo Voador lotado e com plateia gritando “Lô, eu te amo” desde o início, o mestre mineiro da canção esbanja simpatia, evidente timidez e emoção em músicas divinas como Você Fica Melhor Assim, Pensa Você, Aos Barões, Canção Postal, Tudo Que Você Podia Ser, Nuvem Cigana, Paisagem da Janela… São 78 minutos de puro prazer, um belo culto a canções que equivalem a um verdadeiro bálsamo sonoro em tempos tão difíceis como os atuais.

Clube da Esquina Nº2 (ao vivo)- Lô Borges:

Ira! relê ao vivo em São Paulo seu LP Psicoacústica (1988)

ira! 2018-400x

Por Fabian Chacur

Em 1988, o Ira! lançou o seu álbum mais experimental. Após dois trabalhos de muito sucesso, o grupo paulistano mostrou no LP Psicoacústica uma disposição de explorar novos rumos sonoros que a capa em 3-D (com direito a um óculos especial de brinde) já indicava. A banda comemora os 30 anos desse trabalho com dois show em São Paulo, nesta sexta (14) e sábado (15), sempre às 21h30, no Sesc Belenzinho- Comedoria (rua Padre Adelino, nº 1.000- Belenzinho- fone 0xx11-2076-9700), com ingressos custando de R$ 9,00 a R$ 30,00.

O set list dos shows do grupo paulistano trará na íntegra o repertório de seu terceiro álbum, do qual fazem parte músicas marcantes como Rubro Zorro, Poder, Sorriso, Fama, Receita Para Se Fazer Um Herói, Pegue Essa Arma e Farto de Rock ‘N’ Roll, que nem sempre costumam ser tocados ao vivo nos seus shows. Essa mistura de psicodelia, hard rock e até elementos de rap não vendeu muito na época, mas lhes proporcionou um CD influente e relembrado com carinho em sua discografia.

De volta à ativa desde 2014, após alguns anos fora de cena, o Ira! mantém de sua formação clássica Nasi (vocal) e Edgard Scandurra (guitarra e vocal), que hoje tem a seu lado Evaristo Pádua (bateria), Johnny Boy (teclados e violão) e Daniel Rocha (baixo). Além das músicas de Psicoacústica, haverá espaço para hits como Flores Em Você, Dias de Luta, Núcleo Base, Envelheço Na Cidade e Tarde Vazia.

Psicoacústica- Ira! (ouça em streaming):

Ricardo Bacelar lança o single com a parceria com Belchior

ricardo bacelar6@FernandoHerrera-400x

Por Fabian Chacur

Em 1996, Ricardo Bacelar se incumbiu dos arranjos e direção musical do álbum Vício Elegante, de Belchior, do qual já era amigo e com o qual já havia dividido o palco em algumas ocasiões. No CD, dedicado a releitura de composições alheias, só tínhamos uma composição inédita, a faixa-título, parceria do autor de Paralelas com Bacelar, belo pop-rock com letra refinada e melodia precisa (ouça aqui).

Como forma de ao mesmo tempo homenagear o grande mestre cearense, que nos deixou em 2017 aos 70 anos, e também resgatar uma bela canção, Bacelar acaba de lançar um single com a sua releitura de Vício Elegante. Além de sua voz e piano, temos um envolvente arranjo de cordas assinado pela produtora da gravação, a consagrada Delia Fischer. Desta vez, a canção surge com um arranjo mais introspectivo e denso, com bela interpretação de Bacelar.

Vale lembrar que Belchior participou da faixa Tempos de Liberdade, incluída no primeiro disco solo de Ricardo Bacelar, In Natura (2001), após seus cerca de dez anos como integrante do grupo Hanói Hanói ao lado de Arnaldo Brandão. Ele lançou recentemente o excelente CD Sebastiana (leia a resenha de Mondo Pop aqui).

Vicio Elegante– Ricardo Bacelar:

Dusty Old Fingers retornam e fazem um show em Campinas

dusty old fingers grupo 400x

Por Fabian Chacur

Depois de uns bons anos longe de cena, volta à ativa um dos grupos mais bacanas do rock brasileiro desta década. Trata-se do Dusty Old Fingers. Oriundo de Campinas (SP), o afiadíssimo time roqueiro lançou em 2013 um excelente álbum conceitual, The Man Who Died Everyday (leia a resenha de Mondo Pop aqui).

Eles iniciam essa nova fase com show em Campinas neste sábado (11) às 19h30 na Fundação Jurgensen (rua Frei Antônio de Pádua, nº 889- Jardim Guanabara), com ingressos a R$ 15,00 (antecipados) e R$ 25,00 (na hora- mais informações pelo fone 0xx19-3242-1769). A abertura fica por conta da banda Les Miserables.

O Dusty Old Fingers traz como figuras de ponta o carismático cantor e guitarrista Fabiano Negri, que também investe em uma consistente carreira solo, e o guitarrista e backing vocalista Tony Monteiro, um dos mais competentes críticos de rock deste país. Temos também os ótimos músicos Joni Leite (baixo) e Rick Machado (bateria). Ao vivo, completam o time as backing vocalistas Nara Leão e Sheila Le Du.

No show, a banda mostra as músicas de seu álbum de estreia, cujo tema é a vida do saudoso Brian Jones, guitarrista dos Rolling Stones nos anos 1960 e morto tragicamente em 1969, com apenas 27 anos. Músicas como Lost Eyes e Blond Hair Baby Face mergulham nos aspectos da trajetória daquele músico genial com uma sonoridade mesclando rock, blues, folk e country. A ótima inédita Never Drive Faster Than My Angel Can Fly também estará no set list.

Dois dos integrantes da Dusty Old Fingers farão jornada dupla neste show, pois também integram o Les Miserables. São eles Tony Monteiro e Joni Leite, que terão a seu lado Marcos Machado (vocal), David Andres (guitarra) e Junior Baroni (bateria). O repertório do quinteto dará uma geral em clássicos do rock brasileiro da década de 1970.

Lost Eyes (clipe)- Dusty Old Fingers:

Marcelo Quintanilha mostra CD Caju em Santo André-SP

Marcelo Quintanilha - Foto Patricia Ribeiro 02-400x

Por Fabian Chacur

Cazuza nos deixou em 1990, mas o poder de sedução e encantamento de sua obra se mostra mais forte do que nunca. Isso explica as releituras de suas eternas canções. O cantor Marcelo Quintanilha mergulhou nesse universo com o CD Caju- Canções de Cazuza, cujo repertório ele mostra em show em Santo André (SP) neste sábado (21) às 20h no Teatro do Sesc Santo André (rua Tamarutaca, nº 302- Vila Guiomar- fone 0xx11-4469-1200), com ingressos de R$ 6,00 a R$ 20,00.

Quintanilha, que também é músico e compositor, terá a seu lado uma banda afiada composta pelo incrível Rogério Rochlitz (teclados e programações, saiba mais sobre ele aqui), Simon Abbud (guitarra e violões), Danilo Viana (baixo acústico) e Peu Del Rei (guitarra). Os arranjos musicais, exceto o de Faz Parte do Meu Show, de Xinho Rodrigues, foram feitos por Quintanilha em parceria com o maestro Rodrigo Petreca, produtor do álbum.

O CD reúne 11 clássicos do repertório de Cazuza, entre os quais Blues da Piedade, Um Trem Pras Estrelas, Pro Dia Nascer Feliz , Ideologia e Exagerado, e também uma composição de Marcelo Quintanilha intitulada Caju, uma bela homenagem ao ex-cantor do Barão Vermelho e um dos maiores nomes da história do rock brasileiro.

Com mais de 25 anos de carreira, Marcelo Quintanilha tem em seu currículo dez álbuns, entre os quais Pierrot & Colombina (2006), gravado em parceria com a sua esposa, a cantora e compositora Vânia Abreu. Suas canções já foram gravadas por nomes famosos do universo musical brasileiro, como Nando Reis, Daniela Mercury (irmã de Vânia), Belô Veloso e o Padre Fábio de Melo, entre outros.

Caju- Canções de Cazuza- Marcelo Quintanilha (streaming):

Trinca de Ases, bela união de Gil, Nando Reis e Gal Costa

trinca de ases capa dvd-400x

Por Fabian Chacur

A ideia de reunir Gilberto Gil, Nando Reis e Gal Costa em um show que inicialmente celebraria o centenário de Ulysses Guimarães foi do jornalista Jorge Bastos Moreno (1954-2017), mas ele infelizmente não viveu o suficiente para ver sua sugestão concretizada. Com o nome Trinca de Ases, o show passou com sucesso pelo Brasil e Europa e agora é lançado em DVD duplo pela Biscoito Fino, em espetáculo registrado no Espaço das Américas (SP) em 25 de novembro de 2017.

O conteúdo é divido em duas partes. O primeiro disco traz o documentário A Gente Quer é Viver, frase extraída da clássica canção de Gilberto Gil eternizada na voz de Gal Costa nos anos 1970 e que encerra o show. Durante seus 71 minutos de duração, temos entrevistas dos participantes (juntos e individualmente) e cenas dos ensaios, bastidores e dos shows propriamente ditos, nos quais podemos descobrir as peculiaridades da parceria.

Nando, por exemplo, confessa que, ao receber o convite para o projeto, ficou em dúvida se seria capaz de encarar tal desafio. Ele foi entrando no espírito da coisa graças à forma como Gil o abordou, ao mesmo tempo dando a ele a tranquilidade necessária para se soltar e também deixando claro que existiam expectativas em relação a Nando naquela parceria tripla que precisavam ser concretizadas para que tudo desse certo. Nando TINHA de se soltar. E ele conseguiu.

Um momento do documentário que deixa bem clara esse ajuste fino entre Gil e Nando ocorre quando o eterno tropicalista questiona o ex-titã sobre a inédita Dupla de Ás, de Nando, tentando entender a estrutura rítmica da canção e levando o autor a até mesmo questionar se aquela sua composição seria mesmo adequada ao projeto. Era, e entrou no repertório.

A concepção de como fazer o show também seguiu sugestões de Gil, que impulsionou-os a fugir de uma estrutura com apenas vozes, violões e apenas os três em cena. Assim, foram acrescentados à Trinca de Ases os músicos Kainã do Jejê (bateria e percussão) e Magno Brito (baixo). Ele também apontou o rumo de cantarem em pé, defendendo um repertório energético em sua essência.

Outra coisa bacana do documentário é mostrar como o relacionamento entre os músicos se desenvolveu, com Gil sendo na prática diretor musical e músico principal, Nando seu braço direito e Gal o algodão entre cristais, brilhando em seus momentos solo e ajudando a dar ao trabalho uma consistência de um grupo de fato e de direito.

Apenas três das 25 músicas são apresentadas no formato sentado e sem os músicos de apoio. São elas Retiros Espirituais, Copo Vazio e Meu Amigo Meu Herói, sendo que na segunda Nando só canta, e na terceira, temos apenas Gil e Gal em cena. De resto, são os três de pé, com Nando tocando violão com cordas de aço e o autor de Realce valendo-se de cordas de nylon no seu instrumento.

Das 25 músicas que integram o repertório do show, 12 são de Gil, 9 de Nando, uma é parceria entre Gil e Nando (a ótima Tocarte) e três são sucessos do repertório de Gal. Além de Tocarte, são inéditas Trinca de Ases (Gil), espécie de canção-tema do show composta por sugestão de Nando e claramente inspirada nos Rolling Stones (com direito a citação de Satisfaction por parte de Gal) e a já citada Dupla de Ás (Nando).

O show, com quase duas horas de duração, equivale a uma deliciosa viagem por momentos importantes das carreiras dos três devidamente atualizados e adaptados para o contexto do trio. O ótimo desempenho dos músicos de apoio ajuda a concretizar de forma brilhante o conceito inicial de Gil, e também a disposição que Gal tinha de ver elementos rockers incorporados ao projeto. O entrosamento de Gil e Nando nos violões é muito bom, com os timbres distintos de seus instrumentos se encaixando de forma harmônica e rica, sem virtuosismos tolos.

Com vitalidade e energia elogiáveis para dois setentões e um cinquentão, o trio cativa com recriações muito boas de maravilhas do porte de Palco, All Star, Esotérico, Cores Vivas, Pérola Negra (incluída no repertório após a morte de seu autor, Luiz Melodia), Refavela, Nos Barracos da Cidade, O Segundo Sol e A Gente Precisa Ver o Luar.

Há durante o show algumas arestas não aparadas que poderiam ter dado ao trabalho, se devidamente ajustadas, um formato mais, digamos assim, “limpinho”, mas uma das graças deste Trinca de Ases é exatamente esse, sentir onde os três se completaram por inteiro e onde soam como água e óleo, sem se misturar com tanta simplicidade. Prova de que Gil, Nando e Gal não tiveram medo de ousar e experimentar, conquistando dessa forma uma consistência artística que torna esse projeto histórico por fato, por direito e por merecimento artístico.

Trinca de Ases (ao vivo)- Gil, Nando & Gal:

Older posts Newer posts

© 2019 Mondo Pop

Theme by Anders NorenUp ↑