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Toni Tornado (1971) é relançado em LP de vinil de 180 gramas

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Por Fabian Chacur

Tony Tornado beirava os 40 anos de idade em 1970, quando foi convidado a defender, no V Festival Internacional da Canção, a música BR-3 (de Antonio Adolfo e Tiberio Gaspar). Ele já havia encarado inúmeros desafios na vida até então, incluindo morar durante cinco anos em Nova York, imitar cantores como Chubby Checker e Little Richard em programas da TV brasileira e o que mais pintasse. Ali, achou finalmente o seu rumo, sendo o vencedor da fase nacional daquele evento promovido pela TV Globo e cativando com uma performance espetacular.

Um ano depois, lançou o seu disco de estreia, Toni Tornado (a grafia de seu nome artístico usava o i, ao invés do y atual). Esse disco clássico acaba de ser relançado em vinil de 180 gramas, em parceria da Polydisc com a Universal Music.

BR-3 é a faixa mais conhecida daquele trabalho, uma balada intensa que ajudou a introduzir a soul music no Brasil, com direito a vigorosos e perfeitos vocais de apoio por conta do Trio Ternura. Experiente, Tony incorporou esse estilo musical com muita propriedade, e esse álbum de estreia segue tal linha com categoria, trazendo 12 faixas, entre as quais o seu maior hit e também Me Libertei (Frankie e Tony Bizarro) e O Jornaleiro (Major e Toni Tornado).

Após mais um hit, Podes Crer, Amizade, faixa de seu segundo e também autointitulado álbum, de 1972, Tony mergulhou na carreira de ator, que lhe proporcionou muito sucesso em filmes, novelas, séries etc. Dessa forma, a música ficou em segundo plano, na sua vida, tanto que ele nunca mais gravou um disco solo. Uma pena, pois o cara era do ramo. Nesse disco agora relançado, temos produção de Milton Miranda e orquestrações, arranjos e participações de Paulo Moura e Walter Branco, todos brilhantes.

BR-3– Toni Tornado:

Coletânea equivale a amostra do brilhante Wilson Simonal

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Por Fabian Chacur

Luiz Carlos Miele, um dos grandes produtores e apresentadores do show business brasileiro, afirma que Wilson Simonal foi o maior cantor brasileiro de todos os tempos. Um belíssimo aval para esse intérprete carioca que viveu de 1938 a 2000 e nos deixou um belo legado musical. A coletânea S’Imbora- A História de Wilson Simonal, que a Universal Music acaba de lançar, é bela amostra de uma obra brilhante.

A compilação tem como mote o espetáculo teatral S’Imbora- O Musical- A História de Wilson Simonal, escrito por Nelson Motta e Patrícia Andrade, dirigido por Pedro Bricio e estrelado por Ícaro Silva, que estreou no começo deste ano e vem fazendo bastante sucesso. Embora use a identidade visual do musical na embalagem, a compilação traz as gravações originais do saudoso Simona, e não do elenco da peça.

São 20 faixas, sendo 17 da época áurea do astro carioca, vividos na gravadora EMI-Odeon entre 1961 e 1971, uma de 1975 e duas gravações de seus talentosos filhos, Wilson Simoninha (Nanã, que também está no CD na leitura do pai) e Max de Castro (Afrosamba). O belo encarte traz as letras das faixas e texto do consagrado produtor Jorge Davidson, que trabalhou em diversas gravadoras.

Simonal era o que poderíamos chamar de um artista praticamente completo. Compositor eventual, ele compensava tal “deficiência” com uma voz maravilhosa, um swing irresistível e um carisma no palco capaz de domar as multidões mais exigentes. Um “entertainer” na acepção da palavra, que se tivesse nascido nos EUA teria sido astro internacional.

Do início como seguidor da bossa nova, Simona enveredou por uma brasilidade mestiça, da qual faziam parte a soul music, o jazz, a música latina e o que mais pintasse, até rock. O seu balanço próprio gerou um estilo apelidado de “pilantragem” cuja marca era o ritmo contagiante e irresistível, do tipo de fazer dançar até defunto.

O impecável documentário Ninguém Sabe O Duro Que Dei (2009) ajudou a tirar esse artista brilhante do nimbo a que foi relegado por causa de acusações feitas em 1971 que acabaram se mostrando infundadas. Ele tinha temperamento difícil e criou muitas encrencas em sua vida, mas dedo duro da Ditadura Militar ele nunca foi. Não merecia ter caído na “Sibéria do mundo musical”, pois seu trabalho era de enorme qualidade. Grande injustiça.

Esta compilação da Universal Music serve como uma boa introdução a quem por ventura não conheça essa obra incrível, ou para quem quiser um resumo conciso. Sá Marina, Tributo a Martin Luther King, Zazueira, Carango, Vesti Azul, Aqui é o País do Futebol, Nem Vem Que Não Tem, é uma bala atrás da outra. Um verdadeiro soul man à brasileira e à sua moda.

Nem Vem Que Não Tem– Wilson Simonal:

País Tropical/Sou Flamengo– Wilson Simonal:

Aqui é o País do Futebol– Wilson Simonal:

Músico Lincoln Olivetti morre aos 60 anos e deixa saudade

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Por Fabian Chacur

Considerado um dos mais influentes, bem-sucedidos e polêmicos maestros e arranjadores da história da MPB, morreu nesta quarta-feira (13) Lincoln Olivetti. Ele tinha 60 anos de idade, e foi vítima de um infarto, segundo informações divulgadas por sua assessoria de imprensa. Deixa como legado um trabalho que ajudou a mudar a sonoridade da MPB.

Natural de Nilópolis (RJ), Lincoln Olivetti começou sua trajetória no meio musical nos anos 1970. Talentoso como tecladista e arranjador (especialmente de metais), rapidamente incorporou o estilo adult contemporary, que surgiu nos EUA na segunda metade daquela década e que equivalia a uma mistura de soul, jazz e pop ao mesmo tempo sofisticada e com apelo radiofônico.

Olivetti aprendeu bastante com o que ouviu de artistas como George Benson, Earth Wind & Fire e Brothers Johnson (entre outros), e trouxe essas sonoridades recheadas de teclados eletrônicos, metais agitados e guitarras funk/jazzísticas para o universo da música brasileira. Teve grande e luxuosa ajuda do guitarrista Robson Jorge (1954-1993).

A partir do sucesso de seu trabalho com Rita Lee e Tim Maia, o som de Lincoln Olivetti tornou-se padrão na sonoridade da MPB e do pop brasileiro da primeira metade dos anos 1980. Embora tivesse seus (muitos) méritos, ele acabou caindo na repetição em diversos casos, devido ao excesso de artistas que requisitavam seus serviços, e virou grife, para o bem e para o mal.

Entre outros inúmeros artistas, valeram-se de seus serviços Rita Lee, Tim Maia, Roberto Carlos, Sandra de Sá, Jorge Ben Jor e Gal Costa. As músicas da dupla de compositores Michael Sullivan e Paulo Massadas frequentemente ganhavam seus arranjos, criando assim o que pode se chamar de “som adulto contemporâneo brasileiro”.

Como seria de se esperar, essa sonoridade acabou se desgastando, e com isso Mr. Olivetti viu seu prestígio cair a partir dos anos 1990. No entanto, continuou trabalhando com artistas como Lulu Santos e Marina Elali. Com esta última, por sinal, não só atuou em discos como também em shows ao vivo, como o realizado no extinto Palace em 2006.

Em 1982, Robson Jorge e Lincoln Olivetti lançaram um álbum autointitulado, repleto de composições próprias e releituras de material alheio com aquela levada característica que fazia com que alguns confundissem esse material com o de George Benson. Mas o álbum é bem legal, e inclui sua releitura instrumental de Baila Comigo que serviu como abertura para a novela global de 1981, além do ótimo hit Eva.

Eva– Robson Jorge & Lincoln Olivetti:

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